terça-feira, 16 de junho de 2026

Interrupção do trânsito entre Ermida e Fafião

 


O Município de Terras de Bouro informou que a circulação de trânsito entre Ermida (Terras de Bouro) e Fafião (Montalegre) será interrompida entre os dias 17 e 26 de Junho de 2026, no horário das 08h00 às 18h00, devido às obras a decorrer no âmbito da empreitada “Ordenamento da Visitação nas Cascatas de Barjas”.

domingo, 14 de junho de 2026

Contratação para a cobrança das taxas de acesso à Mata de Albergaria

 


A ADERE Peneda-Gerês vai contratar sete pessoas para trabalhar nos postos de cobrança das taxas de acesso à Mata de Albergaria, no Concelho de Terras de Bouro.

No ano de 2026, e devido aos trabalhos de pavimentação da Estrada da Geira, apenas estarão a funcionar os postos localizados na Portela de Leonte e na Portela do Homem.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Postais do PNPG (CCLXVI) - "GEREZ - Rio e paysagem ao norte da localidade"

 


A colecção já vai longa e na verdade, não sei se já terei publicado este postal... espero que não!

Este postal foi editado pela Union Postale Universelle e deverá datar do princípio do século XX. Mostra a paisagem a Norte das Caldas do Gerês, irreconhecível nos nossos dias a não ser pelo horizonte das serras que fecham o vale na Portela de Leonte.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Trilhos lá fora - Picos de Europa (Torre de Horcados Rojos)

 


Esta foi a primeira de quatro caminhadas no Parque Nacional dos Picos de Europa entre 11 e 14 de Junho, num evento organizado pela RB Hiking & Trekking.

O objectivo foi atingir o cume da Torre de Horcados Rojos, caminhando pelas quase estéreis paisagens de rocha calcárea do maciço central dos Picos de Europa.

Após a subida por teleférico numa «rápida» viagem de 4 minutos entre Fuente Dé e El Cable, iniciamos a caminhada após uma breve conversa sobre o que iríamos fazer, o que irímos visitar e sobre o que cada um estaria disposto a atingir. Na RB Hiking & Trekking não se obriga ninguém a trepar cumes; preferimos que cada um desfrute a montanha à sua maneira, conhendo e tendo a certeza dos seus limites e dos riscos que cada um está disposto a correr.





O ar fresco da manhã acompanhou-nos nos primeiros quilómetros e especialmente quando mergulhavamos na sombra que projectava daquela paisagem «quasi» dolomítica. A parte inicial leva-nos pelas memórias das paisagens mineiras dos Picos de Europa e das quais sobram ruínas, estradões e memórias.

Em 1853, a Real Companhia Asturiana de Mineração iniciou a prospecção nos Picos da Europa, descobrindo importantes jazidas de zinco e chumbo no ano seguinte. Dois anos depois, em 1856, iniciaram-se as operações de mineração em Áliva e arredores. Quase simultaneamente, a empresa "La Providencia" iniciou também as suas actividades mineiras. Assim que as descobertas se tornaram públicas, os registos mineiros proliferaram por toda a região.

De todas as minas, Las Manforas, em Áliva, era a mais importante. A sua operação intermitente continuou até 1989, quando foi finalmente encerrada. Havia também minas nas proximidades, em Canal del Vidrio, Duje, La Marta Navarra, Puertos de Áliva e Horcadina de Covarrobres. Para além de Áliva, foram exploradas minas em Lloroza (Las Gramas e Altáiz), Fuente Dé e Liordes.





A localização das minas, em terreno montanhoso a uma altitude superior a 1.500 metros, causou problemas a três níveis no período que antecedeu a Guerra Civil, nomeadamente, os invernos rigorosos impediam o trabalho durante todo o ano e as campanhas mineiras duravam de Maio ou Junho até Novembro; a distância das localidades mais próximas — Espinama e Sotres — criava dificuldades logísticas nas quais os trabalhadores não podiam viajar diariamente para casa e regressar, e por outro lado, o abastecimento era também mais complicado; a dificuldade de transporte do minério, pois a necessidade de o transportar de locais tão remotos até Unquera, a cerca de 70 km de distância, onde era carregado em navios, aumentava significativamente o custo do produto.

Para mitigar estes problemas, as empresas mineiras construíram edifícios para albergar os seus funcionários em Áliva, Lloroza e Liordes. Além disso, foi construída uma extensa rede de estradas por onde os carros de bois transportavam o minério. O livro "Liébana e os Picos da Europa", publicado em 1913 por "La Voz de Liébana", descreve o seguinte: "Em Áliva, a empresa mineira La Providencia explora diversos depósitos de esfalerite e, para satisfazer as necessidades das minas, construiu estradas, auto-estradas, dois edifícios, um para os engenheiros e outro (a 1.518 m) para cozinha, refeitório e estábulos, bem como alguns barracões ou cabanas onde os trabalhadores dormem. Ao pé do Canal del Vidrio, existe uma fábrica de lavagem de minério e um edifício pertencente à empresa Echevarría." A Real Companhia Mineira Asturiana explorava então as minas de Lloroza, estando o seu edifício principal situado a uma altitude de 1.865 metros. A mina de Altáiz era também administrada pela Real Companhia Mineira Asturiana.

As instalações de lavagem, como as referidas em Canal del Vidrio ou Liordes, eram utilizadas para processar minério de qualidade inferior antes do seu transporte para Espinama. Este minério era britado em moinhos, lavado e concentrado em peneiras de palanquim ou silos de estilo alemão para facilitar o transporte. O minério de alta qualidade, por outro lado, era levado de carroça diretamente para Espinama, de onde seguia viagem até Unquera.

As minas de Lloroza (Las Gramas e Altáiz), com baixo teor de galena ou esfalerite, deixaram de ser exploradas no início da década de 1920. As minas de Liordes, por sua vez, com muitas operações intermitentes, foram sujeitas a alguma exploração residual até à década de 1950, período em que a exploração das minas de Fuente Dé também cessou, apesar da descoberta, alguns anos antes (por volta de 1952), de um novo jazigo que foi explorado pela Real Companhia Asturiana.

Um olhar atento ainda consegue discernir os restos mineiros e as velhas estradas facilitam o acesso aos cumes. Esta paisagem continua depois da chamada "Vueltona" onde se inicia a subia para perto do refúgio Cabaña Verónica. Em passo cadenciado, fomos ultrapassando as marcas no altímetro e em breve encontravamos os restos do Inverno nos «neveros» qua ainda resistem aos dias de calor.

Chegados à Collada de los Horcados Rojos, todo o grupo decidiu «atacar o cume». Para muitos constituiu um verdadeiro desafio (só ultrapassado pela descida!), mas aos poucos ia-se vencendo o declive. O percurso, de muito calcorreado, apresenta uma rocha muito descomposta e que por vezes parece fugir por debaixo dos pés. Por outro lado, os palermas apressados e que não podem perder segundos em filas na subida ou descida, acabam por ir criando outros trajectos e fazendo com que os velhos caminhos desapareçam sobre as rochas que se deslocam. Vimos gente que, sem conhecer o caminho, se enfiavam em chaminés com arestas cortantes a caminho do cume ou se colocavam demasiado próximas de um abismo fatal.

Terminada a subida, faltava um pequeno troço para chegar ao ponto mais elevado. Alguns decidiram não fazer estes últimos metros. Não importa, o desafio pessoal estava vencido e não são aqueles últimos metros até à caixa do cume que os torna mais ou menos valiosos do que os outros. Todos venceram.

A paisagem era magnífica com o Cantábrico a compor o cenário que picos, vales, arestas e cumes pontiagudos que tão caracterizam a paisagem.

Era chegada a hora de descer! O percurso até à segurança do colado fez-se de forma tranquila, em segurança total e sem problemas; a paragem na Cabaña verónica era já merecida, bem como o descanso de um dia que já estava quente.

Após o descanso iniciava-se a parte final da jornada que nos levaria (em sentido contrário) até à Horcadina de Covarrobres, iniciando-se a descida para os Puerts de Áliva através do Collado de Juan Toribio. A parte final do percurso foi feita desde o (fechado para obras) Hotel Refúgio de Áliva através do estradão, descendo para Espinama a partir da Portilla del Boquejon.

Ficam algumas imagens do dia...











Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXCVII) - Minas dos Carris

 


A chegada às Minas dos Carris nos dias de nevoeiro, oferece-nos um cenário que nos abre as portas para o passado mineiro na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Caminhada interpretada às Minas dos Carris

 


No dia 5 de Julho, a RB Hiking & Trekking vai promover uma caminhada interpretada às Minas dos Carris ao longo do Vale do Alto Homem.

Mais informações e inscrições aqui!

As vagas são limitadas!

terça-feira, 9 de junho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXCVI) - Porto da Laje

 


A paisagem do Porto da Laje, Serra do Gerês, foi alterada com a construção do aproveitamento hídrico que acabaria por destruir o curral do mesmo nome existente na zona. Esta é hoje a zona de passagem para o Curral cda Touça e Vale do Laço, bem como para o Curral de Fechinhas e Corga de Salgueirinho.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 7 de junho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXCV) - Uma pala no Vale de Maceira

 


A ocupação do território que hoje constitui o Parque Nacional da Peneda-Gerês, é milenar e a atestar isso está a intensa presença dos vestígios neolíticos nos planaltos de Castro Laboreiro e Mourela, bem como as figuras rupestres do Penedo do Encanto, do Absedo e de outros lugares.

Ao longo dos milénios, e com o estabelecimento de povoados e a diversificação das suas actividades, os povos serranos foram tendo a necessidade de procurar refúgio para os dias quentes ou as noites gélidas. Se os currais de altitude são o melhor exemplo da reminescência desta ocupação - alguns sendo locais de possíveis assentamentos há muito desaparecidos - pelas encostas das montanhas surgem outros abrigos, mais ou menos elaborados, que permitiam o resguardo quando a noite chegava e a povoação ainda estava longe.

O mais simples destes abrigos - as palas - tiram partido do posição natural de rochas que serviam assim de protecção para as noites. Vemos muitos destes abrigos associados à pastorícia, mas outros certamente estariam associados à carvoaria, ao contrabando ou - numa fase mais recente - à mineração.

No caso em questão, este grande bloco granítico ainda guarda os sinais da sua ocupação, havendo simples muros de pedra solta que complementariam o seu resguardo. Situado numa das encostas do Vale de Maceira, Serra do Gerês (Campo do Gerês - Terras de Bouro), ao longo de um carreiro já quase inexistente, não será fácil determinar a sua utilização, sendo talvez utilizado durante a longa vigília dos gados na serra.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 6 de junho de 2026

Apresentação da 3.ª edição da revista "No Coração da Natureza"

 


Foi com muito prazer que escrevi mais uma crónica para a revista "No Coração da Natureza" cuja 3.ª edição foi apresentada no dia 6 de Junho de 2026, numa cerimónia que teve lugar no Auditório Municipal de Terras de Bouro.

A revista “No Coração da Natureza” é uma publicação promovida pelo Município de Terras de Bouro que pretende dar a conhecer, de forma aprofundada, as múltiplas dimensões do território, das suas paisagens e das suas gentes.

A revista está disponível em "versão impressa e digital interativa, com conteúdos multimédia que permitem ver, ler, ouvir e sentir Terras de Bouro."


Segundo o Município de Terras de Bouro, este número é dedicado "ao tema do turismo ativo, de saúde e bem-estar, esta nova edição reúne cerca de duas dezenas de artigos distribuídos por várias áreas temáticas, entre as quais os locais, a ruralidade, o termalismo, o turismo ativo, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, entrevistas e crónicas."

Na intervenção por parte do vereador, António Cunha, este salientou que “este território não precisa de se reinventar para responder às novas tendências do turismo, porque é precisamente aquilo que o mundo procura cada vez mais: autenticidade, natureza, tranquilidade e bem-estar”.

A sessão foi aberta pelo Presidente da Câmara Municipal, Manuel Tibo, que destacou "a forte aposta que o Município tem vindo a desenvolver no setor turístico, apresentando os principais projetos e investimentos em curso, considerados fundamentais para reforçar a atratividade e a competitividade do concelho."

Após as palavras introdutórias de Manuel Tibo, foi a vez de Cancela Moura, Vice-Presidente da Comissão Executiva do Turismo do Porto e Norte, que "enalteceu as enormes potencialidades da região no segmento do turismo ativo, de saúde e bem-estar, uma área em franca expansão, destacando igualmente o trabalho desenvolvido por Manuel Tibo junto da entidade regional de turismo na captação de apoios para projetos estruturantes em desenvolvimento no concelho."

A apresentação contou ainda com uma interveção de Luís Borges que falou sobre o seu "vasto portefólio fotográfico no Parque Nacional da Peneda-Gerês, associado à toponímia dos locais retratados e à obra do entrevistado desta edição, o professor Fernando Cosme, autor do livro “A Região do Gerês e a Estrada da Geira”, ilustrado com fotografias do próprio (...)".

Para esta edição escrevi uma crónica que destaca mais uma caminhada no "Gerês profundo". Com o título "Uma jornada aos Prados da Messe", leva-nos desde a Portela de Leonte através da velha estrada da Albergaria ao longo da Natureza e História de alguns lugares. A caminhada envereda depois pela Costa de Sabrosa, revelando as profundezas do Vale do Rio do Forno e as alturas do Pé de Medela, Carris de Maceira e Albas, antes de seguir para os Prados da Messe e passando depois pelo Conho, Lomba de Pau e Vidoal.

A versão on-line da revista pode ser acedida aqui.




Fotografia da capa: Município de Terras de Bouro

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXCIV) - Os dias do lírio

 


Raínha entre as flores do Parque Nacional da Peneda-Gerês, o pesado orvalho da noite traz uma textura especial à beleza do Iris boissieri, o Lírio-do-Gerês, que por este dias vai povoando de forma tímida as suas encostas.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

400... Minas dos Carris

 


E pronto! São 400 caminhadas a este local que tanto me fascinou e fascina desde que pela primeira vez lá fui em Setembro de 1989.

O dia que assinalo 400 caminhadas surgiu muito parecido com esse dia em 1989, um dia de nevoeiro e muito húmido, com as ruínas do complexo mineiro a surgirem por entre as nuvens baixas como algo misterioso. O ambiente de mistério, com algum misticismo, sempre envolve aquelas paragens, tal como o fez neste dia 4 de Junho.





No entanto, o cenário é um pouco diferente. Passados 37 anos, as ruínas estão cada vez mais ruínas fruto do completo abandono, vandalismo e devido ao efeito dos elementos. Aos poucos, a memória visual dissipa-se, quase tão rápido como a memória dos homens e mulheres que lá viveram e trabalharam.

Quando completei 300 caminhadas, escrevi o seguinte: "aquando da minha 100.ª visita àquele lugar perguntaram-me o porquê de tantas vezes lá ir? Na verdade, e para quem estudou e escreveu sobre as Minas dos Carris, não é lá que se encontram os dados históricos que nos anos 40, 50 e 70, marcaram diferentes fases da ocupação do território na Serra do Gerês. Mas a maioria dos que fazem a visita àquele local, principalmente a «longa» caminhada pelo único e peculiar Vale do Alto Homem, vêm-se imbuídos de uma sensação que é algo difícil de explicar; na verdade talvez a já batida frase "porque está lá" (não) seja o suficiente para explicar 300 visitas às Minas dos Carris." Bom, continua a não ser suficiente para explicar outras 100 visitas!

Na verdade, a cada caminhada celebra-se a montanha e os momentos das horas passadas a calcorrear as serras e as montanhas de Portugal. Ao Parque Nacional em geral, e à Serra do Gerês em particular, dedico a maior parte das horas e dos dias passados em montanha. Como não há muito tempo disse, "Há quem coleccione montanhas, mas eu tenho uma montanha para coleccionar!"






Esta foi uma caminhada para mim e para quem me tem acompanhado nos últimos anos em múltiplas aventuras pelas serranias do Parque Nacional e noutros percursos por outros lugares. A ela em particular o meu agradecimento pelas longas horas de profunda amizade e cumplicidade.

Assim, celebra-se a montanha e o Parque Nacional. 

De novo, "venha-se o futuro!"

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Caminhada 100 - 26 de Janeiro de 2007

Caminhada 200 - 27 de Julho de 2013

Caminhada 300 - 28 de Novembro de 2020

Caminhada 400 - 4 de Junho de 2026








































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)