segunda-feira, 4 de maio de 2026

A visitação nas Áreas de Ambiente Natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês

 


Sim, o texto é repetido e já foi várias vezes aqui replicado, no entanto nunca é demais recordar os condicionamentos sobre as actividades ligadas ao Turismo de Natureza no Parque Nacional da Peneda-Gerês, até porque muita gente ainda vai lendo este blogue e amar o PNPG é protegê-lo e cumprir as suas regras...

Todos sabemos que os condicionamentos aplicados às Actividades de Natureza na Área de Ambiente Natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês, andam ao sabor dos ventos, das épocas do ano, dos interesses que vão surgindo e do ego de cada um! Assim, e para que todos possam se informar sobre estes condicionamentos, publico de novamente este texto que nos dá uma explicação concisa sobre os mesmos.

Actualmente gerido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) I. P., o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) surgiu como o sucessor da presença dos Serviços Florestais e como tal sempre foi visto pelas populações como um elemento «repressor» do poder central.

A relação entre o PNPG e as populações é uma história de uma relação e convivências difíceis. No entanto, convém sublinhar que foram estas populações que moldaram a montanha para conseguir uma simbiose que transformou a Peneda-Gerês naquilo que é hoje. Nunca esquecer isto! O PNPG foi criado a 8 de Maio de 1971 através da publicação do Decreto-lei n.º 187/71 que pode ser consultado aqui e no qual se refere que "numa síntese da ética de protecção, trata-se de possibilitar numa vasta região montanhosa, de cerca de 60000 ha - quase na sua totalidade já submetidos ao regime florestal -, a conservação do solo, da água, da flora, da fauna e da paisagem, abrindo-a às vastas possibilidades do turismo, mas mantendo uma rede de reservas ecológicas de alto interesse científico, tanto nacional como internacional."

O actual Plano de Ordenamento - que será "em breve" substituído por um Regulamento de Gestão - vem substituir outro que em termos de actividades de visitação era muito mais restritivo, havendo então áreas interditas nas quais era proibida a presença humana. Este Plano de Ordenamento foi elaborado na premissa e na base de que toda a área do Parque Nacional deve ser visitável, pois de outra forma não faz qualquer sentido tendo em conta a ocupação que há milénios é feita do território e o objectivo do próprio Parque Nacional. No entanto, esta visitação deve ser alvo de regras que permitam uma gestão da protecção a que cada área esteja submetida. Definiram-se assim diferentes zonas de protecção que de uma forma geral definem áreas prioritárias para a conservação da natureza e da biodiversidade. Estes níveis de protecção são definidos de acordo com a importância dos valores naturais presentes e segundo a sua sensibilidade ecológica.

Quais são estas zonas de protecção? O actual Plano de Ordenamento divide basicamente a área do parque nacional em duas áreas: a Área de Ambiente Natural e a Área de Ambiente Rural. Vamos esquecer esta última porque não nos interessa para o caso em questão e porque a gestão da problemática da visitação é muito mais simples. A Área de Ambiente Natural é por sua vez dividida em três zonas: a Área de Protecção Total; a Área de Protecção Parcial de Tipo I e a Área de Protecção Parcial de Tipo II. Cada uma destas zonas tem as suas especificações.

A Área de Protecção Total tem o estatuto de reserva integral e compreende os espaços onde predominam valores naturais físicos e biológicos cujo significado e importância do ponto de vista da conservação da natureza são excepcionalmente relevantes. Estas áreas correspondem a áreas de mais elevada proximidade a um estado de evolução natural e menos alteradas pela intervenção humana e englobam, essencialmente, bosques de carvalho e bosques de carvalho em associação com teixiais e azerais, teixiais, turfeiras e complexos geomorfológicos de relevante importância. Nas áreas de protecção total são prioritários os objectivos de manter os processos naturais num estado dinâmico e evolutivo, sem o desenvolvimento de actividades humanas regulares ou qualquer tipo de uso do solo, da água, do ar e dos recursos biológicos.


O Plano de Ordenamento do PNPG define que na Área de Protecção Total é permitida a visitação pedestre nos trilhos existentes, estando esta sujeita a autorização por parte do ICNF, IP. A autorização é necessária tanto em termos de visitas individuais como em grupos, não podendo estes ser superiores a 10 pessoas.

A Área de Protecção Parcial de Tipo I compreendem os espaços que contêm valores naturais significativos e de grande sensibilidade ecológica, nomeadamente valores florísticos, faunísticos, geomorfológicos e paisagísticos. Correspondem a áreas de elevada proximidade a um estado evolutivo natural e pouco alterado pela intervenção humana e englobam bosques de carvalho, bosques ripícolas, teixiais, azerais, turfeiras, complexos geomorfológicos de relevante importância e matos.


O Plano de Ordenamento do PNPG define que na Área de Protecção Parcial de Tipo I é permitida a visitação pedestre nos trilhos existentes, estradas, caminhos existentes ou outros locais autorizados, estando esta sujeita a autorização por parte do ICNF, IP. quando realizadas ou organizadas por grupos superiores a 10 pessoas e não previstas em carta de desporto de natureza. Isto é, grupos inferiores a 10 pessoas não necessitam de autorização.

A Área de Protecção Parcial de Tipo II estabelece a ligação com as áreas de ambiente rural, constituindo um espaço indispensável à manutenção dos valores naturais e salvaguarda paisagística, correspondendo a áreas de média proximidade a um estado de evolução natural e enquadram bosques de carvalho, azerais, e medronhais arbóreos, teixiais, turfeiras e matos.


O Plano de Ordenamento do PNPG define que na Área de Protecção Parcial de Tipo II é permitida a visitação pedestre nos trilhos existentes, estradas, caminhos existentes ou outros locais autorizados, estando esta sujeita a autorização por parte do ICNF, IP. quando realizadas ou organizadas por grupos superiores a 15 pessoas, bem como nos termos da carta de desporto de natureza. Isto é, não é necessária autorização para grupos inferiores a 15 pessoas.

Resumindo, para caminhar na Área de Protecção Total é necessária a autorização por parte do ICNF. De notar que o Plano de Ordenamento refere que, na Área de Protecção Total, qualquer actividade independente do número de pessoas, necessita de autorização! Isto é, mesmo uma só pessoa deverá solicitar essa autorização. As actividades de visitação na Área de Protecção Parcial de Tipo I podem ser realizadas sem autorização até um máximo de 10 pessoas. Isto é, para grupos superiores a 10 pessoas deve ser solicitada autorização ao PNPG. O mesmo acontece na Área de Protecção Parcial de Tipo II, mas para um número inferior a 15 pessoas (grupos superiores a 15 pessoas devem pedir autorização ao ICNF).

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 4 de Maio de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris a 4 de Maio de 2026.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

domingo, 3 de maio de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLXXV) - Um abrigo pastoril em Lamalonga

 


A paisagem de Lamalonga, Serra do Gerês, foi severamente afectada na segunda metade do século XX pela mineração das Minas dos Carris. O derrame da escombreira alterou a paisagem pastoril do longo vale, soterrando-a em parte.

A paisagem de Lamalonga é composta por uma série de currais que ainda nos nossos dias são percorridos pelos animais que em período das vezeiras, ali encontram o seu alimento.

Mergulhada num silêncio profundo, a Lamalonga é também o exemplo das memórias perdidas da ocupação das paisgens serranas nos dias do pastoreio onde os homens dos diferentes lugares ali se abrigavam nas noites frias de Verão utilizando os típicos fornos pastoris. Estes são a memória silenciosa desses dias; muitos estão alagados, constituindo um património que se vai perdendo com o passar dos dias.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 2 de maio de 2026

XX Subida da Vezeira nas terras do Gerês

 


A 9 e 10 de Maio de 2026 decorre a festa da XX Subida da Vezeira nas terras do Gerês.

O evento é composto por dias de animação, tendo o seu momento alto na manhã do dia 10 de Maio com a passagem dos animais pelo centro das Caldas do Gerês.

Na tarde do dia 9 de Maio irá decorrer um passeio pedestre com uma visita a algunns dos currais da vezeira do Vilar da Veiga e de Rio Caldo.

Vandalismo na Geira Romana: nota de repúdio do Município de Terras de Bouro

 


Os actos de vandalismo são, infelizmente, normais em muitas zonas do concelho de Terras de Bouro e afectam não só o património histórico, como também o património natural e humano, isto é, as pessoas que aqui vivem. Uns passam despercebidos e esquecidos, outros são tão permanentes que já nem os notamos, outros ainda deixam marcas em memórias de milénios; foi o que recentemente aconteceu com um marco miliário da Geira Romana.


Este caso deu origem a um comunicado por parte do Município de Terras de Bouro que aqui reproduzo...

A Câmara Municipal de Terras de Bouro manifesta o seu firme repúdio pelo recente ato de vandalismo que atingiu um marco miliário da Via Nova (Geira Romana), elemento de elevado valor histórico e cultural do concelho. Trata-se de um monumento com cerca de dois mil anos, classificado como Monumento Nacional e candidato a Património Mundial da UNESCO, cuja integridade não pode ser posta em causa por comportamentos inaceitáveis.

Estes atos configuram não só uma grave falta de civismo, mas também um atentado à identidade coletiva e ao património que deve ser preservado para as gerações futuras. Importa sublinhar que tais práticas são puníveis por lei, sendo que o Município acionará todos os mecanismos legais para identificar e responsabilizar os autores.

A Câmara Municipal reforçará a fiscalização nas áreas mais sensíveis e procederá à denúncia junto das autoridades competentes. Apela-se, por isso, à colaboração de residentes e visitantes na proteção deste património comum, através da comunicação imediata de quaisquer situações suspeitas.

A salvaguarda da nossa história é essencial para o desenvolvimento do território. Não será tolerado qualquer comportamento que desrespeite este legado.

Fotografia © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados) via Facebook

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 1 de maio de 2026

A Vezeira da Ermida está na serra!

 


A 1 de Maio de 2026 cumpriu-se mais uma vez a tradição com a Vezeira da Ermida a levar os seus animais para a serra.

A "vezeira" é uma forma de transumância que ainda se pratica nas serranias do Parque Nacional da Peneda-Gerês e que tem evoluido ao longo dos tempos, adaptando-se às condições actuais. Os animais tiram agora partido das pastagens de altitude, afastando-se das aldeias e permanecendo nos currais e pastos de montanha até finais de Setembro ou Outubro, se a meteorologia o permitir.

Lembremo-nos de que as vezeiras e que estes animais são fundamentais para a manutenção da paisagem que conhecemos e que acima de tudo não são brinquedos ou motivos de fotografias para o Instagram ou vídeos do TikTok, devendo ser respeitados e cuja interacção deve ser mantida no mínimo.

Recordemos também que nas suas vigílias serranas, os pastores têm prioridade absoluta na ocupação dos fornos pastoriris (abrigos) e dos currais, e que estes são propriedade privada das vezeiras ou baldios, devendo ser mantidos em condições de serem utilizados pelos pastores.










Fotografias © Sérgio Gonçalves (Todos os direitos reservados) via Facebook

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLXXIV) - A Corga de Pena Calva e os Chamiçais

 


A descida do Peito do Galo revela-nos uma das paisagens mais arrebatadoras da Serra do Gerês com a magnificiência da Corga de Pena Calva escondida ao lado do alto dos Chamiçais. No profundo vale, ao fundo, a corga curva-se à esquerda guardando uma série de quedas de água à vista da Ladeira de Chamiçais. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Minas dos Carris, 30 de Abril de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris a 30 de Abril de 2026. As nuvens cobrem o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Postais do PNPG (CCLXIII) - Ponte Feia «Sobre o Rio Homem»

 


Não sei se será uma publicação repetida nesta série, mas de qualquer das formas merece a sua reprodução pela beleza da paisagem em sépia que este postal nos mostra.

O postal é uma edição da Neogravura, Lda. - Lisboa - e é baseado numa fotografia da Foto Zalez (Edição da Loja Espanhola). O cenário mostra-nos a famosa Ponte Feia num motivo que datará do primeira metade do século XX.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 28 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLXXIII) - A albufeira de Vilarinho, a Serra Amarela e a Serra do Gerês

 


A albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas ocupa uma grande área anteriormente banhada pelo aluvião do Rio Homem entre a Serra Amarela e a Serra do Gerês.

Submergindo a História, modo de vida e a saudade da milenar aldeia comunitária de Vilarinho da Furna, o grande lençol de água fez desaparecer a Chã de Linhares, os campos férteis de que preenchiam o fundo do vale e as memórias da antiga Fábrica dos Vidros. Hoje, nos dias tranquilos de vento, é um espelho de água que reflecte as encostas da Serra Amarela que nele mergulham e guarda a riqueza da Mata de Palheiros, zona de protecção total do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Dia dos Cubais da Vezeira da Ermida

 


Teve lugar a 25 de Abril, o Dia do Cubais da Vezeira da Ermida.

Este dia é destinado à preparação dos currais (cabanas) e à limpeza dos carreiros que serão percorridos durante a presença da vezeira na serra. Nos próximos dias, os animais irão começar a percorrer as pastagens de altitude onde irão permanecer até finais de Setembro (ou Outubro, caso as condições meteorológicas o permitam).




Fotografias © Sérgio Gonçalves (Todos os direitos reservados) via Facebook

domingo, 26 de abril de 2026

Minas dos Carris, 26 de Abril de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris a 26 de Abril de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

sábado, 25 de abril de 2026

Inaugurado o Percurso Interpretativo da Célula Defensiva de Bouro

 


O Dia da Liberdade de 2026 serviu para a inauguração, por parte do Município de Terras de Bouro, do Percurso Interpretativo da Célula Defensiva de Bouro, inauguração essa inlcuída no âmbito das comemorações do 25 de Abril.

Este percurso interpretativo é dedicado à Célula Defensiva de Bouro, também conhecida como a "Trincheira de Campo do Gerês". Segundo publicação do Município de Terras de Bouro, "Através de fundos comunitários, foi possível proceder à interpretação deste património histórico que se encontrava esquecido, mas que possui grande relevância na história do território e das suas gentes. Localizada no limite da Mata da Albergaria, a fronteira da Portela do Homem assume um papel fundamental desde a formação da nacionalidade, tendo sido a mais importante zona de trânsito medieval entre o interior galego e a região bracarense através da Geira."

De salientar que "Historicamente, os habitantes de Terras de Bouro desempenharam um papel crucial como zeladores e guardiões do Castelo de Bouro e da fronteira, conforme documentado nas Inquirições de 1220 e 1258. Em reconhecimento pelo seu caráter belicista e esforços constantes, o Rei Afonso II conferiu privilégios a estes moradores, isentando-os do serviço militar obrigatório em troca da manutenção e defesa ativa da fronteira e do castelo. Esta obrigação levou à construção de várias trincheiras defensivas, cujos vestígios ainda hoje podem ser admirados em locais como a Portela do Homem, Portela de Leonte, encosta de Palheiros", Campo do Gerês e na Serra Amarela.

No Campo do Gerês "​A estrutura defensiva (...) destaca-se por elementos como o seu muro semicircular de 120 metros de comprimento, construído originalmente no tempo de D. João I e reparado nos reinados de D. João IV e D. João VI. O complexo incluía a Casa da Guarda, para abrigo das sentinelas, e a Casa das Peças, destinada ao armazenamento de guarnições bélicas e munições, especialmente durante as Guerras da Restauração. Todo o sistema era coordenado pela Casa do Facho, situada no Monte Pinhote, que oferecia uma posição estratégica e elevada visibilidade sobre a zona de fronteira. 

Estas ruínas permanecem como um testemunho silencioso da coragem de um povo que, durante quase 700 anos, serviu de escudo a Portugal nesta região montanhosa."












Fotografias © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados)

Viva o 25 de Abril!

 


Viva o 25 de Abril!

Fascismo nunca mais!

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Caminho da Geira e dos Arrieiros - De Caldelas ao Campo do Gerês

 


Neste dia decidi fazer algo de diferente ao percorrer parte do Caminho da Geira e dos Arrieiros entre Caldelas (ou um pouco antes) e o Campo do Gerês.

Foram 31,7 km com algum asfalto, história da presença romana e as magníficas paisagens do Vale do Homem.




Ficam as informações sobre as diferentes milhas que são percorridas neste percurso: 

- Milha XV





- Milha XVI 




- Milha XVII




- Milha XVIII





- Milha XIX



- Milha XX





- Milha XXI

- Milha XXII



- Milha XXIII



- Milha XXIV



- Milha XXV



- Milha XXVI




Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)