terça-feira, 30 de outubro de 2007

Mariolas, Portfólio

Serra do Gerês, 28 de Outubro de 2007

Já há muito tempo que não percorria os trilhos entre a Portela de Leonte e as Minas do Borrageiro. Lembro-me ainda da primeira vez que os percorri a partir dos Prados da Messe e da dificuldade que encontrei em certas zonas para determinar o caminho certo a seguir.

Agora os trilhos estão bem marcados com um fantástico conjunto de mariolas que ali foram colocados pelos pastores que percorrem a serra nos meses de Primavera e Verão. Um trabalho notável que merece aqui um lugar...

Fotografias © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Concessão 949 - Borrageiros, Minas do Borrageiro

Borrageiro, 28 de Outubro de 2007

Para além das concessões mineiras que fazem parte das Minas dos Carris, existiam na Serra do Gerês outras concessões mineiras cujas Histórias desconhecemos quase por completo. Algumas destas concessões podem não ter passado de uma fase de sondagem inicial (2807 - Castanheiro, 999 - P Romião, 3213 - Lomba / Cadeiró, ??9 - Cidadelhe) mas outras constituiram centros de prospecção bastante activos como se pode verficar pela dimensão das suas escombreiras.

Uma destas explorações terá sido a cencessão 949 - Borrageiros, conhecida por Minas do Borrageiro. Escondida num vale não muito longe de um promontório granítico do mesmo nome, as Minas do Borrageiro terão fornecido volfrâmio e estanho. O complexo seria composto por uns seis edifícios de pedra talvez para albergar os mineiros e serviços da mina, e talvez existissem algumas casas em madeira. Não muito longe destas casas e espalhadas pela encosta do vale, observam-se quase uma dezena de outras pequenas construções em pedra.

Para além da exploração a céu aberto das quais se originaram escombreiras de média dimensão, é conhecida pelo menos uma boca de mina que está totalmente alagada.

Não tenho conhecimento do início da exploração das Minas do Borrageiro, no entanto sei que a sua actividade será anterior às Minas dos Carris. As minas terão sido exploradas pela Empreza Mineira das Borrageiras, Limitada, sendo na altura denominada Mina dos Borrageiros.

Curiosamente não existe qualquer caminho largo de acesso a esta concessão mineira (a estrada actualmente existente e que passa muito próximo destas minas foi aberta pela EDP a quando da coinstrução de pequenas barragens na serra). Em finais dos anos 80 a Sociedade de Minas do Gerês solicitou ao Parque Nacional da Peneda-Gerês uma autorização para a abertura de um caminha até às Minas dos Borrageiro com o intuito de proceder a uma análise da viabilidade financeira da mina. Esta concessão não foi dada pelo parque nacional.

Fotografias © Rui C. Barbosa

Deixar a sua marca...

Carris, 28 de Outubro de 2007

É incrível que existam pessoas que caminham quase 18 quilómetros para escreverem nas paredes das ruínas das Minas dos Carris... Certamente que será para afirmarem o seu amor perante todos aqueles que visitam o local... Certamente há quem considere um acto lindo, não é qualquer paixão que faz mover o corpo por aquele caminho e no fim ainda ter a sinapse para escrever algo de tão belo perante o gáudio de mais alguns...

Ao fim e ao cabo não passam de umas ruínas abandonadas no meio da serra num local que é muito visitado (mas isto não é para se dizer...) por muitas pessoas que gostam de ver a montanha, sentir a montanha... talvez seja o seu ar que faz despertar a libido dos amantes que vão sentir a necessidade de expressar o sentimento...
Sem dúvida que fazer tantos quilómetros com uma lata de tinta para pintar o amor nas paredes de uma velha ruína satisfaz alguém... apesar de não passar de um mero acto de vandalismo, mais um...

Para a memória ficam as paredes limpas...

Fotografias © Rui C. Barbosa

Será possível?

Carris, 28 de Outubro de 2007

É no rescaldo de mais uma ida às Minas dos Carris e após muitas conversas com pessoas que não conseguem compreender a posição do Parque Nacional da Peneda-Gerês perante as caminhadas que muitos pretendem realizar até àquela zona, que eu me pergunto: "Será possível algum dia conciliar estas duas posições?"

Será possível recuperar o caminho que percorre o Vale do Alto Homem entre a ponte sobre o Rio Homem e às Minas dos Carris? Será possível um parque nacional criar um percurso devidamente sinalizado que leve as pessoas a visitar aquela zona e tomar consciência da sua importância para o parque nacional? Será possível criar-se um núcleo museológico na Portela do Homem que possa mostrar aos visitantes a História das Minas dos Carris e depois ter um passeio organizado por mês para que as pessoas possam visitar a zona? Será possível fazer a recuperação de uma ou duas casas criando um abrigo de alta montanha e um ponto de apoio aos visitantes? Será possível criar uma visita guiada pelo complexo fazendo um tipo de roteiro do qual os visitantes não deveriam sair não havendo assim a possibilidade de se confrontar com uma cabrita selvagem ou pisar um ecossistema frágil? Será possível criar postos de trabalho no qual as pessoas se dedicariam ao núcleo museológico e teriam como função mostrar a beleza daquela zona do parque nacional? Será possível as pessoas que trabalham no parque serem capazes de comunicar com as outras pessoas que realmente querem tomar um contacto com a natureza? Será que os nossos dirigentes e as pessoas que trabalham para este tipo de entidades são capazes de se colocar ao mesmo nível de nós e terem ideias que na realidade consigam conciliar estas coisas todas? Será que são capazes de ter uma perspectiva de futuro pensando na preservação do parque nacional e ao mesmo tempo mostrando o trabalho que se faz? Será possível criar um sistema de quotas no qual as diversas associações que pretendessem levar a cabo visitas às Minas dos Carris apresentassem dentro de tempo útil as suas propostas e lhes fosse concedida a possibilidade de levar a cabo as suas caminhadas às Minas dos Carris? Será que há alguém que pense nestas coisas e que seja capaz de ver os dois lados do problema e o consiga resolver sem embandeirar por fanatismos ambientalistas ou libertários?

Continuo-me a perguntar...

...mas será que é mesmo possível?

Fotografia © Rui C. Barbosa

domingo, 28 de outubro de 2007

112!

Carris, 28 de Outubro de 2007

...uma grande caminhada que fugazmente me levou às Minas dos Carris... para constatar que por muito destruídas que as ruínas vão ficando haverá sempre vândalos para piorar as coisas... mas isto fica para outra altura...
Fotografias © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Memórias de um Inverno...

Carris, 27 de Fevereiro de 2005

Memórias de um Inverno... ele há-de voltar...





Fotografias © Rui C. Barbosa

De sonhos de lobos...

Carris, 27 de Fevereiro de 2005

Ao longe, trazido pelo vento, um uivar...
Por entre as sombras do luar vai-se escondendo um olhar...
O frio do Inverno vai-se instalando por entre as ruínas, frias... sós...
O passo cadenciado vai-se apressando, escapando às sombras do luar...

Na janela à muito aberta vislumbra ao longe a Lua, dona dos céus...
As longas sombras fazem jogos nas peredes despidas, nuas de memórias...
...há muito que as casas estão abandonadas, numa memória esquecida pelos homens...
Abandonada na montanha...

Um esgar branco, um terror escondido... algo se esconde nas ruínas, por entre as sombras...
O silêncio profundo é rompido por um longínquo uivar...
...o olhar vai-se abrindo, um suor, um bater rápido...
...a mente vai-se libertando de sonhos de lobos...

Fotografia © Rui C. Barbosa

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O passar do tempo...

Carris, 12 de Agosto de 1993

Estas duas imagens estão separadas por quase 14 anos. Foram obtidas quase do mesmo local e retratam uma paisagem que é familiar aqueles que já visitaram as Minas dos Carris. Descubra as diferenças...

Alguns edifícios das Minas dos Carris a 18 de Março de 2007


Fotografias © Rui C. Barbosa

domingo, 21 de outubro de 2007

Notas históricas (XI)

Carris, Agosto de 1970 (?)

Preparando o complexo mineiro para nova exploração...

© António Ribeiro / Rui C. Barbosa

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Lamalonga, 1941

Carris, 1941

Uma rara fotografia da Corga da Lamalonga em 1941 antes de ser invadida pela escombreira das Minas dos Carris.

© (Não está permitida a reprodução deste documento); Edição: Rui C. Barbosa

Excadescere

Carris, 16 de Junho de 2007

Aos poucos perdemos a nossa lembrança, a lembrança daquilo que fomos... do que conseguimos...
Deixamos morrer, esquecer o que nos tornou fortes... fomos definhando com o tempo há espera que a névoa se levantasse...
Ou então fazemos por omitir, escondemos a nossa História como que com o certo medo, um receio de que ela volte... se repita no rodar em torno da estrela...
Temos o dom de nos desprezar a nós próprios, deixamos o passado fugir...
Porque matámos a nossa memória, deixamos as ruínas ganhar...
Foi assim que fizemos nas montanhas quando voltamos as costas ao mar e prostramos o nosso olhar por terra...
...é assim que Carris está, fazemos por omitir... perdemos a sensibilidade do nosso lembrar...

Fotografia © Rui C. Barbosa