terça-feira, 10 de Novembro de 2009

A Portaria... (III)

Do 'Rotas do Barroso' (http://www.rotasdobarroso.com/), com a devida autorização...

DIA 11 DE NOVEMBRO TODOS A MONTALEGRE

"No auditório do pavilhão multiusos pelas 18h irá a discussão o novo plano de ordenamento do PNPG. Quem puder deve comparecer e mostrar descontentamento em relação a esta nova portaria de 13 de Outubro de 2009. Afim de esclarecer o que irá acontecer a partir de agora.
Dia 11 é o dia para começar-mos a nossa reivindicação por uma serra do Geres livre. E lutarmos para que se revogue esta portaria que implica pagamentos incomportáveis para a maioria dos montanheiros e todos os desportistas de montanha. O Geres conta com a vossa presença.


Vamos todos lutar por uma serra livre. Afinal o PNPG é de todos.

Nota.0: A portaria não se refere apenas ao PNPG mas sim a todas as áreas classificadas, leiam a portaria.

Nota.1: Eu quero regras no PNPG. Mas regras que permitam actividades de montanha com em qualquer outro parque nacional da Europa. Não queremos liberdade para tudo, há muitos pseudo-montanheiros que deviam ser punidos e responsabilizados pelos seus actos (marcação de trilhos através de pinturas, lixo, fogos, etc.).

Nota.2: Afinal quem mais protege o parque!!! que os amantes da natureza que por ele vagueiam???

Nota.3: Eu também não vou poder estar nesta apresentação/discussão, mas aqui de Montalegre vamos ter gente a expor estas questões e a debater-se por elas."

A Portaria... (II)

Um texto retirado do 'Rotas do Barroso' (http://www.rotasdobarroso.com/), com a devida autorização...

"A partir de agora obter as autorizações para efectuar as mais diversas actividades no PNPG passam a custar no minimo 200€. Mesmo para Associações ou Clubes sem fins lucrativos. Imaginem percorrer o trilho da vezeira ou qualquer outro trilho legalmente, vai custar no minimo 200€. Fazer um canyoning no rio Conho ou rio Arado irá custar os mesmos 200€. Um passeio de BTT mais 200€. Com tanta taxa quantos serão os clubes ou associações capazes de suportar tais despesas?? Devagarinho lá nos vão tirando a liberdade de percorrer o nosso Geres. Infelizmente continuamos a correr o risco e não poder disfrutar legalmente da nossa serra."

A seguir a terceira página da portaria da vergonha...

A Portaria...

A segunda página da portaria vergonhosa de 13 de Outubro...

Decisores seborreicos

Eis-nos chegados a um daqueles momentos em que se decide um futuro. Enquanto se discute o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (POPNPG) foi implementada uma portaria que tem como único objectivo condicionar de forma dramática o acesso às nossas áreas protegidas, e não me refiro somente ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, e a forma como as pessoas habitam no interior dessas áreas.

A Portaria n.º 1245 de 13 de Outubro entra nas nossas vidas como uma decisão de um bando de ignóbeis que não tem a mínima consciência em relação aos actos e matérias sobre as quais quer regulamentar. Num gabinete onde se imagina alguém com um mínimo de inteligência e conhecimento da realidade de um país, deverá estar sentado alguém, algum decisor seborreico que nos incomóda com a sua simples existência. É uma comichão que já chateia, são decisões que nos ofendem na nossa condição de cidadãos de um país que se quer livre e socialmente avançado.

Decisões assim como as que derem origem a esta port(c)aria, são um verdadeiro apelo à revolta de quem todas as semanas e todos os meses pretende tirar o máximo partido do que este país nos dá. É um apelo à revolta de quem sempre viveu nessas áreas e que vê o seu dia-á-dia condicionado com o pagamento de taxas sobre as acções mais naturais que se possa imaginar. Tendo em vista o lucro fácil, os decisores de face oculta envoltos num ambiente mafioso e pidesco, comportam-se como umas grandes vacas capitalistas que pretendem aumentar os lucros de um estado falido e podre que pretende legislar e regulamentar de uma forma autoritária e salazarenta com um bafo a Estado Novo ao qual já não estamos habituados. São velhos tiques que renascem de uma sepultura sobre a qual infelizmente não souberam colocar uma pesada lage.

Não podemos ter estas pessoas a decidir. Não podemos ter estas pessoas a nos ofenderem desta maneira sem que nada lhes aconteça. Num país onde não se preza o mérito, estas mentes infelizes irão continuar com os seus empregos, nas suas secretárias engasgados com as gravatas do poder, de um poder mafioso. É tempo de dizer basta! É tempo de lutar por um acesso livre mas devidamente regulamentado às nossas montanhas e às nossas zonas protegidas. Essa gentalha para a rua...

Mina 'Salto do Lobo' - Poço n.º 1

Carris, 27 de Janeiro de 1944

Esquema apresentado pela Sociedade das Minas dos Castelos Lda. e referente ao poço n.º 1 da sua concessão mineira do Salto do Lobo na Serra do Gerês.

Este é um dos poços que actualmente está entulhado e que passa despercebido ao visitante.
Fotografias © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Notas Históricas (CXXIII)

Carris, 31 de Julho de 1972

O Parque Nacional da Peneda-Gerês utilizou esta fotografia para exemplificar junto da Circunscrição Mineira do Norte os efeitos nefastos da presença de explorações mineiras dentro da área protegida referindo este ser o exemplo de algo que passou "...de um quadro de beleza para um exemplo típico de poluição irrecuperável."

Fotografias © Rui C. Barbosa

domingo, 8 de Novembro de 2009

Mata da Albergaria - Portela de Leonte

Mata da Albergaria - Portela de Leonte, 8 de Novembro de 2009

Um curto passeio por uma tarde de Outono na Mata de Albergaria e Portela de Leonte...

Fotografias © Rui C. Barbosa

Mina do Borrageiro

O documento para assegurar os direitos de exploração da zona de Borrageiros é enviado à Câmara Municipal de Montalegre por José Frederico Lourenço da Cunha, 32 anos, a 18 de Setembro de 1916.

A concessão da Mina de Borrageiros é tomada por endosso por Paulo Brandt, suíço de 37 anos, e António L. Cunha, de 43 anos, a 18 de Setembro de 1916.

A 4 de Outubro de 1919 Alberto Augusto Pinho Vieira é proposto para Director Técnico da Mina de Borrageiros.

A mina atinge o máximo de produção em 1941 com 63.891 kg. A galeria tem um comprimento de 90 metros e poço uma profundidade de 20 metros.

Norberto Gomes Vieira desiste da direcção técnica da Mina de Borrageiros a 30 de Junho de 1953.

À empresa Azeredo & Osório Lda., de Livração – Gare, é solicitado a 3 de Dezembro de 1953 que apresente a proposta para novo Director Técnico e respectivo termo de responsabilidade. Estes documentos deveriam ser apresentados até 29 de Dezembro, mas tal não acontece e a 19 de Janeiro de 1954 é enviado um aviso no qual é proposto uma multa de 5000$00 se os documentos não forem apresentados até 5 de Fevereiro. O novo Director Técnico (Eng. Minas Francisco da Silva Pinto) é apresentado a 17 de Dezembro de 1953. A nomeação é aprovada a 20 de Maio com despacho de 21 de Junho.

A 20 de Junho de 1955 Eurico Guilherme Lopes da Silva é proposto como Director Técnico (o termo de responsabilidade assinado pelo próprio tem data de 15 de Abril). O requerimento é devolvido devido ao facto de a assinatura não estar reconhecida pelo notário. O documento deve ser devolvido até 7 de Julho. A proposta é de novo enviada a 27 de Junho. A nomeação é aprovada a 8 de Novembro com data de 28 de Dezembro. Eurico Guilherme Lopes da Silva é também Director Técnico das minas 2825 Andorinha, Lazarim, e 2826 Meijinhos, Meijinhos.

A Mina do Borrageiro encontra-se definitivamente abandonada desde 21 de Abril de 1972.

A Concessão é requerida pelo Eng. Adriano Fernando Barros a 10 de Maio de 1979 e um despacho de 24 de Julho de 1979 autoriza a nova atribuição por negociação directa com o interessado pela concessão. A atribuição seria para a Sociedade PROMINAS – Geologia e Minas, Lda. que fora constituída a 9 de Agosto de 1979.

A 5 de Maio de 1980 a PROMINAS solicita a concessão da mina 949 e propõe o Eng. Adriano Fernando Barros como Director Técnico.

O alvará de concessão é publicado no Diário da República n.º 253 IIIª Série de 31 de Outubro de 1980.

A 4 de Março de 1981 a PROMINAS comunica ao Parque Nacional da Peneda-Gerês uma proposta de acordo para a concessão da Mina do Borrageiro. A 15 de Junho de 1981 o Parque Nacional da Peneda-Gerês não autoriza a abertura de um estradão até à concessão.

Uma reunião com o Director do Parque Nacional da Peneda-Gerês é levada a cabo a 25 de Agosto de 1981, mas a decisão da área protegida mantém-se.

O abandono irrevogável é solicitado a 28 de Abril de 1989.

Fotografias © Rui C. Barbosa

Postais do Gerês (XXVI) - Gerês Rio e Vista Parcial

As Caldas do Gerês são retratadas neste postal não datado numa edição da Junta de Turismo (impressão Cliché Alvão - Porto).

Sendo a paisagem urbana facilmente reconhecível, ela é diferente do que hoje encontramos nas Caldas do Gerês.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Notas Históricas (CXXII)

Carris, 6 de Novembro de 1970

Nesta data a Sociedade das Minas do Gerês, Lda. propunha o Eng. Rodrigo Viana Correa como Director Técnico da sua concessão mineira n.º 2234 'Salto do Lobo'.

Fotografias: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Outros lugares de Carris (CIX)

Carris, 22 de Junho de 2003

Como que guardiões na montanha... testemunhos silenciosos dos tempos idos...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Trilhos seculares - Os domínios de Fafião

Rocalva, 6 de Agosto de 2009

O blogue Carris e o blogue Alma de Montanhista, http://www.almademontanhista.blogspot.com/, irão levar a cabo no próximo dia 8 de Dezembro uma actividade de montanha que irá percorrer os trilhos seculares entre a aldeia serrana de Fafião e a Rocalva.

Esta actividade é gratuita e está limitada a 10 pessoas. Quem desejar participar deverá enviar um email para rcb@netcabo.pt indicando um número de telefone para posterior contacto caso seja necesssário. Os detalhes relacionados com a actividade serão divulgados atempadamente.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Postais do Gerês (XXV) - Gerez - Alto da Borrageira

O Alto da Borrageira (ou do Borrageiro como hoje é mais conhecido), foi um dos motivos mais utilizados para ilustrar os postais do Gerês no início do Século XX, coisa que curiosamente não acontece com as actuais colecções.

Este postal que hoje apresento é mais um exemplo disso. Daz parte de uma extensa coleccção de postais sobre Portugal editado por F. A. Martins de Lisboa.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Notas Históricas (CXXI)

Carris, 27 de Outubro de 1950

Após o final da Segunda Guerra Mundial cessaram os trabalhos mineiros nas concessões dos Carris. A Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. passou para a gestão de uma Comissão Liquidatária nomeada pelo Governo.

Em finais de 1949 e durante 1950 a Sociedade das Minas do Gerês, Lda. mostrou interesse e adquiriu os direitos sobre as concessões mineiras em posse da Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. Todos os direitos foram transmitidos entre as duas sociedades.

A 27 de Outubro de 1950 a Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos solicitava à Comissão Liquidatária da Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. o envio de 100$00 a fim de ser elaborada e publicada no Diário do Governo a portaria que autorizava a transmissão.

Esta quantia seria enviada no mesmo dia.

Fotografias: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

A nossa maldade ou um epitáfio de um fundamentalista

Vilarinho da Furna, Verão de 2009

Achei pertinente compartilhar com os leitores deste blogue um email que me foi enviado peo Agostinho Costa na sequência das fotografias que anteriormente aqui publiquei e mostravam uma cobra nas Minas dos Carris.

Poderiam ser muitas as razões que me levariam a publicar este email e a respectiva fotografia, mas uma delas é a de que já me acusaram de ser muito fundamentalista na defesa do meio ambiente em geral e do Parque Nacional da Peneda-Gerês (como verdadeiro parque nacional) em particular.

Este texto relata um episódio ocorrido com o próprio Agostinho Costa junto das ruínas de Vilarino da Furna no Verão passado. Assim, e com a devida autorização, aqui vai...

"(...)

Sabes, as serpentes carregam consigo um estigma associado ao mal, à morte, mas são essenciais ao equilíbrio dos ecossistemas. O Homem criou mitos sobre alguns animais, que são o caminho mais rápido para a sua extinção. Sem defesa possível carregam etiquetas que só de ouvi-las dá vontade de rir, mas que são transmitidas de geração em geração cultivadas pelo ódio. Os animais têm direito a seu espaço natural, agem por instinto e nunca por maldade. A maldade é característica de uma espécie apenas: A nossa!

No Verão, em Vilarinho das Furnas, presenciei algumas cenas que exemplificam bem a ignorância da maior parte das pessoas. Uma serpente de água viperina, completamente inofensiva, com a audácia e a curiosidade que lhes são características, aproximou-se dos banhistas. O pânico foi geral, saindo toda a gente da água como se um tsunami se aproximasse. Então, alguns pensaram logo em linchar o animal, buscando pedras e paus para arremessar sobre a serpente. Gritei para que parassem, alegando que o animal jamais atacaria as pessoas e que era inofensivo (apenas uma espécie de serpente que existente no Parque é venenosa - a víbora). A custo, muito a custo, lá aceitaram o meu pedido, mas muito pouco convencidos das "boas intenções" do medonho bicho.

Naquele dia, fui advogado e salvador de um pobre animal que nadava no seu meio natural, estranhando aquelas criaturas que a seu lado chafurdavam as águas com muito barulho à mistura. Mas, na maior parte das vezes, no meio destes "artistas", não se consegue vislumbrar uma única alma bondosa e sensata. Aí, o bichinho que se cuide. Enfim, é o que temos. Depois ainda somos acusados de fanatismo ecológico. Afinal, quem são os fanáticos? Vamos remando contra a corrente, que parece aumentar o caudal, mas nunca devemos esmorecer.

(...)"

Mais palavras para quê? Façam-me um epitáfio...

Fotografia: © Costa (via Agostinho Costa)