domingo, 3 de maio de 2020

Minas dos Carris (2002 - 2006)


Antes das fotografias mais recentes, as Minas dos Carris, entre (11 de Fevereiro de) 2002 e 2006.


24 de Fevereiro de 2002


2 de Junho de 2002


18 de Dezembro de 2002


11 de Janeiro de 2003


22 de Junho de 2003


2004


22 de Fevereiro de 2004


13 de Abril de 2004


18 de Julho de 2004


19 de Setembro de 2004


2005


27 de Fevereiro de 2005


20 de Dezembro de 2005


28 de Fevereiro de 2006


1 de Maio de 2006


6 de Agosto de 2006


10 de Dezembro de 2006

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 2 de maio de 2020

Laspedo, um topónimo geresiano


Já lá vão alguns anos desde que comecei a procurar a localização exacta do Laspedo.

A fotografia a seguir não ajuda muito devido à sua má qualidade. Tendo sido tirada em Julho de 1933 e publicada na Revista Latina em Setembro desse ano, mas ela mostra o Laspedo e tem a seguinte legenda: "Ao cair da tarde 'junto' à casamata de Albergaria no fundo do Peito da Escada, cerrando o horizonte, as três grandes massas do Laspedo, os Picos de Bargiela e de Eiras, estes últimos do lado do poente, por isso só os cimos do Laspedo sobressaem incandescidos pelos derradeiros fulgores solares como enorme fogueira, por entre a qual correm luzidios fios de ouro que são águas correndo de salto em salto para o vale." O texto fala-nos de uma «casamata de Albergaria» e «cerrando o horizonte, as três grandes massas do Laspedo, os Picos de Bargiela e Eiras», estando no final da tarde só o Laspedo iluminado pelos raios de Sol.


Estando na Albergaria e tendo em conta que a Portela de Leonte limita o horizonte, logo sendo impossível ver o Vale do Rio Gerês, seria de pensar que o Laspedo se situasse nas vertentes nascentes do Vale de Leonte descendo para a Mata de Albergaria. Como é óbvio, o texto "'junto' à casamata de Albergaria" pode apenas significar uma proximidade relativa a estes edifícios e só assim se explica também a observação das Eiras (na direcção da Serra Amarela), permitindo então ver os píncaros mais elevados no Vale do Rio Gerês.

O mapa a seguir, elaborado em Junho de 1935, mostra-nos a localização relativa do Laspedo. O mapa mostra o Laspedo já muito perto do Vale do Rio Homem na mesma linha de Varziela (Bargiela) e como se estivesse «à frente» do Cantarelo. O Junco, por seu lado, está muito mais a Sul, no entanto resta saber se este 'Junco' se refere ao alto do mesmo nome ou ao Curral do Junco localizado acima do Camalhão e em nada relacionado com este maciço. A observação do mapa desenhado por Camanho Pereira acaba por confirmar a localização do Laspedo feita de acordo com o texto citado em cima.


Na mesma revista surge o seguinte desenho que ajuda a confundir mais a localização do Laspedo...


Ora, curiosamente o topónimo Laspedo acaba por simplesmente quase desaparecer da literatura sobre a Serra do Gerês nos últimos anos e as indicações por vezes dadas acabam por confundir a sua localização com outros topónimos serranos do Gerês.

De facto, todas as indicações dadas pela Revista Latina, desde a descrição até ao mapas manuscritos, estão erradas e o Laspedo encontra-se no topo da Quelha Verde sobranceiro ao Vidoeiro, ficando "...a seguir ao Ferrinho de Engomar para Norte."

O mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês da Adventure Maps acaba por nos dar a localização do Laspedo, tal como se pode ver na fotografia a seguir (© Adventure Maps - Todos os direitos reservados)...


Utilizando como referência o mapa em cima, a posição do Laspedo no Google Earth deverá ser a seguinte...


As fotografias a seguir mostram o Laspedo visto desde o Vidoeiro e desde as imediações de Secelo.



Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Encontro Históricos da Montanha Portugal - Dezembro de 2020


5 a 8 de Dezembro de 2020. Será esta a data do sétimo encontro de Históricos da Montanha Portugal a ter lugar na Serra da Freita.

Além das várias actividades a divulgar oportunamente, com máscara ou com buff, pode-se desde já anunciar uma homenagem ao grande Rogério Caldeira, actividade que tem como curador o Pedro Pacheco. Irão sendo revelados mais pormenores ao longo dos meses, mas registe-se desde já esta data neste período de reabertura das montanhas.

Na realidade não se sabe muito bem como começou a ideia de criar um encontro mais ou menos anual da velha guarda, geralmente no feriado de 8 de Dezembro (mas nem sempre).

O primeiro ano (2013) foi um sucesso, apesar dos 6 graus nocturnos a acampar na praia da Ursa, com um fim-de-semana de céu límpido e uma vintena de escaladores da velha guarda.

Os locais e montanheiros têm vindo a rodar. Passados 2 ou 3 anos, são sempre mais de 70 pessoas aqueles que se juntam em volta de um ideal romântico de montanha, que em rigor ninguém conhece, ou não fosse esse um dos mistérios da montanha

Uma das causas para o sucesso prende-se com o facto de estes organizadores / participantes serem independentes de clubes e federações, apesar de todos eles terem o seu trabalho associativo em prol da comunidade, cada um nos seus projectos.

Paisagens da Peneda-Gerês (DLXXXIII) - Pala de Cambeiro


Na imensidão do Corrego de Cambeiro, Serra do Gerês, a Pala de Cambeiro, um abrigo para as noites frias da serra.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris (1991 - 1999)


Antes das fotografias mais recentes, as Minas dos Carris, entre (23 de Fevereiro de) 1991 e 1999.


29 de Fevereiro de 1992


15 de Abril de 1993


12 de Agosto de 1993


23 de Dezembro de 1993


8 de Maio de 1994


14 de Agosto de 1994


12 de Abril de 1995


Fevereiro de 1997


2 de Janeiro de 1999


12 de Agosto de 1999


30 de Agosto de 1999

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Paisagens da Peneda-Gerês (DLXXXII) - Currais de Conze


No princípio do Corrego de Cambeiro, Serra do Gerês, os Currais de Conze com o seu forno pastoril alagado.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Será 'Carris de Fontaiscas' um erro?


No texto "Carris de Fontaiscas, um topónimo geresiano?" interrogo-me sobre a existência ou não deste topónimo na Serra do Gerês?

A verdade é que ao olhar para o mapa desenhado por Camacho Pereira em Julho de 1933, ele surge-nos com alguns erros de localização e referenciação de algumas características daquela zona na Serra do Gerês.

A Folha nº 30 da Carta Militar de Portugal dos Serviços Geográficos do Exército (tanto na sua versão de 1949 como na versão de 1991) não refere este topónimo (na zona assinalada no mapa de Camacho Pereira). Porém, se estivermos atentos à versão de 1991 da Folha nº 31 vemos a referência à Ribeira de Fontaíscos cujas suas linhas de água se iniciam nas encostas sobranceiras à Lomba de Pau e depois descem para o Vale de Maceira. De notar que na versão de 1949 esta linha de água vem referida como Rio dos Vidos.


Ora, ao contrário do mapa de Camacho Pereira, a Ribeira de Fontaiscos encontra-se na vertente nascente do Vale de Leonte (tomando assim como referência uma área maior para ter a inclusão do topónimo 'Carris de Fontaiscas' na análise), enquanto que o topónimo em questão está na vertente poente do referido vale entre a Varziela (Bargiela) e o Pé de Cabril.


Como referi anteriormente, o mapa de Camacho Pereira é a única referência onde encontramos 'Carris de Fontaiscas', na verdade 'Carris de Fontaiscos', e nunca tinha lido ou escutado este topónimo anteriormente.

O mapa em si contém alguns erros de localização e de referenciação de algumas características daquela zona na Serra do Gerês, veja-se por exemplo a posição do Pé de Medela em relação às Albas e ao Cantarelo, entre outros.

Assim, sabemos de Fontaiscos (ou Fontaiscas) é um topónimo que de alguma forma está referido numa fonte oficial (a Folha nº 31 na versão de 1991). Logo, será que Camacho Pereira terá confundido 'Carris de Maceira' ao designá-lo como 'Carris de Fontaiscas'? Por outro lado, se interpretarmos 'carris' como uma zona de passagem, pode em tempos ter sido uma passagem entre a Lomba de Pau e o Vale de Maceira sem haver a necessidade de subir Tábuas e passar por Carris de Maceira e o topo da Corga dos Cântaros para chegar à Lomba de Pau, fazendo aí sentido o topónimo 'Carris de Fontaiscos'.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Caminhadas em Abril de 2020


Estas foram as caminhadas do blogue Carris em Abril de 2020...

288... Minas dos Carris

Passeata num mundo tranquilo e silencioso

Serra Amarela - Casarotas e Fojo do Lobo de Brufe

Serra do Gerês - À Junceda

À volta do Campo

Trilhos seculares - Pena Curva à vista do Campo

Serra do Gerês - Passeata em tarde de chuva

Trilhos seculares - Entre Junceda e a Laje

Trilhos seculares - Corga de Valongo

Trilhos seculares - Por Pena Curva e Junceda até aos limites de Vilarinho

Passeata até à pedreira

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris (2018)


As Minas dos Carris, mês a mês, entre 19 de Janeiro de 2018 e 13 de Dezembro de 2018.


17 de Fevereiro de 2018


3 de Março de 2018


17 de Março de 2018


13 de Abril de 2018


29 de Abril de 2018


25 de Junho de 2018


17 de Novembro de 2018


24 de Novembro de 2018


9 de Dezembro de 2018


13 de Dezembro de 2018

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

'Carris de Fontaiscas', um topónimo geresiano?


Este texto foi originalmente publicado a 7 de Janeiro de 2016 e agora adaptado.

Um dos meus passatempos favoritos é estudar velhos mapas e livros sobre o Gerês. São nestas verdadeiras memórias do passado onde se encontram tesouros há muito escondidos e esquecidos, quer sejam em formato de memórias visuais (fotografias) quer sejam em formato escrito.

É desta forma, juntamente com a memória oral dos anciãos geresianos e de alguns que vão insistindo em perpetuar velhos nomes, que se consegue descobrir velhos topónimos (orónimos) que são o ser e a alma do Gerês antigo e que a modernidade tem tendência a esquecer com a implementação de designações que são um insulto às gentes do Gerês, tais como são os nomes da 'Cascata do Tahiti' ou da 'Cascata Dulce Pontes'.

Este topónimo intriga-me bastante, pois só o vi citado numa fonte - a revista de turismo Latina na sua edição de Setembro de 1933. Será 'Carris de Fontaiscas', na verdade 'Carris de Fontaiscos' um verdadeiro topónimo na Serra do Gerês?

O topónimo, ou melhor, orónimo 'Carris de Fontaiscas' poderá ser um nome esquecido por entre as fragas da serra. Ora, antes de mais convém esclarecer o que é um orónimo. Por definição, um «orónimo» é o nome dos acidentes geográficos ligados à terra; montes, serras, etc. (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/orónimo [consultado em 06-01-2016]).

O mapa em cima (desenhado à mão e com alguns erros de localização) é datado de Julho de 1933 e localiza este orónimo entre o Pé de Cabril e a Varziela (Bargiela), quase em frente de Carris de Maceira.

Fica uma parte do mapa em cima e um pedido de ajuda para que se possa localizar este local na Serra do Gerês!

A localização deste topónimo é curiosa e por tal não me deixei de recordar sobre o topónimo 'Carris' no texto Minas dos Carris - O porquê de um topónimo? publicado a 21 de Junho de 2018

Fernando Silva Cosme, no seu livro "Pela Serra do Jurês e ao Longo da Jeira - História da Toponímia" diz-nos que "Quanto a Carril e Carris, Cândido de Figueiredo cita-os como provincianismo beirão e transmontano significando 'caminho estreito, carreiro'. Devem ter tido este sentido o Carril de Corujeira de Riucaldo e os Carris de Paredes de Covelães, que são num sítio onde agora passa a estrada mas antes havia aí muitos carreiros. No Jurês Carril também indica um rego e Carris, no plural, passou a designar uma mina de volfrâmio em virtude de ser comum nelas explorarem o minério lavando o terreno através da abertura de carris 'regos para neles meter água e pôr à vista o volfrâmio". Na plataforma mais alta da Serra do Jurês encontram-se, com este sentido, os simplesmente Carris e Carris de Maceira, conhecidos desde há muitos séculos e explorados durante a última Grande Guerra."

A explicação do autor de "Pela Serra do do Jurês e ao Longo da Jeira" é muito confusa e na verdade não explica o porquê do topónimo naquele local, parecendo até que a designação surge devido aos carreiros (carris) abertos para a descoberta de volfrâmio. Não concordo com tal explicação! Isto não explica de todo a origem dos topónimos 'Carris de Maceira' e 'Carris de Fontaiscas'.


Em "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", refiro que "Uma das teorias acerca da origem do nome ‘Carris’ surge devido à possível existência de dois afloramentos paralelos que fariam lembrar os trilhos (carris) de um caminho-de-ferro. Porém, serei mais da opinião de que o topónimo 'Carris' surge do grande número de trilhos de montanha (carril) que se juntariam não muito longe do pico serrano que hoje ostenta esse orónimo. O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia Ciências de Lisboa e editado pelas Edições Verbo em 2001, define um «carril» como um caminho estreito, carreiro ou atalho. A zona é salpicada por um grande número de fornos e abrigos de montanha que numa pequena área atinge mais de 50 construções. Não é possível explicar este número somente pela existência das minas (sendo obviamente muitos deles anteriores a estas) e provavelmente as construções terão sido utilizadas não só pelos primeiros mineiros, mas também pelos carvoeiros, pastores, contrabandistas e possíveis peregrinos em deslocação para o São Bento da Porta Aberta ou para São Tiago de Compostela, vindo das terras do Barroso ou das mais longínquas aldeias de Trás-os-Montes. Já na sua obra “Caldas do Gerez – Guia Thermal”  de 1891, o Dr. Ricardo Jorge (imagem em cima) apresenta um mapa do denominado Gerês Florestal onde está assinalado o marco geodésico dos Carris."

As explorações de volfrâmio naquela área remontam ao início dos anos 40 do século XX e como tal não poderia ter sido a actividade mineira a atribuir o nome àquele alto geresiano.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)