Crowdfunding para a segunda edição de 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'

terça-feira, 28 de julho de 2015

A pista de rally na Mata de Albergaria


A estrada que liga as Caldas do Gerês e a Portela do Homem, transforma-se muitas vezes numa autêntica pista de rally a qualquer hora do dia. Porém, a noite trás a adrenalina da escuridão para aqueles que irresponsavelmente aceleram como se não houvesse amanhã.

Todos eles esquecem-se onde estão, principalmente entre a Portela de Leonte e a Portela do Homem. A Mata de Albergaria é um espaço natural a proteger. Sendo o coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, é abrigo de inúmeras espécies que muitas vezes são vítimas desta suprema irresponsabilidade. Para esta gente, o carro é uma arma como se de um caçador se tratasse...

Apesar de chocante, a fotografia deverá servir para alertar a pouca consciência dessas pessoas que não respeitam aqueles que caminham pela estrada e muito menos os animais que ali vivem.

A fotografia mostra uma pequena raposa atropelada perto da ponte sobre o Rio Homem, na Mata de Albergaria, no dia 28 de Julho de 2015.

Fotografia © Tiago Lopes (Todos os direitos reservados)

II Fiadeiro de Contos


Terá lugar entre 7 e 9 de Agosto, o IIº Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias. Este evento tem como objectivo preservar e fomentar um hábito que se tem perdido ao longo dos anos: contar histórias como uma forma de fortalecer os laços entre as pessoas, através do encontro e da partilha, reavivando a memória colectiva e preservando o património imaterial.

Para mais informações podem aceder à página oficial do evento.


3 dias para apoiar o livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'


Faltam 3 dias para terminar a campanha de financiamento e apoio à segunda edição do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'. Esta é uma campanha através da qual todos podem participar e que é imprescindível para que esta segunda edição se torne realidade, pois sem este financiamento não será possível levar a cabo a segunda edição.

Nesta altura, facilmente se reconhece que as perspectivas desta ser bem sucedida não são muito animadoras, tendo-se somente conseguido arrecadar 20% do montante necessário para a edição do livro. Somente com o total necessário e estipulado para a campanha é que esta será bem sucedida! Caso não se consiga arrecadar o montante necessário, aqueles que apoiaram a campanha irão receber o seu contributo de volta.

Assim, o seu apoio é muito importante e pode contribuir com a quantia que desejar desde €1,00. Outras contribuições dão direito a recompensas que variam desde:

um simples agradecimento por parte do autor,

um postal ilustrado das Minas dos Carris,

até à reserva / compra do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês',

visita ao complexo mineiro dos Carris que inclui o livro.

A campanha na sua totalidade pode ser acedida nesta ligação ou desejar apoiar entre em contacto com o autor através do email rmcsbarbosa@gmail.com.

Com esta campanha permite-se que os futuros leitores possam desde já reservar o livro, ajudando na sua edição. Se a campanha for bem sucedida o livro deverá estar pronto para entrega em Outubro / Novembro.

Esta campanha só será bem sucedida se eu conseguir o apoio total que necessito, mas é uma campanha segura para quem participa nela, pois caso eu não consiga juntar o montante necessário, o dinheiro é devolvido a quem participou na campanha.

Assim, renovo o meu apelo e o meu pedido de participação nesta campanha na qual pode participar com qualquer montante mesmo não tendo interesse em adquirir o livro.

Para saber mais pode consultar os seguintes artigos:

Novo crowdfunding para o livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'.

Gostava de apoiar a segunda edição do livro que conta a história das Minas dos Carris?

Para participar na campanha, reservando desde já o seu livro pode seguir este endereço:

http://ppl.com.pt/pt/prj/minas-dos-carris-segunda-edicao

Obrigado desde já pelo seu interesse e pelo apoio.

Casal estrangeiro andou perdido no Gerês


Notícia do Jornal de Notícias: "Casal estrangeiro andou perdido no Gerês"

Que me lembre, nas últimas semanas, este é o terceiro caso de pessoas que se perdem no Trilho dos Miradouros. Quem não vê um padrão aqui?

De salientar que após os últimos acontecimentos, a ADERE Peneda-Gerês, no seu sítio dedicado aos percursos pedestres no PNPG, classifica este percurso como "Não recomendado devido a problemas de limpeza e sinalização." Convém saber se esta recomendação é também dada nos serviços de turismo e informação nas diversas Portas do PNPG e nas Caldas do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Um abrigo serrano


Se um dia pudéssemos imaginar as histórias que estas pedras nos têm para contar. Se um dia conseguíssemos juntar todas estas histórias, todas estas memórias e momentos que levaram alguém, um dia, a fazer um muro tosco de pedra solta que lhe proporcionasse o abrigo naquela noite fria.

Se um dia soubéssemos isto tudo, nada ainda saberíamos sobre a Serra do Gerês...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

A renovação das Minas dos Carris nos anos 70


No início dos anos 70 do século XX, o silêncio da Serra do Gerês é interrompido pelo retomar dos trabalhos nas Minas dos Carris. Este texto é um excerto retirado do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês".

"As Minas dos Carris são ponto de visita do jornalista Luís Humberto do jornal ‘O Comércio do Porto’ em Outubro de 1970 que na altura se encontrava a escrever uma série de artigos de tema geral “Gerês – Terra de Contrastes”. A edição n.º 6 desta série foi relacionada com a exploração mineira em Carris e é publicada a 20 de Outubro. No seu artigo, Luís Humberto faz uma descrição apaixonada e quase poética da sua caminhada até ao complexo mineiro. O cuidado com que escolhe as palavras reflectem o impacto que aquelas paisagens iam tendo à medida que percorre a sua caminhada silenciosa pela montanha acompanhada ao longe pelo Rio Homem. A certa altura a sua solidão é substituída pela visão da presença humana com os edifícios do complexo mineiro que vão recortando o horizonte e ganhando volume. Faz um relato de homens a caiar as paredes, com outros a instalarem canalizações e a remover a terra. O jornalista fala com o então responsável pelos trabalhos de levantamento do complexo mineiro, o Dr. Alexander Schneider-Scherbina, que lhe vai fazendo uma resenha histórica do complexo, “desde 1958 que tudo isto estava parado. Foram doze anos a suportar as intempéries. Doze anos de arruinamento, de destruição. Começamos em Junho a nova fase de renovação da mina e espero que, para fim do ano, estejamos já a extrair o minério – volframite.” O jornalista faz então um percurso pelas instalações mineiras juntamente com o Dr. Scherbina e com Alan Stewart, um consultor norte-americano que na altura também se encontrava lá. Foram exibidos alguns aspectos dos trabalhos realizados, passando pela central eléctrica onde se procedia à limpeza dos motores inoperacionais há já doze anos. Alan Stewart faz uma especial referência aos dois motores Blakstone, “estes dois motores estiveram no aeroporto de Londres na última guerra. Evidentemente que estavam lá a título preventivo. Interrompido o circuito geral e em caso de emergência, o aeródromo era iluminado pela energia que eles forneciam.”

Na altura não existia energia eléctrica no complexo mineiro. O Dr. Scherbina exibe ao jornalista uma pequena amostra de molibdénio apanhado do chão referindo que a paragénese do jazigo era ainda “constituída por estanho, bismuto e veios de quartzo.” O artigo dá-nos também uma descrição da mina, “a galeria é composta de sete pisos separadas por camadas intercalares de 20 metros, tem uma extensão de 2,5 quilómetros e praticamente mostra-se em bom estado de conservação. O quinto piso tem 500 metros e é o mais extenso. O jazigo – endógeno – é constituído por um filão hidrotermal, não compacto, que irrompera pela massa granítica e que se situa a 180 metros de profundidade.” O trabalho de Luís Humberto termina com uma descrição histórica do complexo mineiro, “aí por 1943 começou a exploração. Em Agosto do ano seguinte, porém, uma ordem do Governo português fez paralisar os trabalhos, ficando tudo isto ao abandono até 1950. Neste ano José R. de Sousa e José Inácio formaram a companhia de exploração do Gerês, tendo recebido um empréstimo de três mil contos. Em 1953, porém, venderam as cotas à firma inglesa Mason & Barry, ficando, entretanto, José Inácio com parte na sociedade. As explorações continuaram até 1958 (altura em que dada a crise de cotações quase todas as minas de minério de volfrâmio enfrentam a paralisação…) Em Maio passado, então, a companhia luxemburguesa – International Mining Corporation – comprou e estamos na fase de levantamento.”

Trabalhavam então no complexo mineiro cerca de 40 pessoas, mas eram boas as perspectivas de 100 novos postos de trabalhos quando se começasse a extracção de minério. Na altura o sistema de trabalho implementado, tal como foi então sublinhado, tinha um aspecto distinto do usualmente praticado naquela época. Apesar de os trabalhadores terem um horário de 48 horas semanais, o horário de trabalho estava estabelecido para que terminasse pelas 16h00 de Sexta-feira, permitindo assim aos operários gozar de um fim-de-semana mais alargado. Os trabalhadores operavam durante dez horas, trabalhando apenas oito horas à Sexta-feira. Isto permitia que a maior parte dos trabalhadores, que residiam nas aldeias limítrofes, pudessem descansar nas suas casas. Curiosa a referência do jornalista de Luís Humberto quando se pronuncia em relação ao horário de trabalho referindo que “será um sistema de trabalho de certo modo pró-proletário, mas…”, o que reflecte os princípios pelos quais se regiam as relações de trabalho de então. A finalizar o artigo é feita a questão do porquê de uma empresa estrangeira na exploração das minas?"


Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 26 de julho de 2015

Curral de Absedo - uma metáfora serrana


Pela sua localização e singularidade, o Curral de Absedo é uma metáfora natural e humana representando a força da Natureza e a incessante luta do Homem nas suas infrutíferas tentativas de dominação dos elementos.

Este é um dos currais atravessado pelo TourCEx que será descrito em breve.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O testemunho de umas férias no Gerês


Por entre alguns textos no facebook, o que aqui estou a reproduzir chamou a minha atenção por descrever umas férias passadas na Serra do Gerês e por tocar em especial alguns temas que têm estado em «discussão» nos últimos dias.

O texto é da autoria de J. Álvaro Teixeira e descreve alguns aspectos das suas férias que devem merecer a nossa atenção e, mais importante, a atenção das autoridades competentes.

"Deixo aqui algumas interrogações pelo facto de ter passado 6 dias no Gerês, 3 dias sozinho onde fiz a Encosta do Sol até às Minas dos Carris (com autorização do ICNF) e mais alguns pequenos trilhos e 3 dias com o meu filho mas de forma mais turística, paguei várias vezes 1,50 euros pela passagem na Mata de Albergaria sem saber para que serve esta taxa visto que a mata está praticamente sem manutenção, para onde vai a referida taxa?

Com o meu filho e como ele gostava de ir até uma lagoa resolvi ir com ele até Fecha de Barjas que agora tem uma escadaria em madeira, logo cá em cima está um homem a cobrar 1,00 euro para descer a escadaria, estranhei e perguntei se visto que está a explorar a Cascata se também trata da limpeza da mesma ao que me respondeu que o terreno é dele e quem quiser passar tem que pagar mas a limpeza não é com ele, realmente isso notei logo porque está tudo imundo e logo mal espreitei vi uma garrafa de Licor Beirão a boiar numa das lagoas.

Resolvi também e como já lá não entrava seguramente desde os anos 90, levar o meu filho ao Parque das Termas e paguei mais 1,50 euros para visitar um parque praticamente ao abandono, mais uma vez gostava de entender para onde vai o dinheiro porque para a manutenção do parque não é com certeza.

Já agora se não for pedir muito que tal colocarem uma placa na entrada do Trilho dos Carris com a indicação de proibição de o fazerem sem autorização e as respectivas coimas porque no Domingo quando regressava das Minas dos Carris deparei-me com um sujeito sentado com a sua senhora na Ponte das Abrótegas em grande dificuldade porque resolveu ir às Minas em chinelos de dedo, disse-me que depois de almoço resolveu ir dar uma volta para fazer a digestão, tinha os pés em ferida e a garrafa de água que levou já vazia, tive que o ajudar cedendo-lhe alguns pensos e umas meias usadas que já tinha trocado durante o dia para ele conseguir regressar, dei-lhe também algumas pastilhas purificadoras de água e ele lá encheu a garrafa no ribeiro, isto atrasou-me bastante porque embora tivesse vindo à frente tive que seguir com atenção para me certificar que ele iria realmente conseguir regressar.

Desculpem lá o desabafo mas o facto de gostar tanto do PNPG faz com que me revolte com a forma como está a ser gerido, já para não falar da falta de manutenção na Geira Romana e nos PR e GR e também no abandono da Casa da Guarda de Leonte, Albergaria e Portela do homem, etc.,etc."

Fotografia © J. Álvaro Teixeira (Todos os direitos reservados)


Última semana para apoiar a campanha de edição do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'


Entramos na derradeira semana para apoiar a edição do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês' através de uma campanha na qual todos podem participar e que é imprescindível para que esta segunda edição se torne realidade.

Ao faltar 7 dias para o final da campanha, facilmente se reconhece que as perspectivas desta ser bem sucedida não são muito animadoras, tendo-se somente conseguido arrecadar 17% do montante necessário para a edição do livro. Somente com o total necessário e estipulado para a campanha é que esta será bem sucedida! Caso não se consiga arrecadar o montante necessário, aqueles que apoiaram a campanha irão receber o seu contributo de volta.

Assim, o seu apoio é muito importante e pode contribuir com a quantia que desejar desde €1,00. Outras contribuições dão direito a recompensas que variam desde:

um simples agradecimento por parte do autor,

um postal ilustrado das Minas dos Carris,

até à reserva / compra do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês',

visita ao complexo mineiro dos Carris que inclui o livro.

A campanha na sua totalidade pode ser acedida nesta ligação ou desejar apoiar entre em contacto com o autor através do email rmcsbarbosa@gmail.com.

Com esta campanha permite-se que os futuros leitores possam desde já reservar o livro, ajudando na sua edição. Se a campanha for bem sucedida o livro deverá estar pronto para entrega em Outubro / Novembro.

Esta campanha só será bem sucedida se eu conseguir o apoio total que necessito, mas é uma campanha segura para quem participa nela, pois caso eu não consiga juntar o montante necessário, o dinheiro é devolvido a quem participou na campanha.

Assim, renovo o meu apelo e o meu pedido de participação nesta campanha na qual pode participar com qualquer montante mesmo não tendo interesse em adquirir o livro.


Para saber mais pode consultar os seguintes artigos:

Novo crowdfunding para o livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'.

Gostava de apoiar a segunda edição do livro que conta a história das Minas dos Carris?

Para participar na campanha, reservando desde já o seu livro pode seguir este endereço:

http://ppl.com.pt/pt/prj/minas-dos-carris-segunda-edicao

Obrigado desde já pelo seu interesse e pelo apoio.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Inauguração do pólo de Fafião do EcoMuseu de Barroso


Para recordar que pelas 10:30 do dia 25 de Julho de 2015 será inaugurado o pólo do EcoMuseu de Barroso em Fafião onde estará patente a exposição "Vezeira e a Serra - Fafião".

Esta é uma merecida expansão do EcoMuseu de Barroso que tem sido uma peça fundamental na preservação da entidade do Barroso a partir Montalegre, tendo estabelecido vários pólos em diversas aldeias daquele concelho. O EcoMuseu chega agora a Fafião!

terça-feira, 21 de julho de 2015

Incêndio assola PNPG


Um incêndio ocorreu no dia 21 de Julho de 2015 na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês, mais precisamente em Cabril (Chãos).

O incêndio foi declarado às 14:46 e envolveu a intervenção de 44 meios operacionais auxiliados por dois helicópteros. Segundo a Protecção Civil, o incêndio ocorreu em zona de mato.

Faltam 10 dias para apoiar este livro sobre as Minas dos Carris


Faltam 10 dias para que possa apoiar a segunda edição do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês' através de uma campanha que é mais uma vez necessária devido à ausência de apoios oficiais.

O seu apoio é muito importante e pode contribuir com a quantia que desejar desde €1,00. Outras contribuições dão direito a recompensas que variam desde:

um simples agradecimento por parte do autor,

um postal ilustrado das Minas dos Carris,

até à reserva / compra do livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês',

visita ao complexo mineiro dos Carris que inclui o livro.

A campanha na sua totalidade pode ser acedida nesta ligação ou desejar apoiar entre em contacto com o autor através do email rmcsbarbosa@gmail.com.

Com esta campanha permite-se que os futuros leitores possam desde já reservar o livro, ajudando na sua edição. Se a campanha for bem sucedida o livro deverá estar pronto para entrega em Outubro / Novembro.

Esta campanha só será bem sucedida se eu conseguir o apoio total que necessito, mas é uma campanha segura para quem participa nela, pois caso eu não consiga juntar o montante necessário, o dinheiro é devolvido a quem participou na campanha.

Assim, renovo o meu apelo e o meu pedido de participação nesta campanha na qual pode participar com qualquer montante mesmo não tendo interesse em adquirir o livro.


Para saber mais pode consultar os seguintes artigos:

Novo crowdfunding para o livro 'Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês'.

Gostava de apoiar a segunda edição do livro que conta a história das Minas dos Carris?

Para participar na campanha, reservando desde já o seu livro pode seguir este endereço:

http://ppl.com.pt/pt/prj/minas-dos-carris-segunda-edicao

Obrigado desde já pelo seu interesse e pelo apoio.

Trilhos seculares - Entre Leonte e a Messe: um passeio pela solidão da serra do Gerês


Desejava um regresso calmo à Serra do Gerês, mas com uma caminhada de encher as medidas. Assim, para este dia havia previsto visitar alguns dos currais mais extremos situados na solidão granítica da serra e envoltos por aquele silêncio que nos permite escutar a alma.

O dia nasceu com nevoeiro e fresco, a contrastar com os dias quentes e secos de um Verão intenso. A caminho do Gerês as nuvens cobriam o Vale do Cávado como um mar calmo. Os píncaros serranos elevavam-se à distância com algumas nuvens.

Depois da passagem pela vila e de uma curta paragem, rumou-se à Portela de Leonte. O vento fresco fazia balançar as árvores e o dia parecia bom para a jornada que se iria delineando à medida que as botas fossem vencendo os declives. Iria por à prova a máquina após quase um mês de paragem.

Como disse, o objectivo era passar por Premoinho, Mestras e Absedo. As opções de início de caminhada a partir de Leonte são várias, mas decidi seguir por Maceira que me iria proporcionar uma chegada mais rápida aos Prados da Messe sem subir a usual encosta até ao Mourô e Vidoal.

O bom das caminhadas solitárias é que podemos e estamos em alerta para escutar todos os pequenos sons, desde o quase imperceptível correr dos pequenos ribeiros, até ao arrastar dos lagartos-de-água, passando pelo longínquo chamamento do pastor.

O Vale de Maceira dá-nos acesso ao Curral de Maceira. O vale prolonga-se mais para dentro da serra, mas aí já há muito que os caminhos estão esquecidos pelo Homem. Seguiu-se a «longa» subida até às Tábuas e a passagem pelo Curral de Carris de Maceira. Daqui, existem duas opções para chegar à Messe, tendo decidido optar pela estreita passagem pelo Pé de Medela que me levou quase até ap flanco Sul das Albas e posterior descida para os Prados da Messe. Por esta altura, e após muitos dias, fiquei feliz por sentir o frio da montanha. Os dias de calor entorpecem-me os sentidos e estas paisagens merecem aquela contemplação transcendental para a qual não temos disposição no pico do Verão.




A paisagem estava coberta pelas nuvens baixas que tapavam o espigão do Pé de Cabril e lambiam os píncaros da Serra Amarela. Imperceptível, uma língua de nevoeiro percorria o Vale de Vilarinho da Furna, vindo a invadir a Mata de Palheiros e a Mata de Albergaria até chegar à Portela de Leonte. De igual modo, o Vale do Rio Gerês encontrava-se encoberto por um nevoeiro que ora tapava a paisagem, ora mostrava os ombros dos gigantes de granito.

No bordo do Curral da Pedra decidi deixar para dias menos nublados a tão ansiada visita àqueles currais longínquos e rumei ao Ribeiro do Porto das Vacas. O calor destes dias secou muitos ribeiros da Serra do Gerês e em dias de calor a procura por água pode-se tornar um pouco árdua.

Passando o charco a que fora reduzido o Ribeiro do Porto das Vacas, rumei ao Curral do Conho, abrigo da vezeira de Vilar da Veiga. No pasto amarelado, várias dezenas de animais descansavam abrigados do Sol encoberto. Uma das vacas não gostou muito da minha presença, uma novidade nestas caminhadas, mas o brandir do bastão foi o suficiente para assustar o pobre animal.

Seguindo o habitual percurso em direcção à Lomba de Pau, passei ao largo do curral de mesmo nome e logo de seguida fui envolto por um nevoeiro que me tapou por momentos a vista para a antena do Borrageiro. Lá no fundo via-se que os vales estavam cobertos pelas nuvens e por momentos um escasso orvalho humedeceu a pele. De novo atravessando ribeiros secos, cheguei à Chã da Gralheira e logo a seguir desci para a Chã da Fonte, passando depois pela Preza, recentemente limpa do matagal que durante anos a cobriu, e desci para o Vidoal, na hora do merecido descanso. O final da jornada fez-se descendo para a Portela de Leonte passando pelo Mourô e Chã do Carvalho.

Uma nota interessante... tendo iniciado a caminhada por volta das 8:00 e terminado perto das 14:30, somente no final da jornada me cruzei com outras pessoas. O dia estava ameno para caminhar, apesar do nevoeiro, mas não deixa de ser estranho que em tantas horas não tenha cruzado com ninguém em percursos que são muito usuais na Serra do Gerês.

Ficam as fotografias do dia...














































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)