terça-feira, 18 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXX) - Vale do Homem e a Serra Amarela

 


No Vale do Alto Homem vemos bancos de nevoeiro que vencem os contrafortes da Serra do Gerês e da Serra Amarela, vindos do Vale do Rio Lima e se dissipam nas encostas, deixando alguma humidade para um dia que seria de calor intenso.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Cidadelhe, 85 anos depois

 


Em "Minas dos Carris  - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui Barbosa, Dezembro de 2013), faz-se uma referência aos trabalhos mineiros executados junto do "marco geodésico" de Cidadelhe:

"Informou-me o capataz que junto da pirâmide geodésica “Cidadelhe” existe um filão mineralizado pela volframite, muito bom, segundo ele, e onde vários “pilhas” trabalham vendendo-lhe depois o minério.

Justificou essa compra com o pretexto de que esse filão está ainda dentro da concessão, o que é inexacto, pois da concessão Borrageiros até à pirâmide “Cidadelhe” mediram alguns quilómetros.

Como é do conhecimento de V. Ex.ª, este concessionário, de quando em vez, participa a este Serviço que lhe desapareceram as guias n.ºs tal e tal, pedindo a sua apreensão caso alas aqui sejam apresentadas, o que eu reputo menos verdadeiro, supondo que tal tem por fim encobrir mais alguma irregularidade praticada."

O cenário que nos deparamos junto ao alto de Cidadelhe é de plena desolação! Os trabalhos mineiros ilegalmente ali realizados, são a realidade da miséria e das condições de trabalho que ali existiam. Não havendo edificações para acomodar os «pilhas» que ali trabalhavam, este tiravam partido das palas ou construiam rudimentares abrigos de pedra solta que os protegessem nas duras condições que encontravam na inóspita serra geresiana.

A fotografia em cima ilustra bem estes abrigos que adinda podemos ver em Cidadelhe 85 anos depois dos trabalhos mineiros. Uma pala granítica era coberta por pequenas lajes que abrigavam um ou dois homens que encontravam abrigo deitados sobre a rocha. Outros abrigos nas proximidades mostram pequenas construções de pedra solta ou outros onde as palas eram o principal meio de defesa contra o ambiente difícil e cruel do trabalho mineiro que ali se praticava nos anos 40 do século XX.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"O ICNF que queremos"

 


Um texto da autoria de Pedro Bingre do Amaral (Presidente da Liga para a Protecção da Natureza) para ler aqui.

"A passagem d’A Volta a Portugal pela Mata da Albergaria reabriu o indispensável debate a respeito dos limites da utilização de áreas naturais de excecional valor ecológico. Embora a LPN mantenha e reitere o propósito de reservar este bosque para a estrita conservação da biodiversidade e, por consequência, prefira vedá-lo a usos multitudinários, reconhece que esta prova desportiva decorreu sob rigorosos condicionamentos ambientais monitorizados no terreno por um robusto quadro técnico do ICNF. No entanto, será preferível que, apesar da robusta fiscalização in situ evidenciada neste caso, se evite, a todo o custo, tomá-lo como precedente para a aprovação extemporânea e arbitrária de atividades contrárias aos propósitos conservacionistas deste espaço natural."

Neste momento o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas actua de duas formas:

- é implacável com quem pretende desfrutar do Parque Nacional seguindo as regras;

- verga-se a vontades políticas e a interesses económicos.

Não é admissível que o nosso único Parque Nacional esteja anos consecutivos com um corpo de Vigilantes da Natureza reduzido (actualmente são 12 efectivos para cerca de 70.000 ha) e que depois num evento deste tipo surjam de forma miracolosa os meios necessários e "robustos" para a sua fiscalização e vigilância.

A protecção do Parque Nacional não pode, nem deve, andar ao sabor do calendário, onde no Verão tudo se permite e nos restantes dias do ano, nada se faça.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXIX) - Rio Homem e a Cascata de S. Miguel

 


O escasso caudal do Rio Homem após a Cascata de S. Miguel, Serra do Gerês, na manhã do dia 15 de Agosto de 2026. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 16 de agosto de 2026

"Baldios: memória, luta e futuro em comum"

 


Um texto de José Castro publicado no Avante para ler aqui.

"Foi o uso que deu origem aos bal­dios. Foi a me­mória desse uso que lhes per­mitiu re­sistir e so­bre­viver às usur­pa­ções do la­ti­fúndio e ao de­sa­pos­sa­mento do Es­tado fas­cista. Foi a luta po­pular que os res­ti­tuiu com a Re­vo­lução de Abril. E será a pre­sença quo­ti­diana das co­mu­ni­dades — usando, cui­dando e go­ver­nando os montes — que im­pe­dirá que se con­vertam em ac­tivos fi­nan­ceiros ou ter­ri­tó­rios ad­mi­nis­trados à dis­tância.

O baldio é a terra que cada ge­ração re­cebe dos seus an­te­pas­sados para usu­fruir em comum, pro­teger em comum e trans­mitir em comum aos que hão-de vir. Foi assim que re­sistiu. É assim que con­ti­nuará a ter fu­turo."

Fotografia: Avante

Um problema que se adensa no horizonte

 


O turismo de Terras de Bouro assenta essencialmente em três pilares que são incansalvelmente e repetidamente promovidos: o Turismo Religioso, o Turismo Termal e o Turismo de Lagoas e Cascatas (Turismo de Natureza?).

(A fotografia em cima mostra o leito do Rio Homem na sua passagem pela Ponte de S. Miguel, Mata de Albergaria, Serra do Gerês, a 15 de Agosto de 2026)

O Verão é promovido como a jóia da coroa do turismo do concelho e são milhares que «invadem» as zonas ribeirinhas na busca das famosas cascatas e lagoas dos rios que cruzam a Serra do Gerês.

Porém, para aqueles atentos, existe um sério problema que se adensa ano após ano. Se há dez anos a paisagem do estio se transformava de forma serena e os rios surgiam com pouco caudal em finais de Agosto, o que temos vindo a assistir há cinco ou seis anos para cá, é que estes rios «morrem» muito mais cedo na época: os seus caudais diminuem de forma drástica, as lagoas ficam com água quase parada e a qualidade da água nos rios e lagoas vai dimunuindo a cada mergulho de um corpo coberto de protector solar e outras coisas... Já em meados de Julho se comentava o cheiro no Rio Arado e a qualidade da água coberta por uma fina película de gordura resultante dos cremes e momentos de alívio! Na verdade, já em Maio muitos pequenos cursos de água no alto da serra começavam a secar. O resultado vê-se meses (sem chuva) depois.

Há já algum tempo que não vemos um Verão com uns dias de chuva «intensa» para ir «limpando» a porcaria que fica nas zonas balneáreas na serra (já nem falo nas praias fluviais em albufeiras!)

As alterações que vemos no clima trazem com elas um problema que não é único no Parque Nacional da Peneda-Gerês: a falta de água nas serras e, consequentemente, a falta de água que irá afectar as populações.

Caminhar na «alta» montanha das serranias do Parque Nacional é já um problema muito sério para quem não se previne com a quantidade de água suficiente!

Não tenho conhecimento que quem deveria fazer, faça análises na qualidade da água que o Turismo de Lagoas e Cascatas de Terras de Bouro que tanto promove e se baseia, mas penso que de forma séria e consciente deveria ser algo a ter em conta para que as visitas - e já que de forma incompreensível não se quer abrir os horizontes de outro tipo de Turismo - voltem para o ano.

Um nota: em muitos Parque Nacionais na Europa e no mundo - e que de facto são "Parques Nacionais" - está proibido o banho em muitos rios e lagoas, e quem trangride é severamente punido com coimas elevadas.

Há uns tempos, um político da terra disse que "eu estava a puxar a brasa para a minha sardinha." Na altura até nem estava, mas agora aprecio sardinhas quentes e como se  gosta muito de ditados "roseiras em Setembro, Natal em Dezembro".

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 16 de Agosto de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 16 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXVIII) - A Capra

 


Um macho que cabra montês vigilante sobre o Vale do Alto Homem, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 15 de agosto de 2026

Da humilhação

 


Fotografia © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados) via Facebook

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

"Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas destaca compatibilização entre desporto e conservação da natureza"

 


Notícia do Observador para ler aqui.

"Diretora regional do ICNF do Norte defendeu que "correu tudo bem" durante a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na área protegida no Parque Nacional da Peneda-Gerês."

Lembro-me dos tempos nos quais o antecessor do ICNF lutava com unhas e dentes pelo encerramento daquela estrada.

Vamos ver como vai ser daqui para a frente com um instituto público que perdeu a cara e se vergou aos interesses políticos em detrimento da conservação do nosso único Parque Nacional.

E certamente que não me esquecerei da "COMPATIBILIZAÇÃO ENTRE DESPORTO E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA".

A mensagem era simples

 


A mensagem era simples, mas os egos são maiores do que o futuro de algo único no país.

Perdemos todos!

A MENSAGEM ERA SIMPLES.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Parecer do ICNF sobre a prova desportiva que atravessou a Mata de Albergaria

 


Para memória futura, fica o parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas relativamente à prova desportiva que atravessou a Mata de Albergaria, Serra do Gerês.



 

 

 

 


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"Um insulto para a preservação da natureza do Parque Nacional da Peneda-Gerês"

 


Texto de Miguel Dantas da Gama no Azul - PÚBLICO, para ler aqui.

"Este é o drama da conservação da natureza. Convivemos bem com a realidade atual. O foco é o turismo a qualquer preço. Consomem-se recursos, desviados do essencial, invertem-se as prioridades."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Compatibilizações

 


"Ao criar-se o primeiro parque nacional no continente, procura-se possibilitar no meio ambiente da Peneda-Gerês a realização de um planeamento científico a longo prazo, valorizando o homem e os recursos naturais existentes, tendo em vista finalidades educativas, turísticas e científicas."

Do Decreto-lei n.º 187/71, de 8 de Maio

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXVII) - O Cabeço do Redondelo visto desde a Cascalheira

 


O Cabeço do Redondelo, Serra do Gerês, é aqui visto a partir do início da passagem da Cascalheira na entrada para o Covelo.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)