segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Leitura de fim-de-semana - "Vilarinho da Furna, Memórias do passado e do futuro"

"Vilarinho da Furna, Memórias do passado e do futuro" é uma compilação de textos publicados ao longo do tempo pelo autor Manuel de Azevedo Antunes, antigo habitante de Vilarinho da Furna, e que nos permite conhecer melhor todo o processo que envolveu esta aldeia ao longo dos tempos. O livro trás também alguns documentos que atestam a luta das gentes de Vilarinho da Furna, principalmente no seu último século de existência.

Uma boa sugestão para a leitura do próximo fim-de-semana.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Gerês Florestal

A 17 de Agosto de 1888 são estabelecidos os limites do perímetro cedido ao Estado pelo concelho de Terras de Bouro, originando uma área que ficou conhecida como "Gerês Florestal". Esta área abrangia as vertentes do Rio Gerês a partir do rio e em direcção à Pedra Bela e daqui até à Portela do Homem, e as vertentes do Rio Homem a partir da sua origem até ao Ribeiro de Tirolirão (então denominado Tirliron) - Águas de Mós.

De seguida é apresentada a descrição detalhada dos limites do perímetro florestal conforma são apresentados no livro "Vilarinho da Furna - Memórias do passado e do futuro", de Manuel de Azevedo Antunes:

O limite Sul caminhando de Oeste para Este: marco geodésico do Escuredo - marco triangulado do Françoz - marco geodésico da Pedra Bela.

Limite a nascente caminhando do Sul para Norte: Marco geodésico da Pedra Bela - Marco geodésico do Varegeiro - marco geodésico do Junco - marco triangulado do Pé do Salgueiro - desde Pé do Salgueiro até ao marco geodésico do Borrageiro, águas vertentes do Rio Gerês - marco geodésico do Borrageiro - marco geodésico das Albas - marco geodésico do Cabeço da Cova da Porca - marco geodésico de Cidadelhe - marco triangulado da Cesta do Pássaro - marco triangulado do Alto do Pássaro - marco triangulado de Lamas de Homem - marco geodésico dos Carris - marco triangulado da Cabreirinha - marco triangulado do Altar de Cabrões.

Limite a Norte caminhando para Oeste pela raia: marco triangulado do Altar de Cabrões - marco triangulado do Outeiro da Meda - marco triangulado da Lage do Sino - marco triangulado do Lajão - marco triangulado da Lage das Cruzes - marco triangulado da Bela Ruiva - marco triangulado da Cruz do Pinheiro - marco triangulado do Alto de Negrelos - marco triangulado da Portela do Homem - marco triangulado da Chã de Calvos - marco triangulado de Galos de Calvos - marco triangulado do Alto do Salgueiro - marco triangulado da Cruz do Touro - marco geodésico das Eiras.

Limite a nascente caminhando de Norte para Sul: marco geodésico das Eiras, águas vertentes pela linha formada pela intersecção das duas superfícies formadoras das vertentes do vale do Rio Parrade - Rio Parrade até ao seu encontro com o Rio Homem - Rio Homem na direcção da sua foz até à foz do Rio Tirolirão ou Águas de Mós - linha formada pela intersecção das duas superfícies formadoras das vertentes do Rio Tirolirão até ao marco geodésico do Pé de Cabril - marco geodésico do Pé de Cabril- marco triangulado de Mesas - marco triangulado da Junceda - marco geodésico de Lamas - marco geodésico do Escuredo.

Não deixa de ser interessante uma comparação entre parte da área do Gerês Florestal com a actual Zona de Protecção Total do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa

Postais do PNPG (CXXII) - Serra do Soajo

A Serra do Soajo é o tema deste postal editado pelo Lusocolor dos Arcos de Valdevez nos anos 80. Estão nele representados vários aspectos do quotidiano das gentes serranas do Soajo, curiosamente denominada como "A Andorra Portuguesa". O postal é o n.º 369 de uma vasta colecção de postais de Portugal.

Fotografia © Rui C. Barbosa

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Cabras selvagens nas Sombrosas


Um pequeno grupo de cabras selvagens corre na encosta das Portas das Ruivas filmadas pelo Rebelo (mais uma vez e devido a erros nas cartas topográficas militares, chamava a este local 'Sombrosas'. Segundo o Paulo Costa, "...as Sombrosas são o carvalhal junto ao ribeiro da Touça, no pé da montanha." Porém, segundo o Almerindo Matos "...as Portas Ruibas são no pico mesmo e a zona envolvente para trás, zona de Pincães, as Sombrosas são a encosta entre o pico e o rio que vai dar à Touça para as Fechinas." Um agradecimento aos dois.

Vídeo © Rebelo

Sem palavras... vandalismo ambiental...


Cada um que faça o que achar que deve ser feito... (O vídeo foi removido do YouTube a 25 de Outubro de 2011).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vezeiras - Tesouro escondido, Histórias por detrás das fotografias

O Parque de Campismo da Cerdeira tem realizado uma série de tertúlias nas quais são abordados temas relacionados com a Serra do Gerês e o Parque Nacional.

Estes eventos tiveram início no passado mês de Setembro com o tema "Minas dos Carris" sobre o qual eu próprio falei um pouco da história do complexo mineiro. Seguiu-se no passado dia 16 de Outubro, e juntamente com a AFURNA, a apresentação do livro "Rio Homem" de André Gago que decorreu no Museu Etnográfico de Vilarinha da Furna.

O próximo evento terá lugar a 4 de Novembro, pelas 21h30, e terá como tema "Vezeiras - Tesouro escondido, Histórias por detrás das fotografias" que será apresentado pelo fotógrafo João M. Gil e que nos irá falar sobre o trabalho executado juntamente com a socióloga Sónia Melo. A participação neste evento é gratuita.

Este evento terá lugar nas instalações do Parque de Campismo da Cerdeira na mesma altura em que decorre o workshop de fotografia CAUSAS (Terras do Gerês). Os workshops de fotografia CAUSAS têm como objectivo primordial envolver os participantes no contacto e na promoção de diversas culturas, assim como de património humano e natural, através da formação e valorização fotográficas.

Estão já programadas novas tertúlias nos meses de Dezembro, Janeiro, Fevereiro e Março, as quais serão divulgadas oportunamente.

175... Carris por entre as nuvens

Carris, 24 de Outubro de 2011

As previsões apontavam para isso mesmo...chuva e vento, e foi vento e chuva que tivemos. Partimos cedo na Portela do Homem um pouco na esperança de que a borrasca só se fizesse sentir pela tarde. Porém, a chuva que caíra em Braga na noite anterior e as notícias de que já pela madrugada havia chuviscos em Lobios, não traziam boas perspectivas...

Bem, seria uma caminhada de quase três horas. Vale do Homem acima, caminhou-se ligeiro por entre as árvores e o pequeno bosque que dançava acompanhado pelo passar do vento e o tímido som do Homem. As cores outonais instalaram-se em definitivo pela Albergaria e o Curral de S. Miguel tem aquele aspecto mágico que só surge por estas alturas. O aspecto desolador do Rio Homem, quase inerte, à passagem da ponte, era uma amostra dos resultados da seca que este ano assolou as nossas paragens. Mesmo a Fonte da Abilheirinha, que eu me recordo de ver sempre com água a correr, dava-nos só um pequeno fio de água fresca, o suficiente porém para acalmar a sede.

Os tons do vale mostram um tapete multicolorido entre os tons verdes e as cores quentes de Outono. Não fora a perspectiva da chuva e a visão das nuvens a lamber os píncaros serranos tornavam o cenário quase perfeito.

A chuva começa a cair um pouco antes da chegada ao Modorno. Uma grande cortina esbranquiçada rapidamente subiu o vale e obrigou todo o grupo a resguardar-se. Não é das minhas coisas preferidas, o caminhar à chuva... O vento por vezes fazia-se sentir mais forte e mais forte se foi tornando à medida que a altitude ia ganhando mais força.

Impressionante foi ver o grande macho que no alto da escarpa vislumbrava aquelas figuras que iam subindo o vale, lá no fundo no abismo. Olhou-nos durante uns largos minutos e depois perdeu-se da vista...

Um pouco antes do Teixo cruzamos por um grupo que vinha de uma pernoita ventosa. Azar que naquele dia iram encontrar um vigilante do parque nacional...

Carris recebeu-nos com muito nevoeiro e vento que trazia uma chuva já fria, prenuncio talvez de alguma neve... fraca. Lá fomos para o único abrigo e a bebida quente aqueceu a alma, dando ânimo para o regresso que se fez à chuva e ao vento...

...já só faltam 25...





























Fotografias © Rui C. Barbosa

sábado, 22 de outubro de 2011

Trilhos seculares - Trilho da Vezeira

Há uns anos atrás fiz parte deste trilho entre Fafião e a Rocalva. Naquele dia estava muita chuva e nevoeiro o que limitou profundamente a contemplação da paisagem pintada então em tons de cinza. Hoje, aproveitando a calmaria meteorológica antes da chegada da borrasca, decidimos percorrer a totalidade do trilho. Foram cerca de 20 km de paisagens agrestes como só a Serra do Gerês sabe oferecer.

Começamos então cedo em Fafião ainda o Sol não tinha aparecido por detrás da Cabreira. Enveredamos pelo estradão florestal durante os primeiros quilómetros e depois entramos nos seculares trilhos da vezeira. A paisagem já aparecia pintada em algumas zonas com o negro do último incêndio naquelas paragens, mas o que nos esperava ao virar o caminho era demasiado desolador. O incêndio foi inclemente e grande parte da encosta esquerda do vale do Rio do Porto da Lage / Rio Fafião está toda de negro com o trilho bem definido como uma veia branca na paisagem. A paisagem compõe-se no Porto da Lage com a sua represa quase sem água. Daqui passa-se rapidamente para a Touça e inicia-se a subida que nos levará ao longo do vale do Rio da Touça até às Fechinhas. É notável o trabalho de recuperação e preservação feito pelas gentes de Fafião. Muitos dos abrigos (fornos e cabanas) estão bem recuperados e identificados (com a excepção do abrigo do Porto da Lage, mas por razões que serão óbvias). Touça, Fechinhas, Rocalva, Pradolã (Prado-lã), são currais recuperados por estas gentes.

Depois do repasto na Cabana de Fechinhas iniciamos a subida que nos levaria à Rocalva através da Mourisca. pelo caminho iam surgindo sinais de outras mariolas, outros caminhos seculares que a seu tempo serão percorridos talvez com as cores quentes do Outono ou com o gélido frio do Inverno. A subida foi penosa ao início da tarde, mas passado algum tempo estávamos a descansar junto do frondoso carvalho perto da Cabena de Rocalva. Iniciava-se depois a descida para Fafião... e que descida é esta! Aqui, a recordação fazia-me lembrar de alguns detalhes da montanha... os Ovos por detrás da Rovalva, a passagem pelo Videirinho ao lado do Caucão, o Estreito com as vertentes para o Rio Conho e para o Rio Laço, a passagem pela cruz gravada na rocha e a chegada ao Pradolã com a sua peculiar cabana e a deslumbrante vista dos Bicos Altos. Depois de passar a Carvalhosa, o objectivo era chegar ao estradão que nos levaria a Fafião após mais uma martirizante subida.

Foi sem dúvida um dia fenomenal em antecipação de mais uma visita às Minas dos Carris...

Algumas fotografias...































































Fotografias © Rui C. Barbosa