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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

"Volta a Portugal em bicicleta: A decisão do ICNF sobre a Peneda-Gerês é incompreensível"

 


A opinião de Miguel Dantas da Gama para ler aqui.

"A decisão do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) relativa ao percurso da sétima etapa da Volta a Portugal em bicicleta, visando atravessar áreas ecologicamente sensíveis no interior do Parque Nacional da Peneda-Gerês, é ilegal e contraria o respetivo Plano de Ordenamento, nomeadamente o seu artigo 14. Neste contexto, seria interesssante conhecermos em que se baseia o parecer jurídico emitido pelo ICNF, que contraria uma disposição aprovada em Conselho de Ministros depois de muitos anos de trabalho técnico e científico para a justificar."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

"Manuel Tibo defende populações como 'os maiores guardiões' do Gerês e garante proteção na passagem da Volta a Portugal"

 


Notícia d'O Amarense para ler aqui.

"O presidente da Câmara Munivipal de Terras de Bouro, Manuel Tibo, afirmou (...) que as populações residentes são "os maiores guardiões" do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), reagindo às críticas levantadas em torno da passagem da 7.ª etapa da 87.ª Volta Portugal em Bicicleta pela Mata de Albergaria."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Volta a Portugal na Mata de Albergaria: um erro colossal"

 


A opinião de Henrique Miguel Pereira, Ex-Director do Parque Nacional da Peneda-Gerês (2006-2009), professor catedrático no iDiv/Universidade de Halle-Wittenberg e investigador convidado no BIOPOLIS/Universidade do Porto, para ler aqui.

"A passagem da Volta a Portugal no PNPG junta três características: ser uma decisão de legalidade duvidosa, abrir um precedente arriscado, e enviar uma mensagem confusa ao público."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Lisboa desautoriza Braga e ICNF aprova passeio de bicicletas na Mata de Albergaria

 


Segundo noticia a edição online do jornal Terras do Homem (Passagem da Volta a Portugal em bicicleta pela Mata da Albergaria no Gerês sem público diz ICNF, pelo jornalista Pedro Antunes Pereira), "o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) condiciona a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na Mata da Albergaria, no Gerês, 'a fortes medidas de proteção da biodiversidade'”, tais como a interdição ao público, não referindo no entanto qual a zona interditada.

Contrariando pareceres emitidos e cedendo a óbvias fortes pressões politicas, a autorização para a realização da etapa “foi acompanhada por um conjunto de medidas específicas destinadas a minimizar qualquer eventual perturbação”. Destas medidas, encontram-se "a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente indispensável, a interdição da permanência de público em todo o trajeto que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso, a exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural e outras medidas de gestão consideradas necessárias para proteção das espécies, habitats e restantes valores naturais.”

Segundo indica o Terras do Homem, citando o parecer emitido pelo ICNF, "foi igualmente recomendada a integração, por parte da organização, de ações de comunicação e sensibilização ambiental, em articulação com o ICNF, que contribuam para a divulgação dos objetivos de conservação do Parque Nacional e do património natural que este alberga.

O ICNF refere que irá acompanhar a realização da prova, certamente destacando o seu numeroso corpo de 12 Vigilantes da Natureza, "em articulação com as restantes entidades competentes, de forma a verificar o cumprimento integral das condições estabelecidas e a garantir a salvaguarda dos valores naturais do Parque Nacional da Peneda-Gerês.”

O ICNF, que cobra uma taxa de acesso a veículos motorizados à Mata de Albergaria, refere que a decisão tomada “resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e aprofundada, realizada no quadro dos procedimentos legalmente previstos, num processo em que a proteção da natureza, dos habitats e das espécies presentes no Parque Nacional constituiu sempre a principal prioridade”.

Este Instituto Público, sem um pingo de vergonha na cara, jamais de importou com a verdadeira preservação dos valores ecológicos e naturais presentes na Mata de Albergaria. Como já foi amplamente referido neste blogue em anos anteriores, a arrecadação da taxa de acesso não tem efeitos práticos e visíveis na protecção da Mata de Albergaria, havendo sim uma percepção de desleixo e abandono do coração ecológico do Parque Nacional. O ICNF nunca demonstrou uma verdadeira vontade de limitar os danos ali provocados em época onde a afluência de visitantes é massiva.

Havendo gente de Lisboa - e talvez outra gente em Braga - que nunca deve ter visitado o PNPG, o ICNF refere que a sua análise concluiu, que o percurso proposto para a etapa coincide exclusivamente com uma via pavimentada já existente, e durante um período muito limitado, fazendo notar (apoiando-se em antecedentes que nunca deveriam ter ocorrido) que “o troço em causa corresponde a uma estrada onde existe circulação motorizada regular, sem que daí tenha resultado, até à data, qualquer impacte negativo significativo conhecido sobre os habitats naturais, as espécies ou os valores ambientais presentes”, lê-se ainda na resposta.

Não deixa de ser interessante esta declaração por parte do ICNF tendo em conta que há vários anos o PNPG esteve em risco de ser desclassificado devido precisamente ao facto de haver uma estrada a cruzar a sua zona mais importante.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A tal prova de bicicletas

 


Cerca de um mês após terem sido solicitados esclarecimentos oficiais sobre a passagem de uma etapa de uma prova desportiva pela Mata de Albergaria, o coração ecológico e a razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), o silêncio de quem deveria esclarecer torna-se ensurdecedor para a alma e para o coração.

Torna-se assim óbvio - ou se calhar, mais óbvio ainda - que não há anuncios oficiais sem que tudo estivesse já garantido e acordado entre as partes. Ao abrigo de uma vã promoção do território, sacrifica-se a preservação tendo como justificação precedentes que nunca deveriam ter acontecido. O mal já feito não pode e nunca deveria ser justificação para outro mal maior.

A Mata de Albergaria, todos os estios vilipendiada pela maralha humana que por lá deixa lixo e conspurca a pouca água que tem, sofre os efeitos de más decisões de gestão a todos os níveis. Perpétuam-se maus hábitos e exemplos num território que se esvai aos poucos. Os remendos vão surgindo ao abrigo de dinheiros que vão chegando, descuidando-se um plano que tem de ser obrigatoriamente a muito longo prazo para mudar o velho paradigma da promoção de um território baseada em alicerces que se vão desgastando.

A prova desportiva irá trazer o típico visitante do território: aquele que vem cá passar o dia, traz a sua geleira, não deixa riqueza e apenas deixa lixo. Além do mais, vai trazer os meios dos seus patrocinadores que pouco irão deixar para o comércio local que verá as ruas fechadas numa altura de romaria que por si só atrai milhares de visitantes.

Zona frágil e onde o menor descuido pode significar o seu fim, a Mata de Albergaria ver-se-á invadida por uma orda que nada respeitará, que deixará lixo, irá pisotear a vegetação, fará ruído e mais ruído, que fará pic-nics e trará os óbvios perigos em dias de calor intenso.

Autorizada a prova devido a um intenso trabalho de lóbi, desautorizando os técnicos que certamente se calam com a mordaça política, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas perde por completo a cara, deixando cair a máscara, e deixa de ter a mínima postura moral para gerir o PNPG. Os seus vigilantes no terreno acabam por ser meros figurantes numa encenação que se repete todos os anos e todos os anos o PNPG definha a olhos vistos ao sabor de interesses e egos pessoais e políticos.

É óbvio para toda a agente que a prova de bicicletas deve passar no Gerês! Aliás, estranha-se é que somente agora venha por estes lados ao fim de quase 100 anos de prova. Terras de Bouro e a sua parte do Gerês há já muito tempo que merecem e devem ter a prova de bicicletas, mas como referiu Miguel Brandão Pimenta, "cada lugar tem a sua função e (...) nem todos os espaços são compatíveis com eventos desta natureza."

Apenas uma teimosia e um grande ego insistem em que a prova de bicicletas passe no coração, centro essencial, do nosso único Parque Nacional. A promoção do território de Terras de Bouro seria muito melhor conseguida com, passando as Pontes de Rio Caldo, uma subida através da estrada da Ermida, seguindo por Pala Freita em direcção à Pedra Bela, descendo depois ao Vidoeiro (com o tão desejado piso empedrado para relembrar o "Portugal de outros tempos" tão desejado para alguns) e atravessando a vila termal até à rotunda da Assureira que lhe daria acesso à Chã da Ermida, Zanganho e através da estrada panorâmica das Curvas de S. Bento / Lamas até Covide, Chamoim, Carvalheira e Paredes, chegando então ao Campo do Gerês e prosseguindo pela Barragem de Vilarinho das Furnas, tomando a vertiginosa estrada para Brufe e depois, através de uma das mais magníficas estradas sobre o Vale do Homem, seguindo então para Germil. As opções seriam várias, teria apenas de se deixar para trás "o quero, posso e mando!"

De novo parafraseando Miguel Brandão Pimenta, "Ninguém perderia por respeitar a Mata da Albergaria. Pelo contrário: ganharia a Federação Portuguesa de Ciclismo e a Volta a Portugal, demonstrando sensibilidade para com o património natural; ganhariam as populações locais, que veriam a prova passar mais perto das suas localidades; e ganharia o Parque Nacional, preservando o seu espaço mais sensível. Ganharia também o ICNF, se tivesse a coragem e a sensibilidade de explicar por que razão a Mata da Albergaria merece uma protecção tão rigorosa e porque existe, afinal, um Parque Nacional."

Só é possível apostar no turismo exatamente porque conseguimos preservar a natureza, as paisagens e o Parque Nacional [da Peneda Gerês]. Se isto deixar de ser sustentável, perdemos as galinhas dos ovos de ouro. A natureza e a sua preservação são o tesouro desta região. (...)" Declarações do Vereador António Cunha ao jornal O Minho, 21 de Novembro de 2023 (Turismo cresce cada vez mais em Terras de Bouro graças a uma “fórmula mágica”

A alma e o coração devem estar com os interesses de Terras de Bouro, mas também com os interesses superiores do país.

domingo, 2 de agosto de 2026

"Volta a Portugal na Mata de Albergaria no Gerês. BE acusa Governo e ICNF de esconder pareceres"

 


Notícia do E24 pelo jornalista Filipe Oitavem para ler aqui.

"O Bloco de Esquerda (BE) voltou a exigir a divulgação imediata do parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que terá sustentado a autorização da passagem da 7.ª etapa da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, incluindo a Mata de Albergaria."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

"'Lei é clara para áreas de proteção parcial de tipo I': Volta a Portugal não pode entrar no coração do Gerês"

 


Notícia da TSF pelo jornalista david Alvito para ler aqui.

O percurso da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta prevê uma passagem inédita pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, o que tem gerado preocupação e críticas por parte de associações ambientais, que contestam a passagem dos ciclistas, sobretudo pela Mata da Albergaria, no concelho de Terras de Bouro (Braga). A organização da prova já pediu um parecer ao Instituto da Conservação da Natureza (ICNF), mas ainda não existe qualquer decisão. No entanto, para Miguel Dantas da Gama, do Conselho Estratégico do Parque Natural da Peneda-Gerês, a "lei é clara" e o ICNF não dará luz verde à passagem pela zona protegida.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Dia Mundial do Vigilante da Natureza

 


"Só os vejo a andar de carro!"

Esta é uma frase que muito se escuta por essas áreas protegidas nacionais e, como não podia deixar de ser, também no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Neste Dia Mundial do Vigilante da Natureza muitos ignoram, ou deliberadamente pretendem ignorar, que - numa área protegida de cerca de 70.000 ha - apenas existam 12 Vigilantes da Natureza e que (pasma-se!) não estão somente ocupados na vigilância do PNPG, mas também de outras áreas inseridas na Rede Natura 2000 e outras.

Com o objectivo de preservarem o que de mais de valioso em termos de Natureza o nosso país possuí, esta continua a ser uma das profissões menos valorizados e que há anos luta por uma evolução da evolução na carreira.

"Os Vigilantes da Natureza asseguram, nas respectivas áreas de actuação, as funções de vigilância, fiscalização e monitorização relativas ao ambiente e recursos naturais, nomeadamente no âmbito do domínio hídrico, do património natural e da conservação da natureza."

                       (N.º 1 do Art. 2.º do Decreto-Lei n.º 470/99, de 6 de Novembro )

De forma geral, os Vigilantes da Natureza desempenham funções em todo o território nacional, dando especial atenção, os que pertencem ao ICNF, à RNAP- Rede Nacional de Áreas Protegidas (do Continente) constituída por 47 Áreas Protegidas, incluindo 32 de âmbito nacional (1 parque nacional, 13 parques naturais, 9 reservas naturais, 2 paisagens protegidas e 7 monumentos naturais), 14 de âmbito regional/ local (2 reservas naturais, 11 paisagens protegidas e 1 parque natural) e, ainda, uma área protegida privada.

De referir que a Rede Nacional de Áreas Protegidas ocupa uma área de 793.086,1 ha, contabilizando a área marinha (536,2 km2) e área terrestre, o que representa cerca de 8% da sua área total.

Note-se que a Rede Natura 2000 também faz parte do território ao qual se dá grande importância na área da fiscalização e monitorização, sendo composta por 107 Zonas Especiais de Conservação (ZEC) e 62 Zonas de Proteção Especial (ZPE) elegidas no âmbito da Diretiva Aves, distribuídas pelo Continente e Regiões Autónomas, abrangendo 22% da área total terrestre, acrescidos de cerca de 39 000 km2 de área marinha.

Os Vigilantes da Natureza fiscalizam, ainda, as Matas Nacionais, sob gestão directa do ICNF, que ocupam uma área de cerca de 55.000 ha.

No PNPG a média de idades dos Vigilantes da Natureza ronda neste momento os 50 anos de idade, sendo que, caso não se proceda urgentemente à resolução dos problemas que os afectam, dificilmente se conseguirá atrair novos elementos para reforçar este corpo, sendo ainda muito difícil conseguir manter nesta carreira os atuais Vigilantes por muito tempo.

Sendo um problema transversal aos Vigilantes da Natureza que actuam nas outras áreas protegidas, os elementos que actuam no PNPG necessitam de uma revisão urgente da sua Carreira Profissional. Note-se que o diploma que aprovou a carreira de Vigilante da Natureza, data do ano de 1999, e desde então a carreia nunca mais foi revista ou alterada, estando profundamente desactualizada quer a nível funcional, salarial e de progressão na carreira, havendo Vigilantes da Natureza a auferir mensalmente apenas o Salário Mínimo Nacional. De notar, que foi anunciado, pelo Governo no início do ano de 2023, que iria proceder à revisão da carreira, mas até ao momento nada foi feito.

A 3 de agosto 2014, o Banco de Portugal anunciou um resgate no valor de 4.900 milhões de euros do Banco Espírito Santo. Por essa altura, e mais tarde, o Governo Português injectaria milhões para salvar bancos corruptos e falidos, numa decisão de prioridades trocadas deixando a definhar as nossas áreas protegidas.

As áreas protegidas não abrem ás 9h00 e fecham às 19h00 e por diversas vezes os Vigilantes da Natureza necessitam de fazer trabalho extraordinário para assegurar cabalmente o cumprimento da sua missão. Tal trabalho não é remunerado em dinheiro, nem sequer é possível constituir-se um banco de horas para estes profissionais, sendo que estes são prejudicados quer a nível remuneratório, quer a nível de compatibilização da vida profissional com a vida pessoal.

Com meia-dúzia de Vigilantes da Natureza a operar no PNPG, é humanamente impossível realizar o trabalho como este deve ser feito, levando muitas vezes a situações que acabam por prejudicar o seu desempenho. A «recente» entrada de novos Vigilantes da Natureza não veio resolver o problema e assim é necessária e urgente a abertura do concurso de admissão de novos elementos. 

Não passaram muitos anos sobre os quais os funcionários do Parque Nacional da Peneda-Gerês apenas possuíam uma viatura de serviço e várias vezes tinham de pagar do seu próprio bolso a reparação da mesma. O cenário com que os Vigilantes da Natureza se deparam não mudou muito. Em vários locais, faltam meios de trabalho dos profissionais desta carreira, bem como instrumentos de trabalho tais como fitas métricas, binóculos, coletes refletores, rádios de comunicação, etc., sendo que muitas vezes os Vigilantes da Natureza acabam por utilizar meios pessoais para assim poderem realizar o seu trabalho de forma cabal e eficaz e assim poderem dar a melhor resposta às solicitações que lhe são dirigidas.

É urgente uma atualização salarial e do subsídio de risco dos Vigilantes da Natureza! No início do ano de 2023 existiram aumentos salariais para os funcionários públicos, em geral, sendo que tais aumentos chegaram aos 100 euros mensais em várias carreiras da administração pública, tais como aos assistentes técnicos, e a vários assistentes operacionais. Os Vigilantes da Natureza auferiram apenas um aumento de 50 euros mensais, assim como o subsídio de risco destes profissionais não foi aumentado ao nível da inflação como tem sido prática nos últimos anos, sendo que desta forma duplamente prejudicados em relação a outras carreiras da administração pública.

Recorde-se que, entre as funções dos Vigilantes da Natureza, estes asseguram, nas respetivas áreas de atuação, as funções de vigilância, fiscalização dos respectivos Planos de Ordenamento e monitorização relativas ao ambiente e recursos naturais, nomeadamente no âmbito do domínio hídrico, do património natural e da conservação da natureza.

Por outro lado, efectuam vistorias, quando necessárias ou requeridas, nos termos da lei, tais como as vistorias de prejuízos atribuídos ao lobo-ibérico, entre outras que sejam necessárias realizar, zelando pelo cumprimento da legislação relativa à conservação da natureza e dos regulamentos das áreas protegidas ou das respetivas áreas de atuação, colaborando com outras entidades, sempre que para tal forem solicitados.

Zelam também pelo cumprimento da legislação aplicável à caça, à pesca e aos incêndios florestais nas respetivas áreas de intervenção, bem como da legislação aplicável às ações de reflorestação das referidas áreas. Realizam ainda acções de sensibilização das populações no sentido de compatibilizar o desenvolvimento e o bem-estar das mesmas com a conservação da natureza e gestão dos recursos naturais.

No relacionamento com os visitantes das áreas protegidas, realizam acções de sensibilização tendo como objectivo orientá-los e prestar-lhes os esclarecimentos necessários à boa compreensão e interpretação do sentido da legislação e da necessidade de conservar o património natural.

Finalmente, os Vigilantes da natureza têm ainda como função verificar e informar sobre o estado de conservação das infraestruturas e equipamentos das áreas protegidas, ou de outras zonas onde realizam vigilância, visando a conservação e manutenção das mesmas e promovendo o necessário acompanhamento. Efectuam também a monitorização das espécies da fauna e da flora selvagem, bem como dos respetivos ‘habitats’ e do seu estado de conservação, assim como asseguram ainda o acompanhamento de estudos técnico-científicos que se realizam nas suas respetivas áreas de intervenção.

Assim, deixemo-nos dos eternos discursos em cerimónias oficiais e de votos de confiança e que realmente se façam esforços efectivos para a revisão da carreira profissional dos Vigilantes da Natureza!


quarta-feira, 29 de julho de 2026

"FAPAS volta a opor-se à Volta a Portugal no Gerês e apela ao Governo para travar percurso na Mata de Albergaria"

 


O título da notícia é enganador por parte do jornal O Amarense, mas pode ser lido aqui.

A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade voltou, esta terça-feira, a manifestar a sua oposição à passagem da Volta a Portugal em Bicicleta de 2026 pela Mata de Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), apelando ao Governo para que inderifa o pedido e proponha um percurso alternativo.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

"Bloco quer conhecer parecer do ICNF e medidas de proteção ambiental para a etapa que atravessa a Mata de Albergaria"

 


Notícia do jornal Terras do Homem pelo jornalista Pedro Antunes Pereira, para ler aqui.

"A realização de um evento com a dimensão logística da Volta a Portugal que envolve centenas de veículos, equipas, organização, forças de segurança, comunicação social e um elevado número de espectadores levanta preocupações quanto aos impactes sobre os habitats naturais, as espécies protegidas, o património arqueológico e o risco acrescido associado ao período de elevado perigo de incêndio."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"O Gerês não tem de escolher entre Natureza e desenvolvimento"

 


O Vereador da Câmara Municipal de Terras de Bouro, António Cunha, publicou na rede social controlada pela Meta, a sua opinião sobre a passagem da Volta a Portugal em Bicicleta pela Mata de Albergaria... 

"Terras de Bouro precisa do turismo e o turismo precisa de promoção. Felizmente, essa promoção pode e deve ser compatibilizada com a preservação do património natural. Quem me conhece sabe que jamais defenderia qualquer iniciativa que colocasse em causa os valores ambientais do Parque Nacional da Peneda-Gerês."

O texto completo pode ser acedido aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)


quarta-feira, 15 de julho de 2026

"ICNF diz que não lhe cabe multar quem ignora restrições no Gerês, onde GNR identificou 47 pessoas nas Sete Lagoas"

 


Notícia do Observador para ler aqui.

A presidente da Câmara de Montalegre defende a aplicação de multas para resgates em zonas de alerta de incêndio devido ao incumprimento das regras. O ICNF diz que não lhe cabe aplicar sanções.

Fotografia © Pedro Sarmento Costa/LUSA

Sobre os «polémicos» resgates, os custos dos mesmos, da responsabilidade individual e a gestão do Parque Nacional

 


Os resgates que ocorrem na Serra do Gerês (os outros não merecem tanta divulgação mediática) são sempre tema nos dias de Verão ou quando a meteorologia brinda a paisagem com os dias soalheiros.

A cada resgate surge uma legião de impertigados a exigir o pagamento dos mesmos, seja em que circunstância ocorram; desde "ovelhas não são para mato" até a "irresponsáveis", lê-se de tudo. O cenário é o reflexo do tipo de sociedade na qual nos tornamos: ódiosa, mal formada e informada, cada vez mais dependentes de uma IA que, eventualmente, nos vai dominar, mas que para muitos será uma ferramenta de conhecimento vazio e ôco.

A situação é tal que o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Salto, Hernâni Carvalho, «se viu obrigado» a publicar um interessante esclarecimento na sua página da rede social Facebook...

De forma resumida:

1) "Eu não acompanho a ideia de que as pessoas que são socorridas no Parque Nacional da Peneda do Gerês, tenham de pagar multas ou custos Associados ao Socorro. Em Portugal, o socorro é gratuito e não pode ser diferente para os visitantes deste Parque. (...) ninguém paga uma ambulância que leva um cidadãos alcoolizado ao hospital. Portanto, no Parque, há-de ser como é no resto do País."

2) "Eu não tenho nenhum interesse que as pessoas que não cumprem as declarações de alerta, ou o regulamento do Parque, sejam multadas. (...) Aquilo que defendo, é mais responsabilidade individual, atitudes preventivas que visem a segurança coletiva e previnir acindetes. Defendo sim, que as entidades que têm responsabilidade de ordenar o território, tivessem mais informação disponível, portas e pontos físicos de difusão de informação oficial e uma malha de vigilantes que, no território, informassem as pessoas."

3) "(...) quem não respeitar o PNPG e as suas gentes, não o merece conhecer."

4) "Assumo que sou mais um apaixonado do Parque Nacional da Peneda do Gerês. Gostava de ver este diamante bruto melhor gerido, não só com respeito pela natureza e por este património natural ímpar, mas sobrerudo com mais respeito por quem lá vive. (...) ...mas não me canso de dizer que o Parque tem uma ausência de estado grotesca nalguns aspetos, como este, e excesso de estado e de zelo em outros, que só o prejudicam."

A declaração completa pode ser lida aqui.

Fotografia © Hernâni Carvalho (Todos os direitos reservados)

A Volta a Portugal no Gerês

 


Um evento como a Volta a Portugal em Bicicleta é inegavelmente um meio de promoção do território a nível nacional e internacional.

De facto, aproximando-se da sua centésima edição, até se questiona como não correu mais cedo por estas paragens? A resposta é óbvia: a Volta passa em locais onde o financiamento existe e não é pelos «lindos olhos do Gerês» que ela vem para cá.

Tornando-se a polécima do momento, o traçado da Volta quer levá-la a cortar a Mata de Albergaria, Reserba Biogenética declarada pela UNESCO, verdadeiro coração e razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Em dois ou três dias já se escreveu o essencial sobre as razões pelas quais não deve (e não pode) passar pela Mata de Albergaria: a Volta é essencialmente uma "enorme comitiva composta por dezenas e dezenas de automóveis da organização, das equipas, da comunicação social, das forças de segurança e de assistência, para além do inevitável afluxo de espectadores", acrescentando helicópteros a baixa altitude. Se a passagem é fugaz, a presença de milhares de pessoas num espaço limitado como é a Mata de Albergaria, a "área ecologicamente mais sensível do único Parque Nacional português" é razão suficiente para ter "bom senso" e determinar um percurso alternativo para a Volta que pode, seguramente, promover de melhor forma o concelho e o Parque Nacional.

Volta a Portugal em Bicicleta em Terras de Bouro e na vila do Gerês, óbviamente que sim! A passar na Mata de Albergaria, óbviamente que não!



Questiona-se também como é que se chegou a este traçado para a Volta em Portugal em Bicicleta sabendo de antemão que: 

- 1) atravessa uma zona sensível do Parque Nacional,

- 2) sabendo que o Plano de Ordenamento do PNPG não o permite,

- 3) sabendo que o traçado seria polémico e que estaria sugeito a "constrangimentos".

Quem aconselhou a Organização da Volta em Portugal em Bicicleta 2026 e que garantias foi dada à Organização de que tal seria possível? Porque se apela a uma minimização de "constrangimentos"? Porque é que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas - ICNF - (supostamente) não foi consultado antes da divulgação do evento a 9 de Julho de 2026?

O que é a Mata de Albergaria? A Mata de Albergaria é uma extensa área florestal, localizada na zona central do PNPG ocupando uma área superior a 1.500 hectares, ao longo do Vale do Rio Homem. Tendo resistido a séculos de desflorestação por incêndios frequentes e pastorícia, a Mata de Albergaria é hoje um testemunho único dos bosques que outrora cobriam o noroeste da Península Ibérica: o carvalhal galaico-português. Representa o único carvalhal maduro de carvalho-alvarinho (Quercus robur) existente em Portugal. Os restante bosques de carvalho existentes em Portugal são de menor dimensão e, sobretudo, muito mais jovens. 



O Parque Nacional da Peneda-Gerês está no limite, sem financiamento, sem Vigilantes da Natureza, ao abandono, mal tratado, enfim «sem rei, nem roque». Tal como referiu Hernani Carvalho, o Parque Nacional "tem uma ausência de estado grotesca nalguns aspetos, (...), e excesso de estado e de zelo em outros, que só o prejudicam" e citando Miguel Brandão Pimenta, "a legislação ambiental é invocada para limitar os cidadãos, mas pode ser ignorada quando estão em causa grandes eventos."

Define-se "Parque Nacional" como uma área que contenha maioritariamente amostras representativas de regiões naturais características, de paisagens naturais e humanizadas, de elementos de biodiversidade e de geossítios, com valor científico, ecológico ou educativo. A classificação de um parque nacional visa a proteção dos valores naturais existentes, conservando a integridade dos ecossistemas, tanto ao nível dos elementos constituintes como dos inerentes processos ecológicos, e a adopção de medidas compatíveis com os objetivos da sua classificação.

A autorização da passagem deste evento pela Reserva Biogenática da Mata de Albergaria por parte do ICNF é uma verdadeira machadada na sua autoridade e deita por terra qualquer credibilidade e autoridade na gestão do PNPG, com as óbvias graves consequências de daí advêm.

O Parque Nacional é de todos, "vamos juntos" protegê-lo!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"A Volta a Portugal em Bicicleta Invade o Nosso Único Parque Nacional"



Comunicado da FAPAS sobre a possibilidade da Volta a Portugal em Bicicleta passar pela Mata de Albergaria na sua edição de 2026.

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A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, vem manifestar a sua profunda preocupação com as recentes notícias da passagem, no próximo dia 13 de Agosto, da Volta a Portugal em Bicicleta 2026 no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

Nada nos move contra a Volta a Portugal, mas muito nos mobiliza em defesa do nosso único Parque Nacional: a biodiversidade, a paisagem, a cultura local, o turismo rural, entre muito outros valores que o Parque Nacional deve acautelar.

O site oficial da Volta a Portugal indica que a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem. 

Não serão só os ciclistas a atravessar a Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do PNPG, mas também uma numerosa e ruidosa comitiva de acompanhamento constituída por automóveis, motos, altifalantes, sirenes, espectadores, etc.

Depois de inúmeras atrocidades feitas e tentadas no PNPG faltava esta atividade, de resto sujeita a parecer do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade que gere o PNPG.

Esta área protegida rege-se pelo Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 11-A/2011 de 4 de fevereiro.

Ora esse Plano determina, no seu Artigo 8.º (Actos e actividades condicionados) que "[...] na área de intervenção do POPNPG ficam sujeitos a parecer do ICNB, I. P., os seguintes actos e actividades, quando realizados em áreas sujeitas a regimes de protecção [como é o caso da Mata de Albergaria]: "e) A prática de actividades desportivas e recreativas não motorizadas [...] bem como a realização de eventos desportivos ou recreativos, [...] excepto se previstas na Carta de Desporto de Natureza;", o que não acontece.

Não faltam locais montanhosos em Portugal onde esta competição se poderia realizar, mas acetaram logo numa área protegida, o que mostra, por um lado, a profunda iliteracia ambiental e, por outro, o enorme recuo das medidas e ações de conservação da natureza

A FAPAS solicita à Senhora Ministra do Ambiente e ao ICNF que divulguem publicamente o parecer que o ICNF deu (se é que deu!) sobre esta a travessia da Mata de Albergaria pela ruidosa Volta a Portugal em Bicicleta 2026.

É que, se o ICNF não deu parecer, então a situação é mais grave!

terça-feira, 14 de julho de 2026

"A Volta a Portugal não está acima da lei", um texto de Miguel Brandão Pimenta

 


O site oficial da Volta a Portugal 2026 é claro: a 7.ª etapa partirá de Vieira do Minho, passará pela Caniçada, Rio Caldo e Vila do Gerês, subirá à Portela de Leonte pela EN308-1 e atravessará depois a Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem. 

Não passará apenas o pelotão. Segui-lo-á uma enorme comitiva composta por dezenas e dezenas de automóveis da organização, das equipas, da comunicação social, das forças de segurança e de assistência, para além do inevitável afluxo de espectadores. Tudo isto no coração da área ecologicamente mais sensível do único Parque Nacional português.

Esta decisão é incompreensível. E é ainda mais grave porque o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês é claro ao não permitir a realização de provas desportivas na Área de Protecção Parcial, onde se integra a Mata da Albergaria.

Portugal tem milhares de quilómetros de estradas e inúmeras alternativas para traçar uma etapa da Volta. Não havia qualquer necessidade de fazer passar a prova precisamente pelo sector mais sensível e mais protegido do Parque Nacional, que é simultaneamente Reserva Biogenética da Europa.

A passagem da Volta em Albergaria será um lamentável retrocesso e mais um sinal de que a legislação ambiental é invocada para limitar os cidadãos, mas pode ser ignorada quando estão em causa grandes eventos.

O ICNF e a organização da Volta a Portugal têm o dever de esclarecer publicamente em que disposição legal fundamentam esta decisão. Se a lei permite esta etapa, indiquem o artigo. Se não permite, expliquem por que razão entendem não estar obrigados a cumpri-la.

Fotografia © Miguel Brandão Pimenta (Todos os direitos reservados)

"Volta a Portugal quer entrar no coração do Gerês, mas ICNF ainda não aprovou a etapa"

 


Notícia do jornal PÚBLICO pela jornalista Andrea Cunha Freitas para ler aqui.

Passagem inédita pela Mata de Albergaria, uma das áreas mais sensíveis do Parque Nacional da Peneda-Gerês, gera contestação. Autoridade ambiental confirma que processo está em análise.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 12 de julho de 2026

"Volta a Portugal 2026: ZERO exige clarificação sobre etapa da prova que passa em zona crítica do Parque Nacional da Peneda-Gerês"

 


A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável tomou conhecimento, através da apresentação do percurso da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta, de que a 7.ª etapa (13 de agosto, Vieira do Minho – Termas do Gerês) atravessa o Parque Nacional da Peneda-Gerês, incluindo a subida inédita a Germil e uma incursão em território espanhol junto à fronteira.

Leia o texto completo aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Novo resgate põe a nu miséria do Parque Nacional

 



O dia 5 de Julho de 2026 foi marcado por um novo resgate na Corga de Sobroso (Sete Lagoas), Serra do Gerês, quando uma jovem de 19 anos sofreu uma queda no leito do rio.

Esta foi a segunda ocorrência em 24 horas na mesma zona ("Bombeiros em operação de resgate de 19 pessoas", pelo jornalista Pedro André Mendes, 4 de Julho de 2026), apesar de estar em vigor um estado de alerta durante o qual está proibido o acesso às zonas florestais assim definidas nos respectivos planos municipais.

A verdade, é que a situação não é nova e verifica-se todos os anos em condições semelhantes: simplesmente, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) não têm meios para proceder a uma vigilância efectiva de todo o território da área protegida. De facto, com uma área de cerca de 70.000 hectares existem apenas 12 Vigilantes da Natureza para cobrir essa área e cuja função não se limita à área do PNPG. Apesar do apoio que posssa vir das equipas de Sapadores Florestais, é manifestamente insuficiente e põe a nu as condições miseráveis do PNPG.

A situação do resgate vem despoletar o desconforto de algumas entidades encarregadas dos resgates, com o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Salto, Hernâni Carvalho, a referir que "todos os dias temos tido situações destas," segundo noticia A Voz de Trás-os-Montes na sua edição digital ("Jovem de 19 anos resgatada nas Sete Lagoas apesar da proibição de acesso", pelo jornalista Pedro André Mendes, 5 de Julho de 2026).

Recorde-se que devido às condições meteorológicas extremas, foi declarada a situação de alerta em todo o território nacional continental entre as 00h00 do dia 3 de Julho e as 23h59 do dia 6 de Julho, estando proibido o acesso a espaços florestais, sendo proibido circular ou permanecer em zonas florestais, caminhos rurais ou vias que as atravessem.

No entanto, e com excepção da estrada que liga a Portela de Leonte e a Portela do Homem, não existe um controlo efectivo no acesso às diversas zonas florestais e mesmo na Portela do Homem assistiu-se à tentativa de entrada nesses espaços por parte de visitantes que, estacionando no lado galego da fronteira, tentam aceder às zonas ribeirinhas nas proximidades.

Mesmo o controlo da interdição no acesso à Mata de Albergaria está a ser feito pelos elementos contratados para a cobrança da taxa de acesso àquela zona, tal como testemunhei na manhã do dia 4 de Julho.

O Parque Nacional deveria ser dotado de um sistema de aviso semelhante ao que existe em zonas de montanha e através do qual se poderia informar os visitantes das condições que iriam encontrar. Por exemplo, à saída das Caldas do Gerês na direcção da fronteira ou à saída do Campo do Gerês em direcção à Mata de Albergaria, deveria existir uma sinalética electrónica com a informação sobre o estado do acesso, informação essa que teria utilidade tanto no Verão como no Inverno em dias de nevada ou de frio «extremo». Na Serra da Estrela existe uma informação simples que mostra a interdição (ou não) das vias de acesso à Torre. Porque não um sistema semelhante no PNPG?

Por outro lado, porque (aparentemente) nunca se viu uma coordenação entre o ICNF e a GNR para a vigilância do PNPG? Porque é que o PNPG não está dotado de elementos da Guarda Florestal no terreno? Porque é que - apesar de ser aconselhado - o ICNF não coloca a informação sobre as coimas em caso de desrespeito pelas regras de visitação? Talvez seja hora de efectivamente se passar dos conselhos aos actos e começar a responsabilizar quem desrespeita as regras de visitação e por parte de quem tenha uma actuação negligente.

Sabemos que a maior percentagem do turismo no PNPG nesta altura do ano provém dos visitantes que não querem visitar o PNPG, mas sim pretendem fazer praia na montanha ("Parque Nacional da Peneda-Gerês: não se pode ir para o Gerês como se vai para a praia", pelas jornalistas Patrícia Carvalho e Teresa Pacheco Miranda, 3 de Agosto de 2020 - exclusivo a assinantes). Apesar da consciência e da percepção do perigo das zonas ribeirinhas ter (aparentemente) aumentado, todos os anos se repetem as situações de quedas nas lagoas e lá vão surgindo as típicas notícias dos "resgates no Gerês". O trabalho de consciencialização deve ser feito por todos: ICNF, associações de promoção do território, hoteleiros, postos de turismo, etc. No entanto, o problema só se irá resolver quando os banhistas tiverem respeito por eles próprios e tomarem medidas preventivas para evitar o acidente. Tendo em conta o estado actual da consciencialização da sociedade, temo que o problema se irá agravar nos próximos anos.



A protecção do Ambiente e da Natureza em Portugal nunca foi a primeira, segunda ou mesmo terceira prioridade para os sucessivos governos nacionais. As áreas protegidas sobrevivem com escassos orçamentos que não lhes permite cumprir com os objectivos para as quais foram criadas. No caso do PNPG - que deveria ser a jóia da coroa da protecção da Natureza no nosso país e que aguarda há quase dois anos pelo novo Regulamento de Gestão e pelo seu Programa Especial - os sinais do seu definhamento estão todos aí para os que quiserem ver.

Relembro a catástrofe que atingiu o PNPG em Agosto de 2025 no qual um incêndio florestal dizimou quase por completo a Serra Amarela sem que o Governo fosse capaz de resolver a situação com um efectivo reforço de meios. Seguiu-se a visita da ministra e tudo ficou na mesma. O que se assistiu não foi um filme de catástrofe, foi a destruição de um território vivo; não foi apenas "mato", foi bosque, foi floresta, foi a natureza e foi o sustento de muitas pessoas. Ardeu por culpa da negligência.

Sem um verdadeiro reforço e uma mudança de paradigma na protecção da Natureza em Portugal, temo que estejamos a assistir aos últimos dias do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Fotografia © Paulo "No Gerês" Figueiredo (Todos os direitos reservados)

domingo, 28 de junho de 2026

Acidentes em lagoas e os riscos das actividades de montanha

 


Recentemente ocorreram mais acidentes em cascatas da Serra do Gerês.

Apesar de todos os avisos, apesar de todas as chamadas de atenção e apesar de todos os apelas para que cada um cuide da sua segurança (e já agora da segurança dos outros), estes acidentes são sempre recorrentes e lá surgem os «comentadeiros» de sofá, de Facebook e de TikTok num apelo raivoso ao pagamento do resgate e ao juízo de valor dos acidentados.

Apesar de os banhos não serem uma actividade de montanha (e muito menos o é o passeio até às lagoas), estes acidentes são logo e de imediato conotados com a incúria dos "irresponsáveis que vão para o monte", surgindo logo a épica frase "ovelhas não são para mato!"

Ao ver como os visitantes que procuram as lagoas do Parque Nacional se arriscam na descida das ladeiras e escarpas para aceder às lagoas, e como já alguém referiu, espanta-se pela forma como não ocorrem mais acidentes. Descer rochas lisas, húmidas e erodidas pela água, em pés descalços, com chinelos ou havainas, é (ou deveria ser) estar à espera do acidente acontecer (a imagem em cima ilustra bem uma dessas situações).

No entanto, esta situação serve para chamar a atenção para as actividades de montanha no Parque Nacional da Peneda-Gerês e sobre a forma como estas actividades são realizadas.

Desde participantes em caminhadas muitíssimo mal preparados fisica e psicologicamente para um desafio que lhes vai exigir um esforço para o qual não estarão preparados, a participantes que ignoram os concelhos que lhes são dados, a guias que se perdem em espaços que dizem conhecer há décadas e a outros que não prestam atenção aos sinais que os participantes nos seus grupos vão mostrando, passando por empresas ou grupos informais que simplesmente não respeitam o ordenamento do território, colocando assim em risco quem participa nas caminhadas. São inúmeros os casos que ocorrem: uns conhecidos, outros escondidos pela vergonha e porque ficam mal nas histórias das redes sociais.

Na verdade, a segurança na montanha depende, em primeiro lugar, de cada visitante. Este deve:

- Utilizar calçado e roupa adequados à actividade que se propõe participar. 

- Levar água e comida suficiente. 

- Avalizar as suas capacidades antes de iniciar a caminhada! 

- Usar bastões ou outro equipamento de apoio se considerar necessário.

- Ter o telemével carregado ou estar equipado com um dispositivo que carga.

- Contratar um guia de montanha se não se achar com capacidade para a actividade que quer realizar 

Convém de ter em atenção que ao percorrer os carreiros e caminhos do Parque Nacional, cada pessoa assume os riscos própios da actividade em montanha e a sua responsabilidade individual.

Todos devemos desfrutar destas paisagens únicas com prudância, respeitando sempre a sinlização e as recomendações do PNPG.

Fotografia © Paulo "No Gerês" Figueiredo (Todos os direitos reservados)