quinta-feira, 27 de junho de 2019

Na Grande Rota da Peneda-Gerês (Entre a Ameijoeira e a Sr.a da Peneda)


A Grande Rota da Peneda-Gerês 'GR 50' (1) em breve irá se transformar no "percurso principal para a visita" ao nosso único Parque Nacional. O percurso liga a fronteira da Ameijoeira, em Castro Laboreiro, a Tourém e a primeira etapa faz a ligação entre o antigo posto de fronteira com a vila castreja.


O percurso inicial tira em parte partido do Trilho Castrejo entre a Ponte da Cava Velha e Castro Laboreiro, levando-nos depois pelas serranias agrestes até Lamas de Mouro e depois para o santuário da Sr.a da Peneda. 

Muitos dizem que a Serra da Peneda é a serra mais selvagem de Portugal; eu digo ser a serra onde o religioso e o profano melhor se combinam para nos proporcionar um ambiente único e muito peculiar engrandecido pela paisagem agreste do granito que parece rasgar a terra de onde brota.

As alminhas nos cruzamentos transportam-nos para um ambiente onde a crença religiosa vai buscar forças ao oculto. Uma floresta de carvalhos à luz do Sol por entre o nevoeiro, carregam-nos com um misticismo que nos faz caminhar mais depressa pois a noite vai chegando. O lusco fusco de uma vela que ilumina a figura santificada, o Cristo sangrento que afugenta as forças do Demónio. É assim Castro Laboreiro com as suas casas em pedra, altivas e seguras num Verão não muito quente. As gentes que trabalham nos campos pois o Inverno não tarda naquelas paragens. As mulheres vestidas de um negrume que marca, um negro que se destaca...

Por entre o silêncio dos gigantes blocos graníticos e o uivo do vento, num céu carregado de cinzento e por entre a melodia do restolhar das folhas, é assim que o percurso nos leva por entre esta terra tolhada de saudade.



Vamos atravessando paisagens, lugares e inverneiras silenciosas no presente. Dos monumentos que vamos visitando vão-se destacando o Cruzeiro e o Aqueduto de Pontes, a Ponte da Cava da Velha, o longínquo e altaneiro Castelo de Castro Laboreiro e toda a Natureza que nos envolve como um manto de beleza infinita.

O Aqueduto de Pontes foi construído na década de 40 do Século XX após ordem do P.e Manuel Joaquim Rodrigues, natural de Pontes e pároco em Castro Laboreiro. A água que por aqui corria era captada numa pequena represa situada junto à ponte de Dornas. Segundo Paulo Dordio (DGEMN – Aqueduto de Pontes, Cruzeiro e Alminhas, n.º IPA: PT011603020032, 1996), o aqueduto é constituído por um canal em pedra aparente, sem talhe e com junta seca, que parte dum maciço em alvenaria e depois percorre, elevado sobre pilares, uma distância aproximada de 60 metros formando vários tramos em ângulo recto. No espaço natural em que se insere, o aqueduto sobrepõe-se transversalmente, no sentido nascente/poente, a um caminho de terra batida, definindo um pórtico.  O cruzeiro-nicho, em pedra ‘à vista’, ladeia o aqueduto junto ao caminho referido e é de pouca altura, assentando numa base granítica quadrangular. Dispõe de pequeno parapeito e, sobre este, um maciço, também granítico e quadrangular, onde se aloja nicho escavado e se insere a cruz.  As alminhas, localizadas do outro lado do aqueduto, foram lavradas num bloco em pedra aparente sobre base de um degrau e apresentam nicho com cruz relevada.


Segundo o SIPA, a Ponte da Cava da Velha (ou Ponte Nova), foi construída na época romana e reformada na época medieval, de tipo arco, constituindo uma das melhores pontes do Parque da Peneda do Gerês e a mais imponente da freguesia. Apresenta tabuleiro em cavalete acentuado, sobre dois arcos de volta perfeita de tamanho desigual, reforçados por talha-mar prismático, a montante, e talhante retangular a jusante. A sua implantação, com acesso por duas curvas, o aparelho regular das fiadas inferiores e no talha-mar e talhante, bem como o almofadado das aduelas indica ser obra romana, contudo o tabuleiro com lajeado irregular e guardas de cantaria menos cuidada, revela a reforma medieval. É provável que tenha perdido um arco nessa ou numa reforma posterior.

Entre a Ameijoeira e Castro Laboreiro, o percurso leva-nos por Pontes, Assureira, Podre, Ponte do Barreiro e Barreiro, antes de chegarmos ao Charco de Gontamil (no percurso passando por passando por bosques de carvalhos alvarinho onde também se encontram azevinhos, loureiro, medronheiros, teixos, vidoeiros e carvalhos negral) e começarmos a descida para Castro Laboreiro.

Sendo uma etapa curta, decidiu-se prosseguir até Lamas de Mouro, passando pela Ponte das Veigas (uma ponte com características românicas com tabuleiro arqueado sobre um único arco de volta perfeita e pavimento em calçada), Casa Florestal das Veigas (com a sua área de lazer) e Portelinha, prosseguindo então pela serrania para o final da segunda etapa junto da Porta de Lamas de Mouro

No entanto, a caminhada não ficaria por Lamas de Mouro, prosseguindo o percurso para a Sr.a da Peneda passando pela Casa Florestal do Bico do Pássaro, Portela do Lagarto, Carvalhal e Casa Florestal de Tieiras e finalmente o santuário da Sr.a da Peneda.

(Exceptuando a passagem pelo Barreiro - onde a sinalética está deslocada ou ocultada - e a saída para lá de Portelinha - com problemas na sinalética - o percurso está bem marcado e aconselha-se!)

O resto fica para Outubro!...

Algumas fotografias do dia...






















































































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) - excepto infografismo.

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