Existem lugares na Serra do Gerês que são verdadeiros tesouros de História escondidos e abandonados. A descida das águas da albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas colocou a descoberto muitas estruturas e ruínas que ficam submersas durante anos a fio e que acabam por somente ver a luz do dia nos anos mais secos.
O ano de 2022 segue a linha dos anos que seca que infelizmente Portugal tem vindo a registar e não são as chuvas que acabam por cair que demonstram o contrário. Os sinais estão todos aí e apesar de haver quem os negue (como os negacionistas do Covid), a verdade é que todos os anos os extremos da seca «se extremam».
O abandono das vezeiras de Vilarinho da Furna devido ao desaparecimento da milenar aldeia, transformou partes da Serra Amarela e da Serra do Gerês em verdadeiros testemunhos abandonados do passado. A floresta e os espaços florestais sempre foram aproveitados pelas populações serranas que, de uma forma ou de outra, dali tiravam algum sustento.
A entrada dos Serviços Florestais em 1888 veio tentar ordenar, de certa forma, uma utilização centenária dos espaços. Surgiram as primeiras construções, mais tarde os primeiros edifícios onde guardas e trabalhadores tinham o seu abrigo, e mais tarde as Casas Florestais - agora abandonadas e testemunhos de uma decisão de lesa-pátria criminosa dos tempos do Cavaquismo saloio.
Há muito abandonados, quiçá ainda muito antes do monstro de betão aprisionar as águas do Rio Homem, a chegada da albufeira veio criar uma barreira ainda mais intransponível para determinadas zonas, tornando-as em verdadeiros santuários da Natureza que por ali encontra um refúgio mais ou menos seguro - a não ser quando os caçadores do outro lado da fronteira por ali soltam os cães para espantar a caça para o outro lado.
Assim, por entre a tranquilidade da folhagem de uma floresta que se vai tornando virgem, encontram.-se esses testemunhos, tais como são o Colmeal do Caixeiro, o abrigo que se abriga acima de Barbeito ou várias estruturas espalhadas pela Costa do Altar. Nas imediações, um «grande» edifício esconde-se por entre o coberto de musgos e perde-se nas memórias das telhas deixadas encostadas nas paredes há já muitos (demasiados) anos sem que haja uma referência histórica em lugar algum.
Um estudo atento dos mapas e das fotografias como tem sido feito pelo Ricardo Guimarães (e partilhado no excelente Grupo de Montanhismo PNPG), revela ainda inúmeros pormenores que em tempos constituíram parte da vida destas serranias, mas que hoje são testemunhos esquecidos (e para muitos 'para esquecer e deixar esquecidos') do que foi a ocupação deste território. O mesmo aconteceu com o património edificado das Minas dos Carris e o resultado está à vista de quem visita o lugar: abandono e vandalismo patrocinado em páginas na Internet.
Ficam aqui algumas fotografias de um património (mais um) perdido no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)











