Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Tertúlia 'O Gerês de Bouro a Barroso'

No próximo dia 17 de Março tem lugar no Parque de Campismo de Cerdeira mais uma tertúlia na qual serão abordados temas relacionados com a Serra do Gerês e com o Parque Nacional.

Desta vez a convidada é Maria Fernanda Moreira da Silva, autora do livro “O Gerês: de Bouro a Barroso, Singularidades Individuais e Dinâmicas Territoriais” editado pelas Edições Afrontamento.

Fruto de um trabalho de investigação de 10 anos, “O Gerês: de Bouro a Barroso, Singularidades Individuais e Dinâmicas Territoriais” cobre os mais variados aspectos da Serra do Gerês desde a organização espacial do território do Século XIII ao Século XIX, as alterações da paisagem serrana entre o Século XIX e o Século XX, a história das Caldas do Gerês, o património cultural e natural e as ameaças que pendem sobre este património.

A tertúlia terá início pelas 21:30 e a entrada é livre mediante reserva, realizando-se nas instalações do restaurante do Parque de Campismo de Cerdeira, Campo do Gerês.

Para o X e o Maior de Barcelinhos

...sem palavras nos Currais das Negras!

Fotografia © Rui C. Barbosa

Terça-feira, 13 de Março de 2012

182... Carris em Março pela Abelheira

Carris, 13 de Março de 2012

A caminhada de hoje até às Minas dos Carris foi, para mim, reveladora da dimensão do incêndio que lavrou no Parque Nacional da Peneda-Gerês em 2011 e do qual ainda não tinha noção da sua dimensão tanto em termos de área como em termos de efeitos na paisagem. Hoje caminhei muito tempo noutro planeta, aquilo não era a Serra do Gerês que conheci quando em tempos por lá caminhei. Em certas alturas estava perante um cenário quase apocalíptico, um cenário de dia seguinte após a devastação nuclear que nada deixa vivo e que petrifica a paisagem num momento de desolação e morte. A serra revela-se desnuda, estéril, quase como morta... Pelo meio do nada, paira a desolação que confere ao profundo silêncio que por ali se arrasta, a profunda tristeza.

Desta vez deixei atrás o dispositivo quântico e caminhei pelo Vale da Abelheira que no final nos presenteia com a soberba paisagem da Serra do Gerês que se abre a nossos pés. Lá no fundo o Ribeiro Dola vai lutando com a falta de chuva e o seu esgar pela montanha vai-se fazendo escutar. O trilho, geralmente bem definido, vai serpenteando lentamente vencendo as curvas de nível, ora subindo um pouco aqui, ora baixando um pouco ali. Passando ao largo dos currais, fomos procurando o trilho que vem de Pitões das Júnias. Atrás de nós ficava o Castanheiro altaneiro e o Alto do Moreira, atalaia serrana que permite a visão do Vale das Negras que ia surgindo à medida que ganhávamos altitude e vencíamos o caminho estéril com as grotescas figuras dos galhos enegrecidos que nos marcavam à passagem. Chegando ao trilho do Castanheiro avistamos as primeiras cabras selvagens que num rebanho faziam rolar pedras, denunciando a sua presença. Após percorrer o trilho durante alguns metros decidimos não descer aos Currais da Matança, prosseguindo pela esterilidade até aos Currais das Negras, local do repasto... e que repasto foi!!!

O nosso objectivo final eram as ruínas dos Carris e após passar pela concessão da Garganta das Negras, lá vencemos o desnível de cerca de 200 metros até ao paiol e entravamos no reino do silêncio mais profundo. A visita acabaria por ser um pouco rápida com uma passagem pelas ruínas e pela represa, pois os dias ainda são um pouco curtos e era hora de arrepiar caminho para voltar ao local de partida seguindo o trilho em direcção à Lamalonga, encosta de Matança e daqui tomar o secular caminho que nos levou de volta à Abelheira.

Algumas fotografias...





































Fotografia © Rui C. Barbosa