Uma carta aberta da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural) ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) sobre o modelo de «visitação» da Mata de Albergaria.
Bom, na verdade não existe um «modelo de visitação» da Mata de Albergaria estabelecido pelo ICNF. O acesso à Mata de Albergaria - que quando convém é designada como "Zona de Protecção Total" - nunca sofreu qualquer restrição tanto ao nível do acesso pedestre como ao nível do acesso motorizado e, neste aspecto, a cobrança da "taxa de acesso" apenas serve para financiar o ICNF, não havendo qualquer impacto visível (ou, já agora, invisível) na preservação da Mata de Albergaria.
A visitação da Mata de Albergaria - principal razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês - merece por parte de quem governa o país (seja quem for), um murro na mesa, uma voz grossa e publicações com letras maísculas. Só assim se preserva a Reserva Biogenética! E mais uma vez basta uma curta visita à Mata de Albergaria para constatar que, no Verão, as regras não se aplicam (bom, na verdade, nem no Verão, nem no Inverno).
A Mata da Albergaria não está cuidada ao abrigo da justificação de que deve ser a Natureza a cuidar dela própria e não são as esporádicas limpezas de mato feitas pelas equipas de Sapadores que afirmam um suposto cuidado com a Mata. No Verão, é ver as hordas de banhistas que assaltam as lagoas naturais do Rio Homem e basta uma não muito atenta procura entre as rochas para ver o efeito de um turismo desordenado e irresponsável que não faz a mínima ideia da espcificidade do local onde se encontra.
Há uns anos, disseram que "não se pode vir para o Gerês como se vai para a praia." Entretanto, a situação piorou.
O compromisso para a preservação dos espaços naturais na Peneda-Gerês tem de ser de todos, mesmo daqueles que só gostam de trabalhar no Verão. As regras têm de existir e ser cumpridas, e quem não cumpre terá de aprender da maneira mais dolorosa... sim, muita gente só aprende "quando lhe vão ao bolso!" A sinalética existe, mas não é respeitada "porque não estava lá ninguém para a fazer respeitar." Se assim não for, corremos o risco de matar a «galinha dos ovos de ouro».
Em tempos foi pensado um sistema prático (semelhante ao que existe noutros parques nacionais) com a criação de zonas de estacionamento nas Caldas do Gerês e no Campo do Gerês a partir das quais seria criada uma rede de transportes em minibus que fizesse a ligação entre estes pontos e as zonas balneárias do Rio Homem ou mesmo do Arado. Chegou a ser prevista a criação até de uma zona de estacionamento na Portela de Leonte como parte deste sistema, sistema este que deveria limitar os lugares de estacionamento na zona transfronteiriça. O projecto não avançou e a situação foi piorando. Hoje, a Portela do Homem chega a ser caótica.
A sazonalidade tem de se combater com um projecto a médio e longo prazo, e não será a megalomania de um teleférico que irá terminar com ela quando existem soluções muito mais fiáveis, mais práticas e que não venham a hipotecar o futuro do concelho e do Parque Nacional. A implementação de um sistema deste tipo irá trazer alterações de fundo a uma zona onde o espaço para a sua implementação é reduzido (zonas de estacionamento, áreas e serviços de apoio nos pontos culminares do percurso, etc.).
Eu, que nada percebo destas coisas, já há muito que digo que é necessária uma alteração de paradigma no turismo que chega ao Parque Nacional da Peneda-Gerês e no turismo que se promove no concelho de Terras de Bouro, porque no futuro "QUEREMOS MUITO QUE TUDO CORRA BEM. QUEREMOS MESMO."
















































