terça-feira, 11 de julho de 2023

Postais do PNPG (CCXXXIV) - GEREZ - Ponte Feia

 


Este postal ilustrado mostra-nos um interessante cenário do Rio Homem na Mata de Albergaria com a Ponte Feia e a Corneda em último plano.

É um postal circulado que foi enviado a 30 de Junho de 1938 para Luanda, Angola.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXVIII) - Abrigo pastoril de Porto Covo

 


O abrigo pastoril da Chã de Porto Covo, Serra Amarela.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 10 de julho de 2023

A pernoita no PNPG - uma contribuição para o próximo Plano de Ordenamento

 


A propósito da publicação relativa à travessia da Serra do Gerês entre a Portela do Homem e Pitões das Júnias, foram levantadas algumas questões pertinentes relativamente à pernoita no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).

Por considerar que este deve ser um assunto a ser revisto aquando da revisão (passe-se a redundância) do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG), deixo aqui algumas considerações pessoais e elementos que deveriam ser considerados nessa revisão.

Antes, algumas definições de interesse...

- Pernoita: Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, a pernoita significa passar a noite onde não é costume passá-la.

- Campismo: Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o campismo é o estacionamento no campo, em barracas (tendas) semelhantes às de campanha.

- Acampar: Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, acampar é entendido se instalar no campo ou estabelecer-se no campo, assentar arraial, sendo uma permanência mais prolongada.

- Bivaque: Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, o bivaque é entendido como um acampamento provisório e ao ar livre.

O que nos diz o POPNPG sobre a pernoita?

Segundo a alínea s) do art.º 7 'Actos e actividades interditos' do Capítulo II 'Disposições comuns' do POPNPG, é interdita "a prática de campismo ou caravanismo fora dos locais para tal destinados, bem como a pernoita fora das condições autorizadas."

Segundo a alínea g) do Ponto 2 do art.º 8 'Actos e actividades condicionados' do Capítulo II 'Disposições comuns' do POPNPG, pode ser autorizada "a pernoita, quando associada a uma actividade de pedestrianismo."

Ora, diz-nos a experiência a lidar com a burocracia e os mal feitos do Instituto da Conservação da Natureza (ICNF) que a maior percentagem das solicitações de autorização de pernoita são recusadas tendo por base uma regra que dirá que "se a pernoita se realiza a menos de 3 km de uma estrada, esta não será autorizada". Lembro que estamos a considerar pedidos de pernoita que cumprem a alínea g) do Ponto 2 do art.º 8 'Actos e actividades condicionados' do Capítulo II 'Disposições comuns' do POPNPG, isto é, pedidos associados a actividades de pedestrianismo.

Usualmente, os pedidos de autorização de actividades de visitação são submetidos ao cravo burocrático dos funcionários do ICNF que para além do POPNPG por vezes usam interpretações pessoais ou supostas «regras internas» para analisar os pedidos que são, como já referi, na maior parte das vezes recusados. Assim, os pedidos são recusados e quem os pede acaba por realizar estas pernoitas mesmo sem autorização, pois sabe que a vigilância nesta área protegida é extremamente limitada.

Uma maneira de rodar a questão, é sempre tentar contactar os baldios que gerem a maior parte do território do PNPG ou mesmo contactar privados para assim conseguir uma zona de pernoita.

Mas, e se de facto a próxima revisão do POPNPG contemplar zonas de pernoita estabelecidas em locais próprios mesmo na Área de Ambiente Natural que engloba as Áreas de Protecção Total e as Áreas de Protecção Parcial de Tipo I e II?

Em tempos, recordo-me de um dos Directores do PNPG assumir a ideia da possibilidade de se criar estas zonas de pernoita autorizada que seriam locais onde quem visita as zonas mais remotas do Parque Nacional, teria a oportunidade de fazer a pernoita montando o seu bivaque pouco antes do pôr-do-Sol e levantar campo pouco depois do nascer-do-Sol, à imagem do que é feita noutras áreas protegidas internacionais que nunca viram o seu estatuto ameaçado por existirem regras deste tipo. Pelos vistos, somente as ideias repressivas que serão implementadas nessas áreas interessam...

Dependendo das suas localizações, estas zonas de pernoita autorizada seriam estabelecidas com os respectivos baldios (verdadeiros detentores da maior área do PNPG), que fariam a gestão das mesmas da forma como melhor entendessem, podendo, por exemplo, criar-se uma gestão semelhante há que é aplicada nas zonas de pesca desportiva com a emissão de uma licença ou sendo aplicado outro tipo de gestão que assim melhor se entendesse.

Esta solução terminava com a burocracia associada aos pedidos de autorização que teriam de ser feitos ao ICNF e que deixavam de estar sujeitos a interpretações pessoais e «maus figos», e regras que ninguém conhece (mesmo dentro do próprio ICNF), criando zonas «refúgio» que seriam equipadas com sanitas químicas ou biológicas, além de pontos de água.

Esta seria também uma boa solução a ser considerada ao longo da Grande Rota da Peneda-Gerês onde encontramos alojamentos ou locais de campismo que não aceitam uma estadia de uma só noite.

Para manter a protecção de zonas sensíveis no PNPG, a pernoita fora destes locais seria punida como uma contraordenação ambiental muito grave.

Qual a vossa opinião e que outras sugestões dariam para este tema?

Fotografia: https://sobrevivencialismo.com/

domingo, 9 de julho de 2023

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXVII) - Mariola

 


As grandes mariolas que sulcam a paisagem da Serra Amarela, companheiras e guias na solidão da montanha.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 8 de julho de 2023

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXVI) - Ramisquedo e a Serra do Gerês

 


O marco triangulado do Ramisquedo, Serra Amarela, tendo um último plano vários pontos altos da Serra do Gerês, nomeadamente (da esquerda para a direita) o Cabeço do Cornogodinho, as Albas, o Pé de Medela e Carris de Maceira.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Viva e morte na Serra do Gerês

 


A visão das cabras-montesas pelas serranias do Parque Nacional da Peneda-Gerês, é um dos melhores momentos que podemos ter nas caminhadas que por ali realizamos.

Num ‘habitat’ privilegiado, os animais encontram-se num espaço onde a Natureza comanda o seu destino de vida e de morte. Assim, o macabro cenário que encontrei neste local, mostrou-me que de facto a Natureza que há mais de 100 anos perdeu a cabra-montesa autóctone da Serra do Gerês, está aos pouco a equilibrar-se sem a necessidade de se usar uma suposta e falsa «herança cinegética» para o controlo destes animais.

O cenário mostra um macho de cabra-montesa que foi atacado e morto pelo lobo que não necessita de ameaçar a existência dos garranos selvagens como uma disparatada e enviesada recente notícia do jornal Expresso faz crer.


Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Serra Amarela - Caminhada à Louriça e ao abrigo de Rebordo Feio

 


A costa onde se inicia a verdadeira trepada até às alturas da Serra Amarela, não é fácil e põe à prova a capacidade cardíaca logo nos primeiros 2 km do percurso. O Peito de Gemesura não é para desafiar se duvidamos da montanha, pois ela irá, mais cedo ou mais tarde, cobrar o desafio e de certeza que não somos nós que vamos ganhar!

Subindo em curvas ou por vezes num demoníaco festo, o caminho vai-nos fazer ganhar altitude à medida que a paisagem se afunda atrás de nós e os horizontes se alargam para as serranias geresianas. Por outro lado, as vertentes alcantiladas das profundas corgas levam-nos para um cenário de grandes montanhas. À medida que vamos subindo, a Corga de Gemesura encrespar-se, a serra ganha corpo e a albufeira torna-se num grande lago que desejamos mergulhar a cada pingo de suor, neste dia com o Sol que nos vai queimando a pele!

A primeira grande subida vai terminar no Coto da Aguieira que nos permite um cenário em contra-luz para a Serra do Gerês. À nossa esquerda, elevam-se os altos da Amarela e afundam-se em medonhas corgas que abrigavam Vilarinho da Furna, lá no fundo! Aqui, o caminho vai-nos dar tréguas e desce para a Chã de Baixo (Chão de Baixo), antes de iniciar a subida pela Lomba do Alto para Chã de Cima (Chão de Cima) e empinar-se de novo para a Chã de Mimpereira (Chão de Mimpereira).




Em Chã de Mimpereira encontramos as enigmáticas Casarotas, velhas construções que algumas teorias apontam como sento antigos postos de vigia da quase invisível (daquele ponto) Geira Romana ou os restos de uma velha branda, memória de transumâncias de outros tempos. Creio no entanto tratar-se dos abrigos utilizados pelas gentes de Vilarinho da Furna por alturas das batidas ao lobo, possivelmente em conjunto com os habitantes da Ermida (Ponte da Barca).

Até Chã de Mimpereira segue-se o traçado da GR34 que aqui se deixa para seguir na direcção do Fojo do Lobo de Vilarinho da Furna, testemunho da eterna luta entre Homem e Lobo, e depois prosseguir para a Chã do Muro, ladeando o Alto do Velho Tojo.

Esta parte do percurso é fácil e, mesmo não havendo marcações de GR ou PR, torna-se instintiva a prossecução do caminho assinalado com mariolas. De referir que até este ponto na caminhada são escassos ou mesmo inexistentes os pontos de água e que a nascente existente na área do fojo do lobo pode estar imprópria para consumo.



Na Chã do Muro volta-se a encontrar as marcações da GR34 que subindo para o Couto do Muro vai passar pelo topo da Encosta dos Colados de Araújo, acima do Colado de Araújo e até ao Alto da Casa da Feira e Louriça, o ponto mais elevado da Serra Amarela. Plantado com várias antenas de comunicações e com vários edifícios de apoio, a sombra que estes proporcionam é já muito agradável ao Sol que aquece a paisagem. Neste dia, um frio vento de fazia lembrar que o Inverno há pouco terminou e que os dias na montanha podem ainda ser cruéis!

Neste ponto, e olhando a Norte, apruma-se a imensa Serra do Soajo até perder de vista e notam-se os recortes graníticos da Serra da Peneda.

Baixando da Louriça, segui a estrada florestal até chegar ao marco triangulado de Meiroa e daqui até ao abrigo de Rebordo Feio, regressando depois ao ponto mais elevado da Serra Amarela e iniciando a descida para o Curral de Ramisquedo e marco triangulado de Ramisquedo, passando nas vertentes voltadas ao Vale do Rio Cabril e às fragas e granitos galegos já do outro lado da fronteira. O percurso vai prosseguir pela Chã da Fonte e daqui dirige-se pela Encosta de Ramisquedo, baixando para a Chã de Ramisquedo onde se encontra o Curral de Ramisquedo...


A GR34 prossegue para o Fragão (ponto de água) e depois para a Chã de Porto Covo, seguindo entre a Nascente dos Penedos do Carvalhal Branco (Corga do Estrêlo) e a Chã de Toutas, e flectindo no topo das Colmeias do Galante, vai prosseguir pelo Peito do Chão da Fonte e baixar para as Pardelhas e Porto do Carvalhal, já «nas traseiras» de Vilarinho da Furna.

Devido ao elevado nível das águas na Barragem de Vilarinho das Furnas, tem de se tomar um carreiro dissimulado por entre a vegetação e que se inicia logo após a passagem pelo velho moinho. Devido à sua pouca utilização, é uma luta constante contra a vegetação que o vai invadindo.

Junto da aldeia afundada tomamos o estradão florestal que nos leva de volta ao nosso ponto de partida.

Ficam algumas fotografias do dia...



















Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXV) - Meiroa

 


O marco triangulado de Meiroa, Serra Amarela, e o alto de Lamelas em segundo plano.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Sirvozelo - Uma história de resiliência ou de luta contra o inevitável?

 


A SIC esteve em Sirvozelo e apresenta uma reportagem sobre esta aldeia no Parque Nacional da Peneda-Gerês com 7 habitantes.

Para ver e ler aqui.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXIV) - Porta Roibas desde a Touça

 


Os cumes de Porta Roibas, Serra do Gerês, vistos desde o Curral da Touça.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Segue os teus sonhos!

 


Conheci o Xavier há já muitos anos quando os blogues eram o meio de transmissão das nossas emoções na montanha. Lembro-me da nossa primeira caminhada e de muitas outras aventuras que se seguiram pelas serras geresianas.

Anos mais tarde, e com muita pena nossa, o Xavier, a Tixa e a Xara decidiram partir para outra aventura nas suas vidas que lhes abriu novos horizontes em picos mais elevados. A partir daqui, foi a conquista de novos espaços.

O espírito de montanha é (ou deverá ser) algo simples e cada um o define à sua maneira. Por vezes, temos a necessidade de o registar «em papel» em memórias escritas que se vão esvaindo. Foi destes registos, que nasceu "100 Sommets 3000".

Nas palavras do Xavier...

Numa altura em que se fala das filas na montanha proponho várias dezenas de itinerários em plena solitude no Valais.

Em 2013 após ter descoberto uma enorme paixão pelos grandes espaços, natureza bruta e pela solitude rapidamente percebi que o meu futuro não podia passar por continuar a viver em Portugal. 

Em 2014 deixo o fato é a gravata de bancário e lanço-me nas obras na Suíça, instalado no cantão das grandes montanhas (obviamente), o Valais, em 2015 lanço-me num projeto totalmente original, subir 100 montanhas com mais de 3000m em modo caminhada, sozinho (ou acompanhado pela esposa e/ou com o nosso cão alpino), sem utilizar nenhum material alpino e unicamente no cantão do Valais. 

Em 2021 atinjo o pico n.100 (hoje vou em 120).

Em 2022 faço um livro para mim, uma recordação dum projeto pessoal, rapidamente começo a notar interesse nesse projeto, em dezembro 2022 publiquei uma primeira edição de 500 exemplares, completamente esgotada em 2 meses.

Nos dias de hoje o livro existe em 3 línguas, inglês, francês, alemão, encontra-se à venda nas principais lojas de montanha do cantão, 65 lojas entre Genebra, Bern e Zermatt, o site 100sommets3000.ch encontra-se operacional para encomendas.

Segue os teus sonhos!

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXIII) - Pé de Cabril por entre as nuvens

 


O Pé de Cabril surge por entre as nuvens numas manhã de final de Primavera na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 4 de julho de 2023

Apresentação pública dos livros da série "PNPG Ambiente e Tradição"

 


No dia 8 de Julho de 2023, pelas 15:00, terá lugar a apresentação pública da obra "PNPG Ambiente e Tradição" com a presença do autor Ricardo Prata.

A apresentação realizar-se-á no Centro Interpretativo da Serra Amarela (junto à Barragem de Vilarinho das Furnas), Terras de Bouro.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCXXII) - Curral do Corisco

 


O Curral do Corisco, Serra do Gerês, é um dos currais perdidos de Vilarinho da Furna.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Caminhadas do blogue Carris em Junho de 2023

 


Em Junho de 2023 percorri 311,9 km em caminhada de montanha, com um D+ 13.003 metros, totalizando assim 1.585,8 km e 72.174 metros de D+ em 2023.

Estas foram as caminhadas do blogue Carris em Junho de 2023:

- Trilhos seculares - O Alto do Borrageiro e a Lomba de Pau

- Trilhos PNPG - O Trilho da Águia do Sarilhão (mod)

- Trilhos seculares - Pelo Vale do Homem a Borrageiros e Prados da Messe

- Serra da Peneda - O regresso ao Outeiro Alvo

- Serra do Gerês - Da Assureira à Bela Vista e ao Campo do Gerês

- Serra do Gerês - Das Rocas à Rocalva

- À volta da aldeia

- Serra do Gerês - A Carvalha das Éguas e a Encosta do Cocuruto

- Geira Norte

- Serra do Gerês - Da Fonte de Lamas à Junceda por Secelo

- 345... Minas dos Carris pelo Salto do Lobo e Negras

- Serra do Gerês

- Serra do Gerês - Fornalinho e o Curral dos Cornos de Candela

- Trilhos seculares - A caminhada a Porta Roibas

- Serra do Gerês - Das Caldas do Gerês ao Campo do Gerês preparando a chegada do Verão

- Caminhada do Solstício de Verão pela Serra do Gerês

- Da Portela do Homem a Pitões das Júnias - uma travessia da Serra do Gerês

- Serra do Gerês - Calcedónia e Curral de Lameirinha

- Outros trilhos - Trilho do Ribeiro Queimado (PR3 PVL)

- Outros trilhos - Trilho do Monte do Merouço (PR2 PVL)

- Serra do Gerês - Última caminhada de Junho

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)