domingo, 14 de junho de 2009

Notas Históricas (XCIV)

Carris, 11 de Junho de 1946

Nesta data é lavrado o relatório do novo reconhecimento da mina do Salto do Lobo que na altura constava de duas galerias com 15 metros cada uma, uma outra com 50 metros de extensão, um poço vertical com 20 metros de profundidade e uma sanja com cerca de 150 metros.

Já existiam várias instalações mineiras nomeadamente, uma casa com dez divisões para o pessoal, umpavilhão com escritório e cantina também para o pessoal, balneários, nove armazéns, uma cantina para a direcção da mina, uma enfermaria, um refeitório para o pessoal, uma casa para famílias com sete habitações e uma casa de compressores onde estavam instalados dois compressores.

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa / Rui C. Barbosa

sábado, 13 de junho de 2009

Vamos limpar o PNPG!!

Carris, 12 de Junho de 2009

As fotografias desta entrada no blogue diz tudo!

No dia 20 de Setembro de 2008 um grupo de pessoas amantes da Serra do Gerês e populares de Vilar da Veiga percorreram o Vale do Alto Homem com o objectivo único de limpar os Carris. Nessa altura trouxe-mos de volta da serra dezenas de sacos cheios de lixo deixado nos Carris pelas inúmeras pessoas cuja presença na Serra do Gerês, por si só, é um verdadeiro atentado ambiental.

Na minha mais recente subida até às Minas dos Carris deparou-se-me um cenário idêntico ao que se via antes da limpeza de Setembro de 2008, tudo sujo e montes de latas, plástico, lixo, lixo e mais lixo.

Não posso culpar os serviços do Parque Nacional da Peneda-Gerês por este cenário (é incrível mas é verdade!). Não compreendo como é que supostos amantes da Natureza são capazes de percorrer quilómetros e quilómetros, e depois deixar a serra neste estado. Expliquem-me, pois eu não compreendo...

Visto este cenário nas Minas dos Carris admito que o mesmo se repetirá noutros locais. Já havia presenciado cenário idêntico em vários prados junto dos abrigos dos pastores. É um sem fim de garrafas de vidro, latas, plásticos...

Passado quase um ano desde a limpeza dos Carris, não pensava organizar uma actividade semelhante tão cedo pois assumia que o civismo poderia melhorar por entre aqueles que visitam a serra do Gerês e pelos muitos montanhistas que por lá caminham.

Assim, gostava de porpor a realização de uma actividade geral de limpeza da Serra do Gerês para o dia 5 de Setembro de 2009 (por lapso indiquei o dia 12 de Setembro na primeira versão desta entrada) com a constituição de várias equipas de voluntários que estivessem dispostos a ajudar na recolha do lixo que abunda pelas Minas dos Carris, pelos Prados da Messe, pelo Vale de Teixeira, pelo Arado, pela Pedra Bela, pela estrada nacional entre a Portela de Leonte e a Portela do Homem, pela Geira Romana e por muitos outros locais do Gerês. E porque não espalhar estas acções às outras serras do Parque Nacional da Peneda-Gerês? As inscrição serão ilimitadas e já enviei ao Parque Nacional da Peneda-Gerês uma proposta e um pedido de autorização para a realização desta grande actividade!!

Poderá ser um grande movimento de voluntários que de uma vez por todas façam ver a este nosso Portugal que o nosso único parque nacional tem de ser respeitado e assim talvez comece a respeitar todos aqueles que o amam!

Espero pelas vossas sugestões e participação... pelo Gerês, pelo ambiente... a Bem da Natureza!

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Para uma história das Caldas do Gerês, pelo Dr. Ricardo Jorge (III)

Continuo a reprodução dos textos do Dr. Ricardo Jorge com os quais pretendia em 1891 traçar uma história das Caldas do Gerês. Estes textos foram publicados nesse ano na obra "Caldas do Gerez - Guia Thermal" e são uma primeira aproximação, que chamarei de académica, para um traçado histórico da vila termal.

Para manter o rigor do texto, decidi não o adaptar ao português actual mantendo assim as características da nossa língua mãe em finais do Século XIX.

"(...)

Espraiou-se velozmente a clientela do Gerez para além das serranias circumvisinhas; chegou até ao Porto, d'onde D. João de Souza, irmão do Marquez de Minas, e governador d'armas, se abalançou a experimentar as Caldas, mandando abrir caminhos viaveis ás suas liteiras de fidalgo. As Caldas já tinham agora altos patronos, que não podiam deixar de compadecer-se com a primitiva miseria que lá se estadeava nas pôças d'immersão e nas cubatas asselvajadas.

Empenharam-se os protectores do Gerez com D. João V para valer a essa barbaridade miseranda; e não tardou a promanar da regia munificencia um plano de obras e melhoramentos que abrangiam um estabelecimento balnear, um hospital para indigentes, uma capella consagrada á Santa Euphemia, e um serviço religioso e medico durante a sazão thermal. Infelizmente o philantropico projecto não foi levado a cabo, e a parte executada sahiu acanhada e grosseira. O hospital não passou dos alicerces, que ainda ha pouco se divisavam. A capella ergueu-se tosca e exigua; e, se a capellania privilegiada nunca esteve sem sacerdote para as necessidades do servoço religioso, não assim o partido medico, mal entregue a uns ignorantes servidores d'Esculapio, medicastras de provisão que raro lá paravam, á mingua de estipendio camarario.

As thermas essas talharam-n'as com uma mesquinhez deploravel; sobrepuzeram á fileira das nascentes um renque de guaritas de pedra encostadas á rocha e encimadas por uma abobada ponteaguda, á laia de pequena ermida; dentro de cada uma o tanque de granito; onde por uma caleira se vertem directamente as aguas que rompem pelas frinchas da penha. Tudo grosseiro, acanhado, d'uma rudeza incommoda e repellente.

(...)"

Fotografia: ilustração retirada do livro "Caldas do Gerz - Guia Thermal", de Ricardo Jorge, e que mostra as bicas e os poços termais que seriam demolidos em 1897.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

138... Carris, um silêncio que preenche.

Carris, 12 de Junho de 2009

Um novo regresso às Minas dos Carris utilizando a ascensão clássica pelo Vale do Alto Homem. Um óptimo dia para caminhar na companhia de três amigos de Famalicão que já por algumas vezes haviam planeado visitar as minas mas cujos planos tinham sido sempre adiados... até este dia.

Como manda o bom senso começamos pela manhã evitando assim o calor do dia que se adivinhava. Demoramos 2h30 a percorrer o caminho entre a Portela do Homem e as Minas dos Carris por entre o sempre presente murmúrio da pujança do Rio Homem após alguns dias de chuva. Junto da Abilheirinha a Natureza vai cobrindo de verde o que a incúria dos homens cobriu de negro em Março passado.

Chegados aos Carris, e por meio de exclamações pela paisagem que nos foi acompanhando, sentimos o silêncio que alguém um dia disse preencher-lhe a alma. De facto, é algo que se sente e que a cada momento nos faz lembrar do local que pisamos...

Por entre as ruínas da antiga casa do pessoal superior da mina, vai-se acumulando o lixo daqueles que nada sentem e que vêm a montanha como um capricho de um dia e que não respeitam o legado que não é nosso.

Depois de uma paragem junto da represa para almoçar e depois de uma curta conversa com um solitário montanhista que abraça Carris por duas noites, chegou o momento do regresso. A visita aos poços da mina, a passagem pela lavaria, o atalho pelo Salto do Lobo... um olhar pelas memórias do campo de futebol. Iniciando a descida, vem o já usual cruzar com os grupos que tarde iniciam a subida aos Carris, corpos nus queimados pelo Sol... tímidos cumprimentos e ásperos olhares para o chão como que o cumprimento com aquele com quem se cruza fosse o violar da sacrossanta virgindade...

Na Portela do Homem a feira da romaria desordenada dos dias de um Verão que ainda está por chegar e no regresso a Braga uma história que poderá, ou não, fazer correr alguma tinta...

...no fim, pagar o dízimo para ser gasto em algo que nunca saberemos...
Fotografias: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Notas Históricas (XCIII)

Carris, 8 de Junho de 1943

É concluído o processo de transição da concessão da Corga das Negras n.º 1 com o endosso dos direitos à Sociedade Mineira dos Castelos Lda. por parte de Artur Gonçalves Pereira.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 7 de junho de 2009

Postais do Gerês (XIV) - Gerez, entrada e chalet Rio Bom

A entrada das Caldas do Gerês com o chalet Rio Bom num postal do início do Século XX editado pelo Bazar Soares do Porto com filial no Gerês (a foto é originária da Photo Marques).

Ao comparar esta imagem com o cenário actual são facilmente reconhecíveis algumas características da paisagem urbana.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sábado, 6 de junho de 2009

A mina misteriosa...

Carris, 15 de Fevereiro de 2009

Já há muito tempo que um pequeno pormenor na Carta Geológica do Parque Nacional da Peneda-Gerês me anda a intrigar a alma! Comprei esta carta há muitos anos a quando da sua edição pelo Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza e pela Direcção-Geral de Geologia e Minas dos Serviços Geológicos de Portugal em 1991.

Nesta carta as Minas dos Carris surgem ainda como concessões activas, o que era verdade pois as concessões só foram extintas a 28 de Maio de 1992. Na carta estão também assinaladas as Minas de Cidadelha, Lomba - Cadeiró e Borrageiro.

No entanto, e com uma observação mais atenta surge a certa altura uma sinalização de uma mina abandonada ou suspensa e ocorrência de volfrâmio numa zona não muito afastada do Outeiro da Meda já na extremidade Este da Encosta do Sol. Esta sinalização é curiosa pois até ao momento não encontrei qualquer referência à existência de explorações mineiras nesta zona do Vale do Alto Homem.

Quem diz que a Serra do Gerês não tem segredos?

Fotografia: © Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza / Direcção-Geral de Geologia e Minas dos Serviços Geológicos de Portugal

Trilho da Cumeada (IV)

Carris, 24 de Janeiro de 2009

A nossa forma de estar, caminhar e viver a montanha fez com que tomassemos a decisão de adiar a actividade 'Trilho da Cumeada' devido às más condições atmosféricas. As paisagens, sensações e emoções que nos aguardam nos píncaros do Gerês merecem um céu limpo e um tempo agradável, permitindo assim um são convívio entre todos... e no fundo a montanha continua lá, à nossa espera!

Posteriormente será agendada uma nova data.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Trilho da Cumeada (III)

Carris, 24 de Janeiro de 2009

O blogue Carris vai levar a cabo a actividade 'Trilho da Cumeada' que ira percorrer o limite de fronteira entre a Portela do Homem e a Amoreira, seguindo posteriormente para as Minas das Sombras terminando a actividade na Ermida de N.a Sra. do Xurés.

A concentração dos participantes terá lugar no parque de estacionamento da antiga Bracalândia pelas 6h15 ou então na Portela do Homem pelas 7h00.

Para o dia 6 de Junho está prevista a ocorrência de céu muito nublado e trovoadas. Ventos de WSW a 11 km/h com rajadas a atingir os 22 km/h. A probabilidade de ocorrência de trovoadas é de 60%. O índe de ultravioletas é máximo. A temperatura máxima será de 16º C e a mínima de 9º C.

Após a chegada ao local de início da actividade será tomada a decisão de se prosseguir ou não tendo em conta os factores ambientais, meteorológicos e de segurança para os participantes.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ruínas

Carris, 30 de Maio de 2009

Ruínas nas Minas dos Carris... um exemplo de preservação da nossa arqueologia industrial.



Vídeo: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Notas Históricas (XCII)

Carris, 3 de Junho de 1943

A 19 de Julho de 1941 o médico de 32 anos Anibal Pereira da Silva fazia o requerimento para assegurar os direitos de concessão da mina da Corga das Negras onde havia descoberto volfrâmio por simples inspecção de superfície.

A 3 de Junho de 1943 Anibal Pereira da Silva endossava todos os direitos que lhe haviam sido conferidos a Artur Gonçalves Pereira que por sua vez mais mais tarde iria endossar os direitos à Sociedade Mineira dos Castelos Lda., uma empresa gerida pelo alemão Walter Thobe.

Nesta mesma data a Sociedade Mineira dos Castelos Lda. requer a autorização para utilizar a estrada entre a Portela de Leonte e a Albergaria para levar a cabo os trabalhos de manutenção e reparação do caminho até aos Carris.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 2 de junho de 2009

Notas Históricas (XCI)

Carris, 2 de Junho de 1980

Nesta data era proposto o que viria a ser o último Director Técnico das concessões mineiras que constituem as Minas dos Carris, o Eng. Adriano Fernando Barros, respectivamente para as concessões do Salto do Lobo e da Corga das Negras n.º 1.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Para uma história das Caldas do Gerês, pelo Dr. Ricardo Jorge (II)

Continuo a reprodução dos textos do Dr. Ricardo Jorge com os quais pretendia em 1891 traçar uma história das Caldas do Gerês. Estes textos foram publicados nesse ano na obra "Caldas do Gerez - Guia Thermal" e são uma primeira aproximação, que chamarei de académica, para um traçado histórico da vila termal.

Para manter o rigor do texto, decidi não o adaptar ao português actual mantendo assim as características da nossa língua mãe em finais do Século XIX.

"(...)

Que no angusto valle thermal penetrasse o romano, tão apaixonado frequentador de caldas, nada o comprova; entre as nascentes e o seu caminho interpunha-se o quase inacessivel espinhaço da serrania. Apenas d'esse tempo piedosa lenda reza do martyrio d'uma santa, que por aquellas quebradas despenharam os pagãos; é a Santa Euphemia, a padroeira das Caldas, dona da capellinha mandada erigir por D. João V.

A descoberta das Caldas, segundo consta dos depoimentos dos primeiros gerezistas, foi casual; attribuem-n'a a uns pastores, que deram um dia pelas fontes vaporosas a jorrar da penha. O certo é que, como todos contestes o asseveram, o verdadeiro descobridor das Caldas, foi o cirurgião da aldeia gereziana de Covide, Manoel Ferreira d'Azevedo. O humilde clinico do sertão instigou os enfermos tolhidos a buscarem nas fontes thermaes o remedio d'achaques rebeldes, bebiam da agua, banhavam-se em pôças abertas no chão, e alojavam-se em cabanas improvisadas. Mas a penosa peregrinação era bem compensada pelas milagrosas curas.

Estas levas annuaes d'enfernos devem ter começado com toda a probabilidade em 1699; esta a grande data inicial d'um descobrimento therapeutico que honra a memoria do ignorado cirurgião de Covide, um benemerito da humanidade enferma."

Fotografia: postal do Gerês que mostra as bicas e os poços termais demolidos em 1897.

40.000

Carris, 30 de Maio de 2009

Este blogue atingiu a marca das 40.000 visitas no dia 1 de Junho.

Obrigado pela vossa preferência e apoio...

Fotografia: © Rui C. Barbosa