sexta-feira, 22 de maio de 2015

Tratado de delimitação de fronteiras entre Portugal e Espanha assinado em 1864


Esta é uma parte do tratado de delimitação fronteiriça entre Portugal e Espanha assinado em Lisboa a 29 de Setembro de 1864, e no qual está mencionado a linha de fronteira limítrofe do Parque Nacional da Peneda-Gerês com o território Espanhol.

"(...)

Artigo IV. A linha divisoria partindo do ponto designado no rio de Castro continuarâ pela veia fluida deste rio e depois pela do Barcias ou Tibô até à sua junçào com o Lima, pela corrente do cual subira até à un ponto equidistante entre a confluencia do rio Cabril e a Pedra de Bousellos. Do referido ponto subira ao elevado rochedo da Serra de Gérez, chamado Cruz dos Touros.

O terreno questionado entre os (povos) hespanhoes da freguezia de Manin e os portuguezes de Lindoso sera dividido pela linha de fronteira em duas partes eguaes.

Artigo V. Da Cruz dos Touros o limite internacional, voltando a sua direcçâo gérai para Nordeste, correrâ pelos eûmes das serras do Gérez e do Pisco, passando succesivamente pela Portella do Hommen, alto da Amoreira, Pico de Nevosa, Portella da Cerdeirinha, Alto da Ourella do Cabalhinho, Coto de Fonte Pria, Pedra do Pisco na Portella de Pitoens, e marco do Pisco.

O terreno situado entre os dous ultimos pontos pretendido por Guntemil e Pitoens, sera dividido pela raia em duas partes eguaes.

(:::)"

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Trilhos seculares - Até ao Alto das Eiras procurando os passos de Rogélio Pardo


Inevitavelmente, enquanto a memória perdurar, haverá sempre uma parte da Serra do Gerês na qual estará incrustada a história de Vilarinho da Furna e não deixa de ser curioso que, todas as vezes que caminho nesta parte do Gerês, não me consigo abstrair da sensação de que aquelas paragens agora silenciosas, nos querem dizer algo.

Talvez seja o eterno grito de revolta desta aldeia mártir, talvez seja a voz daqueles que por aquelas bandas andaram no contrabando e foram abatidos por uma bala maldosa. No seu 'Rio Homem', André Gago, conta-nos a história ficcionada de Rogélio Pardo, um lutador republicano refugiado em Portugal quando Espanha se tornou o abrigo dos fascistas. Rogélio seria recebido em Vilarinho da Furna e a partir dessa altura a aldeia torna-se no centro da história do Galego.

Numa passagem da história de Rogélio, este envereda pela serrania e dirige-se à raia, atravessando-a até atingir a estrada que liga a Portela d'Home a Lobios. A certa altura, o destino de Rogélio cruza-se com uma patrulha da Guardia Civil e o seu destino está traçado nos anos seguintes de 'Rio Homem'.


Hoje o meu percurso levou-se a caminhar entre a Portela do Homem e o Alto das Eiras. O percurso de cerca de 12,3 km não é difícil e grande parte é feito no estradão florestal que saindo da Portela do Homem nos leva até ao antigo muro de Vilarinho passando por Calvos. O estradão transforma-se então num carreiro de montanha que nos leva a percorrer as encostas mais a Poente da Serra do Gerês. Na impossibilidade de se estabelecer um limite geográfico à Serra do Gerês, vejo esta zona como a mais a Este. Já em finais do século XIX, os limites administrativos do perímetro florestal do Gerês chegavam ao Alto das Eiras e daqui viravam a Sul em direcção ao Pé de Cabril.

Foi ao percorrer estes carreiros que me senti dentro do romance de André Gago. Algures por ali, passou Rogélio a certa altura da sua infortunada história. Por momentos estanquei no caminho e imaginei os idos dos anos 50 e de como seria a dificuldade de viver naquele lugar. Por outro lado, a história trágica de Rogélio e o desgosto do amor de Alda, concedem àquelas paragens a sensação de nos transportar para um enredo do qual queremos mais saber.

O Alto das Eiras (ou somente 'Eiras conforme é referência na Folha n.º 30 da Carta Militar editada em 1949; a versão mais recente não faz referência a este orónimo) permite-nos uma visão soberba sobre parte da Serra do Gerês e sobra a encosta Nascente da Serra Amarela. As antenas do Muro na Louriça estão ali perfiladas à nossa frente e facilmente se distingue o Ramisquedo, a Cruz do Touro e os picos serranos geresianos mais importantes nesta área da serra (Pé de Cabril, Borrageiro, Cantarelo e Pé de Medela), além do imponente Vale do Alto Homem. O lugar do antigo marco geodésico está agora ocupado com um amontoado de pedras soltas a imitar uma grande mariola. O local tem o nome de 'Eiras' devido às grandes lajes graníticas que nos fazem recordar as antigas eiras onde eram malhados e peneirados os cereais.

Toda a área encontra-se dentro da Zona de Protecção Total segundo o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), pelo que a sua visita implica uma autorização por parte do ICNF/PNPG.

Distância folheto: Não disponível
Distância GPS: 11,8 km
Distância odómetro: 12,0 km
Distância GEarth: 12,3 km
Altitude máxima folheto: Não disponível
Altitude máxima GPS:  1.221 m
Altitude máxima GEarth: 1.209 m
Altitude média GEarth: 764 m
Altitude mínima folheto: Não disponível
Altitude mínima GPS: 721 m
Altitude mínima GEarth: 764 m
Duração folheto: Não disponível
Duração jornada (GPS): 3h 23
Avaliação final (máx. 10): 7,0


Algumas imagens do dia...
































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Importam-se de recolher o lixo?


Esta fotografia foi obtida a 21 de Maio de 2015 na Portela do Homem... importam-se de recolher o lixo? É que parece que já lá está há mais de uma semana...

E já agora, podiam tapar os buracos da estrada entre Leonte e a Portela do Homem...

Obrigado!

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 16 de maio de 2015

Plantação dos Currais de Fafião


A Associação da Vezeira de Fafião vai levar a cabo mais uma edição da 'Plantação dos Currais de Fafião' no dia 6 de Junho de 2015.

Com a ajuda comunitária os currais de Fafião têm futuro assegurado. Desde tempos imemoriais que os vezeireiros cuidam destes espaços comunitários.

Participe nesta plantação em Fafião, no dia 6 de Junho pelas 9:00 horas.

Passe um dia diferente, fazendo uma caminhada pelos Currais, completando o dia com um almoço típico do vezeireiro.

Faça parte desta iniciativa e traga um amigo!

Aceite o nosso convite e faça a sua ficha de Inscrição até ao próximo dia 4 de Junho. Vai valer a pena…: 

Faça a sua inscrição aqui.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Pala do Ranhado


No dia 7 de Maio falei aqui sobre o Penedo da Pala (ou Pala do Ranhado) tendo por base o livro "Gerez - Notas Etnográficas, Arqueológicas e Históricas", de Tude M. de Sousa. Aqui, é referida a presença na Serra do Gerês de dois sócios da Sociedade de Geografia de Lisboa (Brito Capelo e Leonardo Torres) que entre 19 e 21 de Setembro de 1882 subiram ao alto do Borrageiro e participaram numa caçada venatória por entre os frondosos carvalhais da Albergaria (20 e 21 de Setembro).

Neste artigo refere-se que "Estavamos condemnados a estacionar e pernoitar no forno de Albergaria, porque a chuva continuava e continuou durante a tarde e durante a noite, quando um dos guias lembrou que era mais limpo o abrigo do Penedo da Palla, no sitio do Ranhado, que nos ficava a uns duzentos passos de distância; podem lá dormir dez homens e cinco debaixo do penedo que fica logo ao pé, e os sate seguiram logo para o dito forno. Foram dez para o forno, perfeitamente abrigados e aquecidos pela consante fogueira que durou toda a noite, sendo alimentada com lenha de carvalhos, que ali se encontram derrocados e não aproveitados. (...)"

O sítio do Ranhado perdeu-se na toponímia actual e nunca se ouve falar deste topónimo aquando da visitas ao Geres. A sua localização será entre a Portela de Leonte e a Albergaria, mas mais perto desta e do seu antigo forno.

Tirando partido de um antigo mapa do perímetro florestal do Gerês, consegue-se diferenciar uma legenda que parece indicar a localização do Ranhado. No entanto, esta surge entre a Corneda e o Ribeiro de Cagademos - Ravina de Cagademos (ambos perfeitamente identificados no terreno).

Na altura lancei o desafio de encontrar a Pala do Ranhado e após alguma observação junto da estrada entre a Portela de Leonte e a Albergaria, deparei-me com uma grande rocha cujo que poderá ser a pala que procuro.

Se pelas fotografias não se apercebe muito bem da configuração da pala, temos de ter em conta que a descrição que é feita em 1882 mostra-nos um local ainda não atravessado pela actual estrada que só foi alargada em 1942/1942 para facilitar o acesso à Mina do Salto do Lobo (actual Mina dos Carris). Assim, na altura estaríamos na presença de um caminho mais estreito e as rochas que agora vemos a bloquear parte da pala poderão ter ter sido o resultado dos trabalhos de alargamento daquela via.

Ficam as fotografias para consideração dos leitores...






Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)