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domingo, 5 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLIX) - Paisagem desde o Vidoal

 


A paisagem desde o Vidoal nunca desilude por entre os cenários que a Serra do Gerês nos oferece. Seja em dias de nevoeiro, onde as nuvens envolvem como mortalhas as penedias e os ramos dos grandes carvalhos, seja em dias de neve, onde o manto branco cobre a paisagem de um silêncio que se entranha, a grandiosa paisagem que se abre perante o olhar leva-nos às alturas do Pé de Medela e de Carris de Maceira, mergulhando na Corga da Cântara para logo apontar de novo aos céus no Cabeço da Cântara que encima o Vale do Rio Maceira escondido nas profundezas. A Roca d'Arte surge como rampa para os freguedos aprumados do Cabeço de Lavadouros antes do olhar se deter (a partir daqui fora de cena) no Cabeço de Sineiros e a antena que se eleva no Borrageiro chamar a nossa atenção.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 9 de março de 2025

Trilhos seculares - Carris de Maceira e Lomba de Pau em dia de neve

 


A jornada não seria muito longa, mas o cenário invernal trouxe as dificuldades de caminhar num dia de neve na Serra do Gerês.

Tínhamos como objectivo apreciar as paredes graníticas do Pé de Medela num cenário que sabíamos seria de neve. Ela acabaria por surgir aos 1.200 metros, acompanhada por um vento frio e muito nevoeiro que ora de cerrava, ora nos deixava perscrutar um pouco mais além. A caminhada ao longo do Vale do Rio Maceira já deixava antever que parte do percurso seria com mais dificuldade, caminhando-se sem grandes problemas até atingirmos o Curral de Carris de Maceira. Ao percorrer o vale, o Cabeço da Cantara mostrava a sua mortalha branca indicadora que àquela altitude a neve já era «muita». Por outro lado, em Carris de Maceira a neve ia preenchendo os cantos, escondida do vento que a açoitava para longe.





O vento cortante era, nesta altura, a maior dificuldade que fazia com que a sensação de frio fosse mais intensa. O descanso era curto, pois o movimento gerava o calor que tanto necessitávamos. 

Infelizmente, o Pé de Medela ficou-se por um vislumbre entre a neblina, mas o cenário que esperávamos não se verificava. Seguimos então para o topo da Corga da Cântara e tomamos o carreiro para o Vale da Lomba de Pau. Por entre as nuvens que lambiam as encostas, via-se o fundo do Vale de Maceira já na Corga de Fontaíscos e o Lameirão do Teixo. O carreiro leva-nos a passar o topo de dois vales antes de chegar às imediações da Lomba de Pau.





A Lomba de Pau surgiu tranquila e silenciosa, pois o vento amainara e começara a nevar, neve que em breve voltaria a ser açoitada pelo vento que nos fez adiantar a paragem que havíamos feito para o almoço e para o retemperar de forças.

Com o frio a ganhar terreno, era necessário retomar a marcha e seguimos pela Lomba de Pau até chegarmos ao carreiro que nos levou à Chã do Caçador e depois às Lamas de Borrageiro, iniciando então a descida para o Colo da Prezam onde a neve já rareava. O regresso à Portela de Leonte fez-se pelo Vidoal e Chã do Carvalho, descendo pela velha calçada pastoril.












Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXXVIII) - Pé de Medela e Carris de Maceira

 


Os altos do Pé de Medela e Carris de Maceira, bem como a Corga da Cântara, vistos desde o Prado do Vidoal, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Trilhos seculares - Uma jornada ao Caramelo na Serra do Gerês

 


Por entre a imensidão da montanha, os seus pequenos espaços dão uma grandeza que apenas se sente no momento. Isto é o que acontece na Encosta de Caramelo.

Debruçada sobre o Vale do Rio do Forno, este lugar proporciona uma visão incrível da Mata de Albergaria. Aqui, os alcantilados conhecidos do Corno Godinho precipitam-se sobre a Requeixada e a Água dos Vidros despenha-se em tormentosas cascatas de granito até ao Canto do Rio do Forno.


Erguem-se castelos e gigantes por todos os lados! A Mata de Albergaria, um mar de cores em tons de Outono, cobre os vales e corgas, e o mundo eleva-se até aos píncaros do Pé de Cabril. Nas ladeiras dos vales, as encostas enrugam-se, quais folhas de papel amarfanhadas por fortes mãos de ciclopes escondidos e preservados no tempo como temores e formas animalescas de pedra.

Paira um silêncio por onde, de quando em vez, o vento sussurra zangado vindo dos altos. As nuvens, essas, correm lestas, apressadas para qualquer lado e as emoções surgem à flor da pele. Sinto-me como uma criança num quarto de brinquedos a tudo querer absorver e sentir como se fosse a última vez que ali estivesse.




O momento foi único de uma caminhada que, começada na Portela de Leonte, percorreu as memórias dos Serviços Florestais passando por velhas e esquecidas fontes, seguindo pelo Vale do Rio Maceira até ao curral escondido no fundo do baú das memórias das seculares vezeiras. Seguindo encosta acima, a passagem por Tábuas e Carris de Maceira, seguindo depois o topo da Corga de Cagademos até ao cimo da Costa de Caramelo. Daqui, passagem no Curral de Carris de Maceira e pelo topo da Corga da Cântara, seguindo ao Cabeço da Cântara e atravessando o Vale da Lomba de Pau, ladeando depois a Costa de Covilhão para chegar ao Curral da Lomba de Pau.

A parte final do percurso levou-me pela Lomba de Pau, Chã do Caçador e Lamas de Borrageiro, descendo para a Chã da Fonte, Enfragadouro e Colo da Preza, seguindo então para o Vidoal, Corga de Mourô e Curral da Raiz, finalmente, descendo a Encosta da Cantina e depois pelo velho Caminho Real para a Portela de Leonte.

Ficam algumas fotografias do dia...







































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)