quinta-feira, 19 de julho de 2018

Vº Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias a 21 e 22 de Julho


A Vª edição do Fiadeiro de Contos de Pitões das Júnias terá lugar nos dias 21 e 22 de Julho de 2018. 

Pitões das Júnias é uma aldeia situada a cerca de 1200 metros de altitude, no norte de Portugal, Concelho de Montalegre, Distrito de Vila Real e região de Barroso.

Totalmente inserida no Parque Nacional Peneda-Gerês, a sua origem é desconhecida em parte mas muitas vezes se confunde com a do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, monumento de classificado como Monumento Nacional em que o actual mosteiro e seu templo anexo foram erguidos durante a primeira metade do século XII, antes mesmo da fundação da nacionalidade.

Existe na sua população a necessidade de criar novos motivos que propiciem o convívio entre os habitantes, existindo por isso um crescente desejo de terem actividades na aldeia que promovam o contacto entre a população, sentindo-se particularmente que existe uma vontade maior no envolvimento e participação em actividades culturais.

A região do Barroso, apesar de ser uma zona rica na sua cultura e tradições, é uma região carenciada ao nível da existência de estruturas culturais, o que contribui para a existência de sentimentos de renúncia e de desistência, cujas consequências a curto e longo prazo poderão ser desastrosas para os seus habitantes mas também, em sentido amplo, para o desenvolvimento do território. A importância da cultura como instrumento de integração social, no desenvolvimento local, na educação, na fixação das pessoas nas suas localidades, assim como no aumento da sua autoestima, levou à criação do Fiadeiro de Contos, em Pitões das Júnias.

Num tempo em que não se ouvia rádio, nem havia televisão, contar e ouvir histórias era um dos principais passatempos. Serões familiares onde também se reuniam amigos e vizinhos, eram o palco privilegiado para os mais velhos contarem histórias que os próprios já tinham ouvido dos seus pais e avós, transmitindo desta forma a herança da identidade de uma comunidade e região. Numa altura em que os media dominam a comunicação global, recuperar a tradição oral, parte determinante do património imaterial e da formação da identidade de cada região, torna-se essencial. É importante sublinhar que a arte de contar histórias está ligada ao entretenimento cultural e à difusão do folclore regional, e também ao incentivo à leitura.

Com o V Fiadeiro de Contos, trata-se pois de promover a convivência entre os habitantes num encontro de dois dias, em que contadores de histórias de vários pontos do país se juntam a contadores galegos e da aldeia. Apesar de não haver um hábito organizado neste sentido, os habitantes da aldeia mantêm informalmente a transmissão de uma tradição oral entre pais e avós, que com orgulho partilham por vezes com os restantes e com os visitantes, em reuniões festivas. Quer-se assim com este encontro, preservar e fomentar um hábito que se tem perdido ao longo dos anos: contar histórias como uma forma de fortalecer os laços entre as pessoas, através do encontro e da partilha, reavivando a memória colectiva e preservando o património imaterial. Mas para além de promover o convívio, quer-se também apostar na cultura como um pretexto para a abertura da aldeia aos visitantes, incrementando a economia local através da procura de alojamento e alimentação. 

Assim, mais uma vez o Fiadeiro de Contos pretende levar a cabo a promoção do desenvolvimento artístico descentralizado; afirmar a cultura enquanto instrumento de dinamização social, turística e económica da região de Barroso; dinamizar a formação e o desenvolvimento de público críticos e participativos; dinamizar e valorizar o património imaterial e material sensibilizando os públicos e agentes locais para a sua salvaguarda e preservação; reforçar a identidade cultural das populações da zona do Barroso.

O V Fiadeiro de Contos decorrerá no Largo do Eiró localizado no centro da aldeia, local privilegiado de passagem e encontro habitual dos moradores (aqui serão realizadas as sessões à noite) e no anfiteatro ao ar livre localizado na área envolvente à antiga escola primária de Pitões (aqui serão realizadas as sessões da tarde mais direccionadas para o público infantil).

O programa desta edição é o seguinte:

21 de Julho  (Sábado)

18h Anfiteatro do Largo da Escola 
 
Estefânia Surreira – Publico Infantil

21h Largo do Eiró 

Lénia Santos
Estefânia Surreira 

Grupo musical "Rosa Cruz"
                       
22 de julho (Domingo)

18h Anfiteatro do Largo da Escola 

Clara Haddad - Publico Infantil                   

21h Largo do Eiró
Miguel Sermão 

Grupo musical “2 na fronteira”

terça-feira, 17 de julho de 2018

Histórias do povo de Cabril - O desaparecimento e extinção do Tetraz ou galo-montês das serranias do Gerês


O tetraz era um grande galinácio que em tempos existiu na Serra do Gerês, em que os machos se caracterizavam pela sua plumagem quase totalmente preta, enquanto que as fêmeas eram acastanhadas. 

Esta espécie terá nidificado em Portugal, particularmente na Serra do Gerês onde também era conhecida por 'pita do monte', sendo a zona de Cabril provavelmente o seu último reduto, tendo-se extinguido há cerca de 100 anos. Porém a sua memória perdurou até aos dias de hoje na oralidade do povo, assim como na toponímia. Ainda hoje existe na serra um local chamado de Peito do Galo, e segundo os populares foi um dos últimos sítios que esta ave de grande porte ocupou. O local é assim chamado devido às peculiares características do seu ciclo biológico e dimorfismo sexual, pois na altura do acasalamento o macho fazia gritos estridentes e bastantes barulhos, na ânsia de impressionar as fêmeas.

Depois do seu desaparecimento e nas décadas seguintes, o povo de Cabril que era um povo de montanha passou, a adoptar o grito do galo-montês para se comunicar a grandes distâncias, sendo que esse grito passou a ser conhecido até aos dias de hoje como o grito de Cabril pelos povos das aldeias próximas, e não deixa de ser impressionante que ainda há quem o saiba fazer.


Esta ave era originária da zona boreal, foi graças às alterações climáticas geradas pela última glaciação de Würm que o galo-montês expandiu a sua área de distribuição até à Europa meridional. 

Apesar dos poucos testemunhos existentes, a população do galo-montês Portuguesa era derivada da população cantábrica, se bem que possa ter evoluído de forma diferente, devido à distância que os separam, e há alguns manuscritos e documentos que referem esta espécie como o galo de Cabril, que era assim que ele era chamado, terá existido até aos finais do século XVII e princípios do século XVIII, protegida pelas sombras dos últimos Carvalhais da Serra do Gerês.

Actualmente existem no mundo a nidificar, cerca de 700 ou 800 indivíduos espalhados pela cordilheira pirenaica e cantábrica, as piores expectativas vaticinam o desaparecimento do galo-montês das nossas serras em pouco mais de três décadas.

Texto de Ulisses Pereira

Paisagens da Peneda-Gerês (CCLVIII) - Serra-pau (escaravelho da madeira)


Um dos magníficos habitantes do nosso Parque Nacional nos dias quentes de Verão.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 16 de julho de 2018

sábado, 14 de julho de 2018

"Há um Tempo..."

 
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Teixeira de Andrade
 
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Horário do EcoMuseu de Fafião


De forma a servir melhor todos os visitantes, o Ecomuseu passará a estar aberto todos os dias deste Verão, até 15 de Setembro.

O horário mantém-se das 09h às 18h.

Faça-lhe a sua visita!!

Fotografia © EcoMuseu de Barroso - Fafião (Todos os direitos reservados)

Um outro olhar (XC)


O Francisco Silva visitou as Minas dos Carris a 8 de Julho de 2018 e teve a amabilidade de me ceder estas fotografias.

Se visitar as Minas dos Carris, envie as suas fotografias para assim se constituir uma base cronológica das ruínas nos píncaros serranos do Gerês.

Um agradecimento ao Francisco pelo envio das fotos!















Fotografias © Francisco Silva (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (CCLVII) - De Fechinhas à Mourisca


Uma das paisagens de cortar a respiração na Serra do Gerês: o Vale de Fechinhas visto desde a subida para Porta Ruivas vindo do Curral da Abelheirinha. Na imagem podem-se ver as Velas Brancas, Curral de Fechinhas, Meda de Rocalva e Roca Negra.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 12 de julho de 2018

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Grupos presentes no Vº FIadeiro de Contos de Pitões das Júnias


Para além das sessões de contos, a Vª edição do nosso Fiadeiro irá contar com a presença de dois grupos musicais para animar as noites.

No dia 21 de Julho irá actuar o grupo "Rosa Cruz" e no dia 22 contaremos com a presença do grupo “2 na fronteira”.

Os 'Rosa Cruz' irão actuar no Vº Fiadeiro de Contos na noite do dia 21 de Julho.

Dois músicos durienses, de diferentes gerações, ao encontro das músicas antigas e da tradição, do noroeste ibérico.

Melodias e ritmos que, sem idade, se vinculam à história e identidade deste território. Um projeto criado no seio de vivências teatrais e performativas. Sempre prontos a novos desafios, palcos da descoberta, onde os sons "sem tempo" possam ser escutados, dançados, festejados e sentidos.

Vasco Monterroso: gaitas-de-foles, flautas, cordofones e voz.
Gonçalo Azevedo: percussões.



A noite de 22 de Julho será animada pelos '2naFronteira'.

A cantora e compositora arraiana Carmen Penim interpretará canções do seu novo trabalho, o livro-CD Herdeiras, sobre a mulher e a memória, além de temas de temas populares galegos, canções com música original para poemas de Fernando Pessoa e canções que dedicou ao seu Couto Misto natal.

Estará acompanhada pelo pianista Maurizio Polsinelli, com o qual forma o dúo 2naFronteira com o que já actuou numa anterior ocasião em Pitões das Júnias.

Voz: Carmen Penim
Piano e harmonium Maurizio Polsinelli


terça-feira, 10 de julho de 2018

Enquadramento histórico da exploração mineira em Carris (III)


Enquadramento histórico da exploração mineira em Carris (II)

Remetendo para dados oficiais – continua a não ser possível estimar o volume alcançado pelas "actividades ilegais e clandestinas" (muitas vezes toleradas, ou, mesmo, patrocinadas pelas autoridades) –, lembram-se alguns dos resultados materiais de todo este conjunto de decisões, iniciativas e actividades. Portugal teria produzido 4500t de concentrados no ano de 1940, 4607t em 1941, 4120t em 1942 (quebra decorrente dos controlos e do tabelamento de preços introduzidos pelo Governo), 5563t em 1943 e 3214t até Junho de 1944.

Seriam os seguintes os números das exportações de volfrâmio: 3443t no total em 1940, 1783t para o Reino Unido, 768t para os EUA, 540t para França e 185t para a Alemanha, entre outros; 5235t no total em 1941, dos quais 2363t para o Reino Unido, 1814t para a Alemanha, 848t para os EUA, entre outros; 4801t no total em 1942, dos quais 2589t para o Reino Unido, 2169t para a Alemanha e 43t para a Itália; 6669t no total em 1943, dos quais 5321t para o Reino Unido e 1342t para a Alemanha, entre outros; 2688t no total em 1944, dos quais 1987t para o Reino Unido e 70lt para a Alemanha. Nos anos de 1943 e 1944, o Terceiro Reich importou, ainda, 34t e 77t de resíduos de tungsténio.

Tendo em conta, a dimensão dos interesses envolvidos, as características socioeconómicas e culturais das "regiões do volfrâmio", os preços atingidos e as modalidades de actuação dos dois regimes – com evoluções desfasadas em ambos os lados da fronteira luso-espanhola –, não é difícil admitir que, em termos da produção, comercialização ("contrabando interno"), semi-transformação, transporte e exportação (contrabando local, organizado pelos beligerantes ou "oficioso"), do financiamento e dos pagamentos internacionais (envolvendo ouro), essas "actividades ilegais e clandestinas" deverão ter alcançado montantes muito significativos. A Alemanha desde 1940, os Aliados a partir de 1943, estruturaram mecanismos de intervenção que cobriam a Península Ibérica no seu conjunto.

No dia 5 de Junho de 1944, encerrou-se um longo e difícil processo negocial de mais de seis meses durante o qual Reino Unido e os EUA, perante a ineficácia das pressões económicas e diplomáticas, chegaram a aceitar a necessidade de apoiar o derrube do Estado Novo, ou, pelo menos, de António de Oliveira Salazar. Abandonando diversos objectivos que considerava serem essenciais, o Governo português informou o embaixador britânico em Lisboa de que cedia perante as exigências dos Aliados e determinaria a suspensão da produção e exportação de concentrados de tungsténio. Em 26 de Janeiro de 1945, Portugal e os Aliados assinaram um novo Acordo de Fornecimentos-Compras, a 8 de Agosto de 1945, o Banco de Portugal e o Bank of England renegociaram o Acordo de Pagamentos de 1940.

Através do Decreto-Lei n.º 33: 707, de 12 de Junho de 1944, foi imposta a suspensão de todo o tipo de actividades – produção, comercialização, transporte, semi-transformação, exportação – em torno dos minérios de volfrâmio. As quantidades já extraídas seriam obrigatoriamente entregues à Comissão Reguladora do Comércio dos Metais nos prazos e pelos preços definidos por legislação anterior.

Esta forçada inactividade só terminou em Dezembro de 1945/Janeiro de 1946, depois de ter sido assegurada a venda das reservas acumuladas pela Comissão Reguladora do Comércio dos Metais. Apesar do agravamento das penas aplicáveis, o contrabando de concentrados para a Alemanha continuou, pelo menos, até Agosto de 1944, aquando da libertação do Sul de França pelos Aliados e do encerramento da fronteira dos Pirenéus.”

Extraído de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Taxa de acesso à Mata de Albergaria


A partir do dia 12 de Julho de 2018 o acesso de veículos motorizados à Mata de Albergaria, Serra do Gerês, será condicionado ao pagamento de uma taxa de acesso no valor diário de 1,50 euros.

O pagamento desta taxa deverá manter-se até finais de Setembro de 2018.

Paisagens da Peneda-Gerês (CCLV) - Porta Ruivas no coração do Gerês


O Curral de Porta Ruivas no coração da Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 9 de julho de 2018

domingo, 8 de julho de 2018

sábado, 7 de julho de 2018

Trilhos seculares - Pôr-do-Sol desde o Pé de Cabril


No final da tarde do dia 24 de Junho de 2018, um dia quente de Verão, decidi revisitar o Farol da Serra do Gerês, o Pé de Cabril.

Aliando o bom tempo à vontade de assistir a mais um pôr-do-Sol, iniciei a pequena caminhada a partir da Portela de Leonte. Seguindo pelo caminho flores tal que se inicia por detrás da Casa Florestal tristemente abandonada, depressa chegava à Portela do Confurco e tomada a direcção do colosso granítico.

Mesmo antes de chegar à sua base, e à vista do Prado Marelo e do Curral de Tirolirão, apercebi-me do espectáculo que a Natureza ia encenando com um mar de nevoeiro a cobrir a albufeira de Vilarinho da Furna e a trepar as colinas Geresianas. Em pouco tempo encontrava-me numa ilha por cima das nuvens a assistir ao final do dia. O nevoeiro foi tomando conta da Serra Amarela e da parte poente do Gerês, inundando também a albufeira da Caniçada e o Vale do Rio Gerês.









































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)