domingo, 16 de agosto de 2026

"Baldios: memória, luta e futuro em comum"

 


Um texto de José Castro publicado no Avante para ler aqui.

"Foi o uso que deu origem aos bal­dios. Foi a me­mória desse uso que lhes per­mitiu re­sistir e so­bre­viver às usur­pa­ções do la­ti­fúndio e ao de­sa­pos­sa­mento do Es­tado fas­cista. Foi a luta po­pular que os res­ti­tuiu com a Re­vo­lução de Abril. E será a pre­sença quo­ti­diana das co­mu­ni­dades — usando, cui­dando e go­ver­nando os montes — que im­pe­dirá que se con­vertam em ac­tivos fi­nan­ceiros ou ter­ri­tó­rios ad­mi­nis­trados à dis­tância.

O baldio é a terra que cada ge­ração re­cebe dos seus an­te­pas­sados para usu­fruir em comum, pro­teger em comum e trans­mitir em comum aos que hão-de vir. Foi assim que re­sistiu. É assim que con­ti­nuará a ter fu­turo."

Fotografia: Avante

Um problema que se adensa no horizonte

 


O turismo de Terras de Bouro assenta essencialmente em três pilares que são incansalvelmente e repetidamente promovidos: o Turismo Religioso, o Turismo Termal e o Turismo de Lagoas e Cascatas (Turismo de Natureza?).

(A fotografia em cima mostra o leito do Rio Homem na sua passagem pela Ponte de S. Miguel, Mata de Albergaria, Serra do Gerês, a 15 de Agosto de 2026)

O Verão é promovido como a jóia da coroa do turismo do concelho e são milhares que «invadem» as zonas ribeirinhas na busca das famosas cascatas e lagoas dos rios que cruzam a Serra do Gerês.

Porém, para aqueles atentos, existe um sério problema que se adensa ano após ano. Se há dez anos a paisagem do estio se transformava de forma serena e os rios surgiam com pouco caudal em finais de Agosto, o que temos vindo a assistir há cinco ou seis anos para cá, é que estes rios «morrem» muito mais cedo na época: os seus caudais diminuem de forma drástica, as lagoas ficam com água quase parada e a qualidade da água nos rios e lagoas vai dimunuindo a cada mergulho de um corpo coberto de protector solar e outras coisas... Já em meados de Julho se comentava o cheiro no Rio Arado e a qualidade da água coberta por uma fina película de gordura resultante dos cremes e momentos de alívio! Na verdade, já em Maio muitos pequenos cursos de água no alto da serra começavam a secar. O resultado vê-se meses (sem chuva) depois.

Há já algum tempo que não vemos um Verão com uns dias de chuva «intensa» para ir «limpando» a porcaria que fica nas zonas balneáreas na serra (já nem falo nas praias fluviais em albufeiras!)

As alterações que vemos no clima trazem com elas um problema que não é único no Parque Nacional da Peneda-Gerês: a falta de água nas serras e, consequentemente, a falta de água que irá afectar as populações.

Caminhar na «alta» montanha das serranias do Parque Nacional é já um problema muito sério para quem não se previne com a quantidade de água suficiente!

Não tenho conhecimento que quem deveria fazer, faça análises na qualidade da água que o Turismo de Lagoas e Cascatas de Terras de Bouro que tanto promove e se baseia, mas penso que de forma séria e consciente deveria ser algo a ter em conta para que as visitas - e já que de forma incompreensível não se quer abrir os horizontes de outro tipo de Turismo - voltem para o ano.

Um nota: em muitos Parque Nacionais na Europa e no mundo - e que de facto são "Parques Nacionais" - está proibido o banho em muitos rios e lagoas, e quem trangride é severamente punido com coimas elevadas.

Há uns tempos, um político da terra disse que "eu estava a puxar a brasa para a minha sardinha." Na altura até nem estava, mas agora aprecio sardinhas quentes e como se  gosta muito de ditados "roseiras em Setembro, Natal em Dezembro".

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 16 de Agosto de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 16 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXVIII) - A Capra

 


Um macho que cabra montês vigilante sobre o Vale do Alto Homem, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 15 de agosto de 2026

Da humilhação

 


Fotografia © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados) via Facebook

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

"Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas destaca compatibilização entre desporto e conservação da natureza"

 


Notícia do Observador para ler aqui.

"Diretora regional do ICNF do Norte defendeu que "correu tudo bem" durante a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na área protegida no Parque Nacional da Peneda-Gerês."

Lembro-me dos tempos nos quais o antecessor do ICNF lutava com unhas e dentes pelo encerramento daquela estrada.

Vamos ver como vai ser daqui para a frente com um instituto público que perdeu a cara e se vergou aos interesses políticos em detrimento da conservação do nosso único Parque Nacional.

E certamente que não me esquecerei da "COMPATIBILIZAÇÃO ENTRE DESPORTO E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA".

A mensagem era simples

 


A mensagem era simples, mas os egos são maiores do que o futuro de algo único no país.

Perdemos todos!

A MENSAGEM ERA SIMPLES.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Parecer do ICNF sobre a prova desportiva que atravessou a Mata de Albergaria

 


Para memória futura, fica o parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas relativamente à prova desportiva que atravessou a Mata de Albergaria, Serra do Gerês.



 

 

 

 


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

"Um insulto para a preservação da natureza do Parque Nacional da Peneda-Gerês"

 


Texto de Miguel Dantas da Gama no Azul - PÚBLICO, para ler aqui.

"Este é o drama da conservação da natureza. Convivemos bem com a realidade atual. O foco é o turismo a qualquer preço. Consomem-se recursos, desviados do essencial, invertem-se as prioridades."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Compatibilizações

 


"Ao criar-se o primeiro parque nacional no continente, procura-se possibilitar no meio ambiente da Peneda-Gerês a realização de um planeamento científico a longo prazo, valorizando o homem e os recursos naturais existentes, tendo em vista finalidades educativas, turísticas e científicas."

Do Decreto-lei n.º 187/71, de 8 de Maio

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXVII) - O Cabeço do Redondelo visto desde a Cascalheira

 


O Cabeço do Redondelo, Serra do Gerês, é aqui visto a partir do início da passagem da Cascalheira na entrada para o Covelo.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 9 de agosto de 2026

O topónimo "Mourinho"

 


A explicação que logo nos surge para o topónimo "Mourinho" ("Curral do Mourinho", "Corga do Mourinho", "Manga do Mourinho"), que encontramos na Serra do Gerês (freguesia de Campo do Gerês), é que este esteja ligado a um nome de família.

No entanto, no seu livro "A Região do Gerês e a Estrada da Geira" (2025), Fernando Cosme, dá-nos (págs. 216 e 217) a explicação para a origem de topónimos semelhantes (Moure, Mouro, Mourêlo, Mourigo, Moura, Mouréla, Mourilhe, Mouros, Mourós, Mourisca, Mouriscal, Mourisqueiro, Mourrejal), referindo-se também a "Mourinho".

Fernando Cosme refere, "Estes topónimos têm origem remota no latino MAURU "originário da Mauritânia", província romana do Norte de África; porém, excetuando o primeiro, Moure (lugar da Balança), nome romano de cidadão da Mauritânia, os nomes mouro e derivados só terão aqui chegado a partir da invasão muçulmana, no início do século VIII." Para a restante explicação, consultar o referido livro.

Gostava, no entanto, de abrir academicamente uma outra hipótese, isto é, que estas designações possam ter origem na mitologia galega (ou galego-portuguesa). Segundo o blogue Breviario de Mitoloxia Galega, na sua publicação de 25 de Maio de 2014 (Mouros e Mouras), os mouros e mouras (traduzido do original em galego), "São seres lendários e sobrenaturais que vivem em La Mourindad, uma nação subterrânea que não pertence ao mundo visível. São os construtores dos fortes, mamblas, torres, catillos, petróglifos, cavernas, cavernas, e também trabalharam e moldaram as rochas ciclópicas, sob as quais escondem os seus tesouros, embora não lhes dêem grande importância.

As suas ferramentas de trabalho, arados, tesouras, foices, cangas e outras, são todas de ouro.

Mantêm uma relação com os humanos a quem pedem favores, oferecendo-lhes ouro, mas com a condição de que o segredo será sempre guardado.

Vivem sob as suas construções, sob os fortes e, por vezes, também em poços e grutas.

No folclore galego abundam as histórias e as lendas em que intervêm os "Mouros" e as "Mouras". São geralmente representados em frente às grutas, penteando os cabelos com um pente de ouro."

O Curral do Mourinho encontra-se numa zona onde abundam os grandes blocos graníticos e formações graníticas perto das vertentes que se despenham no Vale do Rio Homem. 

Como referi, trata-se apenas de uma hipótese académica...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 9 de Agosto de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na tarde do dia 9 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

"A Mata de Albergaria vista do espaço" - um texto de Miguel Brandão Pimenta

 


A mancha verde delimitada pela linha branca corresponde, aproximadamente, à Reserva Biogenética da Mata da Albergaria, uma extensa área de floresta autóctone, com mais de 1.500 hectares, que acompanha parte das margens do rio Homem e do seu afluente, o rio Maceira. Enquadrada pelo anfiteatro montanhoso da serra do Gerês, esta floresta chegou aos nossos dias relativamente intacta, na sua estrutura e composição naturais.

É por isso que Albergaria foi classificada como Reserva Biogenética do Conselho da Europa, integrada na Rede Natura 2000, incluída na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, reconhecida pela UNESCO, e abrangida pelo mais elevado nível de protecção previsto no Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Não recebeu estas classificações por ser bonita. Nem por atrair visitantes. Nem pelo seu valor económico. Recebeu-as porque constitui um património natural insubstituível, cuja degradação representaria uma perda irreversível para o concelho de Terras de Bouro, para Portugal e para o património natural da Europa.

É precisamente por isso que custa compreender o silêncio e a aparente passividade do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas perante a degradação progressiva deste espaço único.

A entidade responsável pela conservação da natureza em Portugal conhece melhor do que ninguém o valor da Mata da Albergaria. Conhece o regime jurídico que a protege, as obrigações de conservação que dele decorrem e conhece igualmente a realidade que ali se repete, Verão após Verão: milhares de visitantes, trânsito motorizado intenso, ruído constante, poluição, acumulação de resíduos, destruição da vegetação pelo pisoteio e o atropelamento de inúmeras espécies de fauna selvagem, entre elas martas, corços, ginetas e tantas outras.

Todos os anos, uma área que deveria constituir um exemplo de conservação transforma-se, durante os meses de maior afluência, num preocupante retrato da incapacidade de proteger aquilo que a lei determina preservar.

O ICNF deve uma explicação aos portugueses. Deve esclarecer por que motivo continua a permitir níveis de pressão manifestamente incompatíveis com o estatuto de protecção da Mata da Albergaria. E deve dizer, de forma clara, se considera aceitável que um dos mais notáveis remanescentes de floresta autóctone da Europa continue a degradar-se perante a inércia da própria entidade que tem o dever legal de o defender.

A Mata da Albergaria atravessou milénios. Resistiu às oscilações climáticas, às guerras, às profundas transformações da paisagem e à destruição que fez desaparecer grande parte das florestas primitivas europeias. Sobreviveu porque as montanhas a resguardaram e porque, durante séculos, a acção humana nunca conseguiu subjugá-la.

Seria uma ironia trágica que aquela mancha verde começasse agora a perder-se, não por falta de conhecimento científico nem por ausência de leis que a protejam, mas por incapacidade e falta de vontade para as cumprir.

sábado, 8 de agosto de 2026

Comunicado da FAPAS: "A Volta a Portugal em Bicicleta e a Falta de Transparência do ICNF"

 


O comunicado da FAPAS pode ser lido aqui.

"Lamenta-se a falta de respeito da Volta a Portugal pelo território que lhe serve de cenário, e a falta de capacidade do ICNF para, em diálogo com a Federação Portuguesa de Ciclismo, encontrar alternativas que salvaguardassem os interesses em conflito."