sábado, 20 de abril de 2024

Trilhos lá fora - Grande Rota Transfronteiriça Gerês-Xurés (Etapa 4 - Lobios a Lobeira)

 


A Grande Rota Transfronteiriça Gerês-Xurés completa o circuito iniciado com a Grande Rota da Peneda-Gerês, caminhando através das paisagens rurais e de montanha do Parque Natural de Baixa Limia – Serra do Xurés.

A diversidade climática impõe, no Parque Natural de Baixa Limia-Serra do Xurés, dois climas e, em consequência, duas vegetações diferentes.

Uma das grandes atrações deste parque é sua variedade paisagística. Quanto à vegetação, este espaço se situa entre duas grandes regiões de flora europeias: a euro siberiana, da província atlântica, e a mediterrânea, da província carpetano-leonesa. Por isso, a vegetação alterna bosques caducifólios, característicos das áreas climáticas húmidas, com os de folha perene. Os habitantes da região aproveitam as terras mediante pastagens e cultivos forrageiros, alternando-os com pousios de centeio.

Percorrendo o Parque Natural, a GR Transfronteiriça Gerês-Xurés tem uma distância total de 102 km.

A Etapa 4 levou-nos de Lobios a Lobeira num evento organizado por RB Hiking & Trekking.































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MCCCLII) - Cabeço da Cruz do Touro

 


O Cabeço da Cruz do Touro, Serra do Gerês, guarda as antigas marcas fronteiriças entre Portugal e Espanha.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 19 de abril de 2024

O fim dos trabalhos mineiros nos anos 50

 


Depois da loucura do volfrâmio durante o período de exploração mineira que corresponde à Segunda Guerra Mundial, os anos 50 representam uma fase mais lucrativa e de maior investimento nas concessões mineiras no alto da Serra do Gerês. Porém, mesmo esse período iria terminar um dia.

Com as cotações a descerem nos mercados internacionais, as condições de laboração deixam de ser lucrativas o que por sua vez origina a 23 de Julho de 1957 um pedido de suspensão da lavra para os restantes meses do ano, referindo-se como justificação as “…cotações do mercado e o desinteresse dos compradores.” Assim, os trabalhos são suspensos “tendo havido o cuidado de deixar tudo muito bem arrumado, empacotado e registado.” As instalações começam a ser abandonadas, ficando no campo mineiro somente um reduzido número de pessoas que em anos posteriores chegaria a somente um guarda.

Sem perspectivas para a retoma dos trabalhos num futuro imediato, a 8 de Janeiro de 1958, o Director Técnico, Eurico Lopes da Silva, apresenta ao Director Geral de Minas e Serviços Geológicos, a desistência do cargo que ocupava em relação às concessões do Salto do Lobo, Corga das Negras n.º 1, Lamalonga n.º 1 e Castanheiro. Um novo Director Técnico é apresentado a 15 de Janeiro, sendo este o Engenheiro de Minas Luís Aníbal Teixeira Sá Fernandes. O parecer favorável para a sua nomeação é dado a 29 de Janeiro, sendo comunicado ao Ministro da Economia pela Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos a 10 de Fevereiro. A Sociedade das Minas do Gerês é informada a 13 de Fevereiro da necessidade de enviar até 24 de Fevereiro, via vale postal, a quantia de 100$00 para que fosse publicado no Diário do Governo o despacho ministerial de nomeação do novo Director Técnico. A respectiva quantia é enviada a 21 de Fevereiro e assim, o despacho ministerial de 11 de Fevereiro é lavrado a 25 de Fevereiro pela Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos e publicado a 4 de Março:

Despacho Ministerial de 11 de Fevereiro de 1958

Aprova a nomeação do engenheiro de minas Luís Aníbal Teixeira Sá Fernandes para o cargo de director técnico das minas nºs 2.234, de volfrâmio e molibdénio, denominada SALTO DO LOBO; 2.806, de estanho, molibdénio e volfrâmio, denominada CORGA DAS NEGRAS N.º 1 e nºs 2.807 e 3.120, de volfrâmio, denominadas, respectivamente, CASTANHEIRO e LAMALONGA Nº 1, todas situadas na freguesia de Cabril, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, de que é concessionária a Sociedade das Minas do Gerês, Limitada.

A 23 de Abril de 1959 a Sociedade das Minas do Gerez, Lda., realiza um contrato de empréstimo no valor de 1.094.164$90 com o Fundo de Fomento Nacional para suprimir as suas necessidades mais imediatas. Apesar da lavra se encontrar suspensa, a 8 de Setembro, o Director Técnico Luís Sá Fernandes requer junto do Comando Geral da Polícia de Segurança Pública uma autorização para a compra de 3.000 kg de explosivos que seriam empregues nos trabalhos de exploração mineira não só no Salto do Lobo, bem como nas concessões do Castanheiro, Corga das Negras n.º 1 e Lamalonga n.º 1. Os explosivos ficariam armazenados no paiol da mina Salto do Lobo, segundo informação enviada para a Circunscrição Mineira do Norte a 28 de Setembro. Nos anos 50 os trabalhos realizados na Mina do Castanheiro terão sido muito reduzidos. Os relatórios anuais disponíveis para os anos de 1957, 1958, 1959 e 1961, mostram que a empresa não executou trabalhos de exploração naquela concessão. Apesar de se encontrarem com as lavras suspensas, as concessões eram sempre obrigadas ao envio dos dados estatísticos anuais.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MCCCLI) - A mata de Palheiros e a albufeira

 


A albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas e o verde primaveril da Mata de Palheiros, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Os trabalhos dos Serviços Florestais na Serra do Gerês em 1896-1897

 


Após um período de estagnação nos trabalhos realizados na Serra do Gerês entre 1891 e 1896, o ano económico de 1896-1897 assiste já à execução de vários trabalhos culturais e de construções por parte dos Serviços Florestais, retomando-se assim a actividade dos primeiros anos desta instituição.

Tude de Sousa refere que assim se inaugura "um período mais fecundo pelo sossego e tranquilidade que de alguma maneira se iam conquistando" ("Mata do Gerês - Subsídios para Uma Monografia Florestal", 1926, pág. 82).

(A fotografia mostra a ponte sobre o Rio Forno na Mata de Albergaria em finais do século XIX)

Neste ano económico, nomeadamente em Fevereiro, realizaram-se várias sementeiras em Palheiros e na Galeana, tendo-se plantado 1.422 castanheiros e 800 carvalhos na encosta do Vidoeiro, 1.788 castanheiros na Albergaria, 1.546 castanheiros e 1.296 carvalhos na Galeana, e 77 árvores diversas no caminho da Chã da Pereira.

A 25 de Outubro de 1896 é lavrado um auto de entrega de terreno na Portela do Homem para a construção de um quartel da Guarda Fiscal. A «cerimónia» ocorre na secretaria dos Serviços Florestais, nas Caldas do Gerês, sendo assinado pelo silvicultor António Mendes de Almeida (que ali se encontrava a realizar trabalhos topográficos) e pelo chefe de secção da Guarda Fiscal do Gerês, Albano Augusto Pereira (mais sobre este tema em A Guarda Fiscal instala-se na Portela do Homem)

O terreno havia sido solicitado a 23 de Agosto de 1892 pela Direcção Geral das Alfândegas, tendo na altura pedido 500 metros quadrados para uma casa para o Posto Fiscal. Este pedido havia sido diferido a 9 de Setembro de 1896, com a condição de reverter para a Mata Nacional quando as Alfândegas dele não necessitassem, com as "benfeitorias realizadas e sem direito a qualquer indemnização."

A 17 de Janeiro de 1896, os Serviços Florestais cediam também a Emilio Biel uma porção de terreno (de 45 x 95 metros) com a obrigação de o arborizar, para a regularização das extremas da sua propriedade na Galeana. 

Apesar de as relações entre os Serviços Florestais e as populações locais se irem acalmando, por vezes surgiam pretensões que poderiam criar conflitos desnecessários. Foi o que aconteceu a 11 de Novembro, quando o silvicultor chefe do 2.º grupo, Mário Viana, enviou à Direcção Geral de Agricultura um requerimento, datado de 6 de Agosto, em que uma comissão pedia gratuitamente, para a edificação de uma igreja, os terrenos denominados do Capitão Mor, que o Estado então comprara por 800$00 em Junho de 1890, para ali edificar uma casa destinada ao Secretariado dos Serviços Florestais no Gerês.

O requerimento era assinado pelo P.de António Joaquim da Rocha, António Joaquim Martins Ribeiro, Francisco Gomes Marques, Joaquim José da Silva Araújo, Joaquim Anselmo Pires, Francisco Estevão d'Almeida Maia, Manoel Barroso, Vicente Paulino da Silveira (por D. Maria Nascimento Salgado) e pelo cónego José Joaquim de Sena Freitas.

Na entrega do requerimento, o silvicultor informou que o requerimento deveria ser indeferido, pois o terreno tinha sido comprado para um fim já determinado e o que urgia era dar-lhe a devida aplicação e "não qualquer outra de alheia cobiça."

Assim, o requerimento seria indeferido, mas isto não impediu que posteriormente a pretensão fosse renovada, sendo apresentado um novo requerimento para o mesmo fim em Fevereiro de 1898. Desta vez, o requerimento era assinado por Vicente Paulino da Silveira, Clemente Pinto Guedes, Manoel Barroso, António Joaquim Eiras e João Baptista de Aguiar Machado. Tal como em 1896, o requerimento seria indeferido.

De facto, outros terrenos haviam sido indicados à comissão, mas somente aquele a religiosidade pretendia, no que não apresentava mau gosto, pois seria aí que seria edificado o edifício da repartição florestal.

Ainda em Janeiro de 1896, Clemente José Silvério Pinto Guedes, requeria que lhe fosse cedida uma parte do terreno de 140 metros de comprimento e 26 metros de largura, confrontando de Nascente e Sul com um terreno seu e com a estrada distrital n.º 11 e a Norte e Poente com o antigo caminho do Gerês. O pedido acabaria por não ter seguimento, pois o referido terreno servia de consolidação à estrada, por estar a servir de talude.

Bibiografia: "Mata do Gerês - Subsídios Para Uma Monografia Florestal" (Tude Martins de Sousa, 1926)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MXXXL) - Corneda e as Fragas da Corneda

 


A Corneda e as Fragas da Corneda com a sua roupagem de Primavera na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A Pedra Bela em princípios do século XX

 


A paisagem que hoje nós conhecemos da Pedra Bela, na Serra do Gerês, é uma paisagem muito diferente da que poderia ser vista em princípios do século XX.

A fotografia em cima, mostra o «planalto» da Pedra Bela ainda antes da construção da casa florestal e antes do início da reflorestação efetuada nos anos seguintes, pelos Serviços Florestais.

O topónimo "Pedra Bela" poderá ser uma derivação de "Pedra de Velar", local a partir do qual os pastores do Vilar da Veiga velavam os seus animais no Vale do Rio Gerês e enquanto estes se iam deslocando para as pastagens de altitude.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MCCCXLIX) - Corga do Fento

 


A Corga do Fento, escondida na solidão e silêncio da Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 16 de abril de 2024

Serra Amarela e Serra do Gerês - À volta da Barragem de Vilarinho das Furnas

 


Uma caminhada por duas serras do Parque Nacional da Peneda-Gerês com início e fim no Campo do Gerês em volta da albufeira das Barragem de Vilarinho das Furnas.

Foi uma jornada de 29,8 km com um desnível positivo de 1.180 metros que nos oferece diferentes perspectivas de paisagens já conhecidas.

A costa onde se inicia a verdadeira trepada até às alturas da Serra Amarela, não é fácil e põe à prova a capacidade cardíaca logo nos primeiros 2 km do percurso. O Peito de Gemesura não é para desafiar se duvidamos da montanha, pois ela irá, mais cedo ou mais tarde, cobrar o desafio e de certeza que não somos nós que vamos ganhar!



Subindo em curvas ou por vezes num demoníaco festo, o caminho vai-nos fazer ganhar altitude à medida que a paisagem se afunda atrás de nós e os horizontes se alargam para as serranias geresianas. Por outro lado, as vertentes alcantiladas das profundas corgas levam-nos para um cenário de grandes montanhas. À medida que vamos subindo, a Corga de Gemesura encrespar-se, a montanha ganha corpo e a albufeira da barragem que queria roubar o nome a Vilarinho da Furna torna-se num grande lago que desejamos mergulhar a cada pingo de suor, mesmo neste dia primaveril onde a brisa fresca da manhã esconde o Sol que nos vai queimando a pele!

A primeira grande subida vai terminar no Coto da Aguieira que nos permite um cenário em contra-luz para a Serra do Gerês. À nossa esquerda, elevam-se os altos da Amarela e afundam-se as medonhas corgas que abrigavam Vilarinho da Furna, lá no fundo! Aqui, o caminho vai-nos dar tréguas e desce para a Chã de Baixo (Chão de Baixo), antes de iniciar a subida pela Lomba do Alto para Chã de Cima (Chão de Cima) e empinar-se de novo para a Chã de Mimpereira (Chão de Mimpereira).


Em Chã de Mimpereira encontramos as enigmáticas Casarotas, velhas construções que algumas teorias apontam como sento antigos postos de vigia da quase invisível (daquele ponto) Geira Romana ou os restos de uma velha branda, memória de transumâncias de outros tempos. Creio, no entanto, tratar-se dos abrigos utilizados pelas gentes de Vilarinho da Furna por alturas das batidas ao lobo, possivelmente em conjunto com os habitantes da Ermida (Ponte da Barca).

Até Chã de Mimpereira segue-se o traçado da GR34 que aqui se deixa para seguir na direcção do Fojo do Lobo de Vilarinho da Furna, testemunho da eterna luta entre Homem e Lobo, e depois prosseguir para a Chã do Muro, ladeando o Alto do Velho Tojo.


Esta parte do percurso é fácil e, mesmo não havendo marcações de GR ou PR, torna-se instintiva a prossecução do caminho assinalado com mariolas. De referir que até este ponto na caminhada são escassos ou mesmo inexistentes os pontos de água e que a nascente existente na área do fojo do lobo pode estar imprópria para consumo.

Na Chã do Muro volta-se a encontrar as marcações da GR34 que subindo para o Couto do Muro vai passar pelo topo da Encosta dos Colados de Araújo, acima do Colado de Araújo e até ao Alto da Casa da Feira e Louriça, o ponto mais elevado da Serra Amarela. Plantado com várias antenas de comunicações e com vários edifícios de apoio, a sombra que estes proporcionam é já muito agradável ao Sol que aquece a paisagem. 

Neste ponto, e olhando a Norte, apruma-se a imensa Serra de Soajo até perder de vista e notam-se os recortes graníticos da Serra da Peneda.

Deixando a Louriça, prossegue-se a caminhada até ao Curral de Ramisquedo, passando nas vertentes voltadas ao Vale do Rio Cabril e às fragas e granitos galegos já do outro lado da fronteira. O percurso vai prosseguir pela Chã da Fonte e daqui dirige-se pela Encosta de Ramisquedo, baixando para a Chã de Ramisquedo onde se encontra o Curral de Ramisquedo...




Deixando o abrigo pastoril do Curral de Ramisquedo, seguimos a Nascente até encontrar o muro de pedra solta que coroa o Vale do Rio Cabril. O caminho leva-nos para as Lamas de Bruites e daqui vamos seguir à Corga de Fento, caminhando à sombra das Eiras. O tímido carreiro vai ladear a Encosta do Fento para nos conduzir à encosta do Corisco, seguindo depois pelo velho caminho sobre Gramelas que vai passar no topo da Corga das Cabanas e da Corga de Calvos até chegar à Chã de Calvos, descendo depois para a Portela do Homem.

Chegando à Portela do Homem, segui na direcção do Vale de S. Miguel e, caminhando já na Geira, entrava na Mata de Albergaria passando então a Ponte de S. Miguel e seguindo pela Estrada da Geira na direcção do Campo do Gerês, percorrendo também parte do traçado do Trilho da Águia do Sarilhão.

Ficam algumas fotografias do dia...




































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)