Mostrar mensagens com a etiqueta Corga das Negras. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Corga das Negras. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Memória descritiva e justificativa da Mina da Corga das Negras n.º 1

 


A Mina da Corga das Negras n.º 1 era uma das concessões mineiras que compunham as Minas dos Carris. 

Situada na freguesia de Cabril, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, a Mina da Corga das Negras n.º 1 teve como seu primeiro Director Técnico, o Eng. de Minas Francisco da Silva Pinto, proposto a 7 de Julho de 1943.

O Plano de Lavra para esta mina é apresentado à Circunscrição Mineira do Norte a 5 de Julho de 1943, sendo referido que a mina pertencia à firma “Sociedade Mineira dos Castelos, Limitada”, então com sede no Porto, à Rua Fernandes Tomas, 749 – 1.º.

A localização da mina era dada como:

O ponto de partida é definido pelas coordenadas seguintes, referidas ao castelo de S. Jorge M= -91.200,00 e P= -344.650,00.

O ponto de partida está devidamente ligado à rede de triangulação do País, por intermédio das pirâmides geodésicas.

CARRIS.- M= -90.055,1 e P= -344.768,2.

LAMELAS.- M= -91.578,5 e P= -346.280,1.

MATANÇA.- M= -91.620,4 e P= -343.432,1.

A topografia da região era definida como "bastante acidentada" e os terrenos compreendidos na área do manifesto eram referidos "baldios" e onde "não existem culturas". De facto, a referência geológica indicava que a região não apresentava "nada extraordinário sobre o ponto de vista geológico, sendo exclusivamente uma região granítica."

O jazigo para o qual se apresentava o plano de lavra, era "constituído por aluviões de wolframite e nos quais também aparecem disseminados outros minerais que de um modo geral acompanham a sua formação." Pelas pesquisas então realizadas, "verificou-se que a média de altura dos depósitos aluvionares é de 1,5 metros sendo 0,80 a montante da linha de água e 2,50 para jusante. Os depósitos superficiais têm uma espessura de uns 0,20; segue-se-lhe inferiormente uma zona com, aproximadamente, 0,60 de estéril. Junto da rocha encontram-se aluviões mais ricos, com uma espessura de uns 0,30 seguindo-se-lhe superiormente uma zona com uns 0,40 cm de espessura que apresenta muito pouco minério."

As pesquisa realizadas constaram então na abertura de vários poços que se afundaram até atingir 0,10 metros na rocha-base.

O plano de lavra da Mina da Corga das Negras n.º 1 seria feito através da exploração do jazigo consistindo na abertura de valas distanciadas cerca de 25 metros umas das outras que seriam abertas de modo a atingir a profundidade da rocha-base. Estas valas avançariam normalmente à sua direcção e sempre à medida que se retirava a camada mineralizada. Ao mesmo tempo que se fazia o avanço, a parte estéril seria removida utilizando pás para trás, entulhando assim a parte desmontada. Logo que se começassem os trabalhos de desmonte retirava-se primeiramente a camada de terra arável, colocando-a de parte para que, tendo terminado o desmonte de uma faixa, se pudesse recobrir o terreno com ela. As terras mineralizadas era, na altura, sujeitas a uma lavagem em caleiras de modo a obter-se uma concentração suficiente. As terras eram transportadas até às caleiras em carrinhos de mão que de volta aos desmontes transportavam o estéril proveniente da lavagem, indo entulhar os vazios ainda existentes. Os concentrados obtidos eram transportados em muares até ao local denominado Albergaria e daqui por viaturas automóveis à oficina de tratamento que a Sociedade possuía na cidade do Porto. O aluvião a explorar abrangia uma área de 550 x 250 metros, o que com a profundidade média de 1,5 daria um volume de 206.250 m3 de material a trabalhar com um teor médio de 2%.

Na altura, as instalações mineiras existentes na concessão do Salto do Lobo ainda não estavam equipadas com uma Lavaria, referindo-se neste plano de lavra que a Sociedade tinha "em construção, um caminho que ligará Albergaria à sua concessão “SALTO DO LOBO”, pensa-se montar uma lavaria mecânica para tratar diariamente 60 a 100 toneladas, cujo projecto será apresentado, oportunamente."

Todo o transporte de tout-venant e estéril, que inicialmente seria feito em carros de mão, seriam posteriormente feitos o mais rapidamente possível, por material Decauville.

Referindo-se que o pessoal para os trabalhos mineiros "seria recrutado nas povoações mais próximas", era também indicado que a Sociedade Mineira dos Castelos possuía naquela zona, "várias minas cujos processos de concessão estão correndo os devidos tramites e que mais tarde serão objecto de um couto mineiro. Entre estas minas figura a concessão “SALTO DO LOBO” onde por agora se têm concentrado todas as edificações."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 14 de junho de 2022

Paisagens da Peneda-Gerês (MCCCVI) - História esquecida

 


História esquecida na Corga das Negras, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Paisagens da Peneda-Gerês (DCLVI) - "João Branco"


Uma águia-cobreira (por vezes curiosamente designada como "João Branco" e de nome cientifico Circaetus gallicus) peneira sobre a Corga das Negras, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 6 de janeiro de 2019

Vídeo "Minas dos Carris - Corga das Negras"


Este vídeo, publicado a 20 de Novembro de 2007, mostram alguns restos mineiros na Corga das Negras, local de uma das concessões das Minas dos Carris. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCLXXXI) - Pico da Nevosa e Corga das Negras


O Pico da Nevosa e a Corga das Negras, Serra do Gerês.

Paira o nada, mas numa leveza e subtilidade tais, que não nos suscita impressão de pequenez ou insignificância, pelo contrário, a paisagem é tão bela no seu conjunto, esbatido em profundas extensões, que nos dá a impressão de estarmos num maravilho (embora tosco) pedestal, denominado, em soberbo miradouro, este cantinho de Portugal.

Fotografia: © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Relatório de reconhecimento da mina da Corga das Negras n.º 1 em 1951


MINA DE WOLFRAMIO, ESTANHO E MOLIBDÉNIO 

“CORGA DAS NEGRAS nº 1”


RELATÓRIO DE RECONHECIMENTO

=========================

SITUAÇÃO, VIAS DE COMUNICAÇÃO E MORFOLOGIA DO TERRENO

A mina fica situada no local do mesmo nome, freguesia de Cabril, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, a cerca de 22 km da povoação Gerez (estancia termal), para Nordeste.

Está-se em plenas alturas geresianas, a altitudes entre 1250 e 1450 metros da nossa serra mais rude e áspera. Granitos em caprichosos e gigantescos afloramentos sucedem-se numa avalanche de múltiplas e variadíssimas feições topográficas, com ascendência característica da serra com profundas e íngremes ladeiras, encaixando tortuosos ribeirinhos, separados por altos picos. Por toda a parte uma vastidão de fantásticos blocos rochosos ora irregularmente distribuídos por altos e ladeiras, ora como que metodicamente sobrepostos simulando ciclópicos muros de insuperável protecção a baixios, por onde irrequietas e velozes águas se escapam a caminho de sossegadas regiões. Quando a erosão forçou à deposição de espessos depósitos nos baixios, constitui-se o que lá se chama “lamas” (extremamente frio, com neves mais ou menos duradouras). A este conjunto desolador acrescenta-se o imenso e profundo silêncio da inactividade, da quase total esterilidade nestas alturas onde em extensas áreas não existe uma árvore nem se vê uma ave.

Paira o nada, mas numa leveza e subtilidade tais, que não nos suscita impressão de pequenez ou insignificância, pelo contrário, a paisagem é tão bela no seu conjunto, esbatido em profundas extensões, que nos dá a impressão de estarmos num maravilho (embora tosco) pedestal, denominado, em soberbo miradouro, este cantinho de Portugal.

Da mina a Braga (centro importante mais próximo) são cerca de 72 km, sendo: 22 km da mina ao Gerez, por estrada em parte municipal (1º troço a partir do Gerez), outra parte florestal (troço seguinte) e, finalmente, mineira, construída pela requerente (último troço).

Braga (já de si um centro importante) tem fáceis ligações com os principais centros industriais e de exportação do país.

GEOLOGIA

Granitos de vários tipos, são as rochas da região. Vimo-las de grão grosso, médio e fino, de duas micas ou só de uma delas. Predominam, no entanto, os granitos biotítos de grão médio e grosso, estes frequentemente porfiróides, Regra geral são granitos róseos, cujo tom varia com a percentagem dos feldspatos dessa cor. Alguns autores vêm nesta coloração dos granitos um indício favorável, quase certo, da existência de minerais uraníferos. Infelizmente, na Serra do Gerez ainda não foram identificados e, quanto a nós, supomos que tal regra não seja confirmada nesta região, a não ser por possíveis ocorrências raras. Aliás não encontramos explicação de qualquer dependência genética entre aqueles minerais (feldspatos róseos e minerais uraníferos).

São nítidos os planos de disjunção sobre duas direcções principais normais entre si: cerca de N-S e E-W.

É de crer que, a avaliar pela grande extensão dos afloramentos graníticos e pela rudeza da estrutura da serra, a erosão tenha aqui penetrado profundamente. A abundância de grandes blocos soltos e espalhados por quase toda a serra é disso um testemunho. A intensa arenização representada por grossos grãos de quartzo e feldspatos, filiam-se nos mesmos fenómenos.

Ainda notória escassez de formações filoneanas, denotando, evidentemente, uma fraquíssima acção tectónica no sentido da profundidade, parece sugerir que houve grandes deslaces dos níveis superiores primitivos, rebaixados até ao presente nível topográfico, inicialmente muito afastado do campo daquelas acções.

Um interessantíssimo sistema de filetes, sensivelmente paralelos, mineralizados por volframite, cassiterite e molibdenite parecem representar os únicos vestígios de jazigos deste tipo, tão comuns na bordadura deste maciço granítico. Tais filetes, com andamento de muitas centenas de metros, são nitidamente visíveis próximo das alturas de Carris, Castanheiro, etc. Visto de plano superior dão a ideia de longos cordões, cingindo os afloramentos graníticos, em malha mais ou menos apertadas. Essas alongadas protuberâncias marcam, em escala reduzida, as cristas filoneanas de grandes elevações. O seu material, mais duro e resistente á erosão, persiste, impondo as leis desta microrogenia.

Os depósitos modernos são raros, sendo os elementos clásticos muito heterogéneos. As pequenas áreas aluvionares cobrem normalmente, apertados leitos evidenciando, em mais ou menos extensa desnudação, grandes blocos graníticos. Noutros casos, nos meandros de suaves dobras das alturas, sempre de extensão reduzida (nesta serra não se vêem áreas planálticas), também há alguns retalhos aluvionares.

TRABALHOS

A lavra nesta mina foi reduzida e irregular. Todos os trabalhos nos filões interessam pequenos volumes. São a céu aberto, constituídos por cortas e pequenos poços. A parte aluvionar foi mais intensamente trabalhada, mas, mesmo assim, cremos que, devido à desorganização desta exploração, ainda há bastante minério perdido em áreas tidas por exploradas e noutras, então dadas sem valor.

DESCRIÇÃO DO JAZIGO

1º) Parte filoneana

Há um sistema de filetes com características médias próximas de:

d = N-S
i = ± 90º
p = ± 0,01 m.

Seguem-se ao longo de centenas de metros. O conjunto conta mais de uma dezena de unidades, ora juntas com estreita faixa, ora dispersas em grandes volumes. Quando caminham cerrados, dentro de uma secção inferior a um metro, tudo se passa como se o conjunto representasse um único filão com possança igual à soma da possança dos filetes. À medida que tal largura vai aumentando os inconvenientes da dispersão aumentam até constituírem, só por aí, motivo impeditivo a uma lavra económica. Na área da concessão ambos os casos se verificam.

A mineralização útil é essencialmente constituída por volframite.

A cassiterite e a molibdenite ocorrem em muito menor quantidade. A percentagem destes minerais deve ser cerca de: volframite 80%, cassiterite + molibdenite, 20 %.

A volframite ocorre disseminada em toda a matriz filoneana. A cassiterite e a molibdenite encontram-se, normalmente, junto e nos encostos, constituindo, por vezes, conjuntamente com feldspatos, quartzo e alguma mica, em forro, como que almofadando o granito.

O calibre dos respectivos agregados cristalinos são variáveis, mas predominam os superiores a 0,5 cm para a volframite e cassiterite; a molibdenite ocorre em lâminas, em que os agregados de aspecto tabular (micáceo), por vezes, agrupam-se sob conjuntos estrelados. São vulgares placas com mais de 0,5 cm de diâmetro. 

Em facturas com 1 cm (e menos, quantas vezes) foi fácil o enchimento total, ou quase, por volframite. Isto, porém, não representa mais do que o condicionamento especial da cristalização da volframite (e dos outros minerais) às especiais características da estrutura das fracturas. Assim se explicam as tais “bolsadas em placas” das minas do Gerez.

O teor da mineralização das substâncias úteis é bastante variável nos filetes. No entanto, até aos níveis atingidos pela exploração, de um modo geral os seus valores devem situar-se acima dos habituais, tomados relativamente ao material filoneano. Tomados, porém, relativamente ao tout-venant ou m2 de superfície de filete, tais valores são, regra geral, muito baixos para cada filete, de modo a tornar proibitiva a sua exploração individual.

Já dissemos, os filetes armados em estreitas faixas, tem andamento mais ou menos paralelo. Quando são vários a entrar na secção de um trabalho mineiro (secção de galerias, altura de desmontes) tudo se passa como se houvesse redução do conjunto a um só. Portanto, o que determina o valor industrial do sistema é a malha de distribuição dos diferentes filetes.

Embora por vezes a distância entre traços horizontais dos filetes, por vezes, não ultrapasse os 5 cm, não são muito vulgares os cruzamentos por mudanças de direcção. Pelo contrário, verificam-se muitas vezes as intercepções por variação de inclinação. Claro que em tais casos verificam-se, correntemente, apreciáveis enriquecimentos, não só por aumento do teor como também por aumento de possança (superior ao somatório das individuais). A maior parte dos belos exemplares de minério do Gerez são provenientes de cruzamentos.

Simplesmente como nota ocasional informamos que num local de exploração da mina “Salto do Lobo” (mina dos Carris, mais conhecida) que visitamos nesta altura, apesar de o rendimento operacional ser relativamente baixo, o rendimento da produção era elevado, representado por cerca de 2 kg de concentrados por homem – relevo. Tal sucesso deve-se exclusivamente ao facto de o teor de mineralização nessa parte do jazigo ultrapassar, seguramente, os 15 kg/m2. Numa secção com menos de 0,60 m de largura corta 10 filetes.

Já, atrás, denunciamos a nossa escassa esperança de o jazigo se continuar em profundidade, mas simples dezenas de metros abaixo dos níveis de exploração actuais com as mesmas características. Em nossa opinião, justifica-se, mesmo, um certo pessimismo sobre este assunto. No entanto, o futuro o dirá e mais uma vez fazemos votos pela injustificação da nossa previsão.

Nesta mina identificamos um sistema de filetes com as características gerais indicadas, mas em que se nota certa dispersão de filetes e uma possança média talvez inferior á citada.

2º) Parte aluvionar

Resultantes deste tipo de jazigo são muito vulgares os depósitos aluvionares de apreciável valor. Compreende-se que do desgaste de muitos filetes, bem mineralizados, mesmo sem interesse individual por dispersão (caso mais vulgar) do sistema, resulte um depósito rico.

Explorações da última guerra mundial provaram tal facto, pois houve explorações com rendimento superior a 20 kg/ton nos sítios ricos e rendimento superior a 2 kg/ton no restante da maioria dessas lamas.

Apesar da extensão destas explorações quer pelo primitivo dos métodos utilizados, quer por carência de meios e principalmente devido à manifesta desorganização de serviços, cremos que ainda restam apreciáveis áreas cobrindo interessantes depósitos aluvionares.

No caso desta mina, precisamente, somos de opinião de que tem mais valor a parte aluvionar do que a filoneana.

GENESE

A génese do jazigo está ligada à intrusão do batólito granítico que aflora na região.

Na última fase de consolidação do magma, durante o arrefecimento dar-se-ia a fracturação, talvez por contracção. Tais fracturas, seriam de reduzida amplitude e interessariam pequenos volumes, circunscritos a zona periférica da massa granítica (outros factores poderão explicar a origem das fracturas), magmas residuais graníticos do tipo pegmatítico penetrariam as fissuras, em especial cristalizando sobre as paredes. A estreita parte central seria essencialmente preenchida por um núcleo quartzoso. As soluções hidrotermais mineralizadas de volframite entrariam no venulo central, ao passo que a cassiterite cristalizaria junto dos encostos, num meio tipicamente pegmatítico. Em fase mais adiantada soluções hidrotermais penetrariam junto dos encostos e aí cristalizariam molibdenite. Deste modo teríamos uma secessão pegmatítica: cassiterite, volframite e molibdenite.

A cassiterite pertenceria à fase mais quente, substituindo os primeiros elementos magmáticos (especialmente feldspatos); a volframite seria uma fase seguinte substituindo também elementos de matriz pegmatítica ou fazendo parte de um enchimento hipotermal de uma finura não totalmente preenchida ainda. A molibdenite seria a última, conduzida segundo linhas de penetração fácil, encostos, etc.

O aspecto especial das ocorrências de molibdenite dá vem a ideia de uma pigmentação das superfícies em contacto dos filetes e rocha encaixante (tanto o granito como os filetes apresentam-se mineralizados nessas superfícies de contacto).

Da destruição dos filetes e posterior concentração natural resultaria os depósitos aluvionares.

VALOR INDUSTRIAL

Do exposto se deduz que somos de parecer que a parte do jazigo contida nesta mina tem valor industrial para ser objecto de concessão definitiva.

PLANO DE LAVRA

O plano de lavra aprovado para a concessão provisória ainda se adapta á parte do jazigo que interessa (parte aluvionar). Se a concessionária pretender estender a exploração à parte filoneana, deverá apresentar o respectivo plano de lavra.

DEMARCAÇÃO

Modificou-se a demarcação provisória de modo a fazer um melhor aproveitamento do jazigo.

CONCLUSÃO

Atendendo a que somos de opinião que:
1º O jazigo tem valor industrial para ser objecto de concessão definitiva;
2º O plano de lavra aprovado ainda se adapta às características da parte do jazigo que interessa;
3º Tudo quanto interessa à conversão em definitiva da concessão provisória está em ordem;

Somos de parecer favorável ao pedido do requerente.

O alvará de concessão n.º 4992 é publicado no Diário do Governo a 20 de Dezembro de 1952.

____

Esta é uma transcrição integral do Relatório de reconhecimento da mina da Corga das Negras n.º 1 em 1951 extraída do livro "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês" (Rui C. Barbosa, Dezembro de 2013).

Fotografia: © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Paisagens da Peneda-Gerês (CCVIII) - Cascata das Negras


A Cascata das Negras esconde-se no fundo da Garganta das Negras, Serra do Gerês, logo abaixo do que resta da concessão mineira da Corga das Negras II que fazia parte das Minas dos Carris.

Fotografia: © Rui C. Barbosa (todos os direitos reservados)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Plano de lavra da Mina da Corga das Negras 1 em 1943


O que hoje conhecemos como Minas dos Carris é um complexo mineiro composto por várias concessões sendo as mais importantes a Mina do Salto do Lobo, a Mina de Lamalonga n.º 1 e a Mina da Corga das Negras 1.

A Mina da Corga das Negras 1 representava um jazigo constituído por aluviões de volframite e nos quais também apareciam disseminados outros minerais que de um modo geral acompanhavam a sua formação. Pelas pesquisas realizadas, verificou-se então que a média de altura dos depósitos aluvionares era de 1,5 metros sendo 0,80 a montante da linha de água e 2,50 para jusante. Os depósitos superficiais tinham uma espessura de uns 0,20, seguindo-se-lhe uma zona com aproximadamente, 0,60 de estéril.

O plano de lavra para a Mina da Corga das Negras 1 foi apresentado a 7 de Julho de 1943 pelo então pelo Director Técnico, Francisco da Silva Pinto.

"A exploração do jazigo consiste na abertura de valas distanciadas cerca de 25 metros umas das outras e que serão abertas de modo a atingir a profundidade da Rocha-base. Estas valas vão avançando normalmente á sua direcção e sempre à medida que se retira a camada mineralizada.

Ao mesmo tempo que se faz o avanço a parte estéril é removida à pá para trás entulhando assim a parte desmontada. Logo que se começam os trabalhos de desmonte retira-se primeiramente a camada de terra arável, colocando-a de parte para que, tendo terminado o desmonte de uma faixa, se possa recobrir o terreno com ela. As terras mineralizadas são, por agora, sujeitas a uma lavagem em caleiras de modo a obter-se uma concentração suficiente. As terras são transportadas até às caleiras em carrinhos de mão que de volta aos desmontes transportam o estéril proveniente da lavagem, indo entulhar os vazios ainda existentes. Os concentrados obtidos serão transportados em muares até ao local denominado Albergaria e daqui por viaturas automóveis à oficina de tratamento que esta Sociedade possui na cidade do Porto.

Abrange o aluvião uma área de 550 x 250 metros o que com a profundidade média de 1,5 dá um volume de 206.250 m3 de material a trabalhar com um teor médio de 2%.

Tem esta Sociedade, em construção, um caminho que ligará Albergaria à sua concessão “SALTO DO LOBO”, pensa-se montar uma lavaria mecânica para tratar diariamente 60 a 100 toneladas, cujo projecto será apresentado, oportunamente."

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

191... De Penedem aos Carris, até Xertelo (II)

Carris, 27 de Dezembro de 2012

Mesmo quando se regressa pelo mesmo caminho, a distância é sempre maior do que na ida pois pousa em nós o sentimento do que fica para trás.

Depois do almoço e do retemperar forças por entre as ruínas das Minas dos Carris, era chegada a hora do regresso. Entretanto, um outro rebanho de cabras selvagens havia feito a sua aparição proveniente dos lados do marco geodésico dos Carris. Este rebanho aparentava ser mais pequeno do que o anterior, mas da mesma forma constituiu uma visão única da vida selvagem na Serra do Gerês.

O regresso a Xertelo seria feito por um trajecto diferente do anterior. Caso tivéssemos de regressar a Penedem, esperava-nos uma longa e «chata» caminhada através do estradão. Assim, optamos por regressar pelo Castanheiro e depois seguir por Chã de Suzana. Saímos dos Carris passando pela represa que se encontrava cheia de água, apresentando o seu muro algumas fissuras por onde saiam pequenos fios de água. Daqui, descemos para o topo da Garganta das Negras e depois seguimos o velho carreiro até atingir os Currais das Negras passando pelas velhas concessões mineiras ali existentes e testemunhadas pela presença de escombreiras. Nesta altura, surgiram três caminheiros lá no alto que se fizeram notar pelos gritos que ecoaram na montanha.


Os Currais das Negras estavam todos alagados pelas águas das recentes chuvas. Daqui o carreiro levou-nos a percorrer o topo da serrania até nos levar à vista dos Currais da Matança depois de passar pelo misterioso marco triangulado (da Biduiça?). Esta passagem evita que tivéssemos de descer até àqueles currais para voltar a subir até atingir o caminho na crista que nos levaria ao Castanheiro passando pelo Alto do Moreira. Esta parte do percurso faz-se através de um nada de paira por aquelas paragens. A paisagem, vítima de um incêndio há alguns anos, faz-nos lembrar uma magnífica desolação coroada pelos picos serranos que se vão revelando a cada passo que vamos dando. No fundo dos vales, as cascatas invernais fazem o ruído da água corrente que nos vai acompanhando com um som de fundo que se esmorece à medida que a distância se aumenta.

Subimos ao Castanheiro pela sua face Oeste e enquadramos o seu marco triangulado com o Pico da Nevosa que lá longe começava a ficar coberto pelas nuvens negras que trariam a noite. Saímos do Castanheiro seguindo os velhos trilhos até apanharmos o trilho da vezeira assinalado por grandes mariolas Para trás fica a Corga da Fecha do castanheiro e a Corga do Gargalão, até atingirmos a grande mariola de Chã de Suzana e daqui seguindo pelo estradão até Xertelo. À chegada a Xertelo ficou-nos a satisfação de ver o velho fojo do lobo recentemente descoberto pela limpeza de matos que ali se fez...




























Fotografias: © Rui C. Barbosa