O Curral de Fechinhas perante a imensidão de Velas Brancas, Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O Curral de Fechinhas perante a imensidão de Velas Brancas, Serra do Gerês.
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A caminhar na direcção da Portela da Mourisca, surge esta impressionante paisagem da Serra do Gerês que é coroada com a meda granítica de Borrageiros e onde o olhar percorre as Velas Brancas vigilantes sobre as Fechinhas, a meda de Porta Roibas e ao seu lado o Pinto 1º.
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A caminhada aos Prados da Messe saindo da Portela de Leonte e subindo ao Vidoal e Portela de Sineiros, leva-nos pelas altas paisagens da Serra do Gerês. Pelo caminho as montanhas vão mostrando a sua nobreza; é uma paisagem que non acolhe ao longo da caminhada fazendo o coração bater mais forte ora pelo esforço, ora pela emoção. Porém, a chegada ao colo que antecede a descida para o Curral do Conho, presenteia-nos com uma vista arrebatadora e que nos diz que só ali estamos porque a montanha quer...
A visão de Porta Roibas e das paredes escarpadas das Velas Brancas que se afundam nas Fechinhas, projectada num céu zangado com tons plúmbeos é digna das mais belas paisagens de Portugal.
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Fotografado do alto do Conho, o Curral do Conho surge nesta diferente perspectiva sobre a Serra do Gerês. Esta não é uma paisagem que se esteja muito habituado a observar, pois requer uma passagem por um ponto que não é muito usual ser percorrido. Na fotografia, para além do Curral do Conho, destaca-se Porta Roibas, o Vale de Fechinhas, Velas Brancas e o Iteiro d'Ovos.
Sobre o topónimo "Conho". O nome deste curral, "Conho", surge devido à presença de uma grande rocha que o domina em termos da paisagem. Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (2008-2025), o termo "conho" pode-se referir a um regionalismo que significa "penedo arredondado no meio de um rio." Ora, para quem conhece o espaço, e apesar de não existir ali um curso de água que podemos definir como rio, a explicação do topónimo é óbvia
Quando os Serviços Florestais realizaram os primeiros levantamentos topográficos da área do perímetro florestal da Serra do Gerês, acabaram por baptizar muitas elevações com os nomes dos elementos que distinguiam a paisagem nas proximidades. Neste caso, a elevação a Norte do curral ficou a designar-se como "Cabeço do Conho".
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As Velas Brancas servem de pano de fundo à grande mariola na passagem do Rendeiro, Serra do Gerês.
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O colosso de Velas Brancas perfila-se perante o Curral de Fechinhas, Serra do Gerês.
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A fotografia é, acima de tudo, o sentimento que nos envolve no momento e este momento não é instantâneo, envolve-nos por alguns segundos enquanto apreciamos a paisagem que se depara perante nós.
Neste caso, e após passar pelo curral, uma curta paragem para o ver à medida que se afastava. Surgindo então o alinhamento perfeito... o Curral de Bezerros, abrigado numa pequena corga à sombra de Porta Roibas, surge em primeiro plano com as suas cores de Inverno. O olhar eleva-se e perde-se por entre o verde esbatido que esconde o seu abrigo pastoril, sendo então atraído pelas paredes alcantiladas das Velas Brancas. Quem observa a paisagem pela primeira vez, não imagina o abismo granítico que separa estes dois elementos da composição fotográfica, cuja observação termina no pináculo do Iteiro d'Ovos que se projecta num céu a prometer chuva.
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Esta foi uma caminhada organizada por RB Hiking & Trekking que nos levou desde a Portela de Leonte até ao alto das Velas Brancas num percurso de 18 km num dia ventoso na Serra do Gerês.
As Velas Brancas são daqueles locais no Parque Nacional da Peneda-Gerês que nos ficam gravados na memória desde a primeira vez que os vemos! A imensidão das escarpas que se debruçam sobre Fechinhas e a imponência do quadro montanhoso que se eleva desde as profundezas de um abismo, mostram que as montanhas geresianas têm sempre lugar por entre o imaginário de qualquer um de nós que percorra aquelas paisagens.
A caminhada começaria na Portela de Leonte levando-nos por velhos carreiros de montanha que sobem na direcção da Chã do Carvalho. Este, é um caminho habitual para quem usualmente demanda aquela área geresiana e que vai sendo agraciado com a vista do Pé de Cabril que domina a paisagem até esta se expandir para os horizontes da Serra da Peneda e da Serra de Soajo, e mais para além para as lonjuras galegas. Aos poucos, a Serra do Gerês mostra os píncaros do Pé de Salgueiro, por um lado, e do Pé de Medela e Carris de Maceira por outro, fazendo o olhar mergulhar no mar arbóreo da Mata de Albergaria em tons de Outono, um tapete que se forma antes da rudeza das encostas da Serra Amarela.
Chegados ao Prado do Vidoal o nosso olhar prende-se no abismo da Corga dos Cântaros e nas paredes da Roca d'Arte encimada pelo Cabeço de Lavadouros e pelo Cabeço de Cinzeiros, enquanto a sombra do Outeiro Moço vai correndo o Vidoal ao longo das horas da manhã que passa.
O caminho leva-nos então ao Colo da Preza, varanda privilegiada sobre o Vale de Teixeira, candidato em tempos à construção de um sanatório devido à pureza dos seus ares. Tomando o carreiro à esquerda, este leva-nos a Chã da Fonte e daqui segue-se caminho para passar ao lado da Fonte da Borrageirinha e depois atravessa as Lamas de Borrageiro, seguindo-se pela Chã do Caçador em direcção à Lomba de Pau. Descendo então na direcção do Conho, antes deste, porém, tomamos um desvio à direita que nos levaria a passar sobre a Lameira de Mourisca, chegando então perto da Meda de Rocalva. Nesta zona, e virando a Nascente, seguimos pela Chã de Trás da Meda através do traçado do Trilho da Vezeira de Fafião até atingir o colo sobre a Ribeira de Salgueirinho.
Com os velhos caminhos a perderem-se na memória e no espaço físico, sobram as velhas mariolas que nos indicam o caminho para as Velas Brancas. Caminhando em direcção às vertentes do abismo que nos espera mais adiante, o colosso granítico do Iteiro d'Ovos marca a paisagem que fica para trás, tendo a Roca Negra e a Meda de Rocalva os seus perfis desenhados no horizonte não muito longínquo. Por aqui, os promontórios de Porta Roibas e o alto do Pinto começam a sobressair na paisagem que se forma diante de nós.
Em pouco tempo, somos chegados aos limites daquele conjunto que se denomina por 'Velas Brancas' ('Vela Branca', 'Bela Branca') e parece que chegamos à proa de um barco que navega por entre o mar de granito que torna a paisagem num oceano imenso. Lá ao fundo o Curral de Fechinhas surge como um oásis por entre o granito. A paisagem é toda ela uma imensa paleta de altos e ravinas que tentamos identificar... Muro, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva, Roca Negra, Borrageiro, Albas, Cantarelo, Torrinheira, Cidadelhe, Carris e Nevosa, Borrageiros... A enormidade daquilo que se eleva perante nós é indescritível, bem como a profundeza dos abismos perante os quais nos recolhemos na nossa pequenez.
São nestes lugares feitos de tranquilidade, pensamentos e sentimentos imensos, que sentimos o pulsar da montanha que nos envolve como um manto de leveza. Aqui, somos abraçados por aquela sensação de algo conquistado, o regresso a uma paisagem que já não via há muito tempo, apesar de estar sempre ali, à espera do regresso.
E após minutos de contemplação - açoitados por um vento que se sentia frio - inicia-se o regresso, passando pelo Curral de Soengas e pelo Cocão de Iteiro d'Ovos, chegando à fonte existente no Curral de Iteiro d'Ovos.
Segundo José Cunha-Oliveira na publicação "Outeirinho, Outeiro" no seu blogue "Toponímia galego-portuguesa e brasileira", iteiro é uma variante dialectal de 'outeiro', 'oiteiro' e 'eiteiro'. Por outro lado, o blogue "Beijós XXI (2005-2009)" na sua publicação "Iteiro" refere que "Normalmente um cerro / morro que se destaca como acidente de terreno. Em várias regiões serviam como limites, términos, marcos da confluência de diferentes territórios, em particular nas civilizações pré-romanas. É esse o significado toponímico de Itero em Castela e Leão." Vejamos uma interpretação para Iteiro d'Ovos! Sem dúvida que se trata de uma elevação característica naquela zona serrana e a sua localização situação nos limites concelhios de Terras de Bouro e de Montalegre. Uma interpretação mais difícil será os 'Ovos'; penso que este nome poderá estar relacionado com a grande quantidade de pedras que compõem aquele morro ou então poderá estar relacionado com um antigo local de nidificação de aves de rapina. Nenhuma destas tentativas para explicar o nome 'Ovos' tem base científica e é apenas a minha especulação.
Seguindo na direcção do Curral do Vidoeirinho - local do merecido descanso e repasto - e depois para o Curral de Rocalva, tomamos então o caminho para as alturas do Borrageiro. A parte final do percurso leva-nos a passar junto do Arco do Borrageiro e da Fonte da Borrageirinha, seguindo daqui na direcção do Enfragadouro e Coloda Preza, descendo então para o Vidoal e Portela de Leonte.
Ficam algumas fotografias do dia...
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
As Velas Brancas são daqueles locais no Parque Nacional da Peneda-Gerês que nos ficam gravados na memória desde a primeira vez que os vemos! A imensidão das escarpas que se debruçam sobre Fechinhas e a imponência do quadro montanhoso que se eleva desde as profundezas de um abismo, mostram que as montanhas geresianas têm sempre lugar por entre o imaginário de qualquer um de nós que percorra aquelas paisagens.
Neste dia, e ao longo de mais de 18 km, percorri algumas das paisagens mais deslumbrantes da Serra do Gerês e do nosso único Parque Nacional.
Se o dia anterior havia sido fresco pelas alturas da Serra da Peneda, este dia nasceu com cara de querer trazer o calor do Verão de volta, e assim foi! No entanto, caminhada começaria na Portela de Leonte com uma brisa fresca que incentivava ao caminho que logo começou a subir na direcção da Chã do Carvalho, seguindo pela velha calçada pastoril que leva às pastagens mais altas daquelas paragens. É um caminho habitual para quem usualmente demanda aquela área geresiana e que vai sendo agraciado com a vista do Pé de Cabril que domina a paisagem até esta se expandir para os horizontes da Serra da Peneda e da Serra de Soajo, e mais para além para as lonjuras galegas. Por si, a Serra do Gerês mostra então os píncaros do Pé de Salgueiro, por um lado, e do Pé de Medela e Carris de Maceira por outro, ou então fazemos o olhar mergulhar no mar de verde que a Mata de Albergaria nos oferece, um tapete que se forma antes da rudeza das encostas da Serra Amarela.
Chegados ao Prado do Vidoal o nosso olhar prende-se no abismo da Corga dos Cântaros e nas paredes da Roca d'Arte encimada pelo Cabeço de Lavadouros e pelo Cabeço de Cinzeiros, enquanto a sombra do Outeiro Moço vai-se diluindo nas horas da manhã que passa.
O caminho leva-nos então ao Colo da Preza, varanda privilegiada sobre o Vale de Teixeira que em tempos foi candidato à construção de um sanatório devido à pureza dos seus ares. Tomando o carreiro à esquerda, este leva-nos a Chã da Fonte e daqui segue-se caminho para passar nas Lamas de Borrageiro e seguir pelas Gralheiras em direcção à Lomba de Pau. Queria tomar um velho carreiro que me levaria perto da Meda de Rocalva e que se inicia já junto da descida para o Curral do Conho. Porém, as mariolas perdem-se por entre o matagal fechado, forçando-nos a descer pelo carreiro «normal» na direcção do Conho e tomar um desvio à direita que nos levaria a passar sobre a Lameira de Mourisca, chegando então perto da Meda de Rocalva. Nesta zona, e virando a Nascente, seguimos pela Chã de Trás da Meda através do traçado do Trilho da Vezeira de Fafião até atingir o colo sobre a Ribeira de Salgueirinho.
Com os velhos caminhos a perderem-se na memória e no espaço físico, sobram as velhas mariolas que nos indicam a direcção das Velas Brancas. Caminhando em direcção às vertentes do abismo que nos espera mais adiante, o colosso granítico do Iteiro d'Ovos marca a paisagem que fica para trás, tendo a Roca Negra e a Meda de Rocalva os seus perfis desenhados no horizonte não muito longínquo. Adiante, os promontórios de Porta Roibas e o alto do Pinto começam a sobressair na paisagem que se forma diante de nós.
Em pouco tempo, somos chegados aos limites daquele conjunto que se denomina por 'Velas Brancas' ('Vela Branca', 'Bela Branca') e parece que chegamos à proa de um barco que navega por entre o mar de granito que torna a paisagem num oceano imenso. Lá ao fundo o Curral de Fechinhas surge como um oásis amarelado queimado pelo Sol do Verão, um santuário por entre o granito. A paisagem é toda ela uma imensa paleta de altos e ravinas que tentamos identificar... Muro, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva, Roca Negra, Borrageiro, Albas, Cantarelo, Torrinheira, Cidadelhe, Carris e Nevosa, Borrageiros... A enormidade daquilo que se eleva perante nós é indescritível, bem como a profundeza dos abismos perante os quais nos recolhemos na nossa pequenez.
São nestes lugares feitos de tranquilidade, pensamentos e sentimentos imensos, que sentimos o pulsar da montanha que nos envolve como um manto de leveza. Aqui, somos abraçados por aquela sensação de algo conquistado, o regresso a uma paisagem que já não via há muito tempo, apesar de estar sempre ali, à espera do regresso.
E após minutos de contemplação - bem como a merecida paragem para o repasto - inicia-se o regresso, passando pelo Curral de Soengas e pelo Cocão de Iteiro d'Ovos, chegando à fonte existente no Curral de Iteiro d'Ovos.
Segundo José Cunha-Oliveira na publicação "Outeirinho, Outeiro" no seu blogue "Toponímia galego-portuguesa e brasileira", iteiro é uma variante dialectal de 'outeiro', 'oiteiro' e 'eiteiro'. Por outro lado, o blogue "Beijós XXI (2005-2009)" na sua publicação "Iteiro" refere que "Normalmente um cerro / morro que se destaca como acidente de terreno. Em várias regiões serviam como limites, términos, marcos da confluência de diferentes territórios, em particular nas civilizações pré-romanas. É esse o significado toponímico de Itero em Castela e Leão." Vejamos uma interpretação para Iteiro d'Ovos! Sem dúvida que se trata de uma elevação característica naquela zona serrana e a sua localização situação nos limites concelhios de Terras de Bouro e de Montalegre. Uma interpretação mais difícil será os 'Ovos'; penso que este nome poderá estar relacionado com a grande quantidade de pedras que compõem aquele morro ou então poderá estar relacionado com um antigo local de nidificação de aves de rapina. Nenhuma destas tentativas para explicar o nome 'Ovos' tem base científica e é apenas a minha especulação.
Seguindo na direcção do Curral do Vidoeirinho e depois para o Curral de Rocalva, tomando então o caminho para as alturas do Borrageiro. A parte final do percurso leva-me através das Lamas de Borrageiro até à Fonte da Borrageirinha e daqui na direcção do Vidoal e Portela de Leonte.
Ficam algumas fotografias do dia...
Colocados a toda a largura do pequeno vale, os Portelos de Rendeiro - Serra do Gerês - impedem a passagem dos animais das vezeiras de Vilar da Veiga e Ermida para Fafião, e vice-versa. Ao fundo, as imponentes Velas Brancas.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Imponentes e guardando juntamente com Porta Roibas, a entrada para o Vale do Rio da Touça, estão as Velas Brancas, Serra do Gerês.
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Neste dia, fiz uma «ligeira» alteração a um percurso que é dos meus preferidos na Serra do Gerês. A subida pela Costa de Sabrosa e posterior passagem pelos Prados da Messe, Conho e Lomba de Pau a caminho da Preza e Vidoal, dá-nos a oportunidade de ter um óptimo dia de montanha na Serra do Gerês.
Porém, desta vez, introduzi um desvio que me levaria a passar pelo Rendeiro e descer a Fechinhas, seguindo depois pela Mourisca a caminho do Conho.
Para uma descrição do percurso aos Prados da Messe pela Costa de Sabrosa e regresso pela Lomba de Pau, podem consultar este texto.
O dia estava particularmente calmo e o céu anunciava desde logo de manhã que o cenário iria mudar nos dias seguintes na Serra do Gerês. Previa-se neve e um período mais húmido, após vários dias de um tempo primaveril em Fevereiro. Em conversa, dizia que "era o respirar fundo antes do mergulho," parafraseando um célebre feiticeiro de vestes cinzentas.
Os Prados da Messe apresentavam-se calmos e tranquilos, e mesmo a passarada parecia antever o que chegaria dias mais tarde. Os pequenos regatos iam cantarolando na sua interminável demanda do oceano e uma brisa por vezes com tons tépidos fazia a vegetação balancear.
Passando as velhas ruínas da casa dos Serviços Florestais, procurei o carreiro e depois as mariolas que me levassem à passagem para o Rendeiro. Escondidas e cobertas pelo tempo, ali estavam elas indicando o caminho a seguir. Há muitos anos, nas minhas primeiras incursões na geresiana serra, via aquela passagem como uma porta para um «mundo mais selvagem» da Serra do Gerês. Curiosamente, quase quatro décadas depois, a sensação ainda é a mesma. É como se estivesse a entrar num templo perante e dentro do qual, se preza um certo silêncio, uma verdadeira reverência. Silêncio! Aqui sente-se a Natureza e tudo o que dela faz parte!
Usualmente, este percurso é usado para chegar a Borrageiros, percorrendo pequenas corgas e longos vales, mas neste dia decidi descer a Fechinhas. Desde que se entra no Rendeiro, a paisagem absorve-nos de uma forma imensa, pois os espaços que se nos deparam são imensos. O vale é guardado por dois colossos: Velas Brancas (à direita) e Porta Roibas (à esquerda), dois titãs que se parecem precipitar no vale. Quando deixamos o carreiro para procurar o velho caminho que nos levará às profundezas do abismo, vamos ter o Cocão das Quebradas e as Lamas de Modo que passam quase incógnitas na paisagem, pois o nosso olhar vai a perscrutar o leito da Ribeira do Porto de Vacas que corre lá ao fundo.
No Verão, esta é ainda zona onde a vezeira vai passando, ou pelo menos os animais vão por ali à procura de alimento. Em tempos, foi um carreiro bem definido na paisagem; hoje restam as mariolas para nos sugerir por onde passar. A descida é para se fazer com calma, pois a paisagem e a prudência assim o exigem. Aqui e ali, à medida que descemos, surgem pequenos promontórios, quase como altares, que nos proporcionam o vislumbra do Vale do Rio da Touça que abre caminho entre gigantes, pois ali, pequenos somos nós.
Tanto Porta Roibas como as Velas Brancas agigantam-se à medida que vamos descendo e os ribeiros ganham viva com o constante cantar por entre as pedras dos seus leitos nus. Já no fundo, quando o carreiro se acalma, temos de levantar a cabeça para fitar estes ciclopes que se se petrificaram em granito. Com o Curral de Fechinhas já ali adiante, restava atravessar a ribeira que, felizmente, tinha pouco caudal, pois caso contrário teria de fazer todo o percurso inverso de volta aos Prados da Messe.
O Curral de Fechinhas faz parte da vezeira de Fafião. O nome advém das inúmeras fechas, isto é, das quedas de água que se podem observar no ribeiro que se despenha desde a Lameira da Mourisca. Após uma curta visita ao seu abrigo pastoril, iniciei a subida pelo vale glaciar. O velho carreiro sobe o vale pela sua margem esquerda, levando-nos à base da Mourisca, a Lameira da Mourisca, e aqui flecte à direita, cruzando o curso de água junto de uma peculiar fecha e segue em direcção ao Curral do Conho, onde finalmente descansei.
Algumas fotografias do dia...
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)