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quinta-feira, 15 de junho de 2023

Serra do Gerês - Fornalinho e o Curral dos Cornos de Candela

 


Uma caminhada para relembrar os velhos carreiros de montanha que cruzam a Serra do Gerês entre as Biduiças e os Cornos de Candela.

O dia previa-se quente e foi assim que acabaria por ficar mal a manhã chegou a meio. O suficiente para deixar que a subida da Corga da Abelheira fosse feita de forma confortável, permitindo a chegada a Entre caminhos com uma leve brisa que se manteria aqui e ali.

De Entre Caminhos fez-se a usual descida para os Currais de Biduiças e daqui voltamos a Nascente, seguindo e mantendo as mariolas que se foram alagando com o tempo. O inevitável crescimento da vegetação faz com que parte dos velhos carreiros vão desaparecendo, o mesmo acontecendo aos vestígios dos velhos currais e abrigos pastoris que em tempos eram utilizados pelo pastoreio vindo de Outeiro e outras paragens.



Passando a Ribeira de Biduiças vamos percorrendo a parte inferior da encosta do Compadre, cruzando blocos erráticos à medida que a paisagem se torna mais agreste na sua condição de selvagem e isolada. Aqui paira o nada envolto por um profundo silêncio que se alarga até escutarmos as batidas do coração. 

Por estas paragens, recordo aqui algo que escrevi em Março de 2015 numa caminhada ao longo destas paisagens...

Não me canso de referir que a Serra do Gerês resulta de uma simbiose entre a Natureza e a ocupação humana do território, ocupação essa que se prolonga por milhares de anos. Desde os vestígios mais antigos inscritos nas rochas até aos nossos dias, passando pela romanização de uma parte desse território, a Serra do Gerês é, em si, um tesouro por descobrir e um manancial interminável de informação e de registos históricos à espera de ser descobertos.




Apesar de representar uma parte importante dos estudos levados a cabo desde a sua fundação, os cerca de 44 anos do Parque Nacional da Peneda-Gerês não trouxeram à luz do dia muita da História daquele território. Não se pode responsabilizar o PNPG, enquanto corpo mutável e sujeito à vontade política, pelo trabalho por fazer e pelo que ficou feito ao longo destes anos. Devemos, sim, exigir que o PNPG seja dotado de meios (materiais e principalmente humanos) para que o futuro seja mais iluminado em termos de preservação dos espaços e em termos de relação entre a entidade PNPG e as gentes que vivem e moldam o território. Sem estes compromissos o futuro do PNPG e dos grandes espaços naturais está em risco.

Tirando partido do que a Natureza lhe foi concedendo, a presença do Homem entre o Gerês e a Peneda foi moldando os espaços, adaptando-o às suas necessidades. Com o passar dos anos e com um abandonar de certas actividades que até aí eram intrínsecas à sua ocupação, a Natureza foi restabelecendo o seu domínio, reclamando para si zonas que até certa altura eram usualmente, se bem que sazonalmente, ocupadas pelo Homem.

Muitos destes espaços são agora «depósitos» de memórias que com os passar dos dias se vão esbatendo no esquecimento. A caminhada de hoje procurou, de forma humilde, tentar tirar do esquecimento esses espaços e trazê-los à luz da sua existência passada, e com isso não esquecer os dias em que o homem teria uma vivência de maior harmonia com o meio... ou talvez não.



A passagem pelo Curral do Poço Verde, quase indistinguível na paisagem e característico pela presença do que penso ser vestígios de dois fornos pastoris, leva-nos a um pequeno declive que antecede a chegada ao Curral de Fornalinho de Baixo. Com os seus frondosos carvalhos seculares, é um verdadeiro oásis por entre a penedia quente da Serra do Gerês e antecâmara de chegada ao Curral de Fornalinho de Cima.

Se até os caminhos foram-se mantendo na paisagem, os incêndios e as queimadas nas encostas dos Cornos de Candela fizeram com que grande parte dos caminhos fossem desaparecendo. Curiosamente, o mesmo aconteceu com muitas das mariolas que a minha memória dizia sulcarem a paisagem. Não deixa de ser interessante que as mariolas crescem como cogumelos por onde singram os grandes montanheiros de Facebook e escasseiam por onde estes não ousam entrar. 

De facto, recordava-me de andanças dos velhos tempos, das ligações desde Fornalinhos de Cima ao longo da encosta Poente dos Cornos de Candela, ligando o Curral dos Cornos de Candela por entre as voltas dos caminhos até ao Corgo da Pala Nova. Se vestígios existem destes velhos carreiros até ao curral, para lá deste as mariolas desapareceram - fazendo-me lembrar uma demanda que em tempos o PNPG teve de eliminar estes velhos vestígios do pastoreio. Lá fomos encontrando passagens por entre os rochedos e passado algum tempo, já com a albufeira da Barragem de Paradela à vista, encontraríamos o velho caminho para o Corgo da Pala Nova. Assim, estava cumprido o nosso objectivo do dia e com o calor a apertar, era hora do regresso que foi feito regressando ao Curral de Fornalinho de Baixo por uma outra via e daqui à longa descida da Corga da Abelheira depois de passar de novo por Biduiças.













Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 9 de maio de 2022

Travessia da Serra do Gerês (da Portela do Homem a Pitões das Júnias)

 


Sem dúvida que a grande travessia por excelência que se pode fazer no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) é iniciada na Portela do Homem e finalizada em Pitões das Júnias. Percorrer os velhos carreiros que a Serra do Gerês nos oferece, é uma experiência única tanto a nível físico como pessoal (da maneira como a quiserem entender!).

Já referi que, em tempos, um dos antigos directores do PNPG perguntava-se a si mesmo como era possível os visitantes não terem um percurso que ligasse estes dois extremos do Parque Nacional na Serra do Gerês? Passados tantos anos, tal ainda não existe... mas pelo que se tem visto nos últimos tempos, se calhar é melhor que assim seja.

Neste dia fez-se um percurso de 28 km com um D+ de 1.236 metros, cuja primeira parte envolveu a travessia do Vale do Alto Homem.

O percurso do Vale do Alto Homem até às Minas dos Carris sempre me trará o prazer da descoberta e da partilha daquilo que fui aprendendo ao longo destes anos que tenho dedicado ao estudo daquele complexo mineiro.

Lá vou inúmeras vezes, umas por recreação outras por trabalho seja ele de investigação ou para partilhar a história não só daquele local, como do trajecto que é percorrido para lá chegar. Quando é este o caso, a subida prolonga-se no tempo, pois é necessário tempo para explicar, mostrar e conversar sobre o passado e o futuro daqueles magníficos espaços.

O percurso para as Minas dos Carris inicia-se a uma altitude de 720 metros e rapidamente nos apercebemos que não será um caminho fácil para os mais desprevenidos. A sua dificuldade vai aumentando ao longo do percurso não tanto pela inclinação, mas mais pelo estado do próprio caminho. Em quase 9,8 km de extensão, este é na sua maioria composto por pedra solta que dificulta a progressão. São escassas as extensões em que o terreno é suave.

Na quase totalidade do seu comprimento o trilho é acompanhado pelo Rio Homem e o seu rumor por entre as rochas acompanha-nos quase sempre.

Convém salientar que o caminho para as Minas dos Carris está inserido num vale de extrema importância para o Parque Nacional da Peneda-Gerês e que está integrado numa das duas áreas de protecção total existentes naquela área protegida, logo convém solicitar uma autorização ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Tenho por hábito dividir o percurso em duas partes que considero de dificuldade distinta. A primeira parte termina no que eu considero ser a metade do caminho na ponte junto do Cabeço do Modorno e após se ter vencido já cerca de 300 metros de altitude por entre pedra solta e alguma vegetação. A fase inicial da segunda parte do percurso é muito semelhante à primeira parte, mas este vai-se tornando mais suave há medida que nos aproximamos da Ponte das Águas Chocas, sendo um caminho mais fácil a partir daí e até ao final do planalto onde se inicia a subida final para o complexo mineiro, passando nas Abrótegas e já na Corga da Carvoeirinha. A passagem pela Ponte das Abrótegas é muito fácil e somos presenteados por uma paisagem única que nos leva desde o alto de Lamas de Homem até às alturas do Altar de Cabrões já na raia.

No início dos anos 90 ainda era possível observar ao longo do Vale do Alto Homem uma linha de postes de madeira sobre os quais assentava o cabo metálico do telefone, que permitia as comunicações com o complexo mineiro. Nos nossos dias são raros os sinais, ao longo do caminho, daquilo que mais tarde iremos encontrar no sopé dos Carris. Tirando os trabalhos mais «recentes» levados a cabo pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, com o objectivo de melhorar o caminho para a reflorestação de zonas de alta montanha, é possível observar, mesmo no início do percurso, conjuntos alinhados de rochas que marcam o que então foi uma estrada em terra batida que permitia a passagem de camiões para o transporte do minério e não só. Como curiosidade, posso referir que no início da sua construção existia um pequeno caminho que ligaria a Portela de Leonte ao complexo mineiro e pelo qual as largas telhas que iriam cobrir as casas mineiras e outros elementos, eram transportadas em ombros pela quantia de 2$50 nos idos anos de 40.


Ao longo do caminho vamos observando um ou outro pequeno muro, ou um ou outro alinhamento de pedras que nos podem sugerir a existência de uma rude estrada serrana. O primeiro sinal sólido da existência de algo mais complexo na serra, surge-nos junto da zona que dá pelo nome de ‘Água da Pala’. Aqui, e já coberta pela vegetação, observamos à nossa esquerda uma área delimitada por um pequeno e baixo muro. Em tempos terá servido de curral para abrigo dos rebanhos. Do lado direito podemos observar, também por entre a vegetação, uma pequena construção com tijolos de cimento que nos dá a ideia de ser uma pequena guarita, mas que já foi referenciada como um pequeno abrigo dos cantoneiros que mantinham o estradão em estado de circulação. Esta zona antecede uma ponte de pedra. Toda este lugar é extremamente peculiar e bucólico.

Na Água da Pala iniciava-se um trilho de pé posto que atravessava o Rio Homem e subia ao longo do rio pela sua margem direita no sopé da Encosta do Sol até atingir o topo do Cabeço do Modorno, algumas centenas de metros após atravessar novamente o Homem sensivelmente à cota de 1050 metros de altitude. Não havendo registos cartográficos deste trilho em direcção a Carris, documentos fotográficos atestam a sua continuação para as zonas mais elevadas da serra. Quem observa a Encosta do Sol a partir da Água da Pala, terá a sensação de ainda poder vislumbrar o traçado deste pequeno trilho que, sem dúvida, nos proporcionaria uma visão distinta do vale. Porém, e após várias tentativas de observar no terreno a sua progressão, cheguei à conclusão de que este trilho já desapareceu e será extremamente difícil tentar seguir o seu antigo percurso, senão mesmo impossível.


Após passar a Água da Pala, o trilho para Carris entra numa zona mais plana. Até aqui, e olhando para a nossa direita, temos a oportunidade de observar os picos escarpados que delimitam os Prados Caveiros. Esta fase mais plana do trilho segue pela Ponte do Cagarouço sobre a Ribeira do Cagarouço, um pequeno afluente do Rio Homem que parece surgir das escarpas da Ravina do Cabeço da Porca. É nesta fase que o caminho se volta a inclinar ligeiramente e ouvimos o rugido do jovem rio a poucos metros de distância. Por entre a vegetação é por vezes fácil ter um olhar sobre lagoas que no Verão são sempre uma forma de retemperar forças.

O trilho ultrapassa a cota dos 1.000 metros de altitude, a poucos metros de entrarmos numa fase do caminho onde vamos superar vários metros de altitude em pouca distância, ultrapassando assim um bom declive. Em Carvalhas Vrinhas, o percurso flecte para a direita no que são conhecidas como as ‘Curvas do Febra’ e em pouca distância subimos 30 metros em altitude antes de flectir para a nossa esquerda. Nesta parte do caminho podemos ter uma imagem do Vale do Homem só superada pela paisagem que nos aguarda poucos metros após a passagem da Ribeira do Modorno. Poucos metros mais à frente entramos numa parte do caminho que é ladeado, à direita, por uma parede sólida de granito e, à esquerda, por uma queda de 50 metros que termina no Rio Homem. O declive aqui é acentuado e notório, mas o esforço para chegar à meia distância merece a pena.

Somos chegados a meio do caminho e o descanso na Ponte do Modorno é merecido. A água da ribeira é sempre fresca e corrente, mesmo no Verão. Ao entrar neste pequeno vale temos a visão de uma pequena queda de água por debaixo da ponte e são poucos os que resistem a uma fotografia. Situados na ponte em direcção ao final do vale, por onde vemos o Rio Homem, temos à nossa direita o imponente Cabeço do Modorno, uma escarpa granítica que atinge os 1.317 metros de altitude. Conheci todas as pontes até ao Modorno já em cimento, mas o meu fascínio por estes espaços começou a ser despertado pelas velhas pontes de madeira que antigamente permitiam a passagem célere e um tanto ou quanto aventureira.


Logo após abandonar a Ponte do Modorno e seguindo o velho caminho mineiro, vamos encontrar uma das mais fantásticas paisagens que a Serra do Gerês e o Parque Nacional têm para nos oferecer. É com deslumbre que observamos o Vale do Alto Homem e a forma como este se projecta no céu. O seu delimitar pelos picos das serras leva-nos a imaginar, sonhar um mundo antigo. É aqui que nos começam a faltar as palavras... Ao longe vemos a Serra Amarela e com bom tempo facilmente se vislumbram as antenas do Muro localizadas em Louriça, bem como o Alto das Eiras e a Cruz do Touro, já nos extremos Geresianos, ou a magnificência da Quelha do Palão e da Água dos Vidos. Saindo do pequeno vale da Ribeira do Modorno entramos novamente no vale do Alto Homem e logo ali à nossa frente observamos uma estreita queda de água com uma altura superior a 110 metros, a Água da Laje do Sino. Toda este zona nos dá paisagens deslumbrantes em, ou após, dias de chuva com as paredes rasgadas pelos cursos de água que se precipitam no vale, ou então nos frios dias de Inverno com a imagem das quedas de água geladas que se amarram às paredes graníticas.

Prosseguindo ao longo do vale vamos ganhando altitude, atingindo os 1.200 metros de forma suave. Nesta fase o trilho chega a complicar-se devido ao estado do «pavimento». O Rio Homem é, nesta fase, constituído por uma série de pequenos ribeiros que têm origem nos inúmeros vales que golpeiam o topo da serra. Aos 1200 metros de altitude, na zona do Teixo, o trilho flecte ligeiramente para a direita seguindo um dos pequenos riachos que, juntamente com o riacho do Corgo dos Salgueiros da Amoreira, irá mais tarde formar o Rio Homem. O caminho segue a base da Rocha da Água do Cando, passando pela Ponte das Águas Chocas (1285 metros) e entrando nas Abrótegas até atingir a Ponte das Abrótegas (1325 metros). As Abrótegas definem, juntamente com o Outeiro Redondo, um pequeno planalto que é atravessado pelo trilho até atingir e seguir ao longo da base do contraforte de Carris. Foi neste planalto onde esteve montado nos dias 17 a 19 de Setembro de 1908 o acampamento da primeira expedição venatória levada a cabo na Serra do Gerês. Neste planalto têm origem vários trilhos de pé posto, sendo o mais interessante aquele que segue para as Minas das Sombras (Galiza, Espanha) e para os Cocões do Coucelinho (através das Lamas de Homem) e, mais tarde, Minas de Borrageiros e Lago Marinho.


Na Ponte das Abrótegas somos interrogados por umas peculiares construções semelhantes a pequenos pilares de rocha e cimento que tinham essa mesma função. Estas construções serviriam de ponto de apoio, certamente de uma conduta metálica para transportar água desde uma pequena represa ali existente até à lavaria nova situada no topo da Corga de Lamalonga. A paisagem aqui permite-nos observar o marco geodésico de Carris (1508 metros), o Altar de Cabrões ou Altar dos Cabros. Neste planalto podemos também observar vários currais destinados às pastagens de altitude (Curral das Abrótegas e Curral de Cabanas Novas) e à transumância ainda levada a cabo na Serra do Gerês.

A zona das Abrótegas permite o descanso antes da subida final, verdadeiro calvário para quem já está cansado da subida. Ao percorrer o início da subida, um pormenor passa despercebido à quase totalidade das pessoas. Logo no início do declive a antiga estrada dividia-se em duas, com uma a seguir a direcção do Salto do Lobo, local onde decorreram as primeiras extracções de volfrâmio tirando partido do aluvião vindo da Corga da Carvoeirinha. No terreno é difícil vislumbrar sinais desta parte da estrada e só andando alguns metros no caminho principal que segue em direcção à mina, e depois olhando para trás, é que se vê a antiga estrada já coberta de vegetação. Nesta área não existem construções ou edifícios, exceptuando uma ou outra pequena construção de pastores (os formos) ou outros abrigos. Esta zona provavelmente teria o apoio de edifícios de madeira dos quais não existem quaisquer sinais. Por esta zona deveria passar uma conduta de água que teria a sua origem numa pequena represa próximo da Ponte das Abrótegas e que, apoiada em pilares feitos com aglomerados de pedra, atravessava o pequeno planalto para lá das Abrótegas. Mais pilares são visíveis no extremo deste planalto, que serve de pastagem de altitude ao gado que nos meses da vezeira passeia pela serra, já próximo do caminho antes deste flectir para a esquerda para iniciar a subida final. Seguindo o prolongamento deste caminho secundário e depois entrando em trilhos de pé posto, chega-se às Minas dos Carris pela sua zona inferior junto da lavaria nova, no extremo topo do vale da Corga de Lamalonga.

A parte final da estrada vence um declive de 70 metros ao longo da Corga da Carvoeirinha e sem dúvida que é para muitos a parte mais complicada de todo o trajecto. No entanto, o final do árduo caminho é sempre uma motivação forte para vencer estes últimos metros.

No troço final o declive torna-se menos intenso, com a estrada a tornar-se quase plana mesmo a chegar ao muro que delimitava a entrada no complexo mineiro dos Carris.



Após a chegada às Minas dos Carris, encetamos a descida para os Currais das Negras passando pela boca-mina da concessão mineira da Corga das Negras n.º 1 e prosseguindo para os currais em busca de uma sombra para retemperar forças. Na hora do almoço, o Sol era já inclemente e o calor apertava, fazendo prever um resto de caminhada difícil.

Prosseguindo pelos velhos carreiros e tomando a orientação das mariolas, seguiu-se na direcção do Ribeiro de Lamelas percorrendo a sua margem esquerda até perto do Curral de Lamas de Compadre (Curral do Rodrigues) para o qual seguimos após passar a Norte de Valongo. Caminhando já numa paisagem para a qual já apertava a saudade, pois aqui o Gerês é longínquo, entravamos num mundo de quase silêncio onde os grandes blocos de granito compunham a paisagem por entre o caos. 

Seguíamos em direcção aos Cornos de Candela, mas primeiro teríamos de ladear Outeiro de Cervas tirando partido dos pequenos vales e sem prosseguir por cotas altimétricas muito elevadas ou percursos que apresentassem grandes declives, pois o cansaço já se faziam sentir e a jornada ainda era longa até Pitões das Júnias. Entravamos então no Corgo de Baltemão (Valetemão?) prosseguindo ao longo dos cursos de água e procurando as passagens por entre a vegetação que vai ganhando terreno à secular presença do Homem. Os velhos currais que ali existiam vão desaparecendo (Curral das Cercas) e os caminhos vão-se perdendo na memória. Chegavamos então ao Curral de Outeiro de Cervas, para uma curta paragem, prosseguindo depois para o Curral de Fornalinho de Cima, ladeando depois os Cornos de Candela.

Sempre com o colosso dos Cornos de Candela à nossa esquerda, entrou-se na Corga de Pala Nova e seguimos em direcção ao velho curral Curral d'Arrabeças e daqui subimos para Currachã, perante a magnífica paisagem que nos proporcionavam os Cornos da Fonte Fria e os campos de Pitões das Júnias. 

Atravessando-se o Ribeiro de Teixeira já com os olhos postos no objectivo final da caminhada, faltava ainda a passagem pelo Fojo de Pitões das Júnias (um belo fojo de cabrita) e entravamos no Carvalhal do Teixo, seguindo depois a Sul do Castelo (Soengas) para o Porto da Lage, iniciando então a «interminável» subida para Pitões das Júnias.

Ficam as memórias e algumas fotografias do dia...
















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)