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quinta-feira, 11 de julho de 2024

Serra do Gerês - Uma variação ao Trilho dos Currais

 


Nesta caminhada fiz uma variação ao Trilho dos Currais, Serra do Gerês, a partir da Chã da Carvalha das Éguas.

Seguindo inicialmente pelo traçado do Trilho Currais desde Pedrogo, segui pelo antigo Curral do Vidoeiro e iniciei a subida paralela à Corga da Sernada até entroncar no caminho florestal junto do Penedo do Trovão. Continuando a subir, chegava ao Curral da Lomba do Vidoeiro e daqui segui para a Chã da Carvalha das Éguas onde está o curral com o mesmo nome.



Na Chã da Carvalha das Éguas abandonei o traçado do Trilho dos Currais ladeando o cercado e subi um pouco até encontrar de novo o caminho florestal, iniciando então a descida para a Encosta do Cocuruto. O caminho vai-nos levar até à Pedra Bela passando sobre a Encosta de Feixa Ferreiros e pelo Penedo do Cocuruto.

Na Pedra Bela tomei de novo o traçado do Trilho dos Currais por algumas dezenas de metros para iniciar a descida para as Caldas do Gerês. Porém, ao chegar à estrada florestal (e antes de descer para o Curral do Gaio) tomei um novo caminho florestal que me levaria a descer a Encosta da Corga da Assureira. Ao se dividir em dois, e não querendo descer até à Assureira, segui à direita, passando na Encosta de Passos e passando sobre a Tomada do Alemão, chegando então à Carona (e voltando ao traçado do Trilho dos Currais). O percurso leva-nos então a passar pelo Rigor e junto do antigo edifício da Administração Florestal (Challet Florestal do PNPG), antes de atingirmos o ponto de partida.

Foi uma caminhada com uma extensão de 12,1 km e 683 m D+.






Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

O principio do fim do lugar do Rigor

 


A sazonalidade é um punhal que se crava nas costas das Caldas do Gerês todos os anos. Uns gostam e não conseguem viver sem ela, outros desesperam pelos dias em que a vila se anima nos dias termais ou do Estio.

Às Caldas do Gerês falta algo que atraia os visitantes e os prenda por lá. Não faltam opções para que o futuro possa trazer mais e, acima de tudo, melhores visitantes! Rica em História, Valor Humano e Paisagens, a Serra do Gerês tem o potencial e razões para a alimentar todo o ano. Infelizmente, parece que muitos se dão bem com a situação, enquanto poucos acham que deveria ser de outra forma.

De facto, a História destas paragens é um dos tesouros por se explorar e estes não faltam. Tal como a história do lugar do Rigor (e de outros) que marcaram em tempos a vila termal. Ainda existem muitos que se lembram daqueles tempos, mas estes tempos têm a tendência para serem esquecidos sobre a vegetação que aos poucos vai cobrindo o antigo lugar, ao mesmo tempo que as memórias se vão desvanecendo.

Por ser um tema interessante para a História das Caldas do Gerês e da serra que lhe emprestou o nome, transcrevo aqui um texto Agostinho Moura, incluído no seu livro "Memórias Geresianas - Figuras e Factos" (Edição Jornal Geresão, 2011).

Rigor: o princípio do fim...

Mais de meio século volvido sobre a debandada geral, o antigo lugar do Rigor, que existiu, até meados dos anos 50, na encosta nascente desta vila termal, é hoje uma indesmentível saudade para todos quantos lá viveram ou o conheceram. Contando com 30 habitações onde, em 1942, viviam 44 famílias, num total de 203 moradores, o Rigor foi, juntamente com a Boavista, uma das zonas geresianas com maior densidade populacional (...).

Os motivos para a expropriação de todo esse lugar, levada a cabo pela Empresa das Águas do Gerês entre 1944 e 1952, constam de um estudo intitulado "Inquérito Habitacional da Vertente Leste do Vale do Gerez", concluído em 12 de Dezembro de 1942, pelo Dr. Manuel António Soeiro de Almeida, então director clínico desta estância termal.

Pela importância que se reveste para a história desta vila termal, transcrevemos, com a devida vénia, o texto integral da nota introdutória desse "Inquérito Habitacional" da autoria daquele antigo director clínico.

"As caldas do Gerez, afamadas pelas suas excelentes águas medicinais a que tantos milhares de doentes do fígado devem a saúde e até mesmo a vida, assentam num profundo vale, exuberantemente arborizado, da majestosa serra gereziana.

Pelas duas vertentes do pitoresco Vale do Gerez, com os seus socalcos em anfiteatro, estende-se parte da povoação habitada por gente muito pobre, que desconhece, dum modo geral, as regras mais elementares de higiene individual. Estes habitantes vivem, quase na totalidade, em casa sem esgoto, conspurcando com os seus dejectos a montanha, numa área onde brotam dezasseis nascentes de água comum".

"A situação topográfica deste povoado concorre assim grandemente para o precário estado de higiéne da estância, e não menos impede o seu desenvolvimento e progresso.

Como muito bem diz o Professor Alberto de Aguiar, do Porto, "urge desafogar o Gerez, libertá-lo da situação de Prometeu agrilhoado e dar-lhe a montanha ampla e livre onde possa, ajudado por ela e por sua milagrosa água, equilibrar e desenvolver as suas defesas fisiológicas, cumprir os seus sentimentos humanos e desviar-se dos factores deletérios que o cercam". De resto, é esta também a opinião do Professor Armando Narciso, ilustre Médico da Inspecção de Águas, e a minha.

A resolução do problema habitacional das Caldas do Gerez, que consideramos fundamental para a sanidade da estância, torna-se possível com a admirável legislação sobre "Casas Económicas". Impõe-se dizer, em abono da verdade, - prossegue o Dr. Soeiro de Almeida - que o Estado Novo realizou uma obra magnifica e de enorme alcance social, mandando construir numerosos bairros populares onde vivem tantos milhares de famílias, em excelentes condições higiénicas. Por isso contamos com a boa vontade de Sua Excelência o Ministro das Obras Públicas e o auxílio do estado, para s elevar a cabo a construção dum bairro popular, na margem esquerda do Rio Gerez, a jusante da estância. Esse notável melhoramento - acentuava - além de beneficiar consideravelmente as condições de salubridade das Caldas, contribuiria, sem dúvida, para a grande prosperidade da nossa maior riqueza hidrológica.

Nesta ordem de ideias, valendo-nos dos conhecimentos adquiridos nas publicações enviadas pelo ilustre Médico Inspector Chefe da Sanidade Terrestre, fizemos a conselho do Prof. Armando Narciso, a quem já devemos preciosas indicações sobre a defesa sanitária da Estância, um inquérito habitacional da vertente leste do vale do Gerez, donde irrompem dezasseis nascentes de água comum.

Ilustramos o nosso trabalho com a fotografia de todas as habitações, para se poder avaliar melhor o seu valor e o estado em que elas se encontram. Nesta vertente existem 30 casas, algumas do tipo - barraca e de aspecto miserável. Em 28 destas habitações, não há água canalizada, latrina e esgoto. Ainda notámos mais deficiências graves, sob o ponto de vista de higiene habitacional, tais como cozinha sem chaminé, servindo de casa de jantar e de quarto de dormir, habitações superpovoadas, estrumeiras junto das casas, servindo de retrete, e abundância de moscas. Os chefes de família são, em grande parte, trabalhadores jornaleiros que auferem salários entre 8 e 10 escudos".

A reforçar tal petição, Soeiro de Almeida na conclusão desse seu estudo refere: "Na encosta leste do vale do Gerez, existem terrenos cultivados e 30 casas de habitação a montante de 16 minas de água que abastece hotéis, pensões e casas particulares; vivem nessas casas 44 famílias, a maior parte delas, em péssimas condições de habitabilidade, sem a mais rudimentar instalação sanitária, poluindo o solo com os seus dejectos e inquinando as águas que nascem na mesma encosta. Daqui resultam dois graves inconvenientes para a higiene local: 1.º - A sordidez do viver da maior parte da população fixa do Gerez; 2.º - As deficientes condições higiénicas da própria estância hidrológica.

O remédio será, pois, urbanizar o Gerez, isto é, prover à sua defesa sanitária, limpando não só esta encosta como a outra de todas as habitações que não obedecem aos preceitos mais elementares de higiene e deslocando a população para um novo bairro, construído nas devidas condições e em área que não afecte a vida da estação termal".

Com esta exposição, acompanhada das fotografias e da descrição exaustiva de cada uma das 30 habitações referidas, esteva dado o primeiro passo para a polémica machadada final no antigo lugar do Rigor, cuja expropriação total levaria oito anos a consumar (1944-1952), pelo facto dalguns proprietários terem recorrido para o Tribunal de Vieira do Minho, o qual apenas em 29 de Outubro de 1952 viria a confirmar as últimas expropriações. (...)

Fotografia: "Memórias Geresianas - Figuras e Factos" (Edição Jornal Geresão, 2011)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

'Pentelhas', um topónimo geresiano

 


Conhecer e tentar compreender os topónimos que embelezam a Serra do Gerês é de facto uma tarefa muito interessante e que deveria merecer mais cuidado por parte do Município de Terras de Bouro. Apesar de já se ter feito um trabalho imenso na preservação da toponímia, muito há ainda a fazer para que esta não se perca por entre a estupidez das 'Cascatas do Tahiti' e afins.

Há zonas com designações peculiares, tais como a "Encosta do Cocuruto" (Penedo do Cocuruto, Fonte do Cocuruto, Cabeço do Cocuruto e Mina do Cocuroto) ou o famoso "Conho", e outras que já fazem parte da nomenclatura do visitante usual da Serra do Gerês (Pé da Cabril, Prados da Messe, Vidoeiro, e tantos outros).

No entanto, um dos topónimos mais peculiares será "Pentelhas" ou "Pontelhas"! Para quem já percorreu a Grande Rota da Peneda-Gerês na sua etapa entre as Caldas do Gerês e a Ermida, certamente terá passado por esta zona que se localiza acima do Rigor e antes da chegada à estrada para a Pedra Bela nas Voltas do Azeral. Assim, quem por ali caminhou nunca disse que nunca esteve nas Pentelhas!

A fotografia desta publicação mostra a Fonte do Azeral localizada acima das Pentelhas...

O leitor Carlos Evaristo indicou a explicação do topónimo, "É passagem de pequeno curso de água ou alvada. Tem pedras de suficiente comprimento para uma ponta assentar numa margem e a outra ponta na outra e em número suficiente para sobre ela passar um carro de vacas" (in "A Região do Gerês e Estrada da Jeira" - Dialetologia, História, Arqueologia e Etnologia na Toponímia", Fernando Cosme).

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Serra do Gerês - Em busca do Penedo da Cabeça do Cão

 


Caminhada pela Serra do Gerês em busca de velhas paisagens e mais precisamente pelo Penedo da Cabeça do Cão, que sabia ficar algures na zona da Pedra Bela.

Carro estacionado em Pedrogo e início da jornada seguindo o antigo traçado do Trilho dos Currais ao passar pelo velho Chalet dos Serviços Florestais. Um pouco mais adiante, segui pelo traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês (GR50) que, ladeando o Rigor, inicia uma boa pendente que nos levará às Voltas do Azeral (já na estrada para a Pedra Bela) e à Fonte do Azeral, após passar pelas Pentelhas. O caminho, recentemente limpo pelos baldios, vai rodar o Cabeço do Forno Novo até chegar perto do Penedo do Trovão. Aqui, deixei a GR50 e segui pelo caminho florestal que inicialmente percorre a Encosta do Azeral e depois passa perto do Penedo do Cocuruto e da Fonte do Cocuruto, percorrendo a Encosta do Cocuruto antes de entroncar na estrada para a Pedra Bela a poucas dezenas de metros daqui.

Tendo como referência a fotografia a seguir datada de princípios do Século XX, deambulei pelo espaço do antigo Viveiro da Pedra Bela durante algum tempo a tentar encontrar um enquadramento já impossível de ver devido ao crescimento do arvoredo.

Porém, ao fim de algum tempo, lá consegui encontrar o Penedo da Cabeça do Cão e a paisagem que procurava, completamente transformada ao fim de mais de 100 anos!

Encontrado o Penedo da Cabeça do Cão, procurei um velho forno que me havia sido referido pelo Armando Araújo há já muitos meses. Construção singular e de objectivo desconhecido, o peculiar forno encontra-se também na Pedra Bela. De estrutura simples, terá sido talvez utilizado pelos Serviços Florestais, mas agora permanece naquele alto como um testemunho de tempos passados.

Deixando a Pedra Bela para trás, segui pela estrada em direcção à Terrila (Fonte da Terrila) e passando perto da Chã dos Uchos entrei na Encosta do Penedo Chelo, seguindo até ao entroncamento da Roca. Aqui, segui novamente o traçado da GR50 em direcção ao Curral da Carvalha das Éguas passando pela Pala do Cando de Cima e pelo Vale de Salgueiros, ladeando o Varejeiro.

Após uma pequena paragem no Curral da Carvalha das Éguas, segui para o Curral da Lomba do Vidoeiro e iniciei a descida em direcção ao Penedo do Trovão, deixando a GR50 e seguindo pelo traçado do Trilho dos Currais até quase ao fundo da junção da Corga da Sarneda com a Corga do Ferro de Engomar já na Quelha Verde. Depois de passar pela zona de merendas do Vidoeiro (onde se localizava o antigo Curral do Vidoeiro), passei nas imediações do Viveiro da Vacaria e da antiga Casa do Guarda do Vidoeiro, finalizando assim a caminhada em Pedrogo.

Este foi um percurso com uma distância de 16,8 km e com um D+ de 750 metros, totalizando 2.858,9 km percorridos em 2022 com um total de D+ 125.958 metros.

Ficam algumas fotografias do dia...




























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)