segunda-feira, 24 de março de 2025

Postos de Turismo e Núcleos Museológicos do Campo do Gerês certificam pedestrianistas da Grande Rota PNPG

 


Os postos de turismo do concelho, Moimenta, Rio Caldo e Gerês, para além do Núcleo Museológico do Campo do Gerês, passam, a partir de agora, a poder certificar também os Pedestrianistas da Grande Rota do PNPG, podendo também certificar os peregrinos de Santiago de Compostela.

Esta inovação surge na sequência da anterior existência de dois carimbos, um no Posto de Turismo de Moimenta e outro no Núcleo Museológico do Campo do Gerês, que confirmavam já as credenciais dos caminheiros ao longo do Caminho da Geira e dos Arrieiros. Devido à existência de solicitações noutros locais, foram assim criados mais dois carimbos, um para o Posto Turismo de Rio Caldo e outro para o Posto de Turismo do Gerês. Foram também criados carimbos, um para o Núcleo Museológico e outro para o Posto de Turismo do Gerês a fim de carimbar o Passaporte nas etapas da GR50 – Grande Rota Peneda-Gerês, dentro do território de Terras de Bouro.

Os peregrinos que efectuem o Caminho Jacobeu da Geira e dos Arrieiros, entre Braga e Santiago de Compostela, têm a possibilidade de carimbar os seus passaportes com as respetivas credenciais. Este percurso, que percorre uma distância total de 240 km, é constituído por quatro áreas diferentes. O trajeto entre Braga e Lóbios, cerca de 68 km, permite percorrer a Geira que atravessa o concelho de Terras de Bouro.

Significando um importante atracão turística, já que percorre o Parque Nacional da Peneda-Gerês, entrando em Espanha pela fronteira da Portela do Homem, a viagem proporciona um natural relacionamento entre os residentes e os viajantes, originado um aconchego físico e espiritual essencial para quem passa, isto para além da comunhão perfeita com a Natureza, criando assim um cenário idílico.

Fotografia © Município de Terras de Bouro (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (24 a 31 de Março)

 


E depois dos dias frios, chegam os dias de Primavera às Minas dos Carris.

domingo, 23 de março de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXCVIII) - Homens de granito (Costa de Sabrosa)

 


As peculiaridades do caos granítico na Costa de Sabrosa, Serra do Gerês. 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

sábado, 22 de março de 2025

"A Águia-real na Peneda-Gerês"

 


No tempo em que o Parque Nacional da Peneda-Gerês produzia literatura de interesse, "A Águia-real na Peneda-Gerês" é um pequeno livro que nos fala da presença deste rei dos céus no nosso único parque nacional.

Da autoria de Miguel Pimenta e com desenhos de Ana Pinto, este pequeno livro foi editado em 1984 e é uma maravilhosa adição à minha biblioteca.

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXCVII) - Borrageiros

 


Vigilante sobre toda a paisagem serrana, o colosso de Borrageiros traz-nos a monumentalidade da montanha à Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (22 a 29 de Março)

 


O Sol começará a dar a um ar da sua graça a partir do dia 23 de Março. Após o dia 25, esperam-se céus pouco nublados ou limpos, com a temperatura máxima a subir.

sexta-feira, 21 de março de 2025

Seminários Caminhados 2025

 


A edição de 2025 dos Seminários caminhados terá lugar a 24 e 25 de Maio, tendo como tema "De Quem é a Natureza? Bem Comum, Cidadania e Futuro".

Mais informações e inscrições aqui!

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXCVI) - Albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas e a Serra Amarela

 


Vista na subida para o Redondelo, Serra do Gerês, a albufeira da Barragem de Vilarinho das Furnas banha o lado Sul da Serra Amarela.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (21 a 28 de Março)

 


A Primavera chegou com chuva e parece que poderemos ter um cenário branco nos pontos mais elevados da Serra do Gerês. A precipitação só deverá acalmar no dia 26 de Março.

"O Menino da Aldeia"

 


Porque o Parque Nacional é, acima de tudo, as pessoas que lá vivem, o livro "O Menino da Aldeia" é uma forma de conhecermos a vivência de uma criança na sua aldeia.

Da autoria de José Príncipe, nascido na aldeia da Ermida (Vilar da Veiga, Terras de Bouro), o livro é uma edição de 2010 de José Príncipe e Chiado Editora.

"O autor deste livro diz-nos como um menino simples e humilde se pode adaptar às novas realidades menos que estas nada tenham a ver com as suas origens, porque as nossas vidas são feitas de adaptações constantes, sejam elas a consequência das nossas escolhas ou escolhas dos outros. (...) O menino da aldeia pode ser o retrato do que pode ser a vida de cada um de nós, porque todos nós temos a nossa aldeia."

quinta-feira, 20 de março de 2025

Vestígios de abrigos pastoris no Prado (Campo do Gerês)

 


Na Serra do Gerês, o (curral do) Prado é uma das zonas de pastagem do Campo do Gerês.

Com o seu abrigo pastoril recuperado há uns anos, é passagem «obrigatória» para quem demanda o Pé de Cabril vindo de Junceda ou do Curral de Gamil. Para além deste, na zona encontra-se outra zona de pastagem (a Fenteira do Prado) que antecede a chegada ao Prado para quem vem de Poente (vindo de Junceda ou mesmo da Fonte de Gamil).

Não sendo limitado por qualquer muro, o Prado tem um abrigo pastoril tipo cabana de construção «recente». Uma observação atenta, pode revelar o que eu penso serem vestígios de dois abrigos mais antigos, sendo um deles um velho forno pastoril típico da Serra do Gerês.

A existência de abrigos pastoris abandonados nas zonas de pastagem ou de guarda dos animais, é comum em muitos currais da Serra do Gerês. Por exemplo, no Prado do Vidoal, acima da Portela de Leonte e à sombra do Outeiro Moço, é possível distinguir três fases distintas de ocupação do prado através das ruínas lá existentes.

A presença destes abrigos no Prado (Campo do Gerês) - dos quais não há memória entre a população actual - vem de novo atestar a ocupação milenar do território onde a simbiose Homem v. Natureza o moldou de forma a termos nos nossos dias um espaço único em Portugal.

Será possível datar estes vestígios? No seu livro "Caldas do Gerez - Guia Thermal" (1891), Ricardo Jorge refere, "nem por documento escripto, nem por achado archeologico, se pode deparar indicio de que gentes fizessem paragem nas asperezas do Gerez, antes da dominação romana. Da passagem da serra pelos grandes conquistadores do mundo, dizem os livros e fallam com eloquencia os monumentos que, affrontando a desfeita dos seculos, ainda hoje surpehendem quem transita por aquellas solidões agrestes."

No entanto, e baseado nas figuras rupestres que aqui e ali surgem nas serranias (Absedo) e no testemunho das edificações fúnebres (Lomba de Pau), facilmente de poderá deduzir que os enrugados vales serranos, as suas profundas corgas e os seus prados tenham sido residência de tribos nómadas, das quais os actuais currais são memória latente à espera de ser estudada.

Voltando aos vestígios do Prado, surgem-nos o que me parecem ser duas velhas construções ligeiramente a Poente do actual abrigo pastoril. Canibalizando parte de um texto aqui publicado em Agosto de 2022 (Um outro abrigo pastoril no Prado?), a localização do actual abrigo pastoril em forma de 'cabana' permite a vigia da vezeira no prado a Nascente e será pertinente supor que teria sido construído no mesmo local onde poderia ter existido um forno pastoril. A observação atenta leva-nos a definir o que terão sido as paredes de um antigo abrigo que seria utilizado na vigia do prado que se atravessa na direcção da Fenteira do Prado, isto é, a Poente. Este, teria a forma quadrangular com a entrada voltada a Sul. Algumas das rochas caídas no seu interior poderiam ter sido utilizadas na cobertura do abrigo pastoril, alagado já antes da construção da actual cabana, que possivelmente terá utilizado rochas do abrigo mais antigo.









Mas, como explicar a sua forma quadrangular? Recordemos que os abrigos pastoris do Curral de Gamil e do Curral de Bostelo são do tipo "forno pastoril" de falsa cúpula. Assim, por que é que em Tirolirão e no Prado os abrigos são 'cabanas'? Será que por ali existiram também abrigos pastoris do tipo 'forno pastoril'?

A verdade é que no Prado também terá existido um forno pastoril, pois ao lado do abrigo alagado, surge um conjunto de pedras em disposição circular que podem ser os restos do velho forno pastoril.








Estes vestígios (restos de velhos abrigos, restos de dólmenes, os velhos colmeais e silhas, pequenas formações circulares de pedras, muros, etc.) são peças de um ‘puzzle’ por construir e que poderiam ajudar a escrever a História da Serra do Gerês e a sua ocupação milenar.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXCV) - Minas dos Carris

 


A paisagem invernal das ruínas das Minas dos Carris, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Previsão meteorológica para Nevosa/Carris (20 a 27 de Março)

 


E a Primavera chega com chuva, neve e frio (e fogo em alguns locais). Para o Pico da Nevosa esperam-se acumulações de 39 cm entre 21 e 24 de Março.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCXCIV) - A Chã de Susana

 


A Chã de Susana por terras de Xertelo, Serra do Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

Trilhos seculares - Caminhada pelo silêncio geresiano

 


Caminhada em dia frio açoitado por um vento que se enraivecia à medida que as horas foram passando.

Comecei esta caminhada pelos carreiros silenciosos do profundo Gerês com a subida pela Corga da Abelheira, ladeada de um lado com o caos granítico da Teixeirinha até chegar a Entre Caminhos, uma verdadeira varanda natural para as serranias selvagens e pouco caminhadas do Parque Nacional.

Desde Entre Caminhos o horizonte é limitado pelas serranias graníticas e nuas, a verdadeira essência da Serra do Gerês. Horizonte atravessado por pequenos ribeiros em profundas corgas numa paisagem cortada por vertentes alcantiladas, salpicada por prados verdejantes e atravessada por carreiros de história e memórias de tempos idos, onde a pastorícia, a carvoaria, o contrabando e a exploração mineira escreveram as linhas da História destes locais. 




A paisagem vê-se também polvilhada de grandes blocos graníticos em tempos arrastados pelas forças dos glaciares que moldaram aqueles vales. De facto, na Serra do Gerês podem-se encontrar formas de relevo e zonas sedimentares que são memória das acções da glaciação que afectaram aquelas montanhas há centenas de milhares de anos. No vale de Compadre, por onde acabaria de passar, surge a oportunidade de observar acumulações de blocos graníticos (moreias) criadas pelo movimento dos glaciares. Destas, destaca-se a moreia lateral de Compadre, a mais extensa do Norte de Portugal, com cerca de 1 km de extensão, e noutros sectores do vale, tais como a Ribeira da Biduiça e vertente ocidental dos Cornos de Candela, ocorrem sedimentos (denominados till subglaciário) que permitem estimar uma espessura de gelo de cerca de 150 metros, durante o máximo da glaciação. 

Deixando então para trás aquela magnífica varanda em Entre Caminhos, inicia-se uma curta descida para os currais de Biduiça (Biduiças) e seguindo a Norte, chega-se ao Curral das Rocas de Matança situado na margem do Ribeiro da Biduiça. Lá ainda se encontram os vestígios alagados do velho forno pastoril, um património esquecido nas paragens serranas.




Seguindo a margem direita da Ribeira de Biduiças, atravessei-a umas centenas de metros mais adiante já perto da embocadura da Corga de Lamelas e segui até encontrar o carreiro que nos ajuda pausadamente a vencer a encosta e que eventualmente nos levará às imediações dos Currais de Matança, vistos do alto da margem esquerda da Ribeira das Negras. Daqui, avista-se ao longe, a parede da Represa dos Carris e algumas cicatrizes deixadas na paisagem pela mineração na concessão mineira da Corga das Negras I, com a sua escombreira e boca-mina.

Caminhando através da penedia, o carreiro leva-nos até à Mariola Forcada. Aqui, tomei o carreiro que me levou a passar no Alto do Moreira e ladear o Castanheiro. A paisagem que se vislumbra é uma verdadeira obra-prima da Natureza. A partitura da ópera natural que se desenrola perante os nossos olhos, transforma-se num assombro da Natureza, um grito ímpar que ecoa pelos píncaros geresianos. Naquele lugar, o panorama leva-nos desde a forma suavemente matemática da Roca Negra e do Iteiro d'Ovos até aos espigões da Fonte Fria, mergulhando no vale do Compadre.



O velho carreiro da vezeira passa à direita do Alto das Eiras e pela margem direita do Ribeiro da Fecha do Castanheiro, ladeando depois o Alto das Portas do Castanheiro e o Espigão das Lamas de Pau, bordejando a Corga do Gargalão, descendo à Chã de Suzana onde entramos no velho estradão florestal da EDP. Este, levar-nos-ia ao ponto de partida passando pela Corga de Trás-da-Meda até chegar à estrada municipal e Corga da Abelheira.

Ficam algumas fotografias do dia...

























Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)