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sábado, 29 de novembro de 2025

Trilhos PNPG - Entre a Ameijoeira e a Sra. da Peneda (Etapas 1 a 3 da Grande Rota da Peneda-Gerês)

 


Num evento promovida pela RB Hiking & Trekking, percorremos as três primeiras etapas da Grande Rota da Peneda-Gerês (GR50) num verdadeiro dia de Inverno com cores de Outono.

A caminhada iniciou-se na fronteira da Ameijoeira e terminou no Santuário da Sra. da Peneda, passando perto de Castro Laboreiro.

Para uma informação completa sobre a Grande Rota da Peneda-Gerês visite o seu sítio oficial aqui

Os textos a seguir são retirados dos conteúdos disponíveis na ligação referida.

Etapa 1: Ameijoeira - Castro Laboreiro




Esta etapa inicia-se no lugar da Ameijoeira, freguesia de Castro Laboreiro, no local que marca a fronteira entre Portugal e Espanha, onde se encontra instalado o painel de início de etapa, com a informação pertinente para realizar o percurso. 

Partindo do painel de início de rota, o percurso segue por estrada, na direção da aldeia, virando no primeiro entroncamento, à esquerda, na direção da Inverneira de Pontes. Depois de passar o rio Castro Laboreiro, a rota continua por estrada até ao lugar de Pontes, uma das várias Inverneiras que existem ao longo do vale do Laboreiro.

As Inverneiras são pequenos aglomerados de residência temporária, utilizados nos meses mais frios do ano. Localizam-se nas zonas mais abrigadas dos vales, por oposição às Brandas, situadas nas zonas mais altas, nas franjas do planalto de Castro Laboreiro, onde as pessoas vivem durante os meses mais quentes. Hoje já poucas famílias mantêm a deslocação da branda para a inverneira. Noutros tempos, nenhuma família passava o Natal em cima (na branda) ou a Páscoa em baixo (na inverneira). As deslocações eram rigorosamente efetuadas em função das duas datas mais importantes do calendário litúrgico.




Deixando Pontes, a rota segue na direção Norte, pelo antigo caminho que a população e animais utilizavam para efetuarem a migração das Brandas para as Inverneiras. Cerca de 250 metros, depois da aldeia, encontram-se o cruzeiro e antigo aqueduto de Pontes, construído pelos habitantes em meados do século XX.

Continuando rumo a Norte e acompanhando o rio, quase numa linha paralela perfeita, atinge-se o velho caminho que ali atravessa a ponte romana da Cava da Velha (ponte de estrutura Romana adaptada na época medieval) e que segue do lado da margem esquerda do rio. Esta será provavelmente uma das mais belas pontes construídas nestes vales do Laboreiro. A rota não atravessa a ponte! Continua em frente no mesmo caminho, cruza a estrada, e sobe na direção da Inverneira da Assureira, uma das maiores do vale, e, logo depois, surge a Inverneira de Podre. O percurso segue daqui em direção às inverneiras de Ponte do Barreiro e do Barreiro.






A partir daqui o caminho acompanha o carvalhal do Barreiro, subindo à linha de cumeada, onde chega a atingir os 1000 metros de altitude. Nestas cotas mais altas obtém-se uma vista privilegiada do vale e montes do Laboreiro e também da aldeia de Castro Laboreiro (Vila). Em frente, na vertente oposta (direção Este) é possível identificar a ruína do Castelo de Castro Laboreiro, perfeitamente integrada na paisagem. Por fim, a rota atinge o lugar da Vila, Castro Laboreiro, onde tem início a etapa seguinte. Não deixe de visitar o Núcleo Museológico de Castro Laboreiro e a Casa Castreja, a ponte velha de Castro Laboreiro e o centro histórico.

Nesta caminhada não fiz o desvio para a vila, seguindo logo na direcção de Veigas.






Etapa 2: Castro Laboreiro - Lamas de Mouro

A partir deste ponto, a rota segue um antigo caminho que liga a Vila aos lugares localizados mais a norte e que corresponde à continuação do antigo eixo de ligação entre as brandas e as inverneiras da margem direita do rio Castro Laboreiro. Aqui o caminho apresenta-se muito suave, seguindo sensivelmente à mesma cota, proporcionando alguma amplitude de observação e indo cruzar o ribeiro do Porto Seco, na velha Ponte das Veigas, mais adiante. Atravessando toda a zona de chã, em paralelo com o rio, o percurso muda de direção junto aos edifícios da zona de lazer das Veigas e onde está situado o Albergue das Veigas que nos proporcionou o abrigo para o almoço.






Continuando pelo caminho que liga aos lugares de Vido e Portelinha, e um pouco antes do lugar de Vido, a rota inflete para Oeste (mudança à esquerda), em direção à colina, subindo gradualmente dos 1000 para os 1100 metros de altitude. À medida que subimos, o piso e o meio envolvente alteram-se, passando a rota a seguir um trilho de pastoreio, de acesso aos prados mais altos, atravessando uma zona essencialmente de matos.

O ponto mais alto (1100 metros) é atingido numa zona de bosque, com carvalhos, pinheiros-silvestres e vidoeiros, um importante local de abrigo para várias espécies faunísticas. Logo depois do bosque, o percurso orienta-se para norte, ladeando uma pequena zona húmida (complexo higroturfoso) e, poucos metros depois, deriva novamente para oeste (viragem à esquerda), descendo gradualmente, por entre matos e afloramentos rochosos, até à Porta de Lamas de Mouro. Esta Porta dispõe de um conjunto diversificado de serviços e equipamentos de apoio, nomeadamente a nível informativo e turístico.






Etapa 3: Lamas de Mouro - Sra. da Peneda

A etapa tem início na Porta de Lamas de Mouro, concelho de Melgaço, percorrendo um pouco mais de 8 km até ao lugar da Peneda, já no concelho de Arcos de Valdevez. O percurso desenvolve-se muito próximo e paralelo à estrada municipal que liga Lamas de Mouro à Peneda, cruzando-a várias vezes, sendo a sua orientação muito fácil.

Partindo do painel de início de etapa, junto à Porta de Lamas de Mouro, o percurso cruza a estrada e atravessa o rio Mouro, pelo passadiço, em direção à antiga Casa de Guarda Florestal, que foi, entretanto, recuperada. Segue depois para sul (viragem à esquerda), passando junto à área de merendas e percorrendo o interior de um fantástico bosque de floresta mista, que acompanha o percurso do rio Mouro praticamente até à sua nascente, junto à Portela do Lagarto. Depois de passar a Casa Florestal de Bico de Pássaro, o percurso inicia a subida para a Portela do Lagarto, onde a rota atinge o seu ponto mais alto (1000 metros). Nesta ascensão, podemos ver ainda preservada parte da calçada original do antigo caminho que liga Lamas de Mouro à Senhora da Peneda.






Na Portela do Lagarto encontramos novamente a estrada. Virando à direita, na direção da Peneda, percorre-se cerca de 300 metros e entramos num caminho à esquerda que nos leva ao interior do carvalhal de Tieiras. A partir daqui, a rota encaminha-se para o fundo do vale, de perfil bastante retilíneo, acompanhando o rio de Tieiras e, mais adiante, o rio da Peneda.

Depois de percorrer cerca de um quilómetro pelo carvalhal de Tieiras, o percurso atravessa novamente a estrada municipal, passa a ponte sobre o rio de Tieiras, percorre a zona de bosque junto a uma antiga casa florestal (Casa Florestal de Tieiras) e, cerca de dois quilómetros depois, encontra novamente a estrada municipal, cruzando-a outra vez, na ponte sobre o rio da Peneda. Restam cerca de dois quilómetros para o final da etapa. Logo depois de passar a ponte, viramos à direita e entramos num caminho estreito que dá acesso aos pequenos campos agrícolas, instalados nas margens do rio. Mais à frente irá passar um pequeno pontilhão que se lança sobre o rio da Peneda, num local soberbo para se refrescar, se o tempo assim o permitir. Prossiga sempre para sul, acompanhando o rio. Nesta fase do percurso irá saltando da estrada municipal para os caminhos agrícolas, permitindo apreciar o mosaico agrícola do vale da Peneda.

O final da etapa faz-se pela estrada municipal, terminando cerca de 200 metros antes do Santuário de Nossa Senhora da Peneda. 












Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 23 de novembro de 2024

Serra da Peneda - Subida ao Coto do Osso

 


Subida ao Coto do Osso desde a Sra. da Peneda com passagem pelo velho Curral de Felgueira Ruiva e descida pelo Carvalhal de Tieiras.

A caminhada começou junto do Santuário da Sra. da Peneda e após cruzar a aldeia, encosta acima pelos seculares caminhos dos romeiros da Peneda. O vale vai-se tornando largo à medida que vamos subindo e as edificações da aldeia encolhem-se perante o agigantar dos maciços que guardam as encostas. A Meadinha ganha outro tamanho quando comparada com as dimensões humanas e a grandeza da serra mostra-se perante um céu polvilhado de nuvens cinzentas.




O caminho serpenteia serra acima por entre um pinhal que ladeia a Corga da Pontinha, levando-nos ao Salgueiral e entrando por breves espaços na Corga da Ferrea e chegando depois ao Curral de Fulgueira Ruiva. Aqui, vemos as ruínas do seu velho abrigo pastoril e um olhar mais atento irá reparar ainda nos restos de um outro abrigo que se localizava um pouco mais a Norte quase no centro da chã. 

Abandonando o carreiro que nos levaria à Veiga Longa, enveredamos pelas penedias percorrendo o topo da Corga de João Toledo e chegando ao Mosqueiro do Coto do Osso e Veiga de Manjão Frio, antes da pequena trepada (depois vimos que era desnecessária) para o topo do Coto do Osso. Este alto proporciona uma bela paisagem sobre a Chã da Matança e os píncaros agrestes de Matança, na paisagem rochosa da Serra da Peneda, alongando-se o olhar para os Montes de Laboreiro e para as lonjuras do Xurés, sendo a certa altura bem definida a forma do Vale do Rio de Vilaméa até às Sombras.




Descendo do Coto do Osso, seguiu-se sobre a Portelinha em direcção ao Mosqueiro da Favela, encetando-se então a descida para a Chã da Matança onde encontramos as ruínas da Casa do Soajo.

Pelas palavras de Paulo Costa, sabemos um pouco mais sobre esta ruína: "de igual modo interessante para que se consiga uma melhor compreensão da totalidade do fenómeno “Soajo”, como seja o apreender da sua importância no tempo histórico, e as tensões determinadas pela propensão desta localidade para, de algum modo, impor o seu domínio sobre o território confinante, vem a ser a leitura da excelente publicação da Professora Elza Carvalho, de seu título: «Lima Internacional: Paisagens e Espaços de Fronteira Volume 1». Lê-se ali: “À “vila” do Soajo pertencem os poulos de Chã da Cova e Chã da Cabeça, na serra do Soajo, de Felgueira Ruiva e Chã da Matança, na serra da Peneda, isto é, na cabeceira divisória das bacias dos rios Peneda e Laboreiro. “ E continua-se mais adiante: “O poulo “mais idoso”, ou melhor, aquele que teria sido mais frequentado, em tempos antigos, logo, imemoriais, seria o de Felgueira Ruiva, em que, além dos cortelhos, haveria muitas lapas aproveitadas, como abrigo pelos pastores. Contudo, nos inícios dos anos sessenta do século XX, os residentes da "vila" incidiram a sua atenção na Chã da Matança ao construírem com materiais modernos, que incluiu a telha, uma casa, a casa do Soajo, logicamente para abrigo dos pastores, marcando assim, os seus direitos de utilizadores de pastagens alvo de acesas polémicas multisseculares, nomeadamente, com os habitantes dos Ribeiros. A construção de esta casa causou um certo impacto, para não dizer, “respeito” e “estupefacção” nos habitantes, quer dos Ribeiros, do Baleiral, da Peneda e mesmo de Tibo, a avaliar pelo modo, como ela nos foi referenciada e descrita, no Verão de 2003, por um grande número de moradores de estas localidades. Assim, por exemplo, residentes em Tibo referiram-se a esta construção como uma casa nova, que os moradores do Soajo tinham edificado para alojamento dos pastores, mas que foi destruída, pelas gentes dos Ribeiros. E continuando: “O facto de os da Vila de Soajo terem direitos sobre locais tão longínquos como a Felgueira Ruiva e Chã da Matança (poulos), confirmará algum tipo de superintendência pelos moradores do Soajo, resquícios dos tempos da Montaria Real.”"

Deixando a Chã da Matança para trás, iniciou-se a descida para o Carvalhal de Tieiras pela Corga da Matança, e passando no velho Viveiro de Tieiras, entrando-se no traçado da GR 50 Grande Rota da Peneda-Gerês que nos levaria ao ponto de partida passando pela Casa Florestal de Tieiras, por Ana Malva, pelo fundo da Corga de Cruz Nova e finalmente ao Santuário da Sra. da Peneda.





















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)