Em inactividade desde os anos 50, o complexo mineiro dos Carris encontra-se quase abandonado. Nele permanece um guarda e o local serve também de abrigo aos trabalhadores (ou seriam colaboradores?...) dos Serviços Florestais.
No entanto, no final da década de 60 surgem sinais positivos na retoma dos trabalhos mineiros com o aparecimento de novos investidores e o surgimento da figura de Alexander Schneider-Scherbina que terá um papel crucial e fundamental nas operações mineiras entre 1970 e 1974.
Os principais problemas que afectaram a produtividade das Minas dos Carris, encontravam-se na falta de mão-de-obra qualificada e falhas no fornecimento de energia eléctrica. O complexo mineiro nunca foi dotado de um sistema de fornecimento de energia eléctrica que estivesse ligado à rede nacional, dependendo do funcionamento de geradores para a produção da mesma.
Nesta altura, a mina estava confinada a uma única linha de trabalhos com um comprimento de 500 metros e uma profundidade de 155 metros. A linha zero era referenciada no velho poço exposto à superfície, mas que não era utilizado. Existiam sete níveis com um espaçamento de 25 metros, estando inacessíveis os três níveis superiores. Os trabalhos decorreram nos quatro pisos inferiores e mais intensamente no 6º piso que tinha um comprimento de 500 metros. O acesso e a elevação de todos os pisos, com excepção do 7º piso, eram feitos através de um poço interno de três compartimentos. Este poço descia até ao 6º piso ou a uma profundidade de cerca de 100 metros. No segundo piso, o poço abria para uma via-férrea que emergia da colina, sendo depois coberto por uma estrutura pré-fabricada até à lavaria (nova) a uma distância de 200 metros a sudeste na abertura. A elevação era feita através de caixas balançadas que eram controladas por um cabo contínuo operado por um motor de 28 hp. O minério era elevado em vagonetes com 500 kg de capacidade.
Na extremidade Norte do 6º piso existia uma extensão de 250 metros que fazia a drenagem desse nível para Este. Esta extensão podia ser utilizada para a remoção do minério. A deslocação da lavaria para esse local ou a construção de uma estrada não foi, no princípio dos anos 70, considerada economicamente viável. O 7º piso tinha somente uma extensão de 250 metros e estava ligado ao 6º piso por um poço interno localizado na base do velho poço de extracção. Um guincho operado electricamente elevava o minério do 7º piso para o 6º piso, sendo depois extraído para o exterior a partir deste.
Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013)
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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