Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento.
"Requiem", Miguel Torga
Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

1 comentário:
aquando da minha visita a Vilarinho e subida à zona do curral de Porto Covo ,tive pensamentos de poesia ao ver o chao outrora sagado ,agora tristemente queimado,,e nao deixei de pensar como trataram os ossos dos ja enterrados que mereciam a paz.
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