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quarta-feira, 15 de abril de 2026

(Uma incursão n)"A Serra do Gerez"

 


A 11 de Março de 1886, a revista O Occidente publicava um artrigo da autoria de J. Henriques que faz uma maravilhosa decrição da Serra do Gerês.

O autor percorreu as paisagens naturais de um mundo que há 140 anos nos brindava como sendo uma das zonas mais selvagens de Portugal. Ao ler o texto, nota-se que a escolha das palavras pelo autor não se limitou à sua satisfação de percorrer matas luxuriantes e picos graníticos agrestes; o texto transporta-nos para algo de verdadeiramente único no nosso país tanto naquela data, como nos nossos dias.

Se bem que passados 140 anos a realidade deste espaço natural seja diferente, o texto de J. Henriques ajuda-nos a perceber um pouco da História deste território para o qual se deveria olhar com mais atenção e cuidado. A sua preservação é imperiosa para que as expressões de exclamação nos encham de orgulho por termos algo comparável com o que existe noutros países. Valorizar este território é uma obrigação de todos!

(No texto a seguir, decidi manter a ortografia original)

A Serra do Gerez

Por J. Henriques

Não conheço em Portugal serra mais pittoresca do que esta e por isso bem digna de ser visitada.

Vao lá, porém, só aquelles a quem um mau fígado ou um estomago alterado incommoda, e esses não sobem á serra; não procuram as frondosas florestas, a agua limpida e fria, que cahe em cascatas de rochedo em rochedo, ou o ar puro da montanha. Contentam-se com as aguas mineraes, com os passeios nas Caldas. Vêem a serra de longe. Aos altos vão os caçadores, procurar cabras e gamos.

Não vão lá os artistas, pois ahí teriam mina inexgotavel.

É sabido que a serra do Gerez fiva não longe da capital do Minho e que faz parte do grande grupo de montanhas que limitam Portugal e Hespanha pelo norte. É menos alta que a serra da Estrela, pois que o morro do Borrageiro - que é o ponto culminante da serra - fica apenas a 1:1442 metros d'altitude. Dois rios a limitam, d'um lado o Cavado, d'outro o Homem, e ambos, depois de banharem as ferteis terras de Bouro e outras, vão reunir-se perto de Braga, junto á ponte do Bico.

Hoje uma boa estrada partindo de Braga e seguindo as margens do Cavado, bella como quasi todas as estradas do Minho, permite que o viajante vá commodamente até ás Caldas. A accidentação do terreno, a vegetação das terras cultivadas, Bouro com o seu velho convento, tudo interessa. Se o passeio é dado ao domingo, a cada passo a paisagem é animada por grupos de camponezes com os seus vestidos caracteristicos.

Poder fazer-se a viagem pela bacia do Homem. É porém mau o caminho e monotona a paisagem.

De Braga é facil ir também até ao Penedo. D'aqui, porém, ao Gerez a jornada não é comoda.

Sigamos a estrada do Bouro. Admiremos de passagem a paisagem da ponte do Porto, o mosteiro de Bouro com as estatuas d'alguns reis portuguezes. Não será fóra de proposito comprar algumas laranjas, que já foram elogiadas pelo professor Link.

Desde que se sae de Bouro a estrada sobe consideravelmente. O rio Cavado, a grande profundidade, mostra-se raras vezes. Para elle desce mais tarde a estrada e n'uma volta, quasi de repente, se depara com a serra do Gerez, cujo perfil se observa admiravelmente.

Em pouco tempo o carro passa junto da ponte do Cavado, atravessa a ponte do Caldo e segue pela nova estrada que corta os campos de Villar da Veiga. Começam ahi as bellezas do Gerez. Á esquerda da estrada corre o Caldo, e o viajante pode, logo admirar uma das paisagens mais notaveis. Dá d'ella idéia a gravura da primeira página*.

É um quadro completo.

A paisagem só muda de modo sinsivel nas Caldas. O valle é apertado, as encostas da montanha alterozas, o rio torrencial.

Quando em junho alli estive, depois d'uma noite de chuva, que mais parecia noite de dezembro, que admiravel quadro não offerecia de manhã o Caldo, correndo por entre grossos calháos rolados no seu apertado leito, ficando no ultimo plano a serra da qual começavam a levantar-se as densas nuvens!

A pequena povoação das Caldas nada tem que prenda a atenção do viajante. É bom deixal-a aos hypochondriacos. O artista prepara-se e segue para a serra.

É quasi de rigor ter como guia o Rigor. Conhece elle todos os estreitos caminhos e todos os recantos da serra. Tendo-o por companheiro ninguem alli se perderá.

A primeira excursão deve ser ao Borrageiro e para mais commodidade seguir-se ha o caminho de Leonte, caminho quasi só de cabras, mas que é facil subir a pé. Os cavallos das caldas trilham-n'o admiravelmente e os cavalleiros podem fiar-se n'elles. Se as cilhas não rebentam, não ha queda possivel.

Até á Preguiça nada ha de notavel. Mas ahi tudo muda. Em frente ostenta-se imponente a montanha, profundamente cortada, deixando advinhar uma estreita passagem - a portella de Leonte: á esquerda o pé do Cabril, que parece ruinas de enorme castelo. É formado de rochas sobre rochas. Á direita os primeiros degraus do Borrageiro encobrem o resto da montanha. A grande profundidade correm as aguas, que descemd e Leonte e que de todos os lados recebem pequenos affluentes. Vegetação frondosissima cobre a parte da serra que pode d'ahi ser vista.

Da Preguiça até ao Vidoal o caminho segue sempre á sombra de copadas arvores. As margens dos regatos são cobertas de musgos. Uma pequena violeta vive até sobre as pedras que a agua molha.

No meio de tudo isto ha singulares curiosidades. Um carvalho enorme, cahido sobre o pequeno rio, não morreu. Foi vivendo e como a luz lhe era necessaria, foi levantando os ramos. Coberto de espessa camada de musgo assemelha-se agora a um enorme sophá. Pode ahi bem repousar, que se achar cançado.

O caminho de Leonte para cima é aspero. A vegetação diminuie, chegando por fim a ficar reduzida a pequenos grupos de teixos e de elegantes vidoeiros, que vivem nos corregos por onde corre a agua.

Depois só as pedras ornam a montanha. Revestem ellas todas as formas, attingem todas as grandezas, dando á paisagem um aspecto que pela aspereza contrasta profundamente com o que até alli se tinha visto.

As portas são uma das muito singulares formas, que as rochas apresentam. Parecem mais obra do homem do que da natureza. O Borrageiro é terminado por enorme massa de granito, polida pela neve, batida pelas tempestades. Quasi nenhuma vegetação ahi se encontra.

D'este ponto elevado a vista estende-se por largo horisonte. As montanhas de Barroso e de Traz os-Montes simulam ondulações gigantescas de mar enorme.


Serra do Gerez - Um Curral de Leonte (Segundo uma photografia do sr. Julio A. Henriques)

Deixemos os pontos elevados da serra.

De Leonte descamos para os lados de Hespanha por um pessimo caminho, unico que existe. Passemos para além do curral da Albergaria e atravessemos uma pequena ponte que dá passagem sobre um riacho, que vae perto desaguar no Homem. Admire-se d'ahi o aspecto maravilhoso da serra. Recortada profundamente n'uns poucos de sentidos, coberta de espessa matta de carvalhos até grande altura e coroada por massas graniticas de formas caprichosas, não pode ser mais bella.



Serra do Gerez - Rio Homem, junto á Ponte Feia (Segundo uma photografia do sr. Julio A. Henriques)

Continuemos a caminhar. Auxilia-nos a fresca sombra do arvoredo. A pequena distancia tivemos uma paisagem perfeitamente caracteristica e como rara vezes se encontra. O rio Homem apparece quasi por encanto. Mal se perce d'onde vem. Despenha-se em brilhante cascata para seguir por entre grandes muralhas graniticas. Alguns troncos d'arvores lançados de margem a margem forma a ponte feia. D'esta podem contar-se no fundo do leito do rio as mais pequenas pedras, tal é a limpidez das aguas.

Do lado esquerdo do rio admira-se uma espessa floresta terminada em picos graniticos elevadissimos.

Da ponte feia é bom ir ao Villarinho das furnas onde em principios d'este seculo foram hospedados o Conde de Hoffmansegg e o professor Link que da Allemanha vieram a Portugal, contemplar-lhe as belezas e estudar as produções naturaes.


Serra do Gerez - Villarinho das Furnas (Segundo uma photografia do sr. Julio A. Henriques)


O caminho segue sempre a margem do rio Homem. Esta parte da serra é boa para quem meditar na historia da terra ou na historia do homem. 

São aqui bem pronunciados os effeitos das aguas torrenciais. A observação d'elles facilitará de certo a comprehensão de grandes phenomenos naturaes.

A estrada, que se pisa, é obra dos grandes dominadores do mundo - os romanos. Os marcos milliarios, que ainda se encontram aos lados da estrada, fazem pensar nas legiões que n'outros tempos por alli teriam passado.

O vale que o rio corta, apertado em grande extensão, alarga afinal formando uma planicie consideravel, mas monotona até Villarinho. Uma pequena ponte dá passagem para a povoação, pouco importante. Um pequeno rio a atravessa e da ponte gosa-se uma bella paisagem. Alguns morros escalvados de terra foram um fundo admiravel sobre o qual destaca um grupo de casas da povoação. 

Deixando o rio, e não querendo visitar o sitio onde se diz que existira uma antiga povoação importante - Chalcedonia - subamos de novo para a serra, protegidos sempre pelos carvalhos frondosos. A setecentos e tantos metros encontraremos n'uma extensa planicie, cortada em campos bem cultivados, uma povoação alegre. É S. João do Campo.

Um pequeno rio corta as veigas que cercam a povoação. Renques de elegantes vidoeiras vestem as margens em mais d'um sitio.

D'esta povoação até ás Caldas o caminho é horroroso: massas graniticas enormes, umas sobre as outras, formam castellos gigantescos. O terreno é coberto de vegetação rachitica. Depois de subir a grande altura, começa a descida para as Caldas.

Que caminho e que precepicios!

Na serra do Gerez não há só para contemplara paisagem nos seus diversissimos aspectos e da qual esta noticia é apenas um pallido reflexo.

São dignos de exame os costumes, a vida das povoações serranas.

É boa e obsequiadora a gente d'estas terras. Ha aqui restos de costumes antigos, alguns nãp pouco curiosos. Cada povoação tem obrigação de cuidar da conservação dos caminhos. Cada povoação tem um colmeal, onde cada habitante pode ter as suas colmeias.

Geralmente no cultivo das terras empregam vaccas, e como a todos convém que ellas se propaguem, cada povoação tem um touro, que é de todos, porque todos para o comprar dão dinheiro. Como é de todos não tem elle habitação fixa: Vive successivamente em casa dos diversos lavradores e demora-se tantos dias, quantas as juntas de vaccas que cada lavrador tiver.

De verão todo o gado pasta na serra. Divaga livremente de dia, mas ao cahir da tarde todo o gado de cada povoação recolhe ao curral, que é um pequeno espaço um pouco plano, sem guarda ou limites, tendo apenas como distinctivo um forno - pequenissima casa, coberta de telha ou de colmo, na qual dorme o pastor.

(...)

É um bello e completo quadro um curral ao cahir da tarde.

Que lindos animaes, que movimento!

Como os gados são de povoações diversas, para todas ha curraes especiaes e a alturas diversas da serra. Os direitos das povoações são totalmente e mutuamente respeitados de modo que nunca os gados de povoações diversas chegam a reunir-se no mesmo logar.

A guarda é feita d'um modo muito regular e justo. Cada lavrador dá um guarda, que passará no monte tantas noites, quantas forem as juntas de vaccas que possuir.

Estas formas de administração local são dignas de ser conhecidas e estudadas.

É curta e incompleta esta noticia. Outros a poderão completar, se tomarem a boa resolução de passar alguns dias da estação calmosa n'este recanto de Portugal, tão cheio de bellezas.

_____

* Esta frase refere-se à imagem inicial em cima do texto que tem a legenda "Serra do Gerez - Rio Caldo, Junto das Caldas (Segundo uma photografia do sr. Julio A. Henriques)"

Fonte: O Occidente (Volume IX n.º 260, 11 de Março de 1886), O Occidente (Volume IX n.º 263, 11 de Abril de 1886)

segunda-feira, 10 de março de 2025

Freguesia do Vilar da Veiga inaugura espaço evocativo da Vezeira

 


A Junta de Freguesia do Vilar da Veiga inaugurou um espaço evocativo da Vezeira da freguesia.

O que é a "vezeira"? Por "vezeira" entende-se uma prática tradicional de pastoreio comunitário, que consiste na junção dos rebanhos dos diferentes proprietários de gado de uma aldeia, para serem pastoreados «à vez», em terrenos comuns. A prática decorre nos meses de Primavera e Verão, entre princípios de Maio e até 30 de Setembro, podendo-se prolongar enquanto os dias se mantêm amenos.

A Vezeira do Vilar da Veiga representa uma das tradições mais antigas da Serra do Gerês e este espaço pretende ser a evocação desse Património Cultural Imaterial que é transversal à presença do Homem neste território de montanha.



Fotografias: Facebook de Filipe Mota Pires

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

As chegas de bois em Leonte

 



Tude de Sousa, conta-nos na Portugalia (1908) e no seu livro Gerez - Notas Etnográficas, Arqueológicas e Históricas (1927), sobre um costume entre as freguesias do Campo do Gerês e do Vilar da Veiga felizmente há muito abandonado que consistia na realização de uma chega de bois na extrema entre as duas freguesias. O costume procedia de uma antiga rivalidade na qual se comprovava, qual das vezeiras teria o touro mais possante.

Ambas as vezeiras possuíam (e ainda possuem) currais em Leonte: o Curral de S. João do Campo (ou de Leonte de Baixo) e o Curral do Vilar da Veiga (ou de Leonte de Cima). Há muito tempo, no início das vezeiras (em Maio) era costume lançar os dois touros a turrar, obrigando-os à luta, que de uma e de outra parte tinha muitos admiradores. Nas palavras de Tude de Sousa, "por vezes os touros brigam valentemente e já tem sucedido ficar ali algum ferido de morte; como consequência, também não poucas vezes os homens de um e outro lado armam disputa, que nem sempre acaba à boa paz."

Na altura, estava estabelecido que se o Juiz do Vilar da veiga resolvesse que não se consentisse a turra, esta não se realizaria, não havendo determinação especial, era ainda assim preciso que algum vezeiro para ela desse autorização.

Ainda nas palavras de Tude de Sousa, "é muito atrazada esta prática, feita unicamente com o intuito de gozar o espectáculo, verdadeiramente digno de Nero, sem que ao menos aproveitem d'elle o ensinamento das vantagens de uma especial selecção, reconhecendo para as funcções de reprodução as qualidades de superioridade manifestadas na lucta pelo triumphador. Há apenas o prazer de assistir a uma briga, em que os espectadores attestam uns restos que ainda lhes giram  da tradição romana e em que o circo é transportado ás alturas da Serra do Gerez."

Em Gerez - Notas Etnográficas, Arqueológicas e Históricas, é ainda referido em nota de rodapé que "em 10 de Maio de 1914 foram lançados um contra o outro, a turrar, os touros de Rio Caldo e de Vilar da Veiga, com a assistência de alguns centos de pessoas, homens, mulheres e crianças. Música e grande entusiasmo, chapéus ao ar e... Viva o Boi! Viva o Boi! - vencedor."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCCI) - Admeus


Admeus, Vilar da Veiga - Serra do Gerês, no espelho d'água da albufeira da Caniçada.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 24 de junho de 2018

Recordando os topónimos Admeus e Adpropeixe


Há já muitos anos aqui e aqui, tentei saber algo mais sobre os topónimos Geresianos de Admeus e Adpropeixe.

Fica aqui uma tentativa de explicação destes nomes por parte de José Cunha-Oliveira no seu blogue  toponímia galego-portuguesa e brasileira:

Desafia-me Rui C. Barbosa para esclarecer a origem dos topónimos Admeus e Adpropeixe, em Vilar da Veiga, Terras de Bouro, região da serra do Gerês. conheço bem a região, mas não encontro caminho andado que me permita chegar seguramente ao significado dos referidos topónimos.


Posso tentar uma proposta de "decifração". admitamos que Admeus e Adpropeixe estão pela forma "A de Meus" e "A de Propeixe", formas vulgares na toponímia para designar "a [aldeia] de...". nesse caso, resta-nos "decifrar "Meus" e "Propeixe". Quanto a "Propeixe", parece admissível a evolução a partir de um antropónimo "Propitius" (Propício) na forma genitiva "propitii". referir-se-ia, assim, a uma aldeia, herdade ou território que teria pertencido a alguém com esse nome, "Propício". Teríamos de admitir, no entanto, um duplo genitivo, já que Propitii já quer dizer "[propriedade] de Propitius". mas isso é relativamente comum. significaria, simplesmente que a forma "Propeixe" estava já estabilizada quando lhe foi acrescentado o indicativo "a de".

Quanto a "Meus", a interpretação é mais difícil, podendo apenas admitir-se uma relação com a apicultura e a extração de "mel".

Que a significação destes lugares se relacione com propriedades rústico-agrícolas em tempos remotos não me parece nada de extraordinário, tanto mais que no século XIII era já essa a vocação atestada daquele território.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 14 de maio de 2016

XII Subida da Vezeira - 14 e 15 de Maio de 2016


Terá lugar no dia 15 de Maio de 2016 a tradicional Subida da Vezeira na Serra do Gerês. Este evento inicia-se no dia 14 de Maio com animação na vila termal com música ao vivo.

A vezeira é um movimento de transumância praticado na Serra do Gerês e literalmente significa 'à vez'. Nos tempos antigos, adaptada a tradição aos nossos dias, os animais dos diferentes lugares eram reunidos num único rebanho ou manada que era pastoreada à vez dependendo do número de cabeças de gado por dono.

A tradição da vezeira foi adaptada aos nossos tempos e os animais são transferidos para as pastagens serranas em meados de Maio, permanecendo na serra até finais de Setembro.

domingo, 8 de maio de 2016

XII Subida da Vezeira


Terá lugar no dia 15 de Maio de 2016 a tradicional Subida da Vezeira na Serra do Gerês. Este evento inicia-se no dia 14 de Maio com animação na vila termal com música ao vivo.

A vezeira é um movimento de transumância praticado na Serra do Gerês e literalmente significa 'à vez'. Nos tempos antigos, adaptada a tradição aos nossos dias, os animais dos diferentes lugares eram reunidos num único rebanho ou manada que era pastoreada à vez dependendo do número de cabeças de gado por dono.

A tradição da vezeira foi adaptada aos nossos tempos e os animais são transferidos para as pastagens serranas em meados de Maio, permanecendo na serra até finais de Setembro.

sábado, 2 de maio de 2015

Sismo de Braga sentido no Gerês


O abalo sísmico que foi registado às 02h43 do dia 2 de Maio, foi sentido em algumas localidades da serra geresiana.

O sismo teve uma intensidade de 3.0 na escala de Richter segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (outras fontes indicam uma intensidade de 3,3), tendo o epicentro em Braga, a 28 km de profundidade.

O pequeno tremor foi sentido num raio de cerca de 50 km, havendo relatos de ter sido sentido Vilar da Veiga, Rio Caldo e S. João do Campo.

Imagem: http://manchagrafica.com/desktop-wallpaper-sismo/

terça-feira, 21 de abril de 2015

O tribunal do lagar de azeite do Vilar da Veiga


Nos nossos dias, por alturas de Maio, as vezeiras são um momento de união e de transumância dos gados para as pastagens serranas. As vezeiras estão regulamentadas por regras ancestrais, algumas das quais ainda hoje são cumpridas. Porém, no passado o mesmo tipo de regras eram aplicadas noutras actividades, tais como no lagar de azeite.

O regulamento escrito do lagar há muito que se perdeu, no entanto, em princípios do século XX, a organização desta actividade era muito semelhante à da vezeira.

Assim, havia um juiz, procurador e junta ou acordo, composta de seis membros (os seis homens do acordo). O juiz era escolhido por escala, que era seguida há muitos anos entre os indivíduos casados da freguesia, conforme a ordem cronológica pela qual esses casamentos se haviam realizado desde o princípio.

Para se dar início ao serviço do lagar fazia-se um chamado (convocação), mandando o procurador avisar todos os quinhoeiros, e nessa reunião marcava-se a abertura do lagar e o dia em que se deveria limpar, preparar e meter-se-lhe a água, Estes serviços eram feitos por todos, levando cada um, um quarto (5 litros) de azeitona para a primeira moedura, ficando assim as ceiras e todos os utensílios untados e aptos ao funcionamento. Chamava-se a esta operação 'enfarnar' o lagar.

O azeite que resultava desta operação era dividido por igual entre todos. O juiz e o acordo eram quem determinava e providenciava em todos os serviços do lagar, fiscalizando-os para que não entrasse azeitona de estranhos, impondo para tal multas, etc. Quem faltava aos chamados ou aos serviços determinados era multado. Fora do lagar havia um depósito coberto e fechado para onde corriam as águas ruças da tarefa e do pilão, e que corresponde ao inferno de alguns lagares. Chamavam-lhe lagareta.

No começo da época a lagareta era arrematada em leilão entre os sócios e o que a arrematava ficava com o direito ao azeite, que, tendo-se escapado das sangrias das tarefas, podia-se obter por decantação. Este rendimento, pago em dinheiro, era aplicado no custeio das despesas, reparações do lagar, compras de ceiras e utensílios, etc. e quando esse e qualquer outro dinheiro existente não chegasse, a diferença era obtida entre todos de forma proporcional.

A ordem de utilização do lagar era à roda, começando num ano por cima e no outro ano por baixo da freguesia. Cada vizinho avisava o que se lhe seguia, à medida que se iam servindo.

Texto adaptado do livro"Gerez - Notas biográficas, arqueológicas e históricas" de Tude M. de Sousa, 1927.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

A 'turra'


Costume que, felizmente se vem perdendo, era o de as diferentes povoações serranas disputarem entre em a primazia em possuir o melhor exemplar do boi de cobrição, ou touro.

Curiosamente, entre as antigas vezeiras do Vilar da Veiga e de S. João do Campo, ambas com os seus currais em Leonte, havia o costume de quando ali se juntavam, lançarem os seus touros a turrar, obrigando-os à luta, actividade de aparentemente teria muitos admiradores.

Segundo Tude M. de Sousa, no seu "Gerez - Notas Etnográficas, Arqueológicas e Históricas", "por vezes os touros brigam valentemente e já tem sucedido ali ficar algum ferido de morte; como consequência, também não poucas vezes os homens de um e outro lado armam disputa, que nem sempre acaba à boa paz."

Ainda segundo o mesmo autor, "Está estabelecido que, se o juiz de Vilar resolver que não se consinte a tura, esta se não realizará; não havendo determinação especial, é ainda assim preciso que algum vezeiro a autoriza."

Sobre este assunto, com a devida antecipação para a vergonha das touradas que ainda se verificam no nosso país, refere ainda Tude de Sousa, "É muito atrasadora esta prática, feita unicamente e com o intuito de gozar o espectáculo, verdadeiramente digno de Nero, sem que ao menos aproveitem dêle o ensinamento das vantagens de uma especial selecção, reconhecendo para as funções de reprodução as qualidades de superioridade manifestadas na luta pelo triunfador. Há apenas o prazer de assistir a uma briga, em que os espectadores atestam uns restos que ainda lhes giram da tradição romana e em que o circo é transportado às alturas da serra do Gerez."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

A propósito do lobo e do pastor


Datado de 1782, o "Diário Filosófico da Viagem ao Gerês" faz-nos um resenha da viagem de Joaquim Vicente Pereira Araújo pelas termas geresianas do Século XVIII e é, segundo Celestino Maia (que publicou, prefaciou e anotou o manuscrito desta obra) , "...um documento precioso para a história das Caldas..." tendo algum interesse no campo do conhecimento da Natureza da Serra do Gerês.

A certa passagem, e referindo-se a Vilar da Veiga, este documento nota que "Para as serras mandão gados, a que eles chamão vezeiras, do 1º de Junho athe 8 de Septembro,... bois e vaccas. Os vaqueiros se obrigam a dar conta dellas sans e salvas, e se o lobo feria alguma, de que se lhe occasiona a morte, paga sua estimação. E hua palavra - só a morte natural izenta o pastor da entrega da cabeça. Quando o vaqueiro tem duvida em pagar a multa, he chamado perante o seu senado, e accordão; sentindo se gravado apella para a Ribeira, onde ha mes politica, - e em casos semelhantes os da Ribeira apellão para Villar..."

Fotografia © Grupo Lobo


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Magusto em Vilar da Veiga

No próximo dia 11 de Novembro (Domingo), pelas 14h30, terá lugar no Largo da Junta de Freguesia de Vilar da Veiga, a comemoração do Dia de S. Martinho com a organização de um tradicional magusto.

Este ano a organização deste evento será tripartida entre o Clube Frente Cultural, o Agrupamento de Escuteiros do CNE - Pedra Bela, e a Comissão de Festas de S. António.

A organização agradece desde já a presença de todos!