A ocupação do território que hoje constitui o Parque Nacional da Peneda-Gerês, é milenar e a atestar isso está a intensa presença dos vestígios neolíticos nos planaltos de Castro Laboreiro e Mourela, bem como as figuras rupestres do Penedo do Encanto, do Absedo e de outros lugares.
Ao longo dos milénios, e com o estabelecimento de povoados e a diversificação das suas actividades, os povos serranos foram tendo a necessidade de procurar refúgio para os dias quentes ou as noites gélidas. Se os currais de altitude são o melhor exemplo da reminescência desta ocupação - alguns sendo locais de possíveis assentamentos há muito desaparecidos - pelas encostas das montanhas surgem outros abrigos, mais ou menos elaborados, que permitiam o resguardo quando a noite chegava e a povoação ainda estava longe.
O mais simples destes abrigos - as palas - tiram partido do posição natural de rochas que serviam assim de protecção para as noites. Vemos muitos destes abrigos associados à pastorícia, mas outros certamente estariam associados à carvoaria, ao contrabando ou - numa fase mais recente - à mineração.
No caso em questão, este grande bloco granítico ainda guarda os sinais da sua ocupação, havendo simples muros de pedra solta que complementariam o seu resguardo. Situado numa das encostas do Vale de Maceira, Serra do Gerês (Campo do Gerês - Terras de Bouro), ao longo de um carreiro já quase inexistente, não será fácil determinar a sua utilização, sendo talvez utilizado durante a longa vigília dos gados na serra.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)





















































