sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O interior das Minas dos Carris


Do grande espólio fotográfico relacionado com as Minas dos Carris, apenas três fotografias nos mostram como era o interior desse complexo mineiro nas diferentes épocas de lavra.

Certamente que todos nós podemos imaginar como seria o interior dessas minas. Um local frio e escuro onde a humidade amolece os ossos. As fotografias não nos mostram essas sensações e certamente retratam momentos um tanto ou quanto ensaiados na pose dos elementos que delas fazem parte.

Poderão haver outras fotografias, mas estas, e até ao momento, são as únicas que nos mostram as profundas galerias da Mina do Salto do Lobo, a principal concessão das Minas dos Carris.

A fotografia em cima mostra Alexander Schneider-Scherbina que observa o filão Salto do Lobo nas Minas dos Carris. Na fotografia em baixo mostra três trabalhadores antes de entrarem no elevador do poço mestre do Salto do Lobo. No centro está o Eng. Virgílio de Brito Murta que mais tarde viria a ocupar o cargo de Director Técnico das concessões mineiras dos Carris. A fotografia mais em baixo mostra um aspecto dos trabalhos mineiros no interior de uma galeria.



Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Informação sobre Casas Florestais


Nesta lista, apresento as Casas Florestais (Casas da Floresta ou Casas do Guarda) existentes no território do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Da lista fazem parte algumas casas das quais nunca consegui obter qualquer informação relacionada com a sua localização e em relação a algumas delas tenho mesmo dúvidas da sua existência.

Assim, gostaria de obter informações (localização, fotografias, etc.) sobre as seguintes casas florestais possivelmente localizadas em Ermida (Lindoso - Serra Amarela), Penha Amarela (Paradamonte, Ponte da Barca - Serra Amarela), Parada (Parada, Lindoso - Serra Amarela), Várzea (Várzea - Serra do Soajo), Paradela (Paradela - Serra do Soajo), Castro Laboreiro (Serra da Peneda) e Carpinteira (Lamas de Mouro - Serra da Peneda).

Agradeço desde já qualquer informação prestada!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

f/64 ...raízes


O ordenamento caótico de uma raiz na Portela de Leonte.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

f/64 ...silêncio


...porque o silêncio.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Magusto Celta - Pitões das Júnias


Terá lugar no dia 14 de Novembro um Magusto Celta em Pitões das Júnias, Montalegre.

Com início marcado para as 10:00, o Magusto Celta envolve várias actividades entre as quais o Baptismo Celto Galego, a Recuperação de Nomes Galaicos, o Pregão do Mgusto, etc.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O poço mestre das Minas dos Carris


O ano de 1955 trás a intensificação dos trabalhos na abertura do novo poço mestre na concessão do Salto do Lobo das Minas dos Carris. Este novo poço iria substituir o velho poço mestre que seria abandonado.

Nos trabalhos foi utilizada uma máquina de extracção do tipo fricção da marca Schmitt U Sohn, fornecida pela empresa de elevadores então COMPORTEL (Companhia Portuguesa de Elevadores). Em função dos locais escolhidos para as estações de carga e descarga dos pisos superior e inferior, foi feito o levantamento topográfico por parte do Eng. Virgílio de Brito Mura pelo único processo possível à data utilizando bússola de suspensão, clinómetro e fita métrica, definindo em vários níveis a posição do eixo vertical do futuro poço. A esses níveis foram abertas pequenas galerias de acesso até ao eixo e uma vez marcados, abriram-se para baixo e para cima chaminés de pequena secção, que deram origem a um poço estreito entre os pisos inferior e superior. Feito isto e uma vez marcada a secção do poço, este acabaria por ser alargado no sentido descendente e ao mesmo tempo reforçado com tirantes de aço onde necessário. Ao mesmo tempo eram feitos os patamares das escadas com uma separação se 4 metros e colocadas estas e os barrotes de definição dos compartimentos, colocando-se de seguida as guias para as jaulas, bem como o forro de protecção do compartimento das escadas.


Segundo Virgílio Murta, o poço mestre, obra de seu orgulho, foi “proposta, projectada e dirigida por mim e executada num tempo recorde, pois foi atacada simultaneamente em todos os pisos já existentes. Foi o primeiro poço em Portugal a usar máquinas do mesmo tipo dos elevadores de edifícios, e não guinchos, como é usual. A jaula que descia vazia servia de contra-peso da que subia carregada. A porta de aço com aspecto de cruzeta era aberta pela jaula que chegava e fechada quando descia, garantindo a segurança do pessoal.”  A jaula do elevador estava equipada com um sistema de amortecimento na parte superior constituído por uma série de molas. O funcionamento do elevador era exactamente como um elevador de edifício de apartamentos quando comandado do interior. Se fosse comandado das estações de carga e descarga, era o guincheiro do piso superior, após receber o respectivo sinal, dado por toques de martelo numa chapa, que dirigia a operação . Para isso havia um código de toques, por exemplo, um toque, sobe minério, dois toques sobem martelos, etc. Por serem mecânicos, eram muito seguros. Os códigos usados eram indicados por círculos brancos pintados sobre tábuas pretas ao lado dos manobradores e dos guincheiro e variavam de mina para mina. As comunicações entre pisos eram efectuadas através de um sistema de tubagens, o «telefone», no qual se falava e escutava através dos tubos. Em 1955 também foram realizados trabalhos de reforço da represa que havia sido construída após a entrada da Mason and Barry, Ltd. para a sociedade mineira. Assim, o fornecimento de água à lavaria, que foi projectada pelo Eng.º Palmer – Superintendente do Departamento de Engenharia da Mina de S. Domingos, foi melhorado.







Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Minas do Borrageiro, algumas fotografias


Não é fácil de encontrar fotografias antigas das Minas do Borrageiro. Mesmo os arquivos oficiais são parcos nestas fotografias e já são poucas as pessoas que nos descrevem com rigor o ambiente e os edifícios existentes naquela exploração mineira.

Estas imagens mostram parte dos trabalhos a céu aberto realizados naquela zona.

O manifesto mineiro para a mina de ‘Borrageiros’ foi entregue na Câmara Municipal de Montalegre a 18 de Setembro de 1916 por José Frederico Lourenço da Cunha, de 32 anos e residente em Caminha, que descobriu naquele local por inspecção de superfície uma mina de volfrâmio e outros metais. O ponto de partida para a demarcação da concessão mineira 949 ficou definido a 300 metros a partir do alto dos Borrageiros medidos no rumo nascente, seguindo até ao Penedo Redondo até ao Ribeiro do Couce e o curso do mesmo ribeiro até à sua nascente, confrontando pelo nascente com o marco geodésico de Chamições (Chamiçais), do poente com Carris, do Norte com Matança e do Sul com Cidadelha  (Cidadelhe). Por endosso, a mina seria cedida a Paul Brandt, cidadão suíço de 37 anos residente no Porto, e a António Lourenço da Cunha, de 43 anos residente em Caminha e gerente da Empresa Hidro Eléctrica do Coura, Lda. Em Outubro os vários filões são estudados pelo Professor F. Fleury do Instituto Superior Técnico, o qual procede à recolha de amostras que submete para análise pelo Professor Charles Laspierre. Em Novembro, Paul Brandt e António Lourenço da Cunha, requerem o reconhecimento oficial do jazigo. O Engenheiro Chefe de Repartição de Minas, Manuel Roldan y Pego, emite os éditos de concessão a 17 de Novembro, sendo publicados no Diário do Governo a 22 de Novembro.

Sem meios de acesso para viaturas, os trabalhos na mina sempre foram rudimentares e inicialmente executados à superfície. O minério obtido no Verão de 1917 era transportado por muares para a casa do juiz de paz de Cabril, José Maria Afonso Pereira, onde ficava depositado. No local da mina não existiam habitações confortáveis e capazes de resistir aos rigores invernais da Serra do Gerês. Após os primeiros trabalhos no Verão de 1917 onde terão sido obtidos cerca de três toneladas de minério, os dois detentores do registo mineiro solicitam a 26 de Dezembro que lhes fosse permitida a transferência do minério para Frades do Pinhedo.




Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

O volfrâmio e o bacalhau da consoada


São abundantes as histórias da dureza do Inverno na Serra do Gerês.

Com as gentes serranas a viver em economias parcas, por vezes as saídas para o minério serviam para resolver situações de necessidade quase imediata. Manuel Lages refere que “numa altura em Dezembro fui com o mau pai buscar minério para ganhar dinheiro para o bacalhau que iríamos comer na noite de consoada. Saímos cedo do Gerês e percorremos toda a serra até Borrageirinhos  onde procuramos volfrâmio. Nessa tarde, conseguimos 30 kg de minério e depois fomos dormir para os fornos do Couce. À noite tive de sair do abrigo para urinar e quando dei por ela, a saída estava toda coberta de neve. Abri caminho à mão. No dia seguinte regressámos ao Gerês percorrendo a serra com quase 3 metros de neve e era muito perigoso passar algumas corgas fundas, mas lá conseguimos. Vendemos depois o minério que valia 200$00 o quilo!

in "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", de Rui C. Barbosa - Dezembro de 2013

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Previsão de neve para a Serra do Gerês


Mais cedo ou mais tarde, o ciclo vai-se repetir e surgem as primeiras previsões de neve para a época na Serra do Gerês, mais precisamente no Pico da Nevosa.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Deportes de aventura y riesgo en la montaña: una trayectoria de juego con límites e incertidumbres


Este é um excelente texto para aqueles que se «aventuram» pelas montanhas.

"Subir a una montaña o descender un río no son actos mecánicos. Todo eso exige un ritual que separa el escalador, el trekker o el canoista de los mortles comunes (los que no están vinculados e esta práctica) y los aproxima del divino, sacralizando sus vidas. Cuanto más uno sube a la montaña o desciende un río salvage, más más él vence a si mismo y se aproxima de su religiosidad, escamoteando el tiempo presente, viviendo una aventura personal de libertad y trascendencia. Él llega cerca del divino que existe en si mismo.

El hecho de que la vivencia se realice en la naturaleza, especialmente en la montaña, desata un continuum que pasa de una simpatía por la naturaleza, mágico-religiosa, a una emoción estética, lúdica, instintiva."

O texto na íntegra ode ser acedido on-line aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Os nomes perdidos das Minas dos Carris


Se o nome de Domingos da Silva, José Rodrigues de Sousa, José Inácio e Alexander Schneider-Scherbina, ocupam um lugar na histórias das Minas dos Carris, outros existem que sem a sua presença esta história não teria existido. Estes são nomes de trabalhadores quase incógnitos e certamente de outros cujo tempo se encarregou de apagar da memória.

Muitos dos nomes daqueles que trabalharam nas Minas dos Carris ficaram assim esquecidos para sempre ou perdidos em arquivos em locais incógnitos. No entanto são conhecidos alguns dos nomes, apelidos ou alcunhas de trabalhadores ou responsáveis por alguns sectores importantes do complexo mineiro, tais como Joaquim Manuel Bandeirinha (Encarregado no exterior dos Alojamentos, Cozinhas, Refeitórios, Vigilância, Transportes e algum apoio aos Serviços Técnicos, que na realidade era uma espécie de elo de ligação entre os Serviços Administrativos e Técnicos); Lopes (Guarda-livros); Cardoso (Apontador); Tenente Silva Pereira (Caixa e Observatório Meteorológico); Santos (o "Doutor" Santos – Enfermeiro do complexo); Mestre Angelino (Encarregado da Contra-Mina e Exploração subterrânea); Abílio (Encarregado da Carpintaria); Manuel Pereira "Ferreiro" (Encarregado da Lavaria); o Serafim "Rabeca" (Encarregado da Flutuação e Separadora); José "Boxe" (Encarregado do Armazém de Materiais); Alves (Encarregado da Serralharia e Manutenção Mecânica); Lourival (Encarregado da Central e Serviços Eléctricos); Cleto (Desenhador); Teixeira (Serralharia e Forja); Ferreira (Mecânica); Lídia (que servia à mesa e arrumava os quartos) e sua irmã, Ana Joaquina (‘Ana do Guilherme’, esposa do António Ferreira, também conhecido como ‘António Cruzeiro’, Chefe dos Guardas da Mina); a esposa do Angelino e a esposa do José "Boxe" (filha do casal anterior). Esta lista poderia conter muitos outros nomes que infelizmente foram apagados da memória nacional com o passar dos anos, perdendo-se assim o registo de uma época ímpar no nosso país.

Se algum dos leitores souber de alguém que tenha trabalhado nas Minas dos Carris, ajude a completar esta lista.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A Sociedade das Minas do Gerez, Lda.


A Sociedade das Minas do Gerez, Lda. foi a terceira empresa a laborar nas Minas dos Carris depois da Domingos da Silva, Lda. e da Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. A Sociedade, constituída a 8 de Julho de 1950,  é inicialmente constituída por capitais totalmente portugueses tendo quatro sócios iniciais, José Antunes Inácio (de Lisboa), José Rodrigues de Sousa (de Lisboa), José Pinto Carvalheira (Ourondo, Covilhã)  e Francisco Delgado França, também conhecido por ‘Chico França'.

Iniciando a sua actividade a 1 de Julho de 1950, esta sociedade é criada com o objectivo de levar a cabo e desenvolver a exploração mineira nas concessões já existentes na Serra do Gerês e que se encontravam de facto abandonadas desde o final da Segunda Guerra Mundial. O seu capital social era de 800.000$00 repartido por quatro quotas iguais no valor de 200.000$00 cada. Em constituição, a gestão da sociedade foi atribuída aos quatro sócios, mas nas relações com o Estado a sociedade era representada por José Inácio. A escritura da constituição da sociedade é apresentada a 23 de Setembro e a sua constituição é publicada no Diário do Governo de 15 de Julho de 1950. Mais tarde a sociedade teria a participação da empresa inglesa ‘Mason And Barry, Ltd.‘ com a qual José Rodrigues de Sousa trabalhara nas Minas de Trancoso (a partir de 1 de Março de 1953, a empresa mineira britânica Mason & Barry passa a fazer parte da Sociedade através de uma sessão de quotas e comparticipando com uma quota de 408.000$00. O capital social da Sociedade das Minas do Gerêz, Lda. era na altura de 800.000$00, ficando assim a Mason & Barry com uma quota maioritária, pois o capital social não foi alterado com a sua entrada. A empresa inglesa entra na Sociedade das Minas do Gerez através de José Rodrigues de Sousa que tem contactos com esta nas Minas de Trancoso). José Rodrigues de Sousa já tinha trabalhado na Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. através da Empresa Mineira Lisbonense, durante os anos 40.

A Sociedade das Minas do Gerez terá sido a primeira a organizar a concessão como uma mina no verdadeiro sentido da palavra por duas razões: o filão de volfrâmio passou a ser mais profundo deixando de ser uma mina a céu aberto, o que exigia uma organização e técnica muito mais sofisticada; José Rodrigues de Sousa queria ter uma mina tecnicamente evoluída e uma aldeia mineira socialmente bem organizada. Curiosamente este último aspecto foi referido a Carlos Sousa por outro sócio da sociedade, José Inácio, como sendo uma crítica a José Rodrigues de Sousa . Segundo Carlos Sousa, “…a mina de volfrâmio dos anos 40 era constituída por uma lavaria / separadora alimentada por centenas de «apanhistas» que vendiam à mina o volfrâmio que recolhiam das explorações a céu aberto.” Nesta altura não existiam preocupações sociais, uma leve organização e maquinaria básica com intuito de ganhar o máximo lucro possível. “Por outro lado, as Minas dos Carris dos anos 50 já tinham uma vida organizada e do ponto de vista técnico a maquinaria era muito boa.” Esta maquinaria foi toda retirada e roubada por um dos últimos sócios da mina nos anos 70 (segundo o último director técnico e sócio, um russo chamado Sasha). Segundo Virgílio de Brito Murta, a partir de 1954 “aumentou-se a altura do paredão da barragem, aumentou-se a Secção Técnica, aumentou-se a serralharia, instalou-se a secção de escolha manual na lavaria, instalou-se a secção de flutuação e cobriu-se o trajecto da mina à lavaria construindo-se ao mesmo tempo a oficina de afiação de brocas e reparação de martelos bem como o escritório do Encarregado, junto à boca da mina. O resto já existia.”

Após o fim da Segunda Guerra Mundial as cotações do volfrâmio caiam nos mercados internacionais, pois o minério começa a ser importado da China, Birmânia e Bolívia. Porém, com o emergir da Guerra-fria e os sinais cada vez mais fortes do início de um novo conflito na Península Coreana, levam ao aumento das cotações dos minerais volframíticos nos mercados internacionais devido também às dificuldades na obtenção de abastecimentos a partir da Ásia Oriental, Portugal torna-se numa fonte apetecível de volfrâmio.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Em busca dos Amanitas em Leonte


Um salto rápido pela Portela de Leonte em busca dos Amanitas Muscaria. Não havia muitos e acabaram por surgir outros amigos...













Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)