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sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

A permuta dos terrenos da Assureira em 1907

 


Os terrenos onde agora está instalado o Parque da Assureira, foram em tempos pertença de Vicente Paulino da Silveira, residente nas Caldas do Gerês, que a 30 de Outubro de 1907 fez um acordo de permuta destes terrenos que confinavam com outros já pertencentes aos Serviços Florestais.

Assim, Vicente Silveira tomou posse de uma superfície de igual área existente em Pentelhas, junto de terrenos dos quais já era proprietário.

Nestes terrenos, os Serviços Florestais construiriam uma pequena Casa de Guarda e em 1909 criava-se um pequeno parque florestal.


Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

'Pentelhas', um topónimo geresiano

 


Conhecer e tentar compreender os topónimos que embelezam a Serra do Gerês é de facto uma tarefa muito interessante e que deveria merecer mais cuidado por parte do Município de Terras de Bouro. Apesar de já se ter feito um trabalho imenso na preservação da toponímia, muito há ainda a fazer para que esta não se perca por entre a estupidez das 'Cascatas do Tahiti' e afins.

Há zonas com designações peculiares, tais como a "Encosta do Cocuruto" (Penedo do Cocuruto, Fonte do Cocuruto, Cabeço do Cocuruto e Mina do Cocuroto) ou o famoso "Conho", e outras que já fazem parte da nomenclatura do visitante usual da Serra do Gerês (Pé da Cabril, Prados da Messe, Vidoeiro, e tantos outros).

No entanto, um dos topónimos mais peculiares será "Pentelhas" ou "Pontelhas"! Para quem já percorreu a Grande Rota da Peneda-Gerês na sua etapa entre as Caldas do Gerês e a Ermida, certamente terá passado por esta zona que se localiza acima do Rigor e antes da chegada à estrada para a Pedra Bela nas Voltas do Azeral. Assim, quem por ali caminhou nunca disse que nunca esteve nas Pentelhas!

A fotografia desta publicação mostra a Fonte do Azeral localizada acima das Pentelhas...

O leitor Carlos Evaristo indicou a explicação do topónimo, "É passagem de pequeno curso de água ou alvada. Tem pedras de suficiente comprimento para uma ponta assentar numa margem e a outra ponta na outra e em número suficiente para sobre ela passar um carro de vacas" (in "A Região do Gerês e Estrada da Jeira" - Dialetologia, História, Arqueologia e Etnologia na Toponímia", Fernando Cosme).

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Serra do Gerês - Em busca do Penedo da Cabeça do Cão

 


Caminhada pela Serra do Gerês em busca de velhas paisagens e mais precisamente pelo Penedo da Cabeça do Cão, que sabia ficar algures na zona da Pedra Bela.

Carro estacionado em Pedrogo e início da jornada seguindo o antigo traçado do Trilho dos Currais ao passar pelo velho Chalet dos Serviços Florestais. Um pouco mais adiante, segui pelo traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês (GR50) que, ladeando o Rigor, inicia uma boa pendente que nos levará às Voltas do Azeral (já na estrada para a Pedra Bela) e à Fonte do Azeral, após passar pelas Pentelhas. O caminho, recentemente limpo pelos baldios, vai rodar o Cabeço do Forno Novo até chegar perto do Penedo do Trovão. Aqui, deixei a GR50 e segui pelo caminho florestal que inicialmente percorre a Encosta do Azeral e depois passa perto do Penedo do Cocuruto e da Fonte do Cocuruto, percorrendo a Encosta do Cocuruto antes de entroncar na estrada para a Pedra Bela a poucas dezenas de metros daqui.

Tendo como referência a fotografia a seguir datada de princípios do Século XX, deambulei pelo espaço do antigo Viveiro da Pedra Bela durante algum tempo a tentar encontrar um enquadramento já impossível de ver devido ao crescimento do arvoredo.

Porém, ao fim de algum tempo, lá consegui encontrar o Penedo da Cabeça do Cão e a paisagem que procurava, completamente transformada ao fim de mais de 100 anos!

Encontrado o Penedo da Cabeça do Cão, procurei um velho forno que me havia sido referido pelo Armando Araújo há já muitos meses. Construção singular e de objectivo desconhecido, o peculiar forno encontra-se também na Pedra Bela. De estrutura simples, terá sido talvez utilizado pelos Serviços Florestais, mas agora permanece naquele alto como um testemunho de tempos passados.

Deixando a Pedra Bela para trás, segui pela estrada em direcção à Terrila (Fonte da Terrila) e passando perto da Chã dos Uchos entrei na Encosta do Penedo Chelo, seguindo até ao entroncamento da Roca. Aqui, segui novamente o traçado da GR50 em direcção ao Curral da Carvalha das Éguas passando pela Pala do Cando de Cima e pelo Vale de Salgueiros, ladeando o Varejeiro.

Após uma pequena paragem no Curral da Carvalha das Éguas, segui para o Curral da Lomba do Vidoeiro e iniciei a descida em direcção ao Penedo do Trovão, deixando a GR50 e seguindo pelo traçado do Trilho dos Currais até quase ao fundo da junção da Corga da Sarneda com a Corga do Ferro de Engomar já na Quelha Verde. Depois de passar pela zona de merendas do Vidoeiro (onde se localizava o antigo Curral do Vidoeiro), passei nas imediações do Viveiro da Vacaria e da antiga Casa do Guarda do Vidoeiro, finalizando assim a caminhada em Pedrogo.

Este foi um percurso com uma distância de 16,8 km e com um D+ de 750 metros, totalizando 2.858,9 km percorridos em 2022 com um total de D+ 125.958 metros.

Ficam algumas fotografias do dia...




























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)