sábado, 23 de julho de 2016

"Vilarinho das Furnas" ou "Vilarinho da Furna"?


Recentemente, tenho visto muitos visitantes do Parque Nacional da Peneda-Gerês (e até mesmo alguns dos seus habitantes) a cometerem o erro de utilizar a designação 'Vilarinho das Furnas' para se referirem à aldeia de 'Vilarinho da Furna'. Este é um erro comum.

Assim, atrevo-me a transcrever o capítulo com o mesmo título deste artigo a partir do livro "Vilarinho da Furna - Memórias do Passado e do Futuro", de Manuel Azevedo Antunes, e que tece algumas considerações sobre o nome (topónimo) de Vilarinho, a aldeia mártir que jaz no fundo da barragem que lhe roubou o nome... ou quase.

"A primeira referência escrita a esta aldeia penso que remonta a 1540, no já citado TOMBO DA IGREJA DE SÃO JOÃO DO CAMPO, onde a povoação é simplesmente apelidada de "Villarinho".

Depois, nos Arquivos Paroquiais sobre o Registo de Baptizados, Casamentos e Óbitos, da freguesia de S. João do Campo, a partir de 1623, ora aparece "Villarinho das Furnas", ora "Villarinho da Furna", com predominância desta última designação. Penso que, quando o Padre era natural da aldeia ou das povoações vizinhas, escrevia-se "Villarinho da Furna".

António Carvalho da Costa, no Thesouro de Braga descuberto no Campo do Gerez, de 1728, refere apenas "Villarinho".

Na "Notícia da freguesia de S. João do Campo que mandou o dr. Vigário Geral aos 9 de Junho de 1736", bem como nas Memórias Paroquiais de 1758, já mencionadas, fala-se de "Villarinho de Furnas".

Jerónimo Contador de Argote, em Memórias para a História Eclesiástica do Arcebispo de Braga, de 1737-1747, refere "Villarinho".

Também o alemão Link, no seu Voyage en Portugal depuis 1797 jusq'en 1799, de 1803, menciona apenas "Vilarinho".

O Príncipe Regente, que veio a ser D. João VI, no alvará de criação da Real Fábrica de Vidros, de 1807, escreve "Villarinho da Furna".

Na "Escritura de contrato e união...", de 1841, aparece "Vilarinho da Furna".

Pinho Leal, no Portugal Antigo e Moderno, de 1874-1890, fala de "VIllarinho das Furnas".

O Padre Martins Capela, em Milliarios do Conventus Bracaraaugustanus em Portugal, de 1895, escreve "Villarinho da Furna".

Na escritura de aforamento de 1895, com a Câmara Municipal de Terras de Bouro, e no registo predial de 1923, na Conservatória de Amares, com trabscrição mais recente na Conservatória do Registo Predial de Terras de Bouro, aparece sempre "Vilarinho da Furna".

Tude de Sousa, também utiliza "Villarinho da Furna", como se pode ler em Serra do Gerez, de 1909.

Jorge Dias, em vários dos seus estudos, nomeadamente em Vilarinho da Furna uma aldeia cmunitária, de 1948, bem como todos os investigadores da sua equipa, refere sempre "Vilarinho da Furna".

Inspirado na referida obra de Jorge Dias, Manoel de Oliveira projecta, por 1950, fazer o documentário Vilarinho da Furna que, ao que parece, não chegou a ser realizado pr falta de apoio financeiro.

Também Jaime Cortesão, em Portugal, a Terra e o Homem, nas edições de 1966 e outras, escreve "Vilarinho da Furna".

O mesmo faz Miguel Torga, em vários dos seus escritos, nomeadamente no Diário, bem como A. Lopes de Oliveira, em Terras de Bouro, e Armando de Castro em Estudos da História Sócio-Económica de Portugal, de 1972.

Já Domingos M. da Silva, em Entre Homem e Cávado Amares e Terras de Bouro, de 1958, escreve "Vilarinho das Furnas".

Também nas sentenças do tribunal de Vila Verde, de 1962, de 1969 e de 1995, se lê "Vilarinho da Furna".

Hugo Rocha, escreve um dos seus artigos, no Comércio do Porto, em 1969, com o título "Vilarinho da Furna: uma das últimas povoações comunitárias de Portugal que não tardará muito a desaparecer".

João Rosado Correia, intitula a sua dissertação de licenciatura, Vilarinho da Furna Paisagem em Transformação, em 1971. De modo semelhante acontece com José Rodrigues Martins, no artigo "Vilarinho da Furna", de 1972, e com Lucinda Coutinho Duarte, Luísa Teixeira e Mafalda Santos, na dissertação sobre Aldeias Submersas em Consequência da Construção de Barragens: Vilarinho da Furna (1971), Aldeia da Luz, Alentejo (2002), de 2003, que tive oportunidade de orientar.

Mas Gladys NOvaes, também em trabalho académico de licenciatura, em 1973, escreve "Vilarinho das Furnas", penso que por influência das Memórias Paroquiais da freguesia de S. João do Campo, que transcreve.

João Amorim Machado Cruz, em vários dos seus estudos, escreve sempre "Vilarinho da Furna", como em Consanguinidade aparente da população de Vilarinho da Furna, de 1973.

O mesmo acontece com Joanna Korfage, no seu trabalho académico, na Holanda, em 1993, VROEGER EN LATER (...) Vilarinho da Furna (ANTES E DEPOIS Sobre as experiências dos antigos habitantes da aldeia comunitária de Vilarinho da Furna), e com Delmira Calado, em Vilarinho da Furna: a Memória, de 1999.

Também Francisco Duarte Mangas, na novela Diário de Link, de 1993, fala de "Vilarinho da Furna", embora, em nota final, assinale que há quem diga "Vilarinho das Furnas".

Eu próprio utilizo sempre a designação "Vilarinho da Furna", apesar de alguns revisores de provas já me terem procurado corrigir para "Vilarinho das Furnas".

Nas Cartas Topográficas e nos textos de HICA/CPE/EDP, escreve-se "Vilarinho das Furnas", designação que se vulgarizou após a construção da barragem. O que terá influenciado o título do filme de António Campos, Vilarinho das Furnas, de 1971. Como vemos pelos autores referidos, a que se poderia acrescentar muitos outros, as duas designações têm sido usadas na referência à mesma aldeia.

Penso que a designação "das Furnas" provém de um local, sito na Serra Amarela, com várias cavidades rochosas, próximo da nascente do Rio de Furnas, assinalado nas Cartas Topográficas, que passa pelo meio do povoado antes de se juntar com o Rio Homem.

No entanto, em todos os documentos oficiais e jurídicos, com excepção do decreto de 1904, feito por inspiração e em benefício dos Serviços Florestais, a expressão utilizada é "Vilarinho da Furna", com esta ou outra grafia equivalente. Era também assim que a gente da aldeia e das povoações vizinhas lhe chamavam, bem como todos os literatos e investigadores que mais aprofundadamente a estudaram.

Furna (do latim furnus - forno), significa grande cavidade, caverna, gruta, cova. A aldeia de Vilarinho ficava efectivamente numa grande cova, delimitava pelas serras da Amarela e do Gerês, o que fazia dela, no dizer que Orlando Ribeiro, "uma ilha da Ribeira no oceano revolto das agrestes montanhas graníticas".

Por isso, como costumo dizer, já que nos tiraram a terra, deixem-nos ficar o nome: "VILARINHO DA FURNA".

O livro "Vilarinho da Furna - Memórias do Passado e do Futuro", de Manuel Azevedo Antunes, pode ser adquirido no Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna - Porta do PNPG do Campo do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Parques com falta de funcionários e abrigos da montanha votados ao abandono


A notícia refere-se ao Parque Natural de Montesinho e ao Parque Natural do Douro Internacional, mas serve que nem uma luva ao Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Esta é uma gestão criminosa das áreas protegidas nacionais e uma gestão criminosa do património que foi deixado a apodrecer com o fim dos Guardas Florestais.

Como sempre neste país, ninguém é culpado! É assim que há já muito tempo advogo uma tomada popular destes edifícios - A tomada popular das Casas Florestais - um imperativo.

Avaliação de percursos pedestres no PNPG


Porque acho que todos nós que utilizamos o Parque Nacional da Peneda-Gerês devemos contribuir para que tenhamos um espaço cada vez melhor para as nossas actividades em montanha, indico aqui uma vez mais uma ligação através da qual podem fazer a vossa avaliação dos percursos pedestres homologados e indicar os problemas que encontraram.

A vossa avaliação / opinião pode ser feita aqui.

Sejamos agentes activos no melhoramento do PNPG.

A Tranquilidade, os Pokemons e as actividades de montanha


Deparei-me com uma notícia do Jornal de Negócios que mais me parecia uma notícia do Inimigo Público, mas que infelizmente é a mais pura das realidades.

Reza a tal notícia que este é "um seguro de acidentes pessoais para caçadores de Pokémons, ou outros jogos de realidade aumentada, a quem subscrever um novo seguro. O cliente pode aproveitar a oferta para si ou indicar alguém do seu núcleo familiar". A oferta está disponível até 15 de Agosto e o seguro é válido até final do ano. "O seguro 'AP GO' está desenhado para cobrir os danos sofridos pelos jogadores durante a prática" do jogo, garante a seguradora. No referido comunicado, a Tranquilidade reclama para si o estatuto de "primeira seguradora na Europa a lançar um produto que garante os riscos associados à prática de jogos com o Pokémon Go, criando uma solução pensada exclusivamente para esta nova realidade."

Ora, sendo eu alguém que me interesso por actividades de montanha, não deixei de achar curioso este produto da Tranquilidade. Assim, dirigi-me a uma loja da Companhia Tranquilidade para me informar de produtos de seguros que pudessem satisfazer as minhas necessidades de «praticante de desportos de montanha».

A resposta inicial foi de que deveria fazer um 'seguro de acidentes pessoais' ao que retorqui questionando se esse seguro cobriria a minha actividade desportiva, ao que a pessoa anuiu de forma refutante 'que sim' mas já com certas dúvidas. Ora, após alguns olhares para o ecrã do computador, foi necessária uma consulta mais detalhada para se chegar à conclusão de que a Tranquilidade é capaz de ter esses produtos mas somente sobre consulta, isto é, ao contrário do seguro 'AP GO' para os Pokemóns, não existe um produto específico na Tranquilidade para cobrir as actividades de montanha, atingindo sem dúvida preços quase proibitivos.

É uma questão de prioridades...

Imagem: Deviant Art

Subida acentuada da temperatura na parte ocidental do território


Informação Meteorológica Comunicado válido entre 2016-07-22 11:43 e 2016-07-26 11:43.

Subida acentuada da temperatura na parte ocidental do território

Na sequência da descida da temperatura registada hoje, dia 22 de Julho de 2016, irá ocorrer uma subida rápida e muito significativa para amanhã, dia 23.Nas regiões do litoral oeste, incluindo a Beira Litoral, Estremadura e o Barlavento algarvio as temperaturas máximas terão subidas da ordem de 7 a 10 °C. Na parte restante do território a subida da temperatura máxima será da ordem de 2 a 5 °C. Registar-se-á também uma subida da temperatura mínima, mas menos expressiva. No dia 24, domingo, haverá ainda uma subida da temperatura, prevendo-se que a temperatura máxima atinja valores entre os 30 e 40°C na maior parte do território, exceptuando as terras altas e alguns locais do litoral onde se prevê valores entre 25 e 30 °C e as região de Alentejo, vale do Tejo e vale do Dour o onde se prevê valores entre 40 e 42 °C.A temperatura mínima, a partir do dia 24, domingo, deverá registar valores entre 20 e 23°C na generalidade das regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto Estrela, e entre 15 e 20 °C no restante território.Este episódio de tempo quente deverá prolongar-se até ao final da próxima semana nas regiões do interior. Contudo, haverá uma descida da temperatura no dia 25, segunda-feira, no litoral centro e, generalizando-se a todo o litoral, incluindo a região interior da Beira litoral e Estremadura, no dia 26.

Ver localização no mapa.

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

Trilhos seculares - Casarotas e Curral do Ramisquedo na Serra Amarela


Regresso à Serra Amarela para visitar as Casarotas e percorrer parte do trilho de grande rota GR34 - Trilho Interpretativo da Serra Amarela.

O percurso foi iniciado junto da Barragem de Vilarinho da Furna e enveredando pelo matagal que cobra a parte inicial do percurso (escadas e vertente inicial) ao subir o Peito de Gemesura. A paisagem vai ganhando alma à medida que vamos ganhando altitude e o deslumbramento com a Serra do Gerês que se estampa à nossa direita vai sendo cada vez mais elevado quando nos aproximamos do Alto de Gemesura.

As marcações do percurso vão apresentando os sinais do tempo e a falta de manutenção naquele que pode ser um dos melhores trilhos de montanha de Portugal. Algumas marcações em pedras soltas encontravam-se caídas e foram recolocadas no devido local à nossa passagem.

Deixando o Alto de Genesura para trás, prosseguimos até à Chã de Cima em direcção a Candeiró e depois até às enigmáticas Casarotas. Nesta fase são inexistentes as marcações do GR34 que entretanto segue em direcção a Brufe. Prosseguimos o percurso passando sobre o Fojo de Vilarinho depois do Poulo do Vidoal em direcção à Chã do Muro, tudo isto ladeando as profundezas da Corguinha Má e da Mosguenda. Não seguindo o GR34 nesta fase, tomamos um velho carreiro sobre as Furnas e passamos pela Casa das Neves, baixando de seguida para o Curral do Ramisquedo. Antes de regressar a Vilarinho da Furna, visitamos uma cabana abaixo de Porto Covo, seguindo depois por Peijoqueiras, Coriscadas, Toutas e descendo depois para o Fundo do Peiro da Rocha, seguindo depois para o Porto das Furnas e ladeando a margem da albufeira que nesta altura submerge tanto a aldeia de Vilarinho da Furna como parte do GR34.

Uma nota final sobre o GR34: penso que já seria tempo de os dois municípios que implementaram o GR34, tomarem medidas para melhorar o percurso no que diz respeito à sua sinalética e à sua conservação. Vários meses após as referências à s deficiências que o percurso apresenta, começa a não ser admissível que esta excelente Grande Rota permaneça com os problemas com os quais foi entregue pela empresa que o demarcou.

Algumas fotografias do dia...

















































































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)