segunda-feira, 27 de abril de 2020

O erro dos topónimos «comerciais»


Há erros que se agarram como lapas e os quais são difíceis de corrigir, e este erro é recorrente! Por isso, e sempre com o objectivo de manter a verdadeira designação toponímica dos locais na Serra do Gerês, nunca é demais voltar a este tema quando estes erros são propagados por meios que, devido à relativa importância que vão ganhando, acabam por ter a obrigação de divulgar os verdadeiros nomes (topónimos) serranos em vez dos «topónimos comerciais» como já lhes chamam, como se de alguma forma isso viesse a alterar o crasso erro!

Vem isto (mais uma vez) a propósito da designação 'Cascata do Tahiti' para designar a Fecha de Barjas / Cascata das Várzeas.

Ainda recentemente, a versão mais actual do mapa do Parque Nacional da Peneda-Gerês da Adventure Maps vem ajudar na má informação em relação a este mesmo assunto designando como "Cascata Tahiti" a Fecha de Barjas / Cascata das Várzeas!! Não, não há desculpa!

O amplo acesso actual à informação poderia ajudar a preservar estes nomes. Porém, quando a preguiça, o facilitismo e a ânsia do lucro falam mais alto do que a preservação deste património, a tarefa não é fácil!

Já «toquei» neste assunto várias vezes...

- Município de Terras de Bouro não conhece o seu território?

'Portugal Tourism' e o Tahiti

- Toponímia geresiana - memórias históricas sob ameaça

- De ignorância em ignorância até à vitória final

- Também tu, GERESÃO?

- Má informação... ou simples ignorância

A cascata chama-se Fecha de Barjas!

Fecha de Barjas versus Cascata do Tahiti

- 'Portugal Tourism' e o Tahiti

Num destes textos, escrevo que "A toponímia geresiana é um manancial rico em nomes e designações que nos ajudam a compreender a vida do homem serrano desde os tempos imemoriais. Gravado na memória dos mais velhos e com poucos trabalhos de preservação desta toponímia, corre-se o risco de se perder um tesouro valioso que torna a Serra do Gerês (e as outras serras do Parque Nacional) como um poço sem fim para a descoberta.

Há já muito tempo que as cartas militares deixaram de ser uma referência para a memória e registo destas designações. Se em 1949 ainda se fizeram trabalhos de campo nos quais os contactos com as gentes locais tiveram um papel interessante na elaboração das cartas militares, os trabalhos mais recentes (nomeadamente as cartas de 1995) mostram um grande descuido no registo e localização de algumas características geográficas.

Por outro lado, a atribuição de designações que não correspondem à realidade, vão com o tempo adquirindo uma sobreposição sobre as verdadeiras designações de algumas zonas do Gerês. talvez a mais «famosa» de todas seja a designação 'Cascatas do Tahiti' para designar a Fecha de Barjas. Não são poucos aqueles que surgem nos postos de informação turística (quer da Câmara Municipal de Terras de Bouro quer do Parque Nacional da Peneda-Gerês) a solicitar informações sobre a sua localização. No entanto, o problema parece estar no facto de as fontes de informação turística poderem estar a perpetuar a utilização desta designação errada e o mesmo parece acontecer com alguns naturais da região que utilizam esta mesma designação, esquecendo-se assim do verdadeiro nome daquela zona. (...).

Não existe qualquer designação 'Cascatas do Tahiti' e a toponímia geresiana é demasiado rica para que se venha a perder devido à imposição de nomes que em nada estão ligados à vida serrana e que com o passar do tempo impliquem a perda de um património valiosíssimo para a caracterização daquelas paragens."


E sim, irei voltar a este tema sempre que necessário na incessante tarefa de preservar um património que é de todos.

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (27 de Abril a 5 de Maio)


As previsões continuam a indicar a possibilidade de queda de neve nas Minas dos Carris entre os dias 27 e 30 de Abril. O limite inferior da cota de neve encontra-se entre os 1.300 metros e os 1.500 metros.

domingo, 26 de abril de 2020

Minas dos Carris (2015)


As Minas dos Carris, mês a mês, entre 15 de Janeiro de 2015 e 5 de Dezembro de 2015.


4 de Fevereiro de 2015


15 de Fevereiro de 2015


22 de Fevereiro de 2015


22 de Março de 2015


11 de Abril de 2015


12 de Abril de 2015


21 de Junho de 2015


14 de Agosto de 2015


25 de Setembro de 2015


7 de Novembro de 2015


22 de Novembro de 2015


5 de Dezembro de 2015

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Trilhos seculares - Por Pena Curva e Junceda até aos limites de Vilarinho


Se a visita à Corga de Valongo constituiu uma grande jornada pela imensa Serra do Gerês, esta manhã seria dedicada a um pequeno alongar de pernas pelas imediações do Campo do Gerês. A ideia era completar uma pequena ligação entre Pena Curva e Junceda antes que o dia, que havia nascido com céu primaveril quase limpo, se viesse a transformar numa chuvosa tarde de Inverno.

Deixando o Campo do Gerês para trás e subindo por um caminho florestal junto ao Cruzeiro do Campo, galguei as pequenas encostas de Monserra chegando ao pequeno marco triangulado escondido entre a vegetação rasa. Daqui, a paisagem sobre a aldeia e para a Serra Amarela é única e o quadro natural é realçado pelas cores da Primavera que ajudam a dar nome às montanhas vizinhas.

O carreiro segue depois em direcção a Sul, levando-nos às encostas de Pena Curva da qual se vislumbra Covide abrigada dos ventos de Norte. Em Pena Curva, e tirando ou partido do estradão de Junceda ou dos carreiros que ainda resistem, poderia descer à estrada de Lamas / Curvas de S. Bento, mas isso tornaria a caminhada demasiado curta. Decidi assim tomar a estrada de Junceda e depois baixar para o ponto de partida por carreiros já conhecidos.

De facto o dia estava primaveril e o silencio no qual vive o mundo permite realçar o canto dos pássaros. No entanto, as nuvens que haveriam de transformar o dia já se iam acumulando no céu, pintando-o com manchas brancas ou tons de cinza.


Chegando a Junceda, tomei o carreiro que se inicia nas suas traseiras e dirigi-me pela Manga da Tojeira na direcção do Prado de Gamil onde fiz uma curta paragem para um saboroso café e deleite paisagístico. Encetava então o regresso, descendo na direcção de Cerdeira e depois para a recém reparada (quem diria?) estrada da Geira Romana e para lá da Corga do Gavião em procura dos milites da velha Vilarinho da Furna. Descendo depois para a Geira Romana, fui terminar este passeio matinal no ponto de partida.

Algumas fotografias do dia...


















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (DLXXIX) - Pé de Cabril


O farol da serra, majestoso Pé de Cabril, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (26 de Abril a 4 de Maio)


Como acontece em qualquer evento ou actividade que podemos fazer em montanha, é sempre necessário gerir bem os riscos e fazer uma gestão de expectativas.

Se ontem as previsões apontavam para uma generosa acumulação de neve para o dia 28 de Abril, hoje as previsões já indicam algo mais modesto, mas mantendo o cenário de queda de neve entre os dias 27 e 30 de Abril. Os níveis inferiores de neve encontram-se entre os 1.300 metros e os 1.500 metros.

sábado, 25 de abril de 2020

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (25 de Abril a 3 de Maio)


De quando em vez lá vamos tendo umas surpresas nestas previsões meteorológicas, mas que muitas vezes não se materializam naquilo que prevêem.

Então, a previsão a três dias mostra a possibilidade de queda de neve nas Minas dos Carris para o dia 27 de Abril, havendo a previsão de acumulação de 26 cm de neve para o dia 28 de Abril e tendo o limite de neve entre os 1.300 metros e os 1.400 metros.

Vamos acompanhando a situação...

Trilhos seculares - Pelo Corrego de Cambeiro


O Corrego de Cambeiro, que confundia com a Corga de Valongo, era daquelas zonas na Serra do Gerês que nos incutia respeito só de olhar para as curvas de nível num mapa. Foi assim a primeira vez que «li» sobre a Corga de Valongo, neste caso o Corrego de Cambeiro, quase como um lugar impenetrável no coração do Gerês.

Mas como em quase todos os lugares do Gerês, e por ser uma serra na qual o Homem tem uma relação de simbiose com a mesma, por entre a imensa vegetação que por lá fora crescendo devido às alterações nessa relação escondia-se quase de certeza as suas marcas. Impenetrável, restavam os relatos dos habitantes das aldeias de Pincães, Fafião, Cabril e de outros lugares que contavam como o carvão era fabricado e depois transportado serra fora para um local de venda no Teixo, Vale do Rio Homem.




Assim, os carreiros e abrigos iam desaparecendo quer da paisagem, quer da memória. Sabia que logo no início do Corrego de Cambeiro, quase à sombra das Quinas de Arrocela, existia (existe) um curral, o Currais de Conze, mas o que existia para lá deste espaço permanecia um enigma.

Infelizmente, há uns anos atrás, um incêndio criminoso varreu o Corrego de Cambeiro e muitas das corgas, e vales na zona. Muitos destes lugares, especialmente aqueles mais afastados das zonas húmidas, estão transformados em zonas quase desérticas onde a vegetação demora a retomar a paisagem.




O que resta dos caminhos no Corrego de Cambeiro está agora visível e a oportunidade surgiu para visita-la antes que a Natureza a volte a fechar. Paisagem granítica onde restam poucas árvores de grande porte que tenham sobrevivido, a Corga de Valongo inicia-se no início do Rio da Pigarreira e termina na base da Torrinheira (Cabeço da Cova da Porca, Estorrinheira). É ladeada no seu início a Sul pelas Quinas de Arrocela (lado esquerdo) e pelas vertentes Nascentes de Porta Ruivas (lado direito). A corga era percorrida por um carreiro em quase toda a sua extensão, carreiro esse quase desaparecido devido à erosão das encostas e que a certa altura permitia o acesso ao Curral de Borrageiros, levando também às proximidades da Mina da Arrocela.

Encontrei três características interessantes no Corrego de Cambeiro: os já falados Currais de Conze perfeitamente delimitado e com um abrigo pastoril alagado, um abrigo de pedra solta que denominarei de Pala de Cambeiro (agradeço qualquer correcção) e uma magnífica zona de derrocada de época geológica que marcou e modificou de forma profunda a paisagem do Corrego de Cambeiro.




O percurso desta jornada Geresiana levou-me desde a Portela de Leonte a passar pela Chã do Carvalho, Vidoal, Preza, Chã da Fonte e percorrer a Chã de Gralheiras em direcção à Lomba de Pau, Conho, Porto do Ribeiro das Vacas e a ladear o Curral da Pedra e os Prados da Messe. Entrando no Gerês profundo, passei ao lado do Curral de Bezerros e mais adiante ao lado do Curral de Premoinho. Seguindo o carreiro em direcção ao Borrageiro, divergi a certa altura para descer a Corga de Valongo, tendo-a percorrido na sua totalidade. No fim do Corrego de Cambeiro, e passando os Currais de Conze - maravilhando-me com a imensidão dos alcantilados graníticos das Quinas da Arrocela que se precipitam sobre o vazio - e o Sobreiral, segui em direcção ao Porto da Laje e depois para o Curral da Touça, local de merecido descanso. Deixando a Touça para trás, enveredei pelo Vale do Rio Laço e passei pelo Curral do Laço, subindo depois para o Estreito e seguindo para o Curral de Vidoeirinho, Curral de Rocalva, Curral de Roca Negra, Arco do Borrageiro e Chã da Fonte, descendo depois à Preza e Vidoal. Daqui, voltei a Sul para passar no Mourô, Corga de Mourô, Curral da Raiz e desci a Costa da Cantina, chegando depois à estrada nacional EN103-8 até tomar o velho caminho florestal de volta à Portela de Leonte passando pelo Escalheiro.


Algumas fotografias do dia...








































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)