sexta-feira, 28 de setembro de 2007

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Uma homenagem

Carris, 24 de Julho de 1955

...uma homenagem ao Condor.

© Artur Batista

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Notas históricas (VIII)

Carris, 19 de Maio de 2007

A 20 de Abril de 1943 é feito um requerimento à Iª Circunscrição Florestal da Direcção-Geral dos Serviços Florestais, para reparação e melhoramento do caminho no Vale do Homem desde Albergaria. A autorização é concedida a 19 de Maio e emitida a 24 de Maio. A 16 de Junho é autorizada a utilização do caminho Leonte – Albergaria por despacho emitido a 22 de Junho. Os trabalhos desenrolam-se com 1000 operários no período máximo de actividade e em 3 meses são melhorados 6200 metros de caminho.

Fotografia © Rui C. Barbosa

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Próxima caminhada às Minas dos Carris

Carris, 28 de Fevereiro de 2006

Deverei visitar as Minas dos Carris no próximo dia 27 de Setembro para tentar fotografar o interior do Salto do Lobo pois foi aqui onde se iniciaram as primeiras prospecções de minério em Carris.

Entretanto solicito que me enviem as vossas fotografias dos Carris. A História das Minas dos Carris conta-se por palavras mas também por imagens. Este blog é um primeiro passo para tentar escrever a História das Minas dos Carris, História essa que todos nós podemos ajudar a escrever. Para tal peço a quem tiver registos fotográficos sobre as Minas dos Carris que me enviem as suas fotografias para assim ajudar a escrever uma parte da nossa História que ainda se mentém escondida. Todos os direitos serão reservados aos autores das fotografias que poderão ser utilizadas aqui neste blog ou em trabalhos posteriores.

Fotografia © Rui C. Barbosa

domingo, 23 de setembro de 2007

Minas dos Carris: Poluição - Sistema fluvial do Rio Cabril.

Carris, 6 de Abril de 2007

Ao percorrer as ruínas das Minas dos Carris o visitante pode facilmente observar o resultado de mais de 30 anos de abandono. Quando chegamos à zona industrial do complexo detectamos de imediato um forte cheiro ácido seguramente resultante da anterior exploração do minério nas diferentes concessões dos Carris. É legítimo ao visitante questionar se aquelas lamas abandonadas não serão por si só uma forte fonte de poluição do meio ambiente. Facilmente se constata uma certa esterilização de parte dos solos onde a escorrência de águas é abundante ao longo de quase todo o ano.

Já tive a oportunidade de fazer uma recolha de material de um local de depósito, mas infelizmente ainda não tive a oportunidade de obter uma análise do mesmo. Tentarei fazê-la o mais breve possível...

No entanto irei citar aqui a conclusão de um relatório sectorial intitulado 'Avaliação de Índices Geológicos das Qualidade Ambiental do Sistema Fluvial do Rio Cabril' (Valente T, Lima F., Leal Gomes C. (coordenador) (Universidade do Minho, 2000)). O Rio Cabril obtém as suas águas com a junção de vários cursos fluviais nomeadamente: Ribeira das Negras, Ribeiro do Penedo, Ribeiro do Couce, curso fluvial da Corga do Vitelo, curso fluvial da Corga das Quebradas, curso fluvial da Corga da Pena Calva e curso fluvial da Corga do Sabroso que por sua vez obtém as águas dos ribeiros que fluem do Barroco de Trás da Pala e da Corga de Lamalonga.

O relatório sectorial acima referido conclui que: " Em termos geológicos o sistema fluvial do Rio Cabril pode ser considerado um sistema indicador da qualidade ambiental, ao nível das águas de escorrência, e contaminações físicas e químicas de origem antrópica. Este estatuto decorrer das seguintes características específicas: a) apresenta uma disposição transversal à zonografia do PNPG, numa das suas áreas mais características e sujeitas ao estatuto de protecção mais restritivo; b) estão instalados e desenvolvem-se ao longo do seu percurso os focos de impacte ambiental mais significativos da área protegida - intervenção extractiva dos Carris, assoreamento do subsistema de Marinho.

A partir da análise dos diferentes materiais geológicos o sistema pode considerar-se tendente para o equilíbrio anterior à instalação da industria mineira. A pedogénese e vegetação começam a fixar os materiais não consolidados da Corga da Lamalonga e os efeitos de drenagem ácida e sulfatada tendem a dissipar-se nas proximidades das lavarias. Assim actualmente os índices geológicos permitem qualificar o sistema no domínio da boa qualidade ambiental - própria de ambientes serranos despovoados. desde que não exista outra intervenção sobre o sistema, o que é coerente com o estatuto de área protegida, a evolução natural tenderá a impor gradualmente o equilíbio anterior à mina."

Fotografia © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Dos Carris ao Pico da Nevosa

Carris, 18 de Março de 2007

Estando nas Minas dos Carris, uma das paisagens mais imponentes que se observa é sem dúvida o Pico da Nevosa. Do alto dos seus 1556 metros a paisagem é espectacular e merece bem a curta caminhada desde Carris.

28 Fevereiro 2006

20 Dezembro 2005

19 Setembro 2004

15 Abril 1993

Fotografias © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Notas históricas (VII)

Santa Marinha de Ferral, 15 de Setembro de 1942

Após a descoberta de volfrâmio por inspecção do solo na zona do Salto do Lobo em Junho de 1942, assistiu-se a uma verdadeira guerra de concessões com duas partes a tentarem reclamar a prospecção do ouro negro naquela área.

Em certa altura chega-se a assistir a uma batalha de designações com uma das partes atentar obter atestados por parte de pessoas influentes do Gerês. Várias recusaram-se a passar tais atestados, tal como aconteceu com o padre Domingos Dias d'Azevedo Ribeiro, pároco da freguesia de Santa Marinha do Ferral, concelho de Montalegre.

© (Não está permitida a reprodução deste documento); Edição: Rui C. Barbosa

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Valores

Carris, 27 de Janeiro de 2007

Porque há valores que nos unem...

Fotografia © Miguel Grilo

Outros lugares de Carris (XXIII)

Carris, 27 de Janeiro de 2007

...as imagens únicas proporcionadas por um dia de Inverno nos Carris.

Fotografia © Rui Salsa

Uma chegada a Carris

Carris, 27 de Janeiro de 2007

Com 110 caminhadas até às Minas dos Carris é difícil dizer qual delas me marcou mais... Bom, pode não ser assim tão difícil, pois apesar de não me lembrar do momento em que pela primeira vez cheguei aos Carris no já longínquo mês de Setembro de 1989, a 100ª chegada aos Carris sem dúvida que é inesquecível.

É um momento para a História... pelo menos para a minha!

Fotografia © Rui Salsa

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Voar...

Carris, 28 de Janeiro de 2007

Como que por uma visão turva, caminha-se por entre as ruínas há muito abandonadas...

O vento, suave, parece por vezes trazer o murmúrio que rompe o profundo silêncio que brota do interior da terra, uma renovação.

...dali já não vem luz, mas o passeio encontra-se iluminado por uma luminescência ténue... o fugaz tempo de uma memória que se vai perdendo, lentamente...

Ao longe parecem surgir vultos curvados do passado, caminhando penosamente em direcção às casas destelhadas e sem janelas... da chaminé sai um fumo de uma lareira apagada, um clarão vermelho numa parede que se desvanece quando para lá fitamos o nosso olhar...

O silêncio em torno de mim é mais alto que o ensurdecedor ruído das máquinas, o tempo parece mais próximo com o passar dos anos, o frio é mais intenso por entre as sombras que se projectam com os últimos raios do luar...

Carris está novamente sozinho, não açoitado pelos sonhos de riqueza dos homens...

Fotografia © Miguel Grilo

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Tempos difíceis...

Carris, 6 de Agosto de 2006

Tive a oportunidade de conhecer um antigo guarda fiscal que me contou algumas estórias da sua longa vida. Nos dias em que a vida era um pouquinho mais complicada do que agora, nos dias onde a fala não era livre e o amigo podia ser um bufo ao serviço da PIDE, tentava-se sobreviver. Passando muitos meses de serviço na Portela do Homem, esse guarda fiscal tinha por vezes como função vigiar a quantidade de minério que do interior da Terra os mineiros dos Carris extraíam.

Por vezes era difícil atingir as quotas impostas pelo omnipresente estado e a solução encontrada era o contrabando vindo das Minas das Sombras na vizinha Espanha. Vigiando todo o carregamento, havia sempre o cuidado de não deixar adicionar mais minério ao longo do caminho.

Eram tempos difíceis esses de há 60 anos atrás...

Fotografia © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Outros lugares de Carris (XXII)



Carris, 11 de Fevereiro de 2002

A entrada da concessão da Garganta das Negras é a menos conhecida entrada para as galerias e é a única com uma protecção que impede o acesso.

Fotografia © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Plano de ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês (ACTUALIZAÇÃO!)

Para os interessados aconselha-se a leitura atenta do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Atenção que o que está disponível é só um resumo do Plano se o quiserem ver na totalidade podem consultar aqui; sem dúvida que é uma leitura interessante... Notem que o Plano de Ordenamento está aprovado e publicado em Diário da República e que decorre a sua interessante revisão!!!

Quem não gostar que faça barulho nos locais devidos, mas que grite bem alto senão não o ouvem!!!!

Para vosso deleite podem podem também ver as figuras da Carta de Desporto de Natureza (do PNPG).

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Notas históricas (VI)

Carris, 22 de Junho de 2003

Para a História das Minas dos Carris fica esta concessão atribuída a Domingos da Silva Lda para a exploração do Salto do Lobo e publicada no Diário do Governo a 29 de Outubro de 1941.

Fotografias © Rui C. Barbosa

E para vocês, uma pérola do nosso funcionalismo público!!

Hoje dirigi-me a uma entidade em Braga relacionada com a protecção do nosso património natural e cultural. O meu objectivo era tentar me encontrar com uma determinada pessoa. Depois de me dirigir à recepção reparei que já se encontrava fechada. Eram 17h35, teria fechado às 17h30...as luzes já estavam apagadas e os computadores bem desligados... bom estão no seu direito, horários são para se cumprir...

Decidi tentar a minha sorte indo directamente à casa, ao edifício (!), ao lado... Eis o breve diálogo depois de subir umas escassas escadas em pedra...

- Minha pessoa: "Boa tarde! Desculpe, será possível falar com o D...?"
- Membro da entidade: "Boa tarde! Não sei vou ver se ele está!..."

(Um tempinho de espera... curto!)

- Membro da entidade: "Olhe? Tem encontro marcado com o D...?"
- Minha humilde pessoa: "Ah! Pois, ...humm não!"
- Membro da entidade: "Ah! Então não está!!
- Minha estupefacta pessoa já com um leve sorriso nos lábios: "Pronto, Ok! Eu voltarei noutro dia... Obrigado, sim?!!"

Fantástico, uma pérola do nosso funcionalismo público...

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Possível interpretação do processo de obtenção do tungsténio / volfrâmio nas Minas dos Carris

Carris, 18 de Agosto de 2007

Do leitor Carlos Araújo recebi uma possível interpretação da obtenção do tungsténio / volfrâmio nas Minas dos Carris. Com a sua devida autorização reproduzo aqui o seu texto...

Primeira fase - minério retirado das minas.
Segunda fase - separação por qualidade, moagem e trituração. Processo de lavagem realizado na lavaria da mina.

Terceira fase - tratamento por processos químicos.

Reacção química com ácido clorídrico (HCl) produzindo ácido túngstico (H2WO4). Dissolução em amónia e evaporação. Obtenção de cristais de amónia paratungstato. Redução por fases, com carbono e hidrogénio em fornalhas rotativas, obtendo-se volfrâmio em pó.

Esquema básico da fornalha:


A utilização de ácido sulfúrico na reacção química será responsável pelo aparente cheiro e poluição presente no local.

Fotografias © Rui C. Barbosa; Esquema da fornalha: Carlos Araújo

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Flora e vegetação na zona dos Carris

Carris, 22 de Abril de 2007

Como será do conhecimento geral, ou pelo menos há alguém que assim o pensa, a zona dos Carris está localizada numa área sensível do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Sendo uma área de protecção especial, esta zona alberga um grande número de espécies vegetais importantes para aquele habitat.

Baseado em dados do Parque Nacional da Peneda-Gerês, segue uma lista da flora vascular da zona das Minas dos Carris. Nesta zona dominam os matos baixos e as comunidades rupícolas. Nos matos destacam-se os urzais-tojais higrófilos (habitat prioritário 4020), e nas clareiras os cervunais (habitat prioritário 6230) e prados oro-ibéricos de Festuca indigesta (habitat 6160). Ao nível das comunidades rupícolas destacam-se os tomilhais de Thymus caespititius (habitat 8230) e as comunidades orófilas de caldoneira (Echinospartum ibericum) (habitat 4090):

Agrostis hesperica Romero Garcia, Blanca & Morales Torres
Amelanchier ovalis Medicus
Antinoria agrostidea (DC.) Parl. for. natans Hackel
Armenia humilis (Link) Schultes subsp. humilis
Arnica montana L. subsp. atlantica A. Bolós
Aveluna sulcata (Boiss.) Dumort. subsp. sulcata
Calltriche stagnalis Scop.
Calluna vulgaris (L.) Hull
Carex asturica Boiss.
Carex Binervis Sm.
Conopodium majus (Gouan) Loret
Danthonia decumbens (L.) DC.
Echinospartum lusitanicum (L.) Rothm. Subsp. lusitanicum
Erica tetralix L.
Festuca indigesta Boiss. subsp. indigesta
Festuca summilusitania Franco & Rocha Afonso
Fritillaria lusitanica Wikstrom
Genista micrantha Ortega
Gentiana pneumonanthe L.
Holcus gayanus Boiss.
Hyacinthoides hispanica (Miller) Rothm.
Hypochoeris radicata L.
Juncus bulbosus L.
Juncus squarrosus L.
Lotus corniculatus L.
Micropyrum tenellum (L.) Link
Minuartia recurva (All.) Schinz & Thell.
Molineriella maevis (Brot.) Rouy
Molinia caerulea (L.) Moench
Nardus stricta L.
Ornithogalum concinnum (Salisb.) Coutinho
Potentilla erecta (L.) Raeusch.
Ranunculus ololeucos Lloyd
Rumex acetosella L. subsp angiocarpous (Murb.) Murb.
Scilla monophyllos Link
Sedum anglicum Hudson
Sedum brevifolium DC.
Serratula tinctoria L. subsp. seoanei (Willk.) Lainz
Thymelaea broteriana Coutinho
Thymus caespititius Brot.
Ulex minor Roth
São muitas as espécies existentes naquela santuário natural que merece todo o nosso respeito como presente para as gerações vindouras.

Fotografia © Rui C. Barbosa

domingo, 9 de setembro de 2007

A outra margem...

Carris, 19 de Maio de 2007

...a outra margem da represa dos Carris, há sempre um bom motivo para lá ir!...

Fotografia © Carlos Costa

sábado, 8 de setembro de 2007

Notas históricas (V) - Éditos de concessão

Carris, 22 de Fevereiro de 2004

Para a História ficam os seguintes Éditos de Concessão publicados na edição do dia 9 de Junho de 1947 do jornal O Século.

Estes éditos referem-se às concessões mineiras Lamalonga n.º 1, Lamalonga II, Lamalonga III, Pinhedo e Cidadelhe, todas situadas na Serra do Gerês e as três primeiras pertencentes às Minas dos Carris.

Fotografias © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Carris, orónimo

Carris, 18 de Março de 2007

É uma pergunta clássica, porque é que um lugar no meio de uma serra tem o nome de "Carris"? Bom, a explicação pode parecer simples se previamente soubermos que perto desse lugar (um dos pontos mais altos da Serra do Gerês) existiam umas minas de volfrâmio. A ligação é quase instantânea, chama-se Carris por causa dos carris dos vagões de minério! Nada mais errado!

É legítimo perguntar porquê, porque é que está errada esta associação? Bom, pelo simples facto de que o orónimo "Carris" já existir nesse lugar muito antes do primeiro pedido de direitos de concessão para a exploração de minério levado a cabo por Domingos da Silva a 24 de Junho de 1941. Este pedido refere-se a uma zona denominada Salto do Lobo. Entretanto, a 11 de Julho de 1941, José Maria Gonçalves de Freitas faz solicitação semelhante para uma zona que denomina como "Carris e Salto do Lobo". Fica assim provado que o orónimo "Carris" é anterior à exploração mineira naquela zona.

Bom, então qual a sua origem? Para tentar desvendar a origem desta designação tive a precisosa ajuda e incentivo de Eduardo Pires de Oliveira, da Biblioteca Municipal de Braga, o qual mais uma vez agradeço. Segundo a "Grande Enciclopédia Portuguêsa e Brasileira" numa edição da Página Editora, Vol. VI (Bindel Publishing Corporation), define-se 'carril' como "...caminho estreito; carreiro, atalho, senda, vereda: «habituados, nas suas contínuas correrias, a discorrerem pelos atalhos e carris das montanhas», Herculano, Eurico, cap. 16, p. 230. (...)". Também Alves Redol se refere a 'carril' na sua obra Gaibéus: «Esfalfadas, a arfar, as velhas arrastavam os pés, querendo acompanhar as outras, e levantavam poeira do carril como rebanho de volta à malhada», tal como é citado no "Dicionário da Língua Portuguêsa Contemporânea", numa edição da Academia de Ciências de Lisboa e da Editora Verbo em 2001, que o define também o termo como "...um caminho estreito; carreiro."

Assim, e sendo aquela zona um lugar de passagem entre as aldeias e lugares Trás-os-Montes e do Minho, é natural que a designação de "Carris" para aquele lugar se venha a dever à existência de vários caminhos de pé-posto que por ali passam desde os tempos mais remotos. Basta um passeio pelos altos serranos para constatar a existência de inúmeros caminhos, carris, naquela zona.

Como curiosidade pode-se referir que 'Carril' é uma variedade ou casta de pêra minhota, no entanto nunca tive conhecimento da existência ou abundância de tal fruto nos altos da Serra do Gerês!!!

Fotografia © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Nomes há muito esquecidos

Carris, 1941

Dias após Domingos da Silva ter feito o pedido de concessão da exporação mineira no Salto do Lobo, uma outra pessoa, do nome José Maria Gonçalves de Freitas, requeria também a concessão da exploração denominada 'Salto do Lobo ou Carris'. Tendo posteriormente passado para outros nomes, este pedido de concessão foi originar um litígio entre duas partes relativas à exploração mineira daquela zona da Serra do Gerês.

Ao longo de muitos meses as duas partes entraram num conflito burocrático onde cada uma apresentava vários documentos (atestados, cróquis, fotografias, etc.) para comprovar o direito à exploração. Entre esses documentos encontrava-se o seguinte cróquis onde estão detalhados alguns nomes e designações de zonas perto do Salto do Lobo e dos Carris, designações essas que se acabaram por perder com o tempo. Surgem também designações que aparentemente só existiram neste conflito, tais como Ravina do Salto do Lobo ou Poço do Salto do Lobo, que na altura várias pessoas atestaram não existir na Serra do Gerês!
Posteriormente este litígio acabaou por ser sanado com a passagem das respectivas concessões para a Sociedade Mineira dos Castelos Lda que acabaria por iniciar a exploração de volfrâmio naquela zona. Mais um pequeno pedaço da História...

© (Não está permitida a reprodução destes documentos) / Edição: Rui C. Barbosa

terça-feira, 4 de setembro de 2007

A guarita do cantoneiro e a guarda das cabras

Carris, 18 de Março de 2007

Uma ida às Caldas do Gerês é sempre um bom motivo para conversar acerca das Minas dos Carris com velhos conhecidos e não só. Nestas conversas vão sempre surgindo novos pormenores dois quais se vão tomando nota e que nem fazíamos a menor ideia de que assim seria.

Por exemplo, sempre tive a ideia de que as construções visíveis na Água da Pala estavam relacionadas com as Minas dos Carris, sendo qualquer tipo de controlo de acesso às minas. É certo que seria um controlo muito longe da chegada e que não faria muito sentido existir ali. Uma outra teoria apontava para ser o local onde os camiões ou transportes de minério se cruzavam por ali ser uma zona mais larga do caminho e este ser demasiado estreito em quase todo o seu percurso. Pois bem, nada mais longe da realidade...

Na Água da Pala existem duas construções que já aqui foram descritas neste blogue. Uma destas construções (por sinal a que surge na fotografia desta entrada no blogue) é uma pequena guarita feita em blocos de cimento, o que por si só indica não ser muito antiga. Da outra construção apenas resta a base em cimento na qual se observam alguns rebites que serviriam para apoio de uma parede em madeira. Esta casa servia de pequeno curral para a guarda de um rebanho de cabras que alegremente deveria pastar pelos altos serranos na zona dos Carris e arredores. Em tempos foi também utilizada como abrigo para os homens que tiveram em tempos como função arranjar a estrada entre a ponto sobre o Rio Homem e os Carris. A pequena guarita serviu em tempos de abrigo ao cantoneiro responsável pela preservação deste caminho!

São mais duas pequenas peças para ajudar a construir o puzzle das Minas dos Carris...

Fotografia © Rui C. Barbosa

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Notas históricas (IV)

Carris, 1970

A electricidade nas Minas dos Carris era aparentemente gerada através da utilização de quatro motores que se localizavam na área da concessão do Salto do Lobo. Os quatro motores foram ali colocados após terem sido utilizados num aeroporto de Londres durante a Segunda Guerra Mundial para o fornecimento de energia quando se dava o corte do fornecimento regular.

Em 1958 a lavra das Mina dos Carris tinha sido interrompida, sendo retomada em 1970 com os trabalhos a terem início em Junho. Durante 12 anos as minas estiveram somente guardadas por vários guardas e foram-se naturalmente degradando. Os motores foram mais tarde recuperados com o intuito de serem novamente utilizados para o fornecimento de energia eléctrica.

Fotografia © António Ribeiro / Rui C. Barbosa

domingo, 2 de setembro de 2007

Alemanha nos Carris

Carris, 19 de Maio de 2007

De toda a informação histórica que consegui até agora reunir relativamente às Minas dos Carris, não surge qualquer informação relativa ao envolvimento alemão na exploração dessas minas. Porém, basta falar com as pessoas que durante anos trabalharam em Carris para que surjam referências a uma presença da Alemanha nas Minas dos Carris pelo menos num período antes da Segunda Guerra Mundial. No entanto, e tendo em conta que as relações diplomáticas entre os dois países foram mantidas até ao final do conflito, é de crer que esta presença se possa ter alargado até 1945.

Durante 1943, e segundo esta cronologia, várias minas em Portugal "...passam para as mãos do alemães" e o mesmo pode ter acontecido com as Minas dos Carris. Tendo a exploração da concessão do Salto do Lobo sido solicitada pela primeira vez a 21 de Junho de 1941, com a exploração em larga escala a ter início em meados de 1943 pela Sociedade Mineira dos Castelos, Lda a quem é concedida a cencessão provisória a 19 de Abril de 1943, poder-se-á deduzir talvez um envolvimento alemão nesta sociedade de exploração mineira.

Certamente este é um assunto que deverá merecer uma atenção mais redobrada...

Fotografia © Rui C. Barbosa