quarta-feira, 30 de setembro de 2015

5ª edição do Trilho do Medronheiro


A Associação Vezeira de Fafião vai levar a cabo a 5ª edição do Trilho do Medronheiro no dia 7 de Novembro de 2015, pelas 10h00.

Este trilho é considerado de grau dificuldade médio e possuí apenas cerca de 9,5 km de extensão. O ponto de encontro será junto das instalações do EcoMuseu em Fafião.

Aceite o convite da Associação Vezeira de Fafião e faça a sua inscrição aqui.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Minas dos Carris 1993-2006


Uma selecção de fotografias das Minas dos Carris obtidas entre 1993 e 2006.

Vídeo e fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 26 de setembro de 2015

...mistérios de homens e dos tempos idos


Mistérios de homens e dos tempos idos onde a Serra do Gerês se escurecida à luz do Inverno.

Fui em busca de um segredo para lá da Nevosa... regressei pejado de dúvidas sobre caminhos há muito esquecidos, vidas olvidadas, olhares vazios de emoção e a respiração sôfrega de cansaço e medo. Algo se move naquelas paragens... são os murmúrios do passado insistimos esquecer no presente.

...brevemente, algo por aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Algo m'intriga...


Para lá da Nevosa...

Algo m'intriga...

Algo m'inquieta...

Vou em busca de um novo segredo na Serra do Gerês, um pedaço de história à espera de ser desvendado.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O caminho para as Minas dos Carris - Notas históricas (III)


Com os trabalhos de abertura e melhoramento da estrada entre a Portela de Leonte e os Carris a terem início em Maio de 1943 e a decorrerem a bom ritmo, a Sociedade Mineira dos Castelos é surpreendida a 18 de Agosto com uma comunicação por parte do Engenheiro Chefe da 1ª Circunscrição Florestal que refere que o Sub-Secretário da Agricultura havia determinado que ficava sem efeito o despacho emitido a 19 de Maio que autorizava o arranjo do caminho entre a Albergaria e os Carris ao longo do Rio Homem. Em meados de Agosto os trabalhos haviam já avançado cerca de 6,2 km numa empreitada que envolvia cerca de mil operários. Esta imposição veio directamente do Ministério da Guerra, segundo Luiz de Castro e Solla . Perante esta situação que ameaçava o decurso dos trabalhos de exploração mineira nas concessões situadas nos pontos mais elevados da Serra do Gerês, Walter Thobe decide enviar, a 26 de Agosto, uma exposição escrita ao Director-Geral de Minas e Serviços Geológicos. Nesta carta, Walter Thobe vai referir os trabalhos já realizados na construção da estrada e os efeitos nefastos que a suspensão dos trabalhos trará para o desenvolvimento do campo mineiro e para a economia local com o despedimento de centenas de operários.

Porto, 26 de Agosto de 1943

Exmo. Snr.

Engenheiro – Director Geral de Minas e Serviços Geológicos, Rua do Comércio, Lisboa

Exmo. Senhor:

Refª. Reparação e melhoramento do caminho que, acompanhando o Rio Homem, vai de Albergaria ao ponto trigonométrico Carris, na Serra do Gerez

Como é do conhecimento de V. Ex.ca, é esta Sociedade detentora, quer por concessões, pedidos de concessão e registos, de uma longa área mineira, a qual pretende fazer a exploração, além de wolframio nas respectivas concessões, sobremaneira de molibdenite.

Estão em curso estudos para o apetrechamento adequado de maquinismo, etc.

Dentro destes estudos verificou-se que, como primeira necessidade para a realização do plano de exploração industrializada, deveria existir a faculdade da utilização de um caminho que permitisse a condução dos maquinismos.

Verificado que, a área em que poderia ser utilizado caminho está subordinada à 1ª Circunscrição Florestal da Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas do Ministério da Economia:

- Em 20 de Abril do corrente ano apresentamos á dita Direcção-Geral requerimento, acompanhado de croquis, pedindo autorização para a reparação e melhoramento do caminho que, acompanhando o Rio Homem, vai de Albergaria ao ponto trigonométrico Carris, isto é: até à nossa concessão denominada “SALTO DO LOBO”.

- Em 24 de Maio deste ano comunicou-nos o Exmo. Sr. Engenheiro Chefe da 1ª Circunscrição Florestal “que por despacho ministerial de 19 de Maio tinha sido concedida a autorização solicitada”.

- Em 22 de Junho a mesma autoridade comunicou-nos que também tinha sido autorizado, igualmente por despacho ministerial de 16 de Junho, a utilização do caminho Leonte – Albergaria segundo havíamos solicitado a 3 de Junho.

Esta autorização foi-nos dada mediante condições que, embora duras e severas, por nós foram aceites e rigorosamente cumpridas, do que há testemunho dos próprios Serviços Florestais.

Em face de todas estas autorizações, iniciamos os trabalhos com largas equipas de operários, cujo número chegou a atingir perto de 1.000.

Os trabalhos seguiam sempre sob rigorosa fiscalização dos Serviços Florestais que nunca nos fizeram reparos.

Em meados de Julho, tanto os trabalhos efectuados referentes ao caminho como a própria região das minas, foram visitadas pelo Exmo. Sr. Capitão Casimiro Gomes, a quem foram prestados todos os esclarecimentos pedidos, inclusive demonstração das autorizações e plantas, sem que tivesse havido qualquer pronuncia de parte deste senhor.

Assim procedendo aos trabalhos, em perto de 3 meses, chegamos a preparar cerca de 6.200 metros, ou seja, mais ou menos a metade do caminho que reputamos indispensável para a condução dos maquinismos.

Inesperadamente e sem que nos fosse dada qualquer outra explicação esclarecendo motivos:

- Em 18 de Agosto foi-nos comunicado, por intermédio do Exmo. Sr. Engenheiro Chefe da 1ª Circunscrição Florestal, que:

“Sua Exa. o Senhor Sub-Secretário da Agricultura determina que fica sem efeito o seu despacho de 19 de Maio p. p. em que autorizava a Sociedade de arranjar o caminho na Serra do Gerez, de Albergaria aos Carris, junto do Rio Homem, e de forma que os trabalhos paralisassem imediatamente”.

Não obstante da gravidade que para nós contém esta ordem, fizemo-la imediatamente cumprir, isto é, ordenamos a imediata paralisação dos trabalhos.

Permita-nos, todavia, V. Exa. ainda algumas observações a este respeito:

- Foram surpreendidos por esta ordem cerca de 800 homens, dos quais, grande parte, chefes de família, que, de um dia para o outro, tivemos de despedir, tirando-lhes, assim, o ganha pão que, pelo menos, até alturas do inverno, estava garantido, ficando, assim, aumentado o rol dos desempregados.

Os nossos planos, de dar a maior número possível de operários, trabalhadores de estrada, uma vez pronto o caminho, trabalhos nas minas quer em transportes de maquinismos, fundações, edificações, trabalhos mineiros, enfim em tudo o que pertence ao largo desenvolvimento da exploração mineira, atenuando assim a falta de trabalho que a conclusão do caminho teria como lógica consequência, pela nova ordem de proibição, já não são realizáveis.

Além disso, vimos de momento, posto em dúvida todos os nossos projectos de exploração, sobretudo a de molibdenite, á qual grandes e fundadas esperanças nutríamos e cuja exploração já há meses está objecto de carinhosos estudos por parte dos nossos engenheiros e geólogos, pois como V. Exa., melhor do que ninguém, sabe, depende dos meios de comunicação e trânsito o desenvolvimento industrializado duma região mineira como a que reputamos ser a da Serra do Gerez.

Rogamos a V. Exa. se digne reconhecer que enormes prejuízos não só há como ainda hão-de advir, tanto para nós como também para a economia nacional desde que a proibição seja mantida.

Ao dizer isso, não somente pretendemos referir ás largas centenas de contos que, entretanto, já gastamos na reparação do caminho, para as quais havemos de pedir indemnização, dada a circunstância de os nossos trabalhos se terem realizado somente depois de prévias autorizações por despachos ministeriais, mas sobretudo às consequências resultantes da não realização dos projectos da exploração a que fomos virtualmente condenados pela proibição dos trabalhos do caminho.

Feita esta exposição a V. Exa., para a qual pedimos a sua benévola atenção, rogamos que V. Exa. se digne prestar-nos o seu valioso concurso para que seja revogada em contrário a já falada proibição.

Aceite V. Exa. os protestos da nossa mais elevada estima e consideração.

Sociedade Mineira dos Castelos, Lda.

O Gerente

Hans Carl Walter Thobe

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Trilhos pedestres no Parque Nacional da Peneda-Gerês



Actualizei a minha lista de percursos pedestres homologados existentes na área do Parque Nacional da Peneda-Gerês (obrigado Isabel Sousa!)

A lista pode ser vista aqui.

Comunicado da Junta de Freguesia de Sistelo


Caros Sistelenses e amigos desta beleza natural, o pesadelo chegou ao fim, o projecto para o Aproveitamento Hidroeléctrico de Sistelo recebeu parecer desfavorável da APA e também do Sr. Secretário de Estado do Ambiente. 

A Freguesia de Sistelo, agradece a todos os que se envolveram nesta luta e contribuíram para este resultado, e à Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, na pessoa do Sr. Presidente, um obrigado especial, pelo empenho demonstrado mesmo no pós período da consulta pública em prol deste desfecho.

OBRIGADO

Fotografia © Fernando Cerqueira Barros (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Trilhos seculares - Um regresso a Fafião


Já aqui havia referido que ninguém diga conhecer a Serra do Gerês sem antes visitar os domínios de Fafião. Ali, onde o Gerês flecte os seus músculos, onde a serra arranha os céus, as sombras pedem licença para se retirar e o Sol tem orgulho em iluminar e aquecer aquelas paragens.

Os domínios da vezeira de Fafião apresentam-nos das paisagens mais deslumbrantes de todo o Parque Nacional e da Serra do Gerês em particular, rivalizando com outras que são, por excelência, verdadeiros ex-líbris para quem as visita com regularidade.


Neste dia juntamos o melhor de vários mundos. Entre as alturas e os escarpados do Trilho da Vezeira de Fafião à corga e garganta profunda que esconde a Ponte da Matança, passando por velhos currais, uns abandonados e outros não. Entre a sombra da manhã e o fulgor do Sol à tarde, passamos a soleira do Outono de regresso a um Verão que se agarra com unhas e dentes no seu último estertor.

A aldeia ainda não tinha despertado quando chegamos a Fafião e os poucos rostos que por ali deambulavam pareciam ter perdido a batalha com a almofada na noite anterior. Como quase em todos os caminhos, o início da jornada é sempre um pouco ingrato quanto mais não seja que a parte inicial do percurso que se faz por um manhoso estradão, não é meiga para a morrinha que ainda não se dissipara. Aos poucos deixamos para trás os parcos sons da aldeia que vai despertando. Aqui e ali, um cão rosna à nossa passagem e desejávamos não ter dispensado o café em Braga.

A terra batida vai-nos levar cada vez mais perto do vale e aos poucos fica para trás o pinhal que adorna a paisagem. Ali ao lado, abre-se como um rasgão na Terra, o vale por entre o Rio de Fafião se entretém a esculpir pacientemente a paisagem. De facto, para quem já fez o percurso, esta parte não trás nada de novo, mas a ânsia de horizontes mais vastos e de avistar os píncaros que rasgam os céus, impele-nos a chegar ao ponto onde a água jorra da rocha e num ápice todo o cansaço inicial parace desvanecer, não fosse a forte batida do coração do peito e os pingos de suor que já insistem em escorrer pelo rosto. Aqui é a Fontela do Galo, e Fafião não passa já de um aglomerado de casas imbuído na paisagem.


O caminho continua e leva-nos a chegar ao Vidoal onde subitamente termina para dar lugar à verdadeira rudeza da serra. Num equilíbrio nem sempre favorável ao seu lado, a serra deixou-se adaptar às condições do Homem que nas suas entranhas foi esculpindo passagens para os prados e lugares onde amanharia o seu sustento. Mais adiante, o Trilho da Vezeira de Fafião vai-se dividir em dois. Contemplando a paisagem à medida que nos aprofundávamos naquele vale, acabamos por perder a passagem para o Caminho da Vacas e como tal, não querendo voltar para trás, decidimos prosseguir pelo carreiro com as passagens mais difíceis e que a partir das primeiras chuvas, podem apresentar um certo desafio para quem por ali passa. Apesar da chuva intensa da semana que ali terminava, as passagens mais complicadas fizeram-se sem grande problema. Porém, este caminho não será muito aconselhável aos mais sensíveis devido às vertigens ou à incapacidade de ligar com espaços curtos.

Não há fotografia que consiga transmitir a sensação de se estar a entrar nas entranhas de maior do que nós. Se lá no fundo o rio corre intensamente barulhento, lá no alto os cumes parecem faróis que nos indicam o caminho a seguir. O carreiro vai serpenteando pela encosta marcado com as velhas mariolas. Em certas zonas a vegetação começa a tomar o seu lugar e as torrentes de água podem dificultar a passagem em alguns regatos, mas rapidamente nos aproximamos do velho Curral do Porto da Lage que foi destruído para a construção da barragem que por momentos aprisiona o Rio da Pigarreira e o Rio da Touça. As águas imaculadamente transparentes, permitiam ver o leito da pequena albufeira, mas as torrentes que desciam bravas das encostas, faziam-nos lembrar do verdadeiro armagedão que provavelmente teria ocorrido há uns dias quando os céus se desentenderam com as almas.


Com um pouco de custo conseguimos ultrapassar os escassos metros do leito do rio em direcção ao Curral da Touça onde surgiu o nosso descanso. De seguida seguiríamos pelo Vale do Rio Laço, passando pelo curral de mesmo nome e trepando a encosta final até ao Estreito tendo por detrás de nós uma das paisagens que nos corta a respiração. A chegada ao Estreito permite-nos ver a Roca Negra, a Rocalva e a Roca das Pias, bem como o colosso do Iteiro d'Ovos e o promontório granítico do Borrageiro «logo ao lado» de Porta Ruivas. 

Pradolã seria o local de restabelecer forças antes de iniciar a descida a Pousada passando por Carvalhosa e depois enveredar pelos recortes da serra até à Ponte da Matança que nos dá acesso ao um carreiro que mais adiante nos levará até à estrada de terra batida junto da Fontela do Cerdedo, chegando de novo ao percurso do Trilho da Vezeira de Fafião e daqui regressando ao ponto de partida.

Distância folheto: Não disponível
Distância GPS: Não disponível
Distância odómetro: Não disponível
Distância GEarth: 15,4 km
Altitude máxima folheto: Não disponível
Altitude máxima GPS:  Não disponível
Altitude máxima GEarth: 1.174 m
Altitude média GEarth: 793 m
Altitude mínima folheto: Não disponível
Altitude mínima GPS: Não disponível
Altitude mínima GEarth: 495 m
Duração folheto: Não disponível
Duração jornada (GPS): Não disponível
Avaliação final (máx. 10): 9,0



































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)