terça-feira, 4 de agosto de 2026

Lisboa desautoriza Braga e ICNF aprova passeio de bicicletas na Mata de Albergaria

 


Segundo noticia a edição online do jornal Terras do Homem (Passagem da Volta a Portugal em bicicleta pela Mata da Albergaria no Gerês sem público diz ICNF, pelo jornalista Pedro Antunes Pereira), "o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) condiciona a passagem da Volta a Portugal em bicicleta na Mata da Albergaria, no Gerês, 'a fortes medidas de proteção da biodiversidade'”, tais como a interdição ao público, não referindo no entanto qual a zona interditada.

Contrariando pareceres emitidos e cedendo a óbvias fortes pressões politicas, a autorização para a realização da etapa “foi acompanhada por um conjunto de medidas específicas destinadas a minimizar qualquer eventual perturbação”. Destas medidas, encontram-se "a limitação da circulação de veículos de apoio ao estritamente indispensável, a interdição da permanência de público em todo o trajeto que atravessa os setores ecologicamente mais sensíveis do percurso, a exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural e outras medidas de gestão consideradas necessárias para proteção das espécies, habitats e restantes valores naturais.”

Segundo indica o Terras do Homem, citando o parecer emitido pelo ICNF, "foi igualmente recomendada a integração, por parte da organização, de ações de comunicação e sensibilização ambiental, em articulação com o ICNF, que contribuam para a divulgação dos objetivos de conservação do Parque Nacional e do património natural que este alberga.

O ICNF refere que irá acompanhar a realização da prova, certamente destacando o seu numeroso corpo de 12 Vigilantes da Natureza, "em articulação com as restantes entidades competentes, de forma a verificar o cumprimento integral das condições estabelecidas e a garantir a salvaguarda dos valores naturais do Parque Nacional da Peneda-Gerês.”

O ICNF, que cobra uma taxa de acesso a veículos motorizados à Mata de Albergaria, refere que a decisão tomada “resultou de uma análise técnica e jurídica cuidadosa e aprofundada, realizada no quadro dos procedimentos legalmente previstos, num processo em que a proteção da natureza, dos habitats e das espécies presentes no Parque Nacional constituiu sempre a principal prioridade”.

Este Instituto Público, sem um pingo de vergonha na cara, jamais de importou com a verdadeira preservação dos valores ecológicos e naturais presentes na Mata de Albergaria. Como já foi amplamente referido neste blogue em anos anteriores, a arrecadação da taxa de acesso não tem efeitos práticos e visíveis na protecção da Mata de Albergaria, havendo sim uma percepção de desleixo e abandono do coração ecológico do Parque Nacional. O ICNF nunca demonstrou uma verdadeira vontade de limitar os danos ali provocados em época onde a afluência de visitantes é massiva.

Havendo gente de Lisboa - e talvez outra gente em Braga - que nunca deve ter visitado o PNPG, o ICNF refere que a sua análise concluiu, que o percurso proposto para a etapa coincide exclusivamente com uma via pavimentada já existente, e durante um período muito limitado, fazendo notar (apoiando-se em antecedentes que nunca deveriam ter ocorrido) que “o troço em causa corresponde a uma estrada onde existe circulação motorizada regular, sem que daí tenha resultado, até à data, qualquer impacte negativo significativo conhecido sobre os habitats naturais, as espécies ou os valores ambientais presentes”, lê-se ainda na resposta.

Não deixa de ser interessante esta declaração por parte do ICNF tendo em conta que há vários anos o PNPG esteve em risco de ser desclassificado devido precisamente ao facto de haver uma estrada a cruzar a sua zona mais importante.

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