domingo, 16 de dezembro de 2007

A equipa de futebol...

Carris, ...anos 50

Quando se procura conhecer a História de um lugar, de uma região por vezes é-se surpreendido por verdadeiras revelações das quais um não estava à espera.

Recentemente numa troca de correio electrónico com familiares de José Rodrigues de Sousa, um dos sócios da Sociedade de Minas do Gerêz Lda. que explorava as minas em Carris, fiquei surpreendido com a existência de uma equipa de futebol nos Carris. Bom, não sei se haveria qualquer tipo de campeonato entre equipas de explorações mineiras no Norte de Portugal ou se a equipa participaria mesmo em algum campeonato distrital naqueles tempos, mas que é algo de surpreendente, lá isso é!!!

Não sei qual seria a designação oficial da equipa de futebol (se é que havia designação oficial), mas pelas fotografias e seguindo uma sugestão de José Manuel Rodrigues de Sousa, atrevo-me a arriscar a designação de "Sporting Club dos Carris"!...
Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Edifícios das Minas dos Carris (VII)

Carris, 2 de Janeiro de 1999 (...e anos 40)

A fotografia em baixo mostra-nos os primeiros edifícios de extracção e processamento de minério que deverão ter existido nas Minas dos Carris nos anos 40 do século passado quando ainda somente uma das concessões estava a ser explorada. Estes edifícios foram construídos pela Sociedade Mineira dos Castelos Lda. tendo posteriormente sido alargados com a construção de outros novos edifícios.

É interessante de observar nesta imagem o que parece ser um poço de mina num local onde hoje está localizada uma zona de abatimento completamente coberta por grandes pedras. Se assim for urge questionar sobre a segurança de mais esse local, pois caso na realidade seja uma zona de abatimento não sabemos até que ponto o equilíbrio está assegurado numa zona aparentemente segura e ponde onde passam quase todos aqueles que visitam as Minas dos Carris. Curiosamente, o último abatimento que registei naquela zona encontra-se a poucos metros deste possível poço de mina actualmente entulhado...

Fotografia: © Rui C. Barbosa
Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Mistério pelos Carris... (III)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Tentar escrever uma história que aos poucos vai vendo a luz do dia e tentar explicar algumas das peculiaridades que existem pelas Minas dos Carris é sempre um trabalho de quase adivinhação. O facto de se analisar aquilo que se vê no terreno e tentar interpretar a utilidade de certas estruturas em Carris, vão-se levantando hipóteses mais ou menos plausíveis sobre essas estruturas.

Nas duas entradas anteriores com o mesmo título, tentei interpretar a utilidade de certas construções rudimentares que se podem encontrar perto do marco geodésico dos Carris na Serra do Gerês, e mais precisamente perto da zona do Salto do Lobo. Nessa altura levantei várias hipóteses para a finalidade dessas construções, entre as quais afirmava poderem ter servido como primeiro abrigo para os primeiros homens a explorar o minério de volfrâmio naquela zona. Obviamente que são sempre hipóteses e talvez nunca saibamos na realidade qual o seu objectivo, pois deverão restar poucos daqueles que lá procuravam o ouro negro nos longínquos primeiros anos da década de 40 do século passado.

A exploração mineira nos Carris passou para uma fase mais 'industrializada' com o aparecimento da Sociedade Mineira dos Castelos Lda. que acabou por adquirir as concessões aos dois grandes adversários que em 1941 / 1943 lutavam pela posse do Salto do Lobo. Mais tarde, surge a Sociedade das Minas do Gerêz Lda. que transforma Carris numa exploração mineira semelhante às grandes explorações da Borralha ou mesmo da Panasqueira, mas numa escala mais pequena.

A seguinte fotografia foi cedida por familiares de José Rodrigues de Sousa, um dos sócios fundadores da Sociedade Mineira do Gerêz Lda., e mostra o que parece ser dos primeiros, senão mesmo o primeiro, acampamento dos operários que iriam construir os edifícios das Minas dos Carris. Esta fotografia tem um valor incalculável na História das Minas dos Carris. Certamente que nesta fase existiriam já na zona edifícios mineiros mais robustos, porém a quantidade de edifícios era insuficiente para albergar a massa humana que seria necessária para construir os edifícios que agora estão em decadente ruína devida a uma incompetente avaliação de prioridades.
Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Vale do Alto Homem ... anos 40


Carris, ...anos 40

Esta deve ser uma das paisagens mais fotografadas na Serra do Gerês ao longo dos anos. É a fotografia da praxe pois mostra uma das paisagens mais fantásticas do Norte de Portugal. Chegados a meio do caminho para as Minas dos Carris, somos brindados com uma beleza única no nosso país.

Sempre foi assim e nos anos 40 quem subia para o alto do Gerês também parava para admirar a paisagem, respirar o ar puro e fresco das alturas, retemperar forças à sombra do Modorno e admirar a Serra Amarela, distante...

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

...voltar ao pó.

Carris, 19 de Julho de 2007 (... e anos 40)

Estas imagens estão separadas por mais de 60 anos de História, mostrando o mesmo local nas Minas dos Carris...
Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Postais do passado...

Carris, ... anos 40

Tal como hoje o Rio Homem era local de descanso a caminho das Minas dos Carris numa altura em que o vale apresentava toda a sua pujança selvagem.

Ao longe o Cabeço do Modorno é bem distinguível.

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Pelo Vale do Alto Homem...


Carris, anos 40

A imagem mostra-nos a parte superior do Vale do Alto Homem por alturas do início da construção dos edifícios das Minas dos Carris. Apesar de parte do caminho que hoje conhecemos para as minas já existir (tal como se pode observar no lado esquerdo da fotografia), muito do material chegava àquelas paragens à força de ombros por um caminho que percorria parte da margem direita o Rio Homem e que hoje está escondido, tapado pela vegetação.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Edifícios das Minas dos Carris (VII)

Carris, 7 de Outubro de 2007 (... e anos 40 e 50) ...esta entrada foi editada tendo em conta um novo dado que me foi enviado por José Manuel Rodrigues de Sousa.

Foi com agrado e tremenda satisfação que nos últimos dias tive a oportunidade de contactar com dois descendentes (José Manuel Rodrigues de Sousa e Carlos Sousa) de um dos primeiros sócios (José Rodrigues de Sousa) da empresa de começou a exploração mineira nos Carris. A ajuda que me têm prestado neste trabalho de tentar preservar a memória das Minas dos Carris e daqueles que lá viveram, trabalharam e construíram as suas vidas, é uma ajuda com um valor incalculável e para a qual estarei eternamente agradecido.

Na fase actual encontro-me a analisar várias fotografias que me foram enviadas e ao comparar uma delas com uma outra fotografia que em tempos me foi enviada pelo leitor Artur Batista, notei um detalhe interessante. A primeira fotografia foi enviada por Artur Batista e mostra uma parte da Casa de habitação do Pessoal Superior da Mina e parte de uma das Casas de Habitação...

A seguinte imagem foi-me enviada por José Manuel Rodrigues de Sousa e mostra a mesma casa e a casa de habitação que lhe é anexa...

A fotografia de Artur batista foi datada como sendo de 1948 e a fotografia de José Manuel Rodrigues de Sousa é datada dos anos 50. Uma análise detalhada às fotografias mostra algumas diferenças interessantes. De notar a existência de uma nova janela na casa em pedra ao lado da Casa de Habitação do Pessoal Superior da Mina, o que implica por si só que a casa da fotografia cedida por Artur Batista foi alvo de uma grande remodelação. Veja-se a diferença nas paredes... a fotografia cedida por José Manuel Rodrigues de Sousa, e datada dos anos 50 mostra os edifícios acabados de remodelar. Uma outra diferença menos óbvia é a aparência da base da Casa do Habitação do Pessoal Superior da Mina. Da mesma forma, repare-se nas escadas nas quais está sentado José Rodrigues de Sousa e compare-se com as escadas da primeira imagem... existe na última imagem um bloco de granito que não existe na altura em que a primeira fotografia foi tirada.

São estas pequenas descobertas que tornam fantástica a história desconhecida das Minas dos Carris!!!

Fotografia: © Rui C. Barbosa

Fotografia: © Artur batista

Fotografia: © José Rodrigues de Sousa

Notas históricas (XV)

Montalegre, 19 de Julho de 1941

A 19 de Julho de 1941 é feito na Câmara Municipal de Montalegre o registo da concessão mineira da Corga das Negras em nome de Aníbal Pereira da Silva.

Fotografia: © Rui C. Barbosa

domingo, 9 de dezembro de 2007

Outros lugares de Carris (XXXII)

Carris, 6 de Agosto de 2006

A represa dos Carris é um dos locais mais peculiares que existe no velho complexo mineiro. Ainda pergunto qual o verdadeiro objectivo da casa junto à pequena albufeira?

Fotografia: © Rui C. Barbosa

sábado, 8 de dezembro de 2007

Mistério pelos Carris... (II)

Carris, 28 de Novembro de 2007

A exploração mineira na zona dos Carris na Serra do Gerês começou na área do Salto do Lobo. Naqueles anos já a Serra do Gerês era calcorreada pelas gentes serranas em busca do ouro negro que iriam depois vender. Por esta altura as Minas do Borrageiro (ou de Borrageiros) já tinham laborado por muitos anos, extraindo toneladas de volfrâmio das entranhas da Terra.

Quando Domingos da Silva descobriu por exploração de superfície os primeiros vestígios de volfrâmio no Salto do Lobo, iniciou-se uma corrida ao minério naquele local. A exploração em larga escala começaria alguns anos mais tarde, mas entretanto o minério que se encontrava à superfície ia sendo recolhido fazendo assim aumentar a riqueza de alguns que passavam os dias na serra.
Naqueles tempos a vida na serra era difícil e com o passar dos dias era necessário construir abrigos que protegessem os primeiros mineiros. Junto da área do Salto do Lobo encontramos hoje o que puderam ter sido esses primeiros abrigos de pedra.

Podemos apontar quatro possibilidades para a origem desses abrigos. A primeira é a que esses abrigos podem ser simples abrigos de pastores, afinal aquela zona da serra é percorrida pelos rebanhos e manadas nos meses de Primavera e Verão. Uma segunda hipótese pode apontar para abrigos de peregrinos que atravessavam a Serra do Gerês provenientes das aldeias serranas para os lados de Montalegre em direcção ao santuário de S. Bento da Porta Aberta. A terceira hipótese refere-se à utilização destes abrigos pelos contrabandistas que utilizavam a Serra do Gerês como um meio de introduzir no país os mais variados produtos. Finalmente, a quarta hipótese refere-se a que os restos que hoje observámos junto do Salto do Lobo sejam os restos dos primeiros abrigos utilizados pelos povos serranos que procuravam o volfrâmio na Serra do Gerês e mais precisamente para os lados do Salto do Lobo e dos Carris.

Nesta altura convém voltar a relembrar qual a origem do nome 'Carris'. Sendo aquela zona percorrida por inúmeros trilhos de montanha, a designação 'Carris' poderá surgir devido a esse grande número de caminhos por aqueles lados da Serra do Gerês. Note-se que aquando da disputa pela posse da concessão do Salto do Lobo, alguns documentos já referem a designação de 'Carris' como um alto serrano, logo este nome não está associado à actividade mineira naquela zona.

Um dos próximos objectivos de uma caminhada às Minas dos Carris será o de georreferenciar a localização destas ruínas que se encontram junto de explorações a céu aberto no Salto do Lobo, o local onde toda esta aventura começou...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Mistério pelos Carris...

Carris, 28 de Novembro de 2007

Qual será o significado ou a utilidade desta construções? A resposta pode não ser tão óbvia! Carris está cheio de mistérios...

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Edifícios das Minas dos Carris (VI)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Com esta nova entrada vou tentar determinar a localização de algumas divisões no edifício que servia Escritório e Cantina nas Minas dos Carris. Apesar de já ter publicado esta planta numa entrada anterior, acho que vale a pena rever a seguinte imagem pois ser-nos-á bastante útil...

Este edifício era composto por várias divisórias: escritórios, gabinete técnico, gabinete da administração, arrecadação, escritório da cantina, cantina, entrega de minério, depósito de minério e hall de entrada.

Ao compararmos esta planta com o que encontramos no que resta deste edifício facilmente conseguimos identificar algumas divisórias, porém uma outra parte das ruínas não coincidem com esta planta o que nos leva a deduzir que: a) ou a construção não foi realizada segundo o plano inicial, b) a construção foi realizada segundo o plano inicial, mas sofreu alterações posteriormente.

A imagem seguinte mostra-nos o escritório / cantina tal como surge hoje nas Minas dos Carris...

Ao se tentar comparar estas ruínas com a planta original do edifício somos tentados a dizer que a zona em primeiro plano corresponde à cantina. Esta afirmação pode ser correcta, até porque no interior podemos observar uma lareira cuja existência faz todo o sentido no interior de uma cantina destinada ao pessoal superior da mina.
Num plano mais afastado da imagem observamos as quatro janelas que estão na planta do edifício nas duas divisórias destinadas aos escritórios. A comparação com o que na realidade existe no terreno é consistente com a planta do edifício. Assim, as seguintes fotografias mostram o que resta dos escritórios onde em tempos se fez a gestão das Minas dos Carris...
Voltando à nossa planta, observámos que nas actuais ruínas não existe qualquer divisória que possamos identificar como sendo o hall de entrada e que percorreria toda a largura do edifício. Da mesma forma não existe qualquer porta de acesso entre o hall e o depósito de minério, apesar de nas ruínas existirem vestígios de que em tempos terá havido uma passagem entre os escritórios e essa parte da casa, tal como se pode ver na seguinte fotografia...

Numa divisória ao lado da que terá servido de depósito de minério existe o que resta do que facilmente se deduz ter sido uma cozinha. Nas paredes ainda se podem observar as canalizações de gás...

As próximas imagens mostram o que terá sido o gabinete técnico e a arrecadação...

Ao chegarmos a este ponto penso podermos então concluir que este edifício não terá sido construído segundo a planta original, pois nota-se a inexistência de algumas divisões e alterações efectuadas noutras. É de facto interessante a existência de uma passagem bloqueada entre a divisória onde provavelmente se depositaria o minério e os escritórios. Talvez tivesse ocorrido um erro no planeamento da construção no terreno e que os trabalhos tivessem avançado até um ponto onde já não seria possível voltar atrás. Apesar de ser uma especulação é algo que sobre o qual nunca teremos uma resposta...

Estas são conclusões feitas tendo em conta o que se pode observar actualmente nas ruínas das Minas dos Carris comparando com a planta deste edifício. Qualquer ajuda ou opinião é sempre bem vinda!!

Fotografias: © Rui C. Barbosa

Outros lugares de Carris (XXXI)

Carris, 28 de Novembro de 2007

Durante a minha última caminhada até às Minas dos Carris deparei-me com o que restava de uma construção peculiar. Esta construção não surge em qualquer plano que eu tenha das Minas dos Carris e para ser sincero é algo que passa despercebido a quem por lá caminha apesar da sua localização, encontrando-se ao lado na antiga enfermaria.

Certamente não é difícil de deduzir qual terá sido a sua utilidade após olhar para o que resta daquela construção, mas não deixa de ser interessante...
Fotografia: © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Notas históricas (XIV)

Carris, 23 de Julho de 1957

A Guerra da Coreia termina a 27 de Julho de 1953 e desde então a procura de volfrâmio nos mercados internacionais começa a baixar. Em princípios de 1956 a cotação do volfrâmio nos mercados internacionais é muito baixa e existe um desinteresse generalizado nos compradores. Este facto vam-se reflectir no universo mineiro nacional e as Minas dos Carris não fogem à regra.

A 23 de Julho de 1953 a Sociedade de Minas do Gerês Lda solicita a autorização para suspender a lavra nas várias concessões existentes em Carris (Salto do Lobo, Lamalonga e Corga das Negras) até que as condições dos mercados internacionais se modificassem.

Fotografia: © Rui C. Barbosa