segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Trilhos PNPG - Entre Paradela do Rio e Pitões das Júnias (na Grande Rota do PNPG)


Um dos troços mais empolgantes da Grande Rota do Parque Nacional da Peneda-Gerês (GR 50) liga a aldeia de Paradela do Rio e Pitões das Júnias passando por alguns lugares e aldeias mágicas daquela zona do Parque Nacional.

Esta Grande Rota vai em breve ser "percurso principal para a visita" ao nosso único Parque Nacional. O percurso liga a fronteira da Ameijoeira, em Castro Laboreiro, a Tourém, nas terras transmontanas, transpondo as quatro serranias que constituem o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).

Aqui o percurso entre Ameijoeira e a Sr.a da Peneda.

Aqui o percurso entre Campo do Gerês e Caldas do Gerês.

Aqui o percurso entre as Caldas do Gerês e Fafião.

Aqui o percurso entre Fafião e Xertelo.

Aqui o percurso entre Xertelo e Paradela do Rio.

Abandonando a aldeia de Paradela do Rio seguimos por caminhos rurais até chegar a Loivos e depois Fiães do Rio. Pelo caminho a paisagem vai-se alterando entre os horizontes sobre a albufeira de Paradela, os bosques e os campos agrícolas. O caminho vai-se percorrendo na curiosidade de pequenas figuras de barro que misteriosamente vão surgindo como fadas ou duendes transmutados em entidades sólidas que pelo final de tarde despertam para os mistérios dos bosques nocturnos.



Passando Fiães do Rio percorremos o bosque mágico até passarmos pela aldeia de Paredes do Rio que merece visita atenta apesar de a grande rota não atravessar o seu centro. O percurso, vai-nos então fazer descer pelo Caminho Cruz para a rejuvenescida e florida aldeia de Outeiro que cada vez mais vai afirmando a sua individualidade na paisagem cultural do Barroso Geresiano.

Segundo o Município de Montalegre, é a terceira freguesia de Barroso em extensão territorial, contando apenas quatro aldeolas. Entra na conta das freguesias que bordejam a característica Mourela, além de Covelães, Paredes, Pitões, Tourém, e Randim (Galiza). Inicialmente a freguesia chamava-se Parada do Gerês, depois São Tomé de Parada, depois Parada de Outeiro e, finalmente, Outeiro , sempre sob o mesmo orago – que é e foi São Tomé. Merece referência o achado de Torques (jóias pré-históricas de oiro) encontradas na abertura da estrada de Outeiro a Parada do Rio, no sopé do Castro que linda com o rio Cávado.

Passando Outeiro, e as histórias daquele que num dia de Junho de 1941 descobriu o volfrâmio nas alturas dos Carris, a paisagem da albufeira de Paradela volta por momentos a dominar a nossa vista até entrarmos num bosque que nos conduzirá até ao Fojo da Portela da Fairra, num percurso já interpretado com a sinalética vertical que será característica em toda GR 50.

Porém, antes surge uma peculiar formação geológica de vários blocos graníticos empilhados uns sobre os outros - genéricamente designados como 'Tor'. Neste caso, conta-se deste local uma peculiar lenda que já havia escutado noutras paragens geresianas.








Recordo aqui uma publicação de 6 de Dezembro de 2019 com o título O 'enfragar' e a história do «abafador», citando a seguinte passagem "Nos nossos dias é difícil imaginar como seria a vida nas nossas aldeias mesmo na primeira metade do Século XX, quanto mais nos dias que se escondem nas brumas do tempo.

A vida na aldeia é muitas vezes representada de uma forma idílica, onde a paz e o sossego reinam nos dias vividos ao ritmo das estações. Porém, existem aspectos muitas vezes escondidos que mostram que a nossa Humanidade muitas vezes se aproximam de uma condição animalesca, mesmo tendo em conta que o comportamento dos animais é, em muitos aspectos, mais humano do que muitas das nossas atitudes.

Existem duas histórias (ou lendas / mitos) que sempre me impressionaram e que mostram que o valor do ser humano dependia da sua utilidade para a sociedade na qual estava inserido. A lenda do acto de 'enfragar' é um cruel exemplo disso mesmo.

Em certas aldeias do Gerês conta-se a história de que em dias perdidos na memória dos homens, os filhos levavam os seus pais até uma zona erma, umas fragas próximas de um abismo. Chegados ali, entregavam aos seus pais já velhos uma manta para o proteger do frio enquanto que o idoso aguardava pelo chegar da sua hora. Certo dia, um filho levou o seu velho Pai até uma fraga (...) e ali chegados entregou a seu Pai uma manta para o proteger do frio. Quando o Pai viu o que o filho iria fazer, rasgou a manta a meio e entregou uma das metades ao seu filho dizendo-lhe, "Pega esta metade, pois vais precisar dela quanto a tua hora chegar..." Desde então, nenhum velho Pai foi «enfragado»!"






A passagem pelo Fojo da Portela da Fairra marca como que a entrada para os domínios de Pitões das Júnias ainda lá distante, pois começamos a percorrer o Carvalhal do Beredo e Campesinho que nos irá acompanhar quase até à aldeia de Pitões e na passagem pelo Ribeiro de Campesinho na base da Cascata de Pitões das Júnias que pode ser observada já no passadiço para onde a Grande Rota nos leva.

Algumas fotografias do dia...












































































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

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