segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Gerês Ativo 2026 - Caminhada "Segredos da Albergaria"

 


A decorrer entre os dias 10 e 18 de Outubro de 2026, a primeira edição do Gerês Ativo, é um Festival de Desportos de Natureza que decorre no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao longo de oito dias, o evento convida caminhantes, atletas e amantes do ar livre a redescobrir a serra através de um programa denso e diversificado.

Promovido pelo Município de Terras de Bouro, o Gerês Ativo reúne 39 atividades distribuídas por 55 sessões, em parceria com 12 empresas locais de animação turística e desportos de natureza. As vagas são limitadas por sessão, uma opção que visa proteger o ambiente e garantir a qualidade da experiência de cada participante.


No dia 11 de Outubro irá decorrer a Caminhada "Segredos da Albergaria", promovida pela RB Hiking & Trekking.

Esta caminhada irá percorrer parte da Geira Romana, dando a conhecer alguns dos seus segredos, tendo passagem pelos antigos viveiros dos Serviços Florestais até à Ponte de Palheiros. Será feita uma interpretação dos aspectos paisagísticos, naturais e históricos dos locais a visitar.

A inscrição para esta caminhada pode ser feita aqui!

Um ano de registos meteorológicos nos Carris

 


O dia 5 de Outubro de 2026 assinala o primeiro aniversário da instalação da Estação Meteorológica Experimental dos Carris.

A Estação Meteorológica Experimental dos Carris pode ser seguida aqui.

Ao longo do último ano a Estação tem proporcionado registos meteorológicos únicos da Serra do Gerês, sendo uma das estações meteorológicas mais seguidas.

A fotografia mostra paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 5 de Outubro de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

domingo, 4 de outubro de 2026

Lago Marinho a 4 de Outubro de 2026

 


Esta fotografia do Lago Marinho, Serra do Gerês, foi feita a 4 de Outubro de 2026 e será um dos melhores exemplos de como o ano tem sido seco.

O Lago Marinho é uma memória da última época glaciar. Local único no Parque Nacional da Peneda-Gerês, segundo Carlos M. Ribeiro está "(...) situada no sector sudeste da Serra do Gerês, dentro da bacia de drenagem do ribeiro do Couce (afluente do rio Cabril), a Lagoa do Marinho é uma área endorreica - o escoamento das águas faz-se através de uma depressão interior, sem saída para o mar. 

Parte da sua área envolvente está ocupada por uma moreia terminal em forma de arco. Para os menos conhecedores da matéria, as moreias são um amontoado de sedimentos com diversas dimensões, que foram transportados e acumulados pelo glaciar à frente e aos lados da língua glaciar, até quando e onde este se fundiu. Quando observadas ao pormenor, permitem a reconstituição do movimento glaciar, e são um indicador fundamental dos limites de máxima extensão da glaciação. Significa isto que, o limite de um dos glaciares que ocupou a Serra do Gerês, foi a Lagoa do Marinho. 

Com uma orientação nne-ssw, esta é ocupada por uma turfeira com cerca de 100 metros de comprimento por 50 metros de largura. A título de curiosidade, as turfeiras são habitats naturais de elevado valor biológico que ocorrem em biótopos permanentemente encharcados. São consideradas um dos maiores reservatórios de carbono do planeta, e a acumulação do CO2 é vista como uma das alternativas para atenuar o aquecimento global - na sua maioria são atapetadas por musgos (género Sphagnum), onde coexistem também bolas de algodão (Eriophorum Angustifoliumas), Urzes (Calluna Vulgaris), Tojos (Ulex Minor) e plantas insectívoras como a Orvalhinha (Drosera Rotundifolia). 

Topograficamente, esta lagoa posiciona-se dentro de uma área de relevo aplanado sobre um substracto granítico a cerca de 1200 metros de altitude. (...)."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 3 de outubro de 2026

Trilhos Seculares - Velas Brancas e Rocalva

 


As Velas Brancas são daqueles locais no Parque Nacional da Peneda-Gerês que nos ficam gravados na memória desde a primeira vez que os vemos! A imensidão das escarpas que se debruçam sobre Fechinhas e a imponência do quadro montanhoso que se eleva desde as profundezas de um abismo, mostram que as montanhas geresianas têm sempre lugar por entre o imaginário de qualquer um de nós que percorra aquelas paisagens.

A caminhada começaria na Portela de Leonte levando-nos por velhos carreiros de montanha que sobem na direcção da Chã do Carvalho através da Costa do Murjal. Este é um caminho habitual para quem usualmente demanda aquela área geresiana e que vai sendo agraciado com a vista do Pé de Cabril que domina a paisagem até esta se expandir para os horizontes da Serra da Peneda e da Serra de Soajo, e mais para além para as lonjuras galegas. 

Por esta altura, as cores de Outono começam a «pintar» de tons de fogo a Mata de Albergaria numa metamorfose que a vai transformar por completo nas próximas semana, atingindo o seu auge nos dias (que se esperam já frios) de Novembro.





Subindo aos poucos, a Serra do Gerês mostra os píncaros do Pé de Salgueiro, por um lado, e do Pé de Medela e Carris de Maceira por outro, fazendo o olhar mergulhar no mar arbóreo da Mata de Albergaria, um tapete que se forma antes da rudeza das encostas da Serra Amarela.

Chegados ao Prado do Vidoal o nosso olhar prende-se no abismo da Corga dos Cântaros e nas paredes da Roca d'Arte encimada pelo Cabeço de Lavadouros e pelo Cabeço de Sineiros, enquanto a sombra do Outeiro Moço vai correndo o Vidoal ao longo das horas da manhã que passa.

O caminho leva-nos então ao Colo da Preza, varanda privilegiada sobre o Vale de Teixeira, candidato em tempos à construção de um sanatório devido à pureza dos seus ares. Tomando o carreiro à esquerda, este leva-nos a Chã da Fonte e daqui segue-se caminho para passar ao lado da Fonte da Borrageirinha, cruzando a Portela de Sineiros e depois as Lamas de Borrageiro, seguindo-se pela Chã do Caçador em direcção à Lomba de Pau. Após uma ligeira subida, a Serra do Gerês desnuda-se de complexos e exibe toda a sua beleza "pétrea penetrante". Somos chegados aos Portelos do Conho e esta paisagem faz-nos suspirar de deslumbramento todas as vezes que temos a oportunidade de a contemplar.





Os minutos de contemplação terminam começando a descer na direcção do Conho, antes deste, porém, tomamos um desvio à direita que nos levaria a passar sobre a Lameira de Mourisca. Esta passagem vai-nos oferecer uma impressionante paisagem e um singular enquadramento do Curral do Conho com as Albas, bem como uma notável perspectiva da Meda de Rocalva. São estas as pequenas singularidades que tornam estes caminhos esquecidos no tempo traçados únicos para quem conhecer a Serra do Gerês na sua profunda intimidade.

Chegados ao colo, seguimos através do traçado do Trilho da Vezeira de Fafião na Chã de Trás da Meda até atingir o colo sobre a Ribeira de Salgueirinho. Com os velhos caminhos a perderem-se na memória e no espaço físico, sobram as velhas mariolas que nos indicam a direcção para as Velas Brancas. Caminhando em direcção às vertentes do abismo que nos espera mais adiante, o colosso granítico do Iteiro d'Ovos marca a paisagem que fica para trás, tendo a Roca Negra e a Meda de Rocalva os seus perfis desenhados no horizonte não muito longínquo. Por aqui, os promontórios de Porta Roibas e o alto do Pinto começam a sobressair na paisagem que se forma diante de nós.

Em pouco tempo, somos chegados aos limites daquele conjunto que se denomina por 'Velas Brancas' ('Vela Branca', 'Bela Branca') e parece que chegamos à proa de um barco que navega por entre o mar de granito que torna a paisagem num oceano imenso. Lá ao fundo o Curral de Fechinhas surge como um oásis por entre o granito. Lavrada por um «recente» incêndio, a paisagem é toda ela uma imensa paleta de altos e ravinas que tentamos identificar... Muro, Iteiro d'Ovos, Meda de Rocalva, Roca Negra, Borrageiro, Albas, Cantarelo, Torrinheira, Cidadelhe, Carris e Nevosa, Borrageiros... A enormidade daquilo que se eleva perante nós é indescritível, bem como a profundeza dos abismos perante os quais nos recolhemos na nossa pequenez.





São nestes lugares feitos de tranquilidade, pensamentos e sentimentos imensos, que sentimos o pulsar da montanha que nos envolve como um manto de leveza. Aqui, somos abraçados por aquela sensação de algo conquistado, o regresso a uma paisagem que já não via há muito tempo, apesar de estar sempre ali, à espera do regresso.

E após minutos de contemplação inicia-se o regresso, passando pelo Curral de Soengas até termos em vista o Curral de Iteiro d'Ovos. Segundo José Cunha-Oliveira na publicação "Outeirinho, Outeiro" no seu blogue "Toponímia galego-portuguesa e brasileira", iteiro é uma variante dialectal de 'outeiro', 'oiteiro' e 'eiteiro'. Por outro lado, o blogue "Beijós XXI (2005-2009)" na sua publicação "Iteiro" refere que "Normalmente um cerro / morro que se destaca como acidente de terreno. Em várias regiões serviam como limites, términos, marcos da confluência de diferentes territórios, em particular nas civilizações pré-romanas. É esse o significado toponímico de Itero em Castela e Leão." Vejamos uma interpretação para Iteiro d'Ovos! Sem dúvida que se trata de uma elevação característica naquela zona serrana e a sua localização situação nos limites concelhios de Terras de Bouro e de Montalegre. Uma interpretação mais difícil será os 'Ovos'; penso que este nome poderá estar relacionado com a grande quantidade de pedras que compõem aquele morro ou então poderá estar relacionado com um antigo local de nidificação de aves de rapina. Nenhuma destas tentativas para explicar o nome 'Ovos' tem base científica e é apenas a minha especulação.

Neste ponto tomamos um velho carreiro que nos levaria à Meda de Rocalva e depois para o Curral de Rocalva, seguindo então o caminho para as alturas do Borrageiro. A parte final do percurso leva-nos a passar junto do Arco do Borrageiro e da Fonte da Borrageirinha, seguindo daqui na direcção do Colo da Preza, descendo então para o Vidoal e Portela de Leonte.

Esta foi uma caminhada organizada por RB Hiking & Trekking que nos levou desde a Portela de Leonte até ao alto das Velas Brancas num percurso de 18 km num dia ventoso na Serra do Gerês.

Ficam algumas fotografias do dia...

















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLX) - Projecção de Sol

 


Com as nuvens de tempestade a cobrir o céu sobre a Serra do Gerês, uma parte da serra ilumina-se com uma projecção de Sol.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLX) - O azevinho e o Pé de Cabril

 


Neste príncipío de Outono de 2026, na Serra do Gerês os azevinhos mostram a sua particular beleza na Costa do Murjal e aqui enquadrado com o "farol da serra", o Pé de Cabril.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLIX) - A Chã do Muro e o Fojo de Vilarinho

 


Paisagem dos primeiros dias de Outono de 2026 na Serra Amarela onde o Fojo do Lobo de Vilarinho da Furna serve de pano de fundo à vezeira que descansa na Chã do Muro.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Desfolhada Tradicional - Caminhada por Outeiro

 


No dia 17 de Outubro de 2026, terá lugar uma Desfolhada Tradicional e Caminhada por Outeiro.

O evento é promovido pela Associação Mountain Raiders.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLVIII) - Descendo a Serra Amarela


 

Descendo a vertente Sul da Serra Amarela em direcção ao Ramisquedo, tendo como paisagem a Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Postais do PNPG (CCLXXIII) - "Gerez - Capella e fim da Avenida"

 


Não será a primeira vez que publico este postal nesta série, mas não deixa de ser interessante o cenário que mostra.

O primeiro pormenor de interesse é a orientação da capela que nesta altura se encontrava com a sua entrada orientada a Sul e a Colunata e a Praceta Honório de Lima ainda não existiam.

De salientar que a Capela de Sta. Eufémia é um dos elementos arquitectónicos mais antigos, existente nas Caldas do Gerês. Local de culto, foi erigida no reinado de D. João V (1689-1750). Sofreu a primeira ampliação e restauro em 1934, graças à generosidade do grande benemérito geresiano, Eduardo Honório de Lima. Do templo primitivo, apenas se conservou a capela-mor, ficando com a configuração actual, no sentido nascente-poente, mantendo-se o escudo monárquico na sua fachada principal e sobre a porta principal, embora já pouco perceptível, encontra-se a inscrição latina "Introibo in domum tuam, adorabo ad templum Sanctum tuum" ("Entrarei em tua casa, adorar-te-ei no teu templo Santo").

O postal, com a data de 1 de Fevereiro de 1912, foi remetido no dia seguinte para Lisboa, sendo uma edição da Photografia Nacional - Braga e Gerez.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Minas dos Carris, 28 de Setembro de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 28 de Setembro de 2026, onde o Pico da Nevosa parece surgir de um mar de nuvens que encobre a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

domingo, 27 de setembro de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLVII) - O Muro, a mariola e o fojo

 


A grande mariola surge em primeiro plano nesta fotografia feita na subida para a Chã do Salgueiral, Serra Amarela, tendo como pano de fundo o alto do Muro e parte do Fojo de Vilarinho da Furna.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 26 de setembro de 2026

"Ao Alto da Serra Amarela"

 


Caminhada por uma montanha que ainda lambe as feridas do grande incêndio do Verão de 2025 e onde o deixa arder levou a que quase 90% da sua área fosse queimada. Os relatórios apontam a mã gestão do incêndio, resultando em perdas para a economia local e em profundas perdas para a vida selvagem. Serviu depois para uma exebição do governo com uma mão cheia de nada, dois frascos de mel e muitas fotografias.

A montanha recupera aos poucos, mas por onde caminhamos não se viu qualquer intervenção que venha no futuro a ajudar a uma recuperação como se desejaria. Em muitos (demasiados) pontos, a erosão destrói carreiros e desnuda o granito e o xisto, e a vegetação vai tomar conta das passagens e dos carreiros. O gado continua a pastar na serra, mas os pontos de água são quase inexistentes; a Serra Amarela é inclemente no Verão!

"Ao Alto da Serra Amarela"

Esta caminhada leva-nos ao ponto mais alto da Serra Amarela - o alto da Louriça - passando pelo Muro. É um acumulado de cerca de 930 metros em cerca de 8 km, com zonas onde a exigência física nos põe à prova 

A costa onde se inicia a verdadeira trepada até às alturas da Serra Amarela, testa a nossa capacidade cardíaca logo nos primeiros 2 km do percurso. O Peito de Gemesura não é para desafiar se duvidamos da montanha, pois ela irá, mais cedo ou mais tarde, cobrar o desafio e de certeza que não somos nós que vamos ganhar!





Subindo em zigue-zague ou por vezes num demoníaco festo, o caminho vai-nos fazer ganhar altitude à medida que a paisagem se afunda atrás de nós e os horizontes se alargam para as serranias geresianas. Por outro lado, as vertentes alcantiladas das profundas corgas levam-nos para um cenário de grandes montanhas. À medida que vamos subindo, a Corga de Gemesura encrespar-se, a serra ganha corpo e a albufeira torna-se num grande lago que desejamos mergulhar a cada pingo de suor!

A primeira grande subida vai terminar no Coto da Aguieira que nos permite um cenário em contra-luz para a Serra do Gerês. À nossa esquerda, elevam-se os altos da Amarela e afundam-se medonhas corgas que abrigavam Vilarinho da Furna, lá no fundo! Aqui, o caminho vai-nos dar tréguas e desce para a Chã de Baixo (Chão de Baixo), antes de iniciar a subida pela Lomba do Alto para Chã de Cima (Chão de Cima) e empinar-se de novo para a Chã de Mimpereira (Chão de Mimpereira).

Em Chã de Mimpereira encontramos as enigmáticas Casarotas, velhas construções que algumas teorias apontam como sento antigos postos de vigia da quase invisível (daquele ponto) Geira Romana ou os restos de uma velha branda, memória de transumâncias de outros tempos. Creio, no entanto, tratar-se dos abrigos utilizados pelas gentes de Vilarinho da Furna e das aldeias vizinhas por alturas das batidas ao lobo.





Até Chã de Mimpereira segue-se o traçado da GR34 "Trilho da Serra Amarela" que aqui se deixa para seguir na direcção do Fojo do Lobo de Vilarinho da Furna, testemunho da eterna luta entre Homem e Lobo, e depois prosseguir para a Chã do Muro, ladeando o Alto do Velho Tojo.

Esta parte do percurso é fácil e, mesmo não havendo marcações de GR ou PR, torna-se instintiva a prossecução do caminho assinalado com mariolas. De referir que até este ponto na caminhada são escassos ou mesmo inexistentes os pontos de água e que a nascente existente na área do fojo do lobo pode estar imprópria para consumo.

Nesta zona, e antes de chegarmos à Chã do Muro, caminhamos num percurso cénico onde a profundidade do vale e as arestas graníticas se convertem em portas do inferno. As dantescas fragas são a melhor representação da forma de como a serra moldou as gentes que em tempos ali habitaram. Porém, no seu "Vilarinho da Furna - Uma Aldeia Comunitária", Jorge Dias (Porto, 1948) referia que "Como a maioria dos habitantes de serras acidentadas e sombrias, por o céu estar grande paete do ano encoberto, o furnense é pouco expansivo, reservado, e, perante estranhos, mesmo desconfiado. Porém, uma vez familiarizado com as pessoas, mostra-se franco e prestável, podendo-se mesmo contar com a sua amizade, se lha soubermos conquistar. (...) Embora quase destituídos dum raciocínio que vise fins práticos, porque a tradição os manieta, e, por outro lado, presos a concepções míticas, nem por isso deixa de ser notável a sua capacidade de raciocínio em problemas que se relacionam com os fin ssuperiores do homem." Quando se refere que o furnense foi moldado à imagem da montanha que o rodeava, esta passagem entre o Fojo de Vilarilho da Furna e a Chã do Muro, é bem representativa disso mesmo.




Na Chã do Muro volta-se a encontrar as marcações da GR34 que subindo para o Coto do Muro vai passar pelo topo da Encosta dos Colados de Araújo (junto dos restos do velho marco geodésico), acima do Colado de Araújo e até ao Alto da Casa da Feira (O "Alto da Casa da Feira": um topónimo alterado?) e Louriça, o ponto mais elevado da Serra Amarela. Plantado com várias antenas de comunicações e com vários edifícios de apoio, a sombra que estes proporcionam é já muito agradável ao Sol que aquece a paisagem. No entanto, aqui os dias na montanha podem ser cruéis nos escuros dias de Inverno!

Neste ponto, e olhando a Norte, apruma-se a imensa Serra de Soajo até perder de vista e notam-se os recortes graníticos da Serra da Peneda.

Deixando a Louriça, prossegue-se a caminhada até ao Curral de Ramisquedo, passando nas vertentes voltadas ao Vale do Rio Cabril e às fragas e granitos galegos já do outro lado da fronteira. O percurso vai prosseguir pela Chã da Fonte e daqui dirige-se pela Encosta de Ramisquedo, baixando para a Chã de Ramisquedo onde se encontra o Curral de Ramisquedo... Esta parte do percurso, limpa há uns anos, está a voltar a ser coberta pela vegetação que torna difícil parte da progressão. Nos dias de chuva e nevoeiro, toda a atenção é pouca para evitar uma perda de percurso, um tropeção ou uma escorregadela.

Com o traçado do caminho nivelado, a GR34 prossegue para o Fragão (ponto de água) e depois para a Chã de Porto Covo, seguindo entre a Nascente dos Penedos do Carvalhal Branco (Corga do Estrêlo) e a Chã de Toutas, e flectindo no topo das Colmeias do Galante, vai prosseguir pelo Peito do Chão da Fonte e baixar para as Pardelhas e Porto do Carvalhal, aqui já «nas traseiras» de Vilarinho da Furna e nas profundidades do início da Corguinha Má.

O caminho segue então na direcção nos campos e eiras abandonadas de Vilarinho da Furna ladeadas por velhos muros cobertos de musgo e junto da aldeia afundada tomamos o estradão florestal que nos leva de volta ao nosso ponto de partida.

Esta caminhada foi organizada pela RB Hiking & Trekking.

Ficam algumas fotografias do dia...



























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)