terça-feira, 13 de outubro de 2026

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLXVII) - Mina de Borrageiros

 


O manifesto mineiro para a mina de ‘Borrageiros’ foi entregue na Câmara Municipal de Montalegre a 18 de Setembro de 1916 por José Frederico Lourenço da Cunha, de 32 anos e residente em Caminha, que descobriu naquele local por inspecção de superfície uma mina de volfrâmio e outros metais.

O ponto de partida para a demarcação da concessão mineira 949 ficou definido a 300 metros a partir do alto dos Borrageiros medidos no rumo nascente, seguindo até ao Penedo Redondo, daqui até ao Ribeiro do Couce e o curso do mesmo ribeiro até à sua nascente, confrontando pelo nascente com o marco geodésico de Chamições (Chamiçais), do poente com Carris, do Norte com Matança e do Sul com Cidadelha (Cidadelhe).

Por endosso, a mina seria cedida a Paul Brandt, cidadão suíço de 37 anos residente no Porto, e a António Lourenço da Cunha, de 43 anos residente em Caminha e gerente da Empresa Hidro Eléctrica do Coura, Lda. Em Outubro os vários filões são estudados pelo Professor F. Fleury, do Instituto Superior Técnico, o qual procede à recolha de amostras que submete para análise pelo Professor Charles Laspierre. Em Novembro, Paul Brandt e António Lourenço da Cunha, requerem o reconhecimento oficial do jazigo. O Engenheiro Chefe de Repartição de Minas, Manuel Roldan y Pego, emite os éditos de concessão a 17 de Novembro, sendo publicados no Diário do Governo a 22 de Novembro de 1916.

Sem meios de acesso para viaturas, os trabalhos na mina sempre foram rudimentares e inicialmente executados à superfície. O minério obtido no Verão de 1917 era transportado por muares para a casa do juiz de paz de Cabril, José Maria Afonso Pereira, onde ficava depositado. No local da mina não existiam habitações confortáveis e capazes de resistir aos rigores invernais da Serra do Gerês. Após os primeiros trabalhos no Verão de 1917 onde terão sido obtidos cerca de três toneladas de minério, os dois detentores do registo mineiro solicitam a 26 de Dezembro que lhes fosse permitida a transferência do minério para Frades do Pinhedo.

A Mina de Borrageiros tem assim uma história mais antiga do que as Minas dos Carris, porém, infelizmente, parte dela perdida para sempre.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

"Município de Terras de Bouro lança projeto Gerês Ativo para dinamizar turismo sustentável"

 


Notícia da Peneda-Gerês TV pelo jornalista Jorge da Costa para ler aqui.

"O Município de Terras de Bouro apresentou, na sexta-feira, dia 9 de setembro, no Museu da Geira, o projeto Gerês Ativo, uma iniciativa destinada a valorizar as empresas locais, promover o turismo de natureza e combater a sazonalidade no Parque Nacional da Peneda-Gerês."

Fotografia: Peneda-Gerês TV

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLXVI) - Os últimos dias da vezeira

 


Com a chegada do Outono e o encurtar dos dias, as vezeiras vão terminando um pouco por toda a Serra do Gerês. Os animais vão regressando a pastagens mais próximas das aldeias e estas preparam-se para os dias frios que se espera que cheguem «em breve».

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 11 de outubro de 2026

Serra do Gerês - Gerês Ativo pelos "Segredos da Albergaria"

 


A caminhada "Segredos da Albergaria" foi realizada pela RB Hiking & Trekking no âmbito do programa do Festival de Desportos de Natureza "Gerês Ativo", promovido pelo Município de Terras de Bouro.

Esta é uma caminhada interpretada e surge como uma forma de divulgar a importância da preservação do património natural e histórico existente na Mata de Albergaria, razão de ser do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) e jóia da coroa da Natureza do concelho de Terras de Bouro.


Inserida na freguesia de Campo do Gerês, e sendo um dos maiores tesouros naturais que existe no PNPG, a Mata de Albergaria é classificada como reserva biogenética pelo Conselho da Europa em 1988.

Embora existam outras manchas de carvalhal importantes no Parque Nacional, tais como em Castro Laboreiro, a Mata do Cabril, o Beredo e em Rio Mau, a Mata de Albergaria distingue-se pela sua extensão e por ser única em Portugal, sendo uma das mais bem conservadas da Península Ibérica, ocupando uma área de 1.371,3 ha na Serra do Gerês, ao longo do vale do Rio Homem e dos seus afluentes.

A Mata é em si um bosque climácico dominado pelo carvalho-alvarinho, mas onde surge também o carvalho-negral bem como outras espécies características dos carvalhais galaico-portugueses que constituíam a vegetação primitiva da grande parte do Noroeste português.

A caminhada "Segredos da Albergaria" teve início na Portela do Homem, junto da Milha XXXIV da Geira Romana. Aquilo que hoje vemos na Portela do Homem está muito longe do cenário de há pouco mais de 100 anos. O topo do Vale de S. Miguel foi aterrado, sendo aí construídos os edifícios fronteiriços. Já nada resta das construções anteriores e alguns dos marcos miliários ali existentes podem ter sido trazidos de outros lugares (pois as numerações de milhas não correspondem àquele lugar) ou sendo ali mesmo uma zona de fabrico desses mesmos marcos.

De facto, na Portela do Homem "conserva-se um vasto grupo de miliários, mas nem todos pertencentes à milha XXXIV. O local onde, actualmente, se concentram os miliários não é, por certo, o ponto original da sua implantação. Também não o será a zona onde alguns metros mais a nascente e a uma cota inferior foi desenterrado um miliário coberto de sedimentos modernos, durante a campanha de 1992. (...), as antigas descrições referem-se a pelo menos treze miliários. Actualmente apenas se observam oito, contando com o que foi recentemente recuperado. Deve, pois, admitir-se a possibilidade de outros miliários ainda se manterem sob os aterros adjacentes à estrada."

Seguindo pelo que terá sido parte do traçado da Geira Romana, envereda-se pela frondosa mata, percorrendo inicialmente o Vale de S. Miguel e passando no Curral de S. Miguel (da vezeira de Vilarinho da Furna). Aqui, e quase passando despercebido aos menos atentos, restam as ruínas da Ermida de S. Miguel. Pinho Leal, refere no seu Portugal Antigo e Moderno, que os naturais a construiram depois de levantado o interdito a que o papa sujeitou o reino, no tempo de D. Afonso III; porém, os mesmos povos, "como este sítio era ermo e remoto, demoliram a capella, levando o santo para a de Nossa Senhora das Mercês, do Villarinho". Tude de Sousa deixou-nos interessantes testemunhos sobre os trabalhos realizados pelos Serviços Florestais na Serra do Gerês, bem como de futuras propostas que viessem a melhorar a relação do Estado com os habitantes serranos. Uma destas propostas era a restauração da ermida e do culto de S. Miguel na Serra do Gerês, como podem ler em A restauração da ermida e do culto de S. Miguel na Serra do Gerês.

Seguindo o possível traçado da Geira Romana, surgem, mais adiante, as ruínas das antigas casas da Guarda Fiscal e um pouco mais adiante os restos do lajeado da estrada romana. Adentrámo-nos mais no bosque e somos chegamos às margens do Rio Homem, já perto da (nova) Ponte de S. Miguel, onde ainda se vislumbram os restos da antiga ponte romana destruída em 1640.

O caminho vai-nos levar depois a passar pela Milha XXXIII na Ponte Feia. "No local desta milha, (...) a uma altitude de 660 metros, conservam-se 20 miliários. Sem escavações não é possí­vel afirmar se estão no local original, ou se foram repostos em épocas posteriores.

Actualmente apenas se conseguem ler as inscrições em quatro miliários. De acordo com a bibliografia as inscrições referem-se ao século III: Maximino e Máximo (238); Décio (250); Tácito (276); Carino (283-285) e Maximiano (285-305).

No trajecto entre a milha XXXIII e a ponte de S. Miguel podem observar-se os seguintes elementos relacionados com a via romana: uma pedreira para extracção dos miliários; uma das pedreiras que terá alimentado a oficina de talhe dos blocos que serviram para erguer a Ponte de S. Miguel (margem sul); uma passagem a vau sobre a ribeira de Monção, com sólidos blocos de granito de tosco aparelho.

O pavimento da via entre a milha e a ponte, embora sendo plano, encontra-se mal conservado, estando reduzido a uma camada de calhaus, ou seja ao leito de preparação. Da ponte de S. Miguel em diante sobe suavemente, distinguindo-se diversos trechos de via pavimentada com calçada."

Na zona vemos também as tristes ruínas do velho, degradado e abandonado Abrigo de Montanha do Académico F. Clube. Aqui, vale a pena a visita à Ponte Feia com vista para o poço do mesmo nome.

Prosseguindo no traçado da Geira Romana, chegámos aos Viveiros da Albergaria e aos restos de duas outras pontes romanas sobre o Rio do Forno e Rio de Maceira. Entramos então num bosque de azevinhos e à nossa espera encontra-se um velho e secular exemplar desta mítica árvore que terá testemunhado eventos históricos do nosso país. Mais adiante, passamos pelo Curral de Albergaria - visitado por Hermenegildo Brito Capelo, Leonardo Torres, Denis Santiago e Serafim dos Anjos e Silva na noite de 20 de Setembro de 1882, durante uma das primeiras expedições científicas à Serra do Gerês e que pode ser lida em Uma incursão na Serra do Gerês em Setembro de 1882.


Chegando à estrada, e caminhando na direcção da Portela do Homem, surge a poucas dezenas de metros um secular carvalho com entre 500 e 600 anos, verdadeiro senhor(a) da Mata de Albergaria. 

Enveredando na direcção de Ponte Feia, o regresso é feito para a Portela do Homem em sentido contrário.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"‘Gerês Ativo’ com desportos de natureza contra a sazonalidade"

 


Notícia do jornal Correio do Minho pelo jornalista Rui Serapicos para ler aqui!

"Até 18 de Outubro, num tempo de menor afluência de turistas, o programa ‘Gerês Ativo’ propõe caminhadas, canoagem, passeios em veículos todo-o-terreno ou a cavalo."

Fotografia: Correio do Minho

VIII Encontro Micológico de Cabril

 


O VIII Encontro Micológico de Cabril terá lugar a 14 de Novembro de 2026.

Para mais informações e inscrições, os interessados poderão contactar através do telefone: 253 659 970 ou via e-mail para o endereço baldiosdecabril@gmail.com.

Apresentação do livro "Chão de Mim"

 


A apresentação do livro "Chão de Mim", da autoria de Manuel Cracel Viana, terá lugar a 26 de Outubro de 2026, pelas 17h00, no Auditório Municipal de Terras de Bouro.

Gerês Ativo - Caminhada pela Aldeia de Campo do Gerês

 


A decorrer entre os dias 10 e 18 de Outubro de 2026, a primeira edição do Gerês Ativo, decorre no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês e ao longo de oito dias, o evento convida caminhantes, atletas e amantes do ar livre a redescobrir a serra através de um programa denso e diversificado.

Promovido pelo Município de Terras de Bouro, o Gerês Ativo reúne 39 atividades distribuídas por 55 sessões, em parceria com 12 empresas locais de animação turística e desportos de natureza. As vagas são limitadas por sessão, uma opção que visa proteger o ambiente e garantir a qualidade da experiência de cada participante.



A 18 de Outubro decorre a Caminhada pela Aldeia do Campo do Gerês organizada pela RB Hiking & Trekking.

Milenar na paisagem da Serra do Gerês, a aldeia de Campo do Gerês foi lugar de passagem das legiões romanas. Abrigada dos ventos frios do Norte, conservou-se única no seu Assento e as suas gentes são a imagem da resiliência e resistência dos dias isolados nas serranias agrestes do Gerês.

A inscrição para esta caminhada deverá ser feita aqui!


sábado, 10 de outubro de 2026

Gerês Ativo - Caminhada Interpretada às Minas dos Carris

 


A Caminhada Interpretada às Minas dos Carris pretende ser uma oportunidade para aqueles que nunca visitaram este local e para quem já o visitou, relembrando a história do volfrâmio na Serra do Gerês.

Esta caminhada é organizada pela RB Hiking & Trekking e irá percorrer o Vale do Alto Homem, tendo depois uma visita às ruínas do velho complexo mineiro.

A participação neste evento não tem um custo específico, isto é, cada participante poderá - ou não - fazer um pagamento de acordo com a sua satisfação da forma como decorreu o evento.

A inscrição para esta caminhada deverá ser feita aqui!


A Caminhada Interpretada às Minas dos Carris está inserida no programa do Festival de Desportos de Natureza de Terras de Bouro - Gerês Ativo.

A decorrer entre os dias 10 e 18 de Outubro de 2026, a primeira edição do Gerês Ativo, decorre no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês e ao longo de oito dias, o evento convida caminhantes, atletas e amantes do ar livre a redescobrir a serra através de um programa denso e diversificado.

Promovido pelo Município de Terras de Bouro, o Gerês Ativo reúne 39 atividades distribuídas por 55 sessões, em parceria com 12 empresas locais de animação turística e desportos de natureza. As vagas são limitadas por sessão, uma opção que visa proteger o ambiente e garantir a qualidade da experiência de cada participante.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLXV) - Memórias de silêncio na Mina de Borrageiros

 


As ruínas da Mina de Borrageiros são o testemunho mais antigo da actividade mineira na Serra do Gerês. Nos nossos dias, aquele local ermo é um depositário de memórias de silêncio dos dias em que o pão saía das entranhas da terra.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Jornadas Técnicas sobre os Carvalhos (Edição VII)

 


Entre 23 e 25 de Outubro de 2026 decorre a Edição VII das Jornadas Técnicas sobre os Carvalhos.

Este é um evento onde podes caminhar pela natureza do Campo do Gerês, em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, ao mesmo tempo que assistes à partilha de conhecimento de especialistas relacionados ao tema do “Restauro Ecológico”. 

Para tornar o fim de semana ainda mais especial, terás a oportunidade de provar o que de melhor se produz em Campo do Gerês através da degustação de produtos locais ao longo dos 3 dias!

O número de inscrições é limitado!

Postais do PNPG (CCLXXIV) - "GEREZ - Vista Geral (Norte-Sul)

 


A fotograafia na qual é baseada este postal mostra-nos a vila termal do Gerês já na segunda metade do século XX. A Capela de Sta. Eufémia encontra-se já na sua orientação actual, se bem que o espaço frontal à Colunata Honório de Lima (a "Praceta") - criada em 1926 e desenhada pelo arquitecto Raul Lino - ainda não sofreu a transformação para a sua configuração actual.

O postal em questão foi endereçado para o Porto a 20 de Agosto de 1960.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Gerês Ativo - Hiking ao Curral da Raiz e Prado do Vidoal

 


A decorrer entre os dias 10 e 18 de Outubro de 2026, a primeira edição do Gerês Ativo, é um Festival de Desportos de Natureza que decorre no coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Ao longo de oito dias, o evento convida caminhantes, atletas e amantes do ar livre a redescobrir a serra através de um programa denso e diversificado.

Promovido pelo Município de Terras de Bouro, o Gerês Ativo reúne 39 atividades distribuídas por 55 sessões, em parceria com 12 empresas locais de animação turística e desportos de natureza. As vagas são limitadas por sessão, uma opção que visa proteger o ambiente e garantir a qualidade da experiência de cada participante.


No dia 15 de Outubro irá decorrer o Hiking ao Curral da Raiz e Prado do Vidoal, promovido pela RB Hiking & Trekking.

Os currais de pastoreio são o melhor exemplo das tradições de transumância que ainda se pratica na Serra do Gerês. Esta curta caminhada ao Curral da Raiz e Prado do Vidoal vai-nos mostrar dois desses espaços e as variadas paisagens da Serra do Gerês.

A inscrição para esta caminhada pode ser feita aqui!

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCLXIV) - Meda de Rocalva

 

A Meda de Rocalva, uma das paisagens mais reconhecidas da Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Serra do Gerês - Ao Altar da Geira e às Lamas de Bruites

 


Caminhada num perfeito dia de início de Outono, com uma manhã fresca e uma tarde temperada, que nos levou até a um local que já andava para visitar há uns bons anos.

Iniciamos o percurso na Portela do Homem seguindo depois em direcção à Chã de Calvos, seguindo o caminho florestal. Línguas de nuvens lambiam os altos serranos cobrindo a Encosta do Sol e dissipando-se à medida que iam mergulhando no Vale do Alto Homem. A caminhada pela estrada fez-se em passo contemplativo e silencioso. Reza a história que este caminho iria fazer a ligação com Lindoso, passando na vertente Nascente da Louriça vindo de Ramisquedo e seguindo pela Costeira do Fial até entroncar na estrada florestal que liga Lindoso ao alto da Serra Amarela. Porém, chegando aos terrenos de Vilarinho da Furna, a população desta aldeia mobilizou-se para, nos tribunais, impedir que tal se viesse (felizmente) a concretizar.

A estrada termina junto de um dos muros de traça a serrania já perto da Chã do Corisco. Aqui, tomamos um carreiro mariolado que nos levaria pela Encosta do Fento e atravessar a Corga do Fento. Atravessando a Corga de Ribas, enveredamos na direcção do Portelo das Lamas de Bruites até chegar à Chã do Portinho de Azereiro.






Todos estes espaços, agora profundamente silenciosos, recordam a memória da presença das gentes de Vilarinho da Furna que os utilizava para se deslocarem entre currais no apascentamento dos animais. Hoje são espaços «abandonados» e quase esquecidos onde nem os mapas lhes fazem juz.

Da Chã do Portinho de Azereiro seguimos para os grandes horizontes sobre o Rio Homem, ou na verdade, sobre a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas. A caminho do marco triangulado do Altar da Geira surgiu um pequeno muro de pedra solta, aparantemente como muitos outros muros que surgem pelas serranias no Parque Nacional. Porém, um olhar mais curioso levou a notar que o muro envolve por completo um alto não muito afastado do Altar da Geira. Mergulhando em momentos especulativos para tentar explicar tal construção, surgiu a ideia de que aquele local poderá ter sido um castro esquecido, eliminando a hipótese de ter sido um colmeal ou uma eira, tanto devido à sia localização como à estrutura do terreno. Como em muitos lugares, a explicação será difícil sem um estudo mais atento do local.






Deixando este ponto, seguimos então para o marco triangulado do Altar da Geira que se encontra já degradado, mas que proporciona uma paisagem magnífica sobre a albufeira da barragem e das montanhas que se empinam até ao Pé de Cabril com o olhar a navegar desde a Mata de Albergaria e dos píncaros das Albas, Cornogodinho e Pé de Medela, passando pelo alto de Bargiela, Pena Longa, Mesas, Redondelo e Fragas do Srilhão e de Cima, esbatendo-se no Pinhote e Picota. Este teria sido um ponto priveligiado de observação da Geira Romana e dos passos medievais que lhe seguiram, fazendo recordar as construções existentes na Sarrinha das Galhetas um par de quilómetros mais adiante.

Após longos minutos de contemplação, prosseguimos a jornada, seguindo na direcção do Curral da Chã do Carvalho - com o seu abrigo pastoril completamente escondido pela vegetação. Após uma já merecida paragem para o almoço, prosseguimos para o alagado Curral das Lamas de Bruites e daqui, iniciamos o regresso ao ponto de partida subindo à Portela de Lamas de Bruites e fazendo desde aqui o percurso em sentido contrário até à Portela do Homem.

Ficam algumas fotografias do dia...














Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)