segunda-feira, 22 de maio de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXVIII) - Paisagem mineira dos Carris


As cicatrizes da mineração do volfrâmio nas Minas dos carris são marcas que ainda irão perdurar por muitos anos na Serra do Gerês.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Erótica dança das sombras


Sinto o vento frio no rosto, corta-me a alma... decompõe o ser...
Duas almas que se cruzam na longínqua distância.
Duas almas que choram a dor da mágoa.
Uma chuva eterna turva-me a realidade...
Viajar na brisa suave do final da tarde... abraçar a noite, eterna.
Escutar a elegia da montanha, esconder as lágrimas com que alimento os rios...
Fecho os olhos e vejo-me cair num poço sem fundo... povoado de gritos e lamentos...
Escuto os ecos do choro há muito esquecido.
Por entre a neblina ver-te-ei chegar adornada pelos deuses da neve e do frio...
Como é bela a face da noite, o sabor da tua pele... o toque do teu sangue...
Um fogo que arde nos olhos do anjo caído...
Toleramos a dor pelo prazer, buscamos o prazer pela dor...
Uma vigília eterna, vivemos apartados por um oceano de lágrimas tão grande como a eternidade do próprio tempo...
Sonhamos para além das belezas do mundo como que banhados num glorioso transe por onde o silêncio se move com cada animal.
Choramos o amor perdido, secretamente desejamos o prazer... secretamente escondemos o amor...
No meu último suspiro procuro o teu beijo, sentir o teu abraço...
No horizonte onde todos os caminhos se cruzam espero por ti...
O Inverno do meu ser... lamento as memórias dos tempos perdidos...
Um anoitecer nos sonhos, o leve véu da noite caiu sobre mim...
Durmo nos braços de Atégina, deusa infernal...
O Sol já se pôs... escuto o uivo do lobo à Lua que se ergue...
A dança erótica em torno da fogueira onde vejo a beleza a morrer...
Vejo o teu rosto nas sombras que dançam...
Descanso sobre a mortalha da noite.

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Originalmente publicado como "...sombras que dançam" a 10 de Abril de 2009

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 21 de maio de 2017

250... "Bom, bom... é conseguir amar!"


Minas dos Carris, 20 de Maio de 2017

Com o blogue a ser iniciado por altura da 100ª caminhada às Minas dos Carris, não é que a 250ª visita viesse a merecer uma referência especial. No entanto, e em termos pessoais, não deixa de ser um evento de destaque nesta longa demanda de conhecer a Serra do Gerês.

Perguntarão o que se pode aprender ao fim de tanta caminhada ao mesmo local. Bom, a verdade é que mesmo ao fim de percorrer já milhares de quilómetros por aquelas paragens, há sempre algo de novo a descobrir, quanto mais não seja dentro de nós próprios e isso, por si só, basta!

A caminhada foi feita pelo percurso clássico do Vale do Alto Homem. Se a jornada de ida é sempre reconfortante, já o regresso acaba por ser algo de penoso perante o estado miserável do caminho. Porém, a passagem da Fonte da Abilheirinha, a chegada à Água da Pala ou o vislumbre dos alcantilados graníticos da Bela Ruiva, são sempre paisagens que vale a pena recordar uma e outra vez, em diferentes alturas do ano. Bem como a Corga do Cagarouço ou a imensidão do Modorno já com a Água da Laje do Sino à vista despenhando-se sobre o Rio Homem. É aqui que temos a magnífica paisagem sobre o Vale do Alto Homem com a Serra Amarela a compor, lá ao fundo, um quadro de beleza única em todo o Parque Nacional. Segue-se a passagem pelo Teixo e a chegada às Águas Chocas e Abrótegas, antes de entrarmos na subida final pela Corga da Carvoeirinha. Desta vez, seguimos pelo Salto do Lobo para ter a vista privilegiada da Lavaria Nova no topo da Corga de Lamalonga.

Alguém disse então, "Que bom sentirmos o coração a bater depois de uma jornada destas!", ao que alguém retorquiu "Que bom conseguirmos respirar!" e eu rematei ao dizer "Bom, bom... é conseguirmos amar!" A jornada aos Carris é isto mesmo... em momentos de silêncio como o que se seguiu, conseguirmos compreender o porquê de lá irmos assim tantas vezes.






























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXVII) - Minas dos Carris


É difícil descrever emoções mesmo numa língua tão rica como a nossa. Da mesma forma, a fotografia que imortaliza momentos, faz-nos viajar por cenários fantásticos e de fantasia, como as Minas dos Carris, Serra do Gerês.

Debato-me neste limbo, nesta neblina que me envolve na fronteira entre a realidade e o mundo dos sonhos. Sombras que rastejam pelas paredes sombrias do quarto silencioso enquanto um ensurdecedor pensamento invade todo o ser que corre na planície perante o trono de Morfeu. Caio de joelhos, cansado e com o suor quente que me percorre a pele. O corpo dorido como no final de um esforço ao arrastar um bloco de granito por uma estrada que se perde e esvanece pelo horizonte que se havia tornado rubro de tons púrpura. E de repente, ao abrir os olhos ardentes do sal que escorria pela testa, encontro-me num velho quarto tenuemente iluminado pela luz tremeluzente filtrada nas velhas cortinas de seda que mortalham as janela em forma de antigos quadros góticos. Ao canto, como que ainda mais escondido da penumbra, jaz algo que não consigo descrever pela turvidez do sonho. Antigos livros gastos pelo tempo e amarelecidos pela memoria dos dias, completam abauladas prateleiras com o peso dos anos. Transformam-se em pó ao leve toque. Pelo canto do olho perde-se a definição do que vejo...é a parte do sonho que me está proibida.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

A Serra do Gerês no facebook (II) - "O Gerês"


O facebook, como rede social, permitiu uma divulgação sem precedentes dos encantos e maravilhas do nosso único Parque Nacional, muitas vezes confundido somente com a Serra do Gerês.

Nesta rede social podemos encontrar três páginas ou comunidades que de forma particular divulgam o Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG). Esta série de três publicações tem por objectivo divulgar essas páginas ou comunidades e assim, por essa forma, divulgar o PNPG.

Hoje, a comunidade 'O Gerês' nas palavras de um dos seus fundadores, Júlio Marquez...

Dia 23 de Maio nasceu o meu projecto, criado por dois adeptos geresianos e do mundo da Montanha. Por diversas vezes já me questionaram sobre o porquê de ter escolhido um nome tão específico e não tão abrangente? Para a população global “O Gerês” é visto como um todo, não como a Serra do Gerês, mas como todos os locais que envolvem o Parque.

Diriam neste momento os acérrimos que estamos a cometer uma gafe contextual, no entanto, e visto que seguimos muitas vezes as vontades não apenas das populações, mas também dos visitantes, poucos são os que realmente se importam com tal relevância, embora por vezes possa gerar algumas conversas de café sobre o tema, o que continuamos a achar legítimo, pois a serra Amarela, a serra do Soajo e a serra da Peneda devem ter a sua identidade. Mas porque apenas então Parque Nacional da Peneda-Gerês e não Parque Nacional da Amarela-Gerês-Peneda-Soajo? Enfim, provavelmente na hora de decidir deverá ter prevalecido a racionalidade do espaço, e assim a escolha foi mesmo por aí, o Gerês como um todo, e de fácil identidade, não desmistificando cada uma das quatro Serras do Parque.

Para muitos, mais uma página com um design apelativo, com fotografias bonitas sobre o Parque Nacional, quanto à realidade, bem diferente do que possam conjeturar, o projecto contempla uma versão forte a nível de imagem, é uma realidade, fotografias dos chamados quatro cantos do Gerês colocados a nu na minha página do Facebook, na maior parte das vezes com descritivos dos locais, sem qualquer tipo de referência de GPS, embora nos incitam cada vez mais a tornamos públicas essas coordenadas, algo que nunca irá suceder, não apenas por respeito ao próprio Parque Nacional, mas por respeito ás populações envolventes ao Parque, aos serviços de emergência médica e essencialmente à população que pode tentar, e sem os meios necessários procurar algumas destes locais de árduo acesso. Na descrição que normalmente deixamos vem o nome do local e muitas das vezes uma explicação sobre a fauna e sobre a flora do Parque. A minha comunidade nasceu um pouco para isso, e quem somos é essa decisão intrínseca, mostrar os locais remotos que têm um nome, uma identidade, juntar com os que o público em geral já conhecem, e através de texto povoar o mapa do Parque Nacional que realmente poucos conhecem, ou sequer têm uma noção da sua vasta área, dar a conhecer o nome das suas desconhecidas montanhas, das suas anónimas fechas e poços ou lagoas e cascatas, como lhe queiram chamar.

O suporte social do Facebook é um abrir de portas, criar uma comunidade como a que criei dá imensa satisfação pessoal, os surpreendentes resultados que obtive num crescimento desmesurado nos seus inícios, e focado em algo mais transcendente, muito mais além da publicação de fotografias a cru e dos seus locais. Este momento inicial foi ultrapassado, e a vontade é continuar o trabalho que realizei no Facebook na nossa página oficial www.ogeres.pt e actualmente no Instagram, plataforma que confesso, estou a admirar imenso devido à qualidade e versatilidade da rede social. O website será especializado em dar a conhecer o Parque Nacional da Peneda Gerês, desenhado com um layout de suporte à própria página do Facebook onde detalharei muito mais do que simples fotografia. Quero incidir em estudos do Parque, quero prevenir quedas e sujidade dos espaços no Verão, evitar os incêndios, pressionar para evitar a caça furtiva, pressionar os organismos estatais com os meios que teremos para fortificar o nosso património natural. Ajudar as populações, criar projectos que visem melhorar o turismo qualitativamente e dividir quantitativamente de forma a que todos possam usufruir dele e que não seja exaustivo para algumas regiões como o é e inexistente para outras que se prepararam igualmente para o receber.

O futuro da comunidade O Gerês é ainda uma incógnita, arrancamos a dois um projecto com a colaboração de imensas pessoas e cada qual com uma característica como hobby e paixão.

Resumindo, o Gerês é um barco neste momento em remodelação e reestruturação com a mesma vontade, mas a só uma direcção. Ganhei com esta comunidade O Gerês uma grande lição de vida, fiz e conheci locais incríveis, no início confesso que queria chegar ao maior número de pessoas, hoje o objetivo é ter uma página que chegue sim a quem se interessa com o Parque Nacional como ele é e que o deseja protegido e não massificado ao ponto de o destruir. As filosofias mudam e vamos crescendo à medida que vamos vivenciando mais Gerês.

Minas dos Carris pintadas por Margarida Cardozo


As Minas dos Carris pintadas por Margarida Cardozo

Fotografia © Margarida Cardozo (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Biodiversidade e turismo sustentável


O Ecomuseu de Barroso do Pólo de Fafião/Associação Vezeira levará a cabo uma iniciativa em conjunto com o Centro de Biologia Molecular e Ambiental da Universidade do Minho que pretende não deixar passar despercebido um dia tão importante como o dia internacional da Biodiversidade. Sendo assim aqui fica o planeamento para um dia em cheio como não poderia deixar de ser no Parque Nacional da Peneda-Gerês. 

*10:00H - Visita ao Ecomuseu do Barroso em Fafião

- Palestra sobre o tema Biodiversidade e o Turismo Sustentável
Oradores:
- Doutora Cláudia Pascoal do Centro de Biologia Molecular e Ambiental;
- Fafiota Odete Laja da Associação Vezeira

*11:00H - Inicio da Caminhada

- Fojo de Fafião

- Observação da plantação das árvores autóctones no Azeveiro

- Cabana/Abrigo dos pastores no Vidoal

- Fojo de Pincães

- Silha dos Ursos

- Cascata de Pincães

*19:00H - Termino da actividade

NOTAS:

Caminhada de aproximadamente 12 km, de grau de dificuldade baixo/médio.

Cada Participante é responsável pelo seu almoço.

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXVI) - Minas dos Carris


As eternas ruínas das Minas dos Carris numa manhã de Inverno a 18 de Janeiro de 2014.

Naquele instante que define um todo, viajei por entre todas as estrelas do Universo. Percorri galáxias e super-novas em explosões que ocorrem como o último suspiro de uma vida que se esvai, espalhando pelos quatro cantos da existência as quânticas sementes que irão proporcionar a vida. É como o suster a respiração no êxtase final numa turbulência de cores que nos percorrem o ser quando fechamos os olhos e arqueamos o corpo. Por entre átomos de uma matéria estranha ou por entre gigantescos buracos negros, fazemos por atravessar o inatingível horizonte de eventos ao redor do qual corremos de mãos dadas e que procuramos evitar como que saltitando na areia húmida para fugir à efémera onda que se dissipa ao perder força envolvendo as pequenas jogas naquela praia. Ao longe o Sol pôr está semi oculto por nuvens que mimetizam cores rubras, tornando-se um eterno véu para o dia que agora se ocasa.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 16 de maio de 2017

Trilhos lá fora - Ida e volta a Tresviso


Uma subida à pequena e bela aldeia de Tresviso, Picos de Europa, a 29 de Abril de 2017, desde Úrdon.

O album completo pode ser visto aqui.








Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)