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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCIV) - As ruínas do velho abrigo pastoril do Prado

 


Em Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCIII) - O Prado, mostrei uma perspectiva geral deste espaço de pastoreio da antiga vezeira do Campo do Gerês.

De facto, os testemunhos da secularidade da ocupação destes espaços estão escondidos por entre as rochas disfarçadas pelo passar dos dias numa linha linha temporal eterna no tempo de vida do Homem que percorre estas serranias. Na verdade, na aldeia já não há memória viva destes velhos abrigos, o que os torna verdadeiros testemunhos de um passado já esquecido.

Se hoje vemos um abrigo pastoril sobranceiro às pastagens, noutros tempos outros abrigos foram utilizados pelos pastores do Campo do Gerês na guarda dos seus animais que percorriam zonas hoje tomadas pelos matos.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCIII) - O Prado

 


O Prado é um antigo curral da velha vezeira e baldio do Campo do Gerês. Não estando delimitado pelos usuais muros que demarcam os currais serranos, terá sido essa a origem do seu nome "Prado" (Curral do Prado).

No Prado encontramos um abrigo pastoril de construção «recente», mas o olhar atento irá descobrir os restos alagados de outros abrigos, entre os quais, o secular forno pastoril há muito abandonado e do qual não existe memória vida do mesmo.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 14 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLXIII) - Abrigo pastoril do Prado

 


O actual abrigo pastoril do Prado, Campo do Gerês - Terras de Bouro, representa já a segunda ou mesmo possivelmente a terceira ocupação daquele espaço tendo em conta as ruínas dos anteriores abrigos existentes naquela zona da Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCCXXVII) - Abrigo pastoril do Prado

 


O abrigo pastoril do Prado, Serra do Gerês, memória da vezeira do Campo do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 20 de março de 2025

Vestígios de abrigos pastoris no Prado (Campo do Gerês)

 


Na Serra do Gerês, o (curral do) Prado é uma das zonas de pastagem do Campo do Gerês.

Com o seu abrigo pastoril recuperado há uns anos, é passagem «obrigatória» para quem demanda o Pé de Cabril vindo de Junceda ou do Curral de Gamil. Para além deste, na zona encontra-se outra zona de pastagem (a Fenteira do Prado) que antecede a chegada ao Prado para quem vem de Poente (vindo de Junceda ou mesmo da Fonte de Gamil).

Não sendo limitado por qualquer muro, o Prado tem um abrigo pastoril tipo cabana de construção «recente». Uma observação atenta, pode revelar o que eu penso serem vestígios de dois abrigos mais antigos, sendo um deles um velho forno pastoril típico da Serra do Gerês.

A existência de abrigos pastoris abandonados nas zonas de pastagem ou de guarda dos animais, é comum em muitos currais da Serra do Gerês. Por exemplo, no Prado do Vidoal, acima da Portela de Leonte e à sombra do Outeiro Moço, é possível distinguir três fases distintas de ocupação do prado através das ruínas lá existentes.

A presença destes abrigos no Prado (Campo do Gerês) - dos quais não há memória entre a população actual - vem de novo atestar a ocupação milenar do território onde a simbiose Homem v. Natureza o moldou de forma a termos nos nossos dias um espaço único em Portugal.

Será possível datar estes vestígios? No seu livro "Caldas do Gerez - Guia Thermal" (1891), Ricardo Jorge refere, "nem por documento escripto, nem por achado archeologico, se pode deparar indicio de que gentes fizessem paragem nas asperezas do Gerez, antes da dominação romana. Da passagem da serra pelos grandes conquistadores do mundo, dizem os livros e fallam com eloquencia os monumentos que, affrontando a desfeita dos seculos, ainda hoje surpehendem quem transita por aquellas solidões agrestes."

No entanto, e baseado nas figuras rupestres que aqui e ali surgem nas serranias (Absedo) e no testemunho das edificações fúnebres (Lomba de Pau), facilmente de poderá deduzir que os enrugados vales serranos, as suas profundas corgas e os seus prados tenham sido residência de tribos nómadas, das quais os actuais currais são memória latente à espera de ser estudada.

Voltando aos vestígios do Prado, surgem-nos o que me parecem ser duas velhas construções ligeiramente a Poente do actual abrigo pastoril. Canibalizando parte de um texto aqui publicado em Agosto de 2022 (Um outro abrigo pastoril no Prado?), a localização do actual abrigo pastoril em forma de 'cabana' permite a vigia da vezeira no prado a Nascente e será pertinente supor que teria sido construído no mesmo local onde poderia ter existido um forno pastoril. A observação atenta leva-nos a definir o que terão sido as paredes de um antigo abrigo que seria utilizado na vigia do prado que se atravessa na direcção da Fenteira do Prado, isto é, a Poente. Este, teria a forma quadrangular com a entrada voltada a Sul. Algumas das rochas caídas no seu interior poderiam ter sido utilizadas na cobertura do abrigo pastoril, alagado já antes da construção da actual cabana, que possivelmente terá utilizado rochas do abrigo mais antigo.









Mas, como explicar a sua forma quadrangular? Recordemos que os abrigos pastoris do Curral de Gamil e do Curral de Bostelo são do tipo "forno pastoril" de falsa cúpula. Assim, por que é que em Tirolirão e no Prado os abrigos são 'cabanas'? Será que por ali existiram também abrigos pastoris do tipo 'forno pastoril'?

A verdade é que no Prado também terá existido um forno pastoril, pois ao lado do abrigo alagado, surge um conjunto de pedras em disposição circular que podem ser os restos do velho forno pastoril.








Estes vestígios (restos de velhos abrigos, restos de dólmenes, os velhos colmeais e silhas, pequenas formações circulares de pedras, muros, etc.) são peças de um ‘puzzle’ por construir e que poderiam ajudar a escrever a História da Serra do Gerês e a sua ocupação milenar.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Serra do Gerês - "Já que estou aqui!..." Da Fonte de Lamas à Portela de Leonte, Preguiça, Pedrogo e Fraga Negra

 


Um bom exercício de caminhada num dia de Outono que me levou desde a Fonte de Lamas à Portela de Leonte e, como já estava por ali, segui para a Preguiça, Pedrogo e Fraga Negra, terminando a jornada com uma passagem pela Boneca e, de novo, pela Chã de Lamas, num total de 21,1 km com 1.007 D+.

Manhã típica de Outono na tranquilidade da Fonte de Lamas onde apenas se escutava o cair da água da fonte. Mochila pronta para uma jornada «curta», pois apenas tinha por objectivo chegar às faldas do Pé de Cabril e regressar pelo mesmo caminho. O dia levar-me-ia às Caldas do Gerês!

Caminhando pela Chã de Lamas, segui o traçado da GR50 Grande Rota da Peneda-Gerês que me levou até ao Miradouro de Junceda. Por esta altura, a vila termal estava ainda mergulhada na sombra o Vale do Rio Gerês e coberta por uma leve névoa de vapor de água e fumo dos fogões a lenha. Passando pela Casa Florestal de Junceda e pela sua fonte, seguia já o carreiro que me levaria a passar o Vale do Meio e a Manga da Tojeira, chegando até perto da Boca do Rio, e seguindo depois o desvio para a Fenteira do Prado. Daqui, passaria pelo Prado - com o seu abrigo pastoril - e em breve entrava na parte superior do Vale do Rio Gerês, chegando então aos pés dos espigões do Pé de Cabril.




As faldas do Pé de Cabril seriam o ponto mais elevado da jornada, iniciando a descida para a Portela de Leonte, passando pela Portela de Confurco e pelas imediações do Curral de S. João do Campo, na extrema da freguesia do Campo do Gerês onde se situa a Casa Florestal de Leonte.

Neste local, é mais uma vez possível apreciar a obra dos inúmeros imbecis que uma promoção turística errada traz para este território, com as casas de apoio à Casa Florestal todas cheias de tags e pinchagens vandalizadoras de um património florestal que se encontra ao abandono e que aparentemente deve estar à espera um investidor capitalista para as transformar em edifícios de luxo ou então para servir de apoio a um teleférico qualquer...




Não indo a manhã adiantada, e já que estava por ali, decidi alongar um pouco mais a caminhada e rumei para as Caldas do Gerês! Passando o Curral do Vilar da Veiga e tomando o velho Caminho Real, passei pela Fonte do Escalheiro e desci para as imediações da Cascata de Leonte, seguindo depois o traçado do Trilho da Preguiça que me levaria até junto da Casa Florestal da Preguiça, seguindo depois para Secelo e, utilizando velhos carreiros, passava o Ribeiro da Figueira e chegava ao Vidoeiro. O descanso chegaria finalmente junto da Casa Florestal do Vidoeiro.

Retemperadas as forças, o caminho levou-me a passar Pedrogo até chegar à Cascata do Zanganho (Cascata das Caldas), tomando aqui o traçado da GR50 que me levaria a passar pelo Campo da Figueira e, pouco depois, pelo Mirante da Fraga Negra. Enveredando encosta acima, por entre a infestação de mimosas, cruzava o Ribeiro de Salas em direcção à Boneca e chegava de novo à Chã de Lamas, terminando a caminhada no ponto de partida.

Ficam algumas fotografias do dia...
























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)