quinta-feira, 11 de abril de 2024

Trilhos seculares - Pelos Cornos da Fonte Fria

 


Regresso a um local que não visitava há cerca de 10 anos, a mística e mágica paisagem de fundo de Pitões das Júnias: os Cornos da Fonte Fria.

A parte inicial do percurso seguiu o traçado do Percurso da Cabra-montês. Esta é uma pequena rota com uma extensão de 3,6 km (ida e volta) promovida pela ADERE Peneda-Gerês e que nos mostra os valores naturais e a paisagem daquelas paragens.




Percorridos os 1,8 km iniciais pelo Vale do Ribeiro das Aveleiras e seguindo a encosta do Outeiro do Grossal, embrenhamo-nos na paisagem dos escarpados graníticos, descendo ao Ribeiro dos Fornos passando pelo Curral de Bruzaleite. A «descoberta» de velhos fornos pastoris alagados mostra que aquelas paragens foram em tempos locais muito utilizados para o pastoreio ou outras actividades tradicionais (carvoaria, por exemplo).

Ladeando a Fraga de Bruzaleite pelo Poente, entramos na Corga de Fonte Fria, avistando a Roca Sendeia e o cume que dá o nome àquela zona. Com a presença da cabra-montês, chegávamos à Fonte Fria, seguindo depois pelos Cotos de Fonte Fria e chegando às majestosas Gralheiras tendo como paisagem a albufeira da Barragem de Salas.

Seguindo depois por carreiros escondidos pelo tempo, descemos às Várzeas da Lama de Conde e depois para o Nó, entrando de novo no Vale do Ribeiro das Aveleiras e regressando ao ponto de partida pela encosta do Outeiro do Grossal.




























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Seminários Caminhados - Edição de 2024

 


A Edição de 2024 dos Seminários Caminhados terá lugar a 25 e 26 de Maio no Baldio de Cabril.

Promovidos pelos Baldios da Serra do Gerês, esta série de seminários caminhados no Parque Nacional da Peneda-Gerês têm como objectivo principal a produção de conhecimento pela experiência das coisas. Ao se adoptar este título evocamos as múltiplas interdependências e os benefícios simbióticos da coexistência entre humanos e não-humanos em áreas protegidas. No entanto, fazemos igualmente reconhecer que os Parques Nacionais são territórios de múltiplas vidas em concrescências nem sempre simbióticas ou facilitadas.

Mais informações em Seminários Caminhados.

Mais informações sobre a Edição de 2024 e como participar.

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Postais do PNPG (CCXLVIII) - GEREZ - Capela de Sta. Eufémia (Edificada por D. João V)

 


Este postal não circulado é uma edição da Foto Gonzalez - Loja Espanhola, e mostra a Capela de Sta. Eufémia, nas Caldas do Gerês, na sua posição inicial.

Mais sobre a história deste monumento em A Capela de Sta. Eufémia nas Caldas do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

A Capela de Sta. Eufémia nas Caldas do Gerês

 


A Capela de Sta. Eufémia é um dos elementos arquitectónicos mais antigos, existente nas Caldas do Gerês. Local de culto, foi erigida no reinado de D. João V (1689-1750).

No seu livro "Memórias Geresianas" (Edição do Jornal Geresão, 2011), Agostinho Moura dedica-lhe um interessante capítulo (págs. 239 a 241) que aqui reproduzo...

A Capela de Sta. Eufémia

Reza a história das Caldas do Gerês que por volta do ano de 1699, segundo o investigador Dr. Ricardo Jorge, ter-se-á registado o início do funcionamento normal das caldas, sempre remetido exclusivamente ao período do Verão, de Junho a Setembro de cada ano. Porque, entretanto, o movimento de frequentadores provenientes das mais diversas partes do país foi crescendo consideravelmente, e atendendo a que as condições de acolhimento e de tratamento dos aquistas eram bastante precárias, cerca do ano de 1730 o povo acorreu à generosidade do rei D. João V, o qual acederia de bom grado às solicitações apresentadas.

Nessa conformidade, poucos anos depois, aquele rei, cujo nome foi incluído na toponímia geresiana em reconhecimento da sua beneficência para com o Gerês, mandou aqui construir o hospital - que não passaria dos alicerces (...), poços cobertos para banhos, capela e residências para o médico, boticário e capelão.

A Capela mandada erigir por D. João V na primeira metade do século XVIII, foi dedicada a Santa Eufêmia, a virgem e mártir padroeira do Gerês que, segundo uma versão lendária se terá refugiado nas serranias geresianas e nelas teria sido presa e martirizada em 13 de Abril do ano 140. Esse pequeno templo, inicialmente com a sua fachada principal voltada para Sul, nela ostentando o escudo da monarquia portuguesa, sofreu a primeira ampliação e restauro em 1934, graças à generosidade do grande benemérito geresiano que foi o saudoso sócio-gerente da Empresa das Águas do Gerês, Eduardo Honório de Lima. Do templo primitivo, apenas se conservou a capela-mor, ficando com a configuração actual, no sentido nascente-poente, mantendo-se o escudo monárquico na sua fachada principal e sobre a porta principal, embora já pouco perceptível, encontra-se a inscrição latina "Introibo in domum tuam, adorabo ad templum Sanctum tuum" ("Entrarei em tua casa, adorar-te-ei no teu templo Santo").

Estas obras de ampliação incluíram também o respectivo equipamento com um riquíssimo altar-mor, adquirido na Sé Catedral do Porto, bem como os alteres laterais e diversas alfaias litúrgicas, algumas das quais doadas pelo rei D. João V. A partir de 1941, esta capela passou a dispor também da pia baptismal, normalmente apenas atribuída àsigrejas paroquiais.

Em face do aumento demográfico, a capela-mor foi ampliada nas laterais em 1991, tendo as obras decorrido entre 18 de Fevereiro e 31 de Outubro desse ano, reabrindo ao culto em 3 de Novembro seguinte, data em que realizou a festividade em honra de Sta. Eufémia, antecedida, no dia 2, com a realização do 1 Convívio dos Geresianos e Amigos do Gerês, ainda no âmbito da comemoração da elevação do Gerês à categoria de vila.

Estas obras de ampliação e beneficiação da Capela de Sta. Eufémia importaram em 4 mil contos, suportados pela população e beneméritos, fazendo parte da respectiva Comissão de Obras o pároco de então, Pe. Albino Azevedo Faria, e Fernando Rebelo Monteiro.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Trilhos seculares - Da Portela de Leonte ao Borrageiro pelos Prados da Messe

 


Apetecia-me caminhar um pouco até ao Borrageiro, mas sem deixar de lado os Prados da Messe. A caminhada começou pela manhã na Portela de Leonte, subindo depois a Costa de Sabrosa e chegando ao Alto do Borrageiro por carreiros pouco trilhados.

A manhã esteve tranquila com apenas um ou dois carros a passar por mim na estrada da Mata de Albergaria, mas como se não houvesse amanhã... O despertar consciente não existe para muitas pessoas que vêem aquela estrada como uma «pista de rali».



Depois de percorrer os 3 km de asfalto até ao princípio da subida da Costa de Sabrosa, início da «longa» subida. Esta é sempre uma trepada agradável de se fazer e a tranquilidade da manhã saudou-me com o vislumbre das cabras-montesas já perto da Lameira das Ruivas.

Subida a Costa de Sabrosa surge-nos o Cabeço do Cantarelo e a passagem pela Lameira das Ruivas dá-nos o primeiro vislumbre dos Prados Caveiros a caminho do cimo da Corga da Água dos Vidros. A paisagem vai-se compondo com o Cabeço do Corno Godinho ou as fragas alcantiladas das Albas, enquanto a fantástica torre do Pé de Medela leva-nos para os contos de fantasia que estas paragens sempre recordam.

Descendo da Lomba de Burro, e passando as ruínas da antiga casa dos Serviços Florestais, dirijo-me à Fonte dos Prados da Messe, abastecendo-me para uma curta paragem e um café.



Retemperado, sigo para as imediações do Curral da Pedra, saindo dos Prados da Messe, e em breve estou no Porto de Vacas encimando encosta acima na direcção do Curral do Conho e daqui para a Lomba de Pau. Esta é também uma subida que nos põe à prova, mas que desafia o olhar com a paisagem que se vai mostrando atrás de nós com as paredes das Velas Brancas, os altos de Porta Roibas e o colosso de Borrageiros, encimando a paisagem agreste e cinzenta da Serra do Gerês.

Almoço na tranquilidade do Curral do Conho com os seus carvalhos já a começas a vestir-se de Primavera. A parte seguinte da jornada havia de me levar ao Alto do Borrageiro, mas desta vez passando na vizinhança da Mourisca através de carreiros escondidos pelo tempo. Estes caminhos dão-nos sempre novas perspectivas de paisagens há já muito conhecidas.

Após a subida ao velho marco geodésico, e apreciando a paisagem por breves momentos, descia então através das Lamas de Borrageiro e seguindo depois para a Fonte da Borrageirinha. Daqui, a clássica descida para a Chã da Fonte e depois para a Chã da Preza, apreciando a magnífica paisagem do Vale de Teixeira. Ladeando o Outeiro Moço, chegava ao Vidoal e terminava a caminhada na Portela de Leonte após descer a Costa do Morujal passando pela Chã de Carvalho à vista do Pé de Cabril.

Ficam algumas fotografias do dia...











Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (10 a 17 de Abril)

 


Os próximos dias serão de céu pouco nublado ou limpo nas Minas dos Carris e as temperaturas estarão primaveris.

terça-feira, 9 de abril de 2024

Quando os tempos eram de luta

 


Há mais de 10 anos, lutava-se pela alteração do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês e pelo fim de uma Portaria governamental que nos queria obrigar a pagar uma taxa pelos pedidos de autorização para a realização de caminhadas.

Eram tempos de luta, uma luta que terminou com uma taxa injusta.

Na altura, e antes da revogação da Portaria, ia-se encher o Parque nacional com estes cartazes autocolantes.

Ficam de recordação...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

A Mata de Albergaria, a Costa de Bargiela e o Vale do Rio Homem em finais do século XIX

 


Em muitas situações os registos fotográficos existentes são difíceis de encontrar. Acredito que, escondidos ou esquecidos em arquivos, existem verdadeiros tesouros visuais que nos ajudam a compreender como era a Serra do Gerês (e, obviamente, as outras serras que fazem parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês) há várias décadas.

De facto, é um trabalho de salvaguarda e de registo que falta fazer, isto é, criar uma biblioteca visual que guarde a memória do passado. No entanto, a Aqualibris - Biblioteca Digital do Cávado, será um passo importante para a preservação dessa memória.

O blogue Carris tem vindo a procurar e a oferecer aos seus leitores algumas dessas imagens que são verdadeiros portais para o passado e que nos mostram as paisagens de outros tempos. São já muitos esses exemplos, com principal incidência nas Minas dos Carris, razão inicial de ser deste blogue.

Hoje a fotografia que aqui vos apresento é um fantástico documento fotográfico que nos mostra parte da Mata de Albergaria, da Costa de Bargiela (varziela) e do Vale do Rio Homem possivelmente obtida em Setembro de 1882 durante uma expedição da Sociedade Geográfica de Lisboa dirigida por Hermenegildo Brito Capelo e Leonardo Torres.

Na imagem, especial nota para a Casa Florestal da Albergaria (onde hoje se situação o Centro de Recuperação de Animais Selvagens) e a estrada que ligava à Portela do Homem.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (9 a 16 de Abril)

 


Esperam-nos céus limpos e temperaturas agradáveis na montanha nos próximos dias.