quarta-feira, 30 de julho de 2008

Limpar Carris? (V)

Carris, 20 de Janeiro de 2008

Como não surgiram outras sugestões para o local do jantar / reunião, confirmo então que este terá lugar no restaurante do Parque de Campismo da Cerdeira, S. João do Campo (Campo do Gerês), no próximo dia 2 de Agosto. Não sei se haverá muita gente interessada em participar, mas pedia-vos para me enviarem um email só para ter uma ideia de quantas pessoas estão a pensar em estar presentes. Caso não haja respostas o jantar ficará sem efeito. Atempadamente marcaremos uma hora.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 29 de julho de 2008

20000

Este dia marca um momento importante para este blogue. Lembro-me que ainda há poucos meses vos escrevia acerca das 10000 visitas a este blogue e hoje atingimos a marca das 20000. Pode parecer de pouca importância pois certamente outros blogues facilmente atingem este número. Porém, devido à especificidade do seu tema penso ser um número de visitas razoável para um espaço que foi inaugurado há 19 meses.

Quero agradecer a todos aqueles que têm visitado este blogue. Sei que há pessoas que o fazem quase diariamente e é a pensar nessas pessoas e em todos os que o visitam, que o blogue irá continuar com o seu objectivo de através de notas muito pessoais não deixar esquecer as Minas dos Carris na Serra do Gerês.

Obrigado!

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Cena nocturna

Carris, 26 de Abril de 2008

A constelação da Ursa Maior sobre a antiga cozinha que servia a casa para o pessoal superior da Mina dos Carris.

Fotografia: © José Afonso Duarte

Reflectir

Carris, 26 de Abril de 2008

Todos os momentos são bons para reflectir. Carris proporciona uma oportunidade única para tal... Envolto pelo silêncio da montanha, pelo ocasional chilrrial dos pássaros ou pela brisa que passa, somos convidados à contemplação de nós próprios e do meio que nos rodeia.

Todos devemos ter o nosso momento de reflexão em Carris. Encontrar na sombra da ruína a harmonia que tantas vezes procuramos e que por tantas vezes se nos escapa no burburinho da cidade.

Somos apressados pelo cair da noite na montanha. Parece que, apesar de o caminho ser único, algo se nos persegue como que tivéssemos esgotado o tempo que nos foi concedido. Aqueles momentos entre o dia e a noite, são momentos únicos e diferentes na sequência infindável... amanha será o mesmo. Mas o dia seguinte trás-nos outro momento entre o dia e a noite que não o do dia anterior.

Todos os momentos são bons para reflectir...

Fotografia: © José Afonso Duarte

Postais do Gerês

Uma ligeira nota off-topic do tema deste blogue só para vos dar a conhecer um novo blogue que criei. Estando ainda numa fase inicial, o blogue Postais do Gerês será dedicado aos velhos (e mais recentes) postais do Gerês em particular e do Parque Nacional em geral.

O blogue está alojado em http://www.postais-do-geres.blogspot.com/ .

Postais do Gerês (III) "Gerez - Banco Ramalho Ortigão"


Actualmente vandalizado e semi-destruído, o denominado Banco do Ramalho era um ponto de encontro para muitos dos que visitavam as Caldas do Gerês e as suas termas.

Diz-se que o escritor Ramalho Ortigão muitas vezes visitava o local quando passava pela Serra do Gerês.

Este postal é uma edição do Bazar Soares, Porto, com fotografia da Foto Marques, Braga.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Notas históricas (XXXIX)

Carris, anos 50

Esta fotografia datará dos anos 50 numa altura em que a Sociedade das Minas do Gerês, Lda. iría iniciar a exploração dos filões de volfrâmio nos altos da Serra do Gerês próximo do marco geodésico dos Carris. Naquela zona estavam já à data estabelecidas três concessões mineiras principais: o Salto do Lobo, a Lamalonga e a Corga das Negras. O início da exploração de cada uma destas concessões é feito de forma sequencial, iniciando-se em primeiro lugar no Salto do Lobo.

Os trabalhos de exploração são iniciados em 1941 quando o mundo já se encontra mergulhado numa guerra mundial sedenta de matéria prima. Com o final do conflito a exploração do volfrâmio na Serra do Gerês sofre uma quebra e as concessões dos Carris são adquiridas pela Sociedade das Minas do Gerês, Lda.

Após o final dos trabalhos por parte da Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. o complexo parece quase abandonado e muitas das estruturas sofrem os efeitos dos elementos. A fotografia em cima é testemunha de que para a reactivação do complexo mineiro como um sistema de exploração moderno foi necessário um investimento avultado por parte da Sociedade das Minas do Gerês, Lda.

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa / Rui C. Barbosa

Limpar Carris? (IV)

Carris, 20 de Maio de 2008

O restaurante que tinha em mente para a realização do jantar de preparação desta actividade não estará disponível para a data do dia 2 de Agosto. Assim, surgem duas opções: ou o jantar passa para S. João do Campo (dou a ideia de ser no restaurante do Parque de Campismo da Cerdeira) ou então indicam um outro restaurante nas Caldas do Gerês... esperamos sugestões!

Como já referi anteriormente o objectivo deste jantar / reunião será o de estabelecer um plano de acção e elaborar uma carta para a direcção do Parque Nacional da Peneda-Gerês na qual se dará conta da intenção de um movimento de cidadãos que pretende levar a cabo a limpeza da zona das Minas dos carris e do Vale do Alto Homem. Por outro lado, convém na altura estabelecer uma data definitiva para a realização da iniciativa.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Postais do Gerês (II) "Portela do Homem - Guarda fiscal (na fronteira)"


O primeiro postal a ser aqui publicado mostra a Portela do Homem provavelmente em finais do Século XIX.

Editado pela Union Postale Universelle, nele podemos ver a paisagem do Gerês e dois guardas fiscais numa área não identificada mas, que acreditando no tema do postal, estará na zona da Portela do Homem. Será um interessante exercício tentar identificar os picos que vemos no postal e o local a partir do qual a fotografia secular foi obtida.

Postais do Gerês (I)

Morando na cidade de Braga, só aos 18 anos surgiu a paixão pela montanha em geral e pela Serra do Gerês em particular. Não estando muito longe de onde vivo, naquele tempo a viagem entre Braga e o Gerês era vivida com a emoção de uma estrada que serpenteava pelas encostas ao longo do vale do Rio Cávado. Passando as pontes do Rio Caldo, parecia que entravamos noutra dimensão... numa história qualquer da qual não percebíamos o seu enredo e imaginávamos o seu final.

Ao longo dos anos a distância acabou por se encurtar, mas ainda assim a paisagem do vale do Gerês é algo de inspirador e por momentos imaginamos as aventuras e os segredos que por lá se escondem nas sombras do seus seculares carvalhos.

Este blogue é uma homenagem ao Gerês e às suas gentes. Terá como base os postais que ao longo dos anos foram publicados para neles se registarem as memórias e descrever os momentos lá passados. Sendo intitulado "Postais do Gerês", este blogue terá também ilustrações de outros postais que mostram outras áreas do Parque Nacional da Peneda-Gerês e do Alto Minho.

Sejam bem-vindos a este blogue...

Outros lugares de Carris (LXI)

Carris, 1 de Junho de 2008

...continuom.

Fotografia: © Jorge Cardoso

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Limpar Carris? (III)

Carris, 29 de Fevereiro de 1992

Como o tempo já não corre como dantes, é chegada a altura que começar a preparar o jantar que havia referido na última entrada acerca deste tema. Como propus na altura o jantar poderá ter lugar a 2 de Agosto nas Caldas do Gerês. Este fim-de-semana estarei por lá (quem sabe se não vou a Carris... a saudade aperta!) e irei já tentar ver a melhor opção a nível de preços e disponibilidade da sala. De qualquer das formas gostava de ter uma ideia inicial sobre o número de pessoas (a título individual como representantes dos diversos grupos ou associações) que poderão estar presentes.

O objectivo desta reunião será o de estabelecer um plano de acção e elaborar uma carta para a direcção do Parque Nacional da Peneda-Gerês na qual se dará conta da intenção deste movimento de cidadãos. Por outro lado, convém na altura estabelecer uma data definitiva para a realização da iniciativa.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 22 de julho de 2008

Notas históricas (XXXVIII)

Carris, 25 de Julho de 1950

A 19 de Julho de 1941 Aníbal Pereira da Silva entrega 200$00 na Tesouraria da Fazenda Pública de Montalegre como pagamento da apresentação do manifesto de descoberta de volfrâmio e outros minerais na Corga das Negras, não muito longe da concessão do Salto do Lobo.

A Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. com morada na Rua Fernandes Tomás, n.º 749 – 1º Porto, requer o alvará de concessão a 5 de Julho de 1943 e na mesma data propõe Francisco Silva Pinto como Director Técnico da exploração mineira. A 17 de Julho de 1943 são passados os éditos de concessão da mina da Corga das Negras I (registo n.º 323) e a 28 de Julho de 1943 são pagos 2000$00 pela Sociedade pela concessão da Corga das Negras I.

O alvará de concessão provisório é concedido a 8 de Janeiro de 1944.

A 22 de Maio de 1944 e após descobrir molibdenite, a Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. solicita o reconhecimento da existência desta substância na Corga das Negras I.

Francisco Silva Pinto mantém-se no cargo de Director Técnico até 2 de Janeiro de 1946, data em que é proposto Pedro Simões para ocupar o seu cargo.Mais tarde, Augusto Barata da Rocha é proposto como Director Técnico a 2 de Abril de 1946 por uma Comissão Administrativa que havia sido nomeada pelo Ministério das Finanças, substituindo Pedro Simões.

A concessão definitiva é solicitada a 11 de Fevereiro de 1948 já por uma Comissão Liquidatária da Sociedade Mineira dos Castelos nomeada pelo Ministério da Economia.

O alvará da Corga das Negras I é enviado a 24 de Fevereiro de 1948 e recebidos a 27 de Fevereiro. Juntamente com o alvará da Corga das Negras I são também enviados os alvarás das concessões da Lomba do Viso, Gralheiros, Escouva, Alto das Tentieiras, Alto do Rosso e Cabeça do Homem n.º 1.

A 31 de Outubro de 1950 é novamente solicitada a concessão definitiva da Corga das Negras I. Um relatório de reconhecimento datado de 20 de Novembro de 1951 conclui que o jazigo da Corga das Negras I tem valor comercial para ser definitivamente concessionado. Na mesma data é feito um auto de demarcação.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 21 de julho de 2008

...e Carris, tão perto e tão longe...

Prados de Candela, 19 de Julho de 2008

...escondido pelos picos da Serra do Gerês, Carris tão perto e tão longe...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (LX)

Carris, 1 de Março de 1981

Com saudades do Inverno, Carris em neve... por entre o nevoeiro vemos as primeiras casas do complexo e o dormitório ainda com restos do primitivo telhado.

Fotografia: © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Sondagem Refúgio dos Carris

Carris, 1 de Junho de 2008

Terminou a sondagem que este blogue levou a cabo durante algumas semanas relacionada com a criação de um refúgio de montanha nas Minas dos Carris.

A questão colocada na sondagem era a seguinte: "Concorda com a criação de um refúgio de montanha nas Minas dos Carris?". Os leitores podiam escolher entre três possíveis respostas: a) Sim, aproveitando as infra-estruturas existentes; b) Sim, construindo novas infra-estruturas; ou c) Não.

Tendo em conta que a sondagem não é uma sondagem científica e que em certas circunstâncias cada leitor poderia votar mais do que uma vez dependendo da alteração de IP, participaram nesta sondagem 247 pessoas. Os resultados foram os seguintes e estão representados no gráfico: 71,7% (177 votos)- Sim, aproveitando as infra-estruturas existentes; 2,4% (6 votos) - Sim, construindo novas infra-estruturas; 25,9 (34 votos) - Não. Temos então um total de 74,1% (183 votos) a favor da construção de um refúgio de montanha nas Minas dos Carris.


Assumindo que a maior parte dos leitores deste blogue tem um amplo interesse pela montanha e pela preservação da Natureza e do património nacional, penso que os resultados (mesmo moderados) não deixam qualquer margem para dúvidas.

A necessidade de um ou de vários refúgios de montanha na Serra do Gerês e no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) em geral, só não é óbvia a quem uma tendência levemente autista na convivência com os diversos grupos ou organizações que desfrutam do prazer da montanha e do nosso único parque nacional e que parece não compreender esta necessidade. Talvez se existisse um refúgio assinalado nas Minas dos Carris não tivesse ocorrido o caso que em Fevereiro passado foi tão mediaticamente divulgado como um grande pecado mortal e não tivéssemos assistido ao que todos nós vimos.

É altura de se começar a fazer uma certa pressão a quem é responsável por este tipo de decisões. Penso que não será somente o PNPG a decidir o que se deverá fazer e os diversos grupos e associações devem tomar a dianteira de se transformar as ruínas de Carris e outros na montanha como pontos de refúgio para aqueles que desfrutam da Natureza e que na sua presença a ajudam a preservar. Sendo um elemento secular, o Homem tem o seu papel a desempenhar na montanha como elemento de conservação.

A maioria dos que visitam Carris são parte deste número de pessoas que ajudam a preservar. Infelizmente nesta altura do ano vemos os milhares de pessoas que pontuam o Rio Homem com os seus farnéis de Domingo. São estas pessoas, na sua maioria visitantes sazonais, que sujam, destoem, matam, desclassificam o nosso parque nacional. Não vejo qualquer intervenção neste ponto e por tabela, aqueles que durante o resto do ano desfrutam da montanha e das paisagens que o parque nacional oferece, são os penalizados.

Vamos pensar nisto, vamos? Não é por nós... é por eles, os que hão-de vir!

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Gráfico: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 15 de julho de 2008

Notas históricas (XXXVII)

Carris, 30 de Abril de 1944

Já por diversas vezes aqui falei acerca da equipa de futebol e do campo de futebol que existia não muito longe do Salto do Lobo e da Corga da Carvoeirinha. Na altura algumas pessoas perguntaram se a equipa dos mineiros e trabalhadores das Minas dos Carris teria participado em algum torneiro distrital. Na verdade, não consegui encontrar qualquer dado acerca disso mas é muito provavel que tenham ocorrido alguns verdadeiros torneios.

A comprovar está a imagem que ilustra esta entrada. A taça que vemos está datada de 30 de Abril de 1944 e foi atribuída (ou oferecida) a José Rodrigues de Sousa na altura um dos futuros sócios fundadores da Sociedade das Minas do Gerês, Lda. que iria explorar as concessões mineiras ali existentes.

É mais uma prova do património relacionado com as Minas dos Carris que ainda se conserva. Um testemunho ao nosso passado que muitos ignoram (ou fazem por isso...).

Fotografia: © José de Sousa

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Limpar Carris? (II)

Carris, 16 de Março de 2008

No seguimento da primeira entrada neste blogue relacionado com este tema e após a boa impressão que esta iniciativa teve em muitos leitores, penso que podemos dar o passo seguinte na sua preparação.

Sendo uma actividade que requer uma boa preparação e uma melhor logística, acho que será útil levar a cabo uma reunião entre as direcções e responsáveis pelos diversos grupos ou associações que se queiram associar à iniciativa. O objectivo desta reunião seria o de estabelecer um plano de acção e elaborar uma carta para a direcção do Parque Nacional da Peneda-Gerês na qual se dará conta da intenção deste movimento de cidadãos. Por outro lado, teremos também de estabelecer uma data definitiva para a realização da iniciativa.

Eu dou a sugestão de a reunião / jantar (!) ser realizado nas Caldas do Gerês no dia 2 de Agosto. Compreendo que possa ser uma data não muito apropriada para algumas pessoas por já se encontrarem em período de férias, mas como a iniciativa poderá ter lugar em Setembro não há muito tempo para a preparar. Porém, e se houver uma opinião geral, esta reunião / jantar (!) pode ser marcado para outra data ou noutro local.

...agora falem vocês.

P.S. - ...pela fotografia pode-se ver que há muito trabalho a fazer!!!

Fotografia: © Rui C. Barbosa


domingo, 13 de julho de 2008

Escrever... Carris

Carris, 16 de Março de 2008

Passei o dia todo a procurar um tema para escrever sobre Carris. Não é que tenha falta de imaginação ou que a inspiração me falhe, felizmente ainda não cheguei a tal ponto, mas prefiro guardá-los para outros dias.

Sempre poderia procurar um facto histórico acerca daquele local, mas hoje tou preguiçoso. Já escrevi vários textos e voltei a apagá-los, caindo no anátema do esquecimento. Nestes textos falava em sensações que só se atingem quando se visita Carris e se percorrem os seus silenciosos espaços. Quando de visitam as suas ruínas ou se espreita para lá daquela parede na esperança se encontrar algo de especial sem no entanto nos apercebermos que estamos no meio de algo especial. Falava também da imensidão dos espaços e da grandiosidade das paisagens; do descanso no Penedo da Saudade aquecido pelo Sol da tarde ao mesmo tempo que uma leve brisa nos percorre a pele; da imensa escuridão dos poços das minas e do frio do ar que de lá sai; da curiosidade do que está escondido debaixo da terra, estórias de vidas que fazem a grande História daquele local; do adormecer lentamente embalado pelo cântico do vento no granito e sonhar sonhos de fantasia e liberdade; da amargura de ver algo a desaparecer enquanto que os que deveriam cuidar permanecem impávidos e não compreendem o porquê de muitos se preocuparem com aquilo tudo; da sensibilidade de um olhar ao observar as casas, as pedras, as formas únicas e belas de Carris. A sensação de ver a Nevosa, altaneira a meio caminho do horizonte, e ao longe as terras das Júnias.

É chegada a hora do descer...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sábado, 12 de julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Limpar Carris?

Carris, 8 de Julho de 2008

Com apenas quatro dias para terminar a sondagem relativa à construção de um abrigo de montanha nas Minas dos Carris, lanço aqui uma nova sondagem e um desafio a alguns grupos que costumam caminhar pela Serra do Gerês.

Como todos nós sabemos, a serra é percorrida por milhares de pessoas durante todo o ano mas a principal afluência dá-se nos meses de Verão. Este aumento do número de visitantes trás consigo diversos tipos de pessoas: há aquelas que preservam a montanha e há aquelas que a sujam e maltratam.

A sondagem que aqui lanço tem por objectivo saber se os visitantes deste blogue estariam dispostos a participar numa acção de limpeza da área das Minas dos Carris que seria proposta ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e que teria lugar em finais de Setembro ou princípios de Outubro. Penso que seria uma actividade interessante e que teria mais força de diversos grupos a propusessem em conjunto ao parque nacional.

Fica à vossa consideração...
Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 10 de julho de 2008

PNPG, PAN Parks e Carris

Carris, 8 de Julho de 2008

Partindo da sugestão do leitor Miguel Borges num comentário a uma entrada neste blogue no passado dia 19 de Junho, gostava de poder conversar com os restantes leitores acerca da entrada do Parque Nacional da Peneda-Gerês para a rede PAN Parks.

Vou começar por definir o que é um PAN Park utilizando um texto publicado pelo ICNB a 20 de Junho de 2008:

"O PAN Parks é uma iniciativa inovadora que visa a criação de uma rede das melhores áreas naturais, do Árctico ao Mediterrâneo. Fundada pela WWF, a fundação sem fins lucrativos PAN Parks tem como objectivo aumentar o conhecimento e ajudar a proteger algumas das mais importantes áreas naturais na Europa.

(...)

Entre os requisitos imperativos para a adesão de uma área protegida à rede PAN Parks destacam-se:

- Possuir uma área não inferior a 20.000 ha;
- Integrar uma wilderness zone (zona sem intervenção humana) com uma área mínima de 10.000 ha;
- Desenvolver uma política de gestão da visitação (plano de gestão de visitantes); e
- Programar, implementar e monitorizar uma estratégia de desenvolvimento do turismo sustentável.

Com a certificação PAN Parks é de esperar um incremento substancial do afluxo de turistas estrangeiros (nomeadamente do norte da Europa), pois irá permitir integrar o PNPG no roteiro dos grandes operadores turísticos especializados em turismo de natureza. Resulta, ainda, outro aspecto verdadeiramente importante que é a possibilidade de consolidar a estratégia deste Parque Nacional de se manter uma zona de Ambiente Natural sem qualquer intervenção humana, a qual poderá ser um verdadeiro banco de ensaio para se testar a sucessão ecológica, implementando o conceito de wilderness em Portugal. Acresce que a certificação PAN Parks é também uma certificação da gestão da área protegida. Como tal, pretende-se estabelecer uma bitola que idealmente se poderá estender a toda a Rede Nacional de Áreas Protegidas, servindo de benchmarking para a gestão que o ICNB leva a cabo nessa rede."

Com estes requisitos, pelo menos 14,2% da área do PNPG será dedicada à zona PAN Park. Sou sincero e digo que não tenho noção a que correspondem 10.000 ha. Por outro lado, sendo o Homem um elemento secular dentro da área do PNPG, mesmo na sua zona de ambiente natural com toda a sua protecção total, não consigo visualizar que área poderá ser designada de PAN Park e a única que me ocorre será a zona na Serra Amarela entre o Muro e a Portela do Homem (apesar de mesmo aqui podermos encontrar zonas com intervenção humana).

Na Serra do Gerês existem espaços amplos onde a intervenção do Homem é mínima (será que os trilhos também contam?), e esta é uma montanha que recebe inumeras visitas ao longo do ano.

Com os requisitos estabelecidos para o PAN Park, penso que a zona de Carris está excluída dessa área. Aqui, a intervenção humana foi muito forte e parece-me que a actual política do PNPG é deixar todas aquelas estruturas se detriorarem até ao ponto em que não sejam recuperáveis. Não querendo ser péssimista, penso que no futuro Carris voltará a ser um lugar com uma paisagem sem a memória do passado. Se por um lado isto é positivo, por outro perde-se a oportunidade de se criar estruturas de apoio aos visitantes que certamente irão aumentar pelo motivos referidos no texto do ICNB (porém, esperamos nós que não se transforme o PNPG num novo Algarve somente destinado aos turistas no Norte da Europa...).

Foi uma entrada simples... se quiserem está aberta a discussão...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Outros lugares de Carris (LVIII)

Carris, 8 de Julho de 2008

...Carris, 1508 metros de altitude.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Humano

Carris, 8 de Julho de 2008

...e porque estar em Carris nos transmite uma série de estados de alma e sensações que só são possíveis naquele lugar.

Um excerto da letra de "Humano" da autoria de Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro dos Mão Morta:

"(...) Não foi bem uma vista aérea, foi uma coisa estranha, como se estivesse em cima... (...)
Uma espécie de aldeia em miniatura, que eu percorria por dentro estando fora... (...)
É como se olhasse para as minhas botas e as visse dentro dos meus pés, apesar de calçadas... (...)
Era como se eu fosse maior do que o que sou - como se estivesse todo dentro de algo mais pequeno do que eu - dentro e fora em simultâneo, porque ao mesmo tempo que cabia lá dentro era maior do que aquilo em que cabia - uma espécie de ilusão física - de anulação do volume - ou de inibição do impossível - uma abstracção indizível... (...)"

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 8 de julho de 2008

121!

Carris, 8 de Julho de 2008

Uma nova caminhada até Carris... Comecei a subida um pouco mais tarde do que é habitual fruto da preguiça de ficar no leito mais uns minutos que se transformaram em duas horas. Seguindo o trilho clássico ao longo do Vale do Alto Homem, a característica que mais se salientava era o fulgoroso coberto vegetal que em certas partes do caminho o ocupa em quase 90%. Penso que isto se deve às condições meteorológicas favoráveis dos últimos meses e à quantidade de água que ainda existe na montanha, apesar de já surgirem leitos secos principalmente nos cursos mais pequenos.

A caminhada teve uma duração total (entre a Ponte sobre o Rio Homem e o Penedo da Saudade) de 2h 54m com os seguintes tempos:

12h05 - Ponte sobre o Rio Homem
12h20 - Abilheirinha
12h42 - Água da Pala
12h55 - Ponte do Cagarouço
13h10 - Febras
13h22 - Modorno (ponte)
13h30 - Modorno (saída)
13h51 - Teixo
14h04 - Águas Chocas
14h15 - Abrótegas
14h24 - Abrótegas (saída)
14h39 - Carvoeirinha
14h51 - Minas dos Carris
14h59 - Penedo da Saudade

A distância total entre a Ponte sobre o Rio Homem e o Penedo da Saudade foi de 8,85 km.

Após o almoço tardio fui visitar o Cantinho do Miguel e de seguida quiz inspeccionar o que ao longe me parecia um garrano em mau estado. Felizmente no local só encontrei um velho bidão enferrujado, daí a confusão (ou então estou mesmo a necessitar de óculos!).

De seguida a habitual passagem pela represa dos Carris e mais uma curta sessão fotográfica. Desta vez não passei pela zona industrial do complexo, mas uma observação a partir do Penedo da Saudade não mostrou alterações visíveis em larga escala.

Foi uma caminhada para desentorpecer as pernas tendo em conta duas grandes caminhadas previstas para a última semana deste mês e como tal não havia um objectivo definido logo ao princípio. Porém, ao observar a paisagem em torno da represa, depressa arranjei um e decidi visitar o Altar de Cabrões pois a última vez que lá estivera tinha sido nos anos 80! Iniciei pois a curta subida até ao Altar de Cabrões e há medida que me ia aproximando, tornava-se visível a fantástica paisagem que ia surgindo. Já no topo a imensidão dos espaços até ao Pico da Nevosa e o final da Garganta das Negras ocuparam a minha atenção durante largos minutos.

Para iniciar o (penoso) regresso fiz uma passagem por Carris (marco geodésico) e baixei quase até à entrada do complexo mineiro, rumando depois à Portela do Homem.

O dia esteve com céu pouco nublado por vezes com nuvens mais escuras sobre Carris. Vento fraco e uma temperatura a rondar os 22ºC.

Fotografias: © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 7 de julho de 2008

O caminho fantasma

Carris, 20 de Maio de 2008

Amanha, se tudo correr como previsto, vou percorrer um caminho fantasma. Uma estrada que não existe, um caminho para lugar nenhum... isto é, a ter em conta o que está representado neste mapa que é disponibilizado pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês aos automobilistas que por estes dias cruzam a Mata da Albergaria, verdadeiro pulmão do parque nacional.

Ao se analisar este pequeno mapa vemos as estradas que todos conhecemos naquela zona, mas escapa-nos o estradão de acesso aos Carris. Desta maneira, o Parque Nacional da Peneda-Gerês consegue em parte eliminar a curisodade dos visitantes que ao chegar ao local se deparam com um acesso que na maioria pensa somente dar passagem para as lagoas naturais ao longo do Rio Homem. Sim, estas lagoas aonde se pode ir percorrendo parte do caminho que nos leva a Carris e sem o perigo de serem abordados por uma farda familiar que altivamente os informaria de que estão a transgredir uma zona de protecção muito importante para aquela área protegida. Infelizmente, só os macabúzios que percorrem a serra em busca de paz e sossego e que transportam às costas o lixo dos outros no regresso é que são os indesejados...

Fotografia: © Parque Nacional da Peneda-Gerês

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (LVII)

Carris, 16 de Março de 2008

Carris é rico em paisagens únicas em Portugal e muitas vezes a sua imensidão faz-nos esquecer os pequenos detalhes...

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 6 de julho de 2008

Olhar o futuro

Pitões das Júnias, 6 de Julho de 2008

Alguns dias de descanso e este blogue volta à acção olhando para uma paisagem que espero voltar a ver brevemente: Carris visto a partir de Pitões das Júnias.

Certamente muitos terão sido aqueles que trabalhando em tempos passados nas Minas dos Carris, terão comtemplado tal paisagem... São muitas horas de caminho por um trilho que apesar de não ser difícil acaba no final por ser um pouco penoso.

Há medida que a pequena aldeia vai ficando para trás, entramos num mundo de fadas e duendes, num mundo de estórias de lobos, de nomes e locais singulares.

É assim a Serra do Gerês, local único neste nosso imenso Portugal...

Fotografia: © Rui C. Barbosa