sexta-feira, 21 de agosto de 2015

227 - Carris e mais além...


Minas dos Carris, 14 de Agosto de 2015

Por vezes é-me difícil encontrar um tema ou os detalhes para compor estes textos. Se eu fosse o leitor, acho que depressa me cansaria de ler tantas vezes sobre os mesmos lugares. Já pensei sobre isto mesmo, mas chego à conclusão que, por muitas vezes que se visite um lugar e se escreva sobre este mesmo lugar, esta visita e este texto serão únicos, pois são engalanados com as emoções e sentimentos daqueles momentos.

O dia previa-se muito mais ameno do que os dias anteriores onde o calor deste Verão secou os rios e ribeiros, e deu uma tonalidade mais amarelada a várias partes da serra. Felizmente, o verde dos bosques e florestas vai resistindo avivado pelo orvalho de noites mais frias. Este dia surgiu com o nevoeiro a topejar os píncaros serranos e por aí dava para adivinhar uma caminhada mais suave até às Minas dos Carris percorrendo o Vale do Homem.



Não foram muitas as vezes que vi a Fonte da Abelheirinha a agoniar de tão pouca água ou mesmo o leito do Rio Homem estranhamento seco em alguns troços. Afastando-nos do seu leito, o vale adquiria um estranho silêncio, daqueles profundos onde a nossa respiração por vezes se torna um grito a ecoar pelas paredes íngremes das corgas que se altivam em direcção aos céus. Quando nos aproximávamos do rio, era com alguma timidez que o Homem se fazia escutar. Pode parecer estranho em pleno Agosto termos paisagens de Outono ou Inverno, mas aquelas paisagens pareciam de certa forma já um prenuncio da grande mudança que se avizinha.

Já sabemos por onde passamos na direcção do topo da serra... a água da Pala surge após a Abelheirinha como uma oportunidade de olhar para trás e nos maravilharmos com o vale que dali a pouco se vai abrir nas nossas costas. Lá ao fundo (e desta vez coberta de nuvens) a Serra Amarela perfila-se com saudade e os seus eternos mistérios, guardando os segredos da aldeia mártir. Mais adiante vamos passar pelo Ribeiro do Cagarouço, seco seguindo na direcção do Homem. O Cagarouço provem de uma fortaleza bem guardada pela serra e da qual não vemos o seu fim. O verdadeiro mar de pedras em que se transformou o caminho mineiro, vai-nos agora levar à Curva do Febra e depois ao anfiteatro natural antes do Modorno. As paredes alcantiladas que se elevam perante nós, abrigam a Água da Lage do Sino, nesta altura sem água. Chegados então ao Modorno é altura do usual descanso e de nos maravilharmos com a beleza deste Vale do Alto Homem. Nos tempos do volfrâmio, onde por entre a dureza dos dias e a rudeza dos homens surgiriam certamente exclamações atónitas perante tais paisagens, estas seriam aquele momento de retemperar as forças para nova jornada.


O Modorno parece que marca a metade da distância em muitas caminhadas em direcção às Minas dos Carris e esta metade que falta vai-nos fazer enveredar mais para dentro e mais para cima na serra, pois o que antes estava em cima está agora em baixo e o que estava longe está um pouco mais perto.

O Teixo foi zona de carvoaria e os vestígios encontram-se por lá, perdidos e abandonados da memória da serra. O seu pequeno curral e o seu forno passam sempre despercebidos a quem caminha pelo estradão mineiro que agora nos leva a passar as Águas Chocas e mais adiante as Abrótegas. Aqui, não muito longe do sítio onde o Homem começa a correr para o Rio Cávado, a água é estagnada fruto dos dias secos. Deixando as Abrótegas para trás com as suas memórias de expedições e minas, seguimos para a Corga da Carvoeirinha que finalmente nos faz chegar às silenciosas ruínas das Minas dos Carris.

Para lá de um pequeno descanso, a passagem pelas ruínas foi rápida. Gosto de as visitar no silêncio da serra ou na contemplação do seu isolamento. Desta vez, e como havia mais gente por lá, o ruído da multidão fez-me não parar por ali muito tempo. Segui então na direcção da Lamalonga, pois queria percorrer a sua aridez e embrenhar-me no sue silêncio. Nestes dias, a Lamalonga será a sensação mais próxima que podemos ter de caminhar num deserto ermo, numa época onde os homens deixaram a Terra e esta vive a calmaria dos seus dias sem infortúnio. Este foi um dos locais mais afectados e alterados pela prospecção mineira, pois grande parte da sua área foi invadida por uma longa escombreira que guarda agora as entranhas da Terra expostas ao azul dos céus. À medida que nos vamos afastando da Corga da Lamalonga, no topo da qual reside a lavaria nova das minas, esta vai-se transformando num castelo que à distância se confunde com a paisagem. 


Chegando à Sesta de Lamalonga virei à esquerda, pois a ideia era a de atingir os currais no Couce e a partir daqui chegar às Abrótegas. O carreiro está (ainda) relativamente bem marcado com as velhas mariolas que nos levam a percorrer paisagens sem nome até atingir o Curral das Cadeiras. Daqui, vamos chegar ao bordo esquerdo do Couce e neste topo já contemplamos o colosso do Borrageiro e os inúmeros currais que pontilham a paisagem. Muitos destes currais são conhecidos de quem por ali vai caminhando, porém, existem outros que apesar de ficarem perto, estão escondidos e muitas vezes nos passam despercebidos. Aquele é certamente um lugar cheio de histórias para contar e o registo de todos aqueles currais, fornos e eiras, será um trabalho a se fazer num futuro próximo.

Caminhando já na sensação do regresso, passei ao largo dos Cocões do Coucelinho, o imenso circo glaciar que marca a paisagem e que no seu ventre esconde um belo curral. O percurso, por vezes escondido entre a urze e a carqueja, leva-nos agora em direcção à passagem do Quelhão, qual porta que separa dois mundos! A subida faz-se a passo certo, mas custoso. Para lá do Quelhão surge-nos os Currais das Lamas de Homem e mais adiante assinala-se a Ponte das Abrótegas. A parte final do percurso faz-se descendo o Vale do Alto Homem por onde já havíamos passado uma horas antes!






























































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A minha primeira visita às Minas dos Carris


A minha primeira visita às Minas dos Carris ocorreu em Setembro de 1989. Tenho algumas memórias daquele dia de nevoeiro e frio, com o Vale do Homem todo encoberto. A merenda comida no meio do caminho e as ruínas engalanadas de cinzento.

Naquele dia entramos na mina e alguns dos camaradas de caminhada desceram nas profundezas de um abismo escuro. Lá dentro, via a luz da entrada da minha como algo bem definido na escuridão e esta, esta foi o mais negro que alguma vez vi até hoje.

Não tenho fotografias desse dia, por isso publico esta foto obtida a 14 de Agosto de 2015 num dia onde as ruínas estavam também engalanadas com o nevoeiro...

Jurei que nunca mais lá ia!... isso foi a 227 visitas atrás...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Os currais entre o Lago Marinho e o Couce


A área do Couce, perto do Lago Marinho, foi desde os tempos perdidos na memória do Homem, lugar de pastagem e de cultivo de centeio. A atestar isso encontram-se os inúmeros currais e as eiras simples que tiram partido das planas lajes de granito que por ali existem.

Ora, uma das muito interessantes características destes espaços é a sua toponímia. Se muitos currais na Serra do Gerês receberam designações que certamente terão como explicação algo há muito perdido, muitos dos currais existentes entre o Lago Marinho e os Cocões do Coucelinho, receberam os nomes de algumas das famílias que os usam. É claro que existem excepções, tais como o Curral de Lagoa, o Curral de Penedã, o Curral do Couce ou o Curral dos Cocões do Coucelinho (Curral do Coucelinho).

Uma contagem rápida nas imagens do Google Earth e chegamos a 17 currais. Acredito que em tempos todos estes currais tenham tido o seu nome e assim seria interessante tentar obter uma identificação destes espaços.

Como é óbvio, muitos destes currais contêm fornos e muitos destes passam despercebidos, pois alguns encontram-se escondidos de quem passa pelos usuais carreiros na serra.

Assim, agradecia qualquer ajuda que possa ser dada para a identificação destes currais para que a memória futura possa assim ajudar a enriquecer um pouco mais todo este território.



Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 16 de agosto de 2015

História por descobrir na Serra do Gerês


A cada nova caminhada que faço pela Serra do Gerês, sou presenteado com «descobertas» novas que me envolvem mais na paixão por aquele espaço.

Por vezes, basta sair uns metros dos usuais caminhos e logo surgem vestígios que me fazem procurar saber mais sobre a ocupação daquele território, sobre os nomes dos lugares e das coisas, sobre a história daquelas gentes e sobre o porquê, um dia, alguém ter tido a necessidade de se abrigar com aquele amontoado de pedras.

Há muito por descobrir na Serra do Gerês...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A negociata dos fogos florestais


O país arde e todos os anos a história repete-se. Com a desculpa da prevenção, não há governo que tenha a coragem de terminar com está vergonha!

Os incêndios acontecem por várias razões, mas a principal está nos interesses instalados que dominam os negócios das contratações do combate aéreo aos incêndios. Continuamos com uma floresta desordenada, falhamos na prevenção a nossa floresta vai-se perdendo.

Morrem bombeiros, sacrificam-se vidas e os governos são tão culpados como as mãos que ateiam os fogos!

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Miradouro do Mirante


O Trilho dos Miradouros, na Serra do Gerês, será por ventura um dos piores trilhos homologados existentes do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Poderia ser um dos mais interessantes, mas não é! É sem dúvida um dos piores.

Foi neste percurso onde recentemente se perderam várias pessoas devido à sua deficiente manutenção. Felizmente, após estes incidentes, o trilho foi limpo. Porém, é notória a falta de manutenção existente em alguns miradouros, para não falar das mimosas que continuam a crescer impunemente pois não são cortadas nestes pontos há já muito tempo, tal como a fotografia mostra. O mesmo acontece noutros pontos do percurso que é dominado quase na sua totalidade pelas mimosas.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Incêndios no PNPG (11 de Agosto)


A informação disponível da Protecção Civil às 20h27 dá conta da ocorrência de dois incêndios no território do Parque Nacional da Peneda-Gerês, nomeadamente Sobredo, Entre Ambos-os-Rios, e em Fafião, Montalegre.

O incêndio de Sobredo, Entre Ambos-os-Rios, foi declarado às 14h55 e envolveu 5 operacionais e 1 meio terrestre.

O incêndio em Fafião, Montalegre, foi declarado às 18h22 e envolveu 22 operacionais, 5 meios terrestres e 1 meio aéreo.

A informação disponível a esta hora indica que o incêndio em Sobredo, Entre Ambos-os-Rios está concluído, enquanto que o incêndio em Fafião ainda lavra em mato.

No dia 10 de Agosto não houveram ocorrências de incêndios no território do PNPG.