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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

A 5ª. de seis caminhadas em 6 dias - da Ermida ao Arado pelo Poço Azul

 


Caminhada entre a pitoresca aldeia da Ermida e a Ponte do Arado com passagem pelo Poço Azul.

Saindo da Ermida e seguindo o traçado da GR50 Grande Rota da Peneda-Gerês passando pelos Miradouros das Silhas e Cascata da Rajada. Depois, seguiu-se em direcção a Viseu pela Quebrada e Chã Grande, chegando-se à Tribela. Descendo à Ponte de Servas, deixamos o traçado da GR50 para enveredar pelo Vale do Rio Conho até ao Poço Azul e depois Entre Águas, subindo a Corga Giesteira até às imediações da Arrocela e baixando para o Curral de (Portelos de) Coriscada. Daqui, seguiu-se em direcção ao caminho florestal que nos levou à Ponte do Arado.







Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Trilhos seculares - Ermida, Viseu e Giesteira


Com a chegada da neve gostaria de ter visitado os Bicos Altos e aí registar as paisagens nórdicas de um Gerês pintado de branco. Porém, a insistente e aborrecida chuva dos últimos dias, levou-nos a fantasia dos altos picos eternamente cobertos de neve e deixou-nos a bela paisagem dos Bicos Altos a esperar por melhores dias.

Solução para a primeira caminhada de 2014? Percorrer um trajecto curto e passar pelo Curral de Viseu na vizinhança da Ermida. Aqui chegamos cedo e o sossego da noite ainda se apoderava da aldeia que ia acordando ao ritmo do campo nos meses de Inverno. Aqui e ali, o cheiro da lenha queimada levava-me a imaginar um serão bem passado ao calor da lareira que agora certamente havia definhado, reduzida a um monte de cinzas quentes e de um mísero tronco fumegante.

Ao contrário do que esperava não fazia frio e o ar convidava a tirar uma peça de roupa mais quente, pois adivinhava-se suadeira nos primeiros passos do caminho que se fazia a subir. Durante alguns metros percorremos o traçado do PR-14 'Trilho do Sobreiral da Ermida' enveredando por velhos estradões revoltos pelas águas das enxurradas que alimentadas pelas chuvas foram cavando sulcos que se tornaram em verdadeiras trincheiras em várias zonas. A paisagem em si era familiar e o Rio Arado fazia-se já ouvir cada vez com maior intensidade à medida que se ia aproximando do fundo do vale. A travessia fez-se na velha ponte de pedra e cimento que cruza o rio logo após uma lagoa alimentada por uma ruidosa cascata. da última vez que o tinha visto, o rio era um ser mais calmo e pacato que ia lambendo as rochas na sua passeata minorante em direcção ao Cávado. Hoje, estava mais revolto como que pondo-se em bicos de pés cheio de força pelo Inverno.


Passada que era a ponte entramos quase num cenário dos mundos de Tolkien. As escadas e o caminho como que escavadas, cravadas e «suspensas» nas paredes rochosas e encimadas por gigantes de granito, faziam lembrar a longa escadaria para o negro mundo de Mordor onde os dias são sempre escuros e uma presença nos atormenta os passos. Felizmente, naqueles instantes, tal não era o caso mas pelo sim, pelo não convinha ter em atenção onde se punha os pés e onde se apoiavam as mãos, não fosse uma passagem para o mundo interior se abrir a nossos pés... A subida terminaria no bordo do Curral de Viseu. Sendo sincero, ainda não fiquei convencido da exacta localização desta zona de pastagem. Uns metros para cima, uns metros mais para baixo... as gentes da Ermida irão tirar as dúvidas um destes dias.

Deixando o curral para trás, segui em direcção à Tribela passando por pequenas corgas onde a música dos riachos e pequenos cursos de água se fazia sentir constante. Marcada pelo rigor dos dias que vão passando, a zona apresenta muitas árvores despidas da sua folhagem, o que dá ao cenário o ambiente de um bosque em suspenso pelos dias mais quentes que hão-de chegar. Enveredando pelo estradão florestal, rumei à triste casa florestal da Malhadoura, um outro edifício testemunha do desleixo a que estas casas foram deitadas pela tutela. No fundo, mais um património que este país rico em governantes pobres de espírito, se dá ao luxo de perder.

Para lá da Malhadoura a paisagem apresenta-se massacrada pela passagem de estradões e de máquinas que lhe roubaram o coberto arbóreo. É uma paisagem triste e pobre, onde os blocos graníticos assumem a sua importância na descrição da tela que vamos vendo passar. Daqui, rumei ao Curral de Giesteira e descendo o caminho passando ao lado da Cascata do Arado, voltei a tomar o PR-14 para chegar à Ermida.

Algumas imagens do dia...





















Fotografias © Rui C. Barbosa

terça-feira, 16 de abril de 2013

Trilhos Seculares - Por Viseu em terras da Ermida

"Se algum dia conhecesse todo o Gerês, desejaria ser acoitado por uma amnésia que me permitisse passar pelas emoções de conhecer tudo de novo." É com este sentimento que se fica após mais um dia de percorrer velhos trilhos, e não só, pela Serra do Gerês. Com os dias de chuva atrás de nós e com o fulgor do Sol que aos poucos vai ganhando o seu lugar na paisagem serrana, era tempo de voltar. Oh, se era!

Este (re)começo foi perfeito com um pequeno percurso pelos domínios da aldeia comunitária da Ermida. A quando do Festival de Caminhadas, os membros da empresa Selvagem Aventura apontaram-me a direcção do pouco conhecido Curral de Viseu. Assim, este dia só poderia ser dedicado a passar por lá. Bom, não é que o tenha feito... passei lá perto, mas parece que de forma inconsciente ando sempre a deixar estas coisas a meio... Não é que tenha de haver uma forte razão para se voltar ao Gerês! Volta-se e pronto, mas se houver algo de novo por onde se passar, melhor ainda. Sim, porque eu não quero conhecer conhecer todo de uma vez só... há muito tempo para tamanha façanha e o Gerês está sempre lá!

Saída então da Ermida em direcção à Ponte das Relvas descendo por estradões manhosos e labirinticos a Costa da Vela. De facto, a ideia não era para ir por este caminho... queríamos descer a uma outra ponte cujo nome teimo em esquecer e que nos daria um acesso quase directo (encosta acima) ao Curral de Viseu. Porém, havendo uma experiência anterior do sentido que seguíamos, descemos às Relvas e passado o Rio Arado empinamos encosta acima por um velho e tortuoso caminho escavacado pela água. A subida foi penosa mas gratificante, pois acabaríamos por encontrar as marcas tímidas de um carreiro que nos levaria para onde queríamos e que nos daria uma perspectiva que não gozaríamos se tivéssemos ido pela ideia original. Este carreiro ajudar-nos-ia a atravessar duas corgas e levou-nos a um magnífico trilho encosta acima que nos levava para Viseu. Bom, na minha ignorância, irei chamar Viseu a toda aquela área. Como já referi, não vi um curral típico e acredito que passámos perto do dito cujo. Outros dias virão, pois naquela altura era tempo de descoberta.

Passado Viseu, seguimos o carreiro por entre pequenas corgas ricas de água e encostas com velhas árvores até atingirmos o vidoal para os lados do Curro da Tribela e do curral da vezeira da Ribeira. Daqui, seguimos a estrada florestal passando ao lado do Curral dos Portos, Fonte da Malhadoura, Fonte das Letras, até chegarmos ao estacionamento antes da Ponte do Arado. Aqui tínhamos duas opções: ou continuávamos pela estrada florestal ou descíamos ao Rio Arado. Optamos por descer ao rio e seguir depois pela levada que nos colocaria de novo num emaranhado labirintico de estradões até chegarmos de novo à Ermida. Nada de GPS's nem tracks...

Algumas fotos do dia...

Fotografias: © Rui C. Barbosa