terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Caminhada invernal às Minas dos Carris a 4 de Fevereiro


Parque de Campismo de Cerdeira está a levar a cabo uma nova série de actividades nas quais é possível visitar as antigas ruínas das Minas dos Carris.

Designada por "Caminhada aos Carris", esta actividade mensal tem como objectivo realizar uma visita guiada às minas com explicação dos aspectos mais importantes da actividade mineira na altura da II Guerra Mundial. A caminhada é feita ao longo do Vale do Homem.

A próxima actividade terá lugar a 4 de Fevereiro.

Para mais informações e datas, consultar aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

“Minas dos Carris – Relatório Técnico-Económico”


“Minas dos Carris – Relatório Técnico-Económico” foi um relatório elaborado pelo Eng.º Adriano Fernando Barros e pelo Eng.º Rodrigo Viana Correia que a 12 de Fevereiro de 1979 objectivava os trabalhos executados e que se propunha realizar então para a reactivação do complexo mineiro dos Carris.

Segundo este relatório, o projecto havia sido iniciado em finais de Setembro de 1978, tendo começado pela reparação total dos cerca de 10 km de estrada privada entre a Portela do Homem e as Minas dos Carris. Em finais de Outubro iniciavam-se os trabalhos na mina, começando pela reconstrução de parte do acampamento mineiro, instalação de um gerador de 75 kW e respectiva instalação eléctrica no acampamento, e instalação de dois compressores Ingersol-Rand, sendo um destinado ao campo de exploração ‘Salto do Lobo’ e outro ao ‘Filão Paulino’. Na mina, procedeu-se à limpeza de todos os trabalhos mineiros de acesso aos locais de necessidade, começou-se o esgoto do 6º piso e parte do 7º piso com a instalação de duas bombas a ar comprimido, e execução de diversos trabalhos de segurança. Nesta data previa-se que os trabalhos seguintes iriam incidir sobre o acabamento final do acampamento, a instalação de um grupo electrobomba ao nível do entre-piso do 7º piso, montagem de um guincho a ar comprimido na superfície para se investigar o ‘Filão Paulino’, realização de diversos trabalhos de manutenção e segurança, e a reparação da estrada devido a problemas originados pelo mau tempo.

Segundo o relatório, o estudo mineiro proposto apontava para a abertura de uma chaminé de reconhecimento ao nível do 4º piso (no denominado sector N250) para investigar a continuação para a superfície da área mineralizada associada ao ‘Filão Salto do Lobo’. Em resultados dos dados que seriam daqui extraídos, far-se-ia a execução de sondagens para reconhecimento e posterior reabilitação do 2º piso para ventilação e entrada de materiais. No 6º piso seria criada uma chaminé de reconhecimento para investigar a continuação em profundidade da zona mineralizada, seguindo-se a possível reabilitação do 7º piso ao continuar a execução da galeria em direcção.



Em relação ao ‘Filão Paulino’ (a estrutura mineralizada que já fora referida como ponto fulcral para decidir o futuro do projecto), este apresentava à superfície uma zona trabalhada na Segunda Guerra Mundial com trincheiras, um pequeno poço e galeria em direcção junto à superfície. Os trabalhos iriam começar pela limpeza do poço e instalação posterior de um guincho e uma bomba para se proceder ao seu aprofundamento e execução de duas galerias em direcção com o objectivo de se definir a extensão da área. Em resultado dos trabalhos seria executada uma travessa de reconhecimento, que seria a futura galeria de extracção, com uma extensão aproximada de 300 metros, juntamente com duas sondagens de reconhecimento.

O investimento total do projecto seria de 4.298.059$00 com os custos de operação a atingirem os 1.016.897$60.

A Circunscrição Mineira do Norte referia a 14 de Fevereiro que se deveria apoiar a pretensão da concessionária em reabrir a mina. Até esta data, e na verdade mesmo nos meses e anos que se seguiram, pouco tinha sido feito na reabilitação do complexo, com alguns trabalhos estritamente necessários nas infra-estruturas e estando projectados trabalhos de reconhecimento tanto à superfície como no interior. A Circunscrição não havia visitado o jazigo dos Carris, classificando-o como “pequeno” e que não se prestaria a uma exploração em grande escala. Uma informação sobre o plano de trabalhos apresentado, é emitida a 19 de Maio pela Circunscrição Mineira do Norte referindo que se adaptava ao jazigo.

Com alguns trabalhos a serem realizados no complexo mineiro, o projecto vai-se arrastando e a 7 de Fevereiro de 1980 a Sociedade das Minas do Gerez solicita a suspensão da lavra para esse ano da concessão da Corga das Negras n.º 1 referindo que esta não pode ser mantida em lavra activa devido a pretender que fique como reserva da mina do Salto do Lobo onde estariam a incidir todos os trabalhos de lavra. Entretanto, Adriano Barros assume a Direcção Técnica das concessões mineiras a 2 de Junho, com o despacho a autorizar a sua nomeação a ser emitido a 26 de Junho e sendo publicado no Diário da República a 8 de Agosto. O anterior Director Técnico, Rodrigo Viana Correia, é informado desta nomeação a 24 de Junho pelo Engenheiro Chefe da Repartição de Minas.

Em Agosto e Setembro são realizados trabalhos de campo no denominado “Projecto Carris-Cidadelha-Arrocela-Borrageiro” em nome da MINREFCO, projecto este que previa a criação de um grande couto mineiro na Serra do Gerês tirando partido da possível existência de minério suficiente que justificasse o início da prospecção na área da Arrocela e de Cidadelhe, para além da reabertura da Mina do Borrageiro. Este projecto implicava a abertura de uma via que iria ligar o estradão da EDP entre a Paradela e o Porto da Lage, com a ligação a fazer-se entre o Fojo de Alcântara e as Quinas da Arrocela, passando depois por Cidadelha e aí flectindo para a Oeste na direcção do Outeiro do Pássaro baixando depois para as Abrótegas. De facto, ainda hoje se pode verificar a existência de trabalhos para a abertura desta via perto da Ponte das Abrótegas.

Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

GIPS - preparando a segurança de todos na Serra do Gerês


Em 2016 a Serra do Gerês foi palco de inúmeros acidentes e situações de socorro que foram amplamente noticiadas por vários meios de comunicação social.

Para lá da imprudência de quem se arrisca num ambiente hostil de montanha sem tomar os cuidados necessários e sem fazer a gestão do risco que está disposto a correr, existem organizações que têm uma acção pro-activa e que se preparam o melhor possível para no futuro menorizar os resultados de acções de imprudência ou resultantes de situações de acidente que eventualmente venham a surgir.

Nos últimos tempos os efectivos do Grupo de Intervenção Protecção e Socorro (GIPS) da Guarda Nacional Republicana (GNR) tem levado uma série de acções na Serra do Gerês, além de outros pontos do país, para preparar os efectivos militares para uma intervenção rápida e eficaz. Estes preparativos incluem simulacros e o reconhecimento de zonas mais dadas a ocorrências de emergência em montanha.



De entre as acções de treino e simulacro levadas a cabo recentemente na Serra do Gerês, encontra-se a simulação de um resgate com maca e vítima entre as Minas dos carris e a Mina das Sombras. Esta extracção foi feita em 60 minutos (nas condições meteorológicas ideais). Os militares realizaram também uma presença de três dias na Serra do Gerês, nomeadamente para a zona da Cascata do Arado. Outras acções incluíram o reconhecimento do tempo de viagem até ao Lago Marinho e o reconhecimento de locais onde têm ocorrido mais acidentes. Proximamente os militares do GIPS irão realizar novo simulacro de três dias na Serra do Gerês.




Fotografias © GIPS/GNR (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (31 de Janeiro a 6 de Fevereiro)


Continuação da chuva tendo por vezes apontamentos de neve nas Minas dos Carris. As temperaturas mínimas têm tendência a baixar para o final da semana.


Paisagens da Peneda-Gerês (CXV) - Sombras do passado nas Minas dos Carris


Sombras do passado numa paisagem quase urbana já inexistente nas Minas dos Carris, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

História do povo de Cabril, da Serra do Gerês, dos Carvoeiros e o burro que pegou fogo


Esta não é a história que me apraz contar, mas lembro as palavras do "Ti" João do Albino do lugar de S. Lourenço, que fala com autoridade do alto dos seus 82 anos: "Era tempo de fome e muita miséria, eu lembro-me de ser um rapazote e a minha mãe me mandar soltar os porcos, que andavam as cabeçadas a porta da corte, tinham fome, ela só dizia, ide a vossa vida e governai-vos, eram tempos ruins de miséria, tanto para os animais como para nós." Ou então as palavras do "Ti" Manel Barreiro: "Olha, eu passei tanto por essa serra, passei frio e fome, não havia nada, era só côdeas de pão milho, comi tanto, ainda hoje não posso ver o pão milho."

Eram realmente tempos muito difíceis, em que o povo de Cabril só vivia da terra e dos animais. Eram tempos que a serra do Gerês estava cheia de gente; eram os agricultores que tinham o centeio nos currais, espalhados um pouco por toda a serra; era os contrabandistas a fazer pela vida, os guardas fiscais a tentar detê-los; e havia ainda os que se dedicavam a extracção do volfrâmio, o ouro negro, e que fez com que a serra fosse esventrada um pouco por todo lado. 


Eram tempos que ser vezeireiro era um privilégio, e não era fácil conseguir esse trabalho, apesar de ser um trabalho sazonal de três meses a guardar e pastorear os animais na serra. Eram esses três meses que garantiam o sustento para o resto do ano,pois o vezeireiro era pago em géneros alimentares pelo resto da população. 

E depois havia ainda os carvoeiros, pessoas que passavam muito tempo na serra a arrancar os torgos de urze e a fazer os buracos para o carvão, como diz o "Ti" João da ponte: "Oh pah!! era um trabalho excomungado, era sempre sujo, todo negro, as mãos estavam todas gretadas, mas prontos dava para ganhar alguns tostões."


O "Ti" João da Ponte fala como uma pessoa conhecedora da realidade, ou não tivesse ele feito muito carvão e dormido muitas vezes nas cabanas da serra, e carregado muito carvão para o depósito no Teixo, é também ele que a determinada altura conta a história do burro que pegou fogo: "Naquela época andava-se a fazer o carvão no Cambeiro, andavam lá dois ou três homens, já não me recordo, e o Custódio do Luís e ele trazia um burro com ele, para o ajudar nas cargas, eles acabaram de fazer o carvão e carregou o burro e pôs outro saco as costas e começou a subir a serra pelo Curral dos Bezerros até à Cidadelha, onde naquela altura estavam a dormir, e era na cabana que guardavam a comida, e ele foi a cabana botar uma bucha, que era para depois subir a Revolta até ao Teixo, onde estava o depósito de todo o carvão feito na serra. Também havia lá uma loja que vendia pão e vinho e mais umas coisitas, só que enquanto foi a cabana o burro desapareceu, andou para cima e para baixo e nada do burro, foi dar com ele passado umas horas, todo chamuscado, já perto da Arrocela, estava vento e o carvão não estava bem apagado e pegou fogo, coitado do burro, só parou quando as cordas que atavam o carrego arderam, e ele se livrou do fogo. Andaram um mês a carregar o carvão as costas até ao Teixo, pois o burro teve de vir para a aldeia para recuperar, ainda se queimou bem, eram uns tempos... Mas olha que eu ainda me lembro é tenho saudades desse tempo, apesar da miséria, agora para vós é tudo muito fácil, naquela altura não havia nada de nada era trabalhar par sobreviver, era mesmo só para sobreviver... "

Texto e fotografias © Ulisses Pereira (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (30 de Janeiro a 5 de Fevereiro)


Esta será uma semana de chuva forte nas Minas dos Carris. Possibilidade de queda de neve a 3 e 4 de Fevereiro. Dependendo dos modelos, esta possibilidade poderá ocorrer mais cedo.


sábado, 28 de janeiro de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CXIV) - Cruzeiro de Xertelo


A simplicidade do Cruzeiro de Xertelo. Nestes locais, ao longo dos tempos, cruzaram-se o sagrado e profano que moldaram a maneira de ser das povoações serranas do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (28 de Janeiro a 3 de Fevereiro)


A chuva irá marcar presença ao longo da semana nas Minas dos Carris apagando assim o cenário de neve que ali se formou nos últimos dias.


GERESÃO já nas bancas


Já está nas bancas a mais recente edição do jornal GERESÃO.

Se desejar assinar o GERESÃO deve enviar um email para geresaojornal@gmail.com.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CXIII) - Lagoa


A Lagoa (por vezes denominada Lagoa Pequena e erradamente confundida com o Lago Marinho) faz parte de um sistema de duas lagoas que estão situadas numa área de altitude, junto ao Circo Glaciar do Coucelinho - Serra do Gerês, sendo, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, um dos vestígios do período da última glaciação, ocorrida entre 30 000 AC e 15 000 AC.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (26 de Janeiro a 1 de Fevereiro)


Os próximos dias e a próxima semana irão trazer frio, chuva e neve aos pontos mais elevados da Serra do Gerês.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O início da exploração mineira na Mina do Borrageiro


Apesar de próximas e de compartilharem o mesmo veio filoneano, nunca houve uma relação entre os trabalhos realizados na Mina do Borrageiro e nas Minas dos Carris. No entanto, as histórias destes dois complexos mineiros vão-se cruzar em finais dos anos 70 e princípio dos anos 80 quando acabam por ser consideradas como um único campo mineiro.

Para lá dos registos oficiais disponíveis do Instituto Geológico e Mineiro e no arquivo da Circunscrição Mineira do Norte, é difícil escrever a história destas minas devido à ausência de testemunhos pessoais.

O manifesto mineiro para a mina de ‘Borrageiros’ foi entregue na Câmara Municipal de Montalegre a 18 de Setembro de 1916 por José Frederico Lourenço da Cunha, de 32 anos e residente em Caminha, que descobriu naquele local por inspecção de superfície uma mina de volfrâmio e outros metais. O ponto de partida para a demarcação da concessão mineira 949 ficou definido a 300 metros a partir do alto dos Borrageiros medidos no rumo nascente, seguindo até ao Penedo Redondo até ao Ribeiro do Couce e o curso do mesmo ribeiro até à sua nascente, confrontando pelo nascente com o marco geodésico de Chamições (Chamiçais), do poente com Carris, do Norte com Matança e do Sul com Cidadelha (Cidadelhe). Por endosso, a mina seria cedida a Paul Brandt, cidadão suíço de 37 anos residente no Porto, e a António Lourenço da Cunha, de 43 anos residente em Caminha e gerente da Empresa Hidro Eléctrica do Coura, Lda. Em Outubro os vários filões são estudados pelo Professor F. Fleury do Instituto Superior Técnico, o qual procede à recolha de amostras que submete para análise pelo Professor Charles Laspierre. Em Novembro, Paul Brandt e António Lourenço da Cunha, requerem o reconhecimento oficial do jazigo. O Engenheiro Chefe de Repartição de Minas, Manuel Roldan y Pego, emite os éditos de concessão a 17 de Novembro, sendo publicados no Diário do Governo a 22 de Novembro.

Sem meios de acesso para viaturas, os trabalhos na mina sempre foram rudimentares e inicialmente executados à superfície. O minério obtido no Verão de 1917 era transportado por muares para a casa do juiz de paz de Cabril, José Maria Afonso Pereira, onde ficava depositado . No local da mina não existiam habitações confortáveis e capazes de resistir aos rigores invernais da Serra do Gerês. Após os primeiros trabalhos no Verão de 1917 onde terão sido obtidos cerca de três toneladas de minério, os dois detentores do registo mineiro solicitam a 26 de Dezembro que lhes fosse permitida a transferência do minério para Frades do Pinhedo…

…como tivessem procedido a pesquisas durante o Verão findo extraindo nesses trabalhos cerca de 3 toneladas de mineral que precisam de transportar para uma altitude inferior, por ser impossível continuar a viver o pessoal encarregado da sua guarda no referido lugar dos Borrageiros devido a não possuirmos ali habitações confortáveis em que possam resistir aos rigores do Inverno. Pedem, pois, lhe seja concedida licença para transportarem o referido mineral para a habitação de Manuel Maria João Pereira na freguesia de Frades do Pinhedo, pessoa de sua inteira confiança, para se conservar ali até que lhes seja outorgada a concessão.

O minério seria inicialmente transportado para Cabril a 25 de Janeiro de 1918. A 1 de Fevereiro são solicitadas guias especiais e respectivo certificado de exportação para o minério entretanto obtido. De notar que nesta data a demarcação da concessão ainda não tinha sido levada a cabo, sendo-o a 10 de Junho por António Teixeira Pinto na presença de Paul Brandt. Os direitos de descobridores legais seriam oficialmente atribuída aos dois homens a 4 de Junho de 1919, sendo publicada a 20 de Junho no Diário do Governo. A 20 de Novembro era emitido o parecer pelo qual poderia ser atribuído à Empresa Mineira dos Borrageiros Lda., entretanto constituída por António Lourenço da Cunha e Paul Brandt, a concessão da Mina de Borrageiros. Com a atribuição da mina, o Director Técnico entretanto proposto, Alberto Augusto Pinto Vieira, elabora a memória descritiva e o plano de lavra que foi elaborado em Fevereiro de 1919. 

Texto adaptado de "Minas dos Carris - Histórias Mineiras na Serra do Gerês", Rui C. Barbosa (Dezembro de 2013)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (25 a 31 de Janeiro)


Uma previsão mais fiável mostra-nos episódios de queda de neve de chuva entre os dias 26 e 28 de Janeiro, com chuva recorrente a partir deste dia. As temperaturas mantêm-se baixas, registando-se uma mínima de -3ºC e uma máxima de -1ºC no dia 27 de Janeiro.

Um outro olhar (LXXII)


O Ricardo Rodrigues visitou as Minas dos Carris a 20 de Janeiro de 2017 e teve a amabilidade de me enviar esta fotografia que nos mostra a represa dos Carris com uma bela camada de gelo resultante dos dias frios por aquelas paragens.

Se visitar as Minas dos Carris, envie as suas fotografias para assim se constituir uma base cronológica das ruínas nos píncaros serranos do Gerês.

Um agradecimento ao Ricardo pelo envio da foto!

Fotografias © Ricardo Rodrigues (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CXII) - Minas dos Carris invernal


As Minas dos Carris em paisagem invernal, adquirem um toque de mistério ainda mais especial. Na imagem, o edifício que em tempos serviu de cozinha para a casa do pessoal superior da mina.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (23 a 28 de Janeiro)


A chuva e possivelmente a neve poderão voltar às Minas dos Carris esta semana.

domingo, 22 de janeiro de 2017

O santo mártir S. Sebastião e a bênção do carolo


Todos os anos no dia 20 de Janeiro,realiza-se nas aldeias da Baixa de Cabril, uma procissão seguida de um carolo comunitário em honra do mártir S. Sebastião, santo advogado da fome, peste e da guerra. 

Como começou a bênção do carolo? Perdeu-se na memória, sabe-se que o mártir santo, é o padroeiro das aldeias da Baixa de Cabril e que todos os anos o povo o honra com uma procissão a que se segue um bodo comunitário, que é benzido pelo pároco da aldeia Se em tempos era só o pão de milho, vinho e aguardente em abundância, oferecido pelo povo,era um dia de fartura em que se esquecia a fome,peste e guerra, hoje a mesa é mais farta, mas o povo continua a ajudar a sua realização. 

Há alguns anos, S. Sebastião tinha uma festa em sua honra, festa que era rotativa pelas aldeias da Baixa. Se num ano a festa fosse a cargo da aldeia de S.Ane, no ano a seguir caberia a Vila e Bostuchão, no terceiro ano seria a vez de Vila Boa, Fontainho e Chelo e no quarto ano seria a vez de Cavalos e Chãos e finalmente regressaria a S.Ane o ponto de partida.

Hoje em dia só existem missa, seguida de uma procissão e tem como o ponto alto da festa que é a bênção do carolo, no qual ocorre muito povo e que faz questão de levar os géneros alimentares e a bebida ou então contribui com dinheiro para que a mesma se possa realizar.

Texto e fotografia © Ulisses Pereira (Todos os direitos reservados)

sábado, 21 de janeiro de 2017

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Pitões das Júnias - O Topónimo


Talvez um dos topónimos mais intrigantes de toda a Serra do Gerês. Tentar explicar a origem do nome 'Pitões das Júnias' é recuar no tempo e mergulharmos no mais profundo interior daquela aldeia.

Não sendo minha intenção tentar explicar a origem do topónimo em questão, deixo aqui transcrito a explicação que José Dias Baptista nos dá na sua obra "Topónimos de Barroso" (2013), pág. 133 a 135.

"Topónimo de raiz antiga, pré-Latina - Pitt - que significa aguçado, pontiagudo. É, portanto, um topónimo topográfico, o que se confirma pelas características orográficas das redondezas, em que ressaltam os chamados "Cornos da Fonte Fria", "Pala da Vaca", "As Fisgas", "São João da Fraga", "Penedo Grande", "Fraga de Paul", "Lamas da Portela", "Castelo Pé da Moega", "Cascata", etc. - tudo isto com significados de locais de altura e aguçados, aliás, chamadouros de extrema propriedade.

O topónimo antigo parece que era Pitonha, ou antes, Vilar de Vacas de Pitonha, em que entre o étimo citado pitt + o sufixo arcaico onha que indica quantidade ou grandeza. Documenta-se o que dizemos pelas inquirições de D. Afonso III, em 1258. Pelo século XIV ou XV já aparece a forma Pitões que julgo ser simples e lógica abreviatura de Pitonha, diriam Pitonis e daí para o nasalado Pitões. No século XVII ou XVI começa a ser designada por Vilar de Vacas, Vacariça ou Vacaresse de Pitões, o que se comprova com documentos manuscritos (e de inusitado valor histórico-toponímico) da autoria do Padre Diogo Martins Pereira, em «Epítome Familiar e Árvore de Geração de Algumas Casas...».

Já no século XVIII, alguns dos recentes Lousadas (que ainda os há aos trambolhões) fizeram o milagre de ressuscitar-lhe as Júnias, nome erudito com que se pretende eliminar o popular Unhas.

Dizem agora Pitões das Júnias... Mas não há documentos de prova. Há, sim, Santa Maria das Júnias... Ora o topónimo é Pitões, as Júnias são de Santa Maria!

Mas tal forma, Júnias, é duvidosa... Existia, sim, Juynas ou Iuynas - desconhecido palavrão de que não deveremos fazer o latinório Júnias. Com efeito, Júnias foi nome de mulher latina mas não consta que deixasse rasto toponímico em nenhuma parte do império. Quem tal dia, está a fazer ao topónimo Pitões o que Júnio Bruto fez a Júlio César. Este tratava o Bruto por filho e, no entanto, o Bruto encabeçou a cinjura e apunhalou o imperador na mais repugnante cobardia e traição.

O topónimo do Mosteiro dedicado a Santa Maria (Nossa Senhora das Nevas!) era JUYNAS e nada mais. E, escrito assim. é topónimo desconhecido, sem significado, tal como Juriz. Estes nomes Júnias e Juriz não existem! Existe, e já existia em 1258, uma povoação que até era freguesia e pagava idêntica pensão, ao rei, qual pagava Pitões, Vila da Ponte, e outras. Essa povoação chama-se O Gerês e o seu orago era São Vicente. Nunca ninguém encontrou um só documento que falasse de Juriz. Mas há-os de São Vicente d'O Gerês!

Quanto às Juynas, Iuynas ou Juyas há-de ser fórmula errónea de Unhas, importantíssimo elemento da lenda da fundação do Mosteiro. Que se chamava Mosteiro da Senhora das Unhas (Mosteiro da Nossa Senhora das Unhas) está bem explícito nos documentos do P.e Diogo Martins Pereira a que acima aludimos (...). Não ponho as mãos no fogo por Júnias! Antes vejo no termo a tentativa de alguns eclesiásticos acharem sujo o nome Nossa Senhora das Unhas e tudo fazerem para o irradicarem."

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (20 a 26 de Janeiro)


Continuação do tempo frio normal para a época. Previsão de chuva e queda de neve para os dias 25 e 26 de Janeiro.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Um outro olhar (LXXI)


O Flávio Leão visitou as Minas dos Carris a 18 de Janeiro de 2017 e teve a amabilidade de me enviar algumas das suas fotografias desta sua visita.

Se visitar as Minas dos Carris, envie as suas fotografias para assim se constituir uma base cronológica das ruínas nos píncaros serranos do Gerês.

Um agradecimento ao Flávio pelo envio das fotos!



Fotografias © Flávio Leão (Todos os direitos reservados)

"Queima de mato na zona da Ermida em Terras de Bouro"


Notícia on-line d'O Amarense:

Uma queima de mato na zona da Ermida, em Vilar da Veiga, no concelho de Terras de Bouro, está a decorrer naquela zona como acção preventiva perante eventuais fogos florestais.

A acção denominada gestão de combustível envolve 20 operacionais e cinco viaturas, do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia: O Amarense

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (18 a 23 de Janeiro)


Sem haver previsão de precipitação, as temperaturas nas Minas dos Carris terão mínimas negativas nos próximos dias com a máxima a não ultrapassar os 7ºC. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (17 a 23 de Janeiro)


Com a previsão a três dias confirmam-se as temperaturas baixas negativas para o Pico da Nevosa a 18 e 19 de Janeiro com mínimas de -11ºC e máximas de -1ºC. Nos dias seguintes as temperaturas mínimas vão atingir os -8ºC e a máxima não deverá ser superior a 2ºC.

Não há previsão de precipitação.

Caminhada ás Minas dos Carris a 4 de Fevereiro


Parque de Campismo de Cerdeira está a levar a cabo uma nova série de actividades nas quais é possível visitar as antigas ruínas das Minas dos Carris.

Designada por "Caminhada aos Carris", esta actividade mensal tem como objectivo realizar uma visita guiada às minas com explicação dos aspectos mais importantes da actividade mineira na altura da II Guerra Mundial. A caminhada é feita ao longo do Vale do Homem.

A próxima actividade terá lugar a 4 de Fevereiro.

Para mais informações e datas, consultar aqui.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CXI) - Curral das Rochas de Matança


O Curral das Rochas de Matança, Serra do Gerês, encontra-se à sombra do Compadre a caminho dos Currais das Negras vindo da Biduiça. É um velho curral abandonado no qual ainda se podem observar os restos do seu abrigo pastoril, agora alagado.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Apoie o trabalho do Grupo Lobo


Apoie o trabalho do Grupo Lobo em prol da conservação do Lobo Ibérico!

O Grupo Lobo tem como missão a divulgação de informação correcta e actual sobre o lobo; o apoio do desenvolvimento de estudos científicos sobre a espécie; a informação e sensibilização da opinião pública para a importância da conservação deste predador; e a promoção de medidas práticas de conservação que aumentem a tolerância para com o lobo.

Ligue o 760 450 044 (0,60€+IVA) ou faça um donativo para o IBAN PT50 0007 0007 0052 0270 018 86

Uma das tarefas dos voluntários no Centro de Recuperação do Lobo Ibérico é a observação do comportamento dos lobos residentes. Os voluntários são essenciais para a manutenção do nosso espaço! Torne-se voluntário, faça a diferença! Para mais informações, envie um e-mail para crloboiberico@ciencias.ulisboa.pt

Previsão meteorológica para Nevosa / Carris (16 a 22 de Janeiro)


Não havendo previsão de precipitação para os próximos dias na Serra do Gerês, não deixam de ser impressionante os -11ºC previstos para o dia 19 de Janeiro, com uma máxima de 2ºC.

O frio deverá então chegar em força à Serra do Gerês. Todos os cuidados são poucos na preparação das nossas actividades.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CX) - Curral de Varziela




O Curral de Varziela é um antigo espaço de pastoreio abandonado entre o Alto de Varziela e os denominados Terrenos do Mourinho, na Serra do Gerês. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A sistematização do abandono


Um recente artigo de António Cunha sobre o deplorável estado da estrada da Mata de Albergaria, fez ressurgir a inegável ideia de que temos um Parque Nacional que existe somente no papel.

Herdeiro dos Serviços Florestais desde 1971, o Parque Nacional da Peneda-Gerês sempre foi visto como um meio contra as populações, apesar de estas terem beneficiado em vários aspectos da sua existência.

No entanto, e 45 anos após a sua fundação, parece que o PNPG está a fazer um esforço suplementar para que as relações com as populações e com quem o visita, se deteriorem a um ponto de não retorno.

O abandono do PNPG é notório e muitas vezes este só está presente em acções de cobrança de taxas cujo destino ninguém conhece, ou em fiscalizações daqueles que talvez teimem em jogar pelas suas regras.

O estado miserável da estrada que atravessa a Mata de Albergaria, resultante de um jogo do empurra entrw PNPG e Câmara Municipal de Terras de Bouro, é o melhor exemplo do serviço prestado aos que residem no Parque Nacional e os que o visitam.

Fica aqui a ligação para o artigo de António Cunha.

Fotografia © Paulo Reis

GERÊS. Fundo Ambiental disponibiliza 32 milhões de euros só para Gerês e Andante


Noticia d'O Amarense...

O Fundo Ambiental disponibilizou cerca de 32 milhões para os projectos definidos pelo Ministério do Ambiente, como o Plano Piloto da Peneda Gerês ou o novo sistema de bilhética do Andante, a implementar já em 2017.

Fotografia © Rui C. Barbosa

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Caminhadas do blogue Carris em 2016


Estas foram as jornadas do Blogue Carris em 2016:

Trilhos seculares - "Só se lembra dos caminhos velhos, quem tem saudades da terra"

232... Um drama que se desenrolou na Serra do Gerês

Trilhos seculares - Do Campo do Gerês ao Prado do Gamil

Trilhos seculares - Da Abilheira à Nevosa, um passeio pelo Gerês profundo

Trilhos seculares - De Leonte ao Borrageiro

Trilhos PNPG - Trilho da Cidade da Calcedónia

233... Por entre o nevoeiro, chuva e frio

234 - Minas dos Carris com sol e neve (I) (II)

Trilhos seculares - Pela magia da Varziela até à Portela de Leonte

235... Minas dos Carris, uma visita invernal

Trilhos seculares - Nas alturas e alcantilados de Cabril

236... Minas dos Carris nos primeiros dias de Primavera

Trilhos seculares - Curral de Absedo

237... Minas dos Carris 'revisitada'

Trilhos lá fora - Peña Ubiña

Trilhos seculares - Atrás daquela mariola, uma passagem por Lamelas

Trilhos seculares - De Leonte às Fechinhas em dia de aniversário

238... Minas dos Carris em dia de chuva

239... Ao longo do Vale do Homem até às Minas dos Carris

Trilhos seculares - Pelas Minas Mercedes las Sombras e a Encosta do Sol

Trilhos seculares - "Só se lembra dos caminhos velhos..."

Trilhos seculares - Do Arado ao Iteiro d'Ovos, uma jornada geresiana

Trilhos lá fora - Ruta del Beyu Pen

Trilhos lá fora - Ruta Puertos de Áliva (Picos de Europa)

Trilhos lá fora - Collado de Horcados Rojos (Picos de Europa)

Trilhos seculares - Pelo Curral da Volta da Cuba até ao Castanheiro

Trilhos seculares - Casarotas e Curral do Ramisquedo na Serra Amarela

Trilhos seculares - Trilho da Picota (S. João do Campo)

Trilhos do PNPG - Trilho dos Miradouros

Trilhos seculares - Caminhada poética com Luís Vendeirinho

Trilhos seculares - Entre a Raiz e o Vidoal

241... Minas dos Carris, por entre a noite e o dia

Trilhos seculares - De Lagoa a Cabril, uma passagem pela Lamalonga

242... Os últimos dias do Verão nas Minas dos Carris

Outros trilhos - Circulando entre Loriga e a Torre com descida pela Penha dos Abutres

Outros trilhos - Rota da Ribeira da Burga (Macedo de Cavaleiros)

Trilhos lá fora - Em Somiedo do Alto da Farrapona ao Lago Calabazosa

Trilhos seculares - De Pitões ao Fojo pelos misteriosos carvalhais

Trilhos seculares - A Pala de Carris de Maceira

243... Minas dos Carris - Verão em dia de Outono

Trilhos lá fora - 'Senda da Cascada de Sotillo' (Parque Natural del Lago de Sanabria)

Trilhos seculares - Pela Costa de Varziela até à Portela de Leonte

Trilhos seculares - Do Mosteiro à Cascata, um passeio por Pitões das Júnias

Trilhos seculares - Elegia a Vilarinho da Furna

244... Mundos de neve e gelo (ou uma alegoria ao vazio)

245... Às Minas dos Carris em devoção a Trebaruna e Ataegina

Trilhos seculares - De Leonte aos Prados da Messe

246... Minas dos Carris em dia de aniversário com o GIPS

Trilhos PNPG - Trilho da Preguiça: da Preguiça à Mijaceira

Trilhos seculares - Caminhada de Natal ao Pé de Cabril

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Paisagens da Peneda-Gerês (CIX) - Os Prados


Os Prados com o seu abrigo pastorial e a sua eterna natureza morta personificada pelos seculares carvalhos secos, são uma das zonas mais visitadas da Serra do Gerês situando-se no centro de um triângulo composto pelo Pé de Cabril, pela Junceda e pelo Curral do Gamil.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)