domingo, 11 de junho de 2023

Incógnitas ruínas

 


A ideia de um parque nacional selvagem é uma das bandeiras que mais é brandida para quem quer ter um território baseado na narrativa de que o Homem por cá está há pouco tempo. Porém, basta ler os livros de Tude de Sousa ou caminhar pelos lugares mais escondidos e recônditos da serra com um ar atento, para se certificar que as marcas da presença do Homem aqui existem há milhares de anos.

Sejam as mamoas de Castro Laboreiro, os vestígios rupestres da Serra Amarela e da Serra do Gerês, as ruínas dos castelos, mosteiros e os restos das estradas e presença romana, atestam que as serras que constituem o Parque Nacional da Peneda-Gerês foram moldados pela presença humana numa simbiose que a foi alterando numa relação quase perfeita, se bem que por vezes um pouco desequilibrada.

Por todos os lugares vamo-nos deparando com velhos muros perdidos entre a vegetação, restos de construções seculares ou milenares, e caminhos traçados nas montanhas. A memória do Homem nestas serras persiste e irá persistir, apesar de alguns iluminados afirmarem que ele deveria deixar estas paragens.



Recentemente, ao percorrer caminhos abandonados nas proximidades da velha vacaria no Vidoeiro, Serra do Gerês, deparei-me com um amontoado de pedras que de imediato me fizeram lembrar velhos abrigos pastoris tomados pela vegetação. Um olhar mais atento, e entusiasmado, fez-me reparar noutros restos que ali jazem espalhados numa chã sem nome e não assinalada nos velhos mapas geresianos.

Existente de 52 anos, o Parque Nacional da Peneda-Gerês - a quem compete preservar a Natureza e a História do território - pouco faz em termos de estudos arqueológicos, apenas «estudando» o que está «à vista» e não tendo, pelo menos que me aperceba, um trabalho de estudo profundo da milenar ocupação do território. Prova disto, são as figuras rupestres da Absedo cuja descrição está verdadeiramente enterrada num artigo numa revista de arqueologia perdida numa qualquer prateleira.

Os vestígios da ocupação deste território são vastos e estão espalhados pelas serras, perdidos a aguardar o momento em que alguém neles tropece para que um dia possam talvez ver a luz do dia e revelar uma peça do ‘puzzle’ que é o nosso único Parque Nacional.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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