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sábado, 12 de setembro de 2026

Trilhos seculares - Caminhada ao Pico da Nevosa

 


A Corga da Abelheira será a forma «mais curta» para aceder ao Pico da Nevosa e assim evitar o calvário da descida pelo antigo caminho mineiro para as Minas dos Carris.

A Abelheira é uma verdadeira porta de entrada para as profundezas selvagens da Serra do Gerês, com a sua subida a levar-nos a Entre Caminhos onde nos surge um panorama de uma imensidão e grandeza só descritível para quem por ali se detém em momentos de contemplação!

Depois da subida da Corga da Abelheira, o caminho leva-nos por uma descida para o Curral de Biduiças e daqui, ao longo da margem direita do Ribeiro de Biduiças, seguimos em direcção ao Curral de Rochas de Matança. Já anteriormente referi que os caminhos serranos mantêm-se por onde os animais (e alguns aventureiros) ainda passam; porém, outros caminhos vão desaparecendo e apenas a presença das valiosas mariolas (não de montes de pedras colocadas ao acaso) assinalam as passagens.





Passando o alagado abrigo pastoril de Rochas de Matança para trás, seguimos encosta acima em direcção à Matança, ladeando-a a Nascente e caminhando pelas encostas encimadas pelo Marco K.

Os tímidos caminhos levaram-nos então para as Negras com os seus currais silenciosos, mas que ainda guardavam algum do orvalho da noite. O dia ia aquecendo e dos Currais das Negras subimos através da Garganta das Negras para a base do Pico da Nevosa que acabamos por vencer através do acesso Norte, ganhando os horizontes que daqui se nos deparam.

Segundo o blogue Garcias - Montanhas de Portugal, "o pico da Nevosa com 1548 metros de altitude é a montanha mais alta e proeminente da serra do Gerês e do distrito de Vila Real, bem como a montanha mais alta de toda a região norte de Portugal.  

A nível nacional é a 5ª montanha mais alta de Portugal Continental (todas as quatro primeiras ficam na serra da Estrela).

No que respeita a proeminência topográfica esta montanha conta com 763 metros de altitude relativa o que faz dela a 4ª montanha mais proeminente do país (Continente) e a mais proeminente da serra do Gerês e do distrito de Vila Real. A sua "montanha pai" é o Cabeço de Manzaneda na Galiza.

O cume desta montanha fica situado no território da freguesia de Outeiro, no concelho de Montalegre. A fronteira com Espanha passa uns escassos 50 metros do cume, mas este está localizado no lado de Portugal."

O regresso foi feito no sentido inverso através do mesmo trajecto até à saída da Garganta das Negras, tendo-se feito um pequeno desvio para visitar a boca-mina da concessão mineira da Corga das Negras n.º 1. e depois regressar ao percurso da manhã pelos Currais das Negras e Rochas de Matança.

Esta caminhada foi organizada pela RB Hiking & Trekking.

Ficam algumas fotografias do dia...




















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 29 de agosto de 2026

Trilhos seculares - Pela Chã de Pinheiro e o alto do Junco

 


A caminhada que nos levou ao alto do Junco passando pela Chã de Pinheiro e Curral do Camalhão foi uma jornada tranquila através das paisagens da Serra do Gerês.

Iniciamos a jornada no cruzamento da Pala Freita tomando a estrada florestal que nos levou a passar na Ponto do Arado. Nestes dias, e após as chuvas que entretanto marcaram o final de Agosto, o Rio Arado ganhou nova vida, deixando esquecer os charcos de água estagnada e coberta de gordura dos dias quentes do estio.




Optamos por seguir a velha estrada dos Serviços Florestais que ladeia os Cabeços de Junceda para chegar ao Curral de Coriscada, já caminhando por carreiros de pé posto. A manhã surgia amena, ajudando no percurso que nos levaria pelas encostas da Arrocela e a passar junto da Fonte da Meda de Arrocela. Chegando quase ao topo da Corga de Giesteira, seguiu-se em direcção à Chã de Pinheiro com o seu velho abrigo pastoril, descendo depois para a Corga de Fitoiros Negros. É magnífico caminhar por uma montanha com o som da água que percorre os pequenos riachos e traz nova vida à serra, especialmente após tantos dias de secura.

Olhando para velhas mariolas que traçavam carreiros já esquecidos, seguimos em direcção ao Vale de Teixeira, dirigindo-nos para o Curral de Camalhão, onde fizemos uma paragem mais prolongada para o almoço.

Após o descanço, encetamos caminho em direcção ao Junco, passando no colo da imensa Corga da Figueira antes de se iniciar a subida final. A Corga da Figueira afunda-se em direcção ao Vale do Rio Gerês e forma um cenário magnífico com os espigões do Pé de Cabril e a forma quase irreconhecível do Pé de Salgueiro. A parte superior do Vale de Teixeira oferece-nos a paisagem do Curral de Camalhão abrigado pelas vertentes do Alto da Ruivas e pelos escarpados que se prolongam para as alturas do Borrageiro.

A subida para o Junco faz-se de forma tranquila e animados por uma brisa que parecia trazer chuva de Leste (que só chegaria pela noite). Passado o cume, segue-se pelo Cabeço da Boca de Suero e inicia-se uma cómoda descida em direcção ao Curral da Lomba do Vidoeiro e depois ao Curral da Carvalha das Éguas, seguindo já o traçado do Trilho dos Currais que abandonamos logo após a Carvalha das Éguas, ladeando o Alto de Rebolar e descendo para a Chã de Rebolar. O caminho leva-nos a entroncar no traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês junto da Pala do Cando de Cima, seguindo depois para as proximidades do Cocão e continuando para o ponto de partida na Pala Freita, com um cenário de alarido com dezenas de carros a ocupar o estacionamento.

Ficam algumas fotografias do dia...






















 

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Trilhos seculares - Caminhada a Porta Roibas

 


Caminhada a Porta Roibas em pleno Verão. Enquanto a manhã proporcionou uma boa temperatura para a jornada, o regresso da parte da tarde tornou-se numa caminhada dura por uma serra escassa de água.

A jornada pela Serra do Gerês que nos leva a Porta Roibas, é uma experiência única de montanha em todo o Parque Nacional da Peneda-Gerês. A caminhada leva-nos por largas paisagens, férteis currais e cenários de rocha em vales profundos. Esta é uma caminhada que não é fácil devido à sua extensão e mais difícil se torna nos dias quentes. 

Porta Roibas apresenta-se quase como um marco montanhoso em toda a Serra do Gerês e a jornada até lá leva-nos a percorrer uma das zonas mais selvagens da serra, seguindo por um percurso que, iniciado nos Prados da Messe e dirigindo-se para Nascente, nos poderá levar a Borrageiros e à mina que se abriga à sua sombra.

Em Porta Roibas encontramos um pequeno curral, exemplo do aproveitamento dos espaços por parte do homem serrano que viu ali como que uma fortaleza para guardar os seus animais durante os longos dias de vezeira. Se uma parte está defendida pelo promontório granítico que o caracteriza à distância, o curral abre-se para o abismo da Corga de Valongo encimado pelas Quinas da Arrocela. Mesmo ali adiante, o alto de Borrageiros é outro ponto distinto na paisagem, um colosso titânico adormecido e para o qual olhamos com reverência e respeito.

O percurso para chegar a Porta Roibas iniciou-se na Portela de Leonte passando pela Chã do Carvalho (ou Chã do Carvalho de Leonte) após ultrapassar o inclinado caminho que ora nos surpreende pelo ziguezaguear subindo a Costa do Morujal, ora nos surpreende para dimensão de uma «calçada», fruto de um árduo trabalho para facilitar o acesso às pastagens mais altas. Atrás de nós, o gigante farol da serra vai ganhando corpulência e o Pé de Cabril ergue-se majestoso contra os céus que o veneram como um deus adormecido. Para lá da chã, e num declive mais suave, chegamos ao Vidoal contemplando a imponência do Pé de Medela e de Carris de Maceira na continuação de um quadro rochoso que nos assombra ao passar pelas profundezas da Corga da Cântara (e do Cabeço da Cântara), pela verticalidade da Roca d'Arte e pela altivez de Sineiros e Lavadouros.

Deixando o Vidoal para trás, e ladeando o Outeiro Moço por Norte, chegamos ao Colo da Preza para contemplar o longo Vale de Teixeira. Daqui, sobe-se à Chã da Fonte e continua-se para o Curral do Conho passando a Portela de Sineiros, Lamas de Borrageiro, Chã do Caçador e Lomba de Pau, subindo e descendo pequenas corgas.

Antes da descida para o Conho, facilmente se observa o nosso destino logo a seguir à imensa garganta que se abre em Fechinhas e se afunda às Sombrosas. Passando o Curral do Conho e seguindo o percurso da vezeira com as Albas como pano de fundo, passa-se o Ribeiro do Porto de Vacas e segue-se para o Curral da Pedra. Antes de chegar aos Prados da Messe devemos flectir à direita e descobrir as mariolas que nos levarão a entrar no Gerês quase selvagem.

Após entrarmos no pequeno vale que se segue aos Prados da Messe e de seguir pelo Rendeiro com o seu portelo, vamos superar a primeira encosta caracterizada por uma série de mariolas e aqui teremos duas opções para chegar a Porta Roibas. Seguindo o percurso devidamente assinalado por grandes mariolas, vamos chegar perto do Curral de Premuinho. De facto, é mesmo na corga anterior que devemos seguir à direita também por um carreiro marcado com mariolas e recuperado, e que nos levará a Porta Roibas! Ou então, mesmo antes de chegar a uma pequena corga, podemos baixar ao Curral de Bezerros e a partir daqui, olhando com atenção para a vertente que segue em direcção ao nosso objectivo, descortinar as velhas e pequenas mariolas que vão resistindo à passagem do tempo e que nos idos passados marcavam a ligação até às planuras que antecedem Porta Roibas e que nos levam a contemplar o imenso vale glaciar que se abre da Mourisca até Fechinhas.

Seguindo o carreiro em direcção a nascente e virando a Sul, tomamos a direcção do nosso objectivo, caminhando por um carreiro que nos oferece (mais) uma paisagem de assombro ao caminharmos ao longo da Corga de Valongo e com o alto de Borrageiros a dominar a paisagem. O cenário que aqui se cria, colorido de granito e recheado de vazio pelos alcantilados que se projectam desde o fundo dos vales, é digno de um poema, uma jóia cénica que a Serra do Gerês nos oferece e que espanta a cada visita.

O já, mais do que merecido descanso fez-se então à sombra do pequeno carvalho que contempla o Curral de Porta Roibas por entre a imensidão do silêncio que se instala. Ali, domina a tranquilidade e a grandeza dos grandes espaços!

A jornada de regresso foi feita seguindo os mesmos carreiros que me levaram a Porta Roibas.

Por muitas vezes que caminhe por estas paragens, haverá sempre algo que me desperta a curiosidade e me leve a decidir voltar «em breve». Isto pode ser o vestígio de um velho abrigo, um carreiro manhoso ou várias mariolas perdidas por entre paisagem no meio do nada. Compreender os locais por onde passámos e conhecer a sua história, ajuda-nos a sentir a caminhada de modo diferente. Ignorar a sua história e achar que aquilo está ali somente por nossa causa, é apenas egoísmo e pura estupidez de quem não sabe e nem compreende onde está. Não falta gente assim... 

Esta caminhada foi organizada pela RB Hiking & Trekking.

Ficam algumas fotografias do dia...

























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)