A minha primeira visita às Minas dos Carris ocorreu em Setembro de 1989, num dia em que os céus se cobriam de um prenuncio de Outono e o nevoeiro cobria as encostas do Vale do Alto Homem. Uma chuva miudinha enchia de pequenas gotícolas a vegetação ao longo do caminho e tudo era um mundo novo de escarpas aprumadas, paisagens cinematográficas e uma mochila que pesava nas costas.
Já há meses que queria visitar o local, mas na altura a aventura foi pesada, inexperiente nas lides montanheiras. Porém, a chegada àquele conjunto de ruínas naquele dia cinzento despertou uma curiosidade que nunca mais acabaria. Jurei que nunca mais lá voltava, o resultado está à vista!
Envolto numa neblina pesada, percorri todos recantos daquele lugar e espreitei por todas as galerias que podia aceder... até que decidimos entrar numa delas!
A entrada principal da mina era feita através de um edifício que tinha uma pequena sala localizada à sua esquerda na boca-mina, a oficina de martelos e o escritório. A galeria principal da mina dividia-se em três galerias secundárias. A galeria que seguia pela direita curvava mais à frente para a esquerda, indo de encontro à galeria central que terminava no poço do elevador (poço-mestre), dando também acesso a uma galeria que faria ligação com o poço a céu aberto, mas que estava bloqueada. A galeria central conduzia ao elevador na mina e a galeria esquerda dividia-se em outras duas galerias: uma que continuava na direcção da anterior e uma que seguia para o lado esquerdo, isto é, a Sul. Esta encontrava-se há anos bloqueada por um muro de betão, com uma altura de aproximadamente 2 metros, e que retinha uma enorme massa de água.
O poço do elevador estava resguardado por uma estrutura metálica que lhe permitia o acesso. Eram visíveis os cabos de tracção do elevador. Este era composto por duas «caixas», uma das quais estava mergulhada nas águas que inundavam por completo os níveis e galerias inferiores da mina e outra que se encontrava ao nível do segundo piso. Parte desta estrutura, entretanto colapsada, era coberta por madeira e um alçapão amovível permitia o acesso aos níveis inferiores.
O poço-mestre ligava o Piso 2 ao Piso 6. Havendo mais um piso inferior (o Piso 7), a partir daqui partia uma galeria que seguindo para Este, terminava na área da concessão da Garganta das Negras I. Aparentemente, esta comprida galeria serviu como um esgoto de emergência, porém a sua concepção foi mal elaborada havendo um desnível de cerca de 5 metros que mais tarde seria compensado para funcionar correctamente como esgoto.
Curiosamente, de todas as entradas para o mundo subterrâneo das Minas dos Carris, esta boca mina é a menos conhecida e era a única que se encontrava devidamente encerrada e acautelada com um gradeamento de ferro, tendo, no entanto, este sido removido.
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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