terça-feira, 7 de abril de 2026

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (7 a 13 de Abril)

 


Retomando de forma breve estas publicações para dar nota do possível episódio de neve que poderá ocorrer nas Minas dos Carris entre 11 e 13 de Abril.

Teremos dois dias de chuva (7 e 8 de Abril) seguidos de uma acalmia nos dias 9 e 10 de Abril e depois a possibilidade de queda de neve entre 11 e 13 de Abril. Sendo a previsão a mais de três dias, deverá ser vista com uma pitada de sal...

domingo, 5 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLIX) - Paisagem desde o Vidoal

 


A paisagem desde o Vidoal nunca desilude por entre os cenários que a Serra do Gerês nos oferece. Seja em dias de nevoeiro, onde as nuvens envolvem como mortalhas as penedias e os ramos dos grandes carvalhos, seja em dias de neve, onde o manto branco cobre a paisagem de um silêncio que se entranha, a grandiosa paisagem que se abre perante o olhar leva-nos às alturas do Pé de Medela e de Carris de Maceira, mergulhando na Corga da Cântara para logo apontar de novo aos céus no Cabeço da Cântara que encima o Vale do Rio Maceira escondido nas profundezas. A Roca d'Arte surge como rampa para os freguedos aprumados do Cabeço de Lavadouros antes do olhar se deter (a partir daqui fora de cena) no Cabeço de Sineiros e a antena que se eleva no Borrageiro chamar a nossa atenção.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 4 de abril de 2026

Que futuro para a Peneda-Gerês?

 


Uma conversa entre o autor do livro "Peneda-Gerês, Parque Nacional de Portugal", de Miguel Brandão Pimenta, Maria de Lurdes Serpa Carvalho, diretora da CCDR do Algarve, e o biólogo Jorge Palmeirim. Moderação de Isabel Lucas.

Único parque nacional do país, a Peneda-Gerês é hoje uma paisagem cultural sob forte pressão.

No livro "Peneda-Gerês, Parque Nacional de Portugal" evidencia problemas como o turismo massificado, a perda de habitats e a descaracterização do património construído, levantando questões essenciais.

Como garantir a continuidade dos 114 aldeamentos e dos seus mais de sete mil habitantes sem pôr em causa a conservação dos ecossistemas? E o que está por detrás dos «velhos interesses disfarçados» que continuam a prejudicar a verdadeira missão do Parque?

Um interessante debate para ver aqui!

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCLVIII) - Roca das Pias e Roca Negra

 


Fundidas na imagem com um maciço granítico contínuo, a Roca Negra parece surgir como continuação da Roca das Pias, tendo, porém, entre elas o Quinão do Meio, nesta paisagem de beleza agreste da Serra do Gerês (a antena existente no Borrageiro surge timidamente à esquerda da Roca Negra).  

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Outros trilhos - Vale da Ribeira do Mosteiro (PR1 FEC)

 


Um percurso de pequena rota através das paisagens do Parque Natural do Douro Internacional, o PR1 FEC desenrola-se na zona sul do concelho de Freixo de Espada à Cinta, na freguesia de Poiares.

A Ribeira do Mosteiro corre por entre meandros rochosos, escavando um vale profundo com vertiginosas escarpas e precipícios, um verdadeiro ex-libris em termos paisagísticos e geológicos. Este percurso permite a visita a este local único por caminhos e trilhos antigos, nomeadamente através da lendária Calçada de Alpajares, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1977. O percurso estende-se por uma paisagem montanhosa e agreste escavada por diversas linhas de água, sendo a principal a ribeira do Mosteiro. As vertentes estão preenchidas por matos de giestas, piorno e rosmaninho e, junto às fragas, observam-se também manchas de cornalheira, algumas de porte arbóreo.




Ao longo da ribeira, as árvores características da galeria ripícola, como amieiros, salgueiros, freixos e choupos, convivem com diversas fruteiras, em particular laranjeiras, limoeiros e nespereiras. Nas encostas contíguas marcam presença os amendoais e olivais.

Quanto à fauna, destaca-se a presença de aves como o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-real (Aquila chrysaetos), a cegonha-preta (Ciconia nigra) e o falcão-peregrino (Falco peregrinus), bem como o chasco-preto (Oenanthe leucura), espécie Criticamente Em Perigo em Portugal, sendo este um dos poucos locais onde é observado com alguma regularidade.




O percurso corresponde a um circuito pedonal circular, com 7,5 km de extensão, que se inicia junto ao Castro de São Paulo, a cerca de 3 km da aldeia de Poiares. Daqui pode observar-se, à esquerda, uma estrutura quartzítica designada por Muro da Abalona.

O Muro da Abalona consiste numa parede rochosa de grandes dimensões situada numa zona do vale da ribeira do Brita. Esta mais não é do que uma espessa camada de quartzito que foi dobrada até atingir uma posição vertical. Há cerca de 300 milhões de anos, o choque entre continentes provocou o dobramento e elevação dos sedimentos depositados em bacias marinhas, o que originou cadeias montanhosas, erguendo terrenos até então marinhos. Este processo de colisão continental, para além das pressões que gerou, provocou também um aquecimento nos minerais, o que resultou na sua modificação. Assim, por metamorfismo de contacto, os depósitos arenosos deram origem a quartzitos. Devido à sua resistência aos agentes erosivos, as camadas quartzíticas foram-se mantendo praticamente inalteradas, enquanto as rochas mais xistosas, que as envolviam, eram afectadas pela erosão, sendo os materiais resultantes transportados para longe pela chuva, pelos cursos de água, pelo vento e outros agentes erosivos, fazendo desaparecer, pouco a pouco, os materiais que envolviam esta camada de quartzito.




A pequena rota segue para Sul, descendo a Calçada de Alpajares, e continua por caminho de pé posto até atravessar a ribeira do Mosteiro por um pontão. Continua para Sul por caminho vicinal, ao longo da ribeira, até encontrar a estrada municipal conhecida por Estrada do Candedo. Inflete então para Norte, seguindo por esta estrada (praticamente sem trânsito automóvel) até ao miradouro das Alminhas, onde continua pela calçada aí existente.

Atravessa novamente a ribeira e sobe pela Calçada de Alpajares até ao Picão de Santa Ana, seguindo depois por caminho vicinal até ao ponto de partida. A Calçada de Alpajares é um caminho medieval, talvez da 1ª dinastia, importante até ao início do séc. XX (antes das estradas do Estado Novo). Ligaria as terras de Miranda, a Norte, à zona de Ribacôa, a Sul. O traçado seria mais próximo do rio Douro, até Freixo de Espada à Cinta. Daqui, orientava-se em direção à Serra de Poiares e à aldeia com o mesmo nome. De Poiares seguiria a direção Este-Oeste e depois Norte-Sul, grosso-modo, até atingir o Monte de São Paulo. Daqui faria a descida em ziguezague até atingir a ribeira do Brita e continuaria até entrar no vale da ribeira do Mosteiro, seguindo pela sua margem esquerda até atravessar uma antiga ponte mais abaixo, a ponte do Diabo. Pela margem direita da ribeira, iria afastando-se progressivamente da sua foz e seguiria um caminho na margem do Douro até chegar em frente a Barca de Alva, onde a travessia se faria por uma antiga barca. Também conhecida como calçada dos Mouros ou do Diabo, actualmente, só resta um pequeno troço, com cerca de 1 km, empedrado com seixos do rio e pedaços de xisto, que liga o Monte de São Paulo à ribeira do Brita, e que corresponde a um dos sectores do percurso pedestre do vale da ribeira do Mosteiro. 





No PR1 FEC, salientam-se diversos aspetos geológicos, com destaque para as dobras resultantes da colisão entre continentes que provocou o dobramento dos sedimentos marinhos, sendo as mais espetaculares observadas no miradouro das Alminhas.

Outro aspeto relevante são as pinturas rupestres, do Paleolítico Superior, que se encontram junto à Calçada de Alpajares, na chamada Fraga do Gato, que representam dois animais - uma lontra (delineada a ocre avermelhado) e um mocho (pintado em tons de negro).

Ficam algumas fotografias do dia...






























Texto baseado em:

PR1 FEC Vale da Ribeira do Mosteiro

- Calçada de Alpajares

Muro da Abalona

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Minas dos Carris, 2 de Abril de 2026

 


A paisagem de um novo dia vista das Minas dos Carris a 2 de Abril de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

Postais do PNPG (CCLXI) - "Colunata"

 


A Colunata, nas Caldas do Gerês, é o tema deste postal da Neogravura Lda., Lisboa, tendo por base uma fotografia da Foto Zalez, sendo editado pela Loja Espanhola. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 1 de abril de 2026

O segundo abrigo pastoril de Pradolã

 


Algo que me tem despertado alguma curiosidade, é o facto de em muitos currais da Serra do Gerês, o observador mais atento irá notar a presença de um segundo (alagado) abrigo pastoril.

Este interessante pormenor é bem visível em muitos currais. Porém, notei esta curiosidade num curral no qual esta situaçãoa me tinha passado despercebida, isto é, no Curral de Pradolã, da Vezeira de Fafião.

Para quem conhece este curral, conhece o seu característico abrigo pastoril; um abrigo pastoril típico da Serra do Gerês com falsa cúpula, feito de pedra solta e coberto de torrões de terra. O abrigo surge na fotografia seguinte...


Com os actuais trabalhos de limpeza e de queima naquele espaço, ficou óbvia a presença de um abrigo pastoril mais antigo e - actualmente - alagado. O abrigo, ou seus restos, estavam cobertos de vegetação que foi cortada, tornando-o assim «visível».

Este curioso pormenor de encontrarmos um abrigo pastoril «actual» e nas proximidades um outro abrigo pastoril abandonado há muitos anos (muitos mesmo!), é algo que podemos testemunhar em muitos currais, tais como Vidoeirinho, Iteiro d'Ovos, Vidoal, Messe, Rocalva, etc.

Tentar explicar esta curiosidade, pode levar-nos a muitos séculos atrás, na verdade, mesmo à época dos Descobrimentos, mas isso fica para outro texto...



Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)