O magnífico Pé de Cabril, Serra do Gerês, é aqui visto desde o alto do Junco.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O magnífico Pé de Cabril, Serra do Gerês, é aqui visto desde o alto do Junco.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Este percurso levou-nos desde a Pedra Bela até ao Vale de Teixeira, seguindo inicialmente por parte do traçado do Trilho dos Currais, mas deixando-o no Curral da Lomba do Vidoeiro.
O dia trazia o calor de Primavera e convidava a um agradável mergulho nas águas cristalinas do Rio de Teixeira (o rio dos muitos nomes). Assim, deixando a Pedra Bela num rebuliço de pré-estio, seguimos em direcção ao Curral de Espinheira, ladeando-o pelo Norte inicialmente usando o caminho florestal, mas depois enveredando por um velho carreiro por entre a vegetação. Este carreiro vai levar-nos ao topo do Vale de Salgueiros, voltando ao traçado do Trilho dos Currais que seguimos até à Lomba do Vidoeiro passando pelo Curral da Carvalha das Éguas na Chã da Carvalha das Éguas.
No Curral da Lomba do Vidoeiro, flectimos à direita para Poente e seguimos o carreiro que nos levará às primeiras vistas do Vale de Teixeira. A imensa paisagem mostra-nos o alto de Borrageiro e o alto das Rubias, além das imensas corgas que se abrem para o magnífico vale.
Descendo a Encosta da Boca do Suero, seguimos então para o Curral de Teixeira, onde pretendíamos parar para o almoço. Um grupo de chegara antes rompia a tranquilidade do local e a pacatez da lagoa nas imediações e assim, após uma agradável conversa com os vezeireiros presentes no local, decidiu-se seguir para o Curral do Camalhão. Caminhando «à sombra» do Alto das Rubias, passamos o Camalhão de Baixo e chegávamos ao curral com a sua fonte de água fresca que ajudou a acalmar o calor e a saciar a sede.
Uma agradável brisa brincava por entre os ramos dos velhos carvalhos e depressa arranjou-se uma sombra onde desfrutar do almoço montanheiro.
Após um descanso, e decididos a enfrentar o calor que se instalava para a tarde, seguimos na direcção do Junco, vencendo o tranquilo declive e ganhando uma magnífica perspectiva que se abria para o vale do Rio Gerês da mesma forma que nos oferecia outra paisagem do Vale de Teixeira. Passando o Junco e a Cabeça da Boca do Suero, descíamos então pelos fraguedos através de velhos carreiros que nos levariam de novo ao Curral da Lomba do Vidoeiro. Daqui, seguimos de novo para a Chã da Carvalha das Éguas e, seguindo o traçado do Trilho dos Currais, descíamos o Vale de Salgueiros e passávamos o Curral de Espinheira, chegando de novo ao ponto de partida após 12,2 km e D+ 442 m.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Numa zona vincadamente marcada pela emigração, os Serviços Florestais chegaram à Serra do Gerês - e mais tarde às outras serras que integrariam o Parque Nacional da Peneda-Gerês - em Agosto de 1888.
Até finais do século XIX, eram escassos os mapas que assinalavam as principais características da Serra do Gerês com a sua toponímia. Esta, ao longo de séculos, foi transmitida de forma oral por entre os pastores, carvoeiros e contrabandistas, que demandavam as paragens serranas.
Devido a diferentes razões, sendo a mais notória a emigração em diferentes épocas, a transmissão oral dos topónimos e principalmente dos micro topónimos, foi-se degradando e perdendo. Por outro lado, a chegada dos Serviços Florestais e talvez o mau entendimento do falar das gentes da serra, levou a que muitos topónimos fossem alterados e / ou mal registados nos mapas que, entretanto, se desenharam.
Um dos exemplos que pode ter sofrido desta alteração é a muito conhecida 'Pedra Bela'. Já por vezes ouvi a explicação de que em tempos aquele local teria a designação de "Pedra de Velar", pois seria a partir dali onde os pastores do Vilar da Veiga «velariam» o pasto dos animais durante a vezeira. Assim, 'Pedra de Velar' teria de certa forma evoluído para 'Pedra Bela', o topónimo pelo qual é aquele local agora conhecido.
São inúmeros os exemplos que encontramos das alterações de topónimos que resultaram da passagem da informação errada entre os Serviços Florestais e, por exemplo, os Serviços Cartográficos do Exército que elaboraram as folhas da Carta Militar de Portugal que serve (ou serviu) de guia para muitos aficionados da montanha (não só na Serra do Gerês como em muitas outras serras nacionais).
Vejamos um exemplo na seguinte fotografia (que nos mostra parte do Vale de Teixeira)...
Ao Alto das Rubias muitas vezes tenho chamado "Camalhão" (outros "Cambalhão"). Na verdade, o seu topónimo é "Alto das Rubias". O topónimo 'Camalhão' é atribuído pelos Serviços Florestais ao marco triangulado ali existente e esta é a razão de - em muitos casos - termos dois topónimos para o mesmo ponto.
Caso semelhante acontece, por exemplo, com o (alto do) Junco. Sempre achei curioso, e de certa forma estranho, termos o "Curral do Junco" nas imediações da Garganta da Preza, quando o (alto do) 'Junco' está localizado mais a Sul. Ora, ao Junco dá-se o nome de "Cabeço da Boca do Sucro", ou, na verdade, deve-se dizer que ao 'Cabeço da Boca do Sucro' dá-se também o nome de 'Junco'.
Caso semelhante acontecerá com o "Cabeço da Cova da Porca" que actualmente é conhecido como "Torinheira", se bem que aqui poderemos estar na presença de outra situação. Isto é, várias características orográficas poderão ter designações distintas dependendo da vezeira que lhe atribui o nome, pois em Cabril designa-se a 'Torrinheira' como "Estorrinheira". Um caso semelhante acontece com a 'Roca de Pias' (vezeira de Fafião) designada de "Cutelo de Pias" (vezeira da Ermida).
Este é um pequeno texto que serve para alertar para a possibilidade de termos vários topónimos para uma mesma característica geográfica sem que estes estejam errados (bom, pelo menos de certa forma).
Infelizmente, muita da toponímia - que é parte da História do território - vê-se actualmente ameaçada pela verdadeira estupidez de atribuir nomes em comparação com zonas estrangeiras. Por outro lado, a pressão do turismo faz com que as próprias gentes locais «esqueçam» os verdadeiros topónimos e dêem azo a verdadeiras aberrações como as "Cascatas do Tahiti" (Fecha de Barjas ou Cascata das Varzeas), "Páo de Açucar" (Penameda) ou o irritante "Tibete Português" (Sistelo), entre muitos outros exemplos (muito em culpa das publicações electrónicas em busca de clickbaits).
Um agradecimento ao Príncipe Domingos pela ajuda no esclarecimento da toponímia para este texto.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Uma contraluz com o Junco e o Laspedo, Serra do Gerês, vistos pouco depois da passagem do Prado.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Esta caminhada levou-me a percorrer parte do Vale de Teixeira até ao Curral de Cambalhão desde o Arado, seguindo depois pelo Junco.
A caminhada começou manhã cedo com o nevoeiro a invadir o Vale do Rio Cávado e a subir para as paragens do Rio Arado até chegar às proximidades da Ponte do Arado. Foi por aqui que começamos a caminhada, seguindo pelo Miradouro da Cascata do Arado.
Depois de passar pelo Prado de Teixeira, seguimos em direcção ao Prado do Cambalhão para uma curta visita. De seguida, passamos o rio e começamos a caminhar nas encostas da vertente Nascente do Pé de Salgueiro, seguindo para a parte superior da imensa Corga da Figueira antes de iniciarmos a subida ao Junco. Depois do Junco, passamos pelo Cabeço da Boca de Sucro e seguiu-se para o Curral da Lomba do Vidoeiro para o almoço.
Após o almoço, passamos pelo Curral da Carvalha das Éguas e pela Chã de Rebolar, seguindo depois pela Pala do Cando de Cima e descendo para o Cocão, regressando ao ponto de partida.
Foi uma caminhada com 9,7 km e com um D+ de 477 metros, totalizando 2.660,3 km percorridos em 2022 com um total de D+ 116.477 metros.
Ficam algumas fotografias do dia...
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Subindo para o Junco, Serra do Gerês, a vista para Corga da Figueira com o Pé de Salgueiro (direita) e o Pé de Cabril.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Olhando para trás na subida da Pegada das Rubias, Serra do Gerês, tendo como pano de fundo o Pé de Salgueiro e o Junco.
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Olhando para trás na subida da Pegada das Rubias, Serra do Gerês, tendo como pano de fundo o Pé de Salgueiro e o Junco.
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