sexta-feira, 20 de abril de 2012

Carta aberta aos Bombeiros Voluntários de Barcelos

Esta é a minha «resposta» à insultuosa carta aberta que os Bombeiros Voluntários de Barcelos enviaram à população daquela cidade...

Ex.mos Senhores,

Tendo conhecimento da carta aberta que V. Ex.cas dirigiram aos cidadãos de Barcelos, não necessitaria de nada mais para confirmar as intenções de V. Ex.cas perante a realização da vossa tourada de beneficência.

Utilizando termos pouco dignos de quem dirige uma associação humanitária, fico indignado pelo "chorrilho" da vossa reacção perante os protestos de centenas e centenas de pessoas que vêm com desagrado a realização da vossa tourada em Barcelos. Sim, porque a tourada é vossa e com o vosso nome legitimam o mau trato e a tortura de animais a coberto da suposta angariação de fundos e homenagem a um vosso colaborador.


Nesta sociedade vivemos tempos de mudança e quem não quer ter noções dessas mudanças, arrisca-se a ficar parado no tempo numa realidade alternativa e fantasiosa onde tudo vale para a angariação de necessários fundos. Vocês encobrem-se da mentira que vos foi dita pela tauromafia que insiste na implantação de uma «tradição» má, feia e atroz, e a todos os níveis muito pouco compatível com uma associação humanitária que dizem ser. Por ventura sabem do que falam? Ou pensam que somente por vestirem uma farda pensam ser humanitários? 'Humanitário' é aquele que procura o bem da Humanidade e a Humanidade só está bem em perfeita harmonia com o entorno no qual vive. Esta harmonia é incompatível com a tourada que é promovida utilizando o vosso nome, pois vós sois uns dos beneficiários dessa barbárie.


Ao aceitar associar o nome de uma digna instituição a um espectáculo de tortura e morte, vocês desvirtuaram todo o conceito de humanitarismo. E na chorrilhada desculpa de que terão sido contactados por uma empresa tauromáquica para a promoção da barbárie em Barcelos, só acredita nela quer quer. Se o vosso objectivo é obter receitas nestes tempos difíceis, credito que a míngua possa surgir porque infelizmente fazem parte do enredo que manipula e fantasia a população ao manter a atrocidade pouco compatível com a vossa figura de... humanitarismo.


Ao contrário do que referem os espectáculos há muito deixaram de ter a implantação nacional que vocês desejam que tenham para limpar a vossa consciência. A tauromaquia é algo em declínio, assim como serão aqueles que a coberto das razões humanitárias e de homenagem tiram partido do mau trato dos animais. É muito triste ver que a corporação não tem um comando capaz de pensar por sua própria vontade, indo refugiar-se nas mentiras e decepções da tauromafia para justificar o injustificável.


Apoiar ou não apoiar as touradas não se resume ao respeito pela opinião dos outros, resume-se sim ao respeito pela vida de um animal que é torturado antes, durante e depois da lide, mas que para vocês não passa de uma maneira de fazer dinheiro, dinheiro esse sujo de sangue e que para sempre irá manchar a imagem que vocês tanto querem manter. É certo que a minha liberdade termina quando começa a vossa liberdade para tourear, mas eu como se humano sinto-me na obrigação moral (moral!!!!) de defender os animais que não têm voz e que por isso não lhes podem dizer que não querem sofrer na arena para que com o sacrifício vocês possam receber uns míseros euros. Certamente que com outro tipo de espectáculos (musicais, etc.) certamente teriam a oportunidade de fazer mais receita e de homenagear o vosso colaborador.


Tendo disto isto, não aceito que vocês me considerem autor de chorrilhos e que afirmem que eu, como cidadão livre deste país, vos tenha ofendido seja de que forma for ao emitir a minha opinião sobre a vossa decisão de promover e de dar o vosso nome a um espectáculo vil e cruel. Assim, não vos admito que ponham em causa o meu bom nome, imagem e dignidade, pelo que não hesitarei em recorrer a todos os meios legais ao meu dispor, caso seja mais uma vez insultado pela vossa forma de justificar o injustificável e menorizando o meu direito à indignação e o meu dever de apontar aqueles que mal tratam os animais, ainda por cima por causas que de humanitárias nada têm. Olhem-se ao espelho e tenham vergonha!


Sem mais!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Postais do PNPG (CXLII) - GEREZ - Ponte Feia sobre o rio «Homem»

A zona da Ponte Feia é um dos locais mais peculiares da Mata de Albergaria, na Serra do Gerês. A sua ponte original foi há muito substituída pela actual ponte de madeira, mas ficou o orónimo do local.

Fotografia © Miguel Campos Costa / Rui C. Barbosa

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Projecto de resolução do Bloco de Esquerda sobre as malfadadas taxas!


O Bloco de Esquerda irá apresentar um Projecto de Resolução que recomenda ao Governo que se isente do pagamento de taxas as actividades desportivas nas áreas protegidas.

Mais informação aqui.

Bouça da Mó... o mundo das cinzas...


Poucos dias após a acção de plantação da Serra Amarela e da Serra do Gerês levada a cabo pelo Movimento Terra Queimada, um incêndio devastou parte da Bouça da Mó e parte das plantações feitas uns dias antes. Convidei a Teresa Markowsky a expressar os seus sentimentos sobre o que ocorreu e este texto é o resultado desse convite. Agradeço à Teresa e ao Bernardo pelo texto e pelo poema que se seguem...

A Bouça da Mó é linda! Com as suas nascentes e fontes da mais pura água, correndo pelas suas encostas, o seu verde exuberante de matas de carvalhos centenários, azevinhos e medronheiros.

Nunca te cansas de olhar esta beleza, quando sobes a sua encosta íngreme e contemplas o rio Homem, a Serra Amarela, agora triste na sua nudez, depois do incêndio de 2010. Vocês nunca compreenderão o que são estas montanhas, estes lugares, senão caminharem por eles a pé.

Conheci este lugar imediático através de uma pessoa, também ela imediática, que se encantou deste lugar. Viveu durante largos anos na Bouça da Mó, numa roulotte e na companhia dos seus cães.

O seu nome era António da Silva Pichel, mas era conhecido por Pichel, no Gerês chamavam-no Pai Natal mas eu chamava-o de pai Pichel.

Era meu vizinho na casa dos meus pais no Porto e como eles tinha seis filhos: o Eduardo, a Tilecas, os gémeos Tó e Victor, a Bé e o Jonas, meu companheiro de brincadeiras.

Ele era grande e forte, tinha um aspecto rude, com farta cabeleira e longa barba branca e o seu olhar fazia-nos sentir um profundo e estranho sentimento de solidão e de doçura. O que mais emanava dele era a sua prodigiosa vivência da natureza com que se modulou e formou o seu carácter. A natureza e ele viviam esplenderosamente e qualquer coisa que afecta-se essa harmonia tirava dele agressividade e revolta, pois era uma luta pela vida, de plena dignidade natural. Nada havia de sobre-humano nele, que não fosse o facto admirável de um homem ser capaz de lutar e de sobreviver para além do que parece ser o legítimo das suas forças.

Ele era professor de ginástica e daí veio a sua extraordinária força física.

A sua casa era diferente de todas as outras. Grandes carvalhos, eucaliptos e pinheiros cobriam-na a toda a volta e daí resultava que os pássaros cantavam mais alto na nossa rua do que em qualquer outra. Chegou a trazer do Gerês um cavalo garrano que muitas vezes cheguei a ver a espreitar da janela do rés-do-chão. Se lhe perguntavam como era possível deixar o cavalo estar dentro de casa ele dizia que este sabia se comportar melhor do que muitas pessoas e que nunca fazia as necessidades lá dentro. Lá dentro também viviam o Negro, um grande cão preto raçado de molosso, uma rapozinha, e mais uns três ou quatro cães que o acompanhavam para todo lado.

Ele foi um homem da natureza e como a natureza, teve alguns aspectos selvagens.
Poucas vezes, no nosso tempo, terá aparecido um homem tão puro, em que a natureza e a humanidade estivessem, frente a frente, tão verdade.

Lembro-me da sua grande mão sacudindo-me gentilmente a cabeça, quando me via preocupada ou triste. Com ele experimentava sempre um profundo e estranho sentimento de segurança.

Até então, jamais vira tão bondosos olhos. Não eram olhos suaves e gentis, mas sim bondosos e fortes. Ele dizia-me: ”Teresa, um homem pode ser destruído, mas não derrotado. Parei há muito tempo de fugir e agora jamais ninguém poderá fazer com que eu fuja. Porque quando a fuga é longa, não há sítio nenhum para onde possamos fugir. Quando alguém compreende isso, torna-se um homem e aguenta qualquer embate. Tu também hás-de aguentar o embate, um dia, mas não por enquanto. Estás ainda muito fraca.”

Quando recebia alguém na sua casa, dizia: “Olá, tu és bem vindo para entrares, se gostares de partilhar.”

A sua razão de viver identificava-se com as suas relações, ajudando quem mais carecia das injustiças e solidão e com a terra onde vivia.

Foi no coração do Gerês, que encontrou a paz e equilíbrio e onde afincou as suas raízes ao solo, para poder pensar e sentir mais profundamente os mistérios da vida e as forças vivas que o envolvem. Aí aprendeu e desenvolveu uma relação de pleno respeito com todas as criaturas da terra, e um grande sentimento de fraternidade com o seu semelhante.

Para mim o Pai Pichel era um sábio. Ele sabia que o coração do homem afastado da natureza se torna duro; sabia que a falta de respeito para com o que cresce e vive, depressa conduz também à falta de respeito para com o ser humano. Por isso mantinha ele os jovens sob a mansa influência da natureza.

“O que é a vida?”perguntava-me ele. ”A vida é algo muito simples. É o brilho do pirilampo na noite. É o sopro do vento nas árvores. É a sombra que corre na erva e se perde ao fim do dia."

Quando morreu gostaria de o ter enterrado naquele lindo monte virado para o rio Homem, na Bouça da Mó. Era esse pedaço de terra que ele amava mais do que o resto do mundo.

Nos dias 24 e 25 de Março o Movimento Terra Queimada, realizou um evento que consistia em fazer bolas de sementes de árvores autóctones e lança-las pelos montes queimados da Serra Amarela. Como se defrontou com os problemas derivados da seca e consequente falta de chuva, resolveu por as bolas nas encostas perto da Bouça da Mó.
O agradecimento foi que dois dias depois, um grande incêndio, ateado por mãos criminosas, deflagrou na Bouça da Mó.

Na nossa dor e revolta, eu e o meu marido, Bernardo Markowsky, escrevemos este poema.

A mó partida no chão
no meio das cinzas pesadas,
arrefecidas sobre o brasido
das coisas logradas ou perdidas.
A mó da vida parada,
em vez do pó da farinha
destroços e ossos negros
erectados para o céu azul,
dedos que apontam as riscas.
A mó da vida parou,
o ventre da terra secou, endureceu.
Um dia vamos humedecê-lo
com as lágrimas nossas.

O quê, meu amigo?
Que bárbaros andam à volta
cegos para a beleza,
surdos para o som das copas,
encobertos em cobardia?
Onde fica o espírito desta comunidade
que matou a besta faminta
em devorar toda a floresta?
Vieram com paus e enchadas,
homens, mulheres e crianças,
defender o que era deles,
o bosque sagrado que continha
o incrível cheiro da terra,
os espíritos dos antigos.

O juízo deste povo desvanece,
afogando-se como a sua aldeia,
está a cair em escombros, em pedaços
como a serra, herança pedregosa?
Mas mesmo a partir do mais negro
ascende uma fagulha da vida,
move-se no caminho debaixo da terra
e forma o caminho das águias.
Todos os verdadeiros caminhos são comuns.
A águia desassossegada
está chamar por ti, por mim:
O sagrado tem caule e tem raízes
é uma presença muda e vegetal
folhas – línguas discretas.
A sombra do silêncio a revestir
os gestos rituais dos ramos,
que são braços actuais
a receber o tempo que há-de vir.*

* Os últimas linhas são de Raúl Brandão

Fotografia © Bernardo e Teresa Markowsky

domingo, 15 de abril de 2012

Barcelos gritou que não quer touradas...

Realizou-se hoje na cidade de Barcelos uma manifestação que juntou cerca de 200 pessoas que gritaram a sua indignação pela realização de uma tourada benemérita naquela cidade.

A coberto da necessidade de recursos e numa homenagem a um bombeiro falecido, a corporação dos Bombeiros Voluntários de Barcelos decidiu organizar uma tourada benemérita para a angariação de fundos para a corporação que luta com dificuldades financeiras. Por outro lado, a tourada servirá também para homenagear um falecido bombeiro daquela corporação que era aficionado.

As 200 pessoas presentes concentraram-se à frente das instalações dos Bombeiros Voluntários de Barcelos que simplesmente nem tiveram a dignidade de se dirigirem aos manifestantes, preferindo permanecer no interior das instalações. Percorrendo algumas ruas da cidade e dirigindo-se depois à câmara municipal, os manifestantes foram chamando a atenção dos barcelenses para o facto de a sua cidade vir a ser palco de uma sessão de tortura e mau trato de cavalos e touros no próximo dia 6 de Maio. De salientar que a câmara municipal recusou incluir a tourada nos programas das festas da cidade.

Assim, a tourada benemérita irá trazer uns míseros euros sujos de sangue e morte aos bombeiros voluntários de Barcelos que podiam ter a inteligente ideia de organizar um concerto do Tony Carreira que certamente lhes traria mais fundos. Compreende-se que algumas mentes sejam curtas?...

Fotografia © Rui C. Barbosa

Hipocrisia qd

O píncaro da hipocrisia por parte destes tauromafiosos que com a cobertura de uma imprensa pró-tourada organizou esta triste e hipócrita cena de querer entregar 500 kg de ração à União Zoófila!

Olhem para a cara destes verdadeiros mafiosos que promovem a dor e a tortura no nosso país e vejam nos seus olhos o verdadeiro sentido da mentira, do oportunismo numa altura em que o país assistia a uma das maiores manifestações em pró da causa animal.

Como classificar esta gentalha podre, baixa e medíocre?

Fotografia: Correio da Manhã

Todos a Barcelos! Contra as bestas! Pelos animais!


Hoje, dia 15 de Abril, pelas 15:30 todos a Barcelos protestar contra a tourada promovida pelos Bombeiros Voluntários de Barcelos que foram iludidos pelos touromafiosos que a encoberto da beneficência se preparam para maltratar e torturar touros e cavalos em mais um «espectáculo» de masoquismo e sangue.

Todos a Barcelos, contra as bestas pelos animais!

"Quero que seja claro que defendo e defenderei sempre os animais, as vítimas mais fáceis e indefesas da bestialidade de que somos capazes." Rodrigo Guedes de Carvalho, 2012.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Queda de neve nos Carris - 13 de Abril de 2012 (II)


A neve começa a cair nas Minas dos Carris a 13 de Abril de 2012, Sexta-feira.

Vídeo © Rui C. Barbosa

Queda de neve nos Carris - 13 de Abril de 2012


A neve começa a cair mais intensamente nas Minas dos Carris a 13 de Abril de 2012, Sexta-feira.

Vídeo © Rui C. Barbosa

183... Carris antes das bruxas

Carris, 13 de Abril de 2012

Nova caminhada às Minas dos Carris, desta vez em dia de azar, Sexta-feira 13, com a sorte da «surpresa» da neve que começou a cair ao chegarmos ao velho complexo mineiro.

Sobre esta visita duas notas: existe gente muito badalhoca que «pensa» que pode deixar lixo em todo o lado (conspurcam o meio ambiente com o lixo e a sua presença); não vi bruxas nos Carris, mas que elas andavam por lá... isso andavam!

Saímos da Portela do Homem pelas 8:40 e seguimos pelo caminho usual. Depois, viramos naquela ravina e descemos um pouco até chegarmos à ladeira que sobe a direito. Após uns 30 minutos de subida, surgiu um pouco mais de ladeira e a paisagem aqui era fenomenal com as serranias cobertas pelas negras nuvens que ameaçavam chuva... ou neve!!! Após uma pequena paragem viramos na corga logo ali ao lado e depois o caminho começou a empinar um pouco mais. Seguimos, seguimos, seguimos até passar o Café do Barbosa e aqui metemos por um atalho que nos poupo uns 3 metros de caminho, coisa que nos permitiu adiantar umas 3 horas de caminhada. Ali ao lado a paisagem é brutal com a planície mesmo ali em cima nas nuvens... Depois subimos, descemos e voltamos a descer e depois subir. Após subir um pouco mais, voltamos a subir e finalmente subimos o que faltava. Quando demos por ela, estávamos na Corga da Carvoeirinha e as minas eram já ali...

À chegada aos Carris o frio fazia-se sentir com -0,5ºC e um vento cortante que arrastava consigo flocos de neve e algum granizo. Aqui e ali a neve ia-se acumulando nos cantos mais escondidos das ruínas. Procuramos abrigo no único local que as bestas não destruíram, mas que se encarregam de sujar de cada vez que lá vão. Desconfio que não sejam sempre as mesmas,o que vem a provar que há muita besta neste mundo!

Retemperadas forças e aquecida a alma com um chá quente, fomos visitar a represa. Passando sobre as Negras, a Nevosa estava escondida pelas densas nuvens que arremessavam neve a toda a velocidade puxada pelo vento. No local do antigo posto meteorológico a besta mor decidiu lá deixar uma garrafa... deve-se ter sentido o maior do mundo e sacado alguns sorridos e piadas às miúdas... mas infelizmente não passa de um triste asno que não consegue compreender que uma garrafa vazia pesa menos do que uma garrafa cheia. O vácuo entre as orelhas de algumas pessoas é quase puro!

Lá seguimos até à represa com um vento infernal e neve a espetar-se no rosto como agulhas. Uma filmagem e um dedo enregelado que voltou à vida após alguns esfreganços. A partir daqui a neve começou a cair com intensidade fazendo jus às previsões que apontam para um nevão entre o dia 13 e 14 de Abril. Visitada a represa, foi hora de regressar seguindo o trajecto contrário ao descrito mais acima... querem que repita?

Algumas fotografias da jornada...





















Fotografias © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A vergonhosa tourada dos Bombeiros Voluntários de Barcelos


Hoje enviei um novo email para os Bombeiros Voluntários de Barcelos a propósito da tourada «benemérita» que vão organizar a 6 de Maio. Tal como aconteceu com um email que enviei anteriormente, não espero qualquer resposta, mas aqui fica o texto enviado:

Ex.mos Sr.s

As vossas acções beneméritas e a vossa forma de estar ficará para sempre manchada no dia 6 de Maio pela vossa vergonhosa decisão de
organizar uma tourada «benemérita».

Os bombeiros em geral não merecem a vossa atitude, Barcelos não merece a vossa atitude.

Aquilo que vocês vão usar para conseguir uns miseráveis euros é uma «arte» covarde de torturar Touros e Cavalos com requintes de malvadez, numa luta absolutamente desigual, onde a covardia do torturador contrasta com a heroicidade do animal, previamente enfraquecido, o qual, ainda assim, luta valorosamente pela sua vida, enquanto é cruelmente flagelado física e psicologicamente, até à extrema exaustão, quando finalmente desiste de viver, e o torturador aproveita para vangloriar-se, levantando os braços, triunfante, como se fosse ele o herói, numa cena sinistra e patética.

Pensem um pouco na vossa atitude e cancelem essa coisa miserável que vão organizar.

Sem mais,

quarta-feira, 11 de abril de 2012

A memória de Vilarinho da Furna em Budapeste


O escritor e actor André Gago estará presente num encontro de escritores europeus que terá lugar em Budapeste, Hungria, e onde falará dos seus trabalhos entre os quais se encontra o fabuloso 'Rio Homem'.


"Em plena Guerra Civil de Espanha, Rogelio - um jovem galego de ideais republicanos - e alguns dos seus companheiros de guerrilha entram em Portugal clandestinamente com o propósito de apanhar, na cidade do Porto, um navio que os leve aos Estados Unidos e os liberte para sempre da ameaça do fuzilamento e da prisão. Porém, no momento em que Rogelio se afasta do grupo para testar a segurança da próxima etapa da viagem, desconhece que virou do avesso o próprio destino: doravante completamente só num país que desconhece, o jovem sofrerá uma experiência próxima da morte que, paradoxalmente, o fará renascer como homem no seio de uma comunidade algo visionária, visitada e admirada por grandes intelectuais - a aldeia de Vilarinho da Furna. Aí encontrará o amor, de muitas maneiras.

Exaustivamente investigado, narrado com mestria e beleza e com uma galeria de personagens admiráveis (entre as quais não podemos deixar de reconhecer, por exemplo, Miguel Torga), Rio Homem cruza duas histórias magistrais - a de um refugiado que perdeu todas as suas referências e a da aldeia comunitária que o acolheu e que hoje jaz submersa na albufeira de uma barragem."

Este romance tem a curiosidade de decorrer em paisagens conhecidas dos amantes da Serra do Gerês. Centrado em Vilarinho da Furna, o leitor facilmente reconhecerá outras paisagens e nomeadamente as Minas dos Carris...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Fotografia mistério

De todas as fotografias clássicas que tenho das Minas dos Carris, a fotografia que ilustra esta entrada é a única que se escapa a uma identificação na sua localização. A fotografia faz parte de uma sequência de fotografias das Minas dos Carris que me foram cedidas e parto do princípio que de facto mostra uma aspecto das minas nos anos 40 ou 50. No entanto, pode também não mostrar qualquer zona dos Carris e sim um aspecto de umas minas em Trancoso que faziam parte de um grupo de concessões que pertenciam à então Sociedade Mineira dos Castelos, Lda. que explorou as concessões na Serra do Gerês nos anos 40.

Quem diz que as Minas dos Carris já não têm segredos?

Fotografia © José Rodrigues de Sousa; Rui C. Barbosa

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa e religiosidade nas Minas dos Carris

Várias vezes me tenho cruzado com várias pessoas que teimam em chamar «capela» a um dos edifícios mais característicos das Minas dos Carris devido à sua estrutura peculiar. Muitos dizem mesmo que foi quem lá trabalhou que lhes disse que tal edifício era mesmo uma capela. É óbvio que não existem tais pessoas ou se existem não sabem o que dizem, pois de facto o edifício era uma cozinha que servia a Casa do Pessoal Superior da Mina.

No entanto este assunto levou-me várias vezes a questionar como seriam passadas estas épocas nas minas? Como seria passar o Natal ou a Páscoa? Não existem registos sobre isto e nos Carris os sinais de religiosidade são inexistentes. Associados à actividade mineira, o único aspecto religioso que encontrei na Serra do Gerês está localizado na Mina de Borrageiros (ou Mina do Borrageiro) e parece ser um pequeno altar muito provavelmente dedicado a Sta. Bárbara.

Porém, será de esperar que as pessoas que trabalhavam nas minas dedicassem estes dias a viver a sua religiosidade. Se muitos eram oriundos das aldeias serranas, outros, mais longe das suas terras de origem, viveriam o Natal e a Páscoa nas instalações mineiras. É provável que nas suas casas nas minas existissem os sinais característicos da religiosidade vivida no Norte do país com raízes mais profundas nas populações. O mesmo já não aconteceria à maior parte do pessoal dirigente da mina, muitos deles oriundos do Sul de Portugal onde os aspectos religiosos são vividos de forma menos intensa.

Fotografia © Rui C. Barbosa

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Leitura de fim-de-semana: "Perdidos na Montanha"


O livro "Perdidos na Montanha", de Paulo da Silva, é um pequeno conto juvenil que aborda o tema da amizade entre pessoas distintas sublinhada por uma aventura na montanha.

Três jovens partem à descoberta e à aventura, e ao longo da jornada são confrontados com o bem e com o mal que influenciam a montanha dando-lhe vida e transformando-a no belo lugar que a muitos apaixona.

Este é um livro que para além do tema da amizade pretende fazer reflectir para os mais novos as vivências e sensações que o autor foi tendo ao longo das suas jornadas pela montanha, vivendo-a de uma forma única.

A apresentação do livro "Perdidos na Montanha" terá lugar no dia 19 de Maio pelas 15h00 no Auditório da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, Vila Nova de Famalicão, contando com a presença de Rui C. Barbosa e de Carlos Sá.