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terça-feira, 7 de julho de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXI) - O Covelo

 


Terminada a subida da encosta Norte do Cabeço do Redondelo, Serra do Gerês, entramos no profundo Covelo que nos leva ao topo do cabeço e nos proporciona caminho para Gamil.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 2 de julho de 2026

A Conquista do Inútil (1): A subida ao Cabeço do Rodondelo

 


"A Conquista do Inútil" é um livro do realizador Werner Herzog que é o testemunho do projecto louco que o levou ao desespero (1) durante a rodagem do filme Fitzcarraldo na selva amazónica. O título tem sido utilizado como uma metáfora comparativa da «conquista» humana dos picos e altos montanhosos, onde a vontade de vencer, o desespero e a irracionalidade, por vezes impulsionam o montanhista a conquistar aquilo que surge como uma inutilidade para a maioria, mas perfila-se como o mais alto prémio para ele.

Não querendo ser pretencioso com esta série de textos, irei tentar descrever as conquistas do inútil que se poderão fazer na Serra do Gerês e noutros lugares, tendo como pano de fundo a minha reconhecida incapacidade de alçançar alguns topos que me justifico como serem as "moradas dos deuses" e como tal, lugares que inalcansáveis para mim. Admito não ser escalador ou alpinista, e como tal, não ter proficiência necessária para feitos épicos. Por enquanto, fico-me com as minhas 400...

O "primeiro capítulo" nesta série que não terá uma publicação regular (serão escritos à medida que ocorrerem, acima de tudo, à medida que surja a vontade de as descrever!), leva-nos ao Cabeço do Redondelo.

Com os seus 1071,5 metros de altitude, o Cabeço do Redondelo projecta a sua sombra sobre o Vale do Rio Homem, delimitando a vertente esquerda do Covelo que se afunda desde os limites de Gamil e do Prado até à Bouça da Mó. A encosta direita do Covelo é a vertente da Cascalheira que se eleva até às Mesas.

Conheço dois acessos ao alto do Cabeço do Redondelo, sendo um deles vindo do Curral de Gamil (e do Covelo) e um outro através da encosta Norte do Redondelo, tendo como pano de fundo a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas e a Serra Amarela. Nesta conquista do inútil, decidi subir esta encosta que, não tendo sido a primeira incursão, é sempre a mais espectacular e ousada.

Iniciei o percurso no Campo do Gerês (2, 3) seguindo o traçado do Trilho da Águia do Sarilhão (4, 5) na direcção Nascente (passando no Parque de Campismo de Cerdeira na direcção da Mata de Albergaria). Com a manhã não muito quente, notava-se já a diferença com o dia anterior onde o ar fresco animava a marcha. Iniciando cedo, previa terminar a jornada pelo meio-dia, o que veio a acontecer para não ser açoitado pelo calor infernal deste início de Verão.

Caminhando na tranquilidade matinal, em breve abandonava os limites do parque de campismo e entrava no bosque que antecede a paisagem de carqueja, tojos e pedra que me acompanharia nas próximas horas. O percurso leva-me através de um caminho rural que abandono ainda antes de chegar ao abrigo da antiga Grande Rota das Casarotas. Para seguir o carreiro quase escondido por entre a vegetação, deve-se ter atenção às pequenas mariolas. De tempos a tempos (de ano a ano, talvez), faz-se a limpeza desta parte do percurso, quando droga da matança do javali dá o seu chuto. No entanto, aqui a vegetação cresce rápido (sim, as nossas montanhas não são desertos de pedra) e o uso de calças é quase obrigatório para evitar uma esfoliação natural.





Subindo uma pequena corga, o caminho vai-se bifurcar mais adiante: a derivação à direita leva-nos para as Bitoreiras e ou quase directos para Gamil, assim tomamos o carreiro que segue a Nascente e começamos a percorrer as encostas do Redondelo. Talvez este fosse o caminho preferencial para chegar ao Covelo, sem testemunhos vindos do Campo do Gerês, é-me difícil perceber a origem do mesmo, mas penso que seria utilizadio para o pastoreio das cabras quando elas ainda existiam por aqui.

De novo, é a intensa vegetação que vai marcar o caminho. Este está marcado com mariolas, mas num ponto ou outro é necessária alguma atenção numa volta do caminho. À medida que ganhamos altitude, o vale afunda-se e a perspectiva torna-se mais vasta: as vertentes da Serra Amarela são vencidas pelo olhar e surge o desejo que uma próxima inutilidade (que na verdade foi adiada devido à previsão de dias tórridos; fica a promessa de uma subida em breve ao Alto da Louriça).





Em pouco tempo chegamos a uma zona «mais plana» na qual podemos fazer um curto desvio que nos leva à parte superior da Fraga do Sarilhão. Em tempos idos, a Fraga do Sarilhão era zona de nidificação da águia real que tormentos trazia aos criadores de cabras que contavam histórias que ver as grandes rapinas, «rapinar» os cabritos mais pequenos.

Nesta zona, o carreiro forma um "s" para vencer a encosta e seguir em direcção à Fraga de Cima. Em alguns pontos, o carreiro aproxima-se da vertente, devendo-se o cuidado necessário para evitar sustos (principalmente em dias húmidos). Vamos ganhando metros no altímetro e a paisagem emociona-nos. De facto, não é necessário uma grande caminhada para termos vastos horizontes e a sensação de uma «conquista» que, espasme-se, estava mesmo ali ao lado.




O carreiro percorre a parte superior da Fraga de Cima e leva-nos a entrar no profundo Covelo. Tenho uma lembrança de, há muitos anos, ter percorrido este fechado vale desde a Bouça da Mó, enveredando por um carreiro que iniciava na Estrada da Geira. A aventura, que se turva na memória, é acompanhada pela recordação de um matagal que se fechava à nossa passagem, mas que foi coroada pelo descanso no sopé do Pé de Cabril. Em tempos, estes lugares eram calcorreados ao longo de carreiros que ligavam os diversos pontos da serra. No entanto, o abandono de muitas actividades de pastorícia, levou à perda e desaparecimento destes caminhos que traçavam memórias dos tempos idos.

A entrada no Covelo proporciona uma ligação com o Prado e com o Curral de Gamil. Seguindo pela sua margem esquerda, vai vencendo a distância ziguezaguenado por entre a penedia até atingir uma primeira elevação: uma verdadeira varanda que permite ao olhar abranger quase todo o grande lago azul escuro que se estende aos nossos pés. A vertente Sul da Serra Amarela está à nossa frente e o olhar guia-se desde a Calcedónia e Curvaceira, passando pelas encostas de Sta. Isabel, Covide, Carvalheira, Campo do Gerês (abrigado pelas encostas do Pinhote e Picota) até à Mata de Palheiros.



Deixando esta magnífica varanda, prossigo para a conquista do inútil e aprecio os grandes blocos que parecem constituir as paredes do bojo que forma o cabeço que me desafia. Ladeando pela esquerda, o caminho empina-se por algumas dezenas de metros até chegar "à sua face Sul". Aqui, um conjunto de mariolas faz-nos descobrir as «secretas» (parece que isto é o que está na moda) passagens que nos levam, a cada passo, mais próximos do ponto mais alto do dia. Em alguns pontos, uma pequena destreza de braços ajuda-nos a ultrapassar um pequeno obstáculo rochoso, da mesma forma que a posição da bota nos dá a tracção necessária para o impulso. Não foi a primeira vez que cheguei ao topo do Cabeço do Redondelo, mas as pequenas conquistas trazem-nos a satisfação das grandes paisagens.

Não é difícil chegar ao ponto mais alto do Redondelo, mas como todas as caminhadas em montanha, esta deve ser feita com todo o cuidado e com a absoluta certeza de que a descida não nos irá trazer problemas. A boa gestão do risco que estamos dispostos a correr é, em si, uma conquista tão ou mais importante do que chegar ao ponto mais alto.

E pronto, estou no alto do Cabeço do Redondelo e aprecio a paisagem que se abre e espalha aos meus pés. Olho o Campo do Gerês e vejo a mestria com que a aldeia foi implantada ao abrigo dos ventos frios do Norte pelas encostas do Pinhote. A Sul, a Veiga de S. João tem as cores dos dias quentes de Verão que contrasta com o azul escuro das águas que afogaram Vilarinho da Furna que durante longos séculos olhou para este colosso ao lado do Pé de Cabril. Esses dias desapareceram debaixo das águas silenciosas e escuras do Rio Homem.

Após a contemplação, restava então a descida e o regresso ao ponto de partida. Porém antes de partir das alturas, olho o Covelo e penso que em breve deveria procurar o "Penedo das Pápas" e o "Buraco do Mouro", referenciando assim dois topónimos que não se devem perder na História desta milenar povoção de Campo do Gerês. Deixando então o cabeço para trás, chegava ao Curral de Gamil e enveredava pelo traçado do Trilho das Silhas dos Ursos (6, 7) já em gestão da água que ia consumindo para tentar esquecer o calor que já se havia indecentemente instalado. O caminho levou-me pela Boca do Rio e Manga de Tojeira, passando então pelo Vale do Meio antes de chegar à valiosa Fonte de Junceda. Os últimos quilómetros até ao Campo do Gerês foram feitos através do traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês.

Ficam algumas fotografias do dia...















PS - Possivelmente, no título deveria ter escolhido "ascensão" em vez de "subida" para ter mais "likes".

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXVII) - Desde a Picota, o Campo do Gerês e mais além

 


Paisagem desde a Picota olhando a Nascente: a formosa e milenar aldeia do Campo do Gerês, e principalmente o núcleo do Assento, surgem abrigados dos ventos Norte pelas encostas de Pinhote, tendo a Veiga de S. João espçreiando-se a Sul. Mais para lá, a vista leva-nos aos alcantilados do Suadouro subindo depois para o Redondelo que surge escondido no granito cinza das Mesas. Os pináculos rochosos culminam nos píncaros do Pé de Cabril para lá da Quelha dos Olhos Caveiros.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 17 de agosto de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDXCIX) - Panorâmica da Serra Amarela desde o Redondelo

 


Com grande parte da sua área ardida, os efeitos do incêndio que a devastou em Julho de 2025 são bem visíveis nesta panorâmica da Serra Amarela desde o Redondelo, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXXI) - Homens de granito a caminho do Redondelo

 


As peculiares formas graníticas esculpidas pela passagem dos anos a caminho do Redondelo, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Serra do Gerês - Do Campo do Gerês ao Redondelo pela Junceda

 


Esta caminhada levou-me desde o Campo do Gerês até ao Redondelo com posterior descida para o ponto de partida caminhando por parte do traçado do Trilho da Águia do Sarilhão.

A parte inicial do percurso até à Chã de Junceda foi feita seguindo o traçado da Grande Rota da Peneda-Gerês, seguindo depois na direcção da Casa Florestal de Junceda e entrando por breves momentos do traçado do Trilho da Silha dos Ursos. Em seguida, caminhei pelo Vale do Meio, Manga da Tojeira e Fenteira do Prado, antes de chegar ao Prado e seguir pelo Covelo de Cima na direcção do Redondelo.

Descendo pela sua face Norte, passei pelo topo da Fraga de Cima e da Fraga do Sarilhão, baixando então para o Trilho da Águia do Sarilhão, terminando o percurso da aldeia do Campo do Gerês.












Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 14 de abril de 2024

Serra do Gerês - Subida ao Redondelo, Gamil e Junceda

 


Caminhada iniciada no Campo do Gerês e seguindo pelas encostas sobranceiras à albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas tirando partido dos velhos carreiros de montanha que se mantêm acessíveis e que nos proporcionam uma magnífica perspectiva da vertente Sul da Serra Amarela e de parte da Serra do Gerês.

O início do percurso tira partido do traçado do Trilho da Águia do Sarilhão até à sua chegada junto do velho posto de observação da Fraga do Sarilhão, posto este que em tempos pertenceu à desactivada Grande Rota das Casarotas. Aqui, e vindo do centro da aldeia do Campo do Gerês e após passar entre o Parque de Campismo de Cerdeira, o percurso flecte à direita, subindo uma corga que nos vai levar às encostas do Redondelo.

O carreiro vai exigir algum esforço para ultrapassar a Fraga do Sarilhão e a Fraga de Cima, entrando mais adiante no Covelo. Em pouco tempo chegamos aos fraguedos do Cabeço de Redondelo e a paisagem é ímpar, abrangendo a face Sul da Serra Amarela e o contraforte das Eiras e Cruz do Touro, na Serra do Gerês.

O caminho mariolado vai-nos levar depois para o Curral de Gamil e daqui segue-se o traçado do Trilho da Silha dos Ursos até ao seu ponto de partida caminhando pela Manga da Tojeira e Vale do Meio. O regresso ao Campo do Gerês fez-se pelo traçado da GR50 Grande Rota da Peneda-Gerês.

Ficam algumas fotografias do dia...


















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)