A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 23 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 23 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
De entre o conjunto de paisagens que a Serra do Gerês nos oferece, as paisagens que Porta Roibas proporcionam estão entre as mais arrebatadoras.
Na fotografia, onde surge o Curral de Porta Roibas, Borrageiros ergue-se para lá da Corga de Valongo com as suas paredes graníticas aprumadas. A paisagem esconde Natureza e uma profunda História de vivência dos povos serranos. Era pela Corga de Valongo que o carvão vindo dos lugares de Cabril era transportado para ser vendido na chã do Teixo (Vale do Alto Homem). Atrás de Borrageiros, está a agora silenciosa e secular Mina de Borrageiros onde resistem as ruínas e as cicatrizes daquele dias infâmes onde o volfrâmio era extraído das entranhas da terra por um punhado de escudos.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A paisagem vista das Minas dos Carris na tarde do dia 20 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
Várias fotografias da Pedra Bela antes dos trabalhos de reflorestação realizados pelos Serviços Florestais.
De referir que o ano de 1912 assinalou o final da abertura do caminho para a Pedra Bela que se iniciava então no velho Curral do Vidoeiro (posteriormente transformado em parque de merendas).
As obras para a abertura do caminho foram iniciadas na segunda quinzena de Agosto de 1907 e o primeiro carro de parelha chegou à Pedra Bela a 12 de Agosto de 1912, sendo este um carro dos Serviços Florestais que, entre outros, transportou Tude Sousa (então Regente Florestal) para avaliar as condições de trânsito do caminho e para fiscalizar os trabalhos então encetados.
Ainda no âmbito destes trabalhos, Tude de Sousa voltaria à Pedra Bela a 22 de Agosto, sendo nesse dia acompanhado pelo silvicultor Melo e Sabo, na altura superintendente nos trabalhos no Gerês. Nesse mesmo dia ficou determinada a localização do novo observatório meteorológico e de uma nova casa de guarda, que ainda não teria sido construída em 1926.
A fotografia em cima mostra a zona da Pedra Bela já depois da construção da Casa Florestal, ou Observatório, semelhante à que existia na Chã da Pereira (actual sede do Grupo Desportivo do Gerês).
A fotografia, certamente datada da primeira metade do século XX, mostra uma paisagem irreconhecível com aquilo que hoje vemos, pois foi obtida antes da reflorestação encetada pelos Serviços Florestais.
Em último plano vemos o «recém» construído Observatório e no centro da imagem o Penedo da Cabeça do Cão.
As duas fotografia a seguir são datadas do dia 12 de Agosto de 1912 onde se vê o primeiro carro de parelha que chegou à Pedra Bela.
As fotografias a seguir mostram diferentes aspectos da recém criada estrada para a Pedra Bela.
A fotografia a seguir mostra o «recém» construído Observatório na Pedra Bela.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A encosta e o alto de Carvalhas Vrinhas não passam despercebidos a quem percorre o Vale do Alto Homem, Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
No Vale do Alto Homem vemos bancos de nevoeiro que vencem os contrafortes da Serra do Gerês e da Serra Amarela, vindos do Vale do Rio Lima e se dissipam nas encostas, deixando alguma humidade para um dia que seria de calor intenso.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Em "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui Barbosa, Dezembro de 2013), faz-se uma referência aos trabalhos mineiros executados junto do "marco geodésico" de Cidadelhe:
"Informou-me o capataz que junto da pirâmide geodésica “Cidadelhe” existe um filão mineralizado pela volframite, muito bom, segundo ele, e onde vários “pilhas” trabalham vendendo-lhe depois o minério.
Justificou essa compra com o pretexto de que esse filão está ainda dentro da concessão, o que é inexacto, pois da concessão Borrageiros até à pirâmide “Cidadelhe” mediram alguns quilómetros.
Como é do conhecimento de V. Ex.ª, este concessionário, de quando em vez, participa a este Serviço que lhe desapareceram as guias n.ºs tal e tal, pedindo a sua apreensão caso alas aqui sejam apresentadas, o que eu reputo menos verdadeiro, supondo que tal tem por fim encobrir mais alguma irregularidade praticada."
O cenário que nos deparamos junto ao alto de Cidadelhe é de plena desolação! Os trabalhos mineiros ilegalmente ali realizados, são a realidade da miséria e das condições de trabalho que ali existiam. Não havendo edificações para acomodar os «pilhas» que ali trabalhavam, este tiravam partido das palas ou construiam rudimentares abrigos de pedra solta que os protegessem nas duras condições que encontravam na inóspita serra geresiana.
A fotografia em cima ilustra bem estes abrigos que adinda podemos ver em Cidadelhe 85 anos depois dos trabalhos mineiros. Uma pala granítica era coberta por pequenas lajes que abrigavam um ou dois homens que encontravam abrigo deitados sobre a rocha. Outros abrigos nas proximidades mostram pequenas construções de pedra solta ou outros onde as palas eram o principal meio de defesa contra o ambiente difícil e cruel do trabalho mineiro que ali se praticava nos anos 40 do século XX.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Um texto da autoria de Pedro Bingre do Amaral (Presidente da Liga para a Protecção da Natureza) para ler aqui.
"A passagem d’A Volta a Portugal pela Mata da Albergaria reabriu o indispensável debate a respeito dos limites da utilização de áreas naturais de excecional valor ecológico. Embora a LPN mantenha e reitere o propósito de reservar este bosque para a estrita conservação da biodiversidade e, por consequência, prefira vedá-lo a usos multitudinários, reconhece que esta prova desportiva decorreu sob rigorosos condicionamentos ambientais monitorizados no terreno por um robusto quadro técnico do ICNF. No entanto, será preferível que, apesar da robusta fiscalização in situ evidenciada neste caso, se evite, a todo o custo, tomá-lo como precedente para a aprovação extemporânea e arbitrária de atividades contrárias aos propósitos conservacionistas deste espaço natural."
Neste momento o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas actua de duas formas:
- é implacável com quem pretende desfrutar do Parque Nacional seguindo as regras;
- verga-se a vontades políticas e a interesses económicos.
Não é admissível que o nosso único Parque Nacional esteja anos consecutivos com um corpo de Vigilantes da Natureza reduzido (actualmente são 12 efectivos para cerca de 70.000 ha) e que depois num evento deste tipo surjam de forma miracolosa os meios necessários e "robustos" para a sua fiscalização e vigilância.
A protecção do Parque Nacional não pode, nem deve, andar ao sabor do calendário, onde no Verão tudo se permite e nos restantes dias do ano, nada se faça.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O escasso caudal do Rio Homem após a Cascata de S. Miguel, Serra do Gerês, na manhã do dia 15 de Agosto de 2026.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Um texto de José Castro publicado no Avante para ler aqui.
"Foi o uso que deu origem aos baldios. Foi a memória desse uso que lhes permitiu resistir e sobreviver às usurpações do latifúndio e ao desapossamento do Estado fascista. Foi a luta popular que os restituiu com a Revolução de Abril. E será a presença quotidiana das comunidades — usando, cuidando e governando os montes — que impedirá que se convertam em activos financeiros ou territórios administrados à distância.
O baldio é a terra que cada geração recebe dos seus antepassados para usufruir em comum, proteger em comum e transmitir em comum aos que hão-de vir. Foi assim que resistiu. É assim que continuará a ter futuro."
Fotografia: Avante
O turismo de Terras de Bouro assenta essencialmente em três pilares que são incansalvelmente e repetidamente promovidos: o Turismo Religioso, o Turismo Termal e o Turismo de Lagoas e Cascatas (Turismo de Natureza?).
(A fotografia em cima mostra o leito do Rio Homem na sua passagem pela Ponte de S. Miguel, Mata de Albergaria, Serra do Gerês, a 15 de Agosto de 2026)
O Verão é promovido como a jóia da coroa do turismo do concelho e são milhares que «invadem» as zonas ribeirinhas na busca das famosas cascatas e lagoas dos rios que cruzam a Serra do Gerês.
Porém, para aqueles atentos, existe um sério problema que se adensa ano após ano. Se há dez anos a paisagem do estio se transformava de forma serena e os rios surgiam com pouco caudal em finais de Agosto, o que temos vindo a assistir há cinco ou seis anos para cá, é que estes rios «morrem» muito mais cedo na época: os seus caudais diminuem de forma drástica, as lagoas ficam com água quase parada e a qualidade da água nos rios e lagoas vai dimunuindo a cada mergulho de um corpo coberto de protector solar e outras coisas... Já em meados de Julho se comentava o cheiro no Rio Arado e a qualidade da água coberta por uma fina película de gordura resultante dos cremes e momentos de alívio! Na verdade, já em Maio muitos pequenos cursos de água no alto da serra começavam a secar. O resultado vê-se meses (sem chuva) depois.
Há já algum tempo que não vemos um Verão com uns dias de chuva «intensa» para ir «limpando» a porcaria que fica nas zonas balneáreas na serra (já nem falo nas praias fluviais em albufeiras!)
As alterações que vemos no clima trazem com elas um problema que não é único no Parque Nacional da Peneda-Gerês: a falta de água nas serras e, consequentemente, a falta de água que irá afectar as populações.
Caminhar na «alta» montanha das serranias do Parque Nacional é já um problema muito sério para quem não se previne com a quantidade de água suficiente!
Não tenho conhecimento que quem deveria fazer, faça análises na qualidade da água que o Turismo de Lagoas e Cascatas de Terras de Bouro que tanto promove e se baseia, mas penso que de forma séria e consciente deveria ser algo a ter em conta para que as visitas - e já que de forma incompreensível não se quer abrir os horizontes de outro tipo de Turismo - voltem para o ano.
Um nota: em muitos Parque Nacionais na Europa e no mundo - e que de facto são "Parques Nacionais" - está proibido o banho em muitos rios e lagoas, e quem trangride é severamente punido com coimas elevadas.
Há uns tempos, um político da terra disse que "eu estava a puxar a brasa para a minha sardinha." Na altura até nem estava, mas agora aprecio sardinhas quentes e como se gosta muito de ditados "roseiras em Setembro, Natal em Dezembro".
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 16 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC
Um macho que cabra montês vigilante sobre o Vale do Alto Homem, Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Notícia do Observador para ler aqui.
"Diretora regional do ICNF do Norte defendeu que "correu tudo bem" durante a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na área protegida no Parque Nacional da Peneda-Gerês."
Lembro-me dos tempos nos quais o antecessor do ICNF lutava com unhas e dentes pelo encerramento daquela estrada.
Vamos ver como vai ser daqui para a frente com um instituto público que perdeu a cara e se vergou aos interesses políticos em detrimento da conservação do nosso único Parque Nacional.
E certamente que não me esquecerei da "COMPATIBILIZAÇÃO ENTRE DESPORTO E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA".