quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Epopeia na Serra do Gerês (VIII)

Carris, Março de 1955

Termino aqui a série de entradas sobre a epopeia vivida na Serra do Gerês em finais de Fevereiro de 1955 quando os habitantes das Minas dos Carris tiveram de ser socorridos devido ao facto de terem ficado isolados por dias seguidos de fortes nevões. Na altura foi organizada uma expedição de socorro que partindo desde a Portela de Leonte, percorreu sete longos quilómetros em condições difíceis para levar artigos de primeira necessidade, tais como pão e legumes, para os mineiros dos Carris. Estes esperavam pela expedição da Água da Pala, ponto de encontro previamente combinado. No entanto, a descida até à Água da Pala foi uma proeza heróica com momentos de tensão. Os mineiros e outro pessoal da mina percorriam a estrada coberta por um espesso manto de neve, agarrados uns aos outros por cordas. Por vezes, e para elevar o ânimo de todos, os homens entoavam "A Portuguesa", lutando assim contra as terríveis condições que iam encontrando.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assinou uma reportagem na revista O Século Ilustrado onde foi descrita a epopeia então vivida na Serra do Gerês...

"Os directores das Minas dos Carris, lendo as notícias publicadas pelo jornal «O Século» sobre a grande epopeia vivida no Gerês. Na Água da Pela encontravam-se numa corte muitas cabras e cabritos de poucos dias. Alguns dos animais estavam já mortos mas os operários da brigada de socorro puderam salvar os restantes, metendo-os na camioneta e transportando-os para Leonte, onde foram alimentados e postos ao abrigo do frio. Os trabalhos exteriores das minas estiveram paralisados, mas prosseguiram no subsolo. As várias oficinas da lavaria cessaram de funcionar por a água ter gelado nos tubos."

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (XXXIV)

Carris, 23 de Fevereiro de 1991

Regressar das Minas dos Carris com a Serra do Gerês coberta de branco.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Um outro olhar... (I)

Carris, Outubro de 2007

Um outro olhar panorâmico sobre as velhas ruínas das Minas dos Carris e sobre a represa desde o marco geodésico de Carris e através da objectiva de Fernando Pontes.


Fotografias: © Fernando Pontes (Medronho UPB)

Epopeia na Serra do Gerês (VII)

Carris, Março de 1955

Quando em Fevereiro de 1955 os habitantes das Minas dos carris ficaram isolados pelos fortes nevões que nesse ano assolaram a Serra do Gerês, foi decidido montar uma expedição de socorro para levar-lhes os bens de primeira necessidade que escasseavam nas minas.

Com os caminhos bloqueados pelo espesso manto de neve, foi necessário recorrer a maquinaria pesada para abrir caminho pela estrada que serpenteia ao longo do Vale do Alto Homem.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assinou uma reportagem na revista O Século Ilustrado onde foi descrita a epopeia então vivida na Serra do Gerês...

"O tractor em plena faina do corte da neve, no alto da Serra do Gerês".

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Epopeia na Serra do Gerês (VI)

Carris, Março de 1955

Percorrendo sete quilómetros a pé por zonas de intensa neve, a equipa de socorro que em finais de Fevereiro de 1955 foi enviada para transportar mantimentos para os mineiros dos Carris demorou quase quatro horas a percorrer a distância que a separava do ponto de encontro na Água da Pala.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assinou uma reportagem na revista O Século Ilustrado onde foi descrita a epopeia vivida na Serra do Gerês...

"Quase quatro horas durou a heróica escalada daqueles sete quilómetros. Por fim viveu-se outra faceta da dramática e abnegada aventura: os mineiros tardavam a chegar ao ponto combinado e, dada a intensidade do nevão que caía e que tapava os sulcos abertos horas antes, receava-se que os homens se perdessem ou, ligados uns aos outros, perecessem todos na tragédia da queda em algum precipício encoberto. Quando o telefone retiniu com a boa nova da chegada, soltaram-se gritos de entusiástica alegria."

Fotografias: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

Modorno e Curvas das Febras

Carris, 22 de Junho de 2003

O leitor Miguel Campos Costa referiu duas curiosidades bastante interessantes e que nos ajudam a conhecer melhor a Serra do Gerês. Na realidade a designação da 'Madorno' que identifica um cabeço bem conhecido no Vale do Alto Homem não está correcta, chamando-se sim 'Modorno' (Cabeço do Modorno). A identificação nas cartas topográficas militares está assim errada.

Interessante é também a designação que em tempos se dava a uma peculiar característica do caminho para as Minas dos Carris e na qual a estrada desenha um 'S'. Estas curvas têm o nome de 'Curvas das Febras'.

Todas estas designações têm origem no imaginário popular e infelizmente corre-se o risco de se perderem. Um exemplo semelhante acontece com a designação 'Corga da Carvoeira' (ou Carvoeirinha) e que identifica o pequeno vale que antecede o Salto do Lobo e que constitui a última subida para as Minas dos Carris.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Detalhe da Folha 31 da Carta Militar de Portugal © Instituto Geográfico Português

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Carris, 2 de Junho de 2002

Carris, 2 de Junho de 2002

O dia nasce nas ruínas das Minas dos Carris a 2 de Junho de 2002...

Fotografia: © Miguel Grilo

Epopeia na Serra do Gerês (V)

Carris, Março de 1955

O nevão que em finais de Fevereiro de 1955 caiu na Serra do Gerês, é referenciado como um fenómeno atmosférico extremo. Toda a Serra do Gerês ficou coberta com um manto branco com a neve a resistir até finais de Junho em algumas zonas da serra.

Este nevão isolou os habitantes do complexo mineiro dos Carris. Apesar de habituados aos rigores dos altos serranos, as duzentas almas nos Carris não esperavam que o tempo fosse tão cruel. Muitos não tinham roupa adequada para os rigores do Inverno e em alguns dias os alimentos começaram a escassear.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assinou uma reportagem na revista O Século Ilustrado onde foi descrita a epopeia vivida no Gerês...

"Um aspecto das minas dos Carris, já depios de as portas das instalações mineiras terem sido abertas com pás, por estarem cobertas de neve".

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

domingo, 6 de janeiro de 2008

Epopeia na Serra do Gerês (IV)

Carris, Março de 1955

Sem uma expedição de socorro realizada em finais de Fevereiro de 1955, os mineiros dos Carris arriscavam-se a ficar isolados até ao mês de Maio. A queda de neve tinha sido tão intensa que em certas zonas o manto branco atingiu uma espessura de seis metros.

O jornal O Século noticiou por várias vezes os esforços da missão de socorro e a revista O Século Ilustrado publicou em Março de 1955 uma reportagem fotográfica descrevendo a odisseia vivida na Serra do Gerês. Continuo aqui a reproduzir os textos e imagens que então relataram esses acontecimentos.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assina a respectiva reportagem gráfica)...

"O sr. engenheiro António Castilho, director de máquinas da Junta Autónoma de Estradas, dirigindo os serviços do corte de neve, em que foi utilizado um poderoso tractor".

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

sábado, 5 de janeiro de 2008

Autuações a caminho dos Carris


Carris, 19 de Setembro de 2004

Tive conhecimento de um novo caso resultante da voraz actuação do SEPNA sobre um grupo de jovens que se encontrava no caminho existente no Vale do Alto Homem e que conduz às Minas dos Carris. Neste momento encontro-me a tentar reunir mais dados sobre o que se passou, mas mais uma vez me parece ter havido um excesso de zelo por parte das autoridades numa altura em que o Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês se encontra em revisão.

Mais uma vez me parece que a prepotência das autoridades se sobrepõe há razão e o desejo insaciável de demonstrar quem manda parece ofuscar a simples razão.

Penso que será útil mais uma vez aqui reproduzir uma resposta enviada há meses a alguém que na altura foi interpelado pelos Guardas da Natureza do Parque Nacional da Peneda-Gerês e que foi obrigado a regressar à Portela do Homem sem conseguir atingir os Carris:


Exmº Senhor (...)

Foi com o maior interesse e preocupação que tomamos conhecimento dos factos relatados no seu e-mail de 29 de Outubro e a esse propósito cumpre-nos prestar-lhe os seguintes esclarecimentos:

De facto, o estradão que leva até às Minas de Carris atravessa, em parte do seu percurso pela área de ambiente natural, uma zona delimitada como de protecção total, a qual tem o estatuto de Reserva Integral, conforme referido no artigo 17º do Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros nº 134/95, de 11 de Novembro.

Nos termos do artigo 15º desse Regulamento, nas zonas de protecção total é interdita a prática de qualquer actividade, com excepção das tradicionais da pastorícia e da apicultura. No entanto, em casos excepcionais e fundamentados, estas actividades tradicionais também podem ser interditadas ou condicionadas (cfr. nº 3 do artigo 17º do Regulamento).

Entre as actividades interditas na zona de protecção total conta-se o trânsito não motorizado de pessoas e bens, excepto se integrado numa actividade tradicional de pastorícia ou apicultura. Efectivamente, na área de ambiente natural, esse trânsito não motorizado apenas é genericamente permitido nas zonas de protecção parcial e de protecção complementar. O trânsito a que aqui se faz referência tem o sentido de circulação ou atravessamento, isto é, contempla o simples caminhar pela zona.

O montanhismo a que se refere a alínea c) do nº 2 do artigo 15º do Regulamento, como actividade apenas susceptível de ser autorizada na área de ambiente natural na zona de protecção complementar, sendo absolutamente interdita nas zonas de protecção total e de protecção parcial, não abarca o caminhar pela montanha - este montanhismo é referente a uma actividade desportiva, enquadrada como tal e em prática colectiva, organizada. Não é aplicável ao passeio solitário ou em grupo restrito, mas não organizado como actividade colectiva e desportiva.

Esta proibição de circulação de pessoas pelas zonas de Reserva Integral existe desde a entrada em vigor do Plano de Ordenamento, em Novembro de1995, e a fiscalização do seu cumprimento tem sido feita desde então, embora pontualmente por inexistência de um vigilante em permanência nas zonas de protecção total.


Registamos com interesse as sugestões que nos faz, no sentido de assinalar no terreno as interdições que possam haver e também de agilizar essas interdições para condicionamentos que não impeçam o contacto das pessoas coma Natureza, tanto mais quanto essas são algumas das nossas preocupações para que o Parque Nacional possa também cumprir o seu papel de local de visitação e de fruição para as pessoas. Assim, e no que diz respeito ao estradão de acesso às Minas de Carris, estando actualmente a decorrer o processo de revisão do Plano de Ordenamento do Parque Nacional da Peneda-Gerês, está prevista a alteração do limite da zona de protecção total da margem esquerda do rio Cávado, como acontece actualmente, para o caminho de acesso às Minas de Carris que acompanha a margem do rio em grande parte do seu percurso, permitindo assim a circulação não motorizada de pessoas e bens até aos Carris. Estando a área onde se localizam as antigas minas fora da zona deprotecção total, não faz sentido que não possa ser visitada apenas porque ocaminho que lhe dá acesso, na delimitação actual, atravessa uma ínfima parte marginal dessa zona de protecção total.

Com os melhores cumprimentos

(...)

Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Norte
Secretariado
Av. António Macedo
4704-538 Braga

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Epopeia na Serra do Gerês (III)

Carris, Março de 1955

Em Março de 1955 uma verdadeira operação de socorro foi levada a cabo para apoiar os habitantes do complexo mineiro de Carris que se encontrava isolado devido aos fortes nevões que haviam caído na Serra do Gerês. O seguinte texto é parte de uma reportagem fotográfica publicada então pela revista O Século Ilustrado (o texto é da autoria de António Gonzalez que assina a respectiva reportagem gráfica)...

"Este camião abastecedor de gasóleo esteve retido nas minas durante doze dias. O pessoal que se encontra nas minas já está fora de perigo".

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Epopeia na Serra do Gerês (II)

Carris, Março de 1955

Continuo a reproduzir os textos e fotografias de uma reportagem da revista O Século Ilustrado que em Março de 1955 descreveu a heróica epopeia vivida na Serra do Gerês pelos mineiros das Minas dos Carris.

"Foram necessários oito dias de trabalho insano para desobstruir as vias de acesso às minas bloqueadas. Vinte e oito operários ofereceram-se para essa difícil tarefa, a fim de se conseguir passagem para uma camioneta carregada de pão, visto ser este o alimento que fazia mais urgente falta e não ser possível levar simultaneamente legumes e roupas. Após trabalho fatigante e perigoso, pôde a brigada fazer chegar a camioneta ao ponto combinado onde os mineiros esperavam, havia bastante tempo, sob um frio cortante e com receio de que não desse resultado o plano que se traçara".

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Epopeia na Serra do Gerês (I)

Carris, Março de 1955

Com a preciosa colaboração de José Manuel Rodrigues de Sousa e Carlos Sousa, tomei conhecimento da publicação de um artigo na revista O Século Ilustrado que relatava uma odisseia vivida há muitos anos na Serra do Gerês e que até aqui desconhecia. Infelizmente os dados dísponíveis sobre a data de publicação de tal artigo eram muitíssimo escassos. O artigo deveria ter sido publicado entre 1951 e 1958 e mergulhado numa pesquisa única na Internet descobri um artigo intitulado "Epopeia na Serra do Gerês".

Este artigo é acompanhado por uma série de fotografias que aqui reproduzo bem como os respectivos textos. Surge assim a épica história de duas centenas de homens que durante vários dias lutaram contra os elementos no alto da Serra do Gerês, uma história que agora mais uma vez vê a luz do dia e que serve de homenagem a esses homens à muito esquecidos mas que representam uma narração do nosso país.

O seguinte texto é da autoria de António Gonzalez que assina a respectiva reportagem gráfica...

"Durante mais de uma semana, nevou intensa e continuadamente na serra do Gerês de tal maneira que, em alguns pontos, a camada branca chegou a atingir cerca de quatro metros de espessura, tornando impossível o trânsito de veículos e mesmo peões. A 1570 metros de altitude, nas minas de volfrâmio que pertencem à Sociedade das Minas do Gerês, Lda., os mineiros e o pessoal técnico e administrativo num total de cerca de duzentas pessoas ficaram isolados nas sua instalações, tornando-se problemática a situação que, de dia para dia, o estado do tempo lhes foi criando. Pelo telefone, uma vez que os fios resistiram ao peso da neve, foi sendo mantido contacto, até que as notícias se tornaram alarmantes: o pessoal, em especial os mineiros (que eram cento e vinte) estavam sem pão nem legumes, com escassa roupa e cada vez mais à mercê dos lobos que uivavam famintos, noite e dia, por aquelas redondezas. (...) uma brigada de socorro saiu de Leonte e percorreu em penosas circunstâncias os sete quilómetros que separam esta povoação de uma outra chamada Água da Pala, onde entrou em contacto com o pessoal dos Carris. Os mineiros tiveram de descer até ao ponto de contacto, ligados uns aos outros por uma corda e meio enterrados na camada de neve".

Fotografia: © O Século Ilustrado / Rui C. Barbosa

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Vox Populi (IV)

Carris, 19 de Setembro de 2004

Este foi um dos últimos comentários recebidos em relação a uma das sondagens que estavam disponíveis no blogue...

Enviado por J. Louro a 28 de Dezembro de 2007:

Pelo que percebi é intenção do PNPG e alterar os limites da área de protecção total. Há nesta medida uma clara intenção de permitir o acesso aos Carris. Na minha opinião deveriam fazer algo como vão implementar no Pico. Só seria possível subir aos Carris com um localizador GPS. Desta forma monitorizavam os acessos. O localizador seria solicitado ao PNPG com uma taxa de acesso. A taxa seria totalmente usada na manutenção do caminho. O espaço da mina deveria ser transformado em museu, sinalizando os perigos existentes. Estou certo que seria muito melhor do que a situação actual. Não se pode ir lá, mas os Carris estão degradados e sujos do lixo de gente que acha de chegar lá cima é mais um passeio de fim-de-semana. E o lixo que fazem fica por lá.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Sondagens (II)

Carris, 27 de Fevereiro de 2005

Terminaram as duas sondagens que estavam disponíveis neste blogue. A primeira sondagem colocava a seguinte questão: "Tendo em conta a zona de protecção especial dentro da área do PNPG onde se encontram as Minas dos Carris, acha que o acesso deve ser...?" Para a responder a esta questão estavam disponíveis cinco hipóteses: A - Proibido; B - Controlado com guias de montanha do PNPG; C - Permitido; D - Permitido com o pagamento de uma taxa ambiental; E - Liberalizado. O gráfico seguinte mostra os resultados obtidos nesta sondagem que obteve um total de 262 votos distribuídos da seguinte forma:

A - 4 (1,5%)
B - 153 (58,4%)
C - 64 (24,4%)
D - 25 (9,5%)
E - 16 (6,1)

A segunda sondagem tinha a seguinte questão: "Gostaria de ver um museu mineiro na Portela do Homem dedicado às Minas dos Carris?". No total tivemos 112 votos nesta sondagem com os seguintes resultados:

SIM - 101 (90,2%)

NÃO - 11 (9,8%)


Fotografia: © Rui C. Barbosa
Gráficos: © Rui C. Barbosa