domingo, 18 de junho de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CXCIV) - A saudade e o tempo em Castro Laboreiro


A saudade e o tempo que devagar escorre são características que nos invadem a alma em Castro Laboreiro, Serra da Peneda.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 17 de junho de 2017

Vigilância e Prevenção de Incêndios Florestais no PNPG - 2017


Pelo 7º ano a AMO Portugal promove a iniciativa de voluntariado ambiental para mitigar o numero de ocorrências de incêndios florestais do PNPG.

Voluntários irão percorrer os trilhos do Parque Nacional em sintonia com as instituições ligadas à prevenção / vigilância e combate a incêndios florestais entre os dias 1 de Julho e 30 de Setembro. Desde já agradecemos a todos aqueles desejarem contribuir voluntariamente para zelar pelo património natural do nosso único Parque Nacional.

Garantimos estadia gratuita nos parques de campismo nossos parceiros (Cerdeira - Campo do Gerês, Vidoeiro - Gerês, Lamas de Mouro - Castro Laboreiro) aos voluntários seleccionados da nossa base de inscrições. Todos os voluntários poderão participar nesta iniciativa num mínimo de 3 dias e um máximo de 30, terão que vir munidos de tenda de campismo e garantirem a sua própria alimentação. Proporcionamos mapas e orientações dos percursos a percorrer.

Qualquer dúvida deverão contactar Carlos Evaristo (Coordenador Local Parque Nacional Peneda-Gerês).


Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

As problemáticas volframíticas na Mina de Borrageiros (II)


(A primeira parte deste artigo pode ser encontrada aqui)

Uma nova visita a esta mina terá lugar a 23 de Janeiro de 1956 e nela se verifica que todos os trabalhos estavam paralisados, encontrando-se na mina somente António Freitas da Silva que referiu que os trabalhos haviam sido suspensos desde 22 de Setembro de 1955, altura da última visita dos elementos da Circunscrição Mineira do Norte. Com este facto, e mais uma vez comparando os dados estatísticos que haviam sido entretanto enviados pela concessionária e que referiam duas expedições de 800 kg e de 3.200 kg de volframite em Outubro e Novembro de 1955, os funcionários da circunscrição chegavam à conclusão que as guias de trânsito utilizadas nessas expedições (n.º 33324 e n.º 34835), não se referiam a minério extraído da Mina de Borrageiros.

Desconhece-se de facto em que data a mina de Borrageiros é efectivamente abandonada pela Azeredo & Osório Lda. ou quais terão sido as consequências de tantas irregularidades cometidas ao longo de vários anos. Possivelmente afundada em dívidas, a empresa acabaria por ser liquidada e a concessão mineira penhorada. Após anos de abandono a concessão mineira de Borrageiros vai ficar na posse da empresa Miranda & Chaves, Lda. através do alvará de transmissão n.º 5910 publicado no Diário do Governo a 23 de Julho de 1960. A empresa havia arrematado a 12 de Janeiro em hasta pública no Tribunal de Montalegre, a compra da concessão que se encontrava penhorada devido às dívidas da empresa Azeredo & Osório Lda. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

As problemáticas volframíticas na Mina de Borrageiros (I)


A 7 de Janeiro de 1954 a Direcção-Geral de Minas recebe uma solicitação por parte do Dr. Fernando Campos, do Porto, onde questiona sobre a situação da Mina de Borrageiros. A resposta surge a 12 de Janeiro, com a Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos a indicar que a referida mina se encontra atribuída à firma Azeredo & Osório Lda. No mês seguinte o Chefe da Secção de Finanças do Concelho de Montalegre solicita o registo da penhora da Mina de Borrageiros devido ao facto de não terem sido pagos os impostos mineiros entre 1950 e 1952 na importância de 1.000$00. O auto de penhora é datado de 15 de Fevereiro e ao averbamento do auto no processo da mina é feito a 22 de Fevereiro.

Em 1955 os grandes trabalhos mineiros na Serra do Gerês desenrolavam-se nas Minas dos Carris. Os trabalhos na Minas de Borrageiros pareciam limitados a trabalhos de extracção muito rudimentares executados por um número reduzido de homens. Testemunho disto é a visita que foi realizada a 5 de Setembro e que resultaria num relatório que levaria à aplicação de uma nova sanção à empresa Azeredo & Osório Lda. A quando da visita à mina, o sistema filoneano principal estava explorado em extensão considerável através de desmontes a céu aberto e com profundidades que variavam entre os 6 metros e os 10 metros. Até então haviam sido iniciados dois poços, estando um deles inundado e o outro sendo utilizado. Este tinha uma profundidade de 20 metros e comunicava com uma travessa em flanco da encosta com cerca de 90 metros. Os trabalhos desenrolavam-se nesta parte da concessão mineira com o intuito de procurar prováveis filões paralelos ao sistema principal. Estes trabalhos eram executados por quatro homens liderados pelo encarregado dos trabalhos, António Freitas da Silva, funcionário da empresa desde Abril de 1955.


Segundo o relatório de visita à mina elaborado a 23 de Setembro, o número de homens que lá trabalhavam seria ligeiramente superior, “disse-nos esse senhor trabalharem na mina, de há 15 dias para cá somente 8 homens, dois dos quais estão presentemente doentes em suas casas. Facultou-nos o apontamento das folhas de férias, assunto que segundo informou está a ser regularizado em Montalegre dizendo-nos ainda que há, relativamente, pouco tempo a mina havia sido visitada por ‘fiscais do trabalho’” O relatório continua, referindo que “interrogado sobre as produções e expedições do minério, disse-nos que calcula a produção, de Abril para cá em cerca de 700 kg de volframite, dos quais 600 aproximadamente foram expeditos, acompanhados do ‘seu patrão’ Sr. Manuel Azeredo, que trouxe guias de trânsito, tendo-as preenchido nessa altura. Esclareceu ainda ser natural que anteriormente à sua vinda para a mina, isto é, a meados de Abril p. p. tenha havido maiores saídas de minérios, visto o Sr. Manuel Azeredo lhe ter dito, em princípios do mês de Agosto p. p., que se lhe perguntassem quais as quantidades de minérios saídos, podia informar terem sido cerca de 4.000 kg.”

Os mapas de estatística mensal referentes a esta concessão mineira mostram que as produções de volframite entre Maio e Agosto de 1955 foram, respectivamente, de 400 kg, 450 kg, 110 kg e 3.280 kg, sendo em Agosto ainda expedidos 4.100 kg de mistos de volframite. Estes foram acompanhados pela guia de trânsito 33098 cujos talões não selados dariam entrada na Circunscrição Mineira do Norte a 27 de Agosto e a 16 de Setembro. Segundo consta desses talões, os minérios foram enviados para Joaquim Alves Barbosa seguindo através das Lamas de Homem pelo Vale do Homem para as Caldas do Gerês e daqui para a Trofa passando por Braga e Famalicão.

De facto, os trabalhos mineiros observados pelos elementos da Circunscrição Mineira do Norte e os dados recebidos naquela circunscrição, não pareciam corresponder. Assim, o relatório concluía “admitindo como exactas as produções indicadas pelo concessionário nos mapas estatísticos dos meses de Maio, Junho e Julho p. p. e ainda as declarações feitas pelo encarregado António Freitas da Silva, pode afirmar-se que a guia de trânsito n.º 33098 não cobriu minério da mina Borrageiros. A concessionária Azeredo & Osório Lda. está mais uma vez incursa no § 1 do art. 1º do decreto lei n.º 31.635 de 12 de Novembro de 1941, pois segundo consta do processo da mina Borrageiros já em Março de 1948 foi proposta a multa de 20.000$00 por análogo motivo, isto é, uso duma guia para minério não proveniente da concessão para que tinha sido distribuída.” Apesar da empresa mineira ter sido já por duas vezes autuada devido à utilização ilegal de guias para o transporte de minério de outras concessões, um novo processo de autuação é despoletado pela mesma razão sendo proposta a 6 de Outubro de 1955 a aplicação de uma multa de 30.000$00. Esta multa surge devido à utilização da guia 33.098 “para cobrir minérios de outras procedências, estranhas a esta mina.”  Esta multa seria paga a 26 de Novembro em Montalegre após a empresa referir não ter recebido qualquer comunicação por parte da Circunscrição Mineira do Norte devido ao facto de a correspondência ter ficado retida em Cabril ou se ter extraviado na serra, pois “as comunicações são difíceis e o pessoal nada firme e cada passo desaparece com a correspondência e o mais.” Um documento da Circunscrição Mineira do Norte refere que à altura da imposição da terceira multa não havia registos da aplicação e do pagamento das multas anteriores.

Texto adaptado do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CXCIII) - Ponte Velha de Castro Laboreiro (II)


A Ponte Velha de Castro Laboreiro, Serra da Peneda, servia como ponto de passagem do Rio Laboreiro para aqueles que vindo do Rodeiro e dos Portos, seguia para o castelo.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Relembrando os procedimentos para solicitar autorização para actividades de visitação no PNPG


Este artigo é uma reposição de um texto já anteriormente publicado.

O pedido de autorização para a realização de actividades de visitação é uma decisão que deve caber a cada um de nós sabendo de antemão que deveremos percorrer nas nossas actividades a Zona de Protecção Total. De sublinhar um aspecto importante: em caso de seguros, o não pedido de autorização pode ser um meio para que o seguro se descarte no caso da ocorrência de algum sinistro numa zona na qual essa autorização é necessária! A informação sobre estas zonas pode ser obtida aqui, consultando o Diário da República aqui ou telefonando (253 203 480) para o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

O pedido de autorização deve ser feito por correio normal ou via correio electrónico para pnpg@icnf.pt. No pedido deverá conter as características da actividade que se pretende realizar: hora de início, hora prevista de fim, n.º de participantes e um ficheiro kml contendo o trajecto previsto do percurso, além do nome completo, contacto telefónico e morada para envio do original da autorização.

O Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês e as actividades de montanha

Para muitos são óbvias e em parte legítimas as interrogações sobre as actividades de montanha que podem ser realizadas no Parque Nacional da Peneda-Gerês à luz do seu Plano de Ordenamento. Este, no âmbito desta problemática, estabelece uma série de regras tendo por base as especificidades de cada zona de protecção.

Não pretendo aqui discutir estas especificidades e a forma como elas foram estabelecidas. Não faz parte do âmbito da minha formação e acredito que elas foram estabelecidas de forma a reflectir a importância de cada local em termos de preservação da sua fauna e flora, e da sua relação com o homem.

Também não pretendo aqui discutir a relação entre este plano de ordenamento e as populações locais. Vou-me concentrar na relação entre o plano de ordenamento (e por consequência o Parque Nacional) e os visitantes, nomeadamente aqueles que realizam actividades de visitação que são designadas por "caminhadas", "pedestrianismo", "travessias", "autonomias" (mesmo levando tudo de casa!), etc. (ficam de fora as actividades tais como a escalada, o canyonning, btt, etc.).

Ora, antes de analisar per si o que nos diz o plano de ordenamento em relação a este assunto (caminhadas, etc.), vamos definir uma linha de fundo no que diz respeito ao comportamento de muitos daqueles que caminham e fazem as suas actividades de visitação no Parque Nacional da Peneda-Gerês. De forma geral, este comportamento baseia-se numa violação (às vezes por dolo) de todas as regras estabelecidas, mas curiosamente o comportamento é totalmente diferente noutras áreas protegidas ou montanhas no estrangeiro. Este comportamento verifica-se em várias áreas da nossa vida. Quantos de nós não excedem de forma descarada a velocidade nas nossas auto-estradas e em Espanha, por exemplo, raramente ultrapassamos os 120 km/h? Quantos de nós não respeitam religiosamente os percursos nas áreas protegidas estrangeiras, mas caminhamos a corta-mato nas áreas protegidas nacionais? De forma geral, seguimos as regras «lá fora», mas «cá dentro» olhamos para o lado, fazemos ouvidos de mercador e ignoramos o que devemos fazer para cumprir regulamentos.

O que é o nosso Parque Nacional? Este foi criado a partir de uma série de ideias que surgiram nos anos 50 e 60 do século XX, sendo também visto como a contribuição portuguesa para o Ano Europeu da Conservação da Natureza. O nosso parque nacional foi inaugurado a 11 de Outubro de 1970 com a realização de uma sessão solene na Portela de Leonte onde nesse dia foi descerrada uma lápide que deveria perpetuar essa efeméride. Na altura foi dito que o parque deveria constituir "... uma escola e um símbolo, onde se aprenda, na contemplação das suas belezas, quanto respeito deve merecer a preservação dos recursos naturais, de transcendente significado para o futuro do homem e da própria civilização."

O Parque Nacional surge como o sucessor da presença dos Serviços Florestais naquelas serras e como tal sempre foi visto pelas populações como um elemento «repressor» do poder central. Assim, a relação entre o PNPG e as populações é uma história de uma relação e convivências difíceis. No entanto, convém sublinhar que foram estas estas populações que moldaram a montanha de forma a conseguir uma simbiose que transformou a Peneda-Gerês naquilo que é hoje.

O actual Plano de Ordenamento vem substituir um outro que em termos de actividades de visitação era muito mais restritivo do que o actual, havendo então áreas interditas nas quais era proibida a presença humana. O actual Plano de Ordenamento foi elaborado na premissa e na base de que toda a área do Parque Nacional deve ser visitável, pois de outra forma não faz qualquer sentido tendo em conta a ocupação que há milénios é feita do território e o objectivo do próprio Parque Nacional. No entanto, esta visitação deve ser alvo de regras que permitam uma gestão da protecção a que cada área esteja submetida. Definiram-se assim diferentes zonas de protecção que de uma forma geral definem áreas de prioritárias para a conservação da natureza e da biodiversidade. Estes níveis de protecção são definidos de acordo com a importância dos valores naturais presentes e de acordo com a sua sensibilidade ecológica.

Quais são estas zonas de protecção? O Plano de Ordenamento divide basicamente a área do parque nacional em duas áreas: a Área de Ambiente Natural e a Área de Ambiente Rural. Vamos esquecer esta última porque não nos interessa para o caso em questão e porque a gestão da problemática da visitação é muito mais simples. A Área de Ambiente Natural é por sua vez dividida em três zonas: a Zona de Protecção Total; a Zona de Protecção Parcial de Tipo I e a Zona de Protecção Parcial de Tipo II. Casa uma destas zonas tem as suas especificações.

A Zona de Protecção Total tem o estatuto de reserva integral e compreende os espaços onde predominam valores naturais físicos e biológicos cujo significado e importância do ponto de vista da conservação da natureza são excepcionalmente relevantes. Estas áreas correspondem a áreas de mais elevada proximidade a um estado de evolução natural e menos alteradas pela intervenção humana e englobam, essencialmente, bosques de carvalho e bosques de carvalho em associação com teixiais e azerais, teixiais, turfeiras e complexos geomorfológicos de relevante importância. Nas áreas de protecção total são prioritários os objectivos de manter os processos naturais num estado dinâmico e evolutivo, sem o desenvolvimento de actividades humanas regulares ou qualquer tipo de uso do solo, da água, do ar e dos recursos biológicos.

O Plano de Ordenamento do PNPG define que na Zona de Protecção Total é permitida a visitação pedestre nos trilhos existentes, estando esta sujeita a autorização por parte do ICNF, IP. A autorização é necessária tanto em termos de visitas individuais como em grupos, não podendo estes ser superiores a 10 pessoas.

A Zona de Protecção Parcial de Tipo I compreendem os espaços que contêm valores naturais significativos e de grande sensibilidade ecológica, nomeadamente valores florísticos, faunísticos, geomorfológicos e paisagísticos. Correspondem a áreas de elevada proximidade a um estado evolutivo natural e pouco alterado pela intervenção humana e englobam bosques de carvalho, bosques ripícolas, teixiais, azerais, turfeiras, complexos geomorfológicos de relevante importância e matos.

O Plano de Ordenamento do PNPG define que na Zona de Protecção Parcial de Tipo I é permitida a visitação pedestre nos trilhos existentes, estradas, caminhos existentes ou outros locais autorizados, estando esta sujeita a autorização por parte do ICNF, IP. quando realizadas ou organizadas por grupos superiores a 10 pessoas e não previstas em carta de desporto de natureza. Isto é, grupos inferiores a 10 pessoas não necessitam de autorização.

A Área de Protecção Parcial de Tipo II estabelece a ligação com as áreas de ambiente rural, constituindo um espaço indispensável à manutenção dos valores naturais e salvaguarda paisagística, correspondendo a áreas de média proximidade a um estado de evolução natural e enquadram bosques de carvalho, azerais, e medronhais arbóreos, teixiais, turfeiras e matos. 

O Plano de Ordenamento do PNPG define que na Zona de Protecção Parcial de Tipo II é permitida a visitação pedestre nos trilhos existentes, estradas, caminhos existentes ou outros locais autorizados, estando esta sujeita a autorização por parte do ICNF, IP. quando realizadas ou organizadas por grupos superiores a 15 pessoas, bem como nos termos da carta de desporto de natureza. Isto é, não é necessária autorização para grupos inferiores a 15 pessoas.

Resumindo, para caminhar na Zona de Protecção Total é necessária a autorização por parte do PNPG. De notar que o plano de ordenamento diz que qualquer actividade independente do número de pessoas, necessita de autorização! Isto é, mesmo uma só pessoa terá de solicitar essa autorização. As actividades de visitação na Zona de Protecção Parcial de Tipo I podem ser realizadas SEM autorização até um máximo de 10 pessoas. Isto é, para grupos superiores a 10 pessoas deve ser solicitada autorização ao PNPG. O mesmo acontece na Zona de Protecção Parcial de Tipo II, mas para um número inferior a 15 pessoas (grupos superiores a 15 pessoas devem pedir autorização ao PNPG).

Como é que nos posicionamos perante o que está referido no Plano de Ordenamento do PNPG? Como é feito o acesso a esta informação? A informação disponível está facilmente acessível? Os postos de turismo no território do PNPG saberão explicar todas estas características que envolvem a visitação no nosso único parque nacional? Temos o cuidado de nos informarmos sobre os termos da visitação ou preferimos fazer livremente o que quisermos? Sabemos que zonas estamos a percorrer e a importância dessas zonas na preservação do Parque Nacional?

De facto, são tudo questões pertinentes cujas respostas orbitam no âmbito da percepção pessoal daquilo que fazemos e da forma como o fazemos.

Pessoalmente, e nos termos com que o texto foi escrito, sempre achei que a melhor relação com o PNPG é uma relação na qual exista um bom entendimento entre ambas as partes e que ambas as partes consigam perceber as necessidades de cada uma delas. Nunca fui contra a actual ordenação do Parque Nacional em relação às actividades de montanha aqui descritas e penso que o Parque Nacional só terá a beneficiar com a presença preventiva do homem na montanha, devendo também uma postura de colaboração e aconselhamento a quem o visita. Isto, claro está, não limita de forma alguma a possibilidade de criticar o Parque Nacional em algumas das suas opções de gestão, como por vezes é o caso.

Em muitos aspectos, a opinião negativa sobre o Parque Nacional surge do desconhecimento e da falta de informação. Isto deve-se ao facto de que muitos não procuram o conhecimento e essa informação sobre o Parque Nacional, preferindo ter uma atitude quase de confronto e de ter uma postura com a qual se acham no direito tudo o que lhes apetece, mesmo sendo uma «agressão» ao próprio ambiente dentro da área protegida.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Relembrando a (redescoberta da) Mina de Lomba / Cadeiró


Foi há quase dez anos atrás que publiquei este texto no qual fiz a descrição da redescoberta dos vestígios da Mina de Lomba / Cadeiró. Fica aqui um «flashback»...
_______________

Lomba / Cadeiró, 23 de Outubro de 2008

Ocupando o longo tempo livre que infelizmente vou tendo, decidi de uma vez por todas encontrar a mina de Lomba / Cadeiró que há já uns meses andava nos meus planos. Os dados que possuía sobre esta mina eram muito escassos tal como já havia referido numa entrada neste blogue do passado dia 29 de Setembro (de 2008).

Esta é uma das concessões menos conhecidas existentes na Serra do Gerês. Localizada a 1 km N de Xertelo e a 3 km NNE de Cabril (e a 3,5 km do Covelo do Gerês), esta terá sido uma pequena concessão atribuída à Sociedade Portuguesa de Minas da Lomba de Crasto, Lda. Sinceramente, não é que esperasse grande coisa desta concessão talvez algo semelhante à concessão do Castanheiro ou da concessão de Cidadelha, mas foi como que um antí-clímax o que acabei por encontrar.

Comecei por percorrer o estradão que liga Xertelo a um outro estradão que nos leva até às Lagoas do Marinho, pondo mais uma vez em prova a robustez e os 277.000 km do meu carrinho. Com uma derrapagem aqui e ali, lá consegui vencer algumas subidas mais íngremes da estrada em terra batida. Pelo caminho tentava vislumbrar algum sinal de uma exploração mineira, mas tal nunca surgiu. Foi então com alguma resignação que decidi optar por um outro plano e ir visitar as Minas do Borrageiro. Prosseguindo pelo estradão, aproveitei também para tirar uma pequena dúvida sobre os restos de umas construções existentes não muito longe das represas construídas pela EDP na Serra do Gerês. Efectivamente, as construções foram utilizadas como residências e oficinas dos trabalhadores que construíram essas barragens.


Passando pela mísera cancela na ponte sobre o Rio Cabril, iniciei a subida para o Lago Marinho até encontrar um veículo do Parque Nacional da Peneda-Gerês (!!!) e um pastor que me indicou, ao longe, a localização da antiga mina. Com um novo ímpeto, depressa desisti de chegar às Minas do Borrageiro e dirigi-me em direcção a mais uma nova descoberta.

Estacionando o meu veículo, pois as máquinas também descansam, continuei o resto do caminho a pé e após alguns largos minutos de procura lá surgiram muito escondidos na encosta os vestígios de uma exploração mineira. Ao princípio surgiu um rasgo com uns 20 metros de comprimento dando a ideia de um filão ali explorado. Um pouco mais abaixo e correspondendo exactamente ao local indicado pelo pastor, surgiu a exploração. A mina em si é de céu aberto e de muito pequena dimensão, estando totalmente entulhada com a própria escombreira. Ao caminhante, se é que haverá alguém que passa por ali, facilmente passa despercebida esta mina confundindo-a com uma pequena pedreira, uma memória esquecida na Serra do Gerês e que apenas sobrevive na sabedoria popular... infelizmente não será por muito tempo.




Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Fiadeiro de Contos 2017 em Pitões das Júnias


A edição de 2017 do Fiadeiro de Contos em Pitões das Júnias já tem data definida!

A IVª edição terá lugar entre os dias 4 e 6 de Agosto!

Definitivamente a não perder!!!!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CXCII) - O sagrado e o profano em Castro Laboreiro


Talvez somente Pitões das Júnias se compare com o ambiente de misticismo e mistério que encontramos ao percorrer os espaços verdes de Castro Laboreiro. É nas extremidades do mais belo canto de Portugal onde sentimos a alma que nos tolda e forma o que somos.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Encontro de Empresas de Animação Turística em Fafião


Promovido pelos Baldios e pela própria Aldeia de Fafião, convidamos todos os interessados, especialmente os detentores de empresas de animação Turística a estarem presentes para este evento com sessão de esclarecimento sobre um assunto de demasiada importância, a utilização dos espaços Naturais onde se é possível aceder com viaturas motorizadas na área do já referido Baldio de Fafião. 

Se tem uma empresa de animação turística que opera na região então é de todo o interesse estar presente.

Para informações aqui não dispostas ou adicionais, contactar o presidente dos Baldios de Fafião, Raul Costa através do contacto de email Raulfafiao@hotmail.com ou pelo número de telemóvel 96270025.

Paisagens da Peneda-Gerês (CXCI) - Caminhos castrejos


Os caminhos castrejos com os seus muros de pedra solta, levam-nos numa viagem ao nosso passado onde a magia e a mística andam de mãos dadas com o profano num jogo de esconde com o sagrado.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Caminhada / Travessia Picos de Europa


Visitação com pequenas paragens e caminhadas / travessias interpretativas aos lugares mágicos do Parque Nacional Picos de Europa entre os dias 3 e 7 de Julho de 2017.

Passagem pelo Perímetro do Parque.

O programa é composto pelo seguinte:

1º Dia – Saída 07:30 - Porto - Leon – Potes – Espinama. Pernoita Albergue em Espinama

2º Dia – Caminhada / Travessia Urdón – Tresviso – Sotres 18km dificuldade média / alta - Pernoita Albergue em Espinama

3º Dia - Caminhada / Travessia Fuente Dé – Cabaña Veronica – Horcados Rojos – Uriello – Pandebaño 18,5 km dificuldade média / alta. Pernoita albergue em Covadonga 

4º Dia – Caminhada (ida e volta) ao refúgio de Vegarredonda 12 km dificuldade baixa / média e visita aos lagos de Covadonga - Pernoita albergue em Covadonga 

5º Dia – 09h00 saída de Covadonga com regresso a Portugal

O que terás que levar: Botas de montanha; Mochila de 30 litros (caminhadas); Saco cama; Bastão de marcha (obrigatório); Roupa confortável e desportiva; Impermeável ou poncho; Roupa adequada a época; Cantil e lanterna.

Inscrições e informações - pederiosgeral@gmail.com ou 938 678 090.

Numero máximo de participantes: 6 

Valor da inscrição por participante: 330€ que inclui transporte, seguro de acidentes pessoal, guia, subida de teleférico, autocarro aos lagos (ida e volta) pequeno-almoço e pernoitas em albergue

Não Inclui: Refeições  

(o valor da inscrição reverte para aluguer de viatura, seguros, combustível, guia, albergues e portagens)

Solstício do Verão - Gerês 2017


Esta é uma actividade promovida pelo Parque de Campismo de Cerdeira para celebrar o Solstício de Verão, na Natureza. Uma experiência diferente, dormir ao relento, na montanha.

O programa contempla as seguintes opções:

a) caminhada nocturna, com pernoita na montanha, observação do Nascer do Sol e caminhada matinal | 20 e 21 de Junho

b) caminhada matinal com observação do Nascer do Sol | 21 de Junho

c) caminhada nocturna | 20 de Junho

Mais informações e preços aqui.

Paisagens da Peneda-Gerês (CXC) - Alminha castreja (II)


As alminhas são um elemento abundante na paisagem rural de Castro Laboreiro, Serra da Peneda, e sublinham a profunda religiosidade das gentes castrejas.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Anarquia na Mata de Albergaria


Este é o resultado da falta de civismo, da falta de informação e da falta de fiscalização, mesmo sabendo que quem não respeita os sinais de trânsito existentes e as informações constantes no bilhete que é entregue à passagem dos postos de cobrança da taxa de acesso à Mata de Albergaria, poderá mais tarde receber uma «prenda» em casa.

Os últimos dias têm sido férteis em cenários semelhantes ao mostrado na imagem.

Fotografia © Marco Soares (Todos os direitos reservados)

domingo, 11 de junho de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXIX) - Nevosa invernal


A Nevosa, o ponto mais elevado da Serra do Gerês e do Norte de Portugal, em paisagem invernal a 18 de Fevereiro de 2014.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Ex-diretor do Parque Arqueológico do Côa estuda arte rupestre do Gião



À margem do Plano de Valorização do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Porta do Mezio (Soajo, Arcos de Valdevez), entre outras ações, vai desenvolver o projeto Vozes das Pedras, para promover e valorizar a Área Arqueológica do Mezio/Gião (engloba as mamoas do Mezio e as gravuras rupestres do Gião).

Fotografia: Soajo em Notícia

sábado, 10 de junho de 2017

As Minas dos Carris na blogosfera, a busca pelo acervo fotográfico e as 'arqueoexpedições'


A 19 de Dezembro de 2006 surge na chamada blogosfera um sítio que pretende manter a memória das Minas dos Carris. O blogue “Carris” é assim visto como a primeira fase do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" e foi através deste meio que muitas das fontes deste trabalho se congregariam para o tornar uma realidade.

Foi através do blogue Carris que numa primeira fase Artur Batista cede as suas fotografias clássicas sobre as Minas dos Carris e sobre a Serra do Gerês, e que passados alguns meses, Carlos Sousa e José Rodrigues de Sousa (descendentes de José Rodrigues de Sousa, um dos sócios fundadores da Sociedade das Minas dos Gerez, Lda.), entram em contacto com o autor proporcionando-lhe um amplo acervo fotográfico e uma porta para as memórias do seu pai.

Vários outros contactos se seguiram que permitiram enriquecer esta obra. Em resultados dos esforços para se tentar perceber todo o universo das Minas dos Carris, e para além de dezenas de visitas às ruínas do complexo mineiro que permitiram acumular um acervo fotográfico sobre essas mesmas ruínas e a sua evolução ao longo de vários anos, foram realizadas duas expedições pomposamente denominadas ‘Arqueoexpedições’ com o objectivo de proceder a um registo local do estado das ruínas e não só. Estas expedições realizaram-se a 1 de Abril de 2007, entre 25 e 27 de Abril de 2008, e 30 de Abril e 2 de Maio de 2010. Entre os trabalhos realizados procedeu-se à realização da catalogação e registo fotográficos dos abrigos (fornos, etc.) existentes na área mineira, procedeu-se a um registo fotográfico e medição física dos edifícios mineiros para estabelecer uma relação com os edifícios projectados e efectivamente construídos, procedeu-se a um registo fotográficos dos aspectos mineiros (nomeadamente o registo das bocas mina, poços mineiros, sondagens, derrocadas / abatimentos), procedeu-se a um registo fotográficos das galerias ao qual o acesso era possível nas datas referidas, e procedeu-se a um estudo físico das concessões que compunham as Minas dos Carris. Fez-se também um registo videográfico arcaico do velho poço mineiro a céu aberto. Todos estes esforços foram levados a cabo com a ajuda de voluntários e com meios totalmente amadores, mas que permitiram revelar alguns segredos escondidos nas velhas galerias mineiras.


Texto retirado do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

The skies are gone...


Be reborn...we are here...
With the winter nights, we arrive...
Under the full Moon we embrace ourselves...
Don't look for us... we will find you...

The skies are gone...
we are left in the void...
The pain and the sorrow of love...
The pain and the love of the lost ones...

In serenity we lay...
A deep sleep embrace our hearts...
The dusk of days...
...remembrance, our dark days.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

MILaGRE II Mandalas Ioga Land Art no Gerês


M.I.L.a.G.R.E. - Mandalas, Ioga e Land art no Gerês, Remetidos em Excursão

Excursão com partida da cidade do Porto, com o objectivo de criar arte com materiais naturais na bacia hidrográfica de Vilarinho da Furna, em pleno parque nacional Peneda-Gerês, com a condução de Jaime Filipe (página «J'aime Land Art»). 

No programa, além das actividades artísticas da criação de Mandalas e de Land Art, consta ainda uma aula de ioga, de novo com a Luzia e o Daniel, e um almoço/piquenique de convívio.

As inscrições têm como data limite o dia 21 de Junho, até às 23:59 horas.

Informações e reservas podem ser feitas a partir dos seguintes contactos: 965085864 e jaimelandart@gmail.com

Fotografia: Trip Advisor

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXVIII) - Noite e sombras nas Minas dos Carris


O misticismo das ruínas das Minas dos Carris adensa-se na penumbra da noite onde as sombras dançam e se escondem do nosso olhar.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Vigilantes por uma serra - o apelo


Partilho aqui um apelo dos amigos Teresa e Bernardo Markowsky

A Serra da Freita foi queimada, vandalizada, desvalorizada e sofre agora dum corte raso das poucas árvores que sobreviveram, além da agravante ameaça do eucalipto.

1.917 pessoas assinaram uma Petição Pública que alerta as autoridades para esta situação.

O Movimento Gaio realiza pelo quinto ano consecutivo um campo ambiental de Vigilância Florestal. Desta vez com objectivos diferentes:

-  Os plantadores de oxigénio defendem as suas árvores.

-  Mostrar presença. As autoridades desapareceram de cena, nós não.

-  Vigilantes atentos alertam para situações irregulares como plantações ilegais de eucalipto, cortes de árvores nativas em maior escala, pilhas de madeira, queimadas ilegais. Estes registos vão ser entregues às autoridades.

-  Ainda que poucas, há extensões de mata que necessitam de vigilância constante. O eng. florestal do ICNF, Manuel Rainha, apontou para uma atenção particular com o grande pinhal da Alagoa entre Manhouce e Gestoso.

-  Há a necessidade urgente de sensibilizar a população local para estas causas.

-  Segue aqui um apelo particular. Vocês podem imaginar que para nós, que testemunhamos a situação dos incêndios e depois o galopante abate das árvores nativas, enfrentar este desequilíbrio total, não é fácil de suportar. Precisamos de vocês para reencontrar em conversas abertas, caminhadas, risos - "uma nova canção de ajuda."

Por tudo isto apelamos à vossa inscrição na Vigilância Florestal na Serra da Freita de 2017.

Oferecemos alojamento gratuito numa casa de xisto com dois pisos, luz, cozinha e casa de banho numa aldeia típica, a Aldeia de Candal.

Contamos com uma maior aderência da parte da VO.U Porto e dos escuteiros.

Teresa e Bernardo Markowsky

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXVII) - Restos mineiros na Corga de Lamalonga


Ainda nos nossos dias são visíveis restos mineiros das Minas dos Carris na Corga da Lamalonga, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Empresa privada de segurança na cobrança da taxa de acesso à Mata de Albergaria


Com alguns dias de atraso relativamente ao que está estipulado na lei, o Parque Nacional da Peneda-Gerês iniciou a cobrança da taxa de acesso à Mata de Albergaria nos três pontos habituais, isto é, Portela de Leonte, Portela do Homem e Bouça da Mó.

Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, o processo de cobrança é feito por funcionários de uma empresa privada de segurança, a Prosegur.

Recordo que em 2016 a cobrança foi somente executada aos fins-de-semana pois não havia verba para garantir a cobrança durante todos os dias da semana. Em 2017 vemos uma empresa privada a executar a cobrança desta taxa, o que certamente deverá levantar algumas questões ás mentes mais inquietas...

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A produção mineira nos Carris em princípios dos anos 70


Após o retomar das operações mineiras em 1971, o complexo voltou a um esquema de trabalho em dois turnos. Em Janeiro de 1972 ocorreu uma severa tempestade que danificou a lavaria, levando a uma suspensão dos trabalhos durante quatro meses. Nessa altura, a excessiva acumulação de neve levou ao colapso do telhado, provavelmente já de si fragilizado devido a anos de falta de manutenção.

Desde o reinicio dos trabalhos na lavaria em meados de Maio de 1972, o tempo de trabalho foi de 20 horas / dia das 6h00 às 2h00. A mina poderia facilmente proporcionar 60 a 70 toneladas por dia de tout-venant caso fosse necessário. A lavaria estava a recuperar uma média de 4 kg por tonelada de minério, tendo proporcionado 7,5 toneladas de concentrados de 73,5% de nível médio por mês, quando as condições operacionais eram normais. O mês de Agosto foi o melhor registado em 1971 quando a lavaria operou a 87,6% do seu tempo operacional previsto. A média de 1971 foi de 71,2%, com o tempo perdido a dever-se a falhas mecânicas, falhas de energia, escassez de minério (causa pouco frequente), falta de mão-de-obra qualificada, bem como devido a trabalhos de manutenção e tempo para instrução e treino do pessoal. Desde o reinício dos trabalhos após a reparação da lavaria, o tempo de paragem foi mantido no mínimo. Os quatro meses que decorreram entre o colapso do telhado e o reinício dos trabalhos foram utilizados não só para as reparações necessárias, mas também para reabilitar, renovar e recondicionar todo o equipamento da lavaria.

A Sociedade das Minas do Gerez, Lda. terminara os anos 60 com a ameaça de penhora devido à inexistência de produção nos anos anteriores e à consequente falta de pagamento das obrigações bancárias a que estava sujeita devido ao empréstimo que havia contraído para se financiar. No entanto, antes de se reiniciar as operações mineiras nos Carris nos anos 70, a sociedade mineira irá ver uma nova alteração no seu quadro de sócios através de uma nova cessão de quotas. Esta tem lugar no 12º Cartório Notarial de Lisboa perante o notário Manuel da Silva Jordão Corado, a 8 de Maio de 1970. Neste acto estão presentes Manuel Maria Mendes dos Santos (administrador de falências da Câmara de Falências de Lisboa, que é outorgado como administrador da falência da ‘Mason & Barry Lt.’), Armando Feliz Pereira (como procurador de José Antunes Inácio) e Alexander Schneider-Scherbina (que juntamente com Armando Félix Pereira era procurador da ‘International Mining Corp.’ empresa do Luxemburgo com sede na cidade do Porto). Nesta altura a ‘Mason & Barry Lt.’, José Antunes Inácio e a própria Sociedade eram os únicos sócios da Sociedade das Minas do Gerez, Lda., com José Antunes Inácio a deter uma quota de 147.000$00, a ‘Mason & Barry’ a deter duas quotas que somavam 555.000$00 (uma quota de 408.000$00 e uma quota de 147.000$00) e a Sociedade a deter uma quota no valor de 98.000$00. O capital social total de 800.000$00 à data era destinado integralmente à lavra de minas.

Segundo o despacho então emitido pela Câmara de Falências de Lisboa, Manuel Maria Mendes dos Santos foi encarregue de vender as quotas e o crédito da Sociedade ao restante sócio, José Antunes Inácio. Na escritura lavrada a 8 de Maio, a quota de 147.000$00 é cedida pela mesma quantia a Armando Félix Pereira e a outra quota de 115.000$00, que juntamente com a outra quota de 408.000$00 (juntamente com o crédito que a ‘Mason & Barry’ tinha na Sociedade das Minas do Gerez, Lda.) é cedida pelo preço global de 768.000$00 à ‘International Mining Corp.’ Manuel Santos recebe também de Armando Félix Pereira a quantia de 32.000$00 respeitante à quota que lhe havia sido cedida e que da qual dava quitação. Por outro lado, e em relação à cessão de quotas e do crédito feito à ‘International Mining Corp.’, já teria sido entregue nesta data a quantia de 200.000$00 à administração de falências da ‘Mason & Barry’ a título de sinal e como princípio de pagamento (recebendo Manuel Santos neste acto a quantia de 568.000$00). Armando Félix Pereira e Alexander Schneider-Scherbina aceitaram em nome da ‘International Mining Corp.’ a cessão das quotas e do crédito que a empresa falida possuía na Sociedade das Minas do Gerez, Lda., dando-se a unificação dessas duas quotas numa única com o valor de 523.000$00 (408.000$00 + 115.000$00).

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CLXXXV) - Fraga de Nédia (ou Fraga das Pastorinhas)


A Fraga de Nédia (ou Fraga das Pastorinhas) é um imenso colosso granítico na Serra da Peneda que marca a paisagem sobre o Rio Peneda.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Klaus, de viagem pelo PNPG


Num passeio pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês, deparei-me com um cidadão de nacionalidade Alemã que veio conhecer Portugal e iniciou a sua visita pelo PNPG.

Na fotografia, a viatura de Klaus em frente à Fraga das Pastorinhas!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Trilhos seculares - Pôr-do-Sol no Pé de Cabril


Se o dia começou com a magnífica trepada às Casarotas, teria de terminar com a subida ao Pé de Cabril e assistir ao espectáculo do fim de dia. Se o nascer do Sol a partir das Minas dos Carris é algo de memorável, o pôr-do-Sol a partir do Pé de Cabril é um dos espectáculos únicos da Serra do Gerês, ainda mais que a longa permanência no topo não é aconselhada depois do Sol se esconder.

A caminhada é curta, mas exige o esforço de se superar os 350 metros de desnível entre a Portela de Leonte e o topo do 'farol da serra'. O caminho leva-nos por um estradão detrás da Casa Florestal de Leonte até encontrarmos umas mariolas que nos conduzem à Portela do Confurco. Daqui, seguimos ao início da Quelha Direita e tomamos o carreiro que nos levará à base do Pé de Cabril. O verdadeiro esforço vai-se iniciar aqui com a subida (por vezes escalada) até ao píncaro Geresiano. Percurso final não aconselhável a pessoas com vertigens, pois temos de vencer uma curta via ferrata e atravessar alguns obstáculos com a força de braços e pernas. Porém, a paisagem é recompensadora e o espectáculo do pôr-do-Sol sem dúvida é merecedor do esforço.














































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)