quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Terras de Bouro investe cerca de 800 mil euros na reabilitação da Estrada da Mata de Albergaria

 


Segundo anunciou o Município de Terras de Bouro, decorreu nos Paços do Concelho, a 20 de Janeiro, a sessão de assinatura do contrato para a empreitada de “Beneficiação do Caminho Florestal Guarda / Albergaria | Ordenamento da Visitação”.

Este projeto representa um investimento municipal estratégico de 791.877,75€ (acrescidos de IVA), cujos pagamentos serão efetuados de acordo com os autos de medição realizados pela Divisão de Obras Municipais, Águas e Saneamento.

Segundo anuncio do Município, "o ato formal contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal, Manuel Tibo, e do gerente da empresa PAVIMOGEGE – Empreiteiros de Construção Civil, Francisco Paulo da Silva Antunes. Com a assinatura deste documento, a empresa responsável obriga-se a executar os trabalhos num prazo de 270 dias, a contar da data da consignação da obra."



Para o Presidente da Câmara Municipal, “estamos a investir não apenas numa estrada, mas na qualidade de vida da nossa população e na melhoria da experiência de todos aqueles que nos visitam. A Mata da Albergaria é um dos maiores tesouros naturais do país e queremos que seja desfrutada com conforto e, acima de tudo, em segurança”.

A intervenção prevê a aplicação de calçada no pavimento, a instalação de barreiras e guardas de proteção, e a construção de valetas onde as condições o permitirem.




Trata-se de uma intervenção há muito ansiada pela comunidade e que, durante anos, muitos acreditaram não ser possível concretizar. A viabilização deste projeto supera agora esse ceticismo, representando uma vitória para o concelho e um compromisso assumido pelo Executivo Municipal.

Para o Município, o reforço das condições de mobilidade nesta via é um motor fundamental de coesão territorial. Além de facilitar o quotidiano e as atividades profissionais da população de Terras de Bouro, esta obra é essencial para a elevação da qualidade de vida local e para um ordenamento mais eficaz da visitação numa das zonas mais emblemáticas da região.

Mais do que uma simples obra de requalificação, esta ação representa um importante passo deste Executivo na valorização da visitação à Mata da Albergaria. Amantes da natureza, caminhantes e viajantes terão, em breve, a oportunidade de desfrutar deste património natural em condições reforçadas, consolidando o papel de Terras de Bouro como a porta de entrada privilegiada para o coração do Gerês.

Fotografias © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCVIII) - O Arco do Borrageiro

 


O Arco do Borrageiro num dia de neve na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (21 a 27 de Janeiro)

 


Os próximos dias serão de tempo "extremo" em relação ao que nos temos habituado nos últimos anos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

"S. João do Campo", por Camacho Pereira (1935)

 


Em Julho de 1935, a Revista Latina - uma revista de turismo com publicação no Porto - dedicava o seu n.º 4 à Serra do Gerês.

Entre vários artigos, continha um texto sobre a aldeia do Campo do Gerês (S. João do Campo) da autoria do jornalista Camacho Pereira que aqui transcrevo na sua íntegra (sobre a verdadeira designação da aldeia, aconselho a leitura atenta do livro “Estudo Histórico-Cultural das Freguesias de Campo do Gerês, Carvalheira e Covide”, de António José Ferreira Afonso, para não se comentar e julgar sem saber. A ler aprende-se muito...

Na transcrição do texto a seguir é mantida a grafia original. 

S. João do Campo

S. Joãao do Campo, Vilarinho das Furna e e Covide são as três povoações gerezianas por excelência, pois as termas muito embora estejam no Gerez são umas termas...

Tínhamos já esquadrinhado a Serra por todos os lados, no tocante a aspectos panorâmicos e dificuldades a vencer; restava-nos por fazer o passeio mais fácil, mas que não deixa de ser, por isso menos interessante.

Se lhe faltam os grandiosos aspectos de conjunto que só se apercebem das alturas, tem em compensação o detalhe bucólico e o floklore.

EStava ainda acesa a chama da curiosidade, custav-nos no entanto fazer essa volta na única companhia do guia.

No passeio de Braga ao Gerez encontrámos o amável Delàge da Empresa Hoteleira e a paciência do seu Gerente para nos trazer paulatinamente, com paragens para o Carlos desenhar e para as minhas anotações.

Na Serra tive o Carlos, para a Calcedónia tendo lançado o João à procura de um companheiro, tive a felicidade de encontrar um à altura; caçador e transmontano o Capitão Guilherme foi um bom elemento e um bom amigo.

Mas agora que a época estava quási a terminar! nos hoteis não havia viva alma! os dias passavam-se no bilhar ou no Ping-Pong, onde iriamos desencantar um parceiro para uma estafadela como diziam?

Havia um, havia; mas todos me tiravam da cabeça pois não conseguiria convencê-lo; e no entanto catequisei-o.

Uma bela manhã o Plymouth do Gaspar (um dos proprietários da Empreza) parou em frente ao Hotel do Parque e com grande espanto, todos souberam que o Gaspar ia dar uma volta a pé pela Serra!

Depois da indispensável merenda, varapausm espingarda (pois levou o passeio a título de caçada) e guia terem sido embarcados, aí vamos, de escape aberto, Vale do Gerez acima.

As arcarias, o Parque Tude de Sousa e a Preguiça sobrepuzeram-se instantaneamente, tal a velocidade (Gaspar é corredor) e as curvas de gancho subindo a vinte graus eram vencidas como se fossem a mais suave e plana estrada, embora a alavanca das velocidades tenha dançado um shimmy.

Mas, helas! eu queria ver.

Por isso fizemos uma paragem a certa altura, serviu para tirar a fotografia que ilustra a capa dêste número e cuja descrição se encontra feita noutros artigos.

Depois de me encher daquela grandiosidade de proporções, vegetações e luzes, continuamos a correria através as rampas e as curvas mais que bizarras e mais que perigosas da estrada de Leonte, até ao acabar junto à casamata do mesmo nome que serviu de hotel a Artur Loureiro e onde findou os seus dias.

Devido à amabilidade do Sr. Silva (Salão Silva Porto) obtivemos as reproduções dos três quadros que em separado demos aos nossos leitores.

O Plymouth levou-nos os olhos ao retroceder descendo para o Gerez enquanto nós descemos o Vale de Albergaria através a densíssima mata de Carvalhos que constitui um oasis desta flora nesta região.

O gaspar foi pescando trutas a tiro à falta de melhor e recordei-me de uma ingleza que encontrara en tempos em Braga que vinha de Londres ao Gerez de propósito para vêr uma Pêga, levada a isso pelo livro do Sr. Tait.



No fim do Vale de Albergariam contornamos no sopé os cabeços da Bargiela, avançada do Pé de Cabril e entramos no Vale do Homem, tomando a antiga Geira Romana de grandes lages, encontramos grandes depósitos de marcos miliários, um dos quais damos em gravuira, e avançamos por êste amplo vale tendo à esquerda as cumiadas do Cabril e à direita as vertentes da Serra Amarela onde de tempos a tempos se descortinavam longinquamente caçadores e se ouviam tiros de vez em quando, até atingier S. João do Campo, povoação sertaneja e pobre cercada pelas únicas planícies da serra que dão pão e milho.

Tem S. João do Campo uma cousa muito interessante; a sua praça ou o seu adro, o seu Forum.

Um vasto campo ostenta com ar de parada mais de uma dúzia de espigueiros, todos muito bem tratados, pintados e caiados encimados por cruzes conforma mostra a nossa gravura.



Suponho não haver prova mais eloquente do bom acato à legislação comunal própria que adoptaram, bem como do seu espírito religioso.

Ao deixar S. João do Campo sobe-se o dorso da montanha, atingindo a aresta à vista de Calcedónia (...) e como para baixo todos os santos ajudam, depressa chegamos às termas ainda com dia e sem grande canseira. 

Fotografias: Camacho Pereira

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCVII) - A Preza

 


Erradamente designada "Freza", a Preza - varanda para o Vale de Teixeira - assinala a passagem entre as águas do Homem e as águas do Cávado, aqui fotografada após uma noite de neve na Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (20 a 26 de Janeiro) - Possível nevão muito significativo e pouco habitual em Portugal

 


Continuação do tempo frio nas Minas dos Carris nos próximos dias.



Segundo a página Meteo Trás os Montes - Portugal, poderá ocorrer um nevão muito significativo e pouco habitual em Portugal a partir do dia 23 de Janeiro (Sexta-feira). Assim, a página refere:

Os modelos meteorológicos continuam a indicar um cenário potencialmente severo para Portugal Continental, com início dentro de cerca de 3 dias, (...) associado a uma configuração sinóptica rara no nosso território.

Tudo aponta para a formação e aprofundamento de uma depressão cavada no Golfo da Biscaia, que poderá ficar quase estacionária ou com deslocamento muito lento. Esta depressão irá criar uma circulação favorável à entrada direta de ar polar marítimo muito frio, tanto em altitude como progressivamente nos níveis mais baixos da atmosfera.

Ao contrário do que é habitual em Portugal onde a chegada de ar muito frio coincide geralmente com o fim da precipitação, esta depressão poderá manter um fornecimento contínuo de humidade, permitindo que frio intenso e precipitação coexistam durante um período prolongado. Esta conjugação é pouco comum e aumenta significativamente o risco de nevadas a cotas mais baixas.

Caso este cenário se confirme:

 • A cota de neve poderá descer pontualmente até aos 400 metros, sobretudo nos momentos de precipitação mais intensa;

 • Serão prováveis acumulações importantes acima dos 600/700 metros;

 • Acumulações potencialmente extraordinárias acima dos 800/1000 metros, com vários episódios sucessivos de queda de neve.

As regiões do Norte e Centro, especialmente zonas de serra, planaltos e áreas do interior, poderão ser fortemente afetadas, não sendo excluídas situações localizadas de grande impacto.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados) - imagem da Estação Meteorológica Experimental dos Carris

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCVI) - Pé de Medela e Carris de Maceira

 


O Pé de Medela e os Carris de Maceira servem de pano de fundo a uma das mariolas que assinala o caminho para o Prado do Vidoal, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (19 a 25 de Janeiro)

 


Semana de frio, chuva e neve para as Minas dos Carris e para as serranias do Parque Nacional. Perfila-se o que pode vir a ser um fim-de-semana interessante.

domingo, 18 de janeiro de 2026

sábado, 17 de janeiro de 2026

Trilhos seculares - De Leonte ao Borrageiro e Curral da Raiz

 


O dia surgiu cinzento e frio a confirmar as paisagens que viramos no anoitecer: os cumes cobertos de neve e as nuvens que por eles se passeavam, confirmaram os arrepios ao acordar.

Pela noite, o som da chuva - ora mais ou menos intensa, ora mais silenciosa - levava-nos a crer que a neve poderia ter visitado de forma tímida a aldeia que se mergulhara naquele silêncio característico dos dias de neve. Nestes dias, a Natureza parece que faz o tempo parar e somente o vislumbre para os ponteiros do relógio nos arrasta de volta para o lento arrastar dos momentos.

O grupo - e os grupos - já se perfilavam na Portela de Leonte para iniciar as suas caminhadas. Junto da velha casa florestal, iniciavamos a marcha pela Costa do Morujal seguindo o velho carreiro da vezeira que vence o declive em passo tranquilo fazendo com que o coração vá ganhando ritmo. Surpreendentemente, não está muito frio (ou pelo menos aquele 'frio' que cortar os pulmões) o que torna a subida mas confortável à vista da paisage salpicada de tons de branco das encostas elevadas do Pé de Cabril, testemunha silenciosa da nossa jornada.





As nuvens e a neblina passeavam-se calmamente pelo Vale do Rio Gerês, subindo as encostas num esforço pachorrento e lançando farrapos de nevoeiro pelas pequenas corgas. À medida que a paisagem de afundava atrás de nós, os vales escuros da manhã iam-se deixando ver, aqui e ali banhados por lanças de luz que atravessavam as nuvens mais altas. Por vezes, o vislumbre do céu azul dava-nos a esperança de horizontes mais alargados, mas logo de seguida, o capricho dos véus de nevoeiro voltava a tolhar a paisagem, escondendo-a através de uma neblina que criava caprichosos contra-luz.

Subindo o Morujal, entravamos na velha calçada que nos conduziria à Chã do Carvalho (Chã do Carvalho de Leonte) e pouco depois ao Prado do Vidoal. Aqui, a paisagem mergulhara num fantástico ambiente invernal. O velhio carvalho não passava que uma pintura a tinta da China projectadio numa tela branco acinzentada e o Outeiro Moço parecia um esboço de uma ideia de um pintor preguiçoso. Como que envolto numa mortalha de nevoeiro, o prado - tão verdejante nos dias de Primavera - era agora um magnífico cenário de Inverno, uma memória cénica capaz de soltar as mais profundas interjeições de espanto.





Passando o Prado do Vidoal, seguimos então na direcção do Colo da Preza. Por vezes, a caprichosa brisa empurrava as nuvens e a neblina para outras paragens dando o vislumbre do Pé de Medela e Carris de Maceira. A parede aprumada da Roca d'Arte, pontilhada aqui e ali de branco, precepita-se para o Ribeiro de Lavadouros e a profunda corga guarda as memórias olvidadas do esquecido Curral de Lavadouros, agora com o seu abrigo pastoril alagado.

Volteando o Outeiro Moço, passamos os teixos anexos ao carreiro e prosseguimos, já por entre passadas na neve que canta a cada passo. Vencendo o curto declive, chagamos à Preza e olhamos para o Vale de Teixeira com os seus dois prados: Camalhão e Teixeira, levemente cobertos de neve.

Para chegar à Chã da Fonte, optamos por vencer o declive à nossa esquerda (regressaríamos do Borrageiro seguindo a outra opção: o Enfragadouro). A subida faz-se de forma pausada, respirando a cada passo e parando para olhar a Serra do Gerês que aqui já nos leva ao seu extremo com a Serra Amarela.





Muitas vezes tenho visto o erro de associar a Chã da Fonte à fonte que existe um pouco mais acima: a Fonte da Borrageirinha. Esta associação é errada! A denominação de "Chã da Fonte" vem de uma antiga fonte existente no início do carreiro que nos leva à Pegada das Ruivas e cujos restos ainda são visíveis numa pequena chã. Da mesma forma, a designação em nada está relacionada com a recente criação de um bebedouro para animais nas proximidades.

Deixando a Chã da Fonte, seguimos para a Portela de Sineiros e aqui flectimos à direita seguindo na direcção das peculiares formas graníticas existentes nas proximidades. O Arco do Borrageiro é uma formação criada pela erosão natural e que foi um cliché que serviu para vários postais na época do "Gerez Thermal". A chegada ao alto do Borrageiro pode ser feita seguindo outro percurso, mas a passagem por este peculiar lugar é quase obrigatória para que demanda um dos pináculos supremos da Serra do Gerês.

Aqui, já caminhavamos por uma paisagem toda ela coberta de neve e que assim se mantinha em qualquer direcção. A progressão não era difícil, mas nestas situações - e mesmo com uma espessura de neve não muito alta - todo o cuidado é pouco. Caminhando em base de granito, no que parece ser uma plataforma lisa escondem-se pequenos declives que com a cobertura de neve se tornam debgraus escondidos. Assim, a ajuda dos bastões de caminhada é fundamental para ter uma progressão em segurança, mesmo em zonas que já nos habituamos a percorrer em condições mais favoráveis.




Passada a chã que antecede a subida final do pequeno cume, só faltava vencer os metros finais que nos levariam ao velho marco geodésico que assinala os 1.430 metros de altitude, um dos pontos mais altos do Minho, mas não da Serra do Gerês. Segundo o blogue Garcias - Montanhas de Portugal quando escreve sobre o Borrageiro, "muitas pessoas ao olhar o perfil da serra do Gerês julgam erradamente que o Borrageiro é o ponto mais alto da serra, na verdade existem diversos cumes mais altos que o Borrageiro, de facto o cume é apenas o 6º mais alto da serra mas por se encontrar mais a sudoeste que os outros cumes mais altos parece maior para quem observa a serra desde o sul ou o oeste." Do Borrageiro "(...) pode-se admirar uma paisagem majestosa na qual podemos reconhecer o vale do Cávado, as serras da Cabreira, de Fafe Basto, Amarela, do Soajo, da Peneda, do Larouco, do Facho, do Barroso e ao longe as serras do Marão, do Alvão, e do Corno de Bico além da maior parte dos picos principais da serra do Gerês."

Em Julho de 1935, o jornalista Camanho Pereira ("A Serra!", Revista Latina, n.º 4) faz-nos uma descrição da sua subida ao Borrageiro, se bem que seguindo outro trajecto: "depois de uma nova carga sobre a merenda deixamos com saudades o Cambalhão e entramos de novo no Sol, vale acima, passamos por outro currak, o do Junco, mais pequeno e endireitamos à Garganta da Preza. Toda a subida até à Borrageira é monótona, horizonte estrteito de lagedos mas ao atingir o cume, que deslumbramento! Setria fastidioso enumerar todos os altos que se destacam isolados, todas as cumeadas que se sucedem umas após outras sen fim (...). «Que grandiosa tela dentro de formidável moldura! Coroando as eminências, santuários imponentes ou modestas ermidinhas, lembram mamilos de alabastro. Que seriação interminável de montanhas a perder de vista nas corcovas monstruosas.» Assim fala lá no alto Tude de Sousa."





A permanência no cume não foi longa, apesar das condições serem quase óptimas com o horizonte a limpar-se por breves momentos. O frio, na ausência de vento, era suportável, mas os corpos suados da caminhada começavam a tiritar. Enganado o cansaço, e depois da costumeira fotografia de grupo, era hora de baixarmos para local mais aprazível, pois a hora do almoço já passara para quem se despertára antes do galo.

Descendo a encosta a Norte, tomamos o carreiro que nos levaria ao longo das Lamas de Borrageiro para chegarmos à Portela de Sineiros e daqui inicarmos a descida para a Preza e voltar para o Prado do Vidoal onde nos aguardava uma paisagem já um pouco diferente da que havíamos testemunhado umas horas antes e na qual muita da neve presente já havia desaparecido. Porém, o cenário do Pé de Medela e de Carris de Maceira composto com a Corga da Cântara e dos picos encrespados acima da Roca d'Arte, era um repasto para quem aprecia as paisagens dre montanha.

Com a meteorologia a prometer chuva (ou neve) para a tarde, retomamos a caminhada seguindo a Sul e saindo do Prado do Vidoal em direcção ao Mourô. Atravessando do pequeno ribeiro por entre o arvoredo, entrávamos então na Corga de Mourô, percorrendo a sua encosta esquerda em direcção ao nosso objectivo seguinte. Pelo caminho, o Pé de Cabril ia-se cobrindo de farrapos de nuvens e os céus escureciam a Norte.

Seguindo o velho carreiro, deixavamos a corga para trás com um último vislumbre das Quinas de Mourô e iniciávamos a descida para o Curral da Raiz com os seus imponentes carvalhos seculares e o seu abrigo pastoril que guarda a data de 1953. Por esta altura, os céus começam a pingar e em breve os frios pingos de chuva transformam-se em suaves flocos de neve que nos acompanharam durante alguns minuitos enquanto iniciávamos a descida da Costa da Cantina. A queda de neve duraria pouco mais de dez ou quinze minutos, mas foi uma agradável surpresa para todo o grupo.

Entrando no bosque, sucederam-se as paisagens de azevinhos, pinheiros, carvalhos e cedros que nos acompanhou - por entre recortes de silêncio e o correr de pequenos riachos, até à estrada nacional que seguimos até passar a vigorosa Fecha de Leonte, tomando então o velho Caminho Real que nosm levaria de volta à Portela de Leonte passando pela Fonte do Escalheiro e terminando assim esta caminhada organizada pela RB Hiking & Trekking.

Ficam algumas fotoghrafias do dia...


























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)