segunda-feira, 6 de julho de 2026

Questionário "Partilhar Território: Pessoas, Gado e Fauna Selvagem"

 


Este questionário integra um estudo sobre a coexistência entre pessoas, gado e fauna selvagem, com foco especial na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés (RBTGX).

Para os que vivem, trabaham ou conhecem bem a região do Gerês‑Xurés: a tua voz importa.

O Gerês‑Xurés é de todos, mas nem sempre é dado a compartir o mesmo espaço. Para compreender melhor como as pessoas, o gado e a fauna salvagem convivem nesta Reserva da Biosfera Transfronteiriça, o Centre for Functional Ecology - Science for People & the Planet (Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra) da Universidade de Coimbra, está a desenvolver o estudo Compartir Territorio no marco dum projecto de doutoramento.

Se tens uma ligação com esta região, a tua opinião e experiência são fundamentais.

Concellos incluídos:

Espanha: Lobios, Entrimo, Muíños, Lobeira, Calvos de Randín e Bande.

Portugal: Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.

O questionária é voluntário, totalmente confidencial e só leva uns minutos.

ES – https://ls.uc.pt/index.php/225711?lang=es

PT – https://ls.uc.pt/index.php/225711?lang=pt

Novo resgate põe a nu miséria do Parque Nacional

 



O dia 5 de Julho de 2026 foi marcado por um novo resgate na Corga de Sobroso (Sete Lagoas), Serra do Gerês, quando uma jovem de 19 anos sofreu uma queda no leito do rio.

Esta foi a segunda ocorrência em 24 horas na mesma zona ("Bombeiros em operação de resgate de 19 pessoas", pelo jornalista Pedro André Mendes, 4 de Julho de 2026), apesar de estar em vigor um estado de alerta durante o qual está proibido o acesso às zonas florestais assim definidas nos respectivos planos municipais.

A verdade, é que a situação não é nova e verifica-se todos os anos em condições semelhantes: simplesmente, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) não têm meios para proceder a uma vigilância efectiva de todo o território da área protegida. De facto, com uma área de cerca de 70.000 hectares existem apenas 12 Vigilantes da Natureza para cobrir essa área e cuja função não se limita à área do PNPG. Apesar do apoio que posssa vir das equipas de Sapadores Florestais, é manifestamente insuficiente e põe a nu as condições miseráveis do PNPG.

A situação do resgate vem despoletar o desconforto de algumas entidades encarregadas dos resgates, com o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Salto, Hernâni Carvalho, a referir que "todos os dias temos tido situações destas," segundo noticia A Voz de Trás-os-Montes na sua edição digital ("Jovem de 19 anos resgatada nas Sete Lagoas apesar da proibição de acesso", pelo jornalista Pedro André Mendes, 5 de Julho de 2026).

Recorde-se que devido às condições meteorológicas extremas, foi declarada a situação de alerta em todo o território nacional continental entre as 00h00 do dia 3 de Julho e as 23h59 do dia 6 de Julho, estando proibido o acesso a espaços florestais, sendo proibido circular ou permanecer em zonas florestais, caminhos rurais ou vias que as atravessem.

No entanto, e com excepção da estrada que liga a Portela de Leonte e a Portela do Homem, não existe um controlo efectivo no acesso às diversas zonas florestais e mesmo na Portela do Homem assistiu-se à tentativa de entrada nesses espaços por parte de visitantes que, estacionando no lado galego da fronteira, tentam aceder às zonas ribeirinhas nas proximidades.

Mesmo o controlo da interdição no acesso à Mata de Albergaria está a ser feito pelos elementos contratados para a cobrança da taxa de acesso àquela zona, tal como testemunhei na manhã do dia 4 de Julho.

O Parque Nacional deveria ser dotado de um sistema de aviso semelhante ao que existe em zonas de montanha e através do qual se poderia informar os visitantes das condições que iriam encontrar. Por exemplo, à saída das Caldas do Gerês na direcção da fronteira ou à saída do Campo do Gerês em direcção à Mata de Albergaria, deveria existir uma sinalética electrónica com a informação sobre o estado do acesso, informação essa que teria utilidade tanto no Verão como no Inverno em dias de nevada ou de frio «extremo». Na Serra da Estrela existe uma informação simples que mostra a interdição (ou não) das vias de acesso à Torre. Porque não um sistema semelhante no PNPG?

Por outro lado, porque (aparentemente) nunca se viu uma coordenação entre o ICNF e a GNR para a vigilância do PNPG? Porque é que o PNPG não está dotado de elementos da Guarda Florestal no terreno? Porque é que - apesar de ser aconselhado - o ICNF não coloca a informação sobre as coimas em caso de desrespeito pelas regras de visitação? Talvez seja hora de efectivamente se passar dos conselhos aos actos e começar a responsabilizar quem desrespeita as regras de visitação e por parte de quem tenha uma actuação negligente.

Sabemos que a maior percentagem do turismo no PNPG nesta altura do ano provém dos visitantes que não querem visitar o PNPG, mas sim pretendem fazer praia na montanha ("Parque Nacional da Peneda-Gerês: não se pode ir para o Gerês como se vai para a praia", pelas jornalistas Patrícia Carvalho e Teresa Pacheco Miranda, 3 de Agosto de 2020 - exclusivo a assinantes). Apesar da consciência e da percepção do perigo das zonas ribeirinhas ter (aparentemente) aumentado, todos os anos se repetem as situações de quedas nas lagoas e lá vão surgindo as típicas notícias dos "resgates no Gerês". O trabalho de consciencialização deve ser feito por todos: ICNF, associações de promoção do território, hoteleiros, postos de turismo, etc. No entanto, o problema só se irá resolver quando os banhistas tiverem respeito por eles próprios e tomarem medidas preventivas para evitar o acidente. Tendo em conta o estado actual da consciencialização da sociedade, temo que o problema se irá agravar nos próximos anos.



A protecção do Ambiente e da Natureza em Portugal nunca foi a primeira, segunda ou mesmo terceira prioridade para os sucessivos governos nacionais. As áreas protegidas sobrevivem com escassos orçamentos que não lhes permite cumprir com os objectivos para as quais foram criadas. No caso do PNPG - que deveria ser a jóia da coroa da protecção da Natureza no nosso país e que aguarda há quase dois anos pelo novo Regulamento de Gestão e pelo seu Programa Especial - os sinais do seu definhamento estão todos aí para os que quiserem ver.

Relembro a catástrofe que atingiu o PNPG em Agosto de 2025 no qual um incêndio florestal dizimou quase por completo a Serra Amarela sem que o Governo fosse capaz de resolver a situação com um efectivo reforço de meios. Seguiu-se a visita da ministra e tudo ficou na mesma. O que se assistiu não foi um filme de catástrofe, foi a destruição de um território vivo; não foi apenas "mato", foi bosque, foi floresta, foi a natureza e foi o sustento de muitas pessoas. Ardeu por culpa da negligência.

Sem um verdadeiro reforço e uma mudança de paradigma na protecção da Natureza em Portugal, temo que estejamos a assistir aos últimos dias do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Fotografia © Paulo "No Gerês" Figueiredo (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCX) - O Pinheiro da Cigarra e o cume de Borrageiros

 


No topo da Corga das Mestras surge o tronco seco do Pinheiro da Cigarra enquadrado com o cume do colosso de Borrageiros, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 5 de julho de 2026

Começou a ser cobrada a taxa de acesso à Mata de Albergaria

 


O primeiro fim-de-semana de Julho marcou o início da cobrança da taxa de acesso à Mata de Albergaria no Verão de 2026 (na verdade, começou a ser cobrada a 1 de Julho).

A cobrança da taxa de acesso manter-se-á até 30 de Setembro no período entre as 11h00 e as 18h00.

Por lei, o dia 1 de Junho assinalou o início do período durante o qual o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) pode cobrar a taxa de acesso à Mata de Albergaria, Serra do Gerês. Este período mantém-se até 30 de Setembro.

Esta taxa de acesso aplica-se aos veículos motorizados, tendo um valor de €1,50 por dia.

Segundo a Portaria n.º 31/2007, de 8 de Janeiro, que veio fixar a taxa de acesso, esta tem por objectivo assegurar a preservação dos frágeis ecossistemas que caracterizam a Mata de Albergaria ao se aplicar medidas que passariam pela sustentabilidade da gestão dos recursos naturais, sujeitando a sua utilização ao pagamento de uma taxa de acesso, segundo o princípio do utilizador-pagador.

Nos termos da Portaria n.º 39/2011, de 18 de Janeiro, são isentos do pagamento da taxa de acesso por viaturas motorizada à área abrangida pela Reserva Biogenética da Mata de Albergaria:

a) Os condutores que sejam residentes ou naturais do concelho de Terras de Bouro, mediante a apresentação de documento comprovativo da sua naturalidade ou residência;

b) Os condutores que sejam residentes no restante território abrangido pelo Parque Nacional da Peneda -Gerês, mediante a apresentação de documento comprovativo da sua residência;

c) Os condutores que sejam residentes no município espanhol de Lobios, mediante a apresentação de documento comprovativo da sua residência;

d) As viaturas ao serviço do Parque Nacional da Peneda- Gerês ou do Parque Natural da Baixa Limia - Serra do Xurés;

e) As viaturas de outras entidades no exercício de funções de policiamento ou fiscalização e de prevenção de incêndios.

O acesso à Mata de Albergaria é condicionado entre as 9h30 e as 19h00 com a existência de três pontos de controlo/cobrança na Portela de Leonte, Portela do Homem e Bouça da Mó. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 4 de julho de 2026

Resgate na Serra do Gerês

 


Segundo noticia a Rádio Montalegre através das suas redes sociais, "Os Bombeiros Voluntários de Salto e de Vieira do Minho estão a participar numa operação de resgate de 19 cidadãos de nacionalidade espanhola, nas Sete Lagoas, em Cabril, no Parque Nacional da Peneda Gerês.

A operação conta ainda com o apoio da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Montalegre, do INEM, e do Grupo de Resgate e Montanha da GNR/UEPS.

Segundo os Bombeiros de Salto, entre as vítimas encontra se uma mulher grávida com ferimentos. Os 19 cidadãos já foram localizados e estão a ser assistidos no local pelos operacionais."

O resgate terá ocorrido supostamente após uma queda por parte de um dos elementos do grupo.

Fotografia (meramente ilustrativa) © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCIX) - As Albas e os Prados da Messe

 


As Albas e os Prados da Messe, Serra do Gerês, vistos à chegada vindo do Rendeiro.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Postais do PNPG (CCLXXI) - "Grande Hotel Ribeiro"

 


O Grande Hotel Ribeiro é o tema deste postal ilustrado cuja sua edição deverá datar dos princípios do século XX, sendo uma edição da Photographia Nacional - Braga & Gerez.

Segundo Vicente Craveiro Martins, no seu livro "Grandes Hotéis das Caldas do Gerês - História Social e Arquitectónica da Hotelaria Geresiana" (Município de Terras de Bouro, 2016), o Grande Hotel Ribeiro foi construído entre 1889 e 1890, sendo criado por António Joaquim Martins Ribeiro e por Francisco José da Silva, "o Botequim". Porém, esta inauguração reflecte as alterações ao projecto inicial criado em 1882 e inaugurado em 1883/1884 ("O Gerês de Bouro a Barroso - Singularidades Patrimoniais e Dinãmicas Territorias", Rosa Fernanda Moreira da Silva, Edições Afrontamento - 2011).

O hotel seria destruído a 15 de Abril de 1997 por um violento incêndio.



Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Ulisses e o "Esconjuro dos Lobos"

 


O Festival Aldeia de Lobos irá decorrer em Fafião nos dias 10 e 11 de Julho de 2026.

Por entre os inumeros eventos que terão lugar (concertos, exposições, etc.), destaco o "Esconjuro dos Lobos" pelo Ulisses Pereira.

Para lá da obvia teatralização do evento, temos a performance de alguém que dedicou muito do seu tempo ao saber, conhecimento, história e registos etnográficos da sua aldeia. Todo este património imaterial e pessoal trazem um valor único à voz e aos minutos durante os quais Ulisses Pereira irá representar o "Esconjuro dos Lobos".

Como é referido, "Quando a penumbra se entranha na serra, Ulisses ergue a voz. Esconjuro dos Lobos, Fonte de S.Tiago — rituais que invocam o que a montanha guarda. O visível e o invisível entrelaçados numa das noites mais enigmáticas do festival."

A não perder, na noite do dia 10 de Julho.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCVIII) - Cocões do Coucelinho

 


A fotografia não faz jus à paisagem que se depara perante nós ao passarmos nos Cocões do Coucelinho, Serra do Gerês.

No planalto de Couce, na parte central da Serra do Gerês, surge este que é o mais importante circo glaciário da serra, assim como o mais importante conjunto de moreias (laterais e frontais) e de lagos glaciários (dos quais se destaca o Lago Marinho) e pequenas formas geológicas de abrasão, tais como polimentos e estrias no granito. 

De notar, que em cabril se refere ao planalto como "Couço" e não "Couce", o que possivelmente levaria á designação "Cocões do Couçolinho".

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Declarada situação de alerta no território nacional

 


Devido às condições meteorológicas extremas, foi declarada a situação de alerta em todo o território nacional continental entre as 00h00 do dia 3 de Julho e as 23h59 do dia 6 de Julho.

Assim, está proibido o acesso a espaços florestais, sendo proibido corcular ou permanecer em zonas florestais, caminhos rurais ou vias que as atravessem.

Está proibido o uso de fogo, sendo proibida a realização de queimas ou queimadas, mesmo com autorização prévia. Da mesma forma, é proibido a utilização de fogo-de-artifício ou de qualwuer artefacto pirotécnico, sendo também proibido o lançamento de balões com mecha acesa, mesmo havendo autorização prévia.

Está ainda proibida a utlização de maquinaria em espaços rurais (motoroçadoras, corta-matos, destroçadores e máquinas com lâminas ou pá frontal).

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A Conquista do Inútil (1): A subida ao Cabeço do Rodondelo

 


"A Conquista do Inútil" é um livro do realizador Werner Herzog que é o testemunho do projecto louco que o levou ao desespero (1) durante a rodagem do filme Fitzcarraldo na selva amazónica. O título tem sido utilizado como uma metáfora comparativa da «conquista» humana dos picos e altos montanhosos, onde a vontade de vencer, o desespero e a irracionalidade, por vezes impulsionam o montanhista a conquistar aquilo que surge como uma inutilidade para a maioria, mas perfila-se como o mais alto prémio para ele.

Não querendo ser pretencioso com esta série de textos, irei tentar descrever as conquistas do inútil que se poderão fazer na Serra do Gerês e noutros lugares, tendo como pano de fundo a minha reconhecida incapacidade de alçançar alguns topos que me justifico como serem as "moradas dos deuses" e como tal, lugares que inalcansáveis para mim. Admito não ser escalador ou alpinista, e como tal, não ter proficiência necessária para feitos épicos. Por enquanto, fico-me com as minhas 400...

O "primeiro capítulo" nesta série que não terá uma publicação regular (serão escritos à medida que ocorrerem, acima de tudo, à medida que surja a vontade de as descrever!), leva-nos ao Cabeço do Redondelo.

Com os seus 1071,5 metros de altitude, o Cabeço do Redondelo projecta a sua sombra sobre o Vale do Rio Homem, delimitando a vertente esquerda do Covelo que se afunda desde os limites de Gamil e do Prado até à Bouça da Mó. A encosta direita do Covelo é a vertente da Cascalheira que se eleva até às Mesas.

Conheço dois acessos ao alto do Cabeço do Redondelo, sendo um deles vindo do Curral de Gamil (e do Covelo) e um outro através da encosta Norte do Redondelo, tendo como pano de fundo a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas e a Serra Amarela. Nesta conquista do inútil, decidi subir esta encosta que, não tendo sido a primeira incursão, é sempre a mais espectacular e ousada.

Iniciei o percurso no Campo do Gerês (2, 3) seguindo o traçado do Trilho da Águia do Sarilhão (4, 5) na direcção Nascente (passando no Parque de Campismo de Cerdeira na direcção da Mata de Albergaria). Com a manhã não muito quente, notava-se já a diferença com o dia anterior onde o ar fresco animava a marcha. Iniciando cedo, previa terminar a jornada pelo meio-dia, o que veio a acontecer para não ser açoitado pelo calor infernal deste início de Verão.

Caminhando na tranquilidade matinal, em breve abandonava os limites do parque de campismo e entrava no bosque que antecede a paisagem de carqueja, tojos e pedra que me acompanharia nas próximas horas. O percurso leva-me através de um caminho rural que abandono ainda antes de chegar ao abrigo da antiga Grande Rota das Casarotas. Para seguir o carreiro quase escondido por entre a vegetação, deve-se ter atenção às pequenas mariolas. De tempos a tempos (de ano a ano, talvez), faz-se a limpeza desta parte do percurso, quando droga da matança do javali dá o seu chuto. No entanto, aqui a vegetação cresce rápido (sim, as nossas montanhas não são desertos de pedra) e o uso de calças é quase obrigatório para evitar uma esfoliação natural.





Subindo uma pequena corga, o caminho vai-se bifurcar mais adiante: a derivação à direita leva-nos para as Bitoreiras e ou quase directos para Gamil, assim tomamos o carreiro que segue a Nascente e começamos a percorrer as encostas do Redondelo. Talvez este fosse o caminho preferencial para chegar ao Covelo, sem testemunhos vindos do Campo do Gerês, é-me difícil perceber a origem do mesmo, mas penso que seria utilizadio para o pastoreio das cabras quando elas ainda existiam por aqui.

De novo, é a intensa vegetação que vai marcar o caminho. Este está marcado com mariolas, mas num ponto ou outro é necessária alguma atenção numa volta do caminho. À medida que ganhamos altitude, o vale afunda-se e a perspectiva torna-se mais vasta: as vertentes da Serra Amarela são vencidas pelo olhar e surge o desejo que uma próxima inutilidade (que na verdade foi adiada devido à previsão de dias tórridos; fica a promessa de uma subida em breve ao Alto da Louriça).





Em pouco tempo chegamos a uma zona «mais plana» na qual podemos fazer um curto desvio que nos leva à parte superior da Fraga do Sarilhão. Em tempos idos, a Fraga do Sarilhão era zona de nidificação da águia real que tormentos trazia aos criadores de cabras que contavam histórias que ver as grandes rapinas, «rapinar» os cabritos mais pequenos.

Nesta zona, o carreiro forma um "s" para vencer a encosta e seguir em direcção à Fraga de Cima. Em alguns pontos, o carreiro aproxima-se da vertente, devendo-se o cuidado necessário para evitar sustos (principalmente em dias húmidos). Vamos ganhando metros no altímetro e a paisagem emociona-nos. De facto, não é necessário uma grande caminhada para termos vastos horizontes e a sensação de uma «conquista» que, espasme-se, estava mesmo ali ao lado.




O carreiro percorre a parte superior da Fraga de Cima e leva-nos a entrar no profundo Covelo. Tenho uma lembrança de, há muitos anos, ter percorrido este fechado vale desde a Bouça da Mó, enveredando por um carreiro que iniciava na Estrada da Geira. A aventura, que se turva na memória, é acompanhada pela recordação de um matagal que se fechava à nossa passagem, mas que foi coroada pelo descanso no sopé do Pé de Cabril. Em tempos, estes lugares eram calcorreados ao longo de carreiros que ligavam os diversos pontos da serra. No entanto, o abandono de muitas actividades de pastorícia, levou à perda e desaparecimento destes caminhos que traçavam memórias dos tempos idos.

A entrada no Covelo proporciona uma ligação com o Prado e com o Curral de Gamil. Seguindo pela sua margem esquerda, vai vencendo a distância ziguezaguenado por entre a penedia até atingir uma primeira elevação: uma verdadeira varanda que permite ao olhar abranger quase todo o grande lago azul escuro que se estende aos nossos pés. A vertente Sul da Serra Amarela está à nossa frente e o olhar guia-se desde a Calcedónia e Curvaceira, passando pelas encostas de Sta. Isabel, Covide, Carvalheira, Campo do Gerês (abrigado pelas encostas do Pinhote e Picota) até à Mata de Palheiros.



Deixando esta magnífica varanda, prossigo para a conquista do inútil e aprecio os grandes blocos que parecem constituir as paredes do bojo que forma o cabeço que me desafia. Ladeando pela esquerda, o caminho empina-se por algumas dezenas de metros até chegar "à sua face Sul". Aqui, um conjunto de mariolas faz-nos descobrir as «secretas» (parece que isto é o que está na moda) passagens que nos levam, a cada passo, mais próximos do ponto mais alto do dia. Em alguns pontos, uma pequena destreza de braços ajuda-nos a ultrapassar um pequeno obstáculo rochoso, da mesma forma que a posição da bota nos dá a tracção necessária para o impulso. Não foi a primeira vez que cheguei ao topo do Cabeço do Redondelo, mas as pequenas conquistas trazem-nos a satisfação das grandes paisagens.

Não é difícil chegar ao ponto mais alto do Redondelo, mas como todas as caminhadas em montanha, esta deve ser feita com todo o cuidado e com a absoluta certeza de que a descida não nos irá trazer problemas. A boa gestão do risco que estamos dispostos a correr é, em si, uma conquista tão ou mais importante do que chegar ao ponto mais alto.

E pronto, estou no alto do Cabeço do Redondelo e aprecio a paisagem que se abre e espalha aos meus pés. Olho o Campo do Gerês e vejo a mestria com que a aldeia foi implantada ao abrigo dos ventos frios do Norte pelas encostas do Pinhote. A Sul, a Veiga de S. João tem as cores dos dias quentes de Verão que contrasta com o azul escuro das águas que afogaram Vilarinho da Furna que durante longos séculos olhou para este colosso ao lado do Pé de Cabril. Esses dias desapareceram debaixo das águas silenciosas e escuras do Rio Homem.

Após a contemplação, restava então a descida e o regresso ao ponto de partida. Porém antes de partir das alturas, olho o Covelo e penso que em breve deveria procurar o "Penedo das Pápas" e o "Buraco do Mouro", referenciando assim dois topónimos que não se devem perder na História desta milenar povoção de Campo do Gerês. Deixando então o cabeço para trás, chegava ao Curral de Gamil e enveredava pelo traçado do Trilho das Silhas dos Ursos (6, 7) já em gestão da água que ia consumindo para tentar esquecer o calor que já se havia indecentemente instalado. O caminho levou-me pela Boca do Rio e Manga de Tojeira, passando então pelo Vale do Meio antes de chegar à valiosa Fonte de Junceda. Os últimos quilómetros até ao Campo do Gerês foram feitos através do traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês.

Ficam algumas fotografias do dia...















PS - Possivelmente, no título deveria ter escolhido "ascensão" em vez de "subida" para ter mais "likes".

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCVII) - O Curral do Roquinha

 


O abrigo pastoril do Curral do Roquinha (Currais de Lamas de Homem), Serra do Gerês, é memória das seculares vezeiras geresianas.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Postais do PNPG (CCLXX) - "Gerês - Estrada para Junceda"

 


Datado de meados do século XX, este postal mostra um troço da estrada que liga as Caldas do Gerês e o Campo do Gerês.

Este postal foi endereçado a 21 de Agosto de 1957.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Incêndio no PNPG (Sete Lagoas)

 


O mês de Julho começou com um incêndio florestal que ocorreu em Cabril, Montalegre, mais precisamente na Corga de Sobroso (Sete Lagoas).

O combate ao incêndio envolveu 21 operacionais apoiados por 3 viaturas e 2 meios aéreos, sendo dado como extinto ao início da tarde.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Minas dos Carris, 30 de Junho de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris ne tarde do dia 30 de Junho de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC