quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Trabalhos em Lamalonga?

Carris, 13 de Abril de 2004

As Minas dos Carris eram compostas por três concessões mineiras principais: o Salto do Lobo (2234), a Corga das Negras (2806) e a Lamalonga (3120). A maior parte dos documentos fotográficos que me foram cedidos dizem respeito aos trabalhos levados a cabo na concessão do Salto do Lobo. Ao ter conhecimento destas concessões o visitante das Minas dos Carris facilmente conseguirá identificar, com a ajuda de um mapa da área, a localização destas três concessões.

Se em duas delas, nomeadamente no Salto do Lobo e na Corga das Negras, são bem visíveis os trabalhos de exploração mineira quer no subsolo quer à superfície, o mesmo já não acontece na Lamalonga (ou Corga da Lamalonga). A inspecção no terreno não revela à primeira impressão qualquer tipo de trabalho mineiro. No entanto e após conversa com o Eng. Adriano Barros, último Director Técnico destas três concessões, foi-me referido que a exploração na Lamalonga se centrou numa fase mais posterior nos aluviões existentes naquela corga.

A consulta de documentação relativa a esta concessão mineira revela diferentes pontos de prospecção de volfrâmio nos tempos da Sociedade das Minas do Gerês. A fotografia seguinte pode talvez ser um dos únicos documentos que mostra trabalhos levados a cabo na Lamalonga, no entanto é uma fotografia que me levanta dúvidas sobre a sua localização exacta. Existem porém na fotografia alguns detalhes que podem ajudar a identificar o local e este será um dos objectivos da minha próxima ida às Minas dos Carris em Fevereiro.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Sombra...

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Uma sombra, só, fita o horizonte para lá das ruínas...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Notas históricas (XX)

Carris, ...anos 40?

A imagem em cima mostra-nos uma paisagem que à primeira vista poderá ser um pouco estranha, mas um olhar mais atento certamente irá reconhecer a parte superior do Vale do Alto Homem. Na imagem é possível ver a encosta da montanha mais próxima dos Carris onde ainda não passa a estrada que irá no futuro permitir o acesso às Minas dos Carris.

Sem dúvida, um documento fotográfico de elevado valor...

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

15 de Abril de 1993

Carris, 15 de Abril de 1993

Continuando a encontrar velhas memórias em arquivos fotográficos dos meus amigos. Desta feita, são três imagens obtidas a 15 de Abril de 1993 durante uma actividade do Grupo Pioneiro 28 do Agrupamento XIX - S. Vicente, Braga, do Corpo Nacional de Escutas.

Já no dia anterior havíamos feito uma caminhada na qual subimos parte da Encosta da Sabrosa em direcção aos Prados da Messe onde acabamos por não ir devido à intensa quantidade de neve e ao tardar da hora. A caminhada para as Minas dos Carris, onde então tínhamos planeado pernoitar, prometia muita neve mas não tanta como a que acabamos por encontrar e que nos forçou a prolongar a caminhada até encontrarmos abrigo para os lados da Lagoa do Marinho. Durante a caminhada encontramos neve acabada de cair na noite anterior e o frio era intenso. Lembro-me que a forma de não sentirmos tanto frio em parte da descida da Corga da Lamalonga, era caminharmos por dentro da água que corria no pequeno riacho.
Naquela altura algumas das casas ainda tinham telhados e serviram de abrigo por algumas horas enquanto com a ajuda de um chá, retemperávamos forças e visitávamos Carris.

Fotografias: © Alberto Dias Pereira (aka Bértinho)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Edifícios das Minas dos Carris (XV)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Continuo com esta série de entradas no blogue a fazer a comparação de fotografias histórias com a actual realidade das Minas dos Carris.

A fotografia seguinte mostra parte dos edifícios de processamento do minério existentes nas Minas dos Carris no decorrer da segunda metade dos anos 50.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 27 de janeiro de 2008

30 de Abril de 1989

Carris, 30 de Abril de 1989

Mais duas imagens das Minas dos Carris que nos mostram pormenores interessantes. A imagem em cima mostra uma parte dos edifícios existentes nas Minas dos Carris e que serviam para o processamento do minério. Esta imagem foi obtida numa fase em que o aproveitamento por parte das gentes serranas dos materiais existentes nas casas levou a uma degradação intensa do complexo mineiro. Porém, na imagem ainda são visíveis alguns dos postes de sustentação do cabo do telégrafo e os suportes em madeira de alguns telhados.

Uma nota pessoal sobre estas imagens... Estas duas imagens fazem parte de um conjunto de fotografias obtidas durante uma actividade do Clã 59 do Agrupamento XIX - S. Vicente, Braga, do Corpo Nacional de Escutas. Não participei nesta actividade porque na altura decidi visitar um amigo que cumpria o serviço militar e se encontrava em Lisboa. Porém, ao escutar os relatos desta actividade e principalmente de um local na Serra do Gerês onde se encontravam umas ruínas de uma velhas minas abandonadas, despertou-se em mim uma curiosidade que passados muitos anos daria lugar a todo este trabalho. Na altura, os Carris pareciam-me tão distantes como um país longínquo e o meu imaginário construiu todo um cenário que me fez sonhar com as Minas dos Carris, com o longo vale e com o caminho que o percorria, com as suas pontes em madeira, locais abandonados e cenários saídos de um filme de aventuras. Foi assim que tudo começou... visitaria Carris pela primeira vez em Setembro de 1989...

Fotografias: © Alberto Dias Pereira (aka Bértinho)

5 de Setembro de 1979

Carris, 5 de Setembro de 1979

Mostro-vos três 'novas' fotografias não das Minas dos Carris mas de parte do caminho até às minas. Estas fotografias reportam-se a uma altura da qual eu tenho poucos registos fotográficos.

A primeira fotografia em cima mostra um grupo de Caminheiros do Clã 59 do Agrupamento XIX - S. Vicente, Braga, do Corpo Nacional de Escutas após uma visita às Minas dos Carris. Na imagem é visível o grupo de jovens a descer a estrada que liga a ponte sobre o Rio Homem e as Minas dos Carris. Como se pode notar o estado da estrada então era muito melhor do que é na actualidade apesar de ser um caminho de terra batida e de as minas estarem já encerradas há alguns anos. De notar também o escasso coberto vegetal na margem oposta.

A segunda imagem em baixo será já mais familiar para aqueles habituados a percorrer este caminho. Nela vê-se parte da Serra Amarela e um pormenor deveras interessante. Se repararem na zona inferior esquerda da imagem, verão um dos muitos postes de sustentação do cabo do telégrafo que antigamente percorria o vale até às Minas dos Carris. O cabo acabou por ser retirado no princípio dos anos 90.
A terceira imagem mostra-nos novamente o grupo de Caminheiros Clã 59 do Agrupamento XIX - S. Vicente, do Corpo Nacional de Escutas e também nesta imagem são visíveis alguns dos postes de madeira que sustentavam o cabo do telégrafo.

Fotografias: © José Alberto Antunes Soares

sábado, 26 de janeiro de 2008

Um outro olhar... (VI)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Instantâneos sui generis pelo companheiro de caminhada José Afonso Duarte... um outro olhar dos Carris...
Fotografias: © José Afonso Duarte

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Edifícios das Minas dos Carris (XIV)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Já por várias vezes referi que um dos edifícios de mais impressiona nas ruínas das Minas dos Carris é o antigo edifício da lavaria. Tirando partido do declive acentuado da Corga da Lamalonga, as ruínas agora existentes deixam o visitante imaginar aquele lugar em tempos de laboração mineira quando Carris era casa de centenas de trabalhadores e onde os trabalhos eram intensos.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Chorai Lusitânia!*

Carris, 28 de Outubro de 2007

Chorai Lusitânia, que estamos já com os dois pés no fundo do mar e a galera afasta-se cada vez que a tentamos agarrar...

Chorai Lusitânia, porque quem vos governa há muito que vos perdeu o rumo no meio do nevoeiro...

Chorai Lusitânia, que este povo não vos merece...

Chorai Lusitânia ao som da vossa triste guitarra que vai ecoar para todo sempre nas nossas montanhas. Oh! Povo triste, não a abandoneis...

*Baseado numa letra de Moonspell.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Edifícios das Minas dos Carris (XIII)


Carris, 20 de Janeiro de 2008

O antigo edifício que albergava os escritórios, a zona de recepção de minério e uma pequena cantina, foi dos primeiros a ser construídos nas Minas dos Carris pela Sociedade de Minas do Gerês, Lda.



















Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Opus Diabolicum*

Carris, 20 de Janeiro de 2008

...desce o véu cinzento da noite projectando longas sombras pelas encostas rochosas da montanha. Os passos há muito que se apressaram para a segurança do vale... Lá no alto é agora terra de divindades, uma luta sem fim pela dominância eterna das almas...

Aqueles que ficam procuram adormecer, profundamente... fogem ao uivo do lobo, à eternidade da negritude que se abateu sobre as ruínas... É uma presença que deambula pela montanha, um olhar que se esconde quando o procuramos por cima do ombro, um som que se dissipa no silêncio que tentamos escutar... Divindades pagãs que dominam a montanha...

*Baseado numa letra de Moonspell.

Fotografia: © Daniel Ferreira

Um outro olhar... (V)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Um outro olhar dos Carris pela objectiva de Daniel Ferreira na sua primeira caminhada às minas.
Fotografias: © Daniel Ferreira

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Edifícios das Minas dos Carris (XII)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Antes da chegada da Sociedade das Minas do Gerês Lda. às Minas dos Carris, esta exploração mineira parecia ser muito rudimentar. No terreno poucas estruturas existiam e estas eram quase todas dedicadas ao processamento do minério.

A fotografia seguinte mostra o que terão sido os primeiros edifícios de processamento de minério existentes nas Minas dos Carris. Alguns destes edifícios foram posteriormente utilizados pela Sociedade das Minas do Gerês Lda. e as suas ruínas chegaram aos nossos dias.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Interludium/Incantatum*

Carris, 20 de Janeiro de 2008

...e no final do caminho chegamos a um espaço que nos parece parado, esquecido no tempo pelos homens. Por entre as ruínas tudo tem o seu lugar, esperando num interlúdio que siga a representação. Estamos como que encantados há espera que do outro lado da esquina surja um vulto cansado, sujo das profundezas da Terra... Esperamos por um som do outro lado da parede, encontramos o sopro do vento... mas não traz memórias do passado... estão escondidas, algures...

*Baseado numa letra de Moonspell.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Edifícios das Minas dos Carris (XI)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Na mais recente ida às Minas dos Carris tive finalmente a oportunidade de poder obter algumas fotografias que me permitem fazer uma comparação de alguns edifícios ali existentes, comparação essa que se baseia em registos fotográficos mais antigos.

Começo hoje por vos mostrar o panorama que se pode ter do local onde estava situada a enfermaria das Minas dos Carris e onde é também visível na parte inferior esquerda uma das oficinas ali existentes. A fotografia em baixo é datada dos anos 50 e a seguinte mostra o aspecto actual do local...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Tenebrarum Oratorium*

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Como um vigilante que tudo observa, ele lá estava... Há sempre o receio de um dia lá chegar e não o ver... É um descanso para a alma, finalmente poder descansar o corpo.... chegar ao Penedo da Saudade e olhar para o Pico da Nevosa, um vigilante...

Velhas montanhas de deuses pagãos que guardam os segredos da velha Lusitânia, a nossa essência...

Estados de alma... Tenebrarum Oratorium...

Consummatum est...


*Baseado numa letra de Moonspell.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Elementos...

Carris, 20 de Janeiro de 2008

...a pedra.
...o vento.
...a chuva.
Cansado...
...o calor e o frio.
...a sede.
...o sono.
Escuro, a noite.
...a Lua.
...o olhar.
...horizonte.
Montanha.
...o rio.
...chegar e não querer partir.
...partir e ter vontade de chegar.
...o silêncio.
...azul.
Ruína.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 20 de janeiro de 2008

10000

Carris, 20 Janeiro 2008

Às 20h10 deste dia um leitor da Amadora visitou este blogue. Foi a 10000ª visita... Este facto por si só pode não parecer nada de especial, somente mais um leitor do blogue. Porém, para mim tem um certa significado que passa para lá da simples visita e que aproveito para passar uma pequena mensagem de agradecimento a todos aqueles que ao longos dos anos me têm acompanhado na minhas muitas caminhadas às Minas dos Carris e que mais recentemente me têm apoiado e incentivado no desenvolvimento deste pequeno trabalho que é tentar escrever a história destas minas e assim contribuir de uma forma humilde para o relato histórico do nosso.

Ao atingir as 10000 visitas sinto que consegui atingir parte dos objectivos que me propus a criar este blogue, mas sinto que ainda muito trabalho terá de ser levado a cabo para terminar esta tarefa... se ela algum dia tiver fim...

Um muito obrigado a todos!

Fotografia: © Rui C. Barbosa

115!

Carris, 20 de Janeiro de 2008

A minha primeira caminhada até às Minas dos Carris em 2008!

Começamos a caminhada pelas 02h15. Cedo nos apercebemos que a roupa que trazíamos vestidos estava um pouco a mais pois era surpreendente o vento quente que muitas vezes sentimos durante a caminhada. Com uma Lua quase cheia o espectáculo da paisagem nocturna era soberbo e assim se manteve até à nossa chegada às ruínas dos Carris.

Após a chegada dirigimo-nos para o habitual abrigo para o descobrir muito diferente do que o deixámos da última vez. Parece que alguém tem sempre o interesse em derrubar as pedras que nos protegem do vento e permitem assim aquecer o pequeno espaço. No cansaço lá tivemos de andar a tapar buracos numa altura em que o corpo já pedia o merecido descanso.

Sem uma brisa de vento o despertar acabou por ser interessante. Envoltos pelo silêncio da montanha, a paisagem apelava à contemplação e assim foi durante largos minutos. Seguiu-se a usual volta pelas ruínas tentando ver as diferenças em relação à última presença nos Carris. Mais uma intensa sessão de fotografias agora tentando obter os mesmos planos e paisagens registados há mais de 50 anos atrás (fotografias estas que irei publicar numa entrada posterior neste blogue).

Abandonamos mais uma vez Carris quando vários grupos chegavam por entre o ofegar dos passos e os risinhos e gritos por vezes irritantes de uma adolescência que tenta crescer fora de horas e não consegue encontrar o seu encaixe na paisagem e no momento.

Seguem-se as fotos para a história...

Fotografias: © Rui C. Barbosa