quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

2016 vai começar com neve na Serra do Gerês


À medida que nos aproximamos do novo ano as previsões de queda de neve nos pontos mais elevados da Serra do Gerês vão-se mantendo.

As previsões mais recentes apontam para a queda de neve no primeiro dia de 2016 com um acumulado de 14 cm, mantendo-se também a previsão para o dia 2.

A pré-mineração nos Carris (I)


Tentar escrever a história do complexo mineiro que hoje conhecemos pela designação de Minas dos Carris, é tentar compreender a intrincada conjectura matemática de um novelo enrolado sobre si próprio há muitos anos. Isto é, se no aspecto exterior a história por nós imaginada nos vai parecer uma organização lógica de acontecimentos, o que se esconde por dentro são inúmeras histórias cruzadas de uma época turbulenta tanto a nível nacional como internacional. Com o mundo envolto numa guerra que se iniciara a 1 de Setembro de 1939 e com as indústrias bélicas a necessitarem de enormes quantidades de matéria-prima, o fornecimento desta ficava sujeito ao jogo internacional. No mesmo dia que o blitz invadia as terras polacas, o Governo de António Oliveira Salazar apressava-se a lavrar uma declaração denominada “A Neutralidade Portuguesa no Conflito Europeu”. Publicada na imprensa nacional a 2 de Setembro, esta declaração sublinhava que as obrigações dos tratados com a Grã-Bretanha, com a qual era reafirmada a aliança, não obrigavam Portugal para o conflito europeu.

Em território português eram inúmeras as concessões mineiras que eram exploradas por empresas que pertenciam tanto aos Aliados como à Alemanha Nazi. Segundo Franco Nogueira em “Salazar. As Grandes Crises – 1936-1945”, p. 351, “Muitas minas de volfrâmio são propriedade da Inglaterra, mas esta não as explora, para assim as manter em reserva, com prejuízo da economia do país onde se encontram, enquanto adquire volfrâmio na Turquia ou na Birmânia; e a Alemanha, sem interesse nas minas, apresentava-se a pagar bons preços e a valorizar uma riqueza portuguesa”. Assim, Salazar ao manter a neutralidade nacional evitava a tragédia bélica em território português, o mesmo território que ajudava ao fornecimento da máquina de guerra nazi. Em princípios de 1944 a Grã-Bretanha aumentava a pressão sobre Portugal para que fosse decretado um embargo total à venda de minério à Alemanha. Apesar da oposição inicial de Salazar, este embargo seria decretado em Junho de 1944. A maré do conflito mundial virou com a entrada dos Estados Unidos da América na guerra e o embargo colocou um ponto final na intrincada rede de entrada de ouro proveniente da Alemanha em Portugal como forma de pagamento dos minérios necessários à sua industria bélica.

Não se pode estabelecer um dia exacto para o início dos trabalhos ou da exploração mineira em Carris. Muito certamente antes das primeiras concessões legais, os habitantes serranos terão sido impulsionados pela «febre do ouro negro» a procurar o valioso volfrâmio nos píncaros do Gerês. Sem haver relacionamento, já Tude de Sousa refere na sua obra “Serra do Gerez” , “os antigos diziam-nas povoadas de ricos depósitos de pedras e minerais valiosos, desde o ouro ao puro cristal de rocha, o que, se não é abundantemente exacto, é até certo ponto verdadeiro, porque na serra se encontram pedras muito apreciadas pelas suas formas e colorações, destacando-se alguns formosos cristais de quartzo e feldspato e havendo em Pitões ferro magnético; se outros elementos dignos de exploração nela existirem, como não repugna crer, ao futuro pertence mostrá-los na simples revelação de um acaso ou na propositada pesquisa de qualquer bem indicada probabilidade.”

Tal como refere o arqueólogo e etnógrafo galego David Pérez López no seu artigo “Mineria e Carbón na Raia Seca” , “Em meados do século XX o coração da Serra do Gerês – Xurés apresentava uma intensa actividade devido à existência de uma rede mineira e comercial que permaneceu até à entrada da década dos 70. Carvoeiras e carvoeiros, mineiros, padeiros, cozinheiras, comerciantes e contrabandistas tiveram de suportar umas duras condições de trabalho, cujas temperaturas às vezes extremas devido à altitude destas terras.” Assim, para além da intensa actividade mineira a quando da Segunda Guerra Mundial (ou já mesmo antes desta como se atesta nas Minas do Borrageiro) e na segunda metade do século XX, a Serra do Gerês e a sua continuação galega eram palco de diversas actividades comerciais. Os acessos à montanha eram facilitados por uma série de trilhos que constituíam uma rede de caminhos que permitia cruzar as serras e levavam aos pontos mais inóspitos.

Adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", de Rui C. Barbosa - Dezembro de 2013

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Passeata pelo Mosteiro de Pitões das Júnias


Uma curta passeata pelas tristes ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, em Pitões das Júnias, enquanto que o Sol se punha atrás dos píncaros da Serra do Gerês.

Segundo o sítio do Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, o Mosteiro de Santa Maria das Júnias é  um "mosteiro Cisterciense com igreja composta por uma nave poligonal, românica e capela-mor, gótica, com dependências conventuais desenvolvidas a S., de que conserva troço de arcada gótica do claustro e outras construções. A nave foi alteada na época renascentista conforme atesta a cornija. Fachada principal da igreja terminada em empena de cornija truncada por dupla sineira, tendo portal de arco de arco pleno. Interior com púlpito no lado do Evangelho, dois retábulos colaterais e retábulo-mor barroco, de estilo nacional de transição."

Um património que se perde enquanto que o Estado Português cruza os braços sem nada fazer, além de colocar uma placa de aviso de ruína instável. Profundamente lamentável!
























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Previsão de neve para a Serra do Gerês


As previsões de queda de neve nos próximos dias nos pontos mais elevados da Serra do Gerês estão agora mais pessimistas. Havendo ainda a possibilidade de queda de neve, esta será agora menos intensa não ultrapassando um acumulado de 1 cm.

Autocarros eléctricos no PNPG?


Segundo noticia o jornal GERESÃO na sua edição de Dezembro de 2015, "...o Plano de Valorização do único Parque Nacional português apresentou a candidatura aos fundos comunitários da aquisição, com carácter prioritário, de dois autocarros eléctricos para transporte dos inúmeros visitantes desta área protegida."

A aquisição destes veículos terá como objectivo "...evitar a entrada massiva de viaturas no território do PNPG (...) em determinadas épocas do ano (...)."

Ainda deste plano fazem parte "...a recuperação de fachadas de prédios nas aldeias de S. João do Campo e Covide, bem como a construção de três parques de estacionamento na Portela do Homem, S. João do Campo e Leonte."

Ao contrário do que se observou em 2014, este ano não se assistiu a qualquer intervenção de fundo na gestão da paisagem geresiana, nomeadamente na Mata de Albergaria, objectivo supremo da cobrança das taxas de acesso àquela zona florestal. Assim, é pertinente a questão sobre qual o destino do dinheiro que foi cobrado entre 1 de Junho e 30 de Setembro deste ano?

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Trilhos seculares - Prados Coveiros


A vontade de caminhar era imensa, tão grande como a própria montanha. Não é que esta tivesse o sabor de ser a «última» caminhada do ano, mas o chamamento das paisagens e do sentir, lá me fez voltar para mais umas horas de caminho.

De facto o tempo não era muito; dividido entre os preparativos para o regresso à labuta brigantina e o desejo de respirar os ares geresianos, a manhã de Domingo proporcionava-se como uma última hipótese, ainda mais que as perspectivas da volta do tempo iriam tornar difíceis novas pegadas nos dias que correm.

Então lá me decidi deixar o conforto dos calor tépido dos lençóis e rumar à Montanha das Águas Quentes com o objectivo já bem traçado. Pequeno-almoço nas Caldas do Gerês para aquecer o corpo e dirigi-me à Portela do Homem. Pelo caminho, as milhentas folhas dançavam ao ritmo frenético do vento, ordenadas em sopros pelo ar ou arrastadas, barulhentas, pelo chão. Notava-se que, apesar de não estar assim tanto frio, o Inverno já ali havia assentado arraiais para os próximos tempos. Era o respirar fundo antes do mergulho, nas palavras do feiticeiro!




Leve mochila nas costas, máquina fotográfica «em punho», rumei estrada abaixo num caminho já tantas vezes percorrido. Perscrutava por entre os galhos desnudos de folhas da velha mata na esperança de ver de soslaio o passar de um animal. Porém, tudo o que via ou ouvia, era o correr da água, a dança do vento nas árvores e o leve balouçar destas. O Curral de S. Miguel estava calmo, mas o Rio Homem corria cheio de força no seu leio rochoso por entre a mata. Deixei a ponte para trás e segui o meu caminho pelo asfalto. Em breve chegava ao Rio de Monção e aqui iniciava a caminhada pela memória das gentes de Vilarinho da Furna.

É curioso como este caminho reflecte tão bem a presença e a marca secular destas gentes na Serra do Gerês. Se a mártir aldeia vivia no ventre da Serra Amarela, muita da vida deste povo foi vivida na Serra do Gerês e o caminho que agora percorria, trepando o Peito de Escada, é um testemunho inalienável desses tempos. O caminho, serpenteando como muitos outros serra acima, vai-nos fazendo ganhar altitude e a serra vai baixando perante os nossos passos. Com os horizontes cada vez mais largos, vamos vendo o Pé de Cabril e toda a lombada desde aí até à Costa de Varziela, passando por Bemposta e Corga do Mourinho, lá mais para trás. Na direcção da albufeira de Vilarinho da Furna, surge (como uma barbatana de um tubarão) o espigão de Pena Longa e em frente o Cabeço de Palheiros e as cristas graníticas que marcam o horizonte até à Louriça e a extremidade da SErra do Gerês no Alto das Eiras. Escondidas no início da subida, irão depois surgir a Serra do Soajo e a Serra da Peneda com a Sra. de Anamão, qual Urriello Português na distância. Já nestas alturas, quase no final da subida, surge-nos lá ao fundo a Portela do Homem e o início da Encosta do Sol. Que belo cenário de montanha!

O Peito de Escada esconde aqui e ali um pouco da história de Vilarinho da Furna. Acesso privilegiado aos Prados Coveiros, ainda são visíveis em muitos pontos os pequenos muros que delimitavam o caminho e em certas partes são notáveis os trabalhos de colocação de lajes que até aos nossos dias marcam a passagem dos animais e pastores na vezeira serrana.

Os Prados Coveiros guardam um peculiar silêncio. Os velhos carvalhos são os guardiões do local, cenário bucólico e pitoresco da Serra do Gerês, muitas vezes referido nas publicações e livros clássicos da primeira metade do século XX. O seu forno, velho abrigo do pastoreio, diferencia-se dos restantes existentes na Serra do Gerês devido à sua construção, tirando raízes dos abrigos existentes na Serra Amarela. Abandonado pelas gentes de Vilarinho da Furna, os prados são agora utilizados pela vezeira de Vilar da Veiga.

Chegado aos Prados Caveiros, enchi-me do seu silêncio intercalado pela dança do vento nos galhos dos carvalhos e pelo quase imperceptível correr do ribeiro ali perto. Abrigado à sombra do Cantarelo, este é um local único e singelo na Serra do Gerês.

O regresso foi feito pela vertente da Costa de Sabrosa, descendo em direcção à Mata de Albergaria. Seguiu-se depois uma rápida passagem pela Ponte Feia, enveredando de seguida pela Geira Romana e passando pela Milha XXXIII junto da triste ruína do abrigo de montanha do Clube Académico do Porto em direcção à (nova) Ponte de S. Miguel. O percurso continuou pela pegadas dos soldados romanos até pouco depois das ruínas das casas dos Guardas Florestais e passado ao lado do Curral de S. Miguel, entrei de novo na estrada que me levaria à Portela do Homem.

Algumas imagens do dia...
























































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)