É um tema muitas vezes questionado e as tentativas eruditas de explicação vão surgindo à medida de cada um.
Este texto é um excerto de um texto retitado do livro "Toponímia de Barroso", de José Dias Baptista (Edição do Ecomuseu - Associação de Barroso, 2014) e permite-nos uma explicação sobre a razão do topónimo «Pitões das Júnias».
"Topónimo de raíz muito antiga, pré-latina - PITT - que significa aguçado, pontiagudo. É, portanto, um topónimo topográfico pelas características orográficas das redondezas, em que ressaltam os chamados "Cornos da Fonte Fria", "Pala da Vaca", "As Fisgas", "São João da Fraga", "Penedo Grande", "Fraga de Paul", "Lamas da Portela", "Castelo Pé de Moega", "Cascata", etc. - tudo isto com significado de locais de altura e aguçados, álias, chamadouros de extrema prioridade.
O topónimo antigo parece que era Pitonha, ou antes, Vilar de Vacas de Pitonha, em que entre o étimo citado pitt + o sufixo arcaico onha que indica quantidade ou grandeza. Documenta-se o que dizemos pela inquirições de D. Afonso III, em 1258. Pelo século XIV ou XV já aparece a forma Pitões que julgo ser simples e lógica abreviação de Pitonha, pois, de Pitonia, diriam Pitonis e daí para o nasalado Pitões. No século XVII ou XVI começa a ser designada por Vilar de Vacas, Vacariça ou Vacaresse de Pitões, o que se comprova com documentos manuscritos (e de inusitado valor histórico.toponímico) da autoria do Padre Diogo Martins Pereira, em «Epítome Familiar e Árvore de Geração de Algumas Casas...».
Já no século XVIII, alguns dos recentes Lousada (que ainda os há aos trambolhões) fizeram o milagre de ressuscitar-lhe as Júnias, nome erudito com que se pretende eliminar o popular Unhas.
Dizem agora Pitões das Júnias... Mas não há documento de prova. Há, sim, Santa Maria das Júnias... Ora o topónimo é Pitões, as Júnias são de Santa Maria!
Mas tal forma, é duvidosa... Existia, sim, Juynas ou Iuynas - desconhecido palavrão de que não deveremos fazer o latinório Júnias. Com efeito Júnia foi nome de mulher latina mas não consta que deixasse rasto toponímico em nenhuma parte do império. Quem tal diz, está a fazer ao topónimo Pitões o que Júnio Bruto fez a Júlio César. Este tratava o Bruto por filho e, no entanto, o Bruto encabeçou a conjura e apunhalou o imperador na mais repugnante cobardia e traição.
O topónimo do Mosteiro dedicado a Santa Maria (Nossa Senhora das Neves!) era JUYNAS e nada mais. E, escrito assim, é topónimo desconhecido, sem significado, tal como Juriz. Estes nomes Júnias e Juriz não existem! Existe, e já existia em 1258, uma povoação que até era freguesia e pagava idêntica pensão, ao rei, qual pagava Pitões, Vila da Ponte, e outras. Essa povoação chama-se O Gerês e o seu orago era S. Vicente. Nunca ninguém encontrou um documento que falasse de Juriz. Mas há-os de São Vicente d'O Gerês!
Quando às Juynas, Iuynas ou Juyas há-de ser fórmula errómea de Unhas, importantíssimo elemento da lenda da fundação do Mosteiro. Que este se chamava Mosteiro da Senhora das Unhas (Mosteiro de Nossa Senhora das Unhas) está bem explícito nos documentos do P.e Diogo Martins Pereira a que acima aludimos (...). Não ponho as mãos no fogo por Júnias! Antes vejo no termo a tentativa de alguns eclesiásticos acharem suho o nome Nossa Senhora das Unhas e tudo fazerem para o erradicarem.
(...)"
Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)
Sem comentários:
Enviar um comentário