terça-feira, 25 de agosto de 2026

"Mata de Albergaria: uma oportunidade para repensar o modelo de visitação"

 


Uma carta aberta da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural) ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre o modelo de «visitação» da Mata de Albergaria.

Bom, na verdade não existe um «modelo de visitação» da Mata de Albergaria estabelecido pelo ICNF. O acesso à Mata de Albergaria - que quando convém é designada como "Zona de Protecção Total" - nunca sofreu qualquer restrição tanto ao nível do acesso pedestre como ao nível do acesso motorizado e, neste aspecto, a cobrança da "taxa de acesso" apenas serve para financiar o ICNF, não havendo qualquer impacto visível (ou, já agora, invisível) na preservação da Mata de Albergaria.

A visitação da Mata de Albergaria - principal razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês - merece por parte de quem governa o país (seja quem for), um murro na mesa, uma voz grossa e publicações com letras maísculas. Só assim se preserva a Reserva Biogenética! E mais uma vez basta uma curta visita à Mata de Albergaria para constatar que, no Verão, as regras não se aplicam (bom, na verdade, nem no Verão, nem no Inverno).

A Mata da Albergaria não está cuidada ao abrigo da justificação de que deve ser a Natureza a cuidar dela própria e não são as esporádicas limpezas de mato feitas pelas equipas de Sapadores que afirmam um suposto cuidado com a Mata. No Verão, é ver as hordas de banhistas que assaltam as lagoas naturais do Rio Homem e basta uma não muito atenta procura entre as rochas para ver o efeito de um turismo desordenado e irresponsável que não faz a mínima ideia da espcificidade do local onde se encontra.

Há uns anos, disseram que "não se pode vir para o Gerês como se vai para a praia." Entretanto, a situação piorou.

O compromisso para a preservação dos espaços naturais na Peneda-Gerês tem de ser de todos, mesmo daqueles que só gostam de trabalhar no Verão. As regras têm de existir e ser cumpridas, e quem não cumpre terá de aprender da maneira mais dolorosa... sim, muita gente só aprende "quando lhe vão ao bolso!" A sinalética existe, mas não é respeitada "porque não estava lá ninguém para a fazer respeitar." Se assim não for, corremos o risco de matar a «galinha dos ovos de ouro».

Em tempos foi pensado um sistema prático (semelhante ao que existe noutros parques nacionais) com a criação de zonas de estacionamento nas Caldas do Gerês e no Campo do Gerês a partir das quais seria criada uma rede de transportes em minibus que fizesse a ligação entre estes pontos e as zonas balneárias do Rio Homem ou mesmo do Arado. Chegou a ser prevista a criação até de uma zona de estacionamento na Portela de Leonte como parte deste sistema, sistema este que deveria limitar os lugares de estacionamento na zona transfronteiriça. O projecto não avançou e a situação foi piorando. Hoje, a Portela do Homem chega a ser caótica.

A sazonalidade tem de se combater com um projecto a médio e longo prazo, e não será a megalomania de um teleférico que irá terminar com ela quando existem soluções muito mais fiáveis, mais práticas e que não venham a hipotecar o futuro do concelho e do Parque Nacional. A implementação de um sistema deste tipo irá trazer alterações de fundo a uma zona onde o espaço para a sua implementação é reduzido (zonas de estacionamento, áreas e serviços de apoio nos pontos culminares do percurso, etc.).

Eu, que nada percebo destas coisas, já há muito que digo que é necessária uma alteração de paradigma no turismo que chega ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e no turismo que se promove no concelho de Terras de Bouro, porque no futuro "QUEREMOS MUITO QUE TUDO CORRA BEM. QUEREMOS MESMO."

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXXXIII) - Lavaria Velha

 


A Lavaria Velha da Mina do Salto do Lobo foi construída em 1943, sendo mais tarde - nos anos 50 - substituída pela Lavaria Nova situada no topo da Corga de Lamalonga, Serra do Gerês. Esta, iria operar até 1974.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Minas dos Carris, 24 de Agosto de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 23 de Agosto de 2026 é bem diferente da registada no dia anterior, com as pesadas nuvens a bloquear a paisagem do Pico da Nevosa e da Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

domingo, 23 de agosto de 2026

Minas dos Carris, 23 de Agosto de 2026

 


A paisagem vista das Minas dos Carris na manhã do dia 23 de Agosto de 2026, com o Pico da Nevosa e a Garganta das Negras. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) via Carlos Araújo / EMC

sábado, 22 de agosto de 2026

Outros trilhos - Trilho do Rio Mouro (PR11 MLG)

 


Os rios são um dos traços mais marcantes das nossas paisagens. Este trilho, que tem início junto à antiga escola primária de Cousso, desenvolve-se ao longo do vale do Rio Mouro, atravessando as aldeias de Cousso, Gave e Parada do Monte.

O Rio Mouro nasce na localidade de Lamas de Mouro, percorre cerca de 30 quilómetros até desaguar na margem esquerda do Rio Minho, na localidade de Ponte de Mouro, concelho de Monção. No seu trajeto, propicia um contacto interessante com um rico e vasto património natural e paisagístico, sustentado em águas cristalinas, límpidas e refrescantes e pontuado por locais paradisíacos que apelam à contemplação e ao descanso. Seguindo as orientações, a descida permite chegar mais próximo das margens do rio, onde se destaca toda a riqueza da sua vasta galeria ripícola e uma grande biodiversidade. Ao longo do seu percurso, o Rio Mouro, forma um Vale, talhado maioritariamente sobre solos graníticos, com encostas de acentuadas pendentes, humanizadas desde a sua base até ao topo. A sua importância, desde tempos recuados, no auxílio à subsistência das populações é atestada na humanização dos solos das aldeias que nele se aninham e que possuem um impressionante conjunto de socalcos. Os socalcos agrícolas são estruturas que contrariam a natureza dos declives e permitem ao homem desenvolver as atividades agrícolas nos locais mais inóspitos. Surgem a eles associados as culturas do milho, a vinha (ramada) e uma intensa policultura de hortícolas variadas.







A valorização e preservação destas paisagens é essencial para a prevenção de riscos naturais. Já em Parada do Monte, não deixe de recuperar energias junto à Capela da Sra. da Vista e Sr. dos Aflitos, também conhecida por minhoteira onde pode desfrutar de um local tranquilo com contacto direto com o rio e onde o som da água e a sombra fresca convidam a momentos de relaxamento e a retemperar forças. Depois de atravessada a ponte pedonal da Minhoteira, o trilho leva-o de regresso ao ponto de partida através de dois passadiços de visita obrigatória.

Texto extraído daqui!

Traçado em gpx e kml

Mapa (PT)
























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

403... Sombras e Carris

 


Uma visita à Mina Mercedes As Sombras e às Minas dos Carris tirando partido de um dia no qual as temperaturas foram «amenas», sem ter a sensação de um calor tórrido que massacrou a terra nos dias anteriores.

A paisagem típica do estio encontrava-se «queimada» pelo Sol, com as nascentes de água quase todas secas - excepção a uma abundante nascente perto da Cabana da Calballosa e da Casa da Illeira, no caminho florestal que me levaria até ao início da subida final para as velhas minas galegas.

A passagem de fronteira fez-se na Portela da Amoreira, ladeando o marco geodésico dos Carris a Poente. Passando as velhas sanjas mineiras, a paisagem das Minas dos Carris surgiu com os tons típicos do estio.

Após um descanso e repasto junto da represa das Minas dos Carris, iniciei o regresso passando pelo local da velha estação meteorológica e segui em direcção ao Salto do Lobo, tomando o velho caminho mineiro através do Vale do Alto Homem até à Portela do Homem.

Foi mais um dia de montanha a provar que o excesso de turismo ou de visitantes na Serra do Gerês por esta altura do ano, apenas de limita aos locais promovidos pelos interesses turísticos instalados. Ao longo do dia, e antes de chegar à Portela do Homem, apenas vi duas pessoas, o que mais uma vez deita por terra o mito do excesso de visitantes na área de mabiente natural.

Ficam algumas fotografias do dia...





































Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)