Às portas da Primavera, um dia de Inverno no Curral do Conho, Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Às portas da Primavera, um dia de Inverno no Curral do Conho, Serra do Gerês.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
As Albas parecem abrigar o Curral do Conho dos ventos Norte, porém a distância entre os dois é considerável tendo entre eles a Ribeira do Porto de Vacas. Esta é uma magnífica paisagem da Serra do Gerês na passagem para o Prado de Rocalva através das vertentes da Mourisca.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
O Curral do Conho ficara para trás e após a intensa subida que nos leva aos portelos antes da Lomba de Pau, o olhar para trás revela-nos toda a grandeza das serranias geresianas!
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Aproveitando um dia de tréguas no final de Outono de 2025 que trouxe a muita desejada água que faltava às serranias do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A caminhada aos Prados da Messe é um clássico na Serra do Gerês que nos permite apreciar a beleza da Mata de Albergaria (agora quase despida e pronta para o Inverno), bem como os altos das serranias encobertos com cinzentas nuvens de chuva.
Neste dia subi a Costa de Sabrosa para atingir os Prados da Messe. Como de costume, deixo a viatura na Portela de Leonte e percorro a estrada florestal que me leva à Albergaria logo no princípio da jornada. Por estes dias de caminhadas solitárias por estas paragens, e a ausência do burburinho estival, somos presentados com um leque de sons da floresta por entre o cantar dos pássaros que por cá ficam e o correr dos infinitos ribeiros e pequenos riachos após os dias de chuva. Caminhando pela estrada (que a evito assim no final da caminhada), o corpo vai-se habituando ao ritmo, ganhando pulsações e preparando a máquina para a subida da Costa de Sabrosa.
A subida da Costa de Sabrosa inicia-se pouco depois da Casamata da Albergaria. O carreiro leva-nos pela margem direita do Vale do Rio Forno e atravessa uma área de protecção total do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Assim, é necessário que se peça autorização para percorrer este trajecto (ver como aqui). Curiosamente, ainda há muita gente que insiste em não pedir estas autorizações; quando queremos direitos, há que cumprir os deveres!
Iniciando a subida, rapidamente se toma altitude e a Mata de Albergaria vai-se afundado atrás de nós. O horizonte alarga-se: primeiro a Serra Amarela e as serranias galegas tomam o seu lugar, seguindo das curvas do Soajo e da Serra da Peneda, lá «mais para cima». Por outro lado, as paredes do Vale do Rio do Forno parecem tornar-se mais verticais com o seu soberbo coberto arbóreo e o fundo do vale encrispa-se com os píncaros do Cornogodinho, das Albas e do Pé de Medela. Mais acima, a paisagem transforma-se num caos granítico e a montanha ganha mais altitude com as paredes que se elevam dos Prados Caveiros. A certa altura, chegamos a uma varanda que nos dá um vislumbre do Vale do Ribeiro de Monção e do Peito de Escada, outro acesso aos Prados Caveiros.
Terminada a subida da Costa de Sabrosa, num espaço amplo onde o vento frio se faz sentir no rosto, chegamos à Lameira das Ruivas, seguindo então para o topo da Corga dos Vidros com o Cabeço do Porto de Cornogodinho sempre a tentar para uma próxima visita. O carreiro leva-nos então à Lomba de Burro, onde finda a área de protecção total, e iniciamos a descida para os Prados da Messe, com a sua fonte que vale ouro nos dias do Estio.
Após uma paragem para abastecer de água e um café rápido, a caminhada seguiu então para as proximidades do Curral da Pedra, caminhando-se depois para o Porto de Vacas. Aqui, há que passar o ribeiro e todo o cuidado é pouco nos dias húmidos. Após passar as águas turbulentas, inicia-se a subida para o Curral do Conho, rumando a seguir à Lomba de Pau.
Por entre a tranquilidade e o silêncio, contemplam-se os grandes espaços. O manto verde encharcado irá servir de pasto no Verão para a vezeira, mas por agora é um local de silêncio onde o pequeno abrigo pastoril se confunde com a paisagem. Aqui, a História e as histórias misturam-se: os restos do que penso ser uma milenar anta e os restos da mineração do volfrâmio nos anos 40 do século passado, são marcas que aos poucos se apagam do espaço e da memória dos Homens.
Passando a Lomba de Pau chega-se à Chã do Caçador por entre lameiros e turfeiras de altitude agora cheias de água e esquecendo os dias quentes. À esquerda eleva-se a encosta da Torrinheira, culminando no Alto do Borrageiro com o seu velho marco geodésico, e à nossa direita a paisagem afunda-se para a Chã das Gralheiras e o caos granítico de Lavadouros e Cinzeiros, despenhando-se depois no vale de Maceira.
A parte final da jornada fez-se passando pela parte finda das Lamas de Borrageiro e seguindo depois à Fonte da Borrageirinha, iniciando a descida para a Chã da Fonte e para o Colo da Preza, com a sua vista para o Vale de Teixeira.
Descendo então ao Prado do Vidoal, tempo para uma paragem mais prolongada, segui para a Chã de Carvalho e iniciei a descida para a Portela de Leonte através da secular calçada da vezeira e debaixo do olhar atento do Pé de Cabril.
Algumas fotografias do dia...
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Prenúncios de Outono no Curral do Conho, Serra do Gerês, onde a Merendera pyrenaica (Quitamerendas) marca presença inconfundível na paisagem.
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Fotografado do alto do Conho, o Curral do Conho surge nesta diferente perspectiva sobre a Serra do Gerês. Esta não é uma paisagem que se esteja muito habituado a observar, pois requer uma passagem por um ponto que não é muito usual ser percorrido. Na fotografia, para além do Curral do Conho, destaca-se Porta Roibas, o Vale de Fechinhas, Velas Brancas e o Iteiro d'Ovos.
Sobre o topónimo "Conho". O nome deste curral, "Conho", surge devido à presença de uma grande rocha que o domina em termos da paisagem. Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (2008-2025), o termo "conho" pode-se referir a um regionalismo que significa "penedo arredondado no meio de um rio." Ora, para quem conhece o espaço, e apesar de não existir ali um curso de água que podemos definir como rio, a explicação do topónimo é óbvia
Quando os Serviços Florestais realizaram os primeiros levantamentos topográficos da área do perímetro florestal da Serra do Gerês, acabaram por baptizar muitas elevações com os nomes dos elementos que distinguiam a paisagem nas proximidades. Neste caso, a elevação a Norte do curral ficou a designar-se como "Cabeço do Conho".
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Aos poucos, e inevitavelmente, surgem os primeiros sinais de Outono (Curral do Conho, Serra do Gerês).
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Os recentes temporais danificaram alguns dos velhos carvalhos que embelezam a protegem os espaços de pastoreio e abrigo na Serra do Gerês.
Nomeadamente, nos Prados da Messe um dos carvalhos viu-se parcialmente derrubado, enquanto outro viu parte da sua ramada danificada e arrancada pela força do vento.
Com o apoio da Junta de Freguesia do Vilar da Veiga, membros da Vezeira do Vilar da Veiga procederam à plantação de vários carvalhos tanto nos Prados da Messe, como no Curral do Conho. A plantação destas novas árvores é importante para preservar aquelas áreas sempre sujeitas à forte erosão do ambiente de montanha. Da mesma forma, encetaram-se esforços para salvaguardar as árvores danificadas e procedeu-se ao início da reparação do abrigo pastoril do Conho.
Esta foi sem dúvida uma iniciativa de louvar por parte da Junta de Freguesia, da Vezeira e dos Baldios que, através de plantações, vão conservando a paisagem da Serra do Gerês.
No entanto, não posso de fazer uma nota pessoal referente ao facto de os carvalhos que foram plantados terem de ser árvores certificadas. Compreendendo que se deverá evitar plantar espécies não autóctones, causa-me estranheza que estas tenham de ser compradas pela Junta de Freguesia a privados e que o Estado, através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), não tenha capacidade de fornecer estas árvores. Em tempos, existiam viveiros dentro do que agora é a área do Parque Nacional da Peneda-Gerês, de onde poderiam ter sido fornecidas estas espécies. Infelizmente, e devido à criminosa e negligente gestão das nossas áreas protegidas, todos esses espaços foram abandonados.
Temos dinheiro para salvar bancos corruptos e com gestão danosa, bem como para financiar armamento, mas para as questões sociais e de Natureza, zero!
Prioridades!
Fotografias © Filipe Mota Pires e Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)