segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A tal prova de bicicletas

 


Cerca de um mês após terem sido solicitados esclarecimentos oficiais sobre a passagem de uma etapa de uma prova desportiva pela Mata de Albergaria, o coração ecológico e a razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), o silêncio de quem deveria esclarecer torna-se ensurdecedor para a alma e para o coração.

Torna-se assim óbvio - ou se calhar, mais óbvio ainda - que não há anuncios oficiais sem que tudo estivesse já garantido e acordado entre as partes. Ao abrigo de uma vã promoção do território, sacrifica-se a preservação tendo como justificação precedentes que nunca deveriam ter acontecido. O mal já feito não pode e nunca deveria ser justificação para outro mal maior.

A Mata de Albergaria, todos os estios vilipendiada pela maralha humana que por lá deixa lixo e conspurca a pouca água que tem, sofre os efeitos de más decisões de gestão a todos os níveis. Perpétuam-se maus hábitos e exemplos num território que se esvai aos poucos. Os remendos vão surgindo ao abrigo de dinheiros que vão chegando, descuidando-se um plano que tem de ser obrigatoriamente a muito longo prazo para mudar o velho paradigma da promoção de um território baseada em alicerces que se vão desgastando.

A prova desportiva irá trazer o típico visitante do território: aquele que vem cá passar o dia, traz a sua geleira, não deixa riqueza e apenas deixa lixo. Além do mais, vai trazer os meios dos seus patrocinadores que pouco irão deixar para o comércio local que verá as ruas fechadas numa altura de romaria que por si só atrai milhares de visitantes.

Zona frágil e onde o menor descuido pode significar o seu fim, a Mata de Albergaria ver-se-á invadida por uma orda que nada respeitará, que deixará lixo, irá pisotear a vegetação, fará ruído e mais ruído, que fará pic-nics e trará os óbvios perigos em dias de calor intenso.

Autorizada a prova devido a um intenso trabalho de lóbi, desautorizando os técnicos que certamente se calam com a mordaça política, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas perde por completo a cara, deixando cair a máscara, e deixa de ter a mínima postura moral para gerir o PNPG. Os seus vigilantes no terreno acabam por ser meros figurantes numa encenação que se repete todos os anos e todos os anos o PNPG definha a olhos vistos ao sabor de interesses e egos pessoais e políticos.

É óbvio para toda a agente que a prova de bicicletas deve passar no Gerês! Aliás, estranha-se é que somente agora venha por estes lados ao fim de quase 100 anos de prova. Terras de Bouro e a sua parte do Gerês há já muito tempo que merecem e devem ter a prova de bicicletas, mas como referiu Miguel Brandão Pimenta, "cada lugar tem a sua função e (...) nem todos os espaços são compatíveis com eventos desta natureza."

Apenas uma teimosia e um grande ego insistem em que a prova de bicicletas passe no coração, centro essencial, do nosso único Parque Nacional. A promoção do território de Terras de Bouro seria muito melhor conseguida com, passando as Pontes de Rio Caldo, uma subida através da estrada da Ermida, seguindo por Pala Freita em direcção à Pedra Bela, descendo depois ao Vidoeiro (com o tão desejado piso empedrado para relembrar o "Portugal de outros tempos" tão desejado para alguns) e atravessando a vila termal até à rotunda da Assureira que lhe daria acesso à Chã da Ermida, Zanganho e através da estrada panorâmica das Curvas de S. Bento / Lamas até Covide, Chamoim, Carvalheira e Paredes, chegando então ao Campo do Gerês e prosseguindo pela Barragem de Vilarinho das Furnas, tomando a vertiginosa estrada para Brufe e depois, através de uma das mais magníficas estradas sobre o Vale do Homem, seguindo então para Germil. As opções seriam várias, teria apenas de se deixar para trás "o quero, posso e mando!"

De novo parafraseando Miguel Brandão Pimenta, "Ninguém perderia por respeitar a Mata da Albergaria. Pelo contrário: ganharia a Federação Portuguesa de Ciclismo e a Volta a Portugal, demonstrando sensibilidade para com o património natural; ganhariam as populações locais, que veriam a prova passar mais perto das suas localidades; e ganharia o Parque Nacional, preservando o seu espaço mais sensível. Ganharia também o ICNF, se tivesse a coragem e a sensibilidade de explicar por que razão a Mata da Albergaria merece uma protecção tão rigorosa e porque existe, afinal, um Parque Nacional."

Só é possível apostar no turismo exatamente porque conseguimos preservar a natureza, as paisagens e o Parque Nacional [da Peneda Gerês]. Se isto deixar de ser sustentável, perdemos as galinhas dos ovos de ouro. A natureza e a sua preservação são o tesouro desta região. (...)" Declarações do Vereador António Cunha ao jornal O Minho, 21 de Novembro de 2023 (Turismo cresce cada vez mais em Terras de Bouro graças a uma “fórmula mágica”

A alma e o coração devem estar com os interesses de Terras de Bouro, mas também com os interesses superiores do país.

O "Abrigo do Vale do Teixo": os abrigos pastoris - e outros que tais - no Vale do Alto Homem

 


Em "Para um estudo da ocupação humana do Vale do Alto Homem" fiz um registo de uma série de abrigos toscos que encontrei ao percorrer as duas margens do Vale do Alto Homem.

Em tempos referi que "De todas as vezes que percorri aquele vale, a margem direita do Rio Homem sempre constituiu um mistério para mim. Nos nossos dias, o percurso que fazemos até às minas no topo da montanha percorre sempre a margem esquerda do rio até às alturas das Abrótegas. Em tempos assim não foi. Iniciando na Portela de Leonte, o caminho florestal descia até à Albergaria e depois de passar o chalet dos Serviços Florestais e o Rio do Forno, seguia pelo fundo do Peito de Escada, bordando a encosta até entrar no Vale do Alto Homem, aproximando-se do rio junto da cascata que nos nossos dias faz as delícias veraneantes de milhares de visitantes. Neste ponto o caminho dividia-se em dois percursos distintos, com um deles a atravessar o rio sobre uma frágil ponte de madeira para mais adiante se juntar ao caminho das legiões de César a passar a Portela do Homem. O outro caminho subia pelo vale e acedia aos currais e pastagens de altitude. Porém, a ocupação daquele território não se limitava somente à pastorícia. Nas alturas serranas fazia-se o carvão (Teixo, etc.) e plantava-se também centeio (Abrótegas, Couce, etc.), sendo também local de passagem (quando as neves desapareciam) entre as terras do Barroso e o Minho (para não falar nos «escondidos» carreiros do contrabando)."

A montanha supostamente selvagem como nos quiseram impôr com a negociata do Pan Parks, era um espaço que acabava "por fervilhar de vida". Para além das típicas actividades que por lá se praticavam, "em princípios do século XX uma nova actividade veio marcar o dia-à-dia de muitos homens, mulheres e crianças. De parca economia e com uma luta diária pela sobrevivência, a busca daquelas pedras negras e pesadas tornou-se num afazer diário para muitas famílias. Aqui e ali, o volfrâmio aflorava à superfície e esses locais tornavam-se pequenas explorações clandestinas de onde saía o sustento de alguns dias. Não faltam na Serra do Gerês os sinais dessas actividade que por vezes abrangia uma área de maiores dimensões (Lomba de Pau) ou uma área mais pequena (Cabeço da Cova da Porca ou Torrinheira), para lá das grandes explorações (Salto do Lobo, Lamalonga, Garganta das Negras, Cidadelhe, Borrageiro, Arrocela, etc.)."

Se o abrigo pastoril de falsa cúpula é o exemplo clássico do abrigo do montnhês geresiano, outros abrigos foram sendo criados à medida das necessidades imediatas. A carvoaria e o contrabando foram actividades que sustentaram aldeias e comunidades inteiras (sendo a galega Salgueiro um dos bons exemplos). Porém, com a extinção destas actividades, muitos das abrigos foram abandonados e esquecidos.

Não vou dizer que este é um património único que recorda a vida na Serra do Gerês (mas, de facto, até o é!) e que deveriam ser feitos esforços para o preservar, mas o seu registo seria uma dádiva única para a preservação da memória colectiva deste espaço (felizmente, há quem o faça ao longo de horas e horas calcorreando as serranias).

Aqui e ali, e ao fim de tantas vezes de se passar num lugar, um vislumbre de um pequeno muro leva-nos à (re)descoberta de um «novo» abrigo. Foi o que aconteceu na mais recente incursão às Minas dos Carris quando, no Vale do Teixo e não muito longe do alagado curral com o mesmo nome, surgiu mais uma destas estruturas. Tirando partido de um bloco granítico e composto com uma parede de pedra solta, assenta na margem direita do Rio Homem. Não creio que este deva ter sido um abrigo pastoril, devendo ter sido utilizado nos dias da carvoaria ou então, por alturas das primeiras explorações mineiras na área dos Carris. Decidi denominá-lo de "Abrigo do Vale do Teixo"; ficou registado em coordenadas e fotograficamente para memória futura... de quem se quiser recordar e dar mais valor a isto do que uma passagem de bicicleta.



Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 2 de agosto de 2026

"Volta a Portugal na Mata de Albergaria no Gerês. BE acusa Governo e ICNF de esconder pareceres"

 


Notícia do E24 pelo jornalista Filipe Oitavem para ler aqui.

"O Bloco de Esquerda (BE) voltou a exigir a divulgação imediata do parecer do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que terá sustentado a autorização da passagem da 7.ª etapa da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, incluindo a Mata de Albergaria."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

"'Lei é clara para áreas de proteção parcial de tipo I': Volta a Portugal não pode entrar no coração do Gerês"

 


Notícia da TSF pelo jornalista david Alvito para ler aqui.

O percurso da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta prevê uma passagem inédita pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, o que tem gerado preocupação e críticas por parte de associações ambientais, que contestam a passagem dos ciclistas, sobretudo pela Mata da Albergaria, no concelho de Terras de Bouro (Braga). A organização da prova já pediu um parecer ao Instituto da Conservação da Natureza (ICNF), mas ainda não existe qualquer decisão. No entanto, para Miguel Dantas da Gama, do Conselho Estratégico do Parque Natural da Peneda-Gerês, a "lei é clara" e o ICNF não dará luz verde à passagem pela zona protegida.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Um apelo da Associação Vezeira de Fafião

 


Quando já são as próprias associações locais a fazer apelos deste tipo, é porque já se cruzou o limite do tolerável...

A nossa serra não é um Parque de Diversões, é o nosso santuário e o respeito é o bilhete de entrada.

As lagoas da freguesia de Cabril são património natural inestimável. Por aqui recebemos de braços abertos e com genuina hospitalidade da montanha quem vem por bem. Sabemos valorizar quem nos visita com a verdadeira vontade de conhecer e partilhar. Esse turismo consistente é essencial, ajuda a dinamizar a nossa economia local, apoia quem cá vive o ano inteiro e é um aliado fundamental na preservação das nossas aldeias e tradições










Fotografia © Associação da Vezeira de Fafião (Todos os direitos reservados)

Dia Mundial do Vigilante da Natureza

 


"Só os vejo a andar de carro!"

Esta é uma frase que muito se escuta por essas áreas protegidas nacionais e, como não podia deixar de ser, também no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Neste Dia Mundial do Vigilante da Natureza muitos ignoram, ou deliberadamente pretendem ignorar, que - numa área protegida de cerca de 70.000 ha - apenas existam 12 Vigilantes da Natureza e que (pasma-se!) não estão somente ocupados na vigilância do PNPG, mas também de outras áreas inseridas na Rede Natura 2000 e outras.

Com o objectivo de preservarem o que de mais de valioso em termos de Natureza o nosso país possuí, esta continua a ser uma das profissões menos valorizados e que há anos luta por uma evolução da evolução na carreira.

"Os Vigilantes da Natureza asseguram, nas respectivas áreas de actuação, as funções de vigilância, fiscalização e monitorização relativas ao ambiente e recursos naturais, nomeadamente no âmbito do domínio hídrico, do património natural e da conservação da natureza."

                       (N.º 1 do Art. 2.º do Decreto-Lei n.º 470/99, de 6 de Novembro )

De forma geral, os Vigilantes da Natureza desempenham funções em todo o território nacional, dando especial atenção, os que pertencem ao ICNF, à RNAP- Rede Nacional de Áreas Protegidas (do Continente) constituída por 47 Áreas Protegidas, incluindo 32 de âmbito nacional (1 parque nacional, 13 parques naturais, 9 reservas naturais, 2 paisagens protegidas e 7 monumentos naturais), 14 de âmbito regional/ local (2 reservas naturais, 11 paisagens protegidas e 1 parque natural) e, ainda, uma área protegida privada.

De referir que a Rede Nacional de Áreas Protegidas ocupa uma área de 793.086,1 ha, contabilizando a área marinha (536,2 km2) e área terrestre, o que representa cerca de 8% da sua área total.

Note-se que a Rede Natura 2000 também faz parte do território ao qual se dá grande importância na área da fiscalização e monitorização, sendo composta por 107 Zonas Especiais de Conservação (ZEC) e 62 Zonas de Proteção Especial (ZPE) elegidas no âmbito da Diretiva Aves, distribuídas pelo Continente e Regiões Autónomas, abrangendo 22% da área total terrestre, acrescidos de cerca de 39 000 km2 de área marinha.

Os Vigilantes da Natureza fiscalizam, ainda, as Matas Nacionais, sob gestão directa do ICNF, que ocupam uma área de cerca de 55.000 ha.

No PNPG a média de idades dos Vigilantes da Natureza ronda neste momento os 50 anos de idade, sendo que, caso não se proceda urgentemente à resolução dos problemas que os afectam, dificilmente se conseguirá atrair novos elementos para reforçar este corpo, sendo ainda muito difícil conseguir manter nesta carreira os atuais Vigilantes por muito tempo.

Sendo um problema transversal aos Vigilantes da Natureza que actuam nas outras áreas protegidas, os elementos que actuam no PNPG necessitam de uma revisão urgente da sua Carreira Profissional. Note-se que o diploma que aprovou a carreira de Vigilante da Natureza, data do ano de 1999, e desde então a carreia nunca mais foi revista ou alterada, estando profundamente desactualizada quer a nível funcional, salarial e de progressão na carreira, havendo Vigilantes da Natureza a auferir mensalmente apenas o Salário Mínimo Nacional. De notar, que foi anunciado, pelo Governo no início do ano de 2023, que iria proceder à revisão da carreira, mas até ao momento nada foi feito.

A 3 de agosto 2014, o Banco de Portugal anunciou um resgate no valor de 4.900 milhões de euros do Banco Espírito Santo. Por essa altura, e mais tarde, o Governo Português injectaria milhões para salvar bancos corruptos e falidos, numa decisão de prioridades trocadas deixando a definhar as nossas áreas protegidas.

As áreas protegidas não abrem ás 9h00 e fecham às 19h00 e por diversas vezes os Vigilantes da Natureza necessitam de fazer trabalho extraordinário para assegurar cabalmente o cumprimento da sua missão. Tal trabalho não é remunerado em dinheiro, nem sequer é possível constituir-se um banco de horas para estes profissionais, sendo que estes são prejudicados quer a nível remuneratório, quer a nível de compatibilização da vida profissional com a vida pessoal.

Com meia-dúzia de Vigilantes da Natureza a operar no PNPG, é humanamente impossível realizar o trabalho como este deve ser feito, levando muitas vezes a situações que acabam por prejudicar o seu desempenho. A «recente» entrada de novos Vigilantes da Natureza não veio resolver o problema e assim é necessária e urgente a abertura do concurso de admissão de novos elementos. 

Não passaram muitos anos sobre os quais os funcionários do Parque Nacional da Peneda-Gerês apenas possuíam uma viatura de serviço e várias vezes tinham de pagar do seu próprio bolso a reparação da mesma. O cenário com que os Vigilantes da Natureza se deparam não mudou muito. Em vários locais, faltam meios de trabalho dos profissionais desta carreira, bem como instrumentos de trabalho tais como fitas métricas, binóculos, coletes refletores, rádios de comunicação, etc., sendo que muitas vezes os Vigilantes da Natureza acabam por utilizar meios pessoais para assim poderem realizar o seu trabalho de forma cabal e eficaz e assim poderem dar a melhor resposta às solicitações que lhe são dirigidas.

É urgente uma atualização salarial e do subsídio de risco dos Vigilantes da Natureza! No início do ano de 2023 existiram aumentos salariais para os funcionários públicos, em geral, sendo que tais aumentos chegaram aos 100 euros mensais em várias carreiras da administração pública, tais como aos assistentes técnicos, e a vários assistentes operacionais. Os Vigilantes da Natureza auferiram apenas um aumento de 50 euros mensais, assim como o subsídio de risco destes profissionais não foi aumentado ao nível da inflação como tem sido prática nos últimos anos, sendo que desta forma duplamente prejudicados em relação a outras carreiras da administração pública.

Recorde-se que, entre as funções dos Vigilantes da Natureza, estes asseguram, nas respetivas áreas de atuação, as funções de vigilância, fiscalização dos respectivos Planos de Ordenamento e monitorização relativas ao ambiente e recursos naturais, nomeadamente no âmbito do domínio hídrico, do património natural e da conservação da natureza.

Por outro lado, efectuam vistorias, quando necessárias ou requeridas, nos termos da lei, tais como as vistorias de prejuízos atribuídos ao lobo-ibérico, entre outras que sejam necessárias realizar, zelando pelo cumprimento da legislação relativa à conservação da natureza e dos regulamentos das áreas protegidas ou das respetivas áreas de atuação, colaborando com outras entidades, sempre que para tal forem solicitados.

Zelam também pelo cumprimento da legislação aplicável à caça, à pesca e aos incêndios florestais nas respetivas áreas de intervenção, bem como da legislação aplicável às ações de reflorestação das referidas áreas. Realizam ainda acções de sensibilização das populações no sentido de compatibilizar o desenvolvimento e o bem-estar das mesmas com a conservação da natureza e gestão dos recursos naturais.

No relacionamento com os visitantes das áreas protegidas, realizam acções de sensibilização tendo como objectivo orientá-los e prestar-lhes os esclarecimentos necessários à boa compreensão e interpretação do sentido da legislação e da necessidade de conservar o património natural.

Finalmente, os Vigilantes da natureza têm ainda como função verificar e informar sobre o estado de conservação das infraestruturas e equipamentos das áreas protegidas, ou de outras zonas onde realizam vigilância, visando a conservação e manutenção das mesmas e promovendo o necessário acompanhamento. Efectuam também a monitorização das espécies da fauna e da flora selvagem, bem como dos respetivos ‘habitats’ e do seu estado de conservação, assim como asseguram ainda o acompanhamento de estudos técnico-científicos que se realizam nas suas respetivas áreas de intervenção.

Assim, deixemo-nos dos eternos discursos em cerimónias oficiais e de votos de confiança e que realmente se façam esforços efectivos para a revisão da carreira profissional dos Vigilantes da Natureza!


quarta-feira, 29 de julho de 2026

"FAPAS volta a opor-se à Volta a Portugal no Gerês e apela ao Governo para travar percurso na Mata de Albergaria"

 


O título da notícia é enganador por parte do jornal O Amarense, mas pode ser lido aqui.

A FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade voltou, esta terça-feira, a manifestar a sua oposição à passagem da Volta a Portugal em Bicicleta de 2026 pela Mata de Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), apelando ao Governo para que inderifa o pedido e proponha um percurso alternativo.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Um elefante numa loja de vidro

 


O dia 28 de Julho assinalou o "Dia Nacional e Internacional da Conservação da Natureza".

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) assinalou esse dia com uma publicação nas redes sociais onde refere celebrar-se "o esforço nacional na promoção de um ciclo virtuoso para a Natureza e Biodiversidade."

Nos últimos anos, o ICNF tem sido o elefante numa loja de vidro. Ineficiente, incompetente e um travão à preservação da Natureza em Portugal, o ICNF presenteia-nos com palavras vazias de significado e nos antípodas daquilo que vemos por todo o país: descarados atentados ambientais, matança de animais e devastação de grandes superfícies com o objectivo de instalação de estações solares, mineração em territórios e reservas agriculas únicas no país, inoperacionalidade, falta de meios, etc.

Passado um ano sobre o criminoso incêndio florestal que devastou mais de 90% da Serra Amarela em parte da área do Parque Nacional da Peneda-Gerês e que revelou (de novo) a inoperância, falta de estratégia e incompetência no combate aos fogos florestais que todos os anos afligem Portugal - e após o triste espectáculo de uma visita ministrial que para nada serviu - encontramo-nos perante um novo atentado e um novo passo para a transformação da paisagem protegida numa feira de diversões.

Mais de quinze dias para dar um parecer sobre algo que obviamente já está decidido, não é aceitável e revela a estratégia previamente montada. As decisões estão tomadas há muitos, por azar falhou o timing!

As palavras do ICNF são vazias e silenciosas... nada valem.

Fotografia © ICNF (Todos os direitos reservados) via Facebook

terça-feira, 28 de julho de 2026

Minas dos Carris, 28 de Julho de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris no final da tarde do dia 28 de Julho de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

sexta-feira, 24 de julho de 2026

"Gerês.Card" uma ajuda para combater a sazonalidade

 


A sazonalidade não tem de ser uma inevitabilidade e o eterno fado num concelho que depende em grande parte do turimo e todas acções (ou quase) são bem-vindas para a combater.

Agora só falta começar a promover a sério Terras de Bouro como o destino de montanha «por excelência» em Portugal.

Sobre o programa "Gerês.Card – Fica que Compensa" que foi apresentado pelo Município de Terras de Bouro...

O Município de Terras de Bouro apresentou, no dia 22 de julho, o programa "Gerês.Card – Fica que Compensa", uma nova iniciativa destinada a valorizar a experiência dos visitantes e a reforçar a atratividade turística do concelho.

Através deste programa, os turistas alojados nos empreendimentos aderentes passam a beneficiar de um conjunto de vantagens e descontos em equipamentos e experiências turísticas do concelho, incentivando a descoberta do património natural, cultural e histórico de Terras de Bouro, bem como o prolongamento da permanência dos visitantes no território.

Numa fase inicial, a Gerês.Card contempla a entrada gratuita no Núcleo Museológico de Campo do Gerês, que integra o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, a "Porta" do Parque Nacional da Peneda-Gerês e o Museu da Geira, bem como um desconto de 50% nas viagens da Embarcação Rio Caldo. O programa manter-se-á em permanente crescimento, estando aberto à adesão de empresas locais que pretendam associar-se à iniciativa e disponibilizar vantagens aos seus clientes.

Com esta medida, o Município pretende dinamizar a economia local, estimular o consumo de produtos e serviços do concelho e fortalecer a articulação entre os diversos agentes turísticos, criando uma oferta mais integrada e competitiva.

A Gerês.Card insere-se no conjunto de medidas associadas à implementação da Taxa Municipal Turística, constituindo um instrumento que permite reinvestir diretamente no turismo, através da criação de benefícios para quem visita Terras de Bouro e do reforço da competitividade do destino. Esta iniciativa traduz o compromisso do Município em aplicar as receitas da taxa turística em projetos que acrescentem valor ao território, promovam a economia local e contribuam para um turismo cada vez mais qualificado, sustentável e gerador de riqueza para toda a comunidade.

Fotografia © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados) via Facebook

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXI) - A cabra no topo do monte

 


Para lá da tranquilidade das águas ondulantes da Represa das Minas dos Carris, Serra do Gerês, uma cabra-montesa vigia o horizonte por entre o silêncio arrebatador do lugar.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 19 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXX) - Vale do Alto Homem

 


Descendo o Vale do Alto Homem, Serra do Gerês, no final de uma tarde de Julho.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 18 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXIX) - Velhas ruínas

 


Os espaços que hoje estão mergulhados em silêncio, em tempos fervilharam de vida em busca do volfrâmio ou do berílio. Restaram as ruínas de pedras soltas, testemunhos silenciosos perdidos por entre os fraguedos graníticos dos pontos mais elevados da Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXVIII) - A caminho de Iteiro d'Ovos

 


A grande mariola assinala a direcção do Estreito a caminho de Iteiro d'Ovos, um dos colossos da Serra do Gerês. A Meda de Rocalva espreita no lado esquerda da fotografia.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

"Bloco quer conhecer parecer do ICNF e medidas de proteção ambiental para a etapa que atravessa a Mata de Albergaria"

 


Notícia do jornal Terras do Homem pelo jornalista Pedro Antunes Pereira, para ler aqui.

"A realização de um evento com a dimensão logística da Volta a Portugal que envolve centenas de veículos, equipas, organização, forças de segurança, comunicação social e um elevado número de espectadores levanta preocupações quanto aos impactes sobre os habitats naturais, as espécies protegidas, o património arqueológico e o risco acrescido associado ao período de elevado perigo de incêndio."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)