A tranquilidade da capra pyrenaica na Serra do Gerês.
Vídeo © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A tranquilidade da capra pyrenaica na Serra do Gerês.
Vídeo © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A fotografia é datada de Agosto de 1951 e esconde alguns detalhes interessantes.
Estavamos no início da segunda fase de exploração mineira nos píncaros da Serra do Gerês. A Sociedade das Minas dos Castelos, Lda. havia deixado de laborar no complexo mineiro já desde 1945 e as instalações estariam «abandonadas» desde então.
Surgia a Sociedade das Minas dos Gerez, Lda. que, composta por quatro sócios, havia conseguido o acesso às concessões mineiras ali existentes e era necessário preparar as instalações para uma nova fase de exploração onde esta seria mais intensa e proveitosa.
Os edifícios que são visíveis na fotografia iriam sofrer algumas alterações. Por exemplo, o edifício que vemos do lado esquerdo e que teve uma "tripla utilização como pequeno refeitório, cantina e recepção do minério", sendo inicialmente apresentado como "edifício de escritórios e cantina destinado ao gabinete técnico, gabinete de administração, depósito de minério, cantina e respectivo escritório" e seria modificado na sua estrutura exterior com a abertura de uma porta onde na fotografia se vê uma janela.
O mesmo aconteceria nos edifícios contíguos, "que constituíam quatro casas de habitação, nas quais ainda são visíveis algumas lareiras e vestígios das paredes de estuque que definiam as várias divisórias das casas. A primeira casa sofreu remodelações no princípio dos anos 50. Estes edifícios foram originalmente propostos como camaratas para os guardas e serviçais e foram construídos com paredes de alvenaria ordinária com uma espessura de 0,40 metros e com uma divisória do mesmo material de 0,20 metros. Compostos por duas divisórias, a dependência menor era destinada a camaratas dos guardas enquanto a de maiores dimensões era destinada a uso exclusivo dos serviçais. O telhado, de duas águas, era coberto a telha lusalite."
A fotografia mostra ainda uma parte do Posto de Socorros (ou enfermaria) e em último plano os armazéns ali existentes.
Fotografia © Paulo Gaspar / Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O Rio Homem precipita-se no Poço da Ponte Feia junto da milenar via romana que atravessa a Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Sabendo que o dia seria quente, aproveitamos as horas mais «frescas» da manhã para um pequeno passeio entre a Guarda (Campo do Gerês) e a Albergaria.
Por estes dias onde a Estrada da Geira é palco de tranquilidade e silêncio sem a constante passagem de carros, caminhar por aqui é entrar no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Percorrem-se as milhas romanas e observam-se as árvores com toda a calma. Escuta-se a passarada e o cascatear dos regatos. O restolhar das primeiras folhas de Outono ou das últimas folhas de Verão. Os jogos de luz de um Outono que se aproxima, mas ainda o ar quente de um Verão inclemente. Os quitamerendas já o anunciam e as copas esboçam, por vezes, esboçam cores de fogo.
Nas primeiras horas da manhã vive-se a Mata de Albergaria onde o Rio Maceira corre despreocupado para o Homem, os píncaros serranos surgem como que desbotados na luz da manhã e por vezes o silêncio quer imperar na volta da estrada.
Sem as multidões e a poeira de verões passados, a estrada torna-se numa via de visitação do que deveria ser o Parque Nacional: a História na Bouça da Mó, no Bico da Geira e na Volta do Covo, a Natureza no Sarilhão, na Albergaria e na Ponte Feia, as gentes na Casamata e no Curral de Albergaria.
Ficam algumas fotografias...
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O Miradouro da Junceda foi criado pelos Serviços Florestais já na primeira metade do século XX. Sobranceiro ao Vale do Rio Gerês, dali tem-se uma visão priveligiada sobre a parte superior do vale até à Portela de Leonte, a vila termal e o maciço oriental da Serra do Gerês.
A imagem em cima será datada da primeira metade do século XX, possivelmente pouco depois da criação do miradouro, enquanto a imagem em baixo mostra a actual paisagem vista de um enquadramento semelhante ao da fotografia em cima.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Prosseguem os trabalhos de pavimentação da Estrada da Geira que liga a Guarda (Campo do Gerês) à Albergaria. Até ao dia 5 de Setembro foi pavimentado o percurso entre a ponte sobre o Rio Maceira (Albergaria) e a Milha XXXII, na Volta do Covo.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A caminhar na direcção da Portela da Mourisca, surge esta impressionante paisagem da Serra do Gerês que é coroada com a meda granítica de Borrageiros e onde o olhar percorre as Velas Brancas vigilantes sobre as Fechinhas, a meda de Porta Roibas e ao seu lado o Pinto 1º.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Nas visitas ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e a outras áreas protegidas, existe um conjunto de boas práticas para que o nosso impacto na Natureza e no meio ambiente seja o menor possível.
Assim:
- Informa-te! Informa-te das normas e dos itinerários do parque para evitar impactos que afectem os seus valores Naturais e Humanos. Consulta a previsão do tempo. Entra em contacto com as Portas do Parque ou com os Postos de Turimo.
- Equipa-te! Leva roupa e calçado adequado e realiza actividade de acordo com as tuas capacidades físicas e mentais. Antes de iniciares qualquer percurso, informa-te da sua dificuldade e do tempo que irá demorar a percorrer. Tem sempre o teu telemóvel com bateria totalmente carregada. Em caso de acidente, liga o número de emergência 112 ou para a Unidade Especial de Protecção e Socorro da GNR (Gerês): 931823678.
- Desloca-te unicamente pelos trilhos homologados ou pelos carreiros de montanha já consolidados. Transitar fora dos caminhos perturba a fauna, danifica a flora e os habitats do parque, além de abrir novos caminhos podendo provocar que alguém se perca; também pode ser uma via de introdução de plantas exóticas.
- Valoriza! Valoriza o tesouro que são as nossas áreas protegidas e o Parque Nacional da Peneda-Gerês. Sê cuidadoso para não molestar os animais ou danificar a vegetação. Não cortes e nem arranques plantas! Recolhe os teus desperdícios e não deixes rastro da tua passagem, o lixo contamina, pode causar dano aos animais e suja a paisagem. Recorda-te que não deves trazer mais do que o que levas! Cada pinha, bolota ou planta tem a sua função no ecossistema.
- Deixa o teu carro nos estacionamentos autorizados. Respeita a sinalização Existem zonas onde não é permitida a circulação de veículos motorizados.
- Responsabilidade! És responsável pela tua mascote e podes caminhar no parque desde que estejam com trela. Na zona de protecção total não são permitidas!
- Desfruta! Se vens de bicicleta consulta os percursos por onde podes transitar (informa-te junto das áreas protegidas ou do PNPG). Se realizas uma actividade num grupo organizado.pode ser que seja necessária autorização!
- Conecta-te! Conecta-te com a Natureza através dos sentidos, caminha sem pressa e desfruta!
- A água! A água é imprescindível para a vida. Os rios, ribeiros e regatos são habitats de vegetais e animais que em alguns casos não são possíveis de observar à vista desarmada, mas estão lá. Evita tomar banho em qualquer lagoa, rio ou ribeiro. Não contamines a água, mentendo a sua qualidade e racionando o seu consumo. É um recurso limitado!
- O ruído! O ruído é também um outro tipo de contaminação que incomoda e que pode provocar alterações na fauna e na tranquilidade dos locais. Evita-o!
- Respeita! O Parque Nacional é a casa de milhares de pessoas com as suas vidas e tradições. Pede autorização para atravessar campos de cultivo perto das aldeias ou para utilizar os abrigos pastoris (contacta os baldios ou as vezeiras). Saúda os residentes, certamente que terão todo o gosto em "dois dedos de conversa" contigo!
- Colabora! Colabora com a conservação do parque e das áreas protegidas. Deves lembrar que o campismo selvagem ou fora dos locais autorizados, não está permitido, bem como a utilização de fogo.
- Preserva! A preservação do Parque Nacional da Peneda-Gerês é um legado que devemos deixar para as gerações futuras; preserva-o!
O dia 5 de Setembro assinala o Dia Internacional dos Abutres.
Este ano não vi muitos nos céus da Serra do Gerês ou do resto do Parque Nacional da Peneda-Gerês.
O alojamento Serrana Gerês Inn solicitou a divulgação do seguinte alerta de fraude.
Estão a ser enviadas mensagens falsas pelo WhatsApp em nome do Serrana Gerês Inn, com pedidos para confirmar reservas através de links.
ESSAS MENSAGENS NÃO SÃO NOSSAS.
As reservas no Serrana Gerês Inn são realizadas exclusivamente:
- Através do nosso site oficial — disponível no link da nossa bio
- Através de plataformas de reservas
Para reservas realizadas diretamente com a Serrana Gerês Inn, o único contacto oficial é: +351 915 241 234
- Não clique em links suspeitos.
- Não forneça dados pessoais ou bancários.
- Não efetue pagamentos através destas mensagens.
Se receber uma mensagem deste género, ignore-a e contacte-nos diretamente.
Agradecemos a partilha deste alerta.
Hoje de manhã fiquei espantado por ver uma temperatura de 23,1.ºC a ser registada pela Estação Meteorológica Experimental dos Carris (EMEC).
Os dias têm sido quentes, especialmente no período da tarde, mas pensava que a noite traria uma baixa acentuada na temperatura, aliás, tal como se nota em altitude mais baixas (no Campo do Gerês, por exemplo, onde o princípio da noite é relativamente quente, mas a manhã traz um ar mais fresco).
Assim, questionei o Carlos Araújo sobre este «fenómeno». O Carlos Araújo foi o principal responsável pela instalação da EMEC e ela explica o porquê desta situação.
Nas palavras do Carlos, "o gráfico semanal é absolutamente esclarecedor e confirma que a estação meteorológica está a funcionar na perfeição, documentando uma reviravolta radical no estado do tempo. O comportamento das linhas ao longo da última semana desenha o cenário meteorológico ideal para justificar o que está a acontecer nos pontos mais elevados da Serra do Gerês.
Assim, no início da semana, as temperaturas máximas andavam mais baixas (perto dos 15 °C a 17 °C) e as mínimas desceram bem até aos 9,5 °C no dia 31 de Agosto. Isto é o comportamento típico e expectável para os 1.500 metros de altitude nesta época do ano.
A partir do dia 2, a curva amarela faz uma subida contínua e acentuada. O topo da serra deixou de arrefecer durante a noite (as mínimas nocturnas subiram mais de 10 °C em relação ao início da semana) culminando no pico térmico de 27,5 °C na tarde do dia 3 de Setembro.
O detalhe mais fascinante deste gráfico semanal é ver a linha verde do Ponto de Orvalho a afundar de forma drástica à medida que a temperatura subia. Enquanto a temperatura subia para os picos máximos na Quarta-feira (2 de Setembro) e no dia seguinte, o ponto de orvalho caiu em flecha, chegando a valores negativos importantes (-5 °C a -6 °C). Fisicamente, isto comprova que a massa de ar que entrou na serra não veio apenas com calor, mas sim com uma ausência quase total de humidade. É a assinatura perfeita de uma entrada de ar tropical continental muito seco (notícia).
Este gráfico prova que os 23,4 °C seguidos de 32% de humidade que se verificaram na manhã do dia 4 de Setembro não são um erro isolado nem um defeito que apareceu hoje: são o culminar de uma onda de calor e secura extrema em altitude que se instalou progressivamente na região ao longo dos últimos dias.
Daqui se explica o facto de o topo da serra estar tão seco, o que por outro lado aumenta exponencialmente o risco de incêndio.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMEC