sexta-feira, 16 de maio de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCCXXXVI) - O Campo do Gerês e a Serra Amarela

 


A bela aldeia do Campo do Gerês abrigada dos ventos Norte pelas vertentes do Pinhote, surge com a Serra Amarela num belo enquadramento a caminho da Calcedónia.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quinta-feira, 15 de maio de 2025

"Câmara dos Arcos de Valdevez vai dar parecer desfavorável a parque eólico em Sistelo"

 


Notícia da Lusa para ler aqui.

Câmara de Arcos de Valdevez vai apresentar parecer desfavorável ao projeto eólico para Sistelo que está em consulta pública até sexta-feira, revelou o presidente da autarquia em exercício. “O parecer da Câmara é desfavorável”, adiantou esta quinta-feira à Lusa o social-democrata Olegário Gonçalves, acrescentando que o parecer vai ser apresentado no âmbito da consulta pública da Proposta de Definição de Âmbito (PDA) do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) em curso.

Fotografia: Pedro Gonçalo Costa / O MINHO / Arquivo

Caminhadas do blogue Carris em Abril de 2025

 


Em Abril de 2025 percorri 184,4 km em caminhada de montanha, com um D+ 7.765 metros, totalizando 765,6 km e 29.510 D+.

Estas foram as caminhadas do blogue Carris em Abril de 2025:

- Trilhos seculares - Da Portela de Leonte à Lomba de Pau

- Trilhos PNPG - Trilho das Brandas da Gavieira

- Serra do Gerês - De Pedrogo a Junceda e Lamas

- Serra do Gerês - Da Portela de Leonte à Pedra Bela

- 381... Minas dos Carris (subindo pela Corga de Lamalonga)

- Serra do Gerês - Do Campo do Gerês às Silhas

- Outros trilhos - Trilho do Corno do Bico

- Trilhos seculares - Subida ao Alto do Borrageiro em dia de neve

- Serra do Gerês - Do Campo do Gerês à Portela de Leonte e via Geira

- Trilhos lá fora - Picos de Europa (Ruta del Cares)

- Trilhos lá fora - Picos de Europa (caminhada por Andara)

- Trilhos lá fora - Picos de Europa (Ruta do Monte Camba)

- Trilhos lá fora - Picos de Europa (Lago de Andara)

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

O forno pastoril do Curral de Felgueira

 


Num texto anterior referi uma visita ao Curral de Felgueira como parte do reconhecimento dos currais da Vezeira de Covide enumerados por Tude de Sousa no seu livro "Mata do Gerês" (Tude Martins de Sousa, 1926).

A visita na altura deu-se depois de ter a informação de que no curral não existia forno pastoril, apenas uma construção em betão armado que serviria de abrigo pastoril.

Para contextualizar, em 1907 a vezeira de Covide possuía 177 animais, dos quais 90 em vezeira e 87 em feirio. Esta vezeira não possuía currais dentro dos limites do perímetro florestal do Gerês, tendo os currais de Lameirinha, Peneda, Felgueira e Lubagueira, fora dos seus limites.

Ora, após uma nova passagem pelo Curral de Felgueira acabaria por determinar a localização e o que resta do seu antigo forno pastoril. Este localiza-se a cerca de 50 metros da construção já referida e agora está visível após se ter feito a limpeza do terreno, pois o forno pastoril estava totalmente coberto por anos de crescimento de vegetação.

Fica assim registado mais um antigo forno pastoril na Serra do Gerês.




Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Construções isoladas na Serra do Gerês: o caso do Curral do Pássaro

 


Em muitas deambulações pela Serra do Gerês, tenho encontrado construções de pedra solta cujo objectivo ou utilidade não é fácil de determinar.

Tendo em conta as tarefas que seriam levadas a cabo em muitas zonas da Serra do Gerês (pastorícia, mineração, contrabando, cultivo do centeio) em alguns casos, alguns edifícios podem ser aproximados a algumas destas actividades, porém para outros esta análise torna-se mais complicada e sujeita a mais especulação.

A zona nas proximidades do Outeiro do Pássaro e Cidadelhe foi uma zona muito utilizada nos idos da busca do minério de volfrâmio, bem como na pastorícia - tal como ainda o é.

A estrutura circular em questão está localizada nas proximidades do Curral do Pássaro, não muito afastado do carreiro que liga este aos Currais de Cidadelhe, próximo dos limites da zona de protecção total. Trata-se de uma estrutura circular em pedra solta com um diâmetro máximo de 4,7 metros e assente numa larga laje granítica.





Em tempos sugeri que esta estrutura pudesse ter sido a base de um abrigo castrejo devido à sua implantação de domínio sobre a zona envolvente. Esta estrutura poderia também ter sido utilizada nas tarefas relacionadas com a plantação de centeio, porém, se comprarmos o seu tamanho com a eira existente perto do Curral das Abrótegas, nota-se que o seu diâmetro é muito mais pequeno. Não muito afastado deste local existe um velho muro já muito alagado que poderia estar associado a um velho curral.





De referir que no vale do Couço (Couce) existem várias estruturas muito semelhante a esta e que irão merecer «estudo» em breve.

Fotografias © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Com papas e bolos se enganam os tolos" (II), 500 automóveis por dia no Verão na Mata de Albergaria

 


A Mata de Albergaria, na Serra do Gerês, será o coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG).

Sendo uma zona de máxima importância, pois é dos poucos bosques climácios sobreviventes em Portugal, foi decidido em 2007 (Portaria n.º 31/2007, de 8 de Janeiro) estabelecer uma taxa de acesso a esta zona. Esta taxa de acesso foi criada tendo como objectivo assegurar a preservação dos frágeis ecossistemas que caracterizam a Mata de Albergaria ao se aplicar medidas que passariam pela sustentabilidade da gestão dos recursos naturais, sujeitando a sua utilização ao pagamento de uma taxa de acesso, segundo o princípio do utilizador-pagador. A taxa tem um valor de 1,50€ por viatura / dia.

Na sessão comemorativa do 54.º aniversário do PNPG foi referido que "no Verão afluem diariamente mais de 500 automóveis, no total estimado de cerca de 1.200 pessoas por dia..."

Vamos fazer contas?

Se a cada automóvel é cobrado 1,50€, então o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) arrecadou, em 2024, 750,00€ por dia durante o período de cobrança da taxa.

Não tenho presente quando a taxa começou a ser cobrada em 2024, mas segundo esta publicação não foi antes de 18 de Junho. Para facilitar as contas, vou admitir que a taxa começou a ser cobrada a 22 de Junho e terminou a 30 de Setembro. Assim, foram 101 dias de cobrança (durante alguns dias, e devido ao encerramento da circulação na Mata de Albergaria, a taxa não foi cobrada, mas para a estimativa que se quer fazer aqui, este facto é irrelevante). Então, 750,00€ durante 101 dias leva-nos ao valor de 75.750,00€ que terão sido arrecadados em taxas de acesso à Mata de Albergaria em 2024.

Ao longo dos meses seguintes (e o mesmo verificou-se nos anos anteriores) não se vê qualquer trabalho de preservação dos "dos frágeis ecossistemas que caracterizam a Mata de Albergaria."

Qual o destino deste dinheiro?

Na realidade, a taxa de acesso à Mata de Albergaria é apenas um meio de financiamento do ICNF, nunca tendo sido aplicada para o verdadeiro fim a que supostamente se destina. Da mesma forma, a cobrança da taxa de acesso à Mata de Albergaria nunca assegurou a preservação dos frágeis ecossistemas daquela zona e nunca diminuiu o número de viaturas motorizadas que atravessam os acessos rodoviários entre a Portela de Leonte, Bouça da Mó e Portela do Homem, pois nunca se impôs um método de limitação do número de viaturas a transitar naquele espaço protegido.

Por outro lado, são poucos os benefícios que as populações locais - nomeadamente da freguesia do Campo do Gerês no interior da qual se localiza a totalidade da área da Mata de Albergaria - tiram do pagamento desta taxa por parte de quem visita aquela reserva.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

terça-feira, 13 de maio de 2025

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCCXXXV) - O Iteiro d'Ovos

 


O Iteiro d'Ovos, Serra do Gerês, situa-se nos limites de Terras de Bouro na sua extrema com Montalegre.

Segundo José Cunha-Oliveira na publicação "Outeirinho, Outeiro" no seu blogue "Toponímia galego-portuguesa e brasileira", iteiro é uma variante dialectal de 'outeiro', 'oiteiro' e 'eiteiro'. Por outro lado, o blogue "Beijós XXI (2005-2009)" na sua publicação "Iteiro" define "normalmente um cerro / morro que se destaca como acidente de terreno. Em várias regiões serviam como limites, términos, marcos da confluência de diferentes territórios, em particular nas civilizações pré-romanas. É esse o significado toponímico de Itero em Castela e Leão." 

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

"Jovens garantem futuro da subida da Vezeira do Gerês"

 


Notícia do Diário do Minho, pela jornalista Rita Cunha, para ler aqui.

A tradição da subida da Vezeira na vila do Gerês, já tem séculos e, olhando à adesão das novas gerações, está para durar.

Fotografia: Avelino Lima

"Com papas e bolos se enganam os tolos" (I), os 12.000 visitantes em áreas sensíveis no PNPG

 


Na sessão comemorativa do 54.º aniversário do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), Jorge Dias, Diretor do Departamento Regional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade do Norte do ICNF, referiu que em 2024 haviam sido solicitadas mais de 12.000 autorizações para visitação nas zonas de protecção total desta área protegida!

O número surpreende pela sua dimensão, mas será que terão sido mesmo solicitadas 12.000 autorizações em 2024, isto é, cerca de 33 autorizações por dia ao longo de todo o ano? E note-se que este número não inclui os dados referentes às empresas de animação turística. Logo, é um número que não deixa de ser estranho. E mais estranho se torna se reduzirmos as janelas temporais; é só fazer as contas!

Uma análise ao gráfico apresentado na referida Sessão ajuda-nos a explicar este número. Ora, o gráfico tem como título "Caminhadas em Áreas de Protecção Total e Parcial" e mostra os seguintes números:


Ora, o gráfico refere-se a número de visitantes e não ao número de autorizações como esta notícia quer fazer crer e como foi referido na sessão, conduzindo assim em erro a interpretação dos dados apresentados. 

Mas vejamos este número se o interpretarmos como ser o número de pessoas incluídas nas autorizações concedidas em 2024.

Parte-se do princípio que os dados apresentados referem-se ao número de pessoas incluídas nos pedidos de autorização. Assim, será um número estimado e não um número factual de pessoas que podem ter participado em caminhadas nas zonas de protecção total. Por outro lado, e tendo em conta que em muitos casos não há necessidade de autorização para as caminhadas em zonas de protecção parcial (dependendo do número de participantes num grupo), como é que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) chega a um número tão preciso de participantes nas caminhadas em 2024?  

Continuemos ainda com o número fornecido pelo ICNF e admita-se que este se refere apenas às zonas de protecção total. Assim, teremos 12.484 pessoas a percorrer as zonas de protecção total do PNPG. Sabendo que o ICNF apenas concede autorização nos percursos ao longo do Vale do Alto Homem (entre a ponte sobre o Rio Homem e a Corga da Carvoeirinha / Minas dos Carris) e na Costa de Sabrosa (caminhadas aos Prados da Messe) - os restantes percursos nunca (NUNCA!) são autorizados - então de novo teremos cerca de 33 pessoas por dia / 365 dias no ano (em 2024) a percorrer quer o Vale do Homem, quer a Costa de Sabrosa. De novo, há algo aqui que não me parece bater certo e mais estranho se torna se reduzirmos a janela temporal.

Quem caminha no PNPG sabe muito bem que o número de caminhadas na «alta montanha» do Parque Nacional no estio é extremamente baixo e que 95% dos visitantes apenas procuram esta região pelas cascatas, rios e lagoas. Por outro lado, e apesar de serem montanhas acessíveis, o número é extremamente reduzido na invernia e em dias de chuva.

Em conclusão, por que é que se quer fazer passar a ideia de que o PNPG é invadido nas suas zonas de protecção total (ou mesmo parcial) por uma horda de visitantes? A resposta estará no próximo Regulamento Geral do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Carrilheiras de Barroso 2025

 


A edição de 2025 da Carrilheiras de Barroso terá lugar a 24 e 25 de Maio.

Inscrições aqui!

Paisagens da Peneda-Gerês (MDCCCXXXIV) - Água da Laje do Sino

 


Por entre a imensidão granítica da Serra do Gerês e sobre um céu carregado de nuvens, a Água da Laje do Sino despenha-se pelas escarpas da Encosta do Sol, no Vale do Alto Homem.

Fotografia © Rui C. Barbosa (Todos os direitos reservados)

domingo, 11 de maio de 2025

Webinar internacional - "Pastoreio extensivo em territórios de montanha"

 


O Webinar internacional "Pastoreio extensivo em territórios de montanha" terá lugar no dia 26 de Maio de 2026, pelas 15h00.

O pastoreio extensivo na montanha associa-se a práticas comunitárias ancestrais e a um património cultural e natural de elevado valor. A sua continuidade valoriza a tradição e as lógicas comunitárias, mas também a inovação, com o envolvimento de novos actores e estratégias de valorização.

Dar a conhecer protagonistas destas dinâmicas em Portugal e na Europa é o objetivo deste webinar organizado pelo Projeto Bem Comum e ESA-IPVC (Engenharia do Ambiente e Geoinformática).

IX Encontro de Artes, Ecologia e Ruralidades

 


O IX Encontro de Artes, Ecologia e Ruralidades terá lugar a 24 e 25 de Maio de 2025 no Campo do Gerês.

As vezeiras estão na serra!

 


As ruas das Caldas do Gerês assistiram no dia 11 de Maio de 2025 a mais uma subida das vezeiras de Rui Caldo e do Vilar da Veiga, numa secular tradição que nos nossos dias é assinalada pela Festa da Vezeira, na sua XIX edição.

Tradicionalmente, as vezeiras deverão permanecer nos pastos de altitude até finais de Setembro ou, se as condições meteorológicas o permitirem, prolongar-se por Outubro.

Uma galeria de fotografias deste evento está disponível aqui (jornal O Amarense).

Fotografia © O Amarense (Todos os direitos reservados)

sábado, 10 de maio de 2025

PNPG em risco!

 


Apesar dos seus 54 anos de existência, o futuro do nosso único Parque Nacional está em risco com o projecto de implantação de uma série de geradores eólicos nos seus limites.

É um verdadeiro cerco ao Parque Nacional Peneda-Gerês, pois cerca de metade das torres eólicas propostas para Arcos de Valdevez localizam-se nas imediações de Áreas de Proteção Total e de Proteção Parcial Tipo I. Estas são áreas onde os valores naturais são mais elevados! 

O caminho de acesso a algumas das torres será o próprio estradão florestal que determina o limite do único Parque Nacional do país! 

Uma flagrante violação dos limites do PNPG é o facto da Torre 25 se implantar próximo da nascente do Rio Vez!

Junte-se aos mais de 3150 pessoas que já assinaram a petição contra este projecto!

Assina a petição!